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Desejos E Sonhos De Um Cadáver - Segunda Versão

domingo, 15 de setembro de 2013.




Era de se esperar esta atitude, típica de alguém que foi enterrado há poucos meses. Aqui, embaixo da terra, nesta cova de merda, deixo-me elevar a um estado de eternos sonhos com os vermes que já me comem. Minhas roupas estão sendo estraçalhadas, minha pele vai sendo mordida, por dentro já vou sentindo a fome vertiginosa desses bichos famintos em minha cova...

E eles falam...

Continuam falando...

Continuam gritando...

Continuam sussurrando...

Continuam...

Quando ainda vivia em outro tipo de cova, chamavam-me de Antônio Silva dos Reis, um bancário medíocre que trabalhou vinte e dois anos na mesma agência, recebendo um salariozinho mais medíocre ainda. Não exigia muito de mim mesmo, em relação ao trabalho, em relação aos estudos e em relação à minha familiazinha miserável... Fui casado com uma ex-bailarina viciada em festas, tive um filho que se tornou um vagabundo de rua e uma filha que se prostitituiu para poder pagar a faculdade. Meus pais não foram diferentes; minha mãe, por exemplo, era uma drogada estúpida e meu pai um policial bêbado que batia em mim e nela. Já muito pequeno, muito pequeno mesmo, eu queria estar aqui embaixo, nesta cova...

Falam demais...

Não aguento a fala deles...

Não aguento...

Eu não posso parar de ouvir...

Eu não consigo parar de ouvir...

Eu queria sair daqui...

Eu queria muito sair...

Casei com Aline apenas por medo de acabar sozinho e, quando morri, a piranha se casou, dois meses após minha morte, com o bode velho do meu pai. Ser um corno pós-morte, como fui em vida (Aline me traia sempre com todos os professores de dança que conhecia), pode provocar gargalhadas nos que não sabem o que é saber disso, aqui embaixo, acordado... Meu pai, além de bêbado e policial, é um excelente dançarino de tango, um conquistadorzinho barato que comia a Aline desde que eu e ela éramos namorados... Eu sabia de tudo, mas ela era a única opção para a minha futura vida, nenhuma mulher além dela me compreendia, apesar de cada traição... Suportei aquela vadia durante trinta e seis anos nos quais fingi gostar dela; e, em certa época, acreditei-me apaixonado por ela... Minha mãe morreu após saber da traição deles e todo o restante da minha família apoiou o novo casal, que já teve até uma filha... Não amei os meus filhos e sei que eles também nunca me amaram... Desejaria erguer-me desta cova para mostrar a eles, a cada um deles, o que os aguarda aqui embaixo! Os vermes que comem todos os cadáveres abaixo do solo são os verdadeiros filósofos deste mundo que nada me deu além de desastres atrás de desastres! Eu daria a cada um deles um punhado de vermes, na boca, tirados aqui da minha barriga!

E nem posso ir para outro lugar...

Não...

Eu não posso...

Irrita-me cada voz deles...

Cada maliciosa voz deles...

Eles que dizem que são agora minha família...

Eles dizem que são tudo para mim agora...

Eles dizem...

E eu continuo ouvindo, sem parar, sem poder parar...

Eu, um Antônio a mais no mundo! Um Antônio a mais enterrado! Um Antônio a mais entregue ao escárnio dos vermes que me comem! Um dia eu estava naquele hospital e acordei aqui dentro, preso, sufocado, esmagado, sendo vítima destes monstrinhos de dentes rápidos! Vejo como cada um é, parecidos com meus pais, com Aline, com os meus filhos, com Deus... Deus, o verme maior que me determinou a ser um fracassado, um maldito homem fadado a ter sempre todo sonho estragado! Segui uma igreja, uma dessas pentecostais, o “Espírito Santo” toda noite lá descia, o “Espírito Santo” todo dia estava na minha vida, o “Espírito Santo” todo dia manifestava a presença “Dele” em mim... Manifestava tanto que, mesmo tendo minha fé, mesmo me ajoelhando tanto para orar buscando a “minha vitória”, o que acabei ganhando foi um câncer e esta cova... Com quem eu estou reclamando disso agora? Com estes vermes em minha cova? Com os meus ossos já sendo comidos? Com o cheiro podre da minha carne? Com este caixão de jacarandá? Com toda a terra acima de mim?

Gozam de mim...

Gozam em mim...

Eles gozam...

Para eles sou uma prostituta barata...

Me comem todo dia...

Me comem sem parar...

Sem nunca estarem satisfeitos...

Desejo sair daqui de baixo, desejo sair! Como desejo! Como anseio por poder rasgar estes vermes, este caixão, escavar até o solo e dar ao próprio Deus uma aula de como é ser resistente a tudo que causa o fim do que “Ele” chama de “filhos”! Não venci a minha morte ainda, mas continuo aqui em meu corpo, participando deste espetáculo deplorável de demente putrefação e mórbido escárnio! Eu assombraria o mundoajor exibindo a podridão de minha carne! Mostraria estes vermes a todos os que acham que lá em cima tudo dura pela eternidade! Faria a minha família implorar pelo meu perdão! Faria Aline e meu pai se ajoelharem aos meus pés me pedindo perdão! E daria uma bela surra em meus filhos, coisa que eu nunca fiz quando estes eram pequenos! É assim, Deus, que você faz? É assim com todo aquele que ora, ora, ora, ora, ora, ora, ora, ora, ora, ora, ora e ora para alcançar, pelo menos, um momento de tranquilidade e paz na vida? Fui enterrado vivo! Não morri naquela manhã! Por um dos mistérios da “Sua Providência”, deram-me como morto e eu voltei para este corpo aqui dentro desta cova! Eu continuo respirando! Eu continuo tentando sair! Eu continuo te xingando, seu tirano maldito, miserável e desgraçado! Por que estou aqui assim? Por que estou aqui enquanto todos aqueles que me humilharam e me abandonaram continuam sorridentes lá em cima, como se eu nem tivesse existido? Está me ouvindo agora? Está me ouvindo como já deve ter me ouvido um dia? Ou nunca me ouviu? E a estes vermes aqui dentro em minha cova, ouves a voz de cada um deles?

