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Heles E Jaren

domingo, 31 de janeiro de 2016.

A Transformação é um processo através do qual Heles e Jaren tem que passar diante do Tribunal Sanrer. Foram vinte anos nas disciplinas mais duras de suas tribos, uma forma de treinamento que separa A Besta, A Corça e O Lobo do espírito preparado em seu destino de correr pelos campos junto aos Mais Antigos Uivantes. Heles e Jaren, gêmeos, descendentes dos Primeiros Mais Antigos Formidáveis entre as Tribos Uivantes de Asjag, correram junto a todos os seus demais Irmãos De Presas E Garras nas guerras travadas contra as Outras Tribos de Walarar. Guiados pelo cheiro do inimigo, confrontando os mais impiedosos adversários, até mesmo Adeptos dos Não-Nascidos, eles ofereceram suas existências como Guerreiros Do Lobo. E, hoje, no Julgamento Do Lobo, diante de todos os membros de sua Tribo, aos vinte e sete anos de idade, devem lutar um contra o outro até a morte para que apenas um dele possa se tornar o Líder Tribal.


— É exigida esta luta aqui no Campo Do Primeiro Uivo, uma escolha entre os dois melhores guerreiros sobre qual será o nosso Líder para os próximos Ciclos de Caça E Guerra. Heles de Raenmsa, Gloriosa Senhora Das Jugulares Degoladas, que agora em diante você veja o seu irmão como o oponente que deve ser derrotado. Jaren de Raenmsa, Assassino De Cem Mil Uivadores, que agora em diante você veja a sua irmã como a oponente que deve ser derrotado. Agora acaba a vossa irmandade e amizade, assim como o fato de terem juntos lutado em duzentas guerras desde os sete anos de idade. Transformem-se, lutem como se luta no Julgamento do Lobo desde a fundação de nossa Tribo há 221 bilhões de anos. Transformem-se e lutem aqui, neste Campo, em nome do Grande Lobo Do Universo Negro. Transformem-se!  Lutem! Em Nome Do Grande Lobo Do Universo Negro!


As palavras mais do que veneráveis do Grande Lobo Sacerdotal Vaamer instigam a multidão de 811 milhões de membros da Tribo:


— Transformem-se! Lutem! Em Nome Do Grande Lobo Do Universo Negro!


Separados 612 m. um do outro, os irmãos estão nús e iniciam A Respiração Plenipotencial que antecede as Transformações dos Uivantes. Conforme a multidão grita cada vez mais alto, A Respiração vai alcançando níveis que surpreendem até mesmo guerreiros de duzentos anos de idade pertencentes aos Sanrers. A Besta Vai Sendo Domada. A Corça Vai Sendo Sacrificada. O Lobo Vai Sendo Liberado…

Heles começa a alongar seus membros e prostra-se ao solo, uivando…

Jaren uiva e seus membros explodem em fúria e potência…

Heles começa a deformar seu corpo, crescendo cada vez mais…

Jaren prostra-se, patas e pêlos começam a crescer…

Heles uiva, continua crescendo em pêlo, membros e fúria…

Jaren uiva, o crescimento é contínuo…

Heles uiva…

Jaren uiva…

Os Maiores Lobos De Walarar uivam…

Toda Walarar se cala ouvindo os uivos deles…

Heles, A Maior Das Lobas, 658,45 m. de extensão nas quatro patas e o triplo em pé.

Jaren, O Maior Dos Lobos, 660,15 m. de extensão nas quatro patas e o triplo em pé.

Heles, A Dourada.

Jaren, O Verde.

A multidão volta a gritar.

Os irmãos afastam-se cada vez mais um do outro.

Afastam-se…

A multidão grita…

Afastam-se…

A multidão grita…

Afastam-se…

A multidão grita…

Afastam-se…

A multidão grita…

Afastam-se…

A multidão grita…

Afastam-se…

A multidão grita…

Afastam-se…

A multidão grita…

Afastam-se…

A multidão grita…

Afastam-se…

A multidão grita…

A multidão grita…

A multidão… GRITA!!!

