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coabcoso Autoria:Luciana Waack Para parcerias com este blog, informe ao proprietário do mesmo acerca da intenção através deste e-mail: inominavelser2007@gmail.com

A Tocar: Collide - Frozen (Chill Mix)

domingo, 16 de agosto de 2009

Slayer - Bloodline




Composição: Jeff Hanneman / Kerry King

Eternal the kiss I breathe
Syphon your blood to me
Feel my wounds of your God
Forever reign immortality
I smell of death, I reek of hate
I will live forever
Lost child, pain of death
Bleeding screams of silence
In my veins your eternity

I'll kill you and your dreams tonight
Begin new life
Bleed your death upon me
Let your Bloodline feed my youth

First breath 'fore I come alive
Learn to kill
Blood thirst the ways you feed your hunger
Dark shy has no rival test your faith in blood
Nightime as hunting packs of feeding frenzy

I'll kill you and your dreams tonight
Begin new life
Bleed your death upon me
Let your Bloodline feed my youth

I am the first after last
Commune by a single kiss
Betray eternally I'll rip inside your soul
Contaminating the world
Deviding Godless sun
Black art to face your death
There will be a hit for me
King Take the flesh of life itself
Prepare to reign a thousand years

I'll kill you and your dreams tonight
Begin new life
Bleed your death upon me
Let your Bloodline feed my youth
Bleed your death upon me
Bleed your death upon me
Bleed your death upon me
Let your Bloodline feed my youth










segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A Metralhadora De Eligos

http://lh4.ggpht.com/_JBVQSYPPVxk/Sn-Fz7YZ9HI/AAAAAAAAEgE/ml0ZXr4QimU/s400/Selo%20De%20Eligos.jpg



Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Não tenho como não ser um soldado. Não haveria como eu não ser um soldado. Estou nas sombras dos carrascos dos sangrentos campos povoados de cadáveres. Estou nas sombras dos carrascos dos sangrentos campos solitários cujos cadáveres choram por causa de minha passagem. Meu paraíso consiste em derramar sangue e aos heróis e aos vilões de todas as guerras meus terrores falam em meu nome. Meus clarões e estampidos ressoam longe e sacudo ultraviolentamente as vestimentas dos tenentes e dos generais de renome. Sempre estou na linha de frente das guerras, sou sereno e indomável, nunca me canso de lutar e nem de sangue derramar para a glória do meu bem em ser um soldado que verdadeiramente sabe lutar.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. No Vietnã, pela sangrenta verdadeira bandeira estadunidense, alcancei a minha glória nas vastidões de sangrentos campos de glórias. Em 12 de janeiro de 1962 estive na primeira operação contra os vietcongues, a Operação Chopper. As primeiras mortes de uma guerra por mim até hoje amada.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estivwe na Batalha de Hamlet de Ap Bac aos 02 de janeiro de 1963, fazendo cair inimigos pelos flancos todos da batalha, esmagando cada um com a fúria de minhas balas.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Rolling Thunder aos 24 de fevereiro de 1965, que foi interrompida por determinações de superiores, mas retomada em 1968. Matei por um prazer assombrosamente exaltante de todos os meus poros cada inimigo que surgiu à minha frente em cada ocasião, não parei para descansar e nem para respirar.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Starlight aos 17 de agosto de 1965, Marine acometido de uma sede ímpar de sangue que se espalhou pelo solo e moldou até o nascimento de flores que ainda hoje estão nascendo entre minas que ainda não foram retiradas.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Crimp aos 08 de janeiro de 1966, esplendorosamente esfomeado, saciando mais esplendorosamente ainda a minha infinita sede de sangue, túneis repletos de vietcongues explodidos, largas mansões de sangue por Saigon, inimigos de dentes cerrados que quebrei com o poder dos impactos do que saia de meus lábios.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Birmingham em abril de 1966, dos helicópteros, pela terra, ah, como matei, como derramei bastante sangue inimigo por aquelas terras vietnamitas, prazeres que não esqueço, prazeres dos quais ainda me alimento!


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Hastings em maio de 1966, frutificando-me em derramamentos indiscriminados de sangue daqwele povo vietnamita inimigo meu naquelas circunstâncias de meu prazer em atuar a favor de uma bandeira exemplar, selvagem ruptura de corpos a todo o momento e muito do que saiu de meus lábios participou de rupturas que estão na memória de meus guerreiros pensamentos de inesgotável soldado.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive nas duas fases da Operação Atlleboro em 1966, zonas de guerra ensangüentadas, brigadas ensangüentadas, dos dois lados das batalhas me satisfiz no corrente derramar de sangue, eu matava, eu via morrer, eu adorava tudo que sem vigor e respiração caia em meu redor.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Deckhouse Five, entre capturas de inimigos e quedas de soldados aos quais estava aliado, pude me saciar um tanto quanto possível com o sangue que derramei e com o sangue por outros derramado.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Junction City, muita morte, muita morte adorável, muita morte poderosamente adorável, muita morte que suguei e que se estampou em meus profundos ossos acumulados desde os primeiros embates nos quais meus lábios sangue derramaram.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na grandiosíssima Operação Niagara em 05 de janeiro de 1968, meus maiores momentos de maiores sangramentos, saciei-me sorvendo o sangue caindo de mim perto, saciei-me sorvendo o sangue caindo ao longe, saciei-me sorvendo o sangue que derramei em meus próprios lábios perto e longe.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Batalha de Khe Sanh, iniciada em 21 de janeiro de 1968 e explorei todas as possibilidades de mortes muito amáveis para o meu patamar de relatos de amáveis mortes, pude me saciar com gritos de agonia, com suspiros finais, com mutilações gerando mortes muito lentas e com o brilho do fogo das armas a acender-se com uma mortal fome voraz.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Ofensiva de Tet, iniciada em 30 de janeiro de 1968, espelhando manchas de sangue no solo com as esferas mais sonoras de orquestras trazendo mortes, harmonias mortais, notas mortais, sons mortais de canhões e labaredas chamejantes pedindo mortes a mais.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Primeira Batalha de Saigon aos 07 de março de 1968, ruas e áreas florestais devastadas e ensangüentadas, e os filhotes supremos nascidos de cada morte eu devorava enquanto eles gritavam por uma liberdade que eu nunca lhes darei.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Pegasus aos 08 de agosto de 1968, despertando na Primeira Divisão de Cavalaria da estadunidense bandeira assassina uma Besta Maior que operou em uma rota sangrenta de causas das piores mortes possíveis dentro das sagradas formas de matar que muito me inspiram o respirar.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Menu em fevereiro de 1969, liberando sangrias torturantes nos feridos que os levaram às mais horrendas mortes, expelindo de meus lábios uma torturante forma de atormentar agonizantes até o findar do respirar totalmente, afundando a partir de meus lábios os mais variáveis crânios inimigos abatidos com um prazer dos mais sãos e insanos mortais prazeres.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Lam Son 719, as mortais tropas dirigi em uma trajetória que meus lábios narraram em sangrentas formas, arruinei particulares mundos e corrompi coletivos mundos, os mundos dos soldados inimigos e aliados caindo e caindo e caindo, sempre me dando a chance de apreciar as mortes deles com um mortal aconchegante carinho pelas formas como morriam.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Ofensiva Eastertide iniciada pelos inimigos aos 30 de março de 1972, sacrifiquei em meus lábios inimigos que meus sons devoraram e não lamentei as mortes dos aliados, nem a derrota, porque meu comando único é saborear as mortes de ambos os lados de uma guerra, mesmo que eu esteja a lutar apenas em um dos lados da mesma.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Operação Linebacker aos 06 de abril de 1972, o ar respirando o cheiro das mortes provocadas pelos bombardeios, os enxames de mortes alimentando os meus internos anseios por mais mortes, mortes pelo ar, mortes manifestando o ar das maiores relíquias dos assassinatos que amo sem parar.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive na Queda de Saigon, aos 30 de abril de 1975, o símbolo maior da maior derrota estadunidense, as tropas em fuga, mortes muitas, fiquei triste, uma guerra na qual lutei acabava, mas outras viriam, pois meu destino consagra-se apenas ao...


