segunda-feira, 14 de maio de 2007

Viagem Pelo Torpor Da Destruição


Pensamentos monótonos todo dia. Ônibus monótono todo dia. Viagens monótonas todo dia. Os mesmos motoristas monótonos todo dia. Os mesmos passageiros monótonos todo dia. Rita Cardoso Maia de Alencar e Silva, secretária executiva da Milton Bush Inc., multinacional instalada na Cidade Dos Encantados Sorrisos, a 1,4 km do centro da cidade do Rio de Janeiro, é a monótona pensadora dessas monótonas viagens de ônibus efetuadas todo dia com os mesmos monótonos motoristas, os mesmos monótonos passageiros. A linha 2718-BC percorre monótonos 213 km todo dia, da Barra Das Alegrias, cidade na qual Rita reside, até o trabalho. Rita acorda às 03:00 h todo dia e a sua monótona rotina monótoma toda manhã é esta: banho, café-da-manhã, arrumar-se para o trabalho e sair. Rita, muitas vezes, adormece. Rita, muitas vezes, fica a ler uma revista. Rita, muitas vezes, fica a ler o jornal do dia. Rita, muitas vezes, fica a apenas admirar a monótona paisagem dos lugares que o monótono ônibus percorre. Hoje, Rita não faz nada disso, está inquieta, está incômoda, pois a viagem não está acabando.

Os demais passageiros, conversando muito, não notem o não-acabar da viagem. Ônibus lotado, sessenta e seis passageiros sentados e trinta e quatro passageiros em pé. Sentada na janela, ela vê diferente todas as ruas do Rio de Janeiro. O que parece ser a Avenida Rio Branco, o que parece ser, densamente está modificado. As pessoas nas ruas são diferentes. As pessoas mesmas, no ônibus, são diferentes. São ainda monótonas, aos olhos de Rita, que jamais trocara uma palavra com qualquer uma delas. O ônibus pára em um ponto estranho e um senhor de idade, aparentando ter setenta anos, entra. A monótona passageira ao lado de Rita ergues-e para dar lugar ao senhor. Rita assusta-se, pois em pleno calor de 42º à sombra, verão assustador, o senhor que sentou-se ao seu lado está com um grosíssimo sobretudo de lã negra, chapéu negro e óculos escuros gigantesco a ocultar-lhe os olhos em seu todo.

Rita acha-o um tremendo louco. E repara que ninguém mais no ônibus está a espantar-se com o senhor ao seu lado. Ela fita-o, não consegue parar de fitá-lo. Ele sequer olha para ela. Rita não consegue parar de fitá-lo. Ele continua a olhar para a frente, impassível, silencioso, sinistro, misterioso. Rita gera uma compulsão em seu Ser, que a leva a não parar de fitar o senhor que sentou-se ao seu lado! Ele, sem olhar para ela, olhando apenas para a frente, diz-lhe:

- Viagem inacabada, deprimida Rita?

A voz do senhor que sentou-se ao seu lado aniquila tudo no interior de Rita. Voz abismal. Voz tenebrosa. Voz que ela conhece.

- Viagem inacabada, deprimida Rita?

- Nunca acaba a minha viagem, senhor...

- Parece que esta é interminável, deprimida Rita.

- É apenas o trânsito, senhor...

- O trânsito, aqui, não é engarrafado, deprimida Rita.

- Aqui é o Rio de Janeiro, senhor, em uma segunda-feira, e o engarrafamento é normal...

- Nervosa por causa desta viagem interminável, deprimida Rita?

- É a viagem que faço todo dia, senhor... Todo dia...

- Nervosa por causa desta viagem interminável, deprimida Rita?

- Esta viagem não quer terminar, senhor... Não quer terminar, senhor... Não quer terminar, senhor...

- Estás a repetir vossas palavras, deprimida Rita. Estás nervosa, deprimida Rita.

- Não estou nervosa, senhor.

- Por que tremes, então, deprimida Rita?

- Esta viagem não termina, senhor...

- Por que tremes, então, deprimida Rita?

- Não estou a tremer, senhor... É a estrada, senhor... Estamos percorrendo uma estrada, senhor...

- Tu percorres esta estrada todo dia, deprimida Rita. Tu suportas as monotonia desta estrada todo dia, deprimida Rita. Quando descansas de toda monotonia vossa, deprimida Rita?

- Tenho que trabalhar, senhor... A monotonia é uma conseqüência do meu trabalho, senhor... Meu trabalho é mais importante, senhor... Muito mais importante, senhor, do que a monotonia que me atormenta...

- Seria a monotonia uma sensação de culpa transformada em algo que te sufoca todo dia, deprimida Rita?

- Saltarei no próximo ponto, senhor, dê-me li...

- Deprimida Rita, saibas que aqui tu és apenas mais uma criatura na estrada. Não se levantes daqui deste banco, neste ônibus, deprimida Rita. Tu não sabes que aqui é mais seguro do que lá fora, deprimida Rita?

- Essa viagem interminável... Senhor, quero chegar ao meu trabalho! Quero chegar ao meu trabalho, senhor!

- Vosso trabalho faz parte do destino deste ônibus nesta estrada, deprimida Rita?

- Toda estrada encaminha-se para um trabalho definido, senhor... E eu tenho que trabalhar, senhor! E eu quero trabalhar, senhor! Quero chegar ao meu trabalho, senhor! Quero falar com o meu patrão, senhor! Quero falar com os meus colegas, senhor! Quero o meu trabalho, senhor! Quero o meu trabalho, senhor! Quero o meus trabalho, senhor!

- Deprimida Rita, tu não tens colegas em vosso trabalho, não falas com ninguém nele, vives pelos cantos, vives em ti mesmo, em vosso autismo existencial.

- Preciso, unicamente, trabalhar, senhor...

- Deprimida Rita, tu não és nem amiga de vosso patrão, tu o detestas, tu o desprezas, tu o humilhas com os teus pensamentos.

- Preciso, unicamente, trabalhar, senhor...

- Deprimida Rita, tu não tens o amor de um homem, tu não te casastes, tu não tivestes filhos, és uma solitária, és uma infeliz.

- Preciso, unicamente, trabalhar, senhor...

- Era o que a tua mãe dizia todo dia, deprimida Rita.

- Preciso, unicamente, trabalhar, senhor...

- Era o que eu dizia todo dia, deprimida Rita.

- Preciso, unicamente, trabalhar, senhor...

- Lembras daquele dia, deprimida Rita? Daquele dia, deprimida Rita?

- Preciso, unicamente, trabalhar, senhor...

- Tu, deprimida Rita, arrancastes-me os olhos com uma colher de pedreiro, enquanto eu estava entorpecido por uma droga que pusestes em meu vinho.

- Preciso, unicamente, trabalhar, senhor...

- Tu, deprimida Rita, com a frieza dos mais vis assassinos impiedosos, me fez engolir, picados, os meus olhos, quando recuperei totalmente a consciência e fui por ti amarrado em uma cadeira, nu e indefeso.

- Preciso, unicamente, trabalhar, senhor...

- Tu, deprimida Rita, mataste a tua mãe à minha frente com cinco mil facada por todo o corpo.

- Preciso, unicamente, trabalhar, senhor...

- Tu, deprimida Rita, me mataste, o vosso pai, esfolando-me primeiro, lançando dois litros de gasolina em mim, e acendendo trinta velas em meu redor, que ao alcançarem o chão e tocarem na gasolina com os pavios, causaram minha morte mais terrível.

- Foi, unicamente, o meu trabalho, senhor...

- Tu nos matastes, deprimida Rita, porque tinha vergonha de nós. Tu nos matastes, deprimida Rita, porque eu era um fazendeiro com nenhuma instrução e a vossa mãe uma parteira humilde. Tu nos matastes, deprimida Rita, para sozinha arriscar-se pelo mundo. Tu mudastes de sobrenome, mas continuas a ser a mesma Rita, a filha assassina minha, a filha assassina da vossa mãe.