Heles e Jaren saltam sobre a multidão, devorando com rapidíssimas bocadas cem ao mesmo tempo por segundo! Alguns tentam se Transformar, mas os gêmeos são igualmente rapidíssimos, devorando-os no ato mesmo da Respiração! Os que tentam fugir são perseguidos e devorados! Outros que tentam lutar são sumariamente devorados! Os guerreiros mais experientes, os de duzentos anos de idade, são devorados! O Grande Lobo Sacerdotal Vaamer é devorado! Todos vão sendo devorados! Todos vão sendo devorados! Todos vão sendo devorados!

O devorar terrível!

O devorar temível!

O devorar estrondoso!

O devorar mais sangrento de Walarar!

O devorar!

O devorar!

O devorar!

O DEVORAR!!!

O DEVORAR!!!

O DEVORAR!!!

O DEVORAR!!!

O DEVORAR!!!

E todos estão devorados.

Heles e Jaren correm para fora das posses de Sanrer. Enquanto correm, saboreiam uma inédita liberdade. Enquanto correm, saboreiam o ato que realizaram. Enquanto correm, retornam à forma humana. Enquanto correm, uma verdade é revelada: eles não são Heles e Jaren.

Os maiores heróis dos Sanrers foram há muito por eles devorados.

Exatamente, quando tinham sete anos de idade.

Inominável Ser
UIVANDO
DEVORADOR






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A Primeira Vítima De Dgasaat Epamiker

sábado, 30 de janeiro de 2016.


Huriban Salofalkin Pertshek Kastharf-Flnan-Jron-Pltoon, o último dos Psicopatas da Seita Sagrada Do Sangue De Gaalzebar, da qual é O Deus Maior; Gaalzebar é uma Ramificação Extremista da Magia Dos Assassinos, da qual ele era o Líder Fundador, ligada diretamente ao Assassino Automanifestado. Ele matou o nosso amigo Karibu-Alied e os doze milhões de Soldados Caçadores dele no Universo Mlurontson Quasol, após ter escapado de Monies, Thidan e Thaiden através de 5.321 Colônias Universais Keauriothenianas. Setenta quatrilhões de Existências foram Extintas por ele, sozinho, durante a caçada que se iniciou há noventa Anos Universais; e, desde a Primeira Era Universal, ele liderava a Seita dele contra nossas Colônias e as possessões de nossos aliados. Com a ajuda de Karibu-Alied exterminamos os  sete decalhões de seguidores dele em 11.543 Eras Univesais. Nunca soube o porquê dele apenas atacar-nos e aos que possuem alianças conosco, Dgasaat, me foge à Visão essa resposta… Eu não tenho como ir atrás dele agora, ainda não me recuperei da luta contra Imeon, por dentro e por fora… Filha, é arriscado enviar qualquer outro Evoluído contra ele, por isso, eu te peço que faça, não por mim, este favor. Não pelo Império, pelo meu pai, pelos meus irmãos e, sim, por cada vítima de Gaalzebar na História. Sua Evolução é a Maior em toda a Raça Keauriotheniana, maior do que a minha e comparável ou superior ao do meu pai… Meu pai sequer se movimentou para cuidar de Huriban e Kathayatah, tão poderosa quanto você, enfrenta uma guerra no Universo Itebarnacu Tupermon contra o Império Turamonjiari… Dgasaat, filha, termine esta guerra contra um inimigo que não respeitaria nem mesmo os Sagrados Seres De Eden Al Sophor. Justiça, Verdadeira Justiça, minha filha, pratique A Verdadeira Justiça…”


