quarta-feira, 2 de maio de 2007

Cíntia Sufocada

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

A cadência dos dias para Cíntia é a pura desenfreada atitude dos raios invertidos dos sóis que ela mede em sua mente. A decadência das noites para Cíntia é a impura freada de seus sentimentos em direção a um norte melhor que precise de um sul mais bonito, de um leste menos doloroso e de um oeste mais faceiro. Cíntia é uma mulher de horizontes múltiplos, senhora de si como a nuvem dos mais belos mundos que vaga pelas marés das galáxias como chuva a conter as plenas graças e as lentas desgraças. Extremos horizontes povoam Cíntia, horizontes de um azul intenso de energias primorosos, horizontes de um cinza úmido de elegantes mentiras, horizontes de um marrom rústico de insinuantes doutrinas. Cada palmo dos seus pés divide espaço com cada resto de nulidade e de afirmação do que se pode crer possível em apenas trinta e cinco anos de idade. Balzaquiana Cíntia Sufocada está por causa da sua rotina de ir além do que pode e de voltar aquém do que não pode ao mesmo ciclo de desesperos e mortes superiores.

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Cíntia nasceu no berço de ouro de uma família abastada, cresceu patricinha, foi na adolescência retardada como a maioria das adolescentes é. Rica, riquinha, podrezinha de rica, Cíntia utilizava a sua beleza bastarda para angariar a simpatia da lesa rapaziada de sua circular vida de garotinha mimadinha. Dinheiro ia, dinheiro ia, dinheiro do papai, dinheiro da mamãe, tudo tinha, tudo obtinha, era tudo de Cíntia! A menina cresceu assim, um tanto quanto como um furacão sem destino, um carrossel desgovernado sem sentido, um aluvião de demências infinitas. Cíntia, uma demente, despreocupadamente seguindo a escola de John Constantine, sem saber quem na verdade é John Constantine. Conheceu um dia Hellblazer e se identificou com John Constantine. Mas, pobre Cíntia, ela não tem sequer a malícia e a vivacidade de John Constantine. Podre Cíntia, não sabe nada de John Constantine e nem sabe nada da vida real. Cíntia Sufocada vagava roída pelas esquinas, em Porsches e Guccis da vida rica que mantinha, sufocada ela dormia, sufocada ela acordava, sufocada ela ia, sufocada ela vinha, sufocada ela permanecia.

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Cíntia rica se tornou vadia. Cíntia rica se tornou vagabunda. Cíntia rica se tornou garota de programa. Riquezas e berço de ouro Cíntia possuia, mas quis seguir a partir dos vinte e um anos de sua vida rica por um caminha que a satisfazia. Caminho de sexo, homens brancos, homens negros, todos os homens, todos os tamanhos, todos os tipos de posições, Cíntia deusa do sexo em dois meses de profissão tornou-se. Cíntia se dava, Cíntia dava, assim ia a menina nascida rica ao abismo de suas próprias ilusões, fã de John Constantine, mas mais fã ainda de uma puta meretriz antiga de beira de esquina denominada A Puta Que Nem Buceta Mais Possui Por Ter Sido Bastante Puta Vinte E Quatro Horas Por Dia. Prostituta Cíntia, abandonou a família, caiu na vida morta a qual se orgulhava, mas sufocada, sufocada, sufocada... Cíntia Sufocada, sexy e elegante, discreta e sedutora, tesouro de mulher insatisfeita, testamento de uma herança toda de devaneios e ilusões de que o sufocamento passaria.