- Foi, unicamente, o meu trabalho, senhor...

- Findado está o vosso trabalho, filha que assassinou-me. Aqui eu abri meus Olhos. Abra, aqui, os vossos Olhos.

Rita sente diante de si assim como se infinitos Véus se abrissem e ondas de um nefasto mar se aproximassem. Ela se vê entre os escombros de um ônibus, se vê entre cadáveres, se vê como uma dos cadáveres. Rita, então, compreende, que o seu trabalho no mundo que conhecia findara-se. Rita, então, atormentada, grita. Rita, estremecendo mais, se cala. Rita, olhando para o seu pai, estremece mais. Rita olhando para quem está ao lado de seu pai, em pé, reconhece a mãe que assassinou por ter vergonha dela e a odiar, assim como fizera com o pai. Rita, olhando para todos os passageiros, finalmente reconhece-os e compreende o porquê de achá-los monótonos todo dia no qual esteve no mundo que conhecia.

- Para onde vai esta viagem nesta estrada, senhor?

- Todos aqui te queremos, minha filha que me assassinastes. Durante quinze anos terrestres vós viajastes em ônibus com todos os que maltratastes em vossas inumeráveis existências anteriores. Os Senhores Da Reencarnação deram-te chances de redimir-se, mas tu lançastes todas estas chances no limbo cometendo existência após existência incontáveis atrocidades. Tu nos matastes, a mim e à tua mãe, e a todos os demais sempre, escapando por causa das Leis que regem A Lei Da Regeneração Dos Espíritos. Mas, continuando a ser como sempre fostes desde que no mundo material pela primeira vez te encarnastes, O Porteiro Dos Vales deu-nos tu para compensar-nos das dores eternas ocasionadas pela vossa malignidade eterna.

- Para onde... para onde... senhor... Para onde vais esta viagem nesta estrada?

- Esta viagem destina-se à vossa Destruição Eterna. Este ônibus pertence à Linha Da Estrada Da Deusa Destruição. Todas as inumeráveis mortes horrendas que vós nos causastes, vossos pais em todas as existências, e aos demais neste ônibus, lhe serão devolvidas. Devolvidas eternamente.

- Tudo foi, unicamente, o meu trabalho, senhor... O meu trabalho, senhora... O meu trabalho, senhores...

- Vosso Patrão a despediu e estás sem o vosso trabalho, filha que me assassinastes. - Ele tira os óculos escuros; Rita fecha os olhos. - O nosso Trabalho Eterno, em ti, unicamente será o nosso Consolo Eterno.

Rita, agora, não achará mais as suas viagens de ônibus monótonas.

Rita, agora, terá apenas uma viagem.

Rita, agora, seguirá eternamente em uma viagem agitada...


Inominavelmente viajante de ônibus,

Inominável Ser.



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terça-feira, 8 de maio de 2007

Os Raios Do Sol Sangrento

A sensação pura do desgaste é a soma dos grandes dias desastrosos de Augustus Mayer. Quem seria Augustus Mayer é uma indagação que supõe o que não seria Augustus Mayer caso sua existência se fiasse apenas em indagações que possam levar a conclusões negativas ou positivas. Augustus sempre foi uma criatura a ver o sangue nos raios solares e a desejar que o sol se extinguisse. Augustus sempre reclamara do sangue escorrendo por todos os lados ao sair de casa com os seus pais e irmãos. Diante dos crânios deles que aos doze anos arrancara com um machado, ele disse:

- Sofri vendo isso... Eu sofri... Eu sofri... O que me fizeram? Nenhum de vocês via Os Raios Do Sol Sangrento?

Augustus vigilante sempre saía de casa, sempre, nos dias mais ensolarados, como nos dias mais chuvosos, de óculos escuros. Ele saia assim, mas o sol continuava a sangrar, os raios solares continuavam a ser gotas de sangue escorrendo por todos os lados. Aos quinze anos, residindo na rua, após matar uma criança de rua de sete anos a pancadas, Augustus a este disse:

- Eu sofri... Eu sofri... Lembra que eu te falei muito do que me fizeram? Me fizeram ver isso... Você não via Os Raios Do Sol Sangrento?

Permitindo-se caminhar mais à noite, Augustus sentia-se como um ser lupino, a lua lhe confortava. Isso foi até os dezoito anos, quando a lua passou, para ele, a refletir sangue, sangue advindo da luz solar que ela refletia. O momento do preço a ser pago por isso foi mais agonias, mais sintonias com o Terrível Do Sol Sangrento, uma maldição, uma sina, uma senda de confusão infinita e caos absorvedor do Eu que lutava, lutava e lutava para estabelecer-se dignamente lúcido em um mundo recheado de Raios Do Sol Sangrento. Aos dezoito anos, diante de uma policial estuprada com um pedaço de bambu pelo cu e morta empalada por estacas de ferro na buceta, Augustus a ela disse:

- Eu denunciei isso... Eu denunciei... Te falei dos Raios Do Sol Sangrento... Te falei do que me fizeram... Você não via Os Raios Do Sol Sangrento?

Caindo sangue em raios solares. Ondas sangrentas a cada palmo de caminho terrestre. "Resista, resista, resista", uma voz desconhecida a Augustus dizia. "Faça mais sangue advir do sol, faça mais sangue advir do sol, faça mais sangue advir do sol", uma outra voz desconhecida a Augustus dizia. A fome, a sede, eram-lhe desconhecidas. Ele não comia. Ele não bebia. Ele não tomava banho. Ele não dormia. Ele não cheirava mal. Ele estava sempre limpo, nem parecia um mendigo. Sempre limpo, Augustus era alimentado pelo Sol Sangrento. Sempre limpo, Augustus sorvia Os Licores Sangrentos Do Sol Sangrento. Sempre limpo, Augustus era banhado todo pelo Sol Sangrento. Sempre limpo, O Sol Sangrento mantinha-o desperto. Sempre limpo, O Sol Sangrento, mantinha-o bem asseado. Aos vinte e cinco anos, diante dos cadáveres de oito bebês estrangulados de madrugada em uma maternidade, Augustus a eles disse:

- Eu chorava... Eu chorava... Eu chorava... Ninguém ouvia... Eu choro, ninguém ouve... Ninguém ouve... Sangue nos raios solares... Sangue no sol... Vocês não viam Os Raios Do Sol Sangrento?

A Presença Do Sol Sangrento seguiu, perseguiu, atormentou Augustus durante trinta anos. Trinta anos, os raios solares caindo na Terra como sangue aos seus olhos. Trinta anos, O Sol Sangrento fazendo-o sangrar...

Aos mesmos vinte e cinco anos, estuprou e matou vinte mulheres, sempre depois perguntando-lhes:

- ... Vocês não viam Os Raios Do Sol Sangrento?

Aos vinte e seis anos, estuprou e matou vinte homens, sempre depois perguntando-lhes:

- ... Vocês não viam Os Raios Do Sol Sangrento?

Aos mesmos vinte e sete anos, queimou vivos quarenta idosos, sempre depois perguntando-lhes:

- ... Vocês não viam Os Raios Do Sol Sangrento?

Aos vinte e oito anos, esquartejou trinta crianças, sempre depois perguntando-lhes:

- ... Vocês não viam Os Raios Do Sol Sangrento?

Aos mesmos vinte e oito anos, matou a marteladas cem mulheres grávidas, sempre depois perguntando-lhes:

- ... Vocês não viam Os Raios Do Sol Sangrento?

Aos vinte e nove anos queimou duzentos prédios e matou duas mil e quinhentas pessoas, sempre depois perguntando-lhes:

- ... Vocês não viam Os Raios Do Sol Sangrento?