Nos corredores da última das Estações Tecnoguerreiras do Tecnouniverso Paluron, Dgasaat Epamiker atravessa um verdadeiro cenário de indescritível barbárie, crueldade e bestialidade em direção a Huriban, que a aguarda calmamente no Centro-Guia daquela. Após percorrer 1.113.500 Universos em 715.666 Anos Universais, de planeta em planeta, ela conseguiu alcançá-lo e está prestes a encerrar a caçada que iniciou em nome do pai, Thades Ocitilop Shodolon. A cada planeta que percorreu, ela ficou aterrorizada com as formas quase inimagináveis de assassinato que visualizou, auxiliando muitos sobreviventes, de múltiplas Raças, a recolherem inúmeros cadáveres. Assistiu também inumeráveis Cerimônias Místicas de Condução Existencial dos que foram massacrados pelo Maior Dos Carniceiros De Gaalzebar e, a cada uma, seu coração e Vontade foram ficando mais determinados na caçada ao monstro que ela deve parar.


— Thades enviou sua cria contra mim, ó, como estou honrado! Venha, Filha De Thades, eu me tornei um fardo grandioso para esta Criação… Se é que houveram outras antes desta! Melhor dizendo, eu me tornei o terror da sua Raça e das que foram aliadas da mesma! Quer o meu sangue? Quer o meu crânio? Quer, Filha De Thades? Então, venha, ande um pouco mais rápido… Ah, sim, andar mais rápido está difícil, perdão pelos mortos que estão pelos corredores!


Todo Paluron é um conglomerado de Tecnologia Arcana sem dimensões definidas e sempre a expandir-se. Para provocar ainda mais Dgasaat, Huriban matou a todos os habitantes do mesmo, os Tecnoguerreiros Místicos Valupat-Kymrao, cujo número total era incalculável. Crianças foram terrivelmente desmembradas e empilhadas foram suas cabeças por cima dos cadáveres dos adultos, apenas para atingi-la. Já muito endurecida após todo o terror que presenciou nesta caçada, cujo fim se aproxima, Dgasaat afasta com respeito os cadáveres com suas colossais mãos, olhando fixamente para cada um, e caminha em direção à voz que ecoa pelos corredores.


— Eu também tive uma filha, Filha De Thades, minha única filha… Sou muito mais antigo do que vocês, Keauriothenianos, pensam, eu nasci em uma das Idades Sem Nome. Fui um Deus Da Vida, Da Harmonia E Do Equilíbrio Eternos, Lider Fundador dos Anciães Supremos Da Tríade Ordenadora Da Evolução Cósmica. Shahdra era o nome da minha filha com Arhnyx, a Líder Fundadora das Senhoras Da Noite Silenciosa… Uma filha bela, guerreira, destinada a se tornar uma Maior de Eden Al Sophor, não fosse um Estuprador Assassino Evoluído que a violou na minha frente e na de Arhnyx…


Dgasaat está ouvindo, ela mantém seus pensamentos mortos e se concentra, ao mesmo tempo, em respeitosamente retirar os mortos do meio dos corredores que atravessa. Ela temeu Huriban já a partir do 26° planeta, Tra Urbyk, da Galáxia Aternm no Universo Shem Falla’h, ao se deparar com 14.645.757.800, 98% da população planetária, todos Deuses Guerreiros, Evoluídos Perfeitos, mortos, decapitados e desmembrados. Mesmo tendo nascido uma Grande das Magias dos Astros Celestiais Do Deus Governante Da Criação, da Estrela Flamejante Das Almas Eternas Universais, das Nebulosidades Espirituais e dos Quatro Elementos Eternos; e ter se tornado Mestra Suprema Da Visão De Luta Funcional, a Terceira em toda a História da Criação a dominar A Arte Marcial De Todas As Artes Marciais, aprendida com a sua mãe, Guruinf Epamiker, a qual superou, ela temeu Huriban. E seu temor foi muito maior ao se lembrar que até mesmo sua Avô Eterna, Artcsom Ocitilop, fora derrotada por ele nas 33.511.435.009 vezes nas quais confrontaram-se cara a cara. E sua falecida Avô Eterna era A Keauriotheniana Guerreira De Todos Os Guerreiros Keauriothenianos.