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Cíntia mais rica, prostituta requisitada muito por políticos e artistas. Cíntia bandida, roubava maridos, roubava felizes vidas, roubava suas próprias infelizes mortes a cada homem que lhe penetrava. Cíntia morria sufocada a cada foda paga e fingia prazer canalha apenas para ser muitíssimo bem paga. Na hora da penetração Cíntia imaginava o céu de janeiro em pleno verão, ela brincando em belas praias com os três irmãos, o que fazia nos antigos tempos de menina rica mimadinha. Mimadinha Cíntia deixou de ser e Chupadinha e Chupadora veio a ser pelas mãos de homens com os quais fingia sentir todo tipo de prazer. Cíntia decidiu-se por assim viver, mas cagava de horror ao ter que abrir as pernas ou ficar de quatro para ter mais dinheiro. Ter mais dinheiro, ganho com o enredo de seu belo corpo de mulher que se exercitava em academias de ginástica, sambando na cama em ritmos frenéticos de bacanais insanos, para ela quase lhe fazia não se sentir sufocada. Mas, o sufoco continuava, o sufoco, o pleno sufoco, a cada sexo oral, a cada sexo vaginal, a cada sexo anal, que dava, que recebia, que rejeitava, que desprezava, que era a existência que escolhida havia sido por ela em uma noite, em um dia, fora do tempo ou distante do Tempo, de sufocamento mais aflitivo. Cíntia Sufocada se fazia a hipócrita maior da cama, rolava como pena, sentava como ramo de árvore caindo, deitava como romã doce sendo saboreada, sufocada ao ter que ser requisitada em atos que a humilhavam, em atos que escolheu com a via de seu existir.

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Cíntia fisicamente era uma barata que sobrevoava serelepe e sonhadora pelos pratos de comida oferecidos pelo dinheiro. Cíntia fodia e se deixava foder para ter mais dinheiro do que tinha quando residia com a família em mansão na qual era uma mimadinha. Cíntia barata lambia os pratos, as asas caiam e cresciam, as asas batiam e quebravam-se contra as paredes que a sufocavam. Os Reinos Estranhos a rodeavam. Os Reis Estranhos a tocavam. Os Súditos Estranhos a espezinhavam. O Estranho a acometia de dores que faziam-na ranger os dentes de ódio, ódio por ser de tribo que não se dá bem com a Tribo Estranha. Muitos a sufocavam. Todos a sufocavam. Os Estranhos, desde criança a sufocavam. Para ela, Eles diziam ser os Senhores Da Porra Humana e a denominaram de Porra De Mulherzinha Rica E Mimadinha. Os Estranhos perseguiam Cíntia desde criança. Ela comia e Eles penetravam nela pela boca. Ela cagava e Eles penetravam nela pelo cu. Ela urinava e Eles penetravam nela pela buceta. Os Estranhos a sufocavam pelos dias sufocantes, pelas noites sufocantes, eram-lhe medonhos amantes, eram-lhe terríveis amantes. Por isso, Cíntia foi ser prostituta, queria ser penetrada pelos Conhecidos, os homens do mundo, os homens que podia ver, os homens que podia saber serem materiais, os homens que não poderiam sufocá-la. Chupando os paus dos Conhecidos ela tentava não deixar os Estranhos nela penetrarem. Dando o cu para os Conhecidos, ela tentava não deixar os Estranhos nela penetrarem. Dando a buceta para os Conhecidos, ela tentava não deixar os Estranhos nela penetrarem. Mesmo assim, Eles penetravam nela pela boca. Mesmo assim, Eles penetravam nela pelo cu. Mesmo assim, Eles penetravam nela pela buceta. Cíntia Sufocada dos Estranhos não escapava.

A mão a sufoca...

A mão...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Cíntia. Sufocada. Cíntia. O Sufoco. Os painéis dos anos passavam e os Estranhos mais a sufocavam, desespero, anéis em dedos decepados. Loucura, buscas de soluções múltiplas. Recados, encontros de indevidas formas de salvação em direção de temíveis formas de mais destruição. Vagando, Cíntia foi para a cocaína. Vagando mais, Cíntia foi para a heroína. Vagando um pouco mais, Cíntia foi para o crack. Vagando, adjetivos sufocados, substantivos sufocados, advérbios sufocados, verbos sufocados, Cíntia desceu mais a fundo dos abismos que ergueu e os Estranhos a conduziam para longe dos Conhecidos. O rosto belo, de Vênus do caralho, utilizado na sedução dos Conhecidos tornou-se enrugado, sufocado. Os seios grandes e voluptuosos, de vaca do caralho, tornaram-se murchos, sufocados. O quadril largo, de popozuda do caralho, tornou-se como um caroço de feijão, sufocado. As coxas grossas, de safada do caralho, tornaram-se como palitos de fósforos, sufocados. Cíntia se tornou uma mulherzinha feia prá caralho, horrorosa, inútil como prostituta, sufocada, vadia sem caminho que conduzia a uma cama de homem rico, vagabunda sem cantinho para adormecer o seu ex-rico corpinho, agora pobre corpinho sufocado. Cíntia Sufocada mendingando, os Estranhos festejando, a comida escassa, a luta pela comida grande, brigas, muitas brigas, uma última briga...