 Os vermes falam...

Os vermes gritam...

Os vermes sussurram...

Os vermes que me fodem aqui embaixo...


ANTÔNIO, SEU CORNO!!!”


ANTÔNIO, SEU FRACASSADO!!!”


ANTÔNIO, SEU PERDEDOR!!!”


ANTÔNIO, NÓS VAMOS TE DEVORAR INTEIRAMENTE!!!”


ANTÔNIO, NÓS VAMOS TE COMER BEM DEVAGAR!!!”


ANTÔNIO, NÓS VAMOS TE FAZER SOFRER UM POUCO MAIS!!!”


ANTÔNIO, NÓS TE AMAMOS!!!”


ANTÔNIO, NÓS TE ADOTAMOS!!!”


ANTÔNIO, NÓS FAZEMOS DE VOCÊ O NOSSO SUSTENTO!!!”


ANTÔNIO!!!”


ANTÔNIO!!!”


ANTÔNIO!!!”


ANTÔNIO!!!”


ANTÔNIO!!!”


ANTÔNIO!!!”


ANTÔNIO!!!”


ANTÔNIO!!!”


ANTÔNIO!!!”


E os meus gritos vão sendo abortados...

E Tu, “Senhor”, nem se importa...

Deus, Seu Verme, vá para a casa do caralho!




Inominável Ser
DESEJANDO
E SONHANDO
JÁ ESTANDO
MORTO




Primeira Versão:

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Aquele Que Traz O Inominável Livro Do Abismo

domingo, 7 de julho de 2013.



Seus passos constituem as inúmeras marcas de alguém que já caminhou nos mais insanamente constituídos abismos de chamas, fogos, salivas, vômitos, fezes, sangue e barro. Chamas de três passos Dele. Fogos de nove passos Dele. Salivas de vinte e sete passos Dele. Vômitos de setenta e um passos Dele. Fezes de duzentos e treze passos Dele. Sangue de seiscentos e trinta e nove passos Dele. Barro de mil novecentos e dezessete passos Dele.

Seu odor pertence a todas as civilizações já mortas, um odor de insetos, ratos, baratas, lacraias, escorpiões, aranhas e larvas. Insetos determinados a serem extintos de civilizações já mortas. Ratos determinados a serem extintos de civilizações já mortas. Baratas determinadas a serem extintos de civilizações já mortas. Lacraias determinadas a serem extintos de civilizações já mortas. Escorpiões determinados a serem extintos de civilizações já mortas. Aranhas determinadas a serem extintos de civilizações já mortas. Larvas determinadas a serem extintos de civilizações já mortas.

Seus pensamentos são direcionados a tudo constituído pela podridão dos tempos passados, presentes e futuros. Tempos passados a falarem da podridão dos tempos presentes. Tempos presentes a afirmarem a podridão dos tempos passados e futuros. Tempos futuros a navegarem na podridão dos tempos passados e presentes.

Suas vestes são remendos e cada remendo é cantor de glórias e de desgraças nascidas do gozo da Carne e de profundas punhaladas. Gozo de carnes gloriosas. Profundas punhaladas gloriosas. Gozo de carne desgraçada. Profundas punhaladas desgraçadas.

Seus olhos emitem as luzes que se movem nos reinados obscuros das putrefatas verdades. Putrefatas verdades dentro da morte. Putrefatas verdades dentro da vida. Putrefatas Verdades Que São A Deusa Morte. Putrefatas Verdades Que São A Deusa Vida.

Seus lábios são da sedução mais selvagem, já beijaram Deuses Celestiais e Deuses Abismais. Deuses Celestiais Que Ditaram O Livro Que Ele Traz. Deuses Abismais Que Ditaram O Livro Que Ele Traz. Deuses Celestiais Que Junto Com Ele Escreveram O Livro Nas Mãos Dele. Deuses Abismais Que Junto Com Ele Escreveram O Livro Nas Mãos Dele.

Suas mãos já tocaram na Vestimenta Da Virgem e na Nudez Da Serpente. A Virgem cujas lágrimas foram a tinta da pena do Livro que Ele traz. A Serpente cujas escamas são as páginas do Livro que Ele traz. Virgem Gloriosa. Serpente Danosa.

Seus cabelos são mares, rios, lagos, cachoeiras e oceanos. Mares Antigos. Mares Do Abismo. Mares Dos Antigos. Rios Antigos. Rios Do Abismo. Rios Dos Antigos. Lagos Antigos. Lagos Do Abismo. Lagos Dos Antigos. Cachoeiras Antigas. Cachoeiras Do Abismo. Cachoeiras Dos Antigos. Oceanos Antigos. Oceanos Do Abismo. Oceanos Dos Antigos.

Seu rosto é todo rosto perdido e todo rosto encontrado na Escuridão Mãe Dos Prados. Rosto Perdido Dos Aclamados. Rosto Encontrado Dos Vigiados. Rosto Perdido Dos Soldados. Rosto Encontrado Dos Vigilantes.

Ele chegou até mim e me entregou O Livro Inominável Do Abismo. Era a noite mais sanguinária e era o dia mais perturbado. Era a hora menos determinada e era a não-hora menos procurada. Era o momento mais praticado e era o não-momento mais intrincado. Era o ritual menos viciado e era o não-ritual menos recomendado. Era o sonho mais belo e era o pesadelo mais desejado. Era o amor menos querido e era o ódio menos predatório. Era a raiz mais potente e era a árvore mais rangente. Era a sede menos assassina e era a água menos envenenante. Era a rede mais forte e era o peixe mais sobrevivente.

