sábado, 29 de dezembro de 2007

Behemoth - Decade Of Therion










APO PANTOS KAKO DAIMONOS!
APO PANTOS KAKO DAIMONOS!

We transgress the context of commonplacenes
We deny normality, trample morality
We destroy angels with sound
We destroy angels with silence

Currents of tantric anarchy seize our bodies
Into the cosmic dance of four scythes
The curtains of Absurd Theatre are raised
Synchronicity - Mother Chaos on the stage

"Wisdom says: be strong!"
Thrilling words are spreading down the spine
Vibrating... "be strong!"
Exhausted I'm running towards the last shines of consciousness
Which is absorbed by shadows of madness

APO PANTOS KAKO DAIMONOS!
APO PANTOS KAKO DAIMONOS!

Here are the star and the snake servants;
-they rise the hexagram
Sun - in the triangle hidden ; Sight - sacred visions entwined
And union with Nothingness body I'll find
Strength - go along the Mars path, fighting if we must;
Light - oh, you are Ahathoor, goddess of blue sky

There is might of dawn, in non-quality state I remain
Of commonness crippled time or sand - glass you don't see again
Sigillum dei, picture of myself I'm drawing
With life, venom and hell I'm sprinkling it
His name is Esial, I want him more





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O Romântico Mais Perfeito Para Toda Mulher Mais Perfeita

É uma madrugada bonita, uma daquelas que apenas ocorrem quando as Vestes Noturnas contribuem para o aconchego de todos os mais insaciáveis Seres Que Vagam Pela Grande Noite. Madrugada, lua nova, verão escaldante, calor pavorosamente alto a atingir os corpos de Charles e Viviane, dois caminhantes por uma estrada de pedras que seguia rumo ao cume de uma montanha. Eles iam por uma floresta que os antigos habitantes denominavam de Floresta Do Inferno, já que era hábito serem nela encontrados ossadas de vítimas sacrificadas em rituais de Magia Negra, vítimas, em sua maioria, crianças. E haviam ainda outros perigos, como linces, ursos e aranhas e cobras venenosas. Mas, Charles e Vanessa sequer se importaram com as ditas histórias dos antigos habitantes da Cidade Das Hortas e resolveram juntos adentrar na floresta, lado a lado, caminhando e dialogando.

- Coleciono trechos de poetas desconhecidos, Viviane, que não assinaram os poemas que fizeram em algum lugar dete nosso mundo.

- Qual é o estilo deles?

- Poemas românticos.

- São muito belos os poemas que tratam do Ego ferido, ressentido ou animado por um amor. Estudei Literatura Italiana e me encantei pelos de Dante em Vitua Nova.

- Como professor de Literatura, Viviane, aprecio muito o vosso bom gosto como leitora. Dante Alighieri anima-nos a querer cada vez mais lê-lo e interpretá-lo, é um gênio que na Itália viveu e que para o mundo deixou um imenso legado de altíssimo valor. Decorei cada trecho de poema que coleciono; quer ouvir alguns, Viviane?

- Quero ouvir, poemas românticos são os que mais me agradam.

- Colhi este trecho na Indonésia, viajando a trabalho:

Me tenhas em noite

De espaço tênue

E me revele o dote

Da chave que treme

Em meu coração gente

Sorrindo em creme

- Um amor platônico, poema resultado de um amor platônico.

- As diversas conotações dele são amplas mesmo neste sentido de ocultos valores. É o amor platônico de um adolescente inspirado pela musa que não podia tocar, mas apenas de longe avistar.

- Calcula-se que a maioria dos fragmentos que coleciona tenham quantos anos, Charles?

- Não consulto especialistas nesse assunto, Vanessa, o mistério desses fragmentos me contagia e prefiro deixá-los sem conhecer-lhes a idade.

- Uma escolha bem típica vossa.

- Este é outro colhido na Indonésia:

apaguei a chuva ardente

com um pouco de areia

e meus olhos dementes

ansiavam pelo verão

no corpo da sereia

que se disfarça de dama

que na minha rua

caminha com grande graça

- Um trecho de poema em paralelo com a natureza byroniana de poetizar.

- O mais incrível é que o fragmento se encontrava em uma lixeira.

- Encontra muitos trechos de poemas em lixeiras?

- A todas as cidades para quais viajo, sempre cato nas lixeiras todo pedaço de papel com qualquer escrito. Quando não domino o idioma, pago um tradutor para fazer isso e o ponho em minha coleção.

- Contas quantos trechos possuis?

- Não conto, o mistério, Viviane.

- O mistério... Charles, O Misterioso... Sedutor e maravilhoso...

- Não, são teus olhos que dizem isso, seduções em mim não existem, maravilhas em mim, idem. Apenas sou amante da Literatura.

- E um romântico.

- Romântico... É, sou espeécime raríssimo neste mundo globalizado frio e indecentemente constituido.

- O mundo sente falta do século dezenove, dos poetas daquela época. Em Inglaterra, lar de Byron, colhestes muitos trechos, não colhestes?

- Inúmeros, incluindo os que encontrei na Escócia e no País de Gales. Encontrei este trecho abaixo de uma banca de jornal em Liverpool:

Esperta menina, me deixou...

que graça achei nela,

eu não sei não,

mas confesso que não resistia

ao seu sorriso de paixão

- Amante abandonado, ms orgulho de tê-la encontrado.

- Este outro, encontrado aqui mesmo no Brasil, em Salvador, é quase igual áquele:

Ela já foi

E nem disse que depois

Traia de volta meus olhos

Arancados que foram

Por eu tanto amirá-la

- A perda da melhor de todas as visões em uma existência apaixonada.

- Perfeita, Viviane, tu és perfeita.

- Por saber interpretar os trechos fragmentados de poemas?

- Por ser uma mulher perfeita, Viviane, por ser uma mulher perfeita...

- O romantismo... Sei do seu encanto...

- Você também é romântica?

- Solenemente, sou.

- Nas ruínas de um prédio demolido em Hiroshima, no Japão, encontrei um trecho de uma poetisa:

Amor irreal?

A bomba que aqui lançaram.

Amor real?

A bomba com a qual você me atingiu,

Masaki...

- Ela se sentia ferida por um sentimento que lhe era de agradável faceta.

- Qual é o seu poeta e poema românticos preferidos, Viviane?

- Dante Gabriel Rossetti e Astarte Syrians, do mesmo autor.

- Recites o poema, quero ouvir uma vez mais o mesmo dos lábios de outra mulher mais perfeita que encontro.

- Charles, O Romântico... Recito-o, então...

Mystery: lo! betwixt the sun and moon
Astarte of the Syrians: Venus Queen
Ere Aphrodite was. In silver sheen
Her twofold girdle clasps the infinite boon
Of bliss whereof the heaven and earth commune:
And from her neck's inclining flower-stem lean
Love-freighted lips and absolute eyes that wean
The pulse of hearts to the spheres' dominant tune.