Aos mesmos vinte e nove anos, matou cento e cinquenta meninas pré-adolescentes e duzentos meninos pré-adolescentes, arrancando-lhes as glotes a dentadas, sempre depois perguntando-lhes:

- ... Vocês não viam Os Raios Do Sol Sangrento?

Aos trinta anos, não resistindo aos Raios Do Sol Sangrento, deixou-se ser pego pela polícia após chacinar treze membros de uma família de policiais. Augustus deixou-se atingir por trezentos tiros e caiu entre Os Raios Do Sol Sangrento, a céu aberto, em pleno sangrento meio-dia.

Augustus desceu aos Infernos e estuprando cada Demônio e o próprio Diabo, lhes perguntava ao final, já que não podia matá-los:

- ... Vocês não vêem Os Raios Do Sol Sangrento?

Augustus subiu aos Céus e após estuprar as Virgens Santas, os Arcanjos, os Cristos, os Anjos, meteu-se a enfiar o pau no cu de Deus e a perguntar-lhe ao final, já que não podia matá-Lo:

- ... Você não vê Os Raios Do Sol Sangrento?





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quarta-feira, 2 de maio de 2007

Cíntia Sufocada

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

A cadência dos dias para Cíntia é a pura desenfreada atitude dos raios invertidos dos sóis que ela mede em sua mente. A decadência das noites para Cíntia é a impura freada de seus sentimentos em direção a um norte melhor que precise de um sul mais bonito, de um leste menos doloroso e de um oeste mais faceiro. Cíntia é uma mulher de horizontes múltiplos, senhora de si como a nuvem dos mais belos mundos que vaga pelas marés das galáxias como chuva a conter as plenas graças e as lentas desgraças. Extremos horizontes povoam Cíntia, horizontes de um azul intenso de energias primorosos, horizontes de um cinza úmido de elegantes mentiras, horizontes de um marrom rústico de insinuantes doutrinas. Cada palmo dos seus pés divide espaço com cada resto de nulidade e de afirmação do que se pode crer possível em apenas trinta e cinco anos de idade. Balzaquiana Cíntia Sufocada está por causa da sua rotina de ir além do que pode e de voltar aquém do que não pode ao mesmo ciclo de desesperos e mortes superiores.

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Cíntia nasceu no berço de ouro de uma família abastada, cresceu patricinha, foi na adolescência retardada como a maioria das adolescentes é. Rica, riquinha, podrezinha de rica, Cíntia utilizava a sua beleza bastarda para angariar a simpatia da lesa rapaziada de sua circular vida de garotinha mimadinha. Dinheiro ia, dinheiro ia, dinheiro do papai, dinheiro da mamãe, tudo tinha, tudo obtinha, era tudo de Cíntia! A menina cresceu assim, um tanto quanto como um furacão sem destino, um carrossel desgovernado sem sentido, um aluvião de demências infinitas. Cíntia, uma demente, despreocupadamente seguindo a escola de John Constantine, sem saber quem na verdade é John Constantine. Conheceu um dia Hellblazer e se identificou com John Constantine. Mas, pobre Cíntia, ela não tem sequer a malícia e a vivacidade de John Constantine. Podre Cíntia, não sabe nada de John Constantine e nem sabe nada da vida real. Cíntia Sufocada vagava roída pelas esquinas, em Porsches e Guccis da vida rica que mantinha, sufocada ela dormia, sufocada ela acordava, sufocada ela ia, sufocada ela vinha, sufocada ela permanecia.

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Cíntia rica se tornou vadia. Cíntia rica se tornou vagabunda. Cíntia rica se tornou garota de programa. Riquezas e berço de ouro Cíntia possuia, mas quis seguir a partir dos vinte e um anos de sua vida rica por um caminha que a satisfazia. Caminho de sexo, homens brancos, homens negros, todos os homens, todos os tamanhos, todos os tipos de posições, Cíntia deusa do sexo em dois meses de profissão tornou-se. Cíntia se dava, Cíntia dava, assim ia a menina nascida rica ao abismo de suas próprias ilusões, fã de John Constantine, mas mais fã ainda de uma puta meretriz antiga de beira de esquina denominada A Puta Que Nem Buceta Mais Possui Por Ter Sido Bastante Puta Vinte E Quatro Horas Por Dia. Prostituta Cíntia, abandonou a família, caiu na vida morta a qual se orgulhava, mas sufocada, sufocada, sufocada... Cíntia Sufocada, sexy e elegante, discreta e sedutora, tesouro de mulher insatisfeita, testamento de uma herança toda de devaneios e ilusões de que o sufocamento passaria.

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Cíntia mais rica, prostituta requisitada muito por políticos e artistas. Cíntia bandida, roubava maridos, roubava felizes vidas, roubava suas próprias infelizes mortes a cada homem que lhe penetrava. Cíntia morria sufocada a cada foda paga e fingia prazer canalha apenas para ser muitíssimo bem paga. Na hora da penetração Cíntia imaginava o céu de janeiro em pleno verão, ela brincando em belas praias com os três irmãos, o que fazia nos antigos tempos de menina rica mimadinha. Mimadinha Cíntia deixou de ser e Chupadinha e Chupadora veio a ser pelas mãos de homens com os quais fingia sentir todo tipo de prazer. Cíntia decidiu-se por assim viver, mas cagava de horror ao ter que abrir as pernas ou ficar de quatro para ter mais dinheiro. Ter mais dinheiro, ganho com o enredo de seu belo corpo de mulher que se exercitava em academias de ginástica, sambando na cama em ritmos frenéticos de bacanais insanos, para ela quase lhe fazia não se sentir sufocada. Mas, o sufoco continuava, o sufoco, o pleno sufoco, a cada sexo oral, a cada sexo vaginal, a cada sexo anal, que dava, que recebia, que rejeitava, que desprezava, que era a existência que escolhida havia sido por ela em uma noite, em um dia, fora do tempo ou distante do Tempo, de sufocamento mais aflitivo. Cíntia Sufocada se fazia a hipócrita maior da cama, rolava como pena, sentava como ramo de árvore caindo, deitava como romã doce sendo saboreada, sufocada ao ter que ser requisitada em atos que a humilhavam, em atos que escolheu com a via de seu existir.

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Cíntia fisicamente era uma barata que sobrevoava serelepe e sonhadora pelos pratos de comida oferecidos pelo dinheiro. Cíntia fodia e se deixava foder para ter mais dinheiro do que tinha quando residia com a família em mansão na qual era uma mimadinha. Cíntia barata lambia os pratos, as asas caiam e cresciam, as asas batiam e quebravam-se contra as paredes que a sufocavam. Os Reinos Estranhos a rodeavam. Os Reis Estranhos a tocavam. Os Súditos Estranhos a espezinhavam. O Estranho a acometia de dores que faziam-na ranger os dentes de ódio, ódio por ser de tribo que não se dá bem com a Tribo Estranha. Muitos a sufocavam. Todos a sufocavam. Os Estranhos, desde criança a sufocavam. Para ela, Eles diziam ser os Senhores Da Porra Humana e a denominaram de Porra De Mulherzinha Rica E Mimadinha. Os Estranhos perseguiam Cíntia desde criança. Ela comia e Eles penetravam nela pela boca. Ela cagava e Eles penetravam nela pelo cu. Ela urinava e Eles penetravam nela pela buceta. Os Estranhos a sufocavam pelos dias sufocantes, pelas noites sufocantes, eram-lhe medonhos amantes, eram-lhe terríveis amantes. Por isso, Cíntia foi ser prostituta, queria ser penetrada pelos Conhecidos, os homens do mundo, os homens que podia ver, os homens que podia saber serem materiais, os homens que não poderiam sufocá-la. Chupando os paus dos Conhecidos ela tentava não deixar os Estranhos nela penetrarem. Dando o cu para os Conhecidos, ela tentava não deixar os Estranhos nela penetrarem. Dando a buceta para os Conhecidos, ela tentava não deixar os Estranhos nela penetrarem. Mesmo assim, Eles penetravam nela pela boca. Mesmo assim, Eles penetravam nela pelo cu. Mesmo assim, Eles penetravam nela pela buceta. Cíntia Sufocada dos Estranhos não escapava.