Eu era e eu fui e eu sou aquele que recebeu Dele aquele Livro. Este silenciou meus lábios. E o meu coração foi arrancado. E ele começou a comer o meu coração. Eu me tornei, então, o que Ele era. Eu sempre fui, na verdade, o que Ele era.

Inominável Ser
DO LIVRO
INOMINÁVEL
DO 
ABISMO

    

 
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Danesha Anarcovampira

domingo, 18 de setembro de 2011.

Os Espíritos Se Rebaixam Diante Do Grande Arcano Da Vida. A Vitória Oferecida É A De Uma Terrível Música Ouvida. O Silêncio Arruinado É A Fonte De Poder Da Raiz Da Própria Vida. O Gozo Perturbante Advém Da Penetração Mais Ardente No Âmago Da Inverdade. Vista-Se, Vampiro, O Manto Da Esperança É Uma Noite Tão Amiga Para Os Imortais Que Bebem De Suas Mortes Vitais...”


O Livro Divino Dos Vampiros, Sentença XXXIII



Às Matriarcas E Patriarcas Da Sociedade Vampírica Oculta


Cara Sociedade Vampírica Oculta, venho por meio desta mensagem escrita informar-lhes da decisão que tomo para o meu próprio bem.


Estudei seus Livros, participei de seus Rituais e aprendi a defender-me na Escola Vermelha Dos Antigos. A simplicidade de vocês me iludiu por algum tempo e eu soube da Verdade ao romper a jugular de minha última vítima. Escapo de todas essas coisas simples e ainda tenho muito a rever de tudo que se construiu desde que me fizeram participar de um grupo. Sempre fui sozinha, nas beiradas das estradas sutis tendo perto de mim a garantia do sangue de uma vítima. Me quiseram perto de algo para que, simplesmente, eu pudesse me identificar com eles, mas não deu certo e nunca daria...


Não nasci para o alfabeto da unicidade, nem dos grandes movimentos contrários ou a favor de uma sociedade. Para quê toda a fantasia da crença em uma união se o egoísmo é a fonte da razão da própria vida? Tudo é egoísta e apenas o sol possui a generosidade banhando toda a Terra, espalhando seus raios, sendo um Servo Da Vida. Como uma Serva Da Morte, reconheço isso, reconheço muito bem isso, mais do que qualquer outro Vampiro que eu conheça. Foi no egoísmo que vocês formaram a Sociedade e é no egoísmo que a Eternidade conta com a vossa continuidade em meio às Trevas. Foi por egoísmo que eu segui a minha trajetória vampírica, aceitando a minha verdadeira natureza logo em meu Primeiro Despertar. Foi no egoísmo que eu me tornei uma Vampira, sofrendo todas as mortes possíveis dentro da doutrinação que recebi do meu Mestre.


Admiti muitas coisas e até mesmo as coisas que, como humana, eu considerava horrendas. Servi a Princípios que julgo ser bem mais verdadeiros do que os ditados pelas humanas religiões e seitas, adiantando-me muito em matéria de certezas que moldam a minha particular visão da realidade. Não fui nem feliz e nem triste como uma Vampira, assim como não era quando humana; apenas quero lhes dizer que cheguei a um determinado ponto de equilíbrio, explodi nas tardes de minha imortalidade e me ofereci um descanso nas manhãs de minha sede. Me alimentei das vítimas corretas e transformei os Potenciais corretos, apenas seguindo os Eternos Deveres de seus Eternos Decretos. Servi, enfim, ao papel que me foi destinado dentro da Sociedade e agradeço a cada um pelo reconhecimento de meu empenho em manter a nossa Raça ocultada dos olhos mortais. Mas, novamente Despertei e consegui chegar a um novo olhar...


Não é pela falta do sol que eu fiz o que fiz, Matriarcas e Patriarcas, jamais adorei ao sol, à lua ou a qualquer astro de todas as galáxias. Não tenho saudades de minha vida humana e muito menos apreciei ser uma Vampira, para mim tudo é uma nulidade plena, um vazio completo, uma versão alternativa de uma existência que nem poderia ter sido uma existência. Não me apeguei a nada como humana e nem como Vampira, tudo para mim foi uma passagem neutra por uma estrada bem recheada de ilusões. Meu Último Despertar não me tornou Gloriosa E Soberana, Ele me fez reconhecer a falsidade dentro de mim mesma, a falsidade dos meus pensamentos, dos meus desejos, dos meus anseios, dos meus ideais, dos meus planos e de toda as minhas certezas de crença em alguma coisa viável que possibilite uma segura trajetória existencial.


Descobri que não gostei de ser o que eu me tornei. Sugar sangue, viver nas sombras, aprender a sorver mais do que a reles condição humana frágil... Como eu não gostava de ser humana, também, meus 1.047 anos como Vampira nada me acrescentaram e nem me fizeram uma gigante entre anões... Nada valeu a pena como humana; nada valeu a pena como Vampira. Ganhei muita sabedoria, mas nada disto vale para A Unidade, da qual todos os Seres vieram... A Sabedoria Vampírica é tão pequena quanto a Sabedoria Humana para Aquele Que Realiza Toda A Sábia Continuidade Das Coisas. Cada um de vocês, Matriarcas e Patriarcas, sobrevive apenas porque suas ilusões eternizaram-se de uma maneira inescapável em suas consciências; são ilusões causadas pela Separatividade, ilusões que lhes fazem pensar ser Gloriosos E Soberanos quando, na realidade, são tão frágeis como eu, qualquer Vampiro ou um ser humano. O que eu fiz foi para não ter que me tornar como vocês, os crentes de uma realidade que nos posiciona na mesma Cadeia Alimentar Universal que qualquer outro Ser: a do Tempo.