Torch-bearing, her sweet ministers compel
All thrones of light beyond the sky and sea
The witnesses of Beauty's face to be:
That face, of Love's all-penetrative spell
Amulet, talisman, and oracle, —
Betwixt the sun and moon a mystery.

- Astarte... Bela Astarte... Já ouvi o mesmo poema das outras mulheres mais perfeitas que encontrei, Viviane.

- Todas elas, antes de mim, o recitavam?

- Recitavam, o romance permitia isso.

- Estamos perto do topo.

- Não, já estamos no topo, apenas mais alguns passos, Viviane.

Os dois dão mais vinte passos e juntos param perto do desfiladeiro da montanha a 1211 m. acima do nível do mar. Em volta, apenas uma densa floresta regada pelo luar, um luar de feixes amorosamente destilados de amor por tudo aquilo que nesta madrugada está a iluminar. Charles e Viviane fitam-se nos olhos, dão três passos para trás e começam a despir-se, olhando um para o outro. Em silêncio, tiram suas calças, sapatos, camisas, roupas íntimas... Viviane é a primeira a ficar totalmente nua e abre os braços, erguenfddo a face para a lua, fechando os olhos, calada, calada, calada... Charles, totalmente nu, abaixa-se, abre sua mochila esverdeada e põe luvas de borracha, grossas, nas mãos. E retira uma faca com uma lâmina de aço de vinte e cinco centímetros, de caçador, possuidora de trinta pequenos dentes da ponta até o cabo. Com a faca na mão esquerda, ergue-se e, silenciosamente, seriamente, olha para o corpo de Viviane, de frente para si.

O pescoço, bem talhado...

Não, Charles não quer que seja ali...

Os seios, volumosos, empinados...

Não, Charles não quer que seja ali...

O abdômen, com alguma gordura, mas sensual...

Não, Charles não quer que seja ali...

A vagina, os pêlos...

Ah, Charles gostou dali...

A vagina, os pêlos...

Ah, Charles adorou ali...

A vagina, os pêlos...

Ah, Charles se aproxima mais um pouco de Viviane, é ali...

A vagina, os pêlos...

Ah, Charles, Charles, Charles, vai ser ali!

Vagina recebendo a lâmina!

Vagina perfurada pela lâmina!

Vagina atravessada pela lâmina!

Vagina engolindo todos os vinte e cinco centímetros da lâmina!

Charles extasiado!

Charles excitado!

Charles feliz!

Charles girando, girando, girando, na vagina de Viviane, a lâmina!

Viviane sorrindo!

Viviane feliz!

Viviane excitada!

Viviane tendo orgasmos!

- Char... Char... Charles... Recita... Re... Recita...

- Para mais uma mulher mais perfeita, meu romântico secreto poema...

Trema a sua buceta,

lâmina nela,

sem brincadeira;

Acolha minha lâmina,

sua buceta sangra,

eu quero-te satisfeita;

Vá mexendo a sua buceta,

sangrando ela está,

sangrando ela me homenageia;

Ame minha lâmina,

a lâmina beijando a sua buceta,

a lâmina fodendo com a sua buceta;

Arreganhas a buceta,

linda buceta com lâmina cravada,

linda buceta de mulher mais perfeita;

Aconchego em minha lâmina,

ela na sua buceta te tornando ainda mais

uma mulher mais perfeita!

Charles gira a lâmina com mais força e Viviane, sem gritar, tendo orgasmos, de olhos fechados, braços abertos, vai sendo abraçada pela Lâmina Da Foice Da Deusa Morte...

Charles vai girando a lâmina, Viviane vai sendo abraçada pela Lâmina...

Charles vai girando a lâmina, Viviane vai sendo abraçada pela Lâmina...

Charles vai girando a lâmina, Viviane vai sendo abraçada pela Lâmina...

Charles girando a lâmina, Viviane abraçada pela Lâmina...

Charles girando a lâmina, empurrando Viviane para a ponta do despenhadeiro, Viviane abraçada pela Lâmina...

Charles retira a lâmina, Viviane caindo no desfiladeiro, Viviane caindo abraçada pela Lâmina...

Viviane vai rolando pela mata, Viviane abraçada pela Lâmina...

Viviane vai rolando, seu sangue manchando a mata...

Viviane vai rolando, rolando, rolando, Charles vendo entre o verde iluminada pela lua as manchas de sangue nas folhas...

Charles tem um orgasmo e o seu esperma deixa que regue a lâmina da faca que banhada está pelo sangue de Viviane.

Charles olha para a lua...

Charles ergue a faca em direção à lua...

Charles é transportado de volta para O Templo Sangrento Dos Reinos Das Trevas Lunares.

Viviane lá aguarda-o, como inúmeras outras mulheres mais perfeitas, desejosas que Charles foda com elas por românticas horas que não são lá contadas cravando-lhes e girando-lhes a lâmina da faca de caçador nas bucetas.

E você aí, mulher que estiver aqui ao final deste conto, não achas Charles um homem mais perfeito do que os que conheces?

Você aí, você mesma, mulher, não achas Charles o romântico mais perfeito desde Vinícius de Moraes?

Você aí, mulher, está com a buceta bem limpinha e prontinha para receber a romântica forma dele te amar e adorar?

Mulher, ele pode te encontrar, a sua buceta vai saber quando o encontrar...

Mulher, Charles quer te encontrar...

Romanticamente,

Inominável Ser.

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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Atheistc - The End Of The Christhian Age

Composição: Dilpho Castro




The epidemic is among us
They say they master of truth and justice
They're killers that say they are masters of reason
With the end of this curse all will be well

Join the power of atheism
And fight against the impose dictatorship
The dictatorship of intolerance in the name of God

"I am not bound by this laws
We make our own laws
The inquisition hurt us, let's attack "

Underdog, just a shield for uncertainty

"Until we establish the end of the Christian era
God is the cane of the weak
Reason of the destruction of the human race"

I believe in myself
In my mind and in my strength
Because of this I deny God


A epidemia está entre nós
Eles dizem que eles dominam a verdade e justiça
Eles são matadores que dizem que eles são mestres da razão
Com o fim desta maldição todos serão bem

Junte o poder do ateísmo
E luta contra a ditadura imponho
A ditadura de intolerância em nome de Deus

"Não sou atado por estas leis
Fazemos as nossas próprias leis
A inquisição prejudica-nos, vai atacar "

Prejudicado, somente um escudo de incerteza

"Até que estabeleçamos o fim da era cristã
O deus é a cana do débil
Razão da destruição da corrida humana"

Acredito em mim
Na minha mente e na minha força
Por causa disto nego Deus.