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado. Estive nas mãos do primeiro homem a matar um homem. Estive nas mãos dos judeus assassinos de tribos em busca da Terra Prometida. Estive nas mãos dos assírios, dos romanos e dos gregos. Estive nas mãos dos espanhóis, dos portugueses e dos ingleses. Estive nas mãos das tropas napoleônicas. Estive nas mãos das tropas nazistas. Estive nas mãos das tropas iraquianas. Estive nas mãos de muitos soldados, nas mãos de todos os soldados de todos os exércitos do mundo sob variadas formas desde tempos imemoriais e matar tem sido minha trajetória de engrandecimento eternamente elevante do meu existir. Hoje estou nas mãos de um soldado do BOPE, os bestiais fardados de elite são os meus preferidos consortes atualmente. Amanhã posso estar nas mãos do vosso filho ou da vossa filha, se ele ou ela se tornar, para a minha alegria, um algoz de seus irmãos em Humanidade.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado.


Eu sou Eligos.


E, atualmente, uma metralhadora de um bestial fardado de elite que pega um, pega geral...


E o que sai de meus lábios quer beijar-lhes no meio das testas...


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


Eu sou um soldado.


Violência é o meu lar.


Assassinato é o meu lazer.


Mortwesd são o meu jantar.


Matar.


Matar.


Matar.


Existir, para mim, é matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


Tudo matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.


E nunca parar de matar.



Inominável Ser

NUNCA PARANDO

DE

EXISTENCIAL TERROR

NARRAR








terça-feira, 4 de agosto de 2009

Slayer - Seasons In The Abyss




Razors edge outlines the dead, incisions in my head.
Anticipation, the stimulation
To kill the exhilaration

Close your eyes
Look deep in your soul
Step outside yourself
And let your mind go
Frozen eyes stare deep in your mind as you DIE

Close your eyes
And forget your name
Step outside yourself
And let your thoughts drain
As you go insane...go insane!

Innate seed
To watch you bleed
A demanding physical need
Desecrated eviscerated
Time perpetuated

Close your eyes
Look deep in your soul
Step outside yourself
And let your mind go
Frozen eyes stare deep in your mind as you DIE

Close your eyes
And forget your name
Step outside yourself
And let your thoughts drain
As you go insane...go insane!

Inert flesh
A bloody tomb
A decorated splatter brightens the room
An execution a sadist ritual
Mad intervals of mind residuals

Close your eyes
Look deep in your soul
Step outside yourself
And let your mind go
Frozen eyes stare deep in your mind as you DIE

Close your eyes
And forget your name
Step outside yourself
And let your thoughts drain
As you go insane...go insane!














domingo, 19 de julho de 2009

A Feiticeira Do Sol Negro Nascente


12 de julho de 1990


Bairro de Ginza


Tóquio


Japão


06:00h



Em um dos bairros nobres de Tóquio, naquele amanhecer uma tenebrosa feiticeira de 93 anos preparava-se no sótão de sua loja de bebidas para Ascender até o Sol Negro. Kaori Mitsubara, uma das sobreviventes da bomba atômica lançada em Nagasaki, praticante das Artes Negras aprendidas no período pós-guerra através de um amante inglês que teve, um certo Christopher Sommerset Jones que se dizia discípulo de Aleister Crowley, nos anos sessenta do século passado. A exímia Magia que aprendera com Sommerset durante dezesseis anos foi desenvolvida em prol de uma única obsessão alimentada desde o primeiro contato com as Artes do Caminho Da Mão Esquerda: alcançar os Doze Sacerdotes Maiores Do Sol Negro Nascente, os Thu Iama Gahajos, que se encontram além do núcleo de dito Sol que inúmeras vezes foi venerado na Terra. Afastando-se das práticas nefastas dos Dugpas e daquelas que os nazistas utilizaram ensinadas por estes, Kaori treinou bastante até sentir-se pronta para acessar o Caminho Cósmico preciso que a poria frente a frente com o tenebroso Sol que também ilumina o nosso Sistema Solar. Mas, a luz do Sol Negro é A Pura Devastação, A Pura Destruição, A Pura Aniquilação... O que levaria um praticante da ritualística mágica a contatar tão esplendidamente agressivo Ser Da Criação?


Kaori trazia na pele as marcas da radiação, não era uma mulher bela e, mesmo assim, foi amada, muito amada, por aquele mago inglês que se dizia discípulo de Aleyster Crowley. Mesmo tendo aprendido as práticas mágicas thelêmicas, enveredou por conta própria no caminho da Feitiçaria, encantada que ficara com os rituais especificamente voltados para a elaboração de uma ligação com o Sol Negro que lhe foram apresentados pelo seu amante. Após o falecimento deste, ela passou a se fortalecer na prática mágica, principalmente testando seus poderes em qualquer tipo de ser que lhe estivesse ao alcance, desde os cento e três bebês que matou astralmente pelos hospitais de Tóquio até noventa adolescentes que consumiu o sangue astralmente até a morte durante atos sexuais que eles praticavam. Sua meta com esses crimes sempre fora apresentar-se digna dos Seres que habitam o Sol Negro, monstruosas Entidades devotadas ao Povo Do Caos, esta Senda de Inimigos Da Luminosidade, incentivadora em Abismos Cósmicos dos crimes das mais horripilantes naturezas. Para isso, Kaori praticou crimes mais abomináveis ainda, intentando assumir a mesma personalidade de ditos Seres, destruindo tudo que havia em seu redor, como a filha que teve com seu mago amante, Saori, sacrificada aos nove anos de idade em 1976, dois anos após o falecimento do pai, em honra ao Sol Negro. Com aquele sacrifício e tendo nas mãos o sangue de outras oito crianças, sempre de nove anos, o Sol Negro e os Seus Habitantes olharam para Kaori com olhos de interesse e passaram a envolvê-la em suas rédeas, a aumentar-lhe a perversidade, a afundar-lhe cada vez mais na mais medonha e pura crueldade obscurecente de sua alma já nascida maligna há muitas e muitas Existências devotadas sempre ao destrutivo caminhar neste mundo.


Kaori amou cada sacrifício.


Kaori amou sacrificar a sua filha.


Kaori ama a crueldade.


Kaori ama o assassinato.


Kaori ama a corrupção das almas.


Kaori ama a corrosão das almas.


Kaori é uma legítima Filha Do Sol Negro.


Kaori se tornou o próprio Sol Negro na Terra.


Kaori trouxe o Sol Negro, em si mesma, para a Terra.


Kaori, A Feiticeira.


Kaori, A Sacrificadora.


Kaori, A Crueldade Manifestada.


Kaori, O Sol Negro Na Terra Automanifestado.


Potências Destrutivas ao alcance do seu Olhar Espiritual. Essências Aniquilantes ao alcance do seu Plano Mental. Vestimentas De Poder ao alcance do seu Plano Psíquico. Kaori, embebida pelas próprias Criações Internas feitas com seus sentimentos de ódio, repulsa e ruína se despeiu de sua consciência e passou a meditar no Túnel que leva até o Núcleo do Sol Negro, a realização maior de sua Existência mortal. Ao alcance de seu Terceiro Olho uma vastidão enxameante de terrores dos mais indescrítiveis e uma voz alucinante até das mais Altas Autoridades Espirituais...



Carnes Destruídas,

Sementes Destruídas,

Sanidade Rompida,

Venham Até Mim

Os Destruidores Nascidos

Nas Vestes Da Matéria,

Venham Até Mim

Os Assassinos De Todas

As Formas De Vida,

Busquem Meu Centro

De Vidas Devotadas

Ao Sangramento Das Esferas,

Eu Sou O Sol Negro,

Eu Sou O Início Do Medo,

Sou Filho Da Desgraça

Que Ronda Todas As Existências,

Esclareço No Derramar

De Sangue,

Esclareço No Beber

De Sangue,

O Sangue Negro

Solar,

O Meu Negro Poder

Que Nas Veias

Dos Meus Filhos

Destruidores

Está!


Eu Sou O Sol Negro,

Filhos Nascentes

No Crepúsculo Das Verdades

E Nas Auroras Das Mentiras,

Eu Trago A Floresta

Dos Verdadeiros Cemitérios

De Corrupções

E Garantias De Loucuras

Que Correm Pelos Mundos,

Incentivo O Estupro

Das Essências Benignas,

Reforço A Malignidade

De Todas As Maravilhas

Do Caminho Meu

Feito Todo De Trevas

E De Mais Trevas

Em Mais Trevas!