O Tempo alimentou-se de mim, alimenta-se de vocês, alimenta-se de todos os Vampiros e de todos os seres humanos. O ato que eu fiz nasceu da minha anarquia que não vai durar muito, mas pelo menos fui a única dentre todos os Vampiros que alcançou A Verdade que muitos como vocês escondem de todos nós. Este sangue, do qual sentem o odor, foi de um Servo fiel às suas ilusões, tão fiel que tentou fazer com que eu continuasse sendo igual a ele. Este sangue através do qual escrevo-lhes esta minha última carta é o do meu Mestre, Seth Luzbel, Aquele que me Transformou, Aquele que eu matei porque ele queria me impedir de fazer a única coisa válida que eu faria em toda minha existência como Filha Da Unidade. Meu maior e melhor ato, o mais lúcido e racional dos meus atos como Serva de vocês, ele tentaria impedir, mas eu não iria deixar que qualquer Ser me impedisse de o realizar. Meu suicídio é um ato sagrado, Matriarcas e Patriarcas, uma prova da minha total anarquia diante das tolices todas que eu aprendi, vivi e defendi como uma Vampira. É também um ato anárquico contra A Vida e A Morte; contra A Luz e As Trevas; contra Deuses e Demônios, contra Vampiros e Seres Humanos; contra Imortais e Mortais de todos os Planos, toda sorte de iludidos governados pela Deusa Ilusão, A Consorte Perfeita De Todos Os Seres Da Criação. Não quero mais fazer parte de nada e eu afirmo que jamais fiz parte de nada. Não fui uma humana e nem uma Vampira, mas, simplesmente, um fantasma, uma imitação, uma grotesca sarcástica piada e uma extrema paródia de Ser Vivo, de Morta e de Morta-Viva.


Vou me suicidar à luz do sol no topo da cabeça do Cristo Redentor e as minhas cinzas vão parar em uma cidade tão decadente quanto vocês. Ao lerem esta carta, que envio através de Thápis Dianus, as minhas cinzas já terão sido levadas pelo vento para O Grande Esquecimento. Não me suicido por causa de algum tipo de remorso que possa ter pelas mortes que causei e nem por algum tipo de desespero interior por ter descoberto A Primeira E Última Verdade. Esta vai ser sempre uma Verdade individual para cada Ser que não irá se iludir mais com as Grandes Mentiras Existenciais, As Mentiras alimentadas pelo Ego, Este Que É O Inimigo Dos Mortais E Dos Imortais. Não tenho mais nada a lhes dizer, Matriarcas e Patriarcas, não derramem por mim uma única gota das suas imortais lágrimas, tão iludidas como os seus pensamentos, atos e palavras.



Da Sua Serva

Danesha Anarcovampira



Nos Assemelhamos Ao Vento Do Sudeste, Que Em Sua Forma Se Arrisca A Percorrer As Venturas Dos Caóticos Meios Das Vozes. A Maior Das Vozes É A Nossa Chegada Profunda Ao Termo Fundamentador De Cada Existência. Quando Chegamos Ao Termo, Bebemos Do Fruto Nascido Das Florestas Que Crescem Banhadas Pelas Verdadeiras Águas. Nos Tornamos Verdadeiros E Verdadeira É A Certeza Respirante De Toda A Nossa Permanência Em Qualquer Horizonte. E Isto Mais Nos Realiza: O Sangue Escorrendo De Nossas Almas Como Eterna Tormenta.”


A Verdade E A Tempestade, Afirmação LIV


Inominável Ser

BEBENDO

DA VERDADE

DELE

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O Revolucionário Imortal

domingo, 4 de setembro de 2011.



Mirabeau, Sieyés, Paine, Condorcet, Marat, Danton, Robespierre, Babouf, Bonaparte... Abaixo dos cadáveres de soldados fiéis a este último grande mestre de sua vida, um Jovem Revolucionário Francês agonizava, absorto em pensamentos e lembranças acerca daqueles, os quais pessoalmente conhecera, em Waterloo... A última batalha do seu Imperador fora perdida e suas lágrimas caem na despedida de sua vida...


Sans-cullotte por parte de pai e de mãe, desde os dez anos de idade o Jovem Revolucionário Francês, seguidor de Rousseau na ideologia e de Voltaire na personalidade, lutou pelos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Violento, verdadeiro e sonhador, amou a Revolução Francesa mais do que qualquer outro revolucionário. Pela Revolução viveu, matou e honrou tudo pelo qual lutava.


Ele agonizava e ainda sonhava... Sonhava com o Futuro... Como seria o mundo após a Revolução? Em sua agonia, o Jovem Revolucionário Francês fez um pacto com A Morte: morreria sempre ao renascer em suas próximas encarnações se nesta Ela lhe desse o Dom Da Imortalidade, que seria retirado dele após encontrar-se com um mundo libertário, igualitário e fraterno. A Morte imortalizou-o, afastou A Foice de sua alma e foi buscar as almas dos outros soldados no campo de batalha.


O Revolucionário Imortal levantou-se e iniciou sua caminhada pelo mundo. Presenciou a Revolução de 1848, mas não interferiu e continuou caminhando. Viu a escravidão ser abolida, viva A Liberdade! Esta foi a sua única alegria em sua vida imortal, que nem foi a metade de todos os seus sonhos... A sua agonia retornou, agora imortal, eterna, progressiva, perpétua... Agonia por ver a cada dia os fortes oprimindo os fracos, violentando-os em seus direitos,usurpando-lhes A Liberdade, A Igualdade e A Fraternidade!


Ele, imortal, ainda veria o mundo como ele sonhara. Não pegaria mais em armas, não interferiria na vida humana. Seria uma sombra sonhadora, apagada, observadora. Onde está a Marselhesa? Ela foi cantada nos quatro cantos do mundo? A Liberdade fez-se mãe da Terra? A Igualdade fez-se patriarca dos Estados? A Fraternidade fez-se guia dos povos? Os sonhos do Revolucionário Imortal, O Eterno Jovem Revolucionário Francês, tornaram-se miséria, dor e sofrimento; estes, a mãe, o pai e o guia, respectivamente, da Humanidade.