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Espelho Dos Seios Cortados

Venço meus medos diretos e saio cavalgando cavalos imaginários pela noite. Aqui é muito bom, encontro satisfações que me remetem aos antigos dispositivos de sondagens de antigas culturas que se revelam nos máximos pontos de descobertas arqueológicas. Coleciono obras antigas, obras de civilizações que sequer alguns de vocês conheceram, de civilizações bem antes de todas as civilizações conhecidas pelos vossos atuais livros de História. Guardo tudo como que fossem as relíquias de verdadeiras mensagens que lidas eram pelas almas humanas e pelas almas não-humanas. Carrego com prazer antigos adornos, objetos de sagrados esforços na reunião e na união de todos os determinativos anseios da Humanidade pelo Conhecimento e pelo Poder advindo daquele, um Poder que se bebe como a taça de vinho contendo poderes ocultos que mais se assemelham aos esplendorosos loucos momentos de saciedade de toda fome e de toda sede... O vinho que tomo agora é tinto... A taça que empunho agora é antiga... Ambos da safra de 1600, ambos de uma época que seduzia pelos mistérios acerca de mundos além da Europa desconhecidos. Sou europeu, antes de mais nada, resido no Brasil há anos por opção de rica empolgação com as maravilhas deste país descoberto para ser até hoje mutilado pelos predadores humanos mais ferozes entre os países ricos. Sou político, mas minha política não me direciona aos palanques, gosto de discursar em raros comícios privados...

Um espelho à minha frente, mais antigo do que o vinho, mais antigo do que a taça. Nele, toda uma História Maia Antiga sendo a cada dia humano e a cada dia não-humano melhor contada, melhor disponibilizada nas alegorias e realidades de um mundo que não resgata muito as Antiguidades. Não conto os anos dele, apenas conheço de onde provém, onde nasceu, onde foi disposto através de tempos nos quais os anos não eram contados... Não falemos, pois, dele, mas do que hoje pude politicamente fazer, ao meu modo, segundo os trâmites da minha política. O sol me alimentando nas ruas de cidades cariocas refelete-se em meu espelho, agudads luzes, agudas nuvens, agudas frutíferas mensagens de momentos energeticamente vorazes alimentadores das resoluções internas dos meus pesos e levezas... Na cidade de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, caminhei hoje, disposto a me distrair e disposto a acolher em mim mais um motivador estado de meu discursar. Gosto das ruas, do cheiro de suor do povo, das carnes todas bem próximas, do odor erguido pelo calor de cada feromônio e de cada hormônio que capto em meus momentos de experimentações sensoriais. Me consideram um médium, um ocultista, sei que me consideram, ou rotulam, como certos humanos dizem, nesses termos; porém, naturalmente sei que já possuo tal poder de experimentação desde o meu berço bem distante de qualquer atual berço humano e não-humano...

Fui caminhando, bem em direção ao sol, o negro de minha veste se assemelhando ao negro em meu redor que eu apenas captei por ser revestido de capítulos especiais de certos Livros em redor das ruas... Fui caminhando, parei em um ponto de ônibus, instintivamente sabendo que eu devia parar ali... Gosto de ônibus, parei ali no ponto, aguardei e, aleatoriamente peguei um ônibus que eu nem sabia para onde ia... Entrei no ônibus, a passagem paga, atravessei a roleta e a vi, voluptuosa, sedutora, ardente, exulando fluidos aos trilhões que logo se fizeram partes de meu corpo... Sentei ao lado dela e fiquei a loucamente afdmirar-lhe os seios, as coxas... Vestido estampado rosa... Mulata bela, como todas as mulatas deste maravilhoso país que adotei como meu lar... Eu olhei, ela percebia meu olhar, ficou um tanto envergonhada, mas no fundo, é, eu sei que sim, sei muito bem que sim, ela gostava do meu olhar... Fiquei calado, fixo nos seios dela, naqueles seios bem redondos e singelos, lindos demais, tão lindos como eu já vira há muitos e muitos anos atrás... Seios balançando, o ônibus balançava-os, as energias deles eu sugava, sugava,, sugava... Continuei olhando, continuei sugando, continuei, continuei, continuei... Envergonhada, a mulata cobria os seios, cobria as coxas, que eu também olhava, olhava, olhava...

O ônibus ia, aqueles seios balançando...

O ônibus ia, aquelas coxas balançando...

Eu sugando tudo daqueles seios...

Eu sugando tudo daquelas coxas, igualmente...

A viagem de ônibus tornou-se uma eternidade, trânsito ruim, trânsito caótico, como eu estava caótico, eu desejava lamber ali aqueles seios, desejava lamber ali aquelas coxas!

Desejava lamber...

Os seios...

Desejava lamber...

As coxas...

Desejava os seios...

Desejava as coxas...

Não resisti, não pude resistir, não consegui resistir!

- Moça, este ônibus está indo para Caxias?

- Não, para Sulacap.

- Mas, ele passa por Nilópolis?

- Sim, passa...

- É que eu peguei este ônibus sem nem ao menos saber para onde ele ia, sou um tanto distraído...

- É como eu... - Ela sorriu, sua voz me estremecia, eu sugava tudo da voz dela...

- Distraída, também?

- Um tanto como louca e estou atrasada por causa dessa distração...

- Deve ser um compromisso mui importante.

- É apenas o meu namorado, ele me aguarda...

- E você tem certeza de que ele te guarda na alma, moça?

- Meu nome é...

- Sônia Patrícia de Alencar.

- Que... que...

- Mediunidade, Sônia, não se assustes comigo. Pelo que Vejo, você é de uma família de médiuns poderosos.

- Sou, mas não acredito nessas coisas e nem as sigo, sou temerosa demais com elas... E me perguntou o que antes, já esqueci, sou bastante distraída...

- Eu perguntei se você sabia se o seu namorado a carregava na alma.

- Ele me ama.

- Você o ama?

- Eu...

- Ah, não ama... A resposta demorada revela a sua natureza insegura com relação a ele.

- Por que me sinto obrigada a falar de minha vida particular contigo? Está me hipnotizando?

- Nada de hipnose, é você que quer falar de sua vida particular comigo.

- Eu não quero falar... Mas, tenho que falar...

- Você me olhava também, não olhava, Sônia?

- Quando?

- Eu fitava os vossos seios, as vossas coxas, essas maravilhas abençoadas que tu recebestes do Alto a lhe darem este aspecto de Deusa Brasileira.

- Tu é safado, cara... - Ela sorri e me olha com desejo, o que me deixou um pouco surpreso... - Como se chama?

- Gih Dre Har.

- Que nome é esse?

- Ahnamalohkatiano.

- Hein?

- Um nome antigo, digamos que seja anterior à invenção da escrita que esta civilização humana conhece.

- Seus pais deviam estar loucos quando te deram esse nome aí...

- Eles eram loucos, tão loucos que causaram a destruição de milhões de classes especiais de Natos.

- Sua linguagem... Você é bem fascinante... Mas, não estou entendendo... De onde você veio, afinal? O seu sotaque parece europeu, mas soa, às vezes, como chinês.