— Aquele Estuprador Assassino atacou minha Ordem e a de minha amada Arhnyx enquanto meditávamos juntos nos Círculos Místicos De Ashthorok. Ele matou, aquele Estuprador Assassino, cada um dos nossos discípulos, nos acorrentou com Aço Eterno Automanifestado e milhões de vezes estuprou a nossa filha, até Extingui-La exaurindo-lhe totalmente… Tudo que aquele Estuprador Assassino fez foi por… divertimento… E nos deixou vivos para que contássemos a todos os Anciães Supremos de outros Princípios sobre o que ele faria com as filhas deles… Eu e Arhnyx nada contamos, nós dois nos voltamos para Gaalzebar e nos tornamos o que a História diz que nos tornamos.



O temor de Dgasaat foi diminuindo à medida que uma fúria inigualável tomava conta de sua Alma Eterna a cada vítima de Huriban que ela encarava nos demais planetas que visitou. Ela foi doutrinada pelos pais para ser infalível na destreza e na dureza tão características de um Filho Keauriotheniano Da Guerra. Sem menosprezar o inimigo, mas respeitando-o e não temendo-o, qualquer que seja a Evolução do mesmo. Dgasaat jamais menosprezou Huriban, mas é difícil sentir algum respeito por um monstro como ele…


— Monstros Eternos não são apenas os filhos de Chiphon Nolema, há Monstros cuja Selvageria Funda Raças. Enquanto as Idades Universais terminavam, eu e Arhnyx vimos a Raça Fundada por aquele Estuprador Assassino crescer e na Primeira Era Universal nossa Ordem Assassina, assim como nós, já estava pronta para vingar-se dele. Foi mais difícil do que pensávamos, vocês, Keauriothenianos, são mesmo A Primeira Raça Perfeita Da Criação, como dizem todas as Cósmicas Profecias. E o Nascer dos Evoluídos apenas dificultou tudo ainda mais, mas eu minha amada sobrevivemos a Artcsom Ocitilop, a sua Avó Eterna… Enquanto que nem sequer pudemos nos aproximar do Assassino Estuprador de nossa filha, recluso na Sede do Império Keauriotheniano, protegido pela Mãe Automanifestada dele…


A voz de Huriban se torna mais próxima e Dgasaat começa a ficar mais concentrada do que nunca. Os cadáveres começam a diminuir, mas continuam sendo respeitosamente retirados do caminho por ela.


— Aquela Discípula Maior de Artcsom, Monies Rinji, matou minha Arhnyx, a única além de mim a sobreviver a ela e a seus tios Thidan e Thaiden, Filha De Thades. Eu fingi fugir, sim, eu fingi… Fingi para te atrair até aqui porque eu Sabia que apenas você me ouviria de verdade, diferente dos seus outros Irmãos Raciais, que logo me matariam ou Extinguiriam. Ou eu os mataria e Extinguiria um por um… Todo esse Poder você carrega e serve a um Império construído por um Estuprador Assassino… Poder, Honra, Eterno Senso Justiceiro, vejo em você, Filha De Thades… Contra você, minha Evolução seria desperdiçada, afirmo que é muito mais poderosa do que qualquer um da sua Raça… Matei incontáveis desta e de aliados da mesma, como os cadáveres deste Tecnouniverso, meu último ato de vingança… Como sou chamado? Como minha Ordem foi chamada? “Psicopatas Místicos”! Sim, assim a História nos julga, mas…


Dgasaat chega ao Centro.


