domingo, 12 de fevereiro de 2017

Você Precisa Dormir, Menina Martina...


Photo by Konstantin Alexandroff


Todo dia, diante deste espelho, me refugio em pensamentos refletindo poucas lembranças e muitas fugas. Este reflexo aqui, um pedaço de mim parado ou o que está lá do outro lado sou eu? Aquela que está refletida sou eu mesma ou eu sou o reflexo dela? Estas meditações me envolveram durante quarenta anos de minha vida. Desde pequena, desde a idade na qual eu comecei verdadeiramente a raciocinar, eu me indiquei sobre a criatura que via refletida no espelho. Eu me fixava nela, a abordava, questionava, gritava com a mesma até a rouquidão fazer com que eu me calasse. Quarenta anos nisso, afastando todos em meu redor, nada mais pensando a não ser em fazer com que ela me respondesse… E hoje, pela primeira vez, ela falou comigo… E eu não sei se estou em  um sonho que sempre desejei ou em um pesadelo que nunca planejei que de mim se aproximasse.


— Está fraca. Logo você. Você que tanto quis que eu te respondesse.
— Não estou fraca.
— Sim. Você não está. Você é fraca. Abandonou tudo por minha causa. Abandonou tudo para ficar apenas comigo.
— Quem é, na verdade, você? É mesmo o meu reflexo?
— E se você for o meu reflexo?
— Qual lado aqui é o verdadeiro?
— E se não houver um lado verdadeiro?
— Se não houver…
— Seus questionamentos. Cada um deles. E se forem os meus questionamentos e não seus?
— Se forem seus…
— Se tudo for meu. Pense se tudo for meu.
— Você pode estar mentindo.
— E se você estiver mentindo?
— Se eu estiver mentindo…
— Devia ter me deixado ficar calada até o fim da sua vida.
— Não, eu tinha que saber quem é você!
— E você sabe quem você é?
— Eu sei quem você é!
— Não, você não sabe. Nunca soube. Nunca saberá.
— Eu sei, sempre soube, sempre saberei!
— É verdade? É mesmo verdade? Ou mente para você mesma?
— E se você aqui é a mentirosa?
— E se a mentira for você?
— Qual é o seu objetivo?
— Eu apareço diante de ti no espelho há quarenta anos. Vi seus cabelos grandes, pequenos, raspados. Vi sua pele lisa, oleosa, enrugada. Vó seus olhos brilhantes, foscos, mortos. E você me pergunta qual é o meu objetivo?
— Por que eu te vejo?
— Na verdade, sou eu que vejo você.
— Por que eu não consigo parar de te ver?
— Na verdade, sou eu que não consigo parar de te ver.
— Por que você não desaparece?
— Na verdade, é você que não desaparece.
— Por que você existe?
— Na verdade, é você que existe.
— Você existe?
— Eu existo porque você faz com que eu exista.
— Qual de nós duas é real?
— Existe mesmo o que seja real?
— Você não está solucionando nada…
— Não existe solução para nada.
— Te persegui tanto… Te chamei tanto… E você não consegue me dar uma resposta…
— Eu não sou uma resposta. Eu não tenho nenhuma resposta. Nem você é ou tem uma resposta.
— Você zomba de mim…
— Sim, você é uma piada.
— Uma piada…
— Me perseguiu. Me provocou. Me perturbou. Me tirou daqui de onde eu estava. Me desequilibrou para poder saber quem eu sou. Mas, quem está verdadeiramente desequilibrada?
— É só isso que tem para me dizer?
— E o que você tem para me dizer?
— Quem sou eu?
— Uma medíocre pergunta.
— Quem me fez como eu sou?
— Uma insana pergunta.
— Quem me deu este rosto refletido aqui?
— Uma insensata pergunta.
— Me dê uma resposta…
— Não há nenhuma resposta a ser dada.
— Há alguma…
— Não há. Você se engana. Você se perde. Você nem é o que pensa ser. Ou você alguma vez pensou ser algo?
— Penso apenas em você!
— E se você for apenas um pensamento meu?
— Eu sei que você…
— Não, querida. Você não sabe. Assim como eu não sei. Assim como ninguém dos dois lados do espelho sabe.
— Você pode me dizer quem é você?
— De novo. Esta pergunta. Não vou responder.
— Eu preciso…
— Você precisa dormir, menina.
— Não, dormir…
— Você precisa dormir, menina.
— Não, eu…
— Você precisa dormir, menina.
— Pare de repetir isso!
— Você precisa dormir, menina.
— Não quero dormir!
— Você precisa dormir, menina.
— Não vou dormir!
— Você precisa dormir, menina.
— Não, quero continuar falando com você!
— Você precisa dormir, menina.
— Não, não vou te deixar ir embora!
— Você precisa dormir, menina.
— Não, desgraçada, não!
— Você precisa dormir, menina.
— Não, desgraçada!
— Você precisa dormir, menina.
— Desgraçada!
— Você precisa dormir, menina.
— Pare de repetir isso, desgraçada!
— Você precisa dormir, menina.
— Pare, desgraçada!
— Você precisa dormir, menina.
— Pare! Pare! Pare!
— Você precisa dormir, menina.
— Desgraçada! Desgraçada! Desgraçada!