- Residi na China há cinco mil anos atrás.

- Ah, tá, tá bom! - Ela gargalha, uma gargalhada que me faz sugar mais dela... - Tu é um barato, cara, um barato! Pare agora e me diga seu nome verdadeiro, por favor.

- Meu nome verdadeiro é Gih Dre Har, Sônia, Gih Dos Natos Ahnamaloh.

- Você é ator, não?

- Não sou, mas você seria uma excelente modelo... Pensas nisso?

- Sou baixinha, não há como ser modelo da minha altura!

- Sua altura é bem maior...

- Lá vem o papo mediúnico...

- Não, é Verdade, sua Altura é bem maior. Sua beleza irrompe pelas fortalezas do meu Eu afogado em solidões inatas em que meus lampejos de tentativas de aproximação afogam-se em inúteis ações de nenhuma razão. Olho para teu rosto e vejo O Rosto Da Senhora Da Manhã, A Antiga Deusa Dos Trópicos, A Grande Negra Repousando Seus Seios Nos Lábios Dos Filhos Natos De Ahanamaloh. Tua beleza resplandece, teus seios falam, tuas coxas falam, teu rosto fala, teus olhos falam, antes, durante, depois, de todo anoitecer no alvorecer das noites que não podem dizer uma só palavra...

- Que lindo... Nunca ouvi isso do meu namorado... Nunca...

- Nilopólis, vou saltar aqui.

- Quer o meu telefone?

- Nós nos reencontraremos, Sônia Patrícia de Alencar, brevemente. Aguarde-me.

Salto do ônibus sem olhar para trás, deixando-a ansiosa e mais curiosa a meu respeito do que antes ficara. Eu vou para a minha casa, que não é em Nilopólis, não é em São João de Meriti e nem é em Caxias. Adentro em sombras de uma árvore e surjo nela, uma antiga mansão fora de vosso mundo realizado como o mundo humano. Quando cheguei aqui, logo vim para a frente deste espelho e fiquei a observá-la chegar em casa, encontrando o seu namorado. Antes, observei-a no ônibus, ela pensava em mim, seus seios ardiam, suas coxas ardiam, sua vagina ardia, seu ânus ardia, sua garganta, profundamente, ardia... Fiquei nela, um pouco dela, de positivo, ficou em mim... Observo-lhe conversar com o namorado... Observo-lhe perder a calma com as grosserias de seu namorado por ela ter demorado... Observo-lhe gritar e absorvo um pouco do poder da raiva, é deliciosamente romanesco o poder alimentador da raiva... Ela bate o portão de sua casa na cara dele, adentrando furiosa em sua casa... O namoro terminou, ela chora ao colo da mãe, suas três irmãs consolam-na, seu pai, falecido, aproxima-se, para consolá-la... Absorvo seu choro, suas lágrimas, choros e lágrimas são romanticamente divinos em suas cargas e descargas de emoções das quais preciso alimentar-me... Ela se acalma depois, toma um banho... O banho! Eu a observo tirar a roupa e a não mais pensar em seu namorado, no banheiro... Ela pensa em mim, em como eu olhava para as coxas dela, em como eu olhava para os seios dela... A água fria cai, ela arde mais, ela se masturba com demência voraz... Os dedos no ânus, ela pensando em mim... Os dedos na vagina, ela pensando em mim... Ela pensando em mim termina o banho... Ela pensando em mim janta... Ela pensando em mim vê a novela das oito... Ela pensa em mim sobe para o quarto... Ela pensando em mim despe-se, vai dormir apenas com uma calcinha minúscula, tipo fio-dental... Ela pensando em mim deita... Eu surjo no quarto, a mesma veste negra, ela não se assusta, ela me chama para deitar-se com ela na cama... Mas, tenho outros planos, minha política não é a de deitar-me com minhas vítimas na cama... Eu a puxo da cama, ela se assusta, mas excitada e desejando-me... Eu olho para o espelho do quarto dela e faço surgir o meu espelho... Eu a sinto oferecendo-se, calada, suada, me olhando, me tocando no pênis com as duas mãos... Eu a carrego para o espelho, nós ficamos no Mundo Dos Espelhos... Os seios dela balançam, eu amo seios... Os seios dela balançam, eu queria muito lamber aqueles seios... Os seios dela balançam, eu corto com os meus caninos aqueles seios... Os seios dela balançam, eu sugo o sangue todo dela, de cada um daqueles seios cortados pelos meus caninos... Os seios dela balançando, sangrando, ela sentindo prazer, ela gostando... Os seios dela balançando, sangrando, ela me acariciando no pênis, com as duas mãos, com força... Os seios dela balançando, sangrando, ela perdendo a força nas mãos que apertam-me o pênis... Os seios dela balançando, sangrando, as mãos dela não apertam-me mais o pênis... Os seios dela param de balançar, eu a suguei totalmente... Os seios dela param de balançar, eu os lambi então... Os seios dela param de balançar, eu lambi as coxas dela depois... Eu a segurei ao colo, admirando-a sem vitalidade, uma vitalidade que minha é, eternamente, agora... Era linda e é mais linda ainda assim, de olhos fechados, sem nenhum Espírito a mover-lhe o lindo corpo... Era linda... É linda...

Larguei o corpo dela e a chutei para um local obscuro do Mundo Dos Espelhos, onde os Bestiais lá aprisionados, que eu sempre alimento, irão saborear. Chutei e, agora, já estou a localizar a próxima vítima nas ruas do Rio de Janeiro... Talvez, no centro da cidade do Rio de Janeiro... Avenida Rio Branco... CCBB... Teatro Municipal... Seios balançando... Coxas balançando... Vítimas muitas, o Brasil é um país maravilhosíssimo e por isso dizem que o tal Deus Único é brasileiro....

Desejando seios e coxas,

Inominável Ser.

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terça-feira, 27 de novembro de 2007

Ambrósio Do Mar

Monstros se fazem ao romper das desgastadas estradas de amontoados de sonhos arruinados pelas pisadas de Deuses furiosos. Muitos Deuses passaram diante de Ambrósio, um homem rude da cidade, casado e cansado de estar diante de sua mulher estúpida e de seus filhos estúpidos. Assim, cansado, assim, com a própria estupidez também, Ambrósio reage contra seus filhos e a sua mulher:

- Montes de merdas, lixos miseráveis, lixos desgraçados!

E nas mãos de Ambrósio um porrete. Porretada nas costas de sua mulher estúpida:

- Piranha desgraçada, apanha! Puta! Vadia! Cretina do caralho! Arrombada!