Eu Sou O Sol Negro,

Kaori Mitsubara,

Tu Me Buscastes,

Tu Me Encontrastes,

Tu Estás Vindo

Para A Minha Alma,

Eu Te Recebo,

Filha Das Negras Terras

Da Minha Existencialidade,

Queime Em Mim

A Base De Vossa

Sanidade,

Queime Em Mim

A Natureza De Toda Vossa

Humanidade,

Queime Em Mim

A Certeza De Toda Possível

Bondade Que Possa

Em Ti Haver,

Reforce Seu Ódio,

Seu Ódio

É A Fonte,

Todo Ódio

Guia Até Mim,

Eu Sou O Oposto

E O Opositor

Das Coisas Que Giram

Abaixo Do Meu

Dourado Irmão,

Eu Sou Gerador

Da Alienação

E Da Perturbação,

Eu Sou O Patrocinador

Dos Suicídios

E Dos Genocídios!


Venha,

Kaori Mitsubara,

Venha,

Dentro Das Correntes

De Todo Vosso

Ódio,

Dentro Das Sementes

De Todo Vosso

Ódio,

Dentro Das Serpentes

De Todo Vosso

Ódio,

Dentro Das Violências

De Todo Vosso

Ódio,

Dentro Do Ódio

Que É Meu

Representante

No Mundo Onde

Tu Vivestes

Soberanamente

A Amar-Me

E Desejar-Me!



Coroamento de sentenças explosivas da degeneração interna de Kaori. Kaori, Ascendendo até o Sol Negro em seu Corpo Astral, ouvia A Voz Do Sol Negro, uma Voz formada pelos ecos e sussurros, gritos e lamentos, cheios de ódios infinitos e desejos insanos de destrutividades, dos Habitantes que sentiam o aproximar de mais uma Irmã Em Negra Eternidade! E o Sol Negro continuava a falar com Kaori, com Kaori atravessando o Túnel, com Kaori Ascendendo até Ele, com Kaori abandonando a Terra e se entregando aos negros solares prazeres!



Ódio

É Tudo Que

Se Pode Ter

Nas Esferas,

Na Terra Eu Venho

A Olhar E A Querer

Que Todos Se Entreguem

Ao Ódio Das Guerras,

Ao Ódio Dos Crimes,

Ao Ódio Que Faz

Com Que

Crianças Sejam Mortas,

Ao Ódio Que Faz

Com Que

Crianças Sejam Estupradas,

Ao Ódio Que Faz

Com Que

A Peste Assole Povos,

Ao Ódio Que Faz

Com Que

Países Arrassem Uns

Aos Outros,

Ao Ódio Que Faz

Com Que

Ocorram Todos Os Tipos

De Crimes

E Assassinatos

Dos Mais Vários!


Tu És Minha,

Kaori!


Tu Tens Minha Força,

Kaori!


Tu Tens Minha Aura,

Kaori!


Tu Tens Minha Forma,

Kaori!


Tu Tens Minha Grandeza,

Kaori!


Tu Tens Minha Realeza,

Kaori!


Tu Tens Minha Jornada,

Kaori!


Tu Tens Minha Jangada,

Kaori!


Tu Tens Minha Infinitude,

Kaori!


Todos Os Meus Filhos

Jogam O Jogo

Do Ódio,

De Otuarpa

A Adolf Hitler

Eu Fui Adorado

Na Maldita Terra,

O Maldito Planeta Terra

Que Quero

Arrasar,

O Maldito Planeta Terra

Que Quero

Queimar,

O Maldito Planeta Terra

Que Quero

Arrastar Para

O Abismo Cósmico Da

Inexistencialidade,

O Maldito Planeta Terra

Que Quero

E Estou

Dominando Através

Dos Filhotes Dignos

Dos Meus Raios

Como Tu És

Que Me Representam

Através Das Carnificinas

E Das Gerações De Ódios!


Estou Nas Mãos

Dos Assassinos!


Estou Nas Mãos

Dos Estupradores!


Estou Nas Mãos

Dos Degoladores!


Estou Nas Mãos

Dos Decapitadores!


Estou Nas Mãos

Dos Enforcadores!


Estou Nas Mãos

Dos Que Prejudicam

Os De Sua Espécie!


Estou Nas Mãos

Dos Que Torturam

Seres De Todas

As Espécies!


Estou Nas Mãos

De Todos Aqueles

Que Se Banham

Em Meus Negros Raios,

Eu Brilho No Silêncio

Da Cósmica Destruição

E Cada Raio Meu

É Uma Sentença

Que Arrebata As Almas

Já Nascidas Aniquiladas

Desde Que Eu

As Estimulei

Ao Cometimento

Do Primeiro Crime

Nas Primeiras Moradas!


Suba,

Kaori!


Suba Até Mim,

Kaori!


Suba,

Kaori!


Iluminada Pelos Meus

Negros Raios,

Suba E Entregue-Se

Aos Abraços De Ódio

Dos Seus Irmãos,

Todos Filhos

Da Luz De Meu

Negro Solar Coração!



A Travessia seguia na mais rápida exaltação d'alma perturbadamente destruidora de Kaori, cuja mente ouvia a estrondosa Voz Do Sol Negro como As Trombetas Maiores Do Abismo! Absolutamente envolta pelos negros raios solares, Kaori Sonhava e Realizava, Sonhava com obras de sangue que realizou, Realizava obras de sangue que pretendia realizar! E A Voz Do Sol Negro, buscando mais ainda as lembranças de aniquilação e derrubadas de monumentos da luz imperava ainda mais no Ser de Kaori em Ascensão até Ela!



O Destino Da Destruição

É A Minha Exaltação,

É A Minha Realização,

É A Minha Exclamação,

No Solo Terrestre

E Dos Mundos Que Banho

Com Os Meus

Raios Agrestes!


Sou Grito De Desgraça,

Sou Grito De Miséria,

Sou Grito De Desespero,

Sou Grito De Morte,

Sou Grito De Perdição,

Sou Grito Da Má Sorte,

Cada Raio Meu

É O Sortilégio Que Realça

A Minha Fronte De

Abalador Dos Mundos

Que Recebem A Luz

Do Meu Inimigo

Douro Irmão!


Sou A Fruta Que Incinera

A Boca Do Ancião,

Sou A Gruta Que Aprisiona

As Asas Do Querubim,

Sou A Fornalha Que Inicinera

Os Judeus Sem Fim,

Sou A Massa Que Esmaga

As Raças Sem Fim,

Sou A Mão Da Injustiça

Que Tem Em Mim

Um Pai Todo

Onipotente,

Um Pai Todo

Onisciente,

Um Pai Todo

Onipresente,

Onipotente

Na Mais Negra

Destruição,

Onisciente

Na Mais Negra

Destruição,

Onipresente

Na Mais Negra

Destruição!


Destruição,

Kaori Mitsubara!


A Mais Negra Destruição,

Kaori Mitsubara!


A Negra Solar Destruição,

Kaori Mitsubara!


Destruição

Da Vida!


Destruição

Da Alegria!


Destruição

Da Felicidade!


Destruição

Da Harmonia!


Destruição

Da Amizade!


Destruição

Da Liberdade!


Destruição

Da Verdade!


Destruição

Da Natureza!


Destruição

Da Certeza!


Destruição

Da Religião!


Destruição

Das Nações!


Destruição

Das Raças!


Destruição

Dos Animais!


Destruição

Das Mulheres!


Destruição

Dos Homens!


Eu,

O Sol Negro,

Sou A Própria Destruição,

Eu Giro

Pelo Amor

Da Destruição

De Todas As Coisas,

Eu Giro

Pelo Ódio

Que Me Guia

No Incentivar

Da Destruição

De Todas As Coisas,

Eu Giro

E Destruo

Tudo Que Toco

Com Os Lábios

De Negro Fogo

Da Minha Vestimenta

Cósmica!


Alimento

Destruições!


Alimento Todas

As

Destruições!


Alimento A Destruição

Dos Segredos

E Das Revelações

Que São Da Luz!


Sirvo E Sou

As Trevas Dos Escombros

Do Abismo Que Sou

Visto Pelos Que

São Iguais A Ti,

Kaori Mitsubara!


Destrua-Se

E Subas Até Mim!


Destrua-Se

E Subas Até Mim,

Destrua-Se!


Destrua-Se,

Kaori Mitsubara,

Subas Até Mim

Cheia De Ódio,

O Mais Destrutivo

Ódio

Que Chegue Até Além

Do Infinito Que Me

Torna

Realizador De Todas

As Destrutivas Obras

Deste Sistema Da Vida

Cósmica!