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Cíntia. Sufocada. Cíntia. O Sufoco. Os painéis dos anos passavam e os Estranhos mais a sufocavam, desespero, anéis em dedos decepados. Loucura, buscas de soluções múltiplas. Recados, encontros de indevidas formas de salvação em direção de temíveis formas de mais destruição. Vagando, Cíntia foi para a cocaína. Vagando mais, Cíntia foi para a heroína. Vagando um pouco mais, Cíntia foi para o crack. Vagando, adjetivos sufocados, substantivos sufocados, advérbios sufocados, verbos sufocados, Cíntia desceu mais a fundo dos abismos que ergueu e os Estranhos a conduziam para longe dos Conhecidos. O rosto belo, de Vênus do caralho, utilizado na sedução dos Conhecidos tornou-se enrugado, sufocado. Os seios grandes e voluptuosos, de vaca do caralho, tornaram-se murchos, sufocados. O quadril largo, de popozuda do caralho, tornou-se como um caroço de feijão, sufocado. As coxas grossas, de safada do caralho, tornaram-se como palitos de fósforos, sufocados. Cíntia se tornou uma mulherzinha feia prá caralho, horrorosa, inútil como prostituta, sufocada, vadia sem caminho que conduzia a uma cama de homem rico, vagabunda sem cantinho para adormecer o seu ex-rico corpinho, agora pobre corpinho sufocado. Cíntia Sufocada mendingando, os Estranhos festejando, a comida escassa, a luta pela comida grande, brigas, muitas brigas, uma última briga...

A mão...

A mão a sufoca...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Mão... Mão... Mão...

Sufoco... Sufoco... Sufoco...

Roda tudo... Roda tudo... Roda tudo...

Rodopio final... Rodopio final.. Rodopio final...

A mão...

A mão a sufoca...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

A mão de um mendigo gigantesco a envolver-lhe todo o pescoço...

A mão de um mendigo estrangulando-a por causa de um prato de comida jogada fora em um lixão de madrugada...

A mão de um mendigo, um homem com o qual nunca fodera para se verlivre dos Estranhos a... a... a... a.. a... alivia.

Alívio para Cíntia!

Alívio!

Alívio!

Alívio!

Alívio para Cíntia!

Ela sorri sendo estrangulada pelo mendigo com o qual nunca fodera!

Ela sorri sendo estrangulada para o homem, o primeiro homem, que a faz ficar aliviada em seus trinta e cinco anos de sufoco!

Ela sorri sendo estrangulada!

Alívio!

Ela sorri sendo estrangulada!

Alívio!

Ela sorri sendo estrangulada!

Alívio!

Cíntia Aliviada!

Cíntia Aliviada!

Cíntia Aliviada!

Estrangulamento e alívio!

Estrangulamento!

Alívio!

Alívio!

Estrangulamento!

A mão...

A mão a alivia...

A mão a aliviá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Alívio, Cíntia!

Alívio, Cíntia Aliviada!

Alívio, Cíntia Assassinada Estrangulada!

______________________________________

Cíntia Assassinada Estrangulada desperta...

Cíntia Aliviada desperta...

Cíntia desperta em outro horizonte. Este é luminoso. Luminoso. Muito luminoso. Luzes alvas. Luzes rubras. Luzes negras. Luzes cinzentas. Cíntia acha que está em algum tipo de Plano Elevado. Cíntia acha que foi guiada diretamente para algum tipo de Paraíso. Cíntia acha que a sua existência de prostituta a guiou até o lugar luminoso onde agora está. Lugar luminoso. Luminoso. Luminoso. Muito luminoso. E está lotado. Lotado de.. Lotado de... Lotado de... Lotado de...

Cíntia diz um não...

Lotado de...

Cíntia diz um segundo não...

Lotado de...

Cíntia diz um terceiro não...

Lotado de...

Cíntia diz um quarto não...

Lotado de...

Cíntia diz um quinto não...

Lotado de...

Cíntia diz um sexto não...

Lotado de...

Cíntia diz um sétimo não...

Lotado de...

Cíntia diz um oitavo não...

Lotado de...

Cíntia diz um nono não...

Lotado de...

Cíntia diz um décimo não...

Lotado de...

Cíntia diz um décimo primeiro não...

Lotado de...

Lotado de...

Lotado de...

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos: SIM!!!

OS ESTRANHOS GRITAM SIM!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

Cíntia grita não...

Cíntia Sufocada novamente.

Cíntia cercada.

Cíntia tocada.

Cíntia ao chão lançada.

Cíntia com as pernas abertas e seguras por mãos estranhas.

Cíntia Sufocada penetrada pelos Estranhos que agora mostram-lhe os rostos.

Cíntia Sufocada obrigada a chupar os paus dos Estranhos.

Cíntia Sufocada sendo penetrada no cu pelos paus dos Estranhos.

Cíntia Sufocada sendo penetrada na buceta pelos paus dos Estranhos.

Cíntia Sufocada agora é Cíntia Estuprada.


Inominavelmente Sufocado,

Inominável Ser.




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As Crônicas De Tharen - Sharawanloghor Amenar

Chegada as horas das criancinhas ridículas se foderem! Chegada a hora do terror dos tempos novos dos cus sangrando! Chegada a hora da putaria nova dos tempos de novas buscas de uma vida sanguinária mais foda! Chegada a hora, como foi A Hora Da Criação, na qual O Grande Pau Criador Fodeu Com A Grande Buceta Criadora! Fode, fode, fode, fode, ainda O Grande Pau! A Buceta Foi Penetrada E Fez-Se O Esperma, O Gozo De Todas As Coisas! Buceta Arrombada! Criação, então, fodidamente formada! As Coisas todas nasceram! O caralho dos planetas! O caralho das galáxias! O caralho dos universos! O caralho das Raças Da Criação! Mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas... Mas, caralho, Antes Do Todo, Antes Do Nada, Antes Da Foda Fodida Criadora De Todas As Coisas, Havia Algo, Havia Algo, Havia Algo, caralho, Ainda Há Algo! Eu falo da Escuridão! Eu falo da Deusa Escuridão! Eu, caralho, seus merdinhas do caralho, sou uma Filha Da Escuridão!

Tharen Ocitilop Shodolon, ao vosso fodido dispor! Não sou boa (argh! palavra escrota!) em apresentações, mas sei que falo muito bem! Querem saber as minhas origens, vou contar, merdinhas do caralho! Eu sou Filha Material Do Primeiro Ser Da Criação, Thornadoriusis Shodolon, um merdão do caralho que me lançou aos Infernos quando eu nasci porque eu o fiz temer pelo destino do caralho do Império Keauriotheniano dele! Sou do Planeta Keauriothem, Galáxia De Andrômeda, minha mãe foi Artcsom Ocitilop, outra merdona do caralho, que morreu no parto, meus irmãos são Thades, Thidan e Thaiden, outros merdões do caralho, e... Ah, seus merdinhas do caralho, vossos cus já estão sabendo do que eu sou e do que eu não sou, não estão? Então, vamos ao fodido papelzinho meu aqui em minha Existência como Filha Da Escuridão!