Vejamos, Marta não é nada disso e muito menos é estúpida. É apenas uma mulher que ama um homem que há quinze anos assim a trata. Marta vai apanhando, o sangue vai caindo, uma poça em forma de lago, pequeno rubro lago, no chão da cozinha, no chão do banheiro, no chão da sala. Marta limpa seu sangue resignada, é uma das Amélias mais desgraçadas, é uma das Amélias mais miseráveis. Uma Amélia que todo dia, na cama, em seu quarto, ouve o marido no quarto da filha de onze anos que possui assim dizer:

- Vem, sua putinha gostosinha, vem pro papai, dá o cuzinho pro papai.... Deixa eu ver a bucetinha lindinha... Deixa eu ver, sua cadelinha, sua ratinha, sua vagabundinha! Fica de quatro! Abre o rabo! Abre! Me chupa bem! Me chupa, sua cadelinha desgraçada! Me chupa!

Vejamos, Ana Roberta não é nada disso e muito menos é estúpida. É apenas uma menina de onze anos, como dito anteriormente, estudante da sexta série de uma escola particular, sem amigas, triste e solitária sempre. Ana Roberta é, no entanto, a mais inteligente e sagaz de sua classe, é um gênio matemático, a calcular e a calcular e a calcular, sempre a calcular, quantas vezes seu pai pode estuprá-la todas as noites xingando-a daquela maneira. Ana Roberta é uma Lolita desgraçada, uma Lolita mui desgraçada, uma Lolita miserável, uma Lolita mui miserável, vendo seu pai maltratar assim o seu irmão:

- Garoto sujo! Garoto imbecil! Aprende a ser macho, arromba logo umas menininhas por aí! Prá que tu tem um pau grande como o meu! É prá arrombar as cadelinhas de quatorze e treze anos que tem por aí! Mulher serve para isso, para satisfazer a fome dos nossos paus! Eu te arrebento se der uma de viadinho, seu escroto, algum dia! Fode com elas, fode com essas vagabundinhas!

Vejamos, Carlos Alberto não é nada disso e muito menos é estúpido. É apenas um menino de quatorze anos que sofre de leucemia e enxerga muito mal do olho esquerdo, olho que foi esmagado pelos socos do pai quando ele tinha seis anos. Carlos Alberto está na oitava série de uma escola particular, a mesma de Ana Roberta, e, como esta, é um gênio matemático. Carlos Alberto calcula quantas vezes por dia seus pai é capaz de xingá-lo e bater-lhe, menos do que ocorre com a sua mãe, com uma vara grossa de bambu.

Vejamos o homem monstruoso tão feito para assim agir com a própria família. Vejamos, Ambrósio é um rico senhor de uma fortuna de cem milhões de reais herdada de seus pais. Ambrósio sempre foi um grande exemplar canalha de primieiríssima estirpe, um canalha com milhões na conta bancária, um canalha que agora possui quarenta e nove anos de idade, a mesma idade da mulher que escolheu como esposa apenas para dizer que podia formar e manter uma família. Ambrósio nada ama, não ama a mulher que vê como estúpida, não ama os filhos que vê como estúpidos, não ama a ai mesmo, o qual vê como estúpido.

Ambrósio considera também estúpidas todas as pessoas de sua cidadezinha à beira-mar no litoral do Rio de Janeiro. Ambrósio, senhor da região, é também o senhor do mar, é o dono de todas as embarcações disponíveis para navegação e na Marinha é respeitado como um grande cidadão cumpridor de seus deveres mais cívicos para o desenvolvimento da nossa maravilhosíssima nação! Ambrósio, o monstro Ambrósio, é um bom homem aos olhos da sociedade que o consagra apenas pela sua conta bancária dessa maneira. Ambrósio, o mosntro Ambrósio, sai com a sua família, a família que ele maltrata e considera como estúpida, para ir a festas, para viagens de negócios, tratando-os com carinho, carinho monstruoso hipócrita e indecente.

Ambrósio Do Mar, como o chamam os seus asseclas, que nada sabem da consideração dele por eles, a consideração que o leva apenas a vê-los como estúpidos, nada sabem dos maus-tratos que ele concede à família. Ambrósio Do Mar, demonstrando sempre uma inexistente decência, é sempre hipócritas sorrisos e abraços para todos de sua cidade, a qual considera igualmente estúpida. Ambrósio Do Mar possui ainda coisas que podemos aqui considerar, afinal, tal estúpido monstro possui segredos que jamais irá contar aos amigos que hipocritamente mantém!

Ambrósio Do Mar, ao viajar sozinho a negócios, utiliza o seu dinheiro para procurar adolescentes prostitutas das cidades que visita.

Ambrósio Do Mar, em silêncio, fode com as meninas.

Ambrósio Do Mar, em silêncio, estrangula as meninas.

Ambrósio Do Mar, em silêncio, utiliza ácidos para fazer desaparecer os corpos das meninas.

Ambrósio Do Mar procura travestis.

Ambrósio Do Mar não fode com os travestis.

Ambrósio Do Mar, rosnando, mata travestis com machadadas por todo o corpo.

Ambrósio Do Mar, rosnando, arranca os pênis dos travestis e os dá a cachorros de rua para comerem.

Ambrósio Do Mar, rosnando, utiliza ácidos para desaparecer com os corpos dos travestis assassinados.

Ambrósio Do Mar procura michês.

Ambrósio Do Mar, gemendo, dá o cu para os michês...

Ambrósio Do Mar, gemendo, chupa os paus dos michês...

Ambrósio Do Mar, gemendo, mata michês sufocando-os com os travesseiros das camas nas quais se deita com eles.

Ambrósio Do Mar, gemendo, aranca pedaços dos cabelos dos michês para guardar cada um como lembrança deles.

Ambrósio Do Mar, gemendo, utiliza ácidos para fazer despaarecer os corpos dos michês mortos...

Ambrósio Do Mar é político.

Ambrósio Do Mar viaja tanto porque também é, além de rico, um político.

Ambósio Do Mar já foi prefeito de sua cidade.

Ambrósio Do Mar já foi deputado estadual.

Ambrósio Do Mar já foi deputado federal.

Ambrósio Do Mar agora é um senador do Estado do Rio de Janeiro.

Ambrósio Do Mar agora quer ser presidente.

Vejamos, brasileiros, os políticos de nosso país não são todos uns monstros estúpidos?

Por que não ter um monstro tão estúpido como Ambrósio Do Mar como nosso presidente?

Nós não somos verdadeiros estúpidos, abaixo deles, por sermos para eles como prostitutas, travestis e michês explorados pelos cafetães ideológicos que eles são?

QUE AMBRÓSIO DO MAR SEJA O NOSSO PRESIDENTE, BRASILEIROS!!!

AMBRÓSIO DO MAR, A CARA DO BRASIL!!!

AMBRÓSIO DO MAR, A CARA DO ESTÚPIDO BRASIL!!!

AMBRÓSIO DO MAR, UM ESTÚPIDO POLÍTICO QUE É O MAIOR DOS HUMANOS HIPÓCRITAS!!!