— Você precisa dormir, Martina.


É o médico na porta do banheiro, acompanhado por dois enfermeiros e a enfermeira que traz a camisa-de-força. Eu vou ser posta nesta mais uma vez, sedada, vão me fazer dormir. A porta vai ser arrombada, como foi das outras vezes. A primeira vez que fizeram isso, eu reagi... Sempre me lembro da raiva que pela primeira vez senti na vida, uma raiva igual a esta! Cortei as gargantas de meus pais e três irmãs enquanto eles dormiam! Depois, sempre que me interrompiam, continuei cortando outras gargantas! Me dava raiva, eu cortava, a raiva passava! Até me prenderem aqui há oito anos e não cortei mais gargantas... Mas, eles me interrompem! E a raiva chega! O médico, os enfermeiros, a enfermeira! Com eles, é mais difícil, são muito altos, muito fortes, me dominam, me amarram, me sedam, me tirando da companhia do espelho! E nunca dormem perto de mim... E sempre me deixam amarrada na cama... Eu poderia quebrá-lo e cortar a minha garganta com um caco seu, dando um fim nisso, espelho... Mas, não… Não… Quero falar novamente com ela…  Vou falar com ela novamente… Esperei quarenta anos para que ela me respondesse e eu não vou desistir dela assim! Não vou! Não! Não vou!


— Você vai aparecer de novo falando comigo…

— Martina, abra a porta!

— Você me ouve?

— Martina!

— Sei que me ouve, eu te ouço rir de mim agora…

— Lucas, Rivaldo, arrombem a porta!

— Me acha engraçada, desgraçada?

— Não a machuquem, dominem como sempre fazem!

— Nos falamos outro dia, Martina…

— Segurem ela agora, com calma!

— Boa noite, Martina…


Inominável Ser
REFLETIDO
NO ESPELHO
COMO ELE
MESMO
OU COMO
OUTRO SER




Share:

domingo, 22 de janeiro de 2017

O Primeiro Sangue De Arual


Art by Dark Ludovic


A primeira lembrança de uma morte é algo que advoga na mente uma sensação de Perturbação em alguns Guerreiros. Mas, os Filhos Da Guerra devem isso sentir? Os moldados pelos campos de batalhas devem se sentir oprimidos por um sentimento de angústia à lembrança de um fatal resultado em sua primeira batalha? Livros Guerreiros contam, sempre, com grandes feitos, extraordinários heróis e onipotentes heroínas que com suas extremíssimas habilidades matavam e matavam e matavam… Em nenhum desses Livros é narrado o indagar interno de um Guerreiro ou de uma Guerreiro sobre a Arte Do Assassinato aprendida como Conhecimento Marcial Militar. Todos os Livros vêem o Externo, não penetrando no Interno, pois devem ser objetivos. Porém, estas Crônicas versam sobre todos os ângulos dos que na Raça Keauriotheniana mataram ou Extinguiram. Elas penetram na atitude própria dos fatos narrados e nenhum subterrâneo é, por isso mesmo, ignorado.


Arual Ahkor foi um simples e humilde Soldado Grilock das Legiões de Thidan Ocitilop Shodolon, um dos Três Soberanos Keauriothenianos após o desaparecimento de Thornadoriusis Shodolon da Criação, durante a Guerra De Keairiothen Contra Arnakroos. Ser Comum, foi discípulo de seus pais, Arasen e Aradyah Ahkor, Os Gêmeos Sanguinários De Arramehl, Cidade Eterna Keauriotheniana. Excepcional Manejador de Machados Místicos, tornou-se um Arquimestre Marcial logo no início do conflito contra aquele Império Omniversal. Logo, foi designado para pertencer à 222ª Legião Grilock De Thidan, liderada por Baruso Tar, e enviado para defender o Universo Aryp Snok, Colônia Universal Keauriotheniana. E a primeira batalha de sua Existência se deu no Planeta Kradtan da Galáxia Ism Osn Aramuur. E o primeiro Guerreiro que matou na mesma foi um Irmão Racial, Eerythur Raesonnhlann.