O Mandamento Maior Do Sol Negro estampado n'alma de Kaori, que adquiriu A Plena Destruição a cada passagem percorrida no Túnel, Ascendendo até Ele, Ascendendo até Ele, ASCENDENDO ATÉ ELE!!! Kaori Destruindo-Se! Kaori, sim, estava a Destruir-Se, a Destruir-Se Ascendendo Até O Sol Negro!!! Kaori Destruidora De Si Mesma! Kaori Destruidora De Si Mesma Para Alcançar O Sol Negro! Kaori, Destruidora De Si Mesma, E Ouvindo O Sol Negro Em Sua Alma!



Violência

Me Alimenta!


Violência

Me Transforma!


Violência

Me Deforma!


Violência

Me Reforma!


Violência

Me Forma!


Violência

Me Chama!


Violência

Me Aclama!


Violência

Me Vê!


Violência

Me Ouve!


Violência

Me Aplaude!


Eu

Aplaudo A Violência!


Eu

Ouço A Violência!


Eu

Vejo A Violência!


Eu

Aclamo A Violência!


Eu

Chamo A Violência!


Eu

Formo A Violência!


Eu

Reformo A Violência!


Eu

Deformo A Violência!


Eu

Transformo A Violência!


Eu

Alimento A Violência!


Meu Evangelho Na Terra

É A Violência,

A Violência Que Faz Brilhar

Mais Fortes

Os Meus Negros Raios

De Impurezas Nascentes

Nas Frontes Mais Violentas,

Os Violentos

Me Amam

E Executam As Minhas Obras

Sem Saber,

Os Violentos

Eu Amo

E Os Faço Executar

Seres E Demais Coisas

Para O Meu Saber!


Violenta Do Sol Nascente,

Kaori,

Filha Minha,

Vossos Gritos De Ódio

No Silêncio Cósmico

Foram Ouvidos

Por Mim

Na Negra Aurora

E No Negro Crepúsculo

Que De Mim Surgem

Quando Me Ergo

Oposto Ao Meu

Douro Irmão!


Violenta Do Sol Negro

Nascente

Em Vossa Alma,

Kaori,

Filha Minha,

Executastes As Minhas

Negras Obras De Sangue,

Derramastes O Sangue

Dos Que Alimentam-Se

Da Doura Força Do

Meu Irmão E Inimigo,

Declamastes Em Ti

Os Versos Da Destruição

Que Perenes Estão

Em Meu Cósmico Negro

Coração!


Arrebentes Mais

Em Direção A Mim,

Kaori!


Mates Novamente

Por Mim,

Kaori!


Violes Novamente

Por Mim,

Kaori!


Sejas Violenta

Novamente

Por Mim,

Kaori!


Em Nome Do Que

Eu Sou,

Kaori,

Venham Até Mim

Na Violência Cósmica

Que Arrebata A Vestimenta

Das Coisas Destrutivas

E Vistas A Glória

Da Nascente Fúria

Dos Meus Raios

Em Vossa Violenta

Alma!


Em Nome Do

Sol Negro Nascente,

Kaori,

Cresças Mais Violenta!



E KAORI ASCENDIA MAIS VIOLENTA!!!



Em Nome Do

Sol Negro Nascente,

Kaori,

Renasças Mais Violenta!



E KAORI RENASCIA MAIS VIOLENTA!!!



Em Nome Do

Sol Negro Nascente,

Kaori,

Vista-Se Mais Violenta!



E KAORI VESTIA-SE MAIS VIOLENTA!!!



Em Nome Do

Sol Negro Nascente,

Kaori,

Existas Mais Violenta!



E KAORI EXISTIA MAIS VIOLENTA!!!



Em Nome Do

Sol Negro Nascente,

Kaori,

Violência Em Ti,

Apenas Violência!



E KAORI TORNAVA-SE APENAS VIOLÊNCIA!!!



Em Nome Do

Sol Negro Nascente,

Kaori,

Total Violência,

Apenas Violência!



E KAORI TORNAVA-SE TOTAL VIOLÊNCIA!!!



Em Nome Do

Sol Negro Nascente,

Kaori,

Infinita Violência,

Apenas Violência!



E KAORIA INFINITIZAVA-SE NA VIOLÊNCIA!!!



Em Nome Do

Sol Negro Nascente,

Kori,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Violência,

Apenas Violência!



KAORI MITSUBARA: A PRÓPRIA VIOLÊNCIA DO SOL NEGRO NASCENTE!!!


KAORI MITSUBARA: A PRÓPRIA VIOLÊNCIA DO SOL NEGRO NASCENTE!!!


KAORI MITSUBARA: A PRÓPRIA VIOLÊNCIA DO SOL NEGRO NASCENTE!!!


KAORI ASCENDEU AO SOL NEGRO!!!


KAORI ALCANÇOU O NÚCLEO DO SOL NEGRO!!!


KAORI ALCANÇOU SEU PAI!!!


KAORI ALCANÇOU SEU PAR!!!


KAORI ALCANÇOU SEUS IGUAIS!!!


GLORIOSO SOL NEGRO A RECEBEU!!!


FORMOSO SOL NEGRO A RECEBEU!!!


FORMIDÁVEL SOL NEGRO A RECEBEU!!!


OS NEGROS ABRAÇOS SOLARES KAORI MITSUBARA RECEBEU!!!


PELO AMOR DA SAGRADA NEGRA CHAMA SOLAR!!!


PELO AMOR DA SAGRADA NEGRA CHAMA SOLAR!!!


PELO AMOR DA SAGRADA NEGRA CHAMA SOLAR!!!


PELO AMOR DA SAGRADA NEGRA CHAMA SOLAR!!!


PELO AMOR DA SAGRADA NEGRA CHAMA SOLAR!!!


PELO AMOR DA SAGRADA NEGRA CHAMA SOLAR!!!


PELO AMOR DA SAGRADA NEGRA CHAMA SOLAR!!!


PELO AMOR DA SAGRADA NEGRA CHAMA SOLAR!!!


PELO AMOR DA SAGRADA NEGRA CHAMA SOLAR!!!


Hoje, os sobreviventes do terrível cataclisma que ocorreu na cidade de Tóquio naquele dia 12 de julho de 1990 contam que o terremoto ocorreu primeiro e, a seguir, chamas de coloração negra espalharam-se por toda a cidade, incinerando vivas 67.908 habitantes e deixando em agonia por alguns dias 14.200. Os que não foram diretamente atingidos, carregam hoje as marcas das queimaduras, que deformaram-lhes os corpos, completamente.


No Centro do Sol Negro, distante do Tempo, distante do Espaço, Kaori Mitsubara encontra-se. A juventude foi recuperada, a beleza antes da bomba atômica de Nagasaki foi recuperada. Diante dos Doze Sacerdotes Maiores Do Sol Negro Nascente, ao lado de outros que conseguiram chegar até Eles, ela recebe Os Ensinamentos Da Destruição Da Luz para que, no Dia Da Descida De Todos Os Filhos Dos Sóis Negros Da Criação, seu Ódio e sua Violência arranquem do solo terrestre todas as alegrias, felicidades e esperanças dos seres banhados pelo douro sol que alimenta e rege tais coisas.


Kaori Mitsubara ouve agora os gemidos de agonias finais dos seres humanos que sacrificará em honra de Seu Pai, O Sol Negro, agora.



Inominável Ser

OUVINDO A VOZ

DO SOL NEGRO








domingo, 12 de julho de 2009

Maldita - Homem Com O Rosto Cortado





Nós fomos chamados para detetizar a casa, mas o solo está amaldiçoado
Meu corpo esta dançando
Minha face esta mudando
eu era um verme, apenas um verme tentei disfarçar mas estava em
Minha pele
Estão crescendo,
está respirando
E as crianças vão cantando e elas pensam o que eu penso
Somos todo o mal aqui dentro

Janelas do mundo externo
Criam nosso próprio inferno
O que parece estar tão longe
esta tão perto

Sou o vingador, mato com amor, conserto a sua dor
Sou o homem com o rosto cortado

Eu vou cortar os pulsos
Eles não aceitam mais os seus insultos
E o meu corpo esta cortado, sangue, sangue está escorrendo
E os demônios e as crianças e os cachorros passam correndo
Antes era o antídoto... É o própio veneno
É o próprio veneno...