— … como você nos julga, Neta De Thornadoriusis Shodolon, aquele Estuprador Assassino? A vossa querida Magia Eterna escondeu de toda sua Raça todos os crimes dele desde o Apenas Início,mas os nossos muitos Automanifestados denunciam, até mesmo O Assassino… Você é a primeira a saber de um dos crimes de seu Avô Eterno, Dgasaat Epamiker, mas vai agir como foi doutrinada a reagir diante de monstros como eu. Siga o seu Destino Eterno, neta de Thornadoriusis, eu sou a sua primeira vítima, seu primeiro ato de “Verdadeira Justiça”, siga… Ou eu vou continuar indefinidamente matando os de sua Raça e aliados pela Eternidade…


Dgasaat agarra-o pelo pescoço e joga-o para cima; desfere 11.675 socos diretos de esquerda no tórax dele; joga-o para baixo, chocando-o contra o chão, 543.890.975 vezes; chuta-o no chão, na cabeça, 432.856.933 vezes; chuta-o 453.897 vezes com as pernas unidas pelos corredores vazios da Tecnoestação; prende-o às suas pernas pelo abdômen e choca-o contra as paredes daquela; atravessa-a e a outras 686.900.856 Tecnoestações chocando-o contra as paredes; pára em uma; concentra nas mãos toda a Essência Primordial dos Astros Celestiais; soca-o ultraviolentamente na Velocidade Da Luz Eterna por todo o corpo; golpes que ultrapassam a Lógica Quântica; golpes que não podem ser medidos por Mentes Evoluídas Moldadas; Golpes Automanifestados capazes de Criarem e Recriarem Universos; e um Golpe Definitivo no meio do tórax, um soco direto de esquerda, direcionado a todos os Horizontes Internos dele!


— Muito obrigado, Matadora Eterna…


Huriban dá dois passos para trás e tomba.


— Arhnyx… Shahdra…


Huriban morre. Dgasaat, desde que iniciou a série de golpes nele, manteve os olhos fechados. Agora, ao abrir, lágrimas escorrem por seu rosto. Lágrimas que não são pelas vítimas de Huriban. Lágrimas que são para Huriban, sua primeira vítima.


Inominável Ser
BÉLICO
CRONISTA
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Há Algum Crime Que Você Queira Agora Confessar?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016.



O Punhal
Rasga o ventre
Dos famintos.


O Punhal
Arranca os olhos
Dos lascivos.


O Punhal
Denuncia o horror
Dos homicidas.


O Punhal
Arrasa o orgulho
Dos altivos.


O Punhal
Quebra o riso
Dos cruéis.


O Punhal
Perfura o prazer
Dos estranguladores.


O Punhal é a arma
Daqueles que tem
A morte como prazer.


O Punhal é o amante
Daqueles que sabem
Quem são os culpados.


O Punhal é a vida
Que julga os culpados
Sem misericórdia.


O Punhal é a morte
Que nas mãos corretas
Marca os corretos culpados.