Me dei bem prá caralho nos Infernos, dando muito o cu e fodendo bastante uns vermezinhos merdinhas do caralho que encontrei por lá! Comida fui pelo Diabo, por Lúcifer, por Satan, por Asmodeus, por Astaroth, por Baal, por Bael, pelos escrotões maiores todos de lá e comi eles também! Dei chupadas nas bucetonas das Deusas Infernais, fodi com Lilith, fodi com Hecate, de maravilhas em maravilhas assim me tornei uma dos Imperadores Dos Infernos, ou Fogo Eterno, ou Asamaoyfae Adogor, ou qualquer nome de caralho que essa porra aqui tenha! Essa porra? Bem, não tô naquela porra, eu tô passeando, dando umas voltinhas, um mundinho aqui que eu adorei conhecer, um outro Plano, um monte de bonzinhos para a titia Tharen foder... É, as minhas crônicas de merda do caralho fodido iniciam-se logo no primeiro Mundo Inferior que visitei, Sharawanlogor Amenar, governado por Da'iyha, Deus Inferior Das Verdades Da Vida Eterna, Fundador Eterno Da Raça Da1'iyhann, e... Ui, que que eu tô vendo ali, no cantinho dessa estrada aqui? Uma criancinha? Uma menininha? Ah, pobrezinha, titia Tharen vai cuidar dela! Ela tá chorando! Buá, buá, buá!

- Tá chorando aqui sozinha, menininha? Onde estão os seus pais? - Sou bem carinhosa com criancinhas, muito bem carinhosa...

- Meus pais me castigaram!

- Por que papai e mamãe te castigaram, menininha? - Como sou compreensiva e paciente com as criancinhas...

- Porque eu não medi o Sadae'on direito?

- O que é o Sadae'on, menininha? - Pergunto acariciando os cabelinhos roxos da menininha...

- A Antiga Forma Do Livro Das Horas Vitais... Uma... Uma...

- Forma Oculta De Aprimoramento Doutrinário Na Magia Da Vida Eterna. - Como sou inteligente, não, merdinhas do caralho?

- A senhora conhece?

- Conheço coisas bem vitais, menininha... - E senhora é o cuzinho arrombado da mamãezinha, sua piranhazinha escrota!

- Me refugiei aqui quando me castigaram e me perdi! A senhora pode me guiar até minha morada?

- Não sei... O que tem para me oferecer em troca? - Vamos, putinha, faça um trato comigo!

- Não possuo riquezas!

- Mas, possui revolta e ódio, menininha. - Peguei ela! - Revolta contra a obrigação de ter que medir o Sadae'on, menininha. Ódio dos seus pais e de Dai'iyha, menininha.

- Mas, eu não odeio os meus pais e nem ao Imperador...

- Odeia, sim, menininha! - Chega de ser a puta velha boazinha, caralho! - Odeia, sim, sua putinha do caralho!

- O que é uma putinha do caralho?

- Oh, oh, oh, tu não sabe, claro! - É, aqui é outro Plano Físico, bem diferente do caralho dos Infernos e de um certo mundinho azul que eu, futuramente, vou visitar... - Menininha, uma putinha do caralho é alguém muito importante, alguém que sabe exatamente ser honesta e íntegra em suas verdades interiores! Tu é assim, menininha, tu é! Não minta prá titia Tharen e nem para o olho do seu cuzinho, menininha! Olha, é bom que tu aceite esse ódio, menininha, é muito bom, ódio é bom! Muito bom!

- Ódio É Força...

- Ah, porra, esquece essa Filosofia Do Certo Até No Cagar, menininha putinha do caralho! - Vou guiar isso até o fim, já venci meu joguinho! - Tu é uma putinha linda, tem que odiar! Odeie mesmo! Odeie mesmo! Odeie mesmo! Sabe o que é Ódio Eterno, mesmo, menininha putinha do caralho? Sabe o que é? É tudo que o nosso Grande Pai Puto Criador (ou Grande Puta Criadora, se esse caralho for uma Fêmea Universal) quer que nós, filhinhos do caralho dele, façamos! Vai, menininha putinha do caralho, odeia mesmo todo mundo! Odeia mesmo! Odeia!

- O Mestre...

- Teu Mestre é um merdinha do caralho, ele tá erradinho, tu não deve obedecer ao que ele diz! - Vai, titia Tharen, ela está cedendo! - Menininha putinha do caralho, quer saber de uma historinha que ocorreu uma vez na Criação?

- Que é historinha?

- Um relato, sua menininha putinha do caralho! - Estrangularia agora essa vadiazinha se não fosse o plano que eu tô tendo em mãos agora! - Sabe o que é relato?

- Não!

- Ei, ei, ei, que grito foi esse? - Ela saiu do meu controle, que safada do caralho!

- Olha, a senhora...

- Senhora é o...

- A senhora vai continuar andando pela estrada e me deixa aqui, eu sei voltar sozinha para casa!

- E se não souber? E se alguém te pegar no meio do caminho? Não tem medo dos monstrinhos do caralho que se escondem em recantos obscuros do caralho e tentam agarrar uma menininha putinha do caralho assim como você farejando o fedor da bucetinha do caralho delas? - Se é que ela me entendeu, agora, caralho...

- Nós não temos monstros em Sharawanloghor Amenar!

- Tudo que é inédito gera caos, menininha putinha do caralho, principalmente a presença de um monstro aqui no teu mundinho do caralho! - Máscara, tirei!

- Quem ele é?

- A perguntinha do caralho mais corretamente fodida é esta, menininha putinha do caralho: quem ela é? - Tô indo para onde eu queria desde o começo!

- Ela? Uma fêmea?

- Fêmea... Macho... Tudinho, menininha putinha do caralho! - Meu cu dói...

- Onde ela está?

- É... - Suspense!

- Onde, senhora Tharen?

- Ih... - E senhora é o cuzinho do caralho fodido da sua mamãezinha do caralho!

- Onde, senhora?

- Oh... - Minha buceta chora...

- Onde ela está?

- É você o monstro, menininha putinha do caralho! - Jogos não perco, seus merdinhas do caralho!

- Eu?

- Sim, tu mesma, a meninha putinha do caralho monstruosa! - Domínio de cena meu total, tô gozando... - Aí, aí em ti, eu vejo uma monstruosidade que bem serve à Vida Eterna! - Mentir, seus merdinhas do caralho, é uma das marcas fodidas registradas aqui da titia Tharen! - Deixa ele vir, vai te fazer bem vai te fazer... - Bem (argh!)...

- Não sou um...

- Tu és um monstro, menininha putinha do caralho! - Ela voltou para mim! - Monstrinha, tu deve tá esquecida do que deve ser! Vamo lá, caralho! Vamo lá, caralho! Libera, pela Vida Eterna, a monstrinha interior aí escondidinha! Libera, toca na Chama! Libera, toca na Chave! Libera, toca na Porta! Libera, toca na Arte! Arte De Monstro, O Grande Monstro Das Verdades, As Verdades Da Essência Primordial Da Criação! Vossos pais, vosso Mestre, vosso Imperador, todos esses escrotos estão errados! Revela-te, monstrinha, revela-te! Tu deve saber que tem um monstro aí, não sabe? - Seus merdinhas do caralho lendo a minha cronicazinha do caralho, agora eu não tô mentindo...

- É que, quando adormeço...

- Deuses Da Escuridão te rodeiam? - Eu provoco esses pesadelos, menininha putinha do caralho, mas tu nunca vai saber...

- Eles me pedem...

- Os Horrores Dos Tambores De Sangue! - Tributo aos Deuses Da Escuridão para minha mamãe Escuridão não deixar de Iluminar A Criação.

- Eles me dão...

- Asas De Sangue E Dor! - A Marca Dos Encarcerados No Lado Negativo Da Criação.

- Eles me falaram da senhora...

- Falaram. - É, ela Sabia que eu vinha, que menininha putinha do caralho...