Percorrendo o planeta em lutas alucinadas e mortais, onde derrotou e ajudou a aprisionar 82.203 Arnakroosjinns, Arual conseguiu, ao lado do quádruplo de combatentes aliados, livrar o planeta dos invasores. Afastando-se das comemorações dos demais Soldados, ele adentrou em um Templo Da Magia Eterna perto do Monte Arayyydasd, onde 321.890 Mestras Místicas Keauriothenianas foram por ele e seus Companheiros Bélicos defendidas. O Templo encontrava-se vazio porque as mesmas estavam a auxiliar os habitantes feridos do planeta por diversas cidades do mesmo. Ao caminhar 33 m. no interior do Templo, deparou-se com uma menina keauriotheniana, de lábios atados com uma Faixa Mística e amarrada por correntes, nua, sendo penetrada pelo cabo da espada de Eerythur, então conhecido na Legião como O Herói Máximo. Famoso por seus feitos, um Semideus Da Magia Eterna, filho de Thidan com Asamatrak Raesonnhlann, General Suprema De Guerra Xifarg. Um exemplo de altruísmo, lealdade, bondade e caridade para com todas as Raças, diversas vezes condecorado pelos Soberanos por seus gloriosos momentos decisivos nos campos de batalhas. Ao Sentir que Arual encontrava-se a 45 m. atrás de si, ele pôs a lâmina da espada no pescoço da menina e se voltou para aquele. Um doentio sorriso lhe povoava o rosto…

— Isto aqui é A Guerra, Arual, A Verdadeira Guerra que é travada por todos nós… E necessidades precisam ser satisfeitas, isso para mim é bastante normal!
— Você Sabe que, agora, eu devo matá-lo.
— Seguidor das Leis Eternas Grilock, Arual? E o que vai fazer se eu decapitar esta menina aqui? Me entregar para as Companheiras Templárias dela? Você sabe que esse tipo de diversão acontece em todas as Legiões Keauriothenianas e em muitas os Líderes sequer se importam em punir os responsáveis… Eu já usei o cabo da minha espada em meninas bem mais novas do que esta aqui e elas gostaram… Em todas as Guerras que travei liderei pequenas tropas de estupradores que o nosso Líder ignorava… E os Véus da Magia Eterna Maligna nos ocultavam dos Olhos de Evoluídos mais avançados de nossa Raça… Você, de algum modo, conseguiu derrubar o Véu ou foi esta lindinha aqui que fez isso sem que eu percebesse… Te amo mais ainda agora, menina, tanto quanto as outras… Estuprei muito, Arual, estuprei e matei muitas meninas assim como esta, não consigo nem contar o número delas, de todas as Raças que conheci… E vou continuar estuprando outras quando sair daqui… Quando me tornar um Deus, estuprarei meninas de Universos inteiros! E esta é a primeira vez que faço isso dentro de um Templo, gosto de ousar com esse meu estilo de diversão! Você devia fazer o mesmo, está sempre muito tenso, Arual!
— Vou matá-lo.
— Eu sou filho de Thidan, Arual, neto de Thornadoriusis Shodolon, O Primeiro Ser; neto de Artcsom Ocitilop, A Primeira Deusa Guerreira Keauriotheniana; sobrinho de Thades Ocitilop Shodolon, O Maior de nossa Raça… Como você vai conseguir matar alguém como eu? Meu Histórico Guerreiro: Extingui os Lordes Caóticos Baalciferjinns, os Anciães Supremos Das Calamidades Universais, as Guardiãs Dos Portais Místicos Da Escuridão, os Nove Invencíveis De Turamonjiari, os Arquimestres Da Luta Eterna De Seerelfh… Ah, você conhece toda a minha História Guerreira em cada uma Das minhas 755 Eras de Existência! E você, tão ou mais criança do que esta coisinha linda aqui, vai tentar me matar?
— Em Nome Da Magia Eterna, eu vou matá-lo.
— Tente, Arual, e você morre junto com esta deliciosa criança keauriotheniana… E, depois, estupro os cadáveres de vocês dois somente por capricho… Venha, Arual, tente mesmo me matar… Tente!
— Eu vou matá-lo.
— Se vai me matar, tente logo; ou me deixe aqui para continuar com…

A menina emitiu um rápido e forte brilho de sua Luz Astral, fazendo com que Eerythur se levantasse, cegado instantaneamente, afastando-se dela aos gritos e deixando cair a espada. Sem dar espaço a qualquer meditação, Arual avançou e com apenas um movimento lateral do Machado que portava, da esquerda para a direita, decapitou aquele, o qual também admirava junto a todos os demais de sua Legião. Rapidamente, quebrou as correntes que prendiam a menina, retirou a Faixa dos lábios da mesma e a cobriu com sua túnica ao ajoelhar-se diante dela.