A Voz Do Punhal
Versos Orais

— Não quero que leve isso para o lado pessoal, é a impessoalidade que comanda as minhas ações, todas elas. Encare meu punhal rasgando toda sua linda pele como as carícias da melhor amante que você já teve, vai se sentir melhor e doer menos. Sabe que essa minha sutileza com as palavras sempre aliviou a dor das minhas preciosidades apunhaladas? Isso é de família, meus pais foram assassinos profissionais a serviço de traficantes, meu avô materno foi um mercenário e documentos atestam que minhas origens européias se caracterizam por antepassados cruéis e sanguinários. A sede de sangue é transmissível? Talvez seja… Mas, nunca me importei em estudar sobre isso, eu sigo matando com meticulosidade, engenhosidade e técnica! Faço isso há séculos… Quer dizer, milênios… Não, anos, eu não sou imortal… Gosto de matar, sim, sempre gostei, minha quadricentésima oitava preciosidade… A sua dor é pequena perto das que já causei antes, mas sempre preciso perguntar a cada um próximo da punhalada final: há algum crime que você queira agora confessar?
— Cri…
— Sim, um pequeno ou grande crime, algo obscuro, desconhecido do olhar humano.
— Sem… Sem… Sempre fui… honesto… e…
— Muitos homens honestos cometeram crimes pela História, preciosidade… Honestidade também tem em mim moradia, sou um honesto assassino…
— Vo… Vo-vo… Você é um… va… vagabundo…
— Meu trabalho é esse, preciosidade, eu mato por prazer. Não por dinheiro ou por esporte, apenas pelo prazer de ver o sangue das minhas preciosidades escorrer. Vamos, você não vai durar muito tempo… Te pergunto de novo, me responda: há algum crime que você queira agora confessar?
— Não…
— Mentira na sua voz…
— Não… ei não minto…
— Mente, sim, seu sangue me diz isso. Seu sangue fala comigo.
— Ma… ma-maluco… Me mate logo…
— Você vai morrer logo… Te apunhalei vinte vezes no braço esquerdo, trinta vezes no braço direito, trinta vezes em cada perna, sete vezes nas costas, doze vezes no tórax… Somente não morreu porque evitei afundar meu punhal, perfurando superficialmente seu corpo e vendo seu sangue gerar um lago lentamente aqui no chão.
— Doente…
— Eu sou muito saudável, preciosidade, muito saudável… Te apunhalei noventa e seis vezes, reparou e fez a contagem? Por que ainda não morreu?
— Desgra…
— Sou uma graça para aqueles que confessam seus crimes, preciosidade. Você ainda não morreu exatamente porque não confessou os seus. E te pergunto pela terceira vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— Nun… Nunca… Nunca…
— Cometeu um crime?
— Nunca…
— Ou nunca vai confessar?
— Nun…
— Ou nunca vai me dar o prazer de vê-lo receber de mim a última punhalada?
— Nunca… vou… confessar…
— Segunda opção!
— Ca… Calhorda… Maldito…
— Eu sou uma benção para aqueles que confessam seus crimes. Te pergunto pela quarta vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— Vou morrer… e… e… você nunca… vai me ouvir… confessar…
— Tem algum crime, não tem?
— Não… N-Não… N-Nenhum…
— Seu sangue fala de um, dois, três, vários crimes…
— Não…
— Quatro crimes…
— Não…
— Cinco crimes…
— Não…
— Seiscentos e nove crimes, muito mais do que eu.
— Não… Não… s-sou… u-um crimi…
— Todo ser humano é um criminoso cruel, minha preciosidade, de todos os modos e de todas as formas. É por isso que eu te pergunto pela quinta vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— N-Não v-vou… c-confessar…
— Realmente, você é o primeiro que dura bastante tempo comigo…
— Eu sou… inoce… i-inocente…
— Sim, você não matou, roubou ou estuprou nesta vida. No entanto, em setenta vidas anteriores fez tudo isso e acreditou que escaparia impune. Você é culpado, como todos nós somos culpados por todos os crimes do mundo.
— N-Não…
— Sim, eu mesmo vi seus crimes como vejo agora no seu sangue. Os que cuidam de gente como você agem em nome da Cruz, eu ajo em nome do Punhal. Não há misericórdia…
— L-louco… É a-apenas um louco… que a-aqui está…
— Loucos somos todos nós, minha preciosidade… Loucos por sermos criminosos… Loucos por sermos profundos criminosos… E é por isso que eu te pergunto pela sexta vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— N-Não…
— Pela sétima vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— N-Não…
— Pela oitava vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— N-Não…
— Seu sangue me diz o contrário e confessa cada um dos seus crimes. Não precisava ouvir isso dos seus lábios, minha preciosidade.
— Por… Por que… e-eu…
— Porque o Punhal te julgou e assinalou como minha preciosidade.
— M-mate… Mate… me…
— Você não merece a última punhalada, vai agonizar até morrer e eu estarei aqui ao teu lado para te apoiar nesse momento de passagem para um lugar bem pior do que este mundo. Se acalme, vai acabar rápido, muito rápido.