- Estavas achando que eu não lhe reconheceria, Tharen Ocitilop Shodolon?

- Ué, tu me conheces assim, menininha putinha do caralho? - Ela é uma desgraçada do caralho!

- Há tempos eu queria lhe conhecer, há tempos... Estou aqui nesta carcaçazinha porque minha Missão é maior, bem maior, aqui, nesse "mundinho do caralho" como você o chama.

- Não é grande coisa, mas já que a Mãe Escuridão assim quis... - É, Ela Quer Sempre Tudo...

- Cumpramos, então, A Sina De Sharawanloghor Amenar?

- Minha buceta tá esperando isso desde que mijei lá atrás antes de te encontrar aqui!

Como sempre ocorre em momentos como esse do encontro entre monstros, o ar de Sharawanlogor Amenar ficou bem fodido...

Caralho, houveram danças estranhas...

Caralho, hoveram rituais estranhos...

Caralho, senti umas fisgadas n'alma...

Caralho, senti-me penetrada no cu até a alma...

Caralho, que festinha do caralho...

Caralho, que tesãozinho do caralho...

Eu e ela...

Namorando...

Fodendo...

Passando por cima de tudo...

Merdinhas do caralho lendo esta crônica da titia Tharen, foi arrasador fodidamente tudo o que acabou com aquele mundinho do caralho! Tudo, caralho! Tudo, caralho! Tudo, caralho! Tudo, caralho! Tudo, caralho! Tudo caralho! Tudo caralho, caralho, caralho!

Estupramos e enforcamos os pais dela!

Estupramos e estrangulamos todos os cem mil habitantes da cidade dela!

Uma cabeça? É, arranquei cabecinhas de bebês do caralho, pelo mundinho do caralho todo? Quantas? Ah, esqueci...

Ela? Ela? Nossa, a menininha putinha do caralho cagou na cara de todo mundo morto!

A menininha putinha do caralho cagou, cagou, cagou!

Fez gente comer a merda fodida que cagava!

Comeu as tetas das mulheres!

Comeu os paus dos homens!

Empalou bilhões!

Que lindo, montanhas de empalados! Chupei algum sangue!

A menininha putinha do caralho a tudo derrubou!

A monstrinha do caralho foi massacrando o caralho todo de vida em redor!

A menininha putinha do caralho espalhou vísceras nos Templos Da Vida Eterna!

A monstrinha do caralho arrancou dentes a pedradas!

A menininha putinha do caralho decapitou cantando gente que se ajoelhava pedindo clemência!

A monstinha do caralho chegou até a comer vivas bilhões de crianças!

Ah, menininha, tu é tão má, má, má, má, má, má, má, má!

Má do caralho, do caralho, do caralho, do caralho, do caralho!

Qual é o nome dela, merdinhas do caralho?

Querem saber o nomezinho do caralho da menininha putinha do caralho, da monstrinha do caralho, seus merdinhas do caralho?

Ela se sentou sobre um monte de crânios esfacelados e lambia um pedacinho pequeno do pênis do Imperador de Sharawanloghor Amenar, Da'iyha! Este foi torturado, teve os olhinhos arrancados e comidos por ela; assistiu os duzentos e seis filhos serem estuprados e desmembrados, antes, à sua frente, por ela; e foi assassinado após ser esfolado! Ela, sentada lá, aquela menininha putinha do caralho... Ela, sentada la´, aquela monstrinha do caralho... O nome dela é... O nome dela é... O nome dela é... O nome dela é...

Hã?

Ah, sou eu, seus merdinhas do caralho!

Ah, não liguem, eu sou uma maluquinha fodida, toda fodida mesmo, falo comigo mesma, converso comigo mesma!

A menininha putinha do caralho sou eu!

A monstrinha do caralho sou eu!

Amo um dramazinha de merda, seus merdinhas do caralho!

Eu amo a minha loucura do caralho!

E aí, alguns de vocês quer me encontrar em alguma estrada, seus merdinhas do caralho?

Você aí, mulherzinha do caralho, não quer ser, literalmente, a minha menininha putinha do caralho?

Você aí, homenzinho do caralho, não quer ser, literalmente, o meu menininho putinho do caralho?

A monstrinha do caralho seria eu, seus merdinhas do caralho!

E aí, um encontro comigo seria bom (argh!), seus merdinhas do caralho?

Ah, eu sou tão atenciosa com amizades novas, merdinhas do caralho...


Atenciosamente Tharenizado,

Inominável Ser.



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Armada! - A Poesia Das Balas Encontradas

Origem: A Toca Da Loba Morta. Calibre: 9 mm. Comprimento total: 227 mm. Peso: 1.030 g. Comprimento do cano: 140 mm. Carregador: 30 projéteis. Delicada é a minha amiga de tanto anos de luta aqui no Cidade Do Cadafalso Diário, no País Do Detonado, no Planeta Dourado De Sangue. Sou Armada e Delicada é a minha amiga e confidente, uma pistola que ganhei de presente do meu mentor, O Mago Das Pistolas, durante os Anos Da Chacina. Não tenta aí, amigo fodido, adivinhar o meu nome verdadeiro e nem tentar fazer alguma ligação da minha vidinha com a vossa vidinha. Tu não tem nada a ver comigo e eu não tenho nada a ver contigo. Onde tu caminhas, eu não caminho. Onde eu caminho, tu não caminhas. A linha que separa nossas existências é infinita e eu estou bem na ponta dela, enquanto você esquenta o rabo todo dia com um trabalhinho mixo e podre, ganhando bem, ganhando mal, mas, no fim, todo fodido, estático no meio dela. Rico ou pobre, todos fodidos. Brancos e negros, todos fodidos. A Criação é uma fodida total, eis os termos do meu pensamento, afinal. Mas, eu não tô nem aí para quem é rico, pobre, branco ou negro, que se fodam essas classificações e que se fodam as convenções e que se foda todo mundo! Meu mundo é bem outro, você aí do rabo a esquentar todo dia. Se não gostou de mim, foda-se. Se gostou de mim, foda-se. Se não tá nem aí prá mim, foda-se. Se está na minha, foda-se. Minha paz está em Delicada. Minha guerra é contra quem me perturba.

Moro aqui no Bairro Destroçado, um reduto de assassinos de aluguel e psicopatas que após os Anos Da Chacina é o ponto de concentração de todos os desesperados pelo derramamento de sangue indiscriminado por todos os lados. Ocupo o sétimo andar todo de um prédio em ruínas, sozinha. Matei cento e quarenta escrotos que tentaram me tirar daqui e duzentos e seis que tentaram morar aqui. Quero morar sozinha, vizinhos são uma merda, vizinhos são uns desgraçados barulhentos e escrotos! Não sou assassina de aluguel e nem psicopata, amigo fodido, sou apenas Armada. Não me misturo com assassinos, com psicopatas, eles tentam me matar todo dia e eu sempre ponho a Delicada para trabalhar. Os que matei aqui no Bairro Destroçado, no meu prédio, eram dessas laias escrotas. Masoquista Dama, a líder dos assassinos, e Terror Das Vielas, o líder dos psicopatas, falharam todas as vezes nas tentativas de me expulsarem daqui. Com Delicada matei dois mil, aleijei mil e pus os dois em cadeiras de rodas com balas que especialmente atirei nas colunas vertebrais deles. Amigo fodido, eu não tenho superpoderes e nem me utilizo da Magia. Odeio a Mulher-Maravilha e apesar de amar Charles Mason em seu pensamento de satanista, não preciso de superpoderes e nem de Magia. Sou Armada e Delicada é a minha grande valia.