O Imperialismo massacrante; desigualdades entre os homens; pobreza; guerras mundiais; o declínio do ser humano como ser vivo; a paz nunca alcançada: um Revolucionário Imortal pedindo para morrer. Já esquecido do seu nome e da sua idade, viu seus sonhos e ideais serem exterminados pelos vícios de uma Humanidade decadente. Mais ingênuo do que uma criança, ele acreditou em um mundo maravilhoso que se construiria após a sua luta e a de muitos. E que mundo maravilhoso ele viu progredir?


Como a sombra sonhadora que ele é, fazendo-se invisível aos olhos humanos, viu os horrores dos campos de concentração nazistas, os cogumelos das bombas atômicas ceifando vidas, a violência crescente nas grandes cidades, a falta de fé em um Deus presente em grande parte da Humanidade, egoismos, hipocrisias e o quê mais? Uma Revolução Maoísta que gerou um novo tipo de tirania! Uma Revolução Cubana que gerou mais um novo tipo de tirania! O que mais o Revolucionário Imortal viu? A Liberdade assassinada por rajadas de metralhadoras; A Igualdade pisoteada na lama por lindos sapatos; e A Fraternidade linchada por uma multidão de racionais pessoas civilizadas!


O Terror não foi uma fase da Revolução Francesa, ele é o mundo. Disfarçado de ordem mundial, é a ignorância chamada de razão; a cegueira chamada de inteligência; a imbecilidade chamada de ciência; a brutalidade chamada de lei; anarquia chamada de civilização; cada fato, cada ato, cada concretização de algo em nome do progresso! A esta conclusão chegou o Revolucionário Imortal, que deixou de sonhar e de ter ideais, abandonando todas as suas lembranças festivas e recordações altivas, não é mais idealista como Rousseau e nem ousado como Voltaire...


Ele é agora um mendigo em Waterloo, residente fixo no mesmo local onde foi tornado imortal. Seus ombros cansados, seus olhos apagados, seu corpo magro revestido por um antigo uniforme militar francês e sua voz amarga continuamente a entoar A Marselhesa... Para os habitantes da cidade, ele é um louco. Já foi espancado, preso, torturado e linchado por sua voz sempre ecoar, dia e noite, pela cidade, perturbando a todos. Nunca nestes momentos esqueceu A Marselhesa e totalmente revigorado de todas as violências praticadas em seu corpo, uniforme intacto, ele retorna ao mesmo local do qual retiram-no sempre.


Canta muito mais alto o hino de sua pátria-natal ao ver A Morte levando as almas dos habitantes de Waterloo que não mais necessitam das vestimentas carnais. A sua alma Ela ignora, pois o pacto ainda vigora. Eternamente, o Revolucionário Imortal, o ainda Jovem Revolucionário Francês, continuará ali, naquele local da cidade onde morreria há anos dos quais não se lembra mais. Gerações passarão naquela cidade tentando calá-lo, mas, teimoso, ele continuará ali, uniformizado, fixo, imortal. Tentarão explodi-lo, afogá-lo, matar-lhe-ão de todas as formas... Ele sempre voltará para aquele local, aquele agora imortal local!


"Você Canta A Marselhesa Para Que O Mundo Inteiro Ouça-a Em Sua Voz Imortal, Tornando-Se Libertário, Igualitário E Fraternal A Partir Da Audição De Cada Letra Tão Fervorosamente Entoada Em Sua Incansável Forma De Cantá-La. Se O Mundo Crucificou Ao Melhor Dos Seres A Pisar Nele, O Nazareno Que Tentou Torná-Lo Libertário, Igualitário E Fraternal, Ouvirá A Voz Do Melhor Dos Sonhadores Imortais A Querer Revolucioná-Lo Buscando Pescar Ouvintes Em Um Oceano De Decadências Tão Profundo Que É A Terra Atualmente? Tu Sonhas Ainda, Imortal, Mesmo Sem Querer Sonhar... O Mundo É Surdo E Você Ainda Quer Fazer Com Que Ele Ouça-O? A Grande Roda Da Vida É Cruel, Imortal, Ela Esmaga Tanto Aos Mortais Quanto Aos Imortais! Ela Iguala A Todos No Nascimento, Eu Os Mato Fraternalmente À Medida Que Crescem E Liberto-os Do Véu Ilusório Da Vida Material Ao Adormecerem Nos Meus Braços. Cantes A Marselhesa Com Mais Vigor, Sua Voz Nunca Se Findará, Ele É Imortal Como Nós. Nenhum Ideal Ou Sonho, Mesmo Os Grandiosos Da Tua Amada Revolução, Mudariam A Mão Do Destino No Futuro Da Humanidade. Os Humanos Nasceram Para Sofrer, Imortal, Para Chorar E Para Morrer. Todos Procuram A Felicidade, Sentem-Se Em Alguns Momentos Felizes, Mas Sentem No Fim O Delicado Toque Da Minha Foice. A Imortalidade É Um Castigo Para Ti, Até Eu Me Apiedo Da Tua Continuidade Nesta Maldita Matéria Física. Este Pequeno Reduto De Micróbios Ditos Como Evoluidos É Eterno Como Nós Dois, Imortal. Cantes A Marselhesa, Cante E Cante Eternamente Neste Local, Nosso Pacto Está Além De Deus E Da Criação, Além Do Todo E Do Nada. Nenhum Humano Jamais O Compreenderá Como Você Nunca Compreendeu O Que É O Seu Mundo, Um Mundo Sem Nenhuma Futura Perspectiva Que O Aponte, Um Dia, Como Libertário, Igualitário E Fraternal."


A Morte continua a carregar almas pela cidade. Ele ouviu Suas palavras, mesmo alucinadamente cantando. Mesmo que nem um grão de poeira o ouça, sua voz imortal perdurará...