Inominável Ser
DO
PUNHAL

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Moraga Th' Eskza Ma

domingo, 17 de janeiro de 2016.


Dizimada 87% da população do Planeta Daegar Th’ Gaer; 76% da população da Galáxia Pha Nargua; e 96% da população de todo o Universo Rtauh. A Guerra Do Destino Das Raças Eternas encontra-se em sua sexta Era e a Grande Batalha de Rtauh, que ocorreu durante 245.765 Anos Universais, foi a de maior prejuízo para o Império Keauriotheniano. Na liderança das Legiões, Monies Rinji agora quebra o crânio do Líder Bard Darmen Va’este’saranghur com seu machado de guerra… O sangue jorra por todo lado… Sangue e miolos cobrem-lhe a armadura… A fadiga toma conta do corpo de uma das mais grandiosas guerreiras e Generais Keauriotheniana em toda a História desta Raça… Fadiga que a faz tombar para a frente, cercada por milhões de cadáveres na única região de Daegar onde nunca deveria ter caminhado… Monies luta contra a fadiga… Monies luta para se manter desperta… Monies luta para não adormecer… No entanto, seus ferimentos físicos e espirituais bloqueiam-lhe a vontade… Seus músculos cedem… Seus órgãos cedem… Seus sentidos desaparecem… Tudo desaparece… E desaparecer no inconsciente era o último ato que a General Rinji queria realizar em Moraga Th' Eskza Ma, O Deserto Do Arquimestre Aprisionado.


...


Monies, uma Grande da Magia Eterna, lutando contra a Inconsciência como se fosse um Ser Comum…


Monies, sempre A General Na Vanguarda De Todas As Batalhas, enfraquecida, ferida, lutando contra a Inconsciência…


Monies, perdendo a Consciência…


Monies, alcançando a Inconsciência…


Monies, lutando contra a Inconsciência…


Monies, Inconsciente…


Monies, Inconsciente…


Monies, Inconsciente…


Monies, Inconsciente…


Monies, Inconsciente…


Monies, Inconsciente…


Monies, Inconsciente…


Monies, Inconsciente…


Monies, Inconsciente…


...