AMBRÓSIO DO MAR, UM ESTÚPIDO POLÍTICO QUE É UM ESTÚPIDO MONSTRO QUE SEM HIPOCRISIA MATA!!!

AMBRÓSIO DO MAR, SEM HIPOCRISIA, MATA!!!

AMBRÓSIO DO MAR, O POLÍTICO MAIS PERFEITO!!!

AMBRÓSIO DO MAR, PRESIDENTE DO BRASIL!!!

NÓS MERECEMOS UM PRESIDENTE ASSIM, BRASILEIROS, SOMOS TÃO ESTÚPIDAS OVELHAS SENDO MORTAS HÁ QUINHENTOS E SETE ANOS!!!

Inominavelmente estúpido,

Inominável Ser.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A Criança Lupina Desejando Descanso

Estamos em um mundo interiormente decente, um mundo de bons uivos, um mundo de respeitosos e diletos uivos. Não é um mundo que se faça equivaler aos demais que o cercam, tão fadados a oferecerem um amontoado de coisas para as alimentações de muitos insetos. No vagar repentino do repetitivo vácuo de toda coisa em meio ao mundo que aqui é considerado, podemos encontrar uma turbulência, uma insanidade, uma angustiosa experiência de terrível propriedade. Vaguemos neste mundo exteriormente clemente, clemente para com os doentes das calçadas que lavam os sapatos e as sandálias que utilizam com o suor explosivo de seus corpos. Vaguemos, assim como que andantes de um caminho onde os liames e as travas podem ser rompidos, no mundo que se especializa no vasto esperançoso recanto das formas mudas e surdas que se valorizam mais quando reformas cegas e tetraplégicas. Parece que o nosso mundo interiormente decente, exteriormente clemente, é um mundo causticamente exemplar nos ramos dos mundos de segurança e sobriedade impares. Seria boníssimo se assim fosse a nossa Terra, mas eu não falo do Planeta Terra e nem estou a pisar em qualquer terra onde os mundos expostos ao solo sejam compreensíveis e visíveis aos mais lesos e apequenantes olhares. Nosso mundo pelo, qual vagamos agora, é o mundo de uma criança.

Tenhamos nove anos como ele tem e nos chamemos Aleksandro como ele se chama. Detalhemos tudo diante da nossa criança que aqui considerada em seu mundo está. Detalhemos assim, pois estamos no mundo de uma criança, uma criança de nove anos de pureza em idade que lhe dá a clareza típica das crianças diante das coisas do Planeta Terra. Aleksandro, um nome de príncipe e , de certa maneira, ele é um príncipe. Falemos como ele fala em seu mundo, melhor, muito melhor do que nos situarmos longe de tal mundo. Mamãe Angelina, a de doces olhos verdes-claros, com uma voz que tece um recado de angelicais patamares de visões alegres quando a ele direcionada, uma mamãe dedicada, uma mamãe amada, grande, bonita, viçosa, maravilhosa. Papai Lauro, um homem amável, um homem carinhoso, um homem de caráter que põe o nosso Aleksandro ao colo todos os dias, beijando-o, acarinhando-o, oferecendo-lhe o amor do melhor de todos os pais que ele pode ser. A mamãe de Aleksandro. O papai de Aleksandro. Aleksandro, o primeiro filho, um filho que veio para alimentar de mais amores altos e de mais esperanças ainda muito mais altas aos dois felicíssimos pais. Pais dedicados aos cuidados do corpo do filho, gastando com os pais de branco, como Aleksandro chama médicos que cuidam dele, muito dinheiro. Mas, por que tanto dinheiro gasto com Aleksandro? O papai e a mamão dele são ricos, mas isso... Falemos a nossa língua, falemos como falamos em nosso mundo. Aleksandro é autista e possuidor de um câncer terminal no pâncreas que lhe oferece apenas mais dois meses de existência.

Os cuidados com ele são muitos e preciosos, Angelina e Lauro tudo fazem, desesperados e desesperançosos, para darem mais tempo de vitalidade ao seu filho. Aleksandro, devido ao tratamento, perdeu todo o cabelo e em seu autismo, aos olhos deles, sofre. Vamos ao mundo de Aleksandro, vamos ver se ele sofre... Subamos no caminhão que percorre a estrada do mundo de Aleksandro... Subamos na bicicleta quebrada... A bicicleta quebrada nos quartos da consciência mais desperta de Aleksandro... Aleksandro sente que estamos nele... Aleksandro pressente que estamos nele... Aleksandro olha para nós... Olhem, é o Aleksandro! Olhem, Aleksandro! Olhem, eis Aleksandro! Em seu mundo, Aleksandro é lobo, um pequeno lobo correndo pelos espaços mais espinhosos de uma floresta cheia de sangue nas folhas das árvores e cheiro de lodo perto de todo lago pelo qual nada. Aleksandro, em seu mundo, sendo um lobo, come das folhas ensangüentadas com a voracidade de um espantoso ser demasiado faminto. Aleksandro, em seu mundo, sendo lobo, nada irrequieto, nada irrepreensível, nada irreconhecível, no lodo, uivando quando emerge, rosnando quando submerge, nos lagos que correm incólumes e espaçosos em seu Ser. Os lagos correm, correm, estamos em um mundo, no mundo de Aleksandro, onde tudo corre, onde não há autismo, onde não há câncer, onde há um monte de corpos, onde há um Outro Ser, O Lobo Rosnando. O Lobo Rosnando, uma Essência, uma Excrescência, uma Nulidade, uma Afirmação, ah, como Aleksandro sente-se bem com Ele, seu amigo que não é imaginário, seu amigo que não é como que uma outra criança, seu amigo que é o seu Verdadeiro Eu!

No mundo de Aleksandro, o lodo dos lagos traz amontoados de cadáveres que ele, lobo, come ao lado do Lobo Rosnando. Grunhidos são as comunicações entre Aleksandro e o Lobo Rosnando, grunhidos de satisfação pela alimentação com a carne de cadáveres, carne fresca, carne de sabor impecavelmente deliciosa e temperada com o sangue das folhas das árvores. Em especial, há dois cadáveres que sempre estão sendo devorados e nunca, por completo, são devorados. Elementariamente anacrônicos, infalivelmente crônicos, os cadáveres, em trabalho de fazerem Aleksandro e o Lobo Rosnando um apenas Ser de muito ódio por nunca conseguir fazê-los desparecer, ainda falam de amor... Falam, os cadáveres no mundo da criança autista e cancerosa, no mundo de Aleksandro, falam de amor... Cadáveres falando de amor... Aleksandro compreende toda vez que eles falam de amor, compreende e se enfurece... O Lobo Rosnando compreende toda a fúria de Aleksandro e perfura os seus tímpanos, refazendo-os depois, toda vez que os cadáveres falam de amor... Amor, falas de amor... Amor, exacerbadas disssertações sobre o amor... Amor, discursos dedicados sobre o amor... Amor no mundo de um lobo... Um lobo que na superfície é filhote que não cuida de si mesmo... Um lobo, o mais selvagem e desconhecido dos ferozes lobos, irracional e racional em infinita zona de conflitos geradores de um desejo de descanso sem mais nenhum torpor! O lobo deseja descansar! Aleksandro, o lobo, deseja descansar! Aleksandro quer ser O Lobo Descansando! Aleksandro! Lobo! Descansando! O Lobo Rosnando não permite que Aleksandro desenterre Aquele que assassinou, o Lobo Descansando... E, no inconsciente de Aleksandro, vai mantendo aqueles doisindesejáveis cadáveres irritando-o ao falarem sempre de amor... Lobo Rosnando, exímio predador, sabe que pode correr por outros mundos. Lobo Rosnando, extremo predador, sabe que pode saborear outros cadáveres em outros mundos.