A mão...

A mão a sufoca...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Mão... Mão... Mão...

Sufoco... Sufoco... Sufoco...

Roda tudo... Roda tudo... Roda tudo...

Rodopio final... Rodopio final.. Rodopio final...

A mão...

A mão a sufoca...

A mão a sufocá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

A mão de um mendigo gigantesco a envolver-lhe todo o pescoço...

A mão de um mendigo estrangulando-a por causa de um prato de comida jogada fora em um lixão de madrugada...

A mão de um mendigo, um homem com o qual nunca fodera para se verlivre dos Estranhos a... a... a... a.. a... alivia.

Alívio para Cíntia!

Alívio!

Alívio!

Alívio!

Alívio para Cíntia!

Ela sorri sendo estrangulada pelo mendigo com o qual nunca fodera!

Ela sorri sendo estrangulada para o homem, o primeiro homem, que a faz ficar aliviada em seus trinta e cinco anos de sufoco!

Ela sorri sendo estrangulada!

Alívio!

Ela sorri sendo estrangulada!

Alívio!

Ela sorri sendo estrangulada!

Alívio!

Cíntia Aliviada!

Cíntia Aliviada!

Cíntia Aliviada!

Estrangulamento e alívio!

Estrangulamento!

Alívio!

Alívio!

Estrangulamento!

A mão...

A mão a alivia...

A mão a aliviá-la...

A mão...

A mão...

A mão...

Alívio, Cíntia!

Alívio, Cíntia Aliviada!

Alívio, Cíntia Assassinada Estrangulada!

______________________________________

Cíntia Assassinada Estrangulada desperta...

Cíntia Aliviada desperta...

Cíntia desperta em outro horizonte. Este é luminoso. Luminoso. Muito luminoso. Luzes alvas. Luzes rubras. Luzes negras. Luzes cinzentas. Cíntia acha que está em algum tipo de Plano Elevado. Cíntia acha que foi guiada diretamente para algum tipo de Paraíso. Cíntia acha que a sua existência de prostituta a guiou até o lugar luminoso onde agora está. Lugar luminoso. Luminoso. Luminoso. Muito luminoso. E está lotado. Lotado de.. Lotado de... Lotado de... Lotado de...

Cíntia diz um não...

Lotado de...

Cíntia diz um segundo não...

Lotado de...

Cíntia diz um terceiro não...

Lotado de...

Cíntia diz um quarto não...

Lotado de...

Cíntia diz um quinto não...

Lotado de...

Cíntia diz um sexto não...

Lotado de...

Cíntia diz um sétimo não...

Lotado de...

Cíntia diz um oitavo não...

Lotado de...

Cíntia diz um nono não...

Lotado de...

Cíntia diz um décimo não...

Lotado de...

Cíntia diz um décimo primeiro não...

Lotado de...

Lotado de...

Lotado de...

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos.

Cíntia: NÃO!!!

Estranhos: SIM!!!

OS ESTRANHOS GRITAM SIM!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

CÍNTIA GRITA NÃO!!!

Cíntia grita não...

Cíntia Sufocada novamente.

Cíntia cercada.

Cíntia tocada.

Cíntia ao chão lançada.

Cíntia com as pernas abertas e seguras por mãos estranhas.

Cíntia Sufocada penetrada pelos Estranhos que agora mostram-lhe os rostos.

Cíntia Sufocada obrigada a chupar os paus dos Estranhos.

Cíntia Sufocada sendo penetrada no cu pelos paus dos Estranhos.

Cíntia Sufocada sendo penetrada na buceta pelos paus dos Estranhos.

Cíntia Sufocada agora é Cíntia Estuprada.


Inominavelmente Sufocado,

Inominável Ser.




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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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