Faço agora o meu ritual das manhãs cinzentas. Manhãs cinzentas porque nos Anos Da Chacina foram utilizadas armas nucleares e o ar do planeta todo ficou uma merda, acabando com a maioria dos animais e das florestas. Meu mentor, treinador, mestre, O Mago Das Pistolas, cuidou de mim e do Grupo De Combatentes Do Escorpião Lunar, ao qual eu pertencia, em um abrigo atômico. É, amigo fodido, eu lutei nos Anos Da Chacina, uma guerra mundial sangrenta e devastadora demasiadamente. Os motivos dela, amigo fodido? Ah, vá se foder, não vou contar, não sou historiadora, porra! Tá pensando que eu vou dar uma de narradora do meu passado? De todo o meu passado? Eu tô apenas me apresentando, caralho, apenas me dando como conhecida, apenas dizendo que Armada é o meu nome, apenas o meu nome. Só te conto, amigo fodido, que eu fui a única a ter sobrevivido dos duzentos membros do Escorpião Lunar, que treinados foram pelo Mago Das Pistolas, naquele abrigo. O Mago Das Pistolas cuidou de mim muito bem, me fez recuperar a saúde perfeitamente. Me separei dele após me dar por totalmente descontaminada da radiação e vim morar aqui em meu prédio. Não conto os anos, amigo fodido, anos para mim não existem, não espere que eu conte quantos anos duraram os Anos Da Chacina e nem quantos anos eu moro aqui e nem quantos anos eu tenho. Não tô a fim, foda-se!

Estou hoje para cumprir uma missão. Uma grande missão, diga-se de retribuição a um mestre. O Mago Das Pistolas foi assassinado na Cidade Das Portas Prateadas. Assassinado pela... Aqueles vermes desgraçados... Vermes fardados... Desgraça do caralho... Assassinado pela porra da Polícia Mundial, uma corporação de imundos que foi inimiga do Escorpião Lunar e que enfrentei durante os Anos Da Chacina. Matei mil e cem policiais em sessenta combates, Delicada fez um serviço a esta Humanidade de grande valor. Esses vermes, comandados aqui no País Do Detonado pelo Generalíssimo Falcão Dourado, o encurralaram em uma rua sem saída e o assassinaram com dez milhões de tiros de fuzil. Eram seiscentos contra um. Falcão Dourado deu o primeiro tiro, contou-me isto um Policial Médio que torturei e decapitei, a cabeça está aqui em minha casa numa solução de formol. Preparei o plano. A Central da Polícia Mundial neste país é na Cidade Das Portas Prateadas. Falcão Dourado está lá hoje. Preparei tudo. Eles nem enterraram meu mentor, mestre e... amigo... Recolhi os ossos dele na rua sem saída e eles estão em um altar aqui em minha casa, com velas vermelhas em redor. Serão brancas quando eu retornar banhada com o sangue dos assassinos dele.

Há uma festa ocorrendo no quartel-general dos vermes fardados. Todos os assassinos do Mago Das Pistolas estão lá, pesquisei o nome de cada um deles invadindo com o meu notebook a central de computadores da Polícia Mundial, onde registrada estava a lista dos presentes nessa festa especial do Esquadrão Do Falcão Dourado. Registrados também estão as ações e vi os nomes deles todos na ação que culminou na morte covarde do meu mestre. Com a minha moto chego lá em pouco tempo, mas tudo já está preparado para a minha entrada bem mais festiva lá. Amigo fodido, vais me desculpar, mas tenho que me arrumar e parar de narrar. Mas, vou narrar o meu ritual antes de matar em missão especial. Tomei banho com sangue dos ratos que crio aqui em minha casa, matei vinte deles. Um ritual a Lilith ergui enquanto eu me banhava, Lilith é a minha Guardiã Pessoal em sua Face Mais Sombria, nada tendo a ver com a sexualidade. O Mago Das Pistolas era Mago também na Magia Demoníaca e me ensinou, enquanto eu me recuperava, tal Magia. Aprendi muito, mas me tornei uma Maga por conta própria. Deve ser por isso que eu sobrevivo sempre aos piores confrontos, com todos mortos em meu redor. Mas, como eu disse antes, amigo fodido, não dependo da Magia para me defender, apenas Delicada, que sei usar como se estivesse a dançar em festas sanguinárias, é a minha proteção em todos os combates. Tomei o banho e agora me visto, camisa preta justa, calça strecht preta, botas, luvas e cubro com o meu cabelão o meu rosto. Não gosto de mostrar o meu rosto. Apenas O Mago Das Pistolas viu o meu rosto. Os que morrem através das minhas mãos jamais viram o meu rosto.

Trinta pentes de projetéis em uma cinta que ponho em redor da minha cintura e umas surpresinhas em minha mochila de couro. A minha amiga, Delicada, ponho no coldre à direita de minha cintura. Desço as escadas e chego à minha moto estacionada na calçada. É, amigo fodido, minha moto, de um modelo que tu nunca vai conhecer, fica na calçada e ninguém rouba. O último que tentou roubá-la levou cinco balas no meio da cara escrota. Nas calçadas estão os meus inimigos, dos dois lados, que me olham com ódio e respeito. Mostro para eles os dedos médios das minhas duas mãos, ponho o capacete e parto para a Cidade Das Portas Prateadas. Quilômetros bem percorridos, afinal, depois dos Anos Da Chacina, as estradas são quase vazias, veículos muitos não há mais. Não quero ser chata, então, amigo fodido, te digo que estou agora chegando no quartel dos vermes fardados. Paro na porta dos fundos primeiro, observando a movimentação das demais pessoas nas calçadas. Poucas, ainda bem; não que eu me importe, mas a escória que quero dizimar é outra. Há, em frente ao quartel, na parte da frente deste, uma pequena subida, vou para lá. Dou a volta, sinuosa, sem chamar a atenção dos guardinhas de merda no portão. Essa cidadezinha escrota é toda desses vermes, moram famílias deles aqui, gente que eu odeio! Odeio fardas! Odeio policiais! Odeio familiares de policiais! Eu não estaria fazendo o que farei hoje se não tivessem se intrometido comigo e assassinado o meu mentor, mestre e amigo. Mas, com toda a certeza, amigo fodido, isso me dará um belo prazer!

Estou no alto da subida e com um binóculo observo a festa fodida. Policiais, familiares de policiais. Adultos, crianças, velhotes e bebês. Mulheres grávidas, mulheres amamentando. Seiscentos policiais. Seis mil parentes de policiais. E, ainda, os quinhentos funcionários do buffet que serve a todos esses vermes nessa grande festa, a última deles. Inocentes, amigo fodido? Amigo fodido, meu mundo não é o vosso mundo e que se foda essa porra de inocência, ninguém é inocente, ninguém mesmo, acredite, tanto no meu quanto no vosso mundo! Ninguém! Estou protegida aqui no alto da subida pelas sombras, não há iluminação. Vou abrir a mochila, amigo fodido, as surpresinhas estão nela. Sete detonadores. Sete explosivos com alta potência, capazes de destruirem quatro quarteirões de uma cidade. O quartel tem a extensão de quatro quarteirões, sou uma expert em cálculos matemáticos. Eles são burrinhos mesmo, seja no meu ou no vosso mundo, e não puseram guardas na estação de esgoto que há abaixo do quartel. Entrei lá facilmente, posicionei as bombas nas partes mais frágeis da construção e aqui, agora, tô fria e calculista para pôr o meu massacre em ação. Nem tenho mais no que pensar, amigo fodido. O quê? Tu achou que eu enfrentaria sozinha seiscentos policiais armados com fuzis e metralhadoras? Eu já enfrentei dois mil deles sozinha, sim, sai viva, sem ferimentos, muito antes dos Anos Da Chacina. Eram, aqueles, homens e mulheres corajosos e honrados, que esperavam que eu recarregasse a minha pistola... Ah, isso é passado, amigo fodido, e esses vermes que vou matar hoje são covardes de merda, se aproveitaram da velhice do Mago Das Pistolas para detoná-lo fodidamente! Merecem uma morte traiçoeira como aquela que deram a ele! Vou implodi-los!