Nosso mundo, agora, a Terra, o Planeta Terra. Estamos no dia do aniversário de Aleksandro, aniversário de dez anos, o seu último aniversário. Angelina e Lauro a ninguém mais convidou, decidiram que eles e o filho passariam, sozinhos, essa data juntos, unidos em nome do... Bem, Angelina está com Aleksandro eme seu colo, no sofá, onde Lauro também está.

- Todo dinheiro que gastamos...

- Lauro, não falemos em dinheiro, pelo menos, hoje...

- Não, eu não me lamentaria por... Meu Deus, Angelina, nosso filho vai... vai...

- Não existe o que se denomina morte entre os espíritas, eu não creio que o nosso filho se separará de nos definitivamente.

- Angelina, fui criado em uma família protestante e...

- Aceitou muito bem a doutrina que sigo, Lauro, apesar da sua família ter tentado nos separar.

- Amo você, amo Aleksandro e a minha família...

Amor, falando de amor.

Um lobo rosna...

- ... não tem direitos sobre meus sentinentos direcionados a vocês dois!

- Lauro, não se...

- Eles, meus pais, meus irmãos, meus tios, meus primos , meus sobrinhos, não compareceram ao noso casamento. Até que isso eu superei, mas não o fato deles não terem vindo aqui em nossa casa uma vez sequer... Isso, Angelina, eu não vou superar...

- Eu te amo, Lauro, e...

Amor, falando de amor.

Segundo rosnado de um lobo...

- ... o mesmo amor, inexplicável...

Amor, falando de amor.

O lobo rosnando...

- ... eu sinto pelo Aleksandro! - Angelina a este beija no lado direito do rosto. - Eu te amo, Aleksandro!

Amor, falando de amor...

Lobo, lobo rosnando...

- E te amo, Lauro, te amo! - Beija os lábios de seu marido.

Amor, falando de amor...

Lobo, rosnado...

- Angelina, te amo, te amo, te amo! - Lauro beija-a desesperadamente no rosto todo.

Amor, falando de amor...

Lobo a rosnar...

- Aleksandro, venha! - Lauro o põe ao colo, beijando-o. - Seu pai, aqui te ama, te ama, te ama!

Amor, falando de amor...

Falando e transmitindo... transmitindo... transmitindo... amor...

O lobo já ouviu muito de amor antes dos lábios de Angelina e Lauro. Ouviu e não gostou nem um pouco, pois ele não se sente amado, pois é tratado como um objeto quebrável. O lobo já ouviu muito disso deles e se achegou mais ainda ao Lobo Rosnando. O lobo rosna fora de seu mundo...

O lobo rosna...

Angelina a ouvir o rosnado!

Lauro a ouvir o rosnado!

Pais surpresos!

Pais mais desepserados!

- Ele está passando mal! Lauro, o carro! Lauro, prepare o carro!

- Angelina, eu já vou, calma, calma, calma! - Ele põe Aleksandro ao colo dela e corre em direção à saída do luxuoso apartamento onde residem.

- Filho, mamãe vai te levar para o Doutor Barcellos! Fica calminho, mamãe vai te levar! Mamãe vai te levar! - Chora, beija-o, grita, chamando a atenção dos vizinhos pelo corredor do andar do luxuoso prédio no qual reside.

- Vamos, elevador, vamos, vamos , vamos! - Lauro, desesperado, em frente ao elevador.

- Pelas escadas, Lauro, pelas escadas!

- Angelina!

- Vou descer por aqui! Nosso filho não vai morrer assim! Nosso filho não vai, Lauro, não vai!

Ela corre, com o filho nos braços, para a escadaria, seguida por Lauro. Descerão doze andares de escadaria até o estacionamento. O desespero deles, o choro deles, se eleva porque Aleksandro rosna cada vez mais alto. Apenas rosna, não está a debater-se, não está a gritar, não está a demonstrar nenhuma dor. Eles descem, como relâmpagos, os degraus, sem temor de cairem, quebrarem os pescoços, quebrarem os braços, quebrarem as pernas!

Angelina, a mãe, correndo, chorando, gritando:

- Te amo, te amo, te amo, Aleksandro!

Lobo em rosnados...

Lauro, o pai, correndo, chorando, gritando:

- Deus, Deus, Deus, salva o meu filho, salva o meu filho! Te amo, Aleksandro! Te amo!

Lobo e seus rosnados...

- O carro, o carro! - Quase que de imediato, após terem saido de seu apartamento, chegam ao estacionamento. - O carro, Lauro! O carro!

- Ali, Angelina, ali! - Corre em direção à possante Ferrarri, recém-adquirida, de cor branca. - Entra, Angelina! - Abre a porta do banco de trás.

- Rápido, Lauro! Rápido!

Lauro dá a ignição no carro e parte em disparada. O portão do estacionamento automaticamente abre-se e outra disparada. É um domingo, uma noite de domingo, de trânsito quase inexistente, em uma pequena cidade litorânea onde a maioria da população possui boas condições finaceiras. Lauro submete toda a potência do carro em sua desesperada corrida em direção ao hospital, vinte e sete quilômetros distante de onde reside. Angelina abraçada ao filho, chorando, falando enloquecida e ininterruptamente te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo...

O lobo rosna com mais força!

Com mais força!

O lobo rosna!

Mais força!

Angelina nem se dá conta quando Aleksandro crava em sua garganta os dentes, enfurecido, mordendo com uma ferrenha vontade de dilacerá-la! Ela grita!

- Angelina!

Lauro, pelo retrovisor dentro do carro, vê o que ocorre e nem acredita!

- Aleksandro, o que...

Aleksandro salta para a frente e morde o pai no rosto, tencionando arrancar-lhe a face com a mesma ferocidade utilizada para matar a mãe! Lauro larga o volante e tenta tirar o filho de sua frente, mas não adiante, o lobo, rosnando, possui a força de cem mil homens e a potência de seus dentes e dez mil vezes superior a qualquer que seja conhecida! Sem o controle do carro, este desgoverna-se e sai da estrada, entrando em um campo que leva ao mar! Antes de cair ao mar, a Ferrari branca capota! Capota sete vezes! E explode ao bater nos rochedos onde cai!