— Menina, qual é seu nome…?
— Su… Su…
— Calma… Ele não poderá lhe fazer mais nenhum mal…
— Eu sou Sumara… Sumara…
— Eu vou aguardar suas Companheiras chegarem, Sumara.
— Sumara Ocitilop Shodolon…
— Você é uma das filhas de Arhama, a Líder deste Templo?
— Sou… Qual é seu nome?
— Arual Akhor.
— Muito obrigada, Arual…
— Por que estava aqui sozinha?
— Vim buscar Artefatos Místicos De Cura pedidos por minha mãe… No meio do caminho, encontrei esse… Ele me escoltou até aqui, dizia que… Chegando aqui, me espancou… Tentei reagir e não consegui… Me deixou…
— Não, Sumara, não precisa falar nisso…
— Eu aproveitei que ele estava concentrado em me estuprar e derrubei o Véu com sutileza… Atrai o senhor psiquicamente até aqui porque era o único homem verdadeiramente nobre entre todos aqueles que o rodeavam… Muito obrigada por me salvar, Senhor Guerreiro… Muito obrigada! Mas… O senhor Sabe o que tem a fazer agora, não Sabe?
— Sim, eu Sei…
— Ele Profanou um Templo de Nossa Mãe… Sumariamente executado, como mandam nossas Leis… E, agora, o senhor…
— Sei o que sou obrigado a fazer, Sumara.

Arual sempre fora um Soldado obediente a cada Lei Eterna Keauriotheniana e respeitou todo Campo Sagrado e Ritual. Ele caminhou até o crânio de Eerythur, do qual fora um amigo, mesmo que por muito pouco período de tempo. Um amigo de Armas, daqueles capazes de dar a própria Existência em prol da salvação do outro, sem resquícios de prepotência ou exibicionismo quanto a isso. E ele se aproximou do crânio daquele que fora tal tipo de amigo, como muito poucos verdadeiros amigos que tinha, tendo nas mãos a Adaga Mística propícia para o Ritual que, segundo as Leis de nossa Raça, ele era obrigado a realizar. Ajoelhou-se diante do crânio, escalpelando-o primeiramente; posteriormente, com técnica, começou a retirar a pele; e, ao mesmo tempo, com uma Técnica Mística ensinada por seus pais, manteve todo o sangue do cadáver coagulado dentro do crânio. Após a execução dos movimentos preliminares do Ritual, ele se voltou para a Grande Ametista Representativa Da Presença Da Magia Eterna no centro do Templo, 637 m à frente de onde se encontrava. De 70 m de altura e 82 m³ de diâmetro, conservava em ti as Vontades de cada moradora templária unificada à Vontade Automanifestada Da Mãe Da Criação. Meditando com o crânio encostado à Marca De Thornadoriusis na testa dele, apagou quase todas as lembranças sobre Eerythur antes do dia que o matou cumprindo uma Ordem Legislativa Eterna. E bebeu todo o sangue que estava coagulado, antes oferecendo-o, em pensamento, à Justiça Automanifestada que nascera das próprias Faces Benévolas Dos Incondicionados.


O Ritual foi findado e Arual depositou o crânio aos pés de Sumara, que 22 m à esquerda dele assistiu o mesmo em silêncio e total respeito. Por alguns momentos, fitou a Marca De Thidan, as órbitas vazias e todo o formato do agora Artefato Místico depositado ao solo. A lembrança mais pulsante, que o acompanharia pelos 132 Anos Keauriothenianos de Existência que ainda teria, seria a da Execução Legislativa Eterna de uma Lei Inexorável E Inflexível. A lembrança do primeiro que matou em uma guerra, a lembrança do amigo que, obrigatoriamente, teve que decapitar… Arual voltou as costas para Sumara e começou a copiosamente chorar. A menina se aproximou dele e o abraçou pelas costas, por agradecimento por ele ter-lhe salvo e para consolá-lo. E a Ametista, recebendo acima de si os Raios Espirituais oriundos das emoções dos dois, passou a emitir uma suave luminosidade azulácea que cobriu todo o espaço do Templo e abraçou tanto os dois quanto ao crânio.