Estás ouvindo A Marselhesa entoada por esta voz imortal?



Allons, enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé !
Contre nous de la tyrannie,
L'étendard sanglant est levé,
Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats ?
Ils viennent jusque dans vos bras
Égorger vos fils, vos compagnes !


Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Que veut cette horde d'esclaves,
De traîtres, de rois conjurés ?
Pour qui ces ignobles entraves,
Ces fers dès longtemps préparés ?
Français, pour nous, ah ! quel outrage !
Quels transports il doit exciter !
C'est nous qu'on ose méditer
De rendre à l'antique esclavage !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Quoi ! des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers !
Quoi ! ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers !
Grand Dieu ! par des mains enchaînées
Nos fronts sous le joug se ploieraient
De vils despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Tremblez, tyrans et vous perfides
L'opprobre de tous les partis,
Tremblez ! vos projets parricides
Vont enfin recevoir leurs prix !
Tout est soldat pour vous combattre,
S'ils tombent, nos jeunes héros,
La terre en produit de nouveaux,
Contre vous tout prêts à se battre !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Français, en guerriers magnanimes,
Portez ou retenez vos coups !
Épargnez ces tristes victimes,
À regret s'armant contre nous.
Mais ces despotes sanguinaires,
Mais ces complices de Boullé,
Tous ces tigres qui, sans pitié,
Déchirent le sein de leur mère !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Amour sacré de la Patrie,
Conduis, soutiens nos bras vengeurs
Liberté, Liberté chérie,
Combats avec tes défenseurs !
Sous nos drapeaux que la victoire
Accoure à tes mâles accents,
Que tes ennemis expirants
Voient ton triomphe et notre gloire !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !



Nous entrerons dans la carrière
Quand nos aînés n'y seront plus,
Nous y trouverons leur poussière
Et la trace de leurs vertus
Bien moins jaloux de leur survivre
Que de partager leur cercueil,
Nous aurons le sublime orgueil
De les venger ou de les suivre



Enfants, que l'Honneur, la Patrie
Fassent l'objet de tous nos vœux !
Ayons toujours l'âme nourrie
Des feux qu'ils inspirent tous deux. (Bis)
Soyons unis ! Tout est possible ;
Nos vils ennemis tomberont,
Alors les Français cesseront
De chanter ce refrain terrible :
Aux armes, citoyens !



Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !


Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !




Inominável Ser

UM MORTAL

OUVINTE

DA MARSELHESA


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Algumas Palavras Aos Meus Leitores, Seguidores E Visitantes

segunda-feira, 4 de julho de 2011.

Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Esta mensagem está sendo publicada hoje, 04 de julho de 2011 em todos os meus blogs, em sinal de respeito a todos aqueles que me seguem, me lêem ou visitam esporadicamente cada trabalho que tenho na rede.

Após um longo período afastado de todos os meus blogs, retorno através desta mensagem para informar-lhes acerca do que ocorre por causa da não-atualização dos mesmos. A principal causa para tudo isto é, simplesmente, a falta de acesso à Internet a partir de minha casa. Todos devem saber, lógico, o quanto é difícil ter-se um mínimo de privacidade em uma lan house e é através destas que nos últimos meses venho acessando a rede. Está sendo um período de difícil aceitação, mas, enquanto, financeiramente, eu não resolver a situação do acesso em casa, não estarei atualizando com a mesma regularidade de antes aos meus blogs.

Escrevo em um ambiente silencioso, meu quarto, o qual é, para mim, ao mesmo tempo, jardim, cova, leito de amor, de sexo, de depravação, de oração e um mundo maior... Não é possível transmitir tudo o que transmito em meu trabalho pessoal a partir de uma lan house repleta de energias diversas e, até, muitas vezes contrárias à minha. As influências são bem diferentes, o ambiente não ajuda e mesmo com um fone de ouvido no último volume, fica patente o meu desconforto em escrever o que eu escrevo, o que exige concentração máxima, tendo um monte de gente estranha em meu redor falando palavrão, rindo ou gritando. Todo autêntico poeta, escritor, filósofo, cronista e contador de histórias, como eu sou, sem aqui parecer arrogante ou pretensioso, escrevendo por AMOR e não por dinheiro, sabe bem o que estou a dizer. Silêncio, relaxamento e privacidade são primordiais e essenciais para a execução de um trabalho que busque passar aos demais uma mensagem, um conteúdo verdadeiro e sincero.

Considero a todos vocês, Seguidores, como importantes para que eu continue a escrever e expor na rede a minha alma, minha verdadeira alma. Vocês, leitores e visitantes eventuais, igualmente são importantes e essencialmente valorosos para a continuidade de todo o meu trabalho, o qual sonho, um dia, em publicar na forma impressa. Dou, assim, a explicação para o meu "desaparecimento" virtual e concluo dizendo-lhes que de nada desisiti e nem desisitirei, O Jardim, Os Romances, As Covas, O Mundo, As Lágrimas e A Vulva inominavelmente continuarão a ter uma virtual existência enquanto eu estiver firme em minha vontade de me expressar e divulgar meu talento e minha Arte!

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!
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Frios Luxuriosos Beijos, Toques E Abraços

domingo, 1 de maio de 2011.

Meu amante tem a delícia característica daqueles antigos fervorosos amantes a dotarem sua amada das mais completas vestimentas de belezas frondosas. Ele tem muito a me dar como um homem vigoroso nas palavras, na força de seu espírito, na cativante motivação que move o seu interesse por mim. Tenho por ele o maior e melhor amor que uma mulher pode a um homem dar, amor sincero que percorre todas as expressões mais vivas da entrega total de um coração a outro coração. Coração... Um coração batendo... Um só coração batendo somos, uma semente de alegria infinita nasce de nosso amor, apesar do frio... A pele dele... Os toques dele... Os beijos dele... O corpo dele acima do meu... O corpo dele abaixo do meu... Seu pênis dentro de todas as minhas prazerosas regiões... É tudo frio nele, tudo frio... Mas, eu o amo, o amo... Meu coração bate por ele, apesar do coração dele por mim não bater.