Janelas do mundo externo
Criam nosso próprio inferno
O que parece estar tão longe
E está tão perto

Sou o vingador, mato com amor, conserto a sua dor
Sou o homem com o rosto cortado
O homem com o rosto cortado.






domingo, 5 de julho de 2009

O Último Carnaval De Uma Bacante Contemporânea


17 de fevereiro de 1996


Rio de Janeiro


Sábado de Carnaval



Aquele era o 32º Carnaval dela, uma data esfuziante que começou a ser comemorada logo no primeiro bloco pelo qual saiu de manhã, em Copacabana, A Horda Da Puta. Cinco mil pessoas reuniram-se naquele bloco e ela, fantasiada sensualmente de bacante, quase com os dois seios para fora do traje, gozou do aperto, gozou da confusão, gozou do samba, gozou da folia toda que vibrava nas elementares estradas de sua sede de prazer, prazer sempre, prazer e prazer e prazer! A bacante da qual falamos era Alessandra d'Anjou Braga de Deus, uma mulher abastada, de família das mais importantes no mundo do comércio de diamantes, promotora de eventos fetichistas famosos por todo mundo e, declaradamente, uma libertina, amante de homens e mulheres, de todas cores, de todas as raças, de quase todos os países do mundo, que pôde comprar com a parcela de 42% da fortuna herdada de seus falecidos pais e dividida com sua irmã. Famosa por seus escândalos e pelas orgias promovidas durante os Carnavais cariocas, Alessandra se despia de suas caras roupas ano a ano e se juntava ao povão na beleza dos suores e cheiros que se elevavam abaixo de sóis banhando os corpos de cariocas, paulistas, mineiros, foliões de todo o Brasil e foliões estrangeiros. Naquela manhã, nossa bacante esfregou-se em homens e mulheres, beijou dezenas, apertou bundas masculinas, apertou bundas femininas, apertou pênis, apertou bucetas... Sua atuação ao sambar era fenomenal, um talento inato se manifestava na ponta de seus pés, o que a fazia, ano a ano, ser considerada a mais animada e famosa foliã de rua. À tarde, Alessandra levou um grupo de sete homens e doze mulheres, todos de diferentes partes do Brasil, para a sua mansão, localizada no Leme, de aspecto barroco e cobrindo uma área de dois quarteirões. Naquela tarde, o primeiro bacanal daquele Carnaval, o 32º Carnaval dela; e, naquela tarde, mais dezenove vítimas da ânsia dela por carne humana...


Não é uma fantasia de Carnaval, foliões e não-foliões, não é. Alessandra, uma das primorosas membras dos D'Anjou, da D'Anjou Diamantes S/A, empresa que tinha filiais em 38 países e que, atualmente, nem existe mais, faliu devido à atual crise financeira mundial, exercia a prática do canibalismo durante a festa e fora da festa. Como sabemos, muitos que se disfarçam durante o ano inteiro de "boas pessoas que podem socialmente conviver com todas as boas pessoas" são os maiores depravados, estupradores e criminosos de todos os tipos durante os quatro dias de Carnaval; porém, alguns não disfarçam suas tendências, agem o ano inteiro como agem no Carnaval, e Alessandra é um destes, protegida pela sua astronômica fortuna e contando com a cumplicidade de seus vinte seguranças e vinte e dois empregados. Comer carne humana é um hábito de família, revelado aqui está um dos segredos maiores de uma das maiores famílias do mundo ou que já foi uma das maiores; a tradição canibalesca dos d'Anjou Braga de Deus iniciou-se a partir do bisavô de Alessandra e perpetuou-se em seus descendentes durante os séculos dezenove e vinte no Brasil. Tradição familiar, desconhecida do mundo inteiro, o canibalismo dessa família constituia rituais elaborados e fixos, em determinadas épocas do ano, as mais movimentadas, principalmente feriados. A caçada de vítimas entre as pessoas que se reuniam em grandes aglomerações contava, ainda, com altos recursos de sedução naturais, juntamente com a hipnose e a utilização correta das palavras, um tipo de Magia ensinada ao bisavô de Alessandra por um homem que se denominou Baco de Irasthoum e já parte do sangue e do espírito da família dela. A irmã de Alessandra, Valeska, participou do banquete, após os convidados para a orgia terem bebido vinho misturado com soníferos bastante poderosos, cuja fórmula também constitui uma tradição familiar. Os seguranças de Alessandra foram os responsáveis pelo desmembramento cirúrgico dos corpos, com bisturis, utilizando uma técnica ensinada por aquela, antes que os corpos esfriem, no porão da mansão, em um frio laboratório no qual ela e a irmã executavam estranhos experimentos com o que não comiam de suas vítimas. As três cozinheiras delas, separadas as partes que as duas comeriam, assaram tudo em doze caldeirões e serviram-nas na mesa de refeições às 16:40 h. De faca e garfo, aos olhos dos seguranças e empregados, que mais pareciam zumbis do que propriamente seres humanos, com calma, prazer e alegria, as duas temperavam cada pedaço de carne humana com azeite, óleo, sal, farinha e demais produtos culinários, dando um gosto que seus paladares sempre aprovaram.


Alessandra, mastigando o coração de uma baiana, lembrou-se de sua primeira vítima, um primo, quando tinha sete anos; parou de gargalhar, de repente, pôs a faca e o garfo no prato, e ficou pensativa, olhando para Valeska.



- Eu me lembrei do Gaio agora, Valeska...

- Do Gaio?

- Sim, o Gaio...

- Ah, porra, esquece esse merdinha que tu cagou todo depois que comeu cada pedaço da cara dele!

- Não é isso, Valeska, eu nunca relembro de minhas vítimas...

- Eu relembro!

- Para que?

- Para que eu possa aprimorar meus dentes a fim de mastigar melhor as minhas futuras vítimas...

- Isso não é equilbrado...

- E nós somos desequilibradas, Alessandra? O que está de errado com você hoje, melhor dizendo, agora? Estamos no Carnaval, uma época que você adora, a melhor época para as nossas caçadas e refeições, se alegra, porra! Olha só, está chegando a noite de sábado de Carnaval e você sabe o que vamos fazer...

- Eu vou sozinha hoje, Valeska.

- E eu?

- Olha só, você já tem dezenove anos e está na hora de começar a caçar sozinha.

- Alessandra, me deixa ir com você...

- Lembre-se do que nossos pais nos disseram, Valeska...

- Antes de nós comermos os dois?

- Bem antes, sobre caçar sozinha...

- Não me lembro...

- Você se lembra, sim, Valeska... Lembre que a duração de nossa família nessa Arte que hoje, neste Carnaval, completa duzentos e seis anos, depende das caçadas solitárias...

- E essa tradição vamos também respeitar?

- Claro, Valeska, ou você acha que eu vou permitir que você continue a me seguir nas caçadas? Eu te vi de manhã bem perto de mim e fingi que não havia te visto.

- E você se esfregava em um índio...

- Ah, o pau dele está ali! - Voltando a gargalhar, Alessandra pega com a mão direita o pênis de uma das suas vítimas masculinas e corta-o em vários pedaços, qual uma linguiça, dividindo-o com sua irmã e comendo-o devagar. - Delícia comer um pau... Nossa, esse aqui é muito gostoso...

- Uma carne macia, bem assada, muito bem preparada... Obrigada, Maria! - Dirige-se a uma das cozinheiras, que não responde. - Obrigada, Maria!

- Pare com isso, porra! - Alessandra solta uma estridente gargalhada. - Você bem sabe que esses aí estão dominados, perderam a vontade e até a alma...

- Mais uma herança de Baco... Será que ele vai aparecer para uma de nós duas neste Carnaval, finalmente?

- Apenas nosso bisavô, que viveu cento e trinta anos e não envelheceu como os outros homens, teve um contato direto com ele, diariamente. Creio que nós duas nunca o veremos, Valeska, mas sabemos que ele nos acompanha agora...

- A nossa família vive muitos anos... Nossos pais pediram para ser comidos por nós, já estavam quase com cento e cinquenta anos e não quiseram apodrecer em um túmulo...

- Você quer viver tanto assim, Valeska?

- O que nos mantém, nós, desta família, vivos por tão longos anos, é a absorção da carne de nossas vítimas, somos Licantropos Reais, Alessandra; se pararmos de nos alimentar de carne humana, desapareceremos da face da Terra...

- É, Valeska, você andou estudando...

- De vez em quando, Alessandra, gosto de estar a par dos detalhes da nossa natureza.

- O que mais descobriu lendo os livros escritos pelo Baco?

- Sobre garras, que temos sempre que mostrar as garras quando as nossas naturezas souberem domá-las, algo assim...

- O Domínio Da Besta, que vale tanto para Licantropos como nós quanto para os Vampiros e demais Predadores Naturais da Terra.

- Você se vê como uma predadora, Alessandra?

- Como assim?

- Eu me vejo como um tipo de equilibradora, tirando do mundo pessoas inúteis que apenas tem de bom a carne que eu devoro.