Inominável Ser
BÉLICO
CRONISTA
INOMINÁVEL





Share:

domingo, 25 de dezembro de 2016

O Orgulhoso Reino De Drahad E Sebara


Black Knight and Companion - Sandara


Drahad Farekd observa toda a expansão de seu Reino com olhos portadores de um intenso orgulho arraigado após conquistas ininterruptas durante 2.036 Eras. Sebara Reth, Esposa Eterna de Drahad, ao seu lado também observa o que ajudou a construir ao custo de inumeráveis Existências massacradas por seus seguidores. Eles não pertencem a Clãs Maiores Keauriothenianos, nem possuem nos mesmos Seres Evoluídos de grande destaque em sua Raça. Foram dois obscuros Soldados de Legiões oriundas do Planeta Terra que, em meio à Guerra Do Destino De Eden Al Sophor, conquistaram para si 114.402 Galáxias do Universo Dearmab e abandonaram o Império. Liderando 965.123 Legiões de diversas Colônias Universais insatisfeitas com a Imperatriz Beria Serah, mesmo sendo Seres Comuns, adquiriram o respeito de Entidades e Grandes por sua extrema e febril oratória. Qualidades que fizeram-lhes conquistar o que agora observam do alto do Monte Jaar Kua Sjook Shook do Planeta Idrayll, localizado na Galáxia Edartama de Dearmab. Puro orgulho dos mais extremos encontra-se no olhar deles.



— Muito mais longe do que planejamos, Drahad, conseguimos chegar.
— Sim, nosso Reino pudemos construir como sempre sonhamos que ele seria.
— Nossos pais ficariam muito orgulhosos… Muito mesmo…
— Eu me lembro de como eles eram obrigados a serem submissos a uma Imperatriz que era por grande parte do Império indesejada.
— E continua sendo, já que perdeu para Imeon Siat o nosso planeta.
— Nossa insatisfação e a de muitos nos ajudou a construirmos isto aqui, Sebara.
— Sim, mas…
— O que tem, Sebara?
— Se Eden Al Sophor ruir e cair nas mãos dos Destruidores, até mesmo o nosso Reino estará em perigo…
— Mesmo que tenhamos liderado um Separatismo Racial, ainda continuamos fiéis aos Defensores de Eden, Sebara…
— Fomos fiéis, Drahad…
— E continuaremos sendo, embora a História Da Criação venha apenas a nos ver como egoístas separatistas e, não, realizadores de um início de caminho melhor para muitos de nossa Raça.
— Sim, nós acreditamos…
— E vencemos, Sebara.
— Por meia Era Universal apenas… E nem sentimos a Desestruturação Bioespiritual e isto se aproxima…
— Teme nosso fim, Sebara?
— Eu lamento não termos iniciado este Reino há muito tempo antes… Mesmo em meio à Guerra, ainda havia a possibilidade de termos ao nosso lado outros de nossa Raça… Deuses que impediriam isto…
— As presenças de Deuses, Sebara, não impediriam…
— Eu sei que não impediriam, Drahad, eu sei…
— Fomos bem longe, Sebara…
— Muito longe…
— Não pudemos fazer muito pela nossa Raça, não pudemos… Aqui seria um Reino para acolher todo insatisfeito Keauriotheniano…
— Em época de paz, poderia ter dado muito certo.
— Mas, Beria…
— Não, Drahad, Beria não é Artcsom Ocitilop e Veria que nossa Extinção e de nossos aliados abalaria ainda mais a situação dela por todo o Império.
— Keairiothen vai cair…
— Por culpa dela ou do Maior Thades, que a gerou? Dos Soberanos Thidan e Thaiden que a apoiam no Governo Imperial? De todos os Keauriothenianos, em geral, que não a depuseram, mesmo que à força?
— Já não há como responder a isso, Sebara.
— Sim, não importa mesmo mais nada…
— É a nossa última batalha juntos e nem concebemos filhos…
— Culpemos o Deus Governante da Criação, Drahad… Esta Guerra iniciada por causa dele tornou-se a nossa Existência…
— Chega de culpar outros, Sebara.
— E chega de dialogarmos, temos uma última batalha à nossa frente!
— Eu te…
— Nos declaremos lutando nossa última batalha juntos, Drahad!
— Sim, Sebara…
— Eu também te amo!



Sebara retira o capacete de seu Esposo e o beija como nunca antes o beijara. Em redor do Monte, as Chamas Primeiras a tudo consomem. O Planeta Idrayll, a Sede do Reino de Drahad e Sebara, Reino igualmente orgulhoso como seus Fundadores, é destruído por Kaleiana Ocitilop Shodolon, A Deusa Do Fogo Primeiro Da Magia Eterna, uma das mais poderosíssimas dos filhos de Thornadoriusis Shodolon e Amanorap Ocitilop. Todos os demais 2.211.921 planetas do Reino agora queimam, incinerados pelas discípulas dela, as Irmãs Do Fogo Primeiro, inumeráveis e tão extremamente cruéis quanto sua Mestra. Elas são sinistramente famosas por incinerarem planetas enquanto torturam em meio às Chamas os habitantes dos mesmos, mantendo os mesmos vivos para sofrerem ainda mais até que elas resolvam se dar por satisfeitas em seu sadismo. Foi assim nos outros planetas, mas, em Idrayll,  a Enlouquecida Kaleiana quis pessoalmente cuidar dos Reis, matando inicialmente os 10.675.543.002 habitantes do planeta com apenas um pensamento…


Sebara e Drahad ainda se beijam, enquanto as Chamas sobem o Monte em direção a eles. Ao perceberem, levitam a 732 m. acima daquele, continuando a beijarem-se. E somente separam-se ouvindo o bater de palmas sarcástico de Kaleiana.



