quarta-feira, 2 de maio de 2007

Dois. Dois. Dois.

Dois. Dois. Dois. A repetir-se na mente de Christhian Raven o número dois insistentemente. Estremece Christhian ao som do número dois em sua mente. Estremece, enquanto a vítima degolada a seus pés é desnudada. A vítima degolada é sua mãe, morta em ritual que tudo tem a ver com o número dois. Dois. Dois. Dois. Christhian a repetir em sua mente o número dois. Dois. Dois. Dois. A senhora Agatha Raven, mãe amorosa de Christhian, a ter o cádaver desnudo posto em um altar de mármore. Pelo altar de mármore as peças dos demais holocaustos que Christhian ofertou durante treze dias aos Seres Do Inferno. Dois. Dois. Dois. Crânios de crianças. Ossos de animais. Peles das sete crianças e dos sete gatos pretos sacrificados transformadas em tecidos a adornarem ao pé do altar outros horrores destinados aos prazeres dos Seres Do Inferno. Dois. Dois. Dois. O círculo é traçado no abdômen do cadáver de Agatha. Christhian, imperioso demoniacamente em seu afã de adorador das coisas infernais, faz reluzir em seu rosto a satisfação que apenas os que amam o derramamento de sangue em honra ao Inferno podem compreender. Dois. Dois. Dois. Repete-se na mente de Christhian o número dois. Dois. Dois. Dois. Christhian objetiva-se a apenas pensar no número dois. Dois. Dois. Dois. O número agora é toda a sua diabólica existência que em dezesseis anos apenas ofertou ao mundo as trevas horrendas de um verdadeiro Filho Do Inferno. Dois. Dois. Dois.

Dois. Dois. Dois. A inocência nele esvaiu-se em copos de desgraças que ele alimentou e bebeu. Os copos, conservados em redor de sua infernal alma, arregimentam novos horrores, novas desgraças. Dois. Dois. Dois. Sete velas negras são acesas aos pés do cadáver de Agatha. Sete velas negras são acesas em redor do crânio de Agatha. Dois. Dois. Dois. Christhian de suas ligações como o Inferno jamais escapara, a ele mesmo diz que jamais escaparia, poir tudo nele é do Inferno. E, neste Inferno, nos demais Infernos, ele quer ser senhor, senhor de sua infernal realeza, senhor de seu infernal poder. Dois. Dois. Dois. O número repetido mentalmente. O número repetido labialmente. Mantram infernal, faz com que os Demônios Do Ar se aproximem, Espécimes Infernais quase desconhecidas de muitos que com o Astral lidam. Dois. Dois. Dois. Medita o Filho Do Inferno, medita, maldito, em malefícios despejados por cima do cadáver desnudo da mãe. Malefícios em aramaico. Malefícios em latim. Malefícios em sânscrito. Malefícios em inúmeors idiomas mortos e estranhos, que Christhian conhece e aprendeu, por intuição, a falar, pois ele é gênio infernal de infernal lar. Dois. Dois. Dois. O cadáver de Agatha é untado com óleos retirados dos corpos de muitas das vítimas de seus filhos. Com prazer e com desejo, Christhian espalha o óleo pelo corpo da mãe, recitando cânticos naqueles mesmos idiomas mortos e estranhos. Dois. Dois. Dois. As mãos de Christhian deslizam eroticamente pelo cadáver de Agatha, deslizam como as mãos de um amante a fazer da mulher desejada uma Deusa alada. As mãos de Christhian chegam aos pés de Agatha, o sorriso dele, sorriso de um feiticeiro ciente de sua fé e de sua verdade na Tribo Do Inferno, anuncia que a preparação está concluida. Dois. Dois. Dois.