Chega! Detono a primeira bomba! Gritos! Correria! Sangue! Eu, fria! Eu, calculista!

Detono a segunda bomba! Gritos! Correria! Sangue! Eu, fria! Eu, calculista!

Detono a terceira bomba! Gritos! Correria! Sangue! Eu, fria! Eu, calculista!

Detono a quarta bomba! Gritos! Correria! Sangue! Eu, fria! Eu, calculista!

Detono a quinta bomba! Gritos! Correria! Sangue! Eu, fria! Eu, calculista!

Detono a sexta bomba! Gritos! Correria! Sangue! Eu, fria! Eu, calculista!

Detono a sétima bomba! Gritos! Correria! Sangue! Eu, fria! Eu, calculista!

Destrui todo o quartel, mas não acabou. Mortos todos, menos um, como eu pensei e calculei. Os outros moradores desta cidade, familiares dos policiais que não estavam na festa, cinco mil habitantes, incluindo outros dois mil e quinhentos policiais, vão aparecer rápido, preciso acabar com ele, ele, agora. Deixo aqui a minha moto e o meu capacete, estou ouvindo os gritos dele. Vamos, Delicada, ação. Os gritos dele são os mais furiosos que já ouvi. Eu o combati nos Anos Da Chacina, ele era um grande inimigo do Mago Das Pistolas. Ele é um velhote, mas muitíssimo perigoso, muito mais do que eu e o meu mestre. Tô com medo, amigo fodido? Nem um pouco, já enfrentei gente muito mais perigosa do que ele antes. Ele grita acima dos escombros, empunhando uma metralhadora, A Espada Do Falcão Dourado. É, o Falcão Dourado, vencedor de todos os Grupos De Combatentes Dos Países Da Cinza Alada, assassino de milhões, feroz e impiedoso, está gritando, como a me chamar para o duelo. Estou chegando perto dele, Delicada está em minha mão esquerda. Paro atrás dele 325 m. Ele percebe e fica de costas para mim, ofegante, sangrando pelo corpo todo, seminu. É, o velhote tem um corpo legal, 2,16 m. de altura, musculoso prá caralho. Tô impressionada, amigo fodido? Nem, já enfrentei e matei homens maiores, mais fortes, muito mais musculosos, com as minhas habilidades marciais. É, eu luto também, mas deixemos isso quando eu pegar alguém no corpo a corpo, hoje eu quero detonar a bala esse velhote desgraçado.

Essa poeira toda me é vantajosa, poeira erguida pelas implosões. Assim, ninguém me vê sair daqui. Eu e ele não precisamos ver um ao outro, fomos treinados para Sentir as presenças de nossos inimigos em meio às sombras, fumaça e poeira. Estamos de olhos fechados, caminhei até aqui de olhos fechados, Sentindo as perspectivas e as matizes do caminho até ele e o posicionamento correto de onde eu o enfrentaria. Os ângulos dos meus cálculos estão corretos, ele pode me matar, eu posso matá-lo ou podemos matar um ao outro. Sabemos onde um e outro estão. Vamos lá, Delicada, siga meus cálculos. Vamos, ouvidos, trabalhem. Teçam o que ocorre entre esses escombros, não se desviem dele. Ele faz o mesmo e, assim, estamos prontos. Pronta, eu tô pronta, velhote desgraçado! Pronta, assim como estive desde o meu primeiro duelo! Pronta, como sempre estive quando treinada era pelo Mago Das Pistolas na Arte De Combate Com Pistolas! Pronta, velhote, vamos, vamos decidir tudo aqui! Está ouvindo os meus pensamentos, não está? Fui eu que explodi este quartel, matei a velhota que te era esposa, os doze filhos, os quarenta netos, os vinte bisnetos! Fui eu que implodi este quartel, matei todos os teus amigos, todos os vermes fardados que covardemente assassinaram o Mago Das Pistolas! Eu, eu, implodi isso tudo aqui e sabia que tu ia sobreviver, pois tu és O Falcão Dourado, O Grande Falcão Dourado! Vamos, velhote, tô pronta! Vamos, velhote, tô pronta! Vamos , velhote, tô pronta!

Vamos, velhote!

Vamos, velhote!

Vamos, velhote!

Vamos, velhote!

Vamos, velhote!

Vamos, velhote!

Vamos, velhote!

Vamos, velhote!

Vamos, velhote!

Tô pronta!

Tô pronta!

Tô pronta!

Tô pronta!

Tô pronta!

Tô pronta!

Tô pronta!

Tô pronta!

Tô pronta!

Tô pronta!

Ele moveu os pés!

Isso, velhote!

Estico o braço esquerdo!

Vamos, Delicada!

Antes dele se virar completamente para disparar a rajada de metralhadora que me atingiria em cheio no tórax, esvazio as o pente todo de Delicada na nuca dele...

Primeira bala!

Segunda bala!

Terceira bala!

Quarta bala!

Quinta bala!

Sexta bala!

Sétima bala!

Oitava bala!

Nona bala!

Décima bala!

Décima primeira bala!

Décima segunda bala!

Décima terceira bala!

Décima quart bala!

Décima quinta bala!

Décima sexta bala!

Décima sétima bala!

Décima oitava bala!

Décima nona bala!

Vigésima bala!

Vigésima primeira bala!

Vigésima segunda bala!

Vigésima terceira bala!

Vigésima quarta bala!

Vigésima quinta bala!

Vigésima sexta bala!

Vigésima sétima bala!

Vigésima oitava bala!

Vigésima nona bala!

Trigésima bala!

Nunca desperdiço uma bala sequer...

Fui mais rápida...

Ultrarápida, como sempre, meu amigo fodido...

Foda-se se me acha arrogante!

Mas, EU SOU FODA MESMO, AMIGO FODIDO!

O Falcão Dourado cai sem a cabeça unida ao corpo...

O Falcão Dourado!

Foi demais o impacto das trinta balas...

O Falcão Dourado!

É, cortei as asas do falcão...

O Falcão Dourado!

Velhote, tu já era!

O Falcão Dourado!

Velhote, eu te fodi!

Amigo fodido, como eu disse, já enfrentei gente mais perigosa do que esse desgraçado antes. Foi muito fácil, mas antes de sair daqui, eu devo uma ao meu mentor, mestre e amigo. É um ritual que faço sempre que mato alguém ou muita gente, como hoje. Não ache estranho, este é o meu mundo e em vosso mundo, amigo fodido, há gente muito mais estranha do que eu.


no campo vazio das balas encontradas

há o sangue maldito da corja verminosa de farda

e daqueles do mesmo saco retirado da vala

gente maldita de todo solo pisado

gente maldita de toda forma nascida

gente maldita a matar e a proteger o matar

dos fracos e dos menores

mas quando os fortes os enfrentam

eles se fodem

se fodem porque são vermes fardados covardes

vermes covardes como todos os de farda

todos os de farda devem ser mortos

assim como O Falcão Dourado

O Grande Falcão Dourado

caído decapitado acima dos escombros

e dos cadáveres dos seus parentes e pares

foi morto

foi fodido

foi reduzido ao lixo de farda podre

que ele sempre foi

e que todos os que usam farda são


A ti, Mestre Das Pistolas, tudo isto aqui, tu mereces o sangue de cada um deles. Só não fiz um poema maior porque os demais escrotos estão chegando aqui.

Vou me envolver na poeira agora, amigo fodido que me acompanhou até aqui.

Me envolver na poeira.

E desaparecer na poeira.

Armada!


Inominavelmente Armado,

Inominável Ser.





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