— Ah, sim, os “Reis” que eu tanto queria conhecer! Que cena mais bela antes de serem incinerados! Queriam que eu chorasse? Queriam que eu desistisse? Queriam me comover mesmo? A mim? Vocês me conhecem?
— Conheço uma Carniceira Enlouquecida que merece a Extinção! — Sebara empunha seu Tridente Místico, Seetruop.
— Presente para mim tal Extinção com esse seu Tridente, ó, “Rainha”?
— Nunca temi nenhum Criminosos como você, Kaleiana! — Drahad empunha a Espada Mística Serr. — Pisoteei muitos como você!
— Ó, meu “Rei”, está falando de algumas Caçadoras, filhinhos do meu irmãozinho Thalij e Ladrões Cronoespaciais que você combateu ao lado da sua esposinha? Está me comparando a eles, ó, “Rei”? Você também, ó, “Rainha”?
— Sabemos que não a venceremos, Destruidora, mas você não terá de nós uma fácil luta!
— Posso lhes dar a Extinção com apenas um pensamento, minha “Rainha”... Mas, gostei de vocês dois, talvez até lhes escravize…
— Nos mate ou Extingua aqui e agora! — Drahad avança.
— Lute, desgraçada! - Sebara segue seu Esposo.
— Como queiram, meus “Soberanos”...



Kaleiana apenas fica se esquivando dos golpes deles, mantendo-se com os braços cruzados e os olhos fechados. Por um longo tempo, iluminados pelas Chamas, os três percorrem o firmamento de todo o planeta. Drahad se lembra de cada batalha travada ao lado de sua Esposa. Sebara se lembra de todas as vitórias e derrotas, na Guerra onde nasceram e viveram, ao lado de seu Esposo. Em velocidades que muito treinaram para alcançar, oriundas de Treinamentos Marciais Secretos, eles atacam Kaleiana. Esta, segura e sorridente, vai se esquivando, segurando o próprio Ritmo e dando a eles uma ilusão de feri-la quando lhes deixa perfurar seu tórax com as Armas. Ela se curva acima da lâmina da espada e do cabo do tridente, abrindo os olhos expressivos de uma ímpar crueldade. Drahad e Sebara trocam um último olhar. Através de suas Armas, as Chamas Primeiras dançam, dançam e dançam… O final é lento, Kaleiana os incinera com prazer, gargalhando ao vê-los abraçar-se, caindo en direção à grande fogueira 34.290 km abaixo.



— Vocês dois não gritaram… Orgulhosos até mesmo na morte.



O Reino de Drahad e Sebara não teve nome. Seus nomes não constam de Livros sobre a História Militar Da Criação. Mas, para as Crônicas de nossa Raça Keauriotheniana, os dois se encontram orgulhosamente de mãos dadas juntos a todos os Guerreiros da nossa História.


Inominável Ser
BÉLICO
CRONISTA
INOMINÁVEL




Share:

domingo, 11 de dezembro de 2016

Dentro Do Armário



Era bom entrar no meu armário de infância. Minha mãe me deu com muito carinho quando eu tinha cinco anos de idade e, durante dois anos, ele foi esconderijo secreto, parque de diversões e um refúgio para chorar quando ela brigava comigo. Um dia, eu pensei que ela estava brincando comigo ao me pegar nos braços e pôr dentro do armário, me pedindo para ficar quieto. Uma pequena brecha da portinha daquele armário me permitiu ver o que acontecia no chão do meu quarto: o primeiro estuprador da minha mãe estava em cima dela.

Adorava aquele armário, que minha mãe mandou pintar de azul por dentro e por fora. Desenhos da Disney, da Turma da Mônica e de Super-Heróis ela mesma colou nele. Ficava eufórico toda vez que chegava da escola, via meu armário e me trancava para fazer meu dever de casa. Todo dia eu fazia aquilo e me dava muita alegria… Até o dia no qual ela me trancou nele, nervosa, me pedindo para ficar quietinho, com medo… E pela brechinha da portinha, eu vi o segundo estuprador em cima dela.