- É um pensamento original, nunca tinha ouvido isso dos lábios de um dos nossos...

- Não deboche de mim, Alessandra...

- Não estou debochando, Valeska, mas prefiro pensar em mim como uma predadora mesma, um animal selvagem abaixo da pele de uma cordeirinha que escandaliza aos puritanos com os seus amantes pelo mundo.

- Ser do jeito que você é, Alessandra, te torna um animal selvagem da mesma maneira...

- Olha só quem fala... Que eu saiba, Valeska, você também é a maior putinha, já dava o cu aos sete anos para os seus coleguinhas de primeira série...

- E era muito bom aquilo...

- Tão bom que um dia a sua natureza licantrópica despertou e seus dentes arrancaram o pintinho e os ovinhos de um dos seus amiguinhos...

- Brutal e delicioso, não?

- Devia ter arrancado mais dele e deixado um pedacinho para mim...

- Não deu, nossos pais tiveram que abafar tudo e sumiram com o corpo do garotinho... Eles o comeram?

- Eles me contaram que jogaram o cadáver dele em um clube de licantropos.

- De onde?

- Esses clubes vivem trocando de lugar, Valeska, nem sei te dizer onde foi que eles encontraram um para poderem se livrar da merda que tu tinha feito. Aquele menino era filho de um juiz federal...

- Que mandou fechar aquela escolinha depois e puniu os donos dela pelo sumiço do filhinho...

- Quase que fomos descobertos, Valeska, daquela vez; matar um de nós, quando Despertamos, na infância, é algo que fica entre nós; matar um que seja, principalmente, de uma família importante como a nossa, mas que não tenha nenhum dos nossos hábitos, representa um enorme perigo para nós. Os pobretões, os mendigos, os miseráveis ou qualquer fracassado que não tenha importância para alguém ou alguma coisa representam as nossas vítimas preferenciais.

- Engraçado, a carne dos pobres e dos fracassados é bem deliciosa...

- Como você pode comparar se não provou mais nenhuma outra carne de gente rica e de família importante como nós?

- Eu posso comparar, Alessandra, eu posso...

- Valeska, não me diga que...

- Esta refeição está me parecendo denunciante do que eu fiz...

- Valeska, o QUE você fez?

- Lembra dos casos de famílias ricas encontradas mortas e sem pedaços da pele que ocorreram em 94 na Tijuca, durante a Copa Do Mundo?

- Ah, Valeska...

- Alessandra, eu precisava provar...

- Sua mentirosa, e me dizendo sempre que não queria nunca deixar de caçar junto comigo...

- Eu fiz aquilo escondido, gostei e, de vez em quando, eu como um riquinho por aí...

- Putinha safada! - Alessandra gargalha. - Caralho, menina, você me enganou esse tempo todo! Não costumo caçar riquinhos por causa mesmo do gosto amargo da carne deles, uma carne sem vigor, uma carne sem a fartura que encontramos na dos pobres. Estudando o que não comemos destes, nós duas pudemos descobrir que é da própria natureza carnal deles terem tanto gosto na carne, eles batalham muito pelo que chamam de um "lugar ao sol", enquanto que os privilegiados do mundo, como nós duas, recebem tudo de berço.

- Um pobre, também, é muito mais gostoso na cama...

- Ainda mais quando é um negão bem dotado...

- Já fodi com milhares deles...

- Eu já perdi a conta, Valeska...

- Somos duas putonas, isso, sim, Alessandra!

- É, duas putonas arrombadas!

- Sabe o que eu mais aprecio quando engano esses otários que estamos comendo?

- O que, Valeska?

- Aprecio o desconhecimento deles do que ocorreu com seus corpos quando chegam lá do outro lado...

- Ah, eu já Vi...

- Viu?

- Vou te ensinar, ainda, a sair voluntariamente do corpo. Eu domino algumas técnicas e já encontrei todas as minhas e as nossas vítimas lá do outro lado, eles se ajoelham diante de mim, me reconhecendo como senhora deles.

- Senhora deles?

- Valeska, você pensa que canibalismo é apenas comer carne humana?

- Alessandra, eu não gosto de ler tanto quanto você, nunca gostei! Li pouco os livros do Baco e soube de muita coisa, mas disso aí...

- Valeska, nós possuimos um tipo de natureza rara que nossos Ancestrais, bem antes do nosso bisavô, possuiam. Em um dos livros de Baco, li que muitos desses Ancestrais foram Senhores Da Terra bem antes da Atlântida e da Lemúria, devorando outros povos para poderem dominar-lhes espiritualmente, pois ao comer-se a carne come-se, também, a alma, e isto não é uma superstição barata. Aqueles que fundaram o Reino de Atlântida caçaram os nossos Ancestrais pelo mundo e pensaram tê-los extinto após um período bem longo de uma guerra contra eles; no entanto, muitos deles se esconderam e se refugiaram nas terras do norte da Europa, vivendo isolados e, pouco a pouco, com o passar das gerações, perdendo as habilidades naturais canibalescas. Nosso bisavô, por Atavismo, Despertou para tal natureza após milhões de anos ou mais, recebendo de Baco, que desconfio ser um dos nossos Ancestrais, que adquiriu a Imortalidade por um esforço de sua vontade de materialmente viver, alimentando-se com furor e vigor claramente voltados para esse fim, os Ensinamentos Secretos de nossa tradição licantrópica familiar. Nós duas somos algumas dos últimos Licantropos Reais, Valeska, deste mundo; e, por isso, te recomendo não ir muito além nas caçadas aos que possuem o poder do dinheiro, da fama e do sucesso, já que, se souberem de nossa existência, estaremos completamente fodidas e seremos, então, a caça, as presas, dos que adoram exterminar tudo o que é natural.

- Interessante isso aí, Alessandra...

- Está na hora de tomar banho e me preparar para sair...

- Eu também...

- Sozinha...

- Sim, claro, Alessandra, você vai caçar de um lado e eu caçarei de outro.

- Posso sentir o seu cheiro...

- Caralho, Alessandra, QUE NOVIDADE!

- Eu estou te dizendo, Valeska, apenas, que se eu sentir o seu cheiro perto de mim nesta noite de sábado de Carnaval...

- Alessandra, porque após certa idade os de nossa família não podem caçar juntos?

- Nem queira descobrir, Valeska... Vamos, vamos acabar de comer e, depois, tomar os nossos respectivos banhos.

- Sozinhas?

- Sim, Valeska, TAMBÉM, sozinhas.



Alessandra e Valeska terminaram a sua refeição às 17:53 h, partindo para seus respectivos quartos a fim de se prepararem para a noite de sábado de Carnaval. Um dos empregados silenciosos e cadavéricos delas preparou-lhes as banheiras, preenchidas com o sangue de todos os que vitimaram e devoraram. Alessandra acrescentou ao sangue algumas ervas colhidas na noite anterior, com efeitos psicotrópicos e de encantamentos apenas conhecidos pelos feiticeiros e magos mais perversos, controvertidos , degenerados e corrompidos da História. Cânticos de devoção a Baco, o Senhor da família dela, foram entoadas em hebraico, aramaico e grego, idiomas que ela aprendeu sozinha e que já falava aos três anos de idade, além do inglês, do alemão, do espanhol, do francês, do japonês, do chinês, do árabe e milhares de línguas mortas. Gênio com um QI que nenhum cientista do mundo conseguiu calcular, abastada, libertina e canibal... Alessandra, bacante contemporânea, como sua irmã, que possuia menos recursos intelectivos como ela, mas em sedução se equiparava, retirou-se da banheira e, banhada toda em sangue, direcionou-se a uma pequena sala de paredes pintadas de vermelho, que possuia um altar a Baco dedicado, empunhou adagas de ouro em cada uma das mãos, abriu os braços e, em português, elevou um cântico ao seu Senhor:



Baco Da Esfera

De Sangue,

Baco Senhor

Do Sangue,

Baco Violentador

Da Fruta Perene

Na Serena Senda,

Vomitai Em Mim

A Carnificina

Que Exala

De Vossa Carne!


Grande Baco,

Senhor Da Carnificina,

Respirai Em Minha Pele,

A Loba Que Sou

Lhe Pede O Licor

Das Uvas Ensanguentadas

Caídas Nos Ritos

Em Honra Do Assassinato

E Todos Os Trabalhos

Sanguinários!


Violentai-Me,

Baco,

Em Minha Carne,

Para Que Violenta

Eu Possa Ser

Nesta Noite

De Mais Uma

Festa Da Carne

Que Tu Degustas

Através De Meus

Carniceiros Lábios!