A explosão cessa os rosnados!

Rosnados cessam!

Cessar de rosnados!

Grande cessar de rosnados!

Grande cessar!

Grande!

Cessados rosnados!

Pelo menos, aqui em nosso mundo, eles cessam...

Não estamos mais no mundo de Aleksandro. Não estamos mais em nosso mundo, o mesmo mundo de Angelina, o mesmo mundo de Lauro. O mundo no qual estamso agora é muito amplo, é muito denso, é muito confuso para muitos, menos para Aleksandro. Deitado e adormecido perto de um lago apodrecido, o lobo consegue descansar. O Lobo Rosnando não precisa mais rosnar. O Lobo Descansando, o lobo que é uma criança adormecida em um mundo sem autismos e cânceres, quer, unicamente, silenciosamente uivar e descansar...

E sem saber de um amor que se trata apenas de uma profunda piedade muitíssimo bem disfarçada.

Neste mundo onde estamos, também, os rosnados cessam, cessados os rosnados.

Inominavelmente descansando,

Inominável Ser.

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sábado, 27 de outubro de 2007

Sobre Armada!


As tolices eu odeio,

As imbecilidades eu odeio,

As putarias eu odeio,

O meu próprio ódio eu odeio,

E armada estou com uma pistola

Pronta para acertar o primeiro

Que ousar me dizer

Que eu estou errada

Em até odiar a mim mesma!

Com o olhar fuzilante percorro as ruas

Pronta para disparar o meu ódio,

Pronta para vomitar minha ira,

Pronta para beber um outro copo de cólera

Com o sabor de sangue,

Sangue que anseio,

Sangue que me provoca!

Não quero crianças perto de mim,

Não quero adultos perto de mim,

Não quero animais perto de mim,

Sou psicopata elevada,

Sou psicopata verdadeira!

Carrego a minha pistola

Sempre carregada

Para encarar o estúpido indivíduo

Que for tentar provar

Que eu devo ser

Uma puta de uma menininha certinha,

Uma cadela de igrejinhas,

Uma arrombada de escolinhas,

Uma mulherzinha escrota qualquer,

Pois eu sou filha de Lilith

E não de Amélia!

Estou armada

De sangue e balas,

Pronta para esfacelar a sua cabeça

E sua intenção!

Deixe-me em paz,

Não me toque,

Estou armada

E sedenta por sangue!

Charles Mason é o meu ídolo,

O Diabo é o meu pai,

Lilith é a minha mãe,

Concedo holocaustos

Aos Demônios Dos Abismos!

Os holocaustos são os sangues

Dos estúpidos vermes escrotos

Que me disseram para ser diferente!

Eu não quero ser diferente,

Eu quero ficar sozinha,

Sozinha com o meu ódio,

Sozinha com a minha pistola,

Sozinha com as minhas balas,

Prontas para foderem a sua cabeça

Se tentar me tirar

Da minha escolha em ser

Um abismo de ódio!

Meu ódio

Em meus olhos

E em minhas mãos,

Vou te levar ao inferno

Apenas com uma bala!

E com todas as outras balas

Enfrento os teus amigos,

Enfrento a tua família,

Mato todo mundo,

Fujo para uma ilha

E fico lá sozinha

Para o resto da porra

Da minha odiosa vida!

Agnes Mirra

&

Inominável Ser

Inomináveis Saudações a todos.

O poema acima foi publicado originalmente no blog Delírios Inomináveis em 30 de novembro de 2006. Escrito por mim e por Agnes Mirra, é considerado, por este Inominável Ser que vos fala, uma grande demonstração de revolta e de ódio, até contra si mesmo, de um ser conturbado e conturbado.

Armada! cativou-me pelo seu aspecto realístico, pois apresenta uma criatura que não se pode chamar de heroína e nem de anti-heroína, mas uma vilã das mais perfeitas. O poema foi escrito sob a ótica dessa vilã, mas, inominavelmente, pode-se concluir que a personagem escapa a todo tipo de rótulos e significados possíveis. Acreditem, no entanto, que ela é uma vilã; e, sob a ótica desta vilã, decidi me dedicar a desenvolver uma série de contos a abordarem as suas idas e vindas em um mundo para o qual este no qual vivemos se encaminha caso não despertemos para a Realidade Existencial Caótica que nos cerca a fim de destroná-la de seu império.

Não esperem de Armada! atitudes de heroísmo, mas muita poesia e balas, seja contra quem for. Não se trata aqui de exaltar uma atitude vilanesca, mas de expressar uma atitude de tal tipo adentrando na psique da personagem, tanto que os contos serão todos em primeira pessoa. É Armada! quem falará convosco, apenas Armada! O mundo dela lhes será apresentado mais com o tempo, tal personagem já ganhou existência própria, além de seu autor e além deste blog. Dou existência real a todos os meus personagens e jamais desenvolveria personagens superficiais que apenas atuassem como bonecos seguidores dos cursos normais e anormais existenciais.

Nada de um nome para ela. Ela será por todos chamada de Armada. Pequenos, muito pequenos mesmo, fatos do passado dela serão revelados, assim como a estrutura organizativa do mundo no qual ela reside. É a Terra, a nossa Terra, mas detonada, como visto no primeiro conto, por uma guerra mundial insana e brutal. Insano e brutal é o mundo de Armada!, o bizarro caminha ao lado dos momentos de ultraviolência e falta de sensibilidade a acometer todos, ou quase todos, como veremos em contos a serem realizados e postados aqui mais à frente.

Mantive todas as características dela descritas no poema acima. Quanto aos ratos que ela cria, como ela mesma esclareceu servem apenas como banco de sangue para os seus rituais dedicados à sua Protetora, Lilith. Ela detesta animais, assim como crianças e demais seres, pensando apenas em si mesma, querendo apenas sobreviver e não ser incomodada por ninguém. À mínima provocação ou um olhar direto que indique-lhe desafio, uma bala ela mete em vossa cabeça. É assim que Armada é, uma radical e louca criatura que apenas age e pensa conforme a quantidade de balas em Delicada, sua amada pistola.

Perita em todos os tipos de armas. Mestra em todas as Artes Marciais. Maga. Armada. Armada! Caso queiram esclarecimentos sobre os contos, os pormenores deste, estou aberto a todo tipo de pergunta e, com todo o interesse e ba vontade, a todos responderei. Deixem as indagações nos comentários e todas as dúvidas convosco tirarei. Continuarei seguindo adiante com esta página, dialogando convosco acerca de Armada!.

Aos que seguirem lendo Armada! prometo balas, balas, balas, infinitas balas saídas de Delicada e explodindo nas faces dos inimigos dela. Parafraseando Frank Miller, quero contar apenas uma boa história.

Saudações Inomináveis a todos.

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Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

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