Monies tateia a areia…


A areia do Deserto…


A areia de outros Desertos…


A areia de todos os Desertos…


Monies move-se, cega, em meio a uma tempestade de areia…


Tempestade no Deserto…


Tempestade em outros Desertos…


Tempestade em todos os Desertos…


Monies é coberto de areia…


Areia a falar com todas as Vozes do Deserto…


Areia a falar com todas as Vozes de todos os outros Desertos…


Areia a falar com todas as Vozes de todos os Desertos…


Monies, encoberta pela areia, nada mais ouve…


Monies, encoberta pela areia, nada mais…


Monies, encoberta pela areia…


Monies, encoberta pela…


Monies, encoberta…


Monies…




E outra voz ela ouve…


Outra voz…


Outra voz…


Outra voz…


Outra…


Outra…


Outra…




— Entregue-se, Monies Rinji, aqui é a sua ruína.
— Não, eu ainda estou viva, eu ainda estou existente!
— Entregue-se, Monies Rinji, todo o cobteúdo do treinamento de Artcsom Ocitilop de nada lhe serve aqui.
— Não vou ouvi-lo!
— Entregue-se, Monies Rinji, sim, abrace totalmente  agora o Verbo do teu Verdadeiro Destino abaixo destas areias.
— Não vou aceitá-lo!
— Entregue-se, Monies Rinji, a disputa aqui não pode ser por você vencida, eu sou invencível.
— Não vou admitir o meu fim aqui!
— Entregue-se, Monies Rinji, na areia a encobri-la estão os ossos, carnes e lembranças de todos que se entregaram a mim.
— Não vou me diminuir para ser esmagada aqui!
— Entregue-se, Monies Rinji, cada osso te chama, cada carne te chama e cada lembrança te chama.
— Não, eu não lhe ouvirei!
— Entregue-se, Monies Rinji, a Guerra das Raças Eternas contra os Bards já está perdida, sua Raça, principalmente, será Extinta.
— Não, eu não ouvirei as suas mentiras!
— Entregue-se, Monies Rinji, sua Mestra, Artcsom Ocitilop, vai ser Extinta pelos Bards.
— Não tenho nada a ver com suas palavras!
— Entregue-se, Monies Rinji, sua Vida Física está desaparecendo, A Senhora da Transição Corpórea já lhe abraça.
— Não tenho nada para ser apoiado pelas suas palavras!
— Entregue-se, Monies Rinji, eu te chamo para aceitar O Abraço da Senhora Ramanthyasn.
— Não tenho nada para ser justificado pelas suas palavras!
— Entregue-se, Monies Rinji, aceite o fim de sua Marcha Material aqui, nas areias, na areia, na Areia.
— Não tenho nada para ser ampliado pelas suas palavras!
— Entregue-se, Monies Rinji, seu túmulo é aqui na areia.
— Não, eu não lhe ouvirei!
— Entregue-se, Monies Rinji, seu túmulo lhe aguarda
— Não, eu não lhe ouvirei!
— Entregue-se, Monies Rinji, seu túmulo já está construído.
— Não, eu não lhe ouvirei!
— Entregue-se, Monies Rinji, você já perdeu a Existência.
— Não, eu não lhe ouvirei!
— Entregue-se, Monies Rinji…
— Não!
— Entregue-se, Monies Rinji…
— Não!
— Entregue-se, Monies Rinji…
— Não!
— Entregue-se, Monies Rinji…
— Não!
— Entregue-se, Monies Rinji…
— Não!
— Entregue-se, Monies Rinji…
— Não!
— Entregue-se, Monies Rinji…
— Não!
— Entregue-se, Monies Rinji…
— Não!
— Entregue-se, Monies Rinji…
— Não!
— Entregue-se, Monies Rinji…
— Não!


A luta se expande… A luta ecoa em variados níveis… A luta ressoa em todo Nível… Psíquico… Físico… Astral… Monies nega… A Voz na Areia afirma… A luta segue… A luta fere… A luta é feroz… A luta… A luta… A luta… Monies resiste… A Voz na Areia avança… Luta de Vontades… Luta de Soberanias… Luta de Presenças… Luta de Sentenças… Luta de Dessemelhanças… Luta de Antagonismos… Luta de Determinismos… Luta de Indeterminismos… Monies… A Voz na Areia… Luta implicando Mecanismos… Os Afirmantes Mecanismos… Os Negadores Mecanismos… Monies… A Voz na Areia… Movimentos Antiexistenciais… Movimentos Antimateriais… Monies… A Voz na Areia… O Ato… O Átrio… O Escoamento… O Sedimento… O Seguimento… Monies… A Voz na Areia… Monies… A Voz na Areia… Monies… A Voz na Areia…  


Monies…


Monies…


Monies…


Monies…


Monies…


Monies…


Monies…


Monies…


Monies…


A Voz que desaparece…


A Voz na Areia…


Voz desaparecendo…


Voz desaparecendo…


Voz desaparecendo…


Voz…


Desaparecendo…




Monies desperta e vê à sua frente o crânio do último inimigo que abatera. Levantando-se, ossos em seu redor, céu nublado e areia… Anos Universais passaram-se, ela Sabe, e nenhuma outra Legião Keauriotheniana passou por Daegar. Ela terá que retornar sozinha para o Planeta Keauriothen, retornar como a única sobrevivente das Legiões que lutaram em Rtauh. Porém, sua maior batalha neste Universo fora travada na Areia. E vencida.


A areia nem sussurra agora.


A areia nem se move agora.


A Areia foi silenciada.


E Monies sente-se Renascida.


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