Dois. Dois. Dois. A espada, a lâmpada, o cajado, o cadaceu, a adaga, o punhal, ritualísticos, postos em redor do altar. Murmúrios de Christhian, insólitos e indecorosos despertam os Demônios Do Fogo que sempre estiveram a inspirá-lo em seus crimes e ações infernais. Dois. Dois. Dois. Christhian retira sua túnica, põe-se nu, e espalha assim, em redor de um círculo de evocação à esquerda do altar, distante sete metros, sal grosso, recitando os mesmos cânticos de antes em idiomas mortos e estranhos. Outros cânticos, nos igualmente idiomas mortos e estranhos, são recitados. Dois. Dois. Dois. O ritual em redor do círculo de evocação desperta os Demônios Da Terra, Aqueles Que Caminham Aos Pés De Toda A Humanidade Nos Solos Profanos E Nos Solos Sagrados. O sal ferve. O sal marca a terra encharcada de sangue. O sangue é de todas as vítimas de Christhian, sangue conservado em um secreto banco de sangue que ele mantém em seu santuário infernal de dedicações ao Inferno. Dois. Dois. Dois. Os Demônios Da Água Despertam quando ele se banha com a água retirada dos corpos de suas vítimas e igualmente conservada secretamente. Cânticos, em idiomas mortos e estranhos, novamente. Dois. Dois. Dois. Christhian e o número dois, a repetir-se demoniacamente em sua mente, em seus lábios, em todo o seu corpo enquanto se banha ritualisticamente. Christhian e o número dois, repetido em sua mente, repetindo em seus lábios, enquanto eles se cobre com as próprias fezes, com fezes de cães, com fezes de gatos, fazendo de seu corpo um Templo, um Templo De Adoração Infernal Verdadeiro. Dois. Dois. Dois. Enquanto se cobre com as fezes, Christhian olha para a vagina do cadáver de sua mãe com prazer e tenebrosa luxúria abismal. Ele sempre tivera o oculto, o secreto, desejo de fazer sexo com a mãe. Dois. Dois. Dois. Está se esvaindo a meia-noite. Chegou o momento do maior momento de infernal trajetória para Christhian. Dois. Dois. Dois. Recitando cânticos evocatórios e concentrando grande quantidade de fezes em seu pênis ereto, ele se aproxima do altar. Deliciosamente infernal, ele fita a vagina do cadáver da mãe. Dois. Dois. Dois. Christhian põe-se acima do cadáver de sua mãe. Christhian começa a penetrar com o seu pênis envolto em uma bruta massa de fezes a vagina do cadáver da mãe. Dois. Dois. Dois. Christhian a executar um ritual de evocação, oferecendo Àquele que evoca, Àquele que adora tais práticas como oferendas a Si mesmo, o seu infernal amor de filho pela mãe que angelicalmente amava-o. Dois. Dois. Dois.

Dois. Dois. Dois. Christhian vai penetrando no cadáver de sua mãe. Fezes e suor. As fezes a cobri-lo são espalhadas pelo cadáver da mãe. O suor a escorrer junto com as vezes eleva odores desconhecidos da maioria dos seres humanos. Dois. Dois. Dois. Aquele que le quer ver continua a ser evocado. Aqueles que ele quer ver remete-o ao sentir do prazer monstruosamente gigantesco que está tendo na execução do maior e melhor dos seus rituais. Dois. Dois. Dois. Os cânticos evocatórios, recitados em voz alta, elevam-se à medida que o pênis de Christhian adentra na vagina o cadáver da mãe. O pênis, envolto em fezes, a penetrar dilacerante no cadáver da mãe. Dois. Dois. Dois. Christhian grita. Christhian urra. Christhian rosna. Christhian gargalha. Christhian O evoca. Dois. Dois. Dois. Osa odores tornam-se mais fortes, o calor torna a tudo vulcão tempestuoso. O calor, o impulso dos frêmitos do corpo de Christhian acima do cadáver da mãe, penetrando-a com dureza, penetrando-a com fúria desumana, abaixo da animalesca, desconhecida de todos os humanos. Dois. Dois. Dois. Christhian aperta com mãos furiosas os seios do cadáver da mãe. Christhian aperta com mãos mais furiosas ainda as nádegas do cadáver da mãe. E vai penetrando o cadáver da mãe com gargalhadas. E vai penetrando o cadáver da mãe envocando Aqueles que ele quer ver, Aquele com o qual quer dialogar. Dois. Dois. Dois. Christhian vai contendo o orgasmo, segurando-se, acumulando mais forças para evocar Aquele ao qual ele segue. Ele gira o quadril, sentindo mais prazer. Ele come as fezes que caem acima do cadáver da mãe. Ele morde os seios do cadáver da mãe. Ele morde o rosto do cadáver da mãe. Dois. Dois. Dois. Mordendo o cadáver da mãe, mais ardor pelo que faz cresce. Mordendo o cadáver da mãe, mais coroas de brutalidades fazem-lhe enaltecer Aquele ao qual dedica esse ritual, Aquele que ele está a evocar. Dois. Dois. Dois.