Que Eu Mate,

Baco,

Quantos Forem Necessários

Para Poder Aplacar

A Vossa Sede

De Sangue

E De Carne!


Que Eu Mate,

Baco,

Todos Aqueles Que

Tocarem Nesta Pele

Que Eu Torno

A Vossa Pele

E Beijarem Estes Lábios

Que Eu Torno

Os Vossos Lábios!


Que Eu Mate,

Baco,

Quero Matar

Em Vosso Nome,

Quero Matar

Em Nome

Dos Pais Dos Assassinatos,

Quero Matar

Em Nome

Da Encarnada Morte

Em Cada Um Dos Poros

De Minha Carne!


Que Eu Mate,

Baco,

Muitos!


Que Eu Mate,

Baco,

Muitos!


Que Eu Mate,

Baco,

Muitos!


E Cada Holocausto

De Sangue

Entre Meus Dentes

E Nas Lâminas

Destas Adagas

A Ti Será

Ofertado

Com A Alegria Tenaz

Da Loba Sanguinária

Que Eu Sou

Uivando Para

Honrar-Te!


MATAR,

BACO!!!


QUERO MATAR,

BACO!!!


EU SAIREI

PARA MATAR,

BACO!!!


VIDA LONGA

AOS MEUS

ASSASSINATOS,

BACO!!!


ETERNIDADE

AOS MEUS

ASSASSINATOS,

BACO!!!


MATAR

É O MEU

AMOR MAIOR!!!


MATAR

É A MINHA

PAIXÃO MAIOR!!!


MATAR

É A MINHA

CAÇADA MAIOR!!!



Dando nove passos para trás, Alessandra saiu da sala ritual, o corpo sem nenhuma mancha de sangue, os cabelos secos, a pele brilhante como os diamantes que garantiam-lhe a vasta fortuna, incalculável para a época, e dirigiu-se para sua cama, onde estava a sua fantasia luxuosa de bacante que, desde que completou dezoito anos, utilizava nas noites de sábado dos Carnavais. Uma veste ritual riquíssima, branca reluzente, de seda mais pura, lembrando a de uma romana da mais alta estirpe, com detalhes dourados apresentando signos e sigilos quliphóticos ritualisticamente posicionados. As adagas são posicionadas na cintura, dos dois lados, reluzindo com um brilho que mais atrai olhares de admiração afastando as intenções de ladrões, que, em todos os Carnavais, quando percebem que é ouro mas notam algo bem estranho nela, afastam-se com arrepios de medo. É o que uma loba como ela provoca nos que procuram atrapalhar-lhe a caçada na noite de sábado de Carnaval efetuada pelas ruas do Rio, protegida pelas Energias de Baco, cuja origem correta ela nunca soube identificar. Alessandra tornou-se uma lenda urbana de Carnaval; os poucos que viram-na e sobreviveram a tal visão em quatorze anos dos assassinatos rituais dela pelas ruas cariocas, falam com medo e respeito do que presenciaram. Não dos assassinatos, já que ela se torna invisível aos olhos de todos aqueles que não foram escolhidos para serem assassinados e devorados no meio das ruas, em meio a pulos de alegria e abraços de casais que se conhecem ocasionalmente ou que se relacionam há tempos; apenas os que possuem certa sensibilidade mediúnica puderam visualizá-la no meio das ruas matando e devorando suas vítimas, homens, mulheres, crianças, idosos e bêbes, quando a oportunidade aparece. Não há cadáveres, ela envolve as vítimas em um manto impenetrável de sombras, névoas e sangue, enquanto come até os ossos em uma velocidade além do tempo/espaço, uma técnica mágica aprendida por conta própria e que nunca falhou. Tudo das vítimas é absorvido e, desencarnados, a cada Carnaval, eles surgem em redor dela, como soldados a protegê-la dos ataques de outros Licantropos e demais Predadores, encarnados e desencarnados, que desfilam pelas ruas cariocas durante A Festa Da Carne. Há muitos que desaparecem durante esta festa, anualmente; como não pensar que, talvez, tenham encontrado uma predadora como Alessandra ou outro tipo de predador durante o pula-pula, o roça-roça, a bagunça e a devassidão enlouquecedoras proporcionadas pelas vibrações emitidas, em uníssono, por todos os envolvidos com o Espírito que rasteja por todas as ruas na citada época?


18:30 h. Os portões da mansão estão abertos e Alessandra, cercada pelos seus seguranças astrais, incontáveis, já que além dos que matara nos Carnavais anteriores, estava com os que matara sem ser no Carnaval, sai, portentosa, esplendorosa, com sandálias douradas ao estilo romano, cabelos presos em um coque feito com uma armação de ouro. Ela não tinha o costume de gravar ou citar em sua mente, durante as caçadas de sábado de Carnaval, o nome das ruas que percorria, mas, para nosso conhecimento, digamos que ela, de posse de um domínio completo do Astral, percorria todo o Rio de Janeiro, a capital e os demais municípios do mesmo, em segundos, até a meia-noite do domingo de Carnaval, hora na qual, tradicionalmente, se despia e, nua, surgia em um camarote do Scala para exibir-se, atrair as atenções dos homens e foder com vários deles até o dia amanhecer. E, quando amanhecia, utilizando de seus talentos mágicos, caminhava tranquilamente pelas ruas até chegar em casa, sem ser vista, e se masturbando em frente a cada igreja, evangélica e católica, que no caminho encontrava, uma debochada tradição que religiosamente a todo Carnaval praticava. Naquele, especificamente, aguardava matar e comer muitos, adquirindo mais escravos e servidores astrais, além de Poder e o desejo mais secreto de sua canibalesca alma: adquirir a Imortalidade, física, como Baco adquiriu, que ela considerava um Mestre dela mesmo sem tê-Lo pessoalmente visto. O bisavô dela deixara escrito que Baco não era um espírito desencarnado, mas um homem, de carne e osso, como ele, jovem, trigueiro como todos da família, e fisicamente belo e majestoso no porte, no olhar e no caminhar. Assim era, também, Alessandra, a nossa bacante, cheia de fome naquela noite de sábado de Carnaval, uma fome que se ampliava mais devido aos vários odores que sentia, como o odor do sexo mais sujo que povoa o ar durante a folia, o odor da fantasia mais proibida pronta para ser realizada, o odor do crime mais desejado pronto para ser praticado... Alessandra sentia esses odores das suas vítimas e daqueles que não seriam suas vítimas, algo pulsante, algo extasiante, algo inebriante, algo excitante e, naquele sábado, naquela noite de sábado de Carnaval de 17 de fevereiro de 1996, a fome não estava sendo aplacada, não estava sendo diminuida, não estava sendo nada extasiante, inebriante ou excitante...


Acompanhada pelos seus servidores astrais escraizados, Alessandra percorria o Rio de Janeiro, percorria cada rua, percorria cada rua da capital, percorria cada rua dos demais municípios, percorria, percorria, percorria... Ela se perguntava o que estava acontecendo! Ela se perguntava o porquê de não conseguir farejar as suas vítimas! Ela se perguntava! E rodava, rodava qual uma barata enlouquecida pelo odor de um veneno que prontamente a matará, pelas ruas! Rodava! Rodava! Rodava! A fome gritava! A fome rosnava! A grande fome de uma predadora gritava alto! A grande fome de uma predadora rosnava alto! Alessandra se desesperou! Alessandra se desesperava mais a cada rua, não identificava suas vítimas, os odores se mesclavam, se neutralizavam, desapareciam, rumavam para um espaço vazio de cadências mais vazias ainda! Alessandra, sua fome, enlouqueciam! Alessandra retirou as adagas da cintura e partia para cima de todos pelas ruas! Alessandra, invisível, caia nas calçadas, caia no asfalto e, pouco a pouco, vendo-a enfraquecer, seus escravos astrais abandonavam-na, abrindo espaço para que tipos piores do Astral dela se aproximassem sem que a mesma percebesse! Alessandra continuava tentando matar alguém! Alessandra tentava matar um bebê ao colo da irmã, que também tentou matar! Alessandra tentava matar um casal gay que se beijava em frente a uma boate! Alessandra tentava matar vinte crianças vestidas de Clóvis brincando em uma rua do subúrbio carioca! Alessandra tentava matar cinquenta pessoas de um mini-bloco que se preparava para rumar para as ruas perto do centro da cidade do Rio de Janeiro! Alessandra tentava, ao mesmo tempo, em todo o Rio de Janeiro, matar alguém, devorar a carne e os ossos de alguém, mas não conseguia, não estava conseguindo, não iria conseguir! TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA TENTAVA, TENTAVA, TENTAVA!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!! E NÃO CONSEGUIA MATAR ALGUÉM!!!