Meus primos e coleguinhas de escola, quando iam para minha casa, brincavam dentro do armário comigo. Todo mundo era bem pequeno, o armário era grande e tudo se tornava uma grande festa. Minha mãe só reclamava depois que as minhas roupas ficavam todas bagunçadas, amarrotadas e um pouco sujas. Ela, mesmo assim, lavava com muito carinho a minha roupa toda, passava e dobrava, guardando no armário, do mesmo jeito. E, naquele dia, ela também me guardou no armário, me pedindo para ficar quietinho, com aquela voz melodiosa dela… Eu fiquei calado e pela brechinha vi o terceiro estuprador em cima dela.

Nunca conheci meu pai, ele não quis me assumir quando minha mãe engravidou. Ela era médica, trabalhava em hospital público, e contou apenas com a ajuda dos meus avós para me criar. Não quero conhecer meu pai; nunca quis, na verdade, conhecer o desgraçado. Se ele estivesse em casa naquele dia, minha mãe não teria me trancado no armário, me pedindo para ficar quietinho. Se ele estivesse em casa naquele dia, eu não veria pela brechinha o quarto estuprador em cima da minha mãe.

Meus avós sempre foram muito legais comigo, sempre me dando tudo que eles podiam. Com a minha mãe, pagavam minha escola, compravam minhas roupinhas, meus brinquedinhos, eu tinha tudo que uma criança feliz poderia ter. Me levavam ao shopping, ao cinema, ao parque, para onde quer que uma criança precisasse ser levada para se divertir. Foi uma infância muito feliz, um período muito bom da minha pequena vida infantil, até aquele dia no qual minha mãe me trancou no armário. Eu fiquei quietinho, como ela mandou, vendo pela brechinha o quinto estuprador da minha mãe em cima dela.

E o sexto estuprador. E o sétimo estuprador. E o oitavo estuprador. E o nono estuprador. E o décimo estuprador. E o primeiro, que voltou, e a esfaqueou… Pela brechinha, vi uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte, vinte e uma… Cinquenta e cinco facadas pelo corpo todo da minha mãe. Ela era a mulher mais bonita da cidade, cobiçada por todos os homens. Aqueles que ficaram em cima dela fugiram, mas foram presos e assassinados, um por um, na cadeia. Fiquei sabendo que ficaram em cima deles também. Mas, nas prisões não existem armários.

Eu não me lembro de mais nada da minha infância, eu só sei que meus avós me criaram sozinhos com muito carinho e amor. Quando morreram, me deixaram uma pequena fortuna, que usei para montar uma loja de móveis. Sou médico, pediatra, também, mas não exerço a profissão porque prefiro ser vendedor de móveis. Já tenho filiais em outras cidades e estou indo muito bem como empresário também. E vender tem sido bom, eu passo a conhecer muitas mães e muitos filhos. Visito minhas clientes solteiras com filhos e tranco estes nos armários, pedindo para ficarem quietinhos, enquanto fico por cima delas. Depois, dou cinquenta facadas quando termino e o dobro nos filhos.

Eles poderiam ter me descoberto naquele armário onde minha mãe me trancou… Mas, não vasculharam o quarto e me deixaram vivo para hoje continuar minha vida fora do armário. Mas, ainda estou lá dentro, quietinho, vendo pela brechinha os estupradores em cima da minha mãe e cada uma daquelas facadas… Preciso me livrar dessas lembranças fazendo outras lembranças hoje. Preciso esquecer aquele dia, dentro daquele armário, que até hoje guardo em meu quarto. Preciso esquecer aquilo tudo, preciso mesmo, muito mesmo…

Mas, quanto mais tento, criando novas lembranças, ainda me vejo dentro do meu armário de criança. Preciso continuar tentando, um dia tudo vai desaparecer e eu vou poder sair de lá…


Inominável Ser
ENTERRADO
DENTRO
DE UM
ARMÁRIO




Share:

domingo, 20 de novembro de 2016

O Nascimento De Uma Maga Negra Das Trevas


Anna Krajewski


Conectada a uma Antiga Fúria, a Sacerdotisa Purificada alcança a altitude na qual, do alto da Maior Montanha, os Atravessadores Do Deserto lançam ao solo o próprio coração. E a concepção de novos universos ressoa junto com o estampido dos clarões fulgurantes da negra alvorada do Eu. O Eu se transfere para o curso dos cometas em Descensão, os Servos se curvam aos Mestres, o Toque se torna Breve, o Vento sobre Nobre. Em ondas de mares de sangue, podridão, licores sutis e tesouros inevitáveis, surge O Guardião Das Portas De Névoas Com Sua Voz Eterna. O Guardião Que É Outras Trevas. O Guardião Que É Puras Trevas. O Guardião Que É Doutas Trevas. O Guardião Que É Ricas Trevas. O Guardião Que É Verbais Trevas. O Guardião Que É Vestes Em Trevas. O Guardião Que É Peste Em Trevas. O Guardião Que É Verdades Nas Trevas. O Guardião Que É O Receptor Nas Trevas. O Guardião Que É O Preceptor Nas Trevas. O Guardião Que É O Ouvinte Nas Trevas.