Meu amante me deseja a seu lado sempre em todos os momentos de suas tomadas de decisões e reflexões mais profundas. Imediatamente, atendo aos pedidos dele de carinho, de afeto, e eu vou tocando a frieza inteira da pele e da alma dele... Luxúria cresce e desenvolve-se nesse encontro, nossos corpos unem-se na canção preferida de toda a Humanidade que respira e está aquecida pela luz do sol. Em nosso lar não há sol, não há calor, apenas o frio mede este nosso amor, esta nossa luxúria... O pênis dele em minha boca suada... O pênis dele entre meus seios suados... O pênis dele dentro do meu ânus suado... O pênis dele dentro da minha vagina suada... Ele suga minha vagina com milenar habilidade... Ele suga meu ânus com milenar selvageria... Ele suga meus seios com milenar primazia... Ele beija meu corpo inteiro com milenar malícia... Fico a gemer... Fico a sussurrar... Fico a gritar... Fico a sorrir... Fico a gargalhar... Meu amante, meu homem, meu macho totalmente capaz de me elevar... E várias vezes ao dia chupo o pênis dele e o frio gozo escorre pelo meu rosto, congela minha garganta, congela meu corpo todo... E suas unhas me arranham na hora do último prazer... Meu sangue vai parar nas presas dele com muito mais prazer... Meu sangue entra dentro dele com um infindo enredo de prazer... Sou uma mulher em combustão nos braços dele, que sequer aquece seu próprio corpo em contato com o vulcão que é o meu corpo.

Meu amante possui beijos que massacram e salvam, aqueles beijos estrondosos capazes de abalarem as estruturas até mesmo das mais frígidas das mulheres. Esses contatos, esses beijos, ah, como são os mais primais e desejosos... Não sei exatamente explicar, mas quando ele me beija quero ali ficar eternamente recebendo cada um, parada, sedenta de que nenhum deles termine nem seja menos fatal e enfurecido do que o anterior... Ele me beija bastante... Me beija insaciável... Me beija indecente... Me beija escandalosamente... Me beija profundamente... Me beija intensivamente... Me beija corrosivamente... Me beija inclemente... Quero os beijos dele... Quero a frieza toda dos beijos dele... Um beijo em cada um dos meus olhos... Um beijo em cada lado do meu rosto... Beijos por todos os meus cabelos... Beijos e profana língua abusando de meus lábios... Beijos acuando meu pescoço... Beijos saboreando meu colo... Beijos consagrando meus seios... Beijos honrando meus braços... Beijos explorando minhas mãos... Beijos agitando meu abdômen... Beijos desbravando meus pêlos pubianos... Beijos investigando minha vulva... Beijos analisando minha vagina... Beijos investindo contra meus quadris... Beijos idealizando minhas nádegas... Beijos arrasando meu ânus... Beijos homenageando minhas coxas... Beijos agigantando meus joelhos... Beijos saudando meus tornozelos... Beijos agradecendo aos meus pés por eu ser aquela que os lábios de onde eles surgem serem abençoados pelo sabor de todo meu corpo... Me beija mais... Me beija mais... Me beija... Me beija... Me beija... Me beija... Me beija... Vem, me beija, meu amante... Me beija, meu homem... Me beija, meu macho sempre pronto para ao meio rachar-me com sua longa e grossíssimo tronco entre as pernas... Ele me saboreia e eu o saboreio mais, nem me importo se a frieza que emana de seus poros não lhe diz muito acerca do que mais deveria por mim sentir.

Meu amante tem aqueles toques provindos de todos os pensamentos mais vastos nos caminhos da carne a perder-se de tanto saciar-se nas fronteiras existentes entre o prazer sexual e o sexual prazer. Que mãos... As mãos dele são as de um escultor, esculpindo ainda mais meu corpo... As mãos dele são as de um pintor, encontrando novas formas para as minhas já definidas formas... As mãos dele são as de um arquiteto, erguendo como rijas colunas as minhas pernas... As mãos dele são as de um pedreiro, reformando cada parte do meu há muito formado corpo... As mãos dele são as de um poeta, eternizando versos por toda a minha pele... As mãos dele são as de um escritor, desenvolvendo textos dentro de minha pele... As mãos dele são as de um filósofo, desvendando os mistérios existenciais inteiros e plenos de cada religioso templo presente em minha pele... As mãos dele são as de um cafetão, prostituindo com seus dedos as minha pele... As mãos dele são as de um ladrão, roubando com seus dedos as riquezas de minha pele... As mãos dele são as de um traficante, viciando minha fraca carne inteira deixando cada vestígio de sua passagem por esta na forma de rubras e negras manchas e feridas... As mãos dele são as de um sequestrador, deixando refém toda a minha carne, que pede pelo maior dos resgates muito consideráveis: mais toques, mais toques, mais toques, mais toques, mais toques, mais toques, mais toques, mais toques, mais toques... As mãos dele, que mãos, que mãos... Que mãos... Que mãos... Que mãos... Mãos de amante maior... Mãos de homem maior... Mãos de macho maior... Suas unhas penetram em minha pele, arranham e eu gosto... Gosto dos arranhões... Gosto de cada arranhão... Gosto de ver o meu sangue escorrendo pelas mãos dele... Gosto de ver o meu sangue pintando os lábios dele... A partir daquelas mãos... Aquelas fortíssimas mãos senhoras de fortíssimos toques, frios e grandemente torpes e nobres, ao mesmo tempo... Mãos de guerreiro... Mãos de conquistador... Mãos de assassino... Mãos de estrangulador... Com minhas mãos percorro toda a fria pele dele e não sinto reações aos meus toques, tão amorosos e tão pedintes de uma resposta aos seus pedidos por qualquer forma de reconhecimento ou, até, amor, mesmo estranho, mesmo primitivo, mesmo efêmero, mesmo frio.