Em uma rua, com as duas adagas, salta por cima de várias pessoas em um trenzinho e cai no asfalto, cravando, na parte astral deste na dita rua, as lâminas das armas ritualísticas. Ela não consegue retirá-las e, então, percebo o estado em que se encontra: as vestes, antes riquíssimas, naquele momento apenas trapos; os escravos astrais, antes inumeráveis, todos abandonaram-na; em seu redor, patifes, canalhas e marginais desencarnados de todos os tipos, além de Demônios, Exus e Pombagiras os mais brutalizados; à sua frente, Aquele que sempre quis ver frente a frente, olhando-a fixamente enquanto estrangula, em cada mão, uma criança encarnada por Ele raptada em alguma rua não do Rio, mas de qualquer outro lugar do mundo; e, atrás, alguém que ela jamais imaginaria...



- VALESKAAAAAAAAAA!!!!!!!!!

- Maninha, porque grita assim tão alto?

- VAGABUNDA DESGRAÇADA, QUE TRAIÇÃO FOI ESSA???

- Não se vire, vai ser pior para você...

- DIGA-ME QUE ISSO NÃO FOI OBRA SUA!!!

- De quem seria, Alessandrinha? Da virgenzinha Maria?

- POR QUE, SUA DESGRAÇADA???

- Porque eu fui Escolhida por Ele.

- O QUE???

- Baco de Irashtoum me Escolheu como a Sucessora Dele.

- SUCESSORA???

- Ih, eu nem te conto quantos anos Ele tem, nem Ele vi te contar, não gosta de falar e apenas se comunica telepaticamente comigo, como fazia com o nosso bisavô.

- BACO, ISSO NÃO É VERDADE!!! BACO, SENHOR, ISSO NÃO É VERDADE!!!

- Ele não vai falar, Alessandra...

- SUA PIRANHA DESGRAÇADA, MALDITA PIRANHA DESGRAÇADA!!!

- Não adianta me xingar, eu já tomei o seu lugar; te segui sem que notasse, assumi a aparência astral de um dos seus ex-escravos e te deixei assim, esfomeada, maluca, decadente, vencida... Tudo para te impressionar e demonstrar aos seus olhos que eu cresci, mesmo não sendo tão genial quanto você e nem tão bonita. Te invejei muito até hoje, mas te vendo assim... Tadinha dela, pessoal, não? - Se dirige às hordas macabras em redor delas e de Baco. - Vai ficar tudo bem, ela vai ser de todos vocês...

- VALESKA, VOCÊ VAI SE ATREVER...

- Sabe porque Baco me Escolheu, Alessandra? Porque Ele se irritava com os seus rituais antes de sair para caçar nos sábados de Carnavais.

- QUÊ???

- Isso mesmo, Alessandra, sua burra, porque acha que Ele nunca apareceu para você e apenas para mim? Você, sua burra, estava fazendo tudo errado, mesmo sendo tão gênio como é! Você, sua burra, irritava ao Baco com seus chamamentos, com a porra do seu corpo cheio de sangue, com a merda da sua voz cheia de sangue, mais parecendo um retardada mental do que uma Iniciada Licantrópica Real! Você, sua burra, nunca soube decifrar de verdade o Baco, que se aproximou de mim, simplesmente, porque eu nunca quis, sinceramente, encontrá-Lo, assim como nosso bisavô nunca quis! Você, sua burra, gênio de merda, canibal de merda, se fodeu sozinha, se fodeu pensando que um Ser tão elevado quanto Ele nos Planos que Ele percorre poderia atender aos seus latidos de cadela desesperada pelo pau de um cahorro, o que Baco não é!

- BACO!!! SENHOR BACO!!! SENHOR BACO!!!

- Ah, sua cadela burra maluca, vê se morre com dignidade, caralho!



Valeska saltou sobre Alessandra com suas adagas de ouro e cravou as lâminas das duas nas partes posteriores dos pulmões da irmã. Alessandra gritou... E Alessandra gritou mais... Alessandra gritou... Alessandra gritou a cada golpe das lâminas em suas costas, desferidos com uma selvageria que nem mesmo ela demonstrara em nenhuma de suas caçadas! Valeska desferiu cegamente os golpes por toda a parte posterior do tórax da irmã, despejando nela todos os anos de frustração e inveja e ódio que viveu por ter convivido ao lado de uma mais inteligente, bonita e bem sucedida do que ela! Muitos golpes, mais de dez mil, e Alessandra ainda continuava viva... Valeska cansou de golpeá-la, olhou para Baco, sorriu e manifestou mandíbulas lupinas em um crânio que se tornou o de uma loba selvagem, mordendo, primeiramente, a nuca da irmã; esta, gemendo, agonizante, ainda tem forças para sussurrar o que a brutalmente animalesca Valeska jamais soube decifrar, em um tom de voz inaudível apenas captado por Baco, o qual jamais àquela dirá o que foi dito:



- Eu... te... amo... Valeska...



Valeska devora a carne da irmã em segundos; os ossos, em outros segundos; e, retomando as suas feições humanas, assiste, às gargalhadas, já à meia-noite do domingo de Carnaval, 18 de fevereiro de 1996, Alessandra, nua, gritando desesperada, sendo carregada pelos membros da turba sombria que assistiu, gargalhando, a morte dela, para o meio de uma rua, na qual teve as pernas abertas, foi por dois Demônios segura e foi estuprada não apenas por todos Eles, mas por todos os Espíritos Baixos que se apresentam nos quatro dias de Carnaval pelo mundo... Fora dos Carnavais, Alessandra vai sendo escrava sexual até mesmo daqueles que vitimou... E, nos Carnavais, ela é obrigada a ser A Prostituta De Todos, suportando ser penetrada até pelos horrendos monstros que adormecidos ficam nos esgotos da Terra.


Atualmente, Valeska é a acompanhante de Alessandra nessa função de Prostituta De Todos. Ela foi também burra, cometeu o mesmo erro de venerar Baco de Irashtoum como um Deus qualquer, como um Demônio qualquer, como um Espírito qualquer que siga A Trilha De Sangue. Valeska foi assassinada pela filha de onze anos no sábado de Carnaval deste ano de 2009, uma que continua a tradição canibalesca da família dela e de Alessandra, agora pobre; mas que, para Baco, vai ser mais uma Prostituta De Todos daqui há alguns anos, pois comete os mesmos erros da mãe e da tia, é uma outra burrinha...


Ninguém, nem eu, nem você, nem um canibal, encarnado ou desencarnado, jamais saberá o que significa este Baco de Irashtoum cujo silêncio carrega em si mesmo o odor de antigo sangue violentamente derramado.



Inominável Ser

DEVORADO PELO

ATEMPORAL MISTÉRIO

DE BACO DE IRASHTOUM







Maldita - Anatomia




Composição: Erich Mariani

Eu me fechei na escuridão
Sangrento era o corpo em minhas mãos
Comprei a arma só pra te assustar
Minha intenção não era de te matar
Eu a arrastei até o cemitério
Seus olhos brancos eram cadavéricos
Me fechei na escuridão
Eu lavei o sangue seco nas minhas mãos
O que eu fiz é algo tão intenso
Eu precisava saber como ela era por dentro
O que eu fiz é algo tão intenso
Eu só queria saber como ela era por dentro

Sinto o remorso quer me sufocar
O cheiro de morte infestava o lugar
Comprei a arma só pra te assustar
Minha intenção não era de te matar
Eu a arrastei até o cemitério
Seus olhos brancos era cadavéricos
Mostrei a puta o que se cava enterra
Joguei ela no chão e abri suas pernas

O que eu fiz é algo tão intenso
Eu precisava saber como ela era por dentro
O que eu fiz é algo tão intenso
Eu só queria saber como ela era por dentro

Eu vou amar você pra sempre
Eu sei, eu sou doente
Eu vou amar você pra sempre
Não precisa me dizer que eu sou doente

Eu sempre achei você demais
O meu problema era com seus pais
Mostrei a puta o que se cava enterra
Joguei ela no chão e abri suas pernas

Sinto remorso quer me sufocar
O cheiro de morte infestava o lugar
Seu nome era necrofilia
Minha percepção de amor é doentia
Minha percepção é doentia