— Para Onde Olhas, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre as vestes de cadáveres imolados no Sacrifício Do Ontem, dando a resposta.


— De Onde Tu Vens, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre pedras polidas à luz do sol poente, O Sacrifício De Sempre, dando a resposta.


— O Que Trouxe Contigo, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre sete punhais de ferro, O Sacrifício Do Hoje, dando a resposta.


— O Que Deixou Fora De Ti, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre nove velas brancas quebradas, O Sacrifício Do Amanhã, dando a resposta.


— O Que Leva Contigo, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre o ventre aberto de um bebê sacrificado acima de uma rubra rocha, O Sacrifício Negado, dando a resposta.


— O Que Tu Determinas, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre o coração pulsante da mãe daquele bebê sacrificado, coração em uma bandeja de aço negro, O Sacrifício Nascente, dando a resposta.


— O Que Tu Verbalizas, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre o crânio aberto do pai daquele bebê e mãe sacrificados, crânio acima de um prateado altar contendo rubras e negras velas, O Sacrifício Determinado, dando a resposta.


— O Que Tu Constrói, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre os seios do cadáver da mãe dela, O Sacrifício Possível, dando a resposta.


— O Que Tu Destrói, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre o pênis do cadáver do pai dela, O Sacrifício Marcado, dando a resposta


— O Que Tu Ofereces Aos Novos, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre o cadáver do esposo dela, O Sacrifício Conhecido, dando a resposta.


— O Que Tu Ofereces Aos Antigos, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre o cadáver das filhas trigêmeas dela, O Sacrifício Derradeiro, dando a resposta.


— O Que Tu Ofereces Ao Eterno, Sacerdotisa?


A Sacerdotisa derrama uma gota de sangue sobre ela mesma, gota de sangue de seus pulsos cortados, e com o Punhal Dos Sacrifícios corta a própria jugular, permanecendo ereta diante do Guardião. Está dada a última resposta


— Venha, Sacerdotisa.


A Sacerdotisa Se Torna Trevas.


— Venha, Sacerdotisa.


A Sacerdotisa Bebe Trevas.


— Venha, Sacerdotisa.


A Sacerdotisa Se Alimenta De Trevas.


— Venha, Sacerdotisa.


A Sacerdotisa Dança Revestida De Trevas.


— Venha, Sacerdotisa.


A Sacerdotisa Canta Aplaudida Pelas Trevas.


— Venha, Sacerdotisa.


A Sacerdotisa Adormece Nas Trevas.


— Venha, Sacerdotisa.


A Sacerdotisa Desperta Nas Trevas.


— Bem-Vinda, Sacerdotisa.


A Sacerdotisa É Trevas.


— Bem-Vinda Entre Nós, Os Eternos Adversários.


A Sacerdotisa, As Trevas, Os Trevosos.


— Bem-Vinda, Maga Negra Das Trevas.


A Maga, Os Magos, As Adversárias Trevas.


— Aceitai Cada Beijo.


A Maga Aceita.


— Aceitai Cada Braço.


A Maga Aceita.


— Aceitai Cada Abraço.


A Maga Aceita.


— Lute Conosco.


A Maga Luta.


— Arraste Conosco.


A Maga Arrasta.


— Arrase Conosco.


A Maga Arrasa.


— Morda Conosco


A Maga Morde.


— Rasgue Conosco.


A Maga Rasga.


— Planeje Conosco.


A Maga Planeja.


— Perturbe Conosco.


A Maga Perturba.


— Escravize Conosco.


A Maga Escraviza.


— Derrame Conosco.


A Maga Derrama.


— Conquiste Conosco.


A Maga Conquista.


— Conosco, Irmã Nas Trevas.


A Maga Assim É No Império Das Adversárias Trevas.


— Conosco, Contra A Luz Derramada.


A Maga Assim É No Império Dominante Da Matéria.


— Conosco, Contra As Mentiras Dos Ungidos.


A Maga Assim É No Império Inimigo Dos Celestes.


— Conosco, Contra O Enganador.


A Maga, Uma Com Todos Os Magos, Assim Nasce E Continuará Nascendo Pela Eternidade Das Adversárias Trevas.


Inominável Ser
SACERDOTE
DAS TREVAS





Share:

Covas Recomendáveis

Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

Minha foto
Nos Infernos, O Abismo
Visualizar meu perfil completo

Cavam Aqui Suas Covas:

Marcadores


Firefox

Firefox

Meu Perfil No Facebook

Obtenha visualizações gratuitas no Snap.com
Add to Technorati Favorites

Recent Posts

Unordered List

Theme Support