Meu amante possui o abraço capaz de esmagar mundos inteiros, é uma possante forma de sua frieza imensa dar-me a noção de que em todos os nossos íntimos momentos ele ali comigo está. Os braços dele... Fortíssimos... Escandalosamente magníficos... Explosivamente frios, mas que envolvem meu corpo como inquebráveis mortalhas... Abraçada por ele, sou feliz... Abraçada por ele sou sorridente... Abraçada por ele sou dignamente mulher... Fico segura... Fico plenamente segura... Com ele, em seus braços, tenho riquezas, sonhos, tronos, fortalezas, castelos, imensidões totais destinadas à soberania infinitíssima das já completas supremas e absolutas realizações que os mortais podem possuir. Ele, meu amante, não é um mortal, eu sou uma mortal, ou, melhor esclarecendo a mim mesmo, sou uma morta desde que o primeiro beijo, o primeiro toque e o primeiro abraço dele encontraram-se com o meu corpo. Posso amá-lo, mas ele não me ama; posso querê-lo, mas ele não me quer; posso sonhar com ele, mas ele comigo não sonha; posso ter esperanças de ser feliz ao lado dele, mas ele comigo não alimenta nenhuma esperança de felicidade; tenho tanta certeza de que não sou correspondida quanto os nomes que consigo ler agora, quando ele está a me beijar, tocar e abraçar, nas paredes deste aposento de seu castelo...


Cândida


Vitória


Edna


Hildegard


Wanessa


Louise


Fernanda


Paula


Emily


Henriqueta


Joana


Josefa


Laís


Clementina


Júlia


Sílvia


Rachel


Augustina


Charlotte


Annie


Amanda


Bárbara


Brunilda


Anita


Ana Maria


Alberta


Adriana


Rafaela


Renata


Nancy


Anastasia


Xiangfei


Aya


Florence


Adalgisa


Ítala


Jacqueline


Rose Marie


Joaquina


Míriam


Henriertte


Juliana


Ruthinea


Ester


Jezer


Zippora


Marianne


Francisca


Miguelina


Michelle


Luana


Flaviana


Sebastiana


Cecília


Leopoldina


Valéria


Ivana


Glória


Stephany


Eduarda


Hannah


Beatrice


Naomi


Ashley


Raven


Agatha


Christhine


Jade


Dinorah


Eudóxia


Alfreda


Diana


Eva


Melissa


Sophie


Esses são os nomes que consigo ler nas paredes deste aposento, nomes escritos pelas pontas das predadoras unhas das mãos dele. Meu nome é Dandara e será mais uma Dandara a ser escrita neste castelo, todo tomado por nomes, os nomes de todas as mulheres que pelos milênios amaram este meu mesmo amante. Esta é a minha última noite nos braços de meu amor, eu o sei, mesmo sem nada ele ter me falado, apenas acusado através da sinistra frieza de seu olhar para todo meu corpo. Nesta última noite, serei por ele beijada, tocada, abraçada e penetrada; gozarei e relaxarei com ele a sugar-me todo o sangue, arrancar meu coração, abrir a minha garganta, comer a minha carne e cremar os meus ossos na grande lareira no salão central deste castelo. Morrerei amando meu amante, meu homem, meu macho, aquele que descobriu toda a exata tradução da minha essência. Morrerei na frieza de suas presas e garras dilacerando meu corpo, tomando a minha vida como foram todas as vidas de cada uma das mulheres cujos nomes estão gravados nas paredes internas e externas deste castelo. No frio do corpo de meu amante sinto apenas que ele se importa com a hora de saciar-se existencialmente com a minha morte, da mais brutal maneira, da mais horrenda maneira, como sempre fora em todas as mortes que saciaram-no pelos milênios. No calor do meu corpo, ele sente apenas a velocidade do meu sangue e as últimas aceleradíssimas batidas de meu coração, estou ansiosa, aflita, angustiada e, silenciosa, aguardo apaixonadamente a minha morte pelas mãos, presas e garras do amante, do homem e do macho que tanto amo!

O nome do meu amante, homem e macho é Leylej, O Nocivo; para mim, ele foi o augusto inofensivo senhor conquistador da carne e da alma que eu sou. Com ele encontrei as dádivas do amor e nele estou para encontrar as delícias da Morte, o que nem todas as mulheres do mundo podem ter a imensa sorte de, sem medo, aceitar e desejar. Desejo-me morta... Morta por você, meu amante... Morta por você, meu homem... Morta por você, meu macho... Que mãos... Que mãos... Que mãos... Que braços... Que braços... Que braços... Que beijos... Que beijos... Que beijos... Sim, com frieza, Leylej... Penetre-me assim mesmo... Obrigada por agora arrancar meus olhos com suas garras... Obrigada por agora abrir a minha garganta com suas presas... Obrigada por agora sugar o sangue de minha garganta e, ao mesmo tempo, arrancar o meu coração para, depois, saboreá-lo como a sobremesa... Eu te amo, Leylej... Eu te amo, meu amante... Eu te amo, meu homem... Eu te amo, meu macho... Eu te amo...


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Dandara


Eu sou a décima quinta Dandara a ter seu nome gravado na parede deste aposento do castelo de Leylej pelas garras deste. Eu, as outras Dandaras e todas que possuem seus nomes imortalizados pelas paredes deste castelo, todas nós, ajoelhadas estamos em redor de nosso amante, de nosso homem, de nosso macho, venerando-o amorosamente. E recebemos bem mais uma que conosco assim estará, Jenniffer, mais uma Jenniffer, a amar Leylej, O Nocivo, O Frio, O Amante, O Homem, O Macho, O Vampiro.



Inominável Ser

O FRIO

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