Dois. Dois. Dois. Os cânticos tornam-se mais ásperos e altos, fortes e calamitosos. Dois. Dois. Dois. O ar em redor do círculo evocatório manifesta-se estranhas e curiosas ondulações de verdes chamas. Dois. Dois. Dois. Mais penetração, mais a fundo penetra o cadáver da mãe o pênis envolto em fezes de Christhian. Dois. Dois. Dois. Cânticos, mais altos, cânticos efervescentes, cânticos incineradores, cânticos incinerados. Dois. Dois. Dois. O círculo evocatório torna-se um furação de chamas verdes, tudo em redor do recinto de operações mágicas é envolvido. Dois. Dois. Dois. O pênis de Christhian, envolto em fezes, chega ao útero do cadáver da mãe. Dois. Dois. Dois. O círculo evocatório começa a revelar uma forma monstruosa, horrenda, como sombra, sombra esverdadeada, sombra em chamas. Dois. Dois. Dois. Christhian, cânticos, cânticos que anunciam o porvir de um grande êxtase. Dois. Dois. Dois. Christhian, o cadáver da mãe, o pênis envolto em chamas, o orgasmo, orgasmo no qual seu grito assombra aos Demônios Da Terra, Do Fogo, Do Ar, Da Água e Do Éter, que agora comparecem devido à chegada Daquele ao qual Christhian evocara. Dois. Dois. Dois. O furacão no recinto pára e a monstruosa figura, no meio do círculo, a fitar com seu abismal olhar o altar. Dois. Dois. Dois. Silêncio, cânticos findados, Christhian a olhar para Aquele que evocou, gargalhando, olhos demonstrando um misto de loucura, crueldade, aliadas a uma admiração e um amor incalculáveis por Aquele que evocou. Dois. Dois. Dois. Christhian retira o seu pênis, agora menos envolto de fezes, do cadáver da mãe. Dois. Dois. Dois. Christhian ajoelha-se diante Daquele que evocou. Dois. Dois. Dois. Christhian não se atreve a encará-lo diretamente no abismal olhar. Dois. Dois. Dois. Christhian posiciona diretamente ao solo o seu abismal olhar. Dois. Dois. Dois.

- Grande Leonardo, Ó, Poderoso Leonardo, meu Mestre, meu Pai, meu Guai Amado! Eis no altar a vítima e eis aqui vosso escravo fiel! Eis-me diante de vós, Poderoso Leonardo, ao qual tanto me tem dado durante estes anos aqui na Terra, anos odiados porque o meu lar é entre todas as Chamas Infernais! Tenha-me agora como vosso discípulo maior, pratiquei o crime maior de todos: o assassinato daminha própria mãe, daquela que a esta Esfera me trouxe materialmente! Cumpri todos os votos! Sagrei-em em todas as danações! Dai-me a coroa pela qual eu tanto fiz, Pai Leonardo! Dai-me a coroa e um trono na Terra, trono entre milhares de escravos da humana selva, da humana seara de vermes medíocres humanos! Dai-me a coroa, Grande Leonardo!

- Tu não terás a coroa, Filho Da Mulher.

- Grande Leonardo?

- Continues com vossos olhos direcionados ao solo, tu não tens o direito de olhar-me nos olhos. Outros mais valorosos possuem esse direito.

- Provei o meu valor, sempre provei o meu valor! Enforquei bebês! Estuprei e matei bebês! Estuprei e matei animais! Corrompi meninos com o meu pau! Corrompi meninas com o meu pau! Queimei vinte igrejas! Queimei doze padres vivos! Espalhei A Palavra Demoníaca por todos os meios conhecidos! Como eu não sou digno, Leonardo? Como não sou digno se até mesmo fui capaz de matar a minha própria mãe?

- Você não a fez sofrer muito. Apenas os que fazem o do próprio sangue sofrer muito são dignos da Coroa De Leonardo.

- Tu me dissestes que eu a teria se seguisse as vossas orientações! Tu me dissestes para fazer exatamente como eu fiz!

- Tu fizestes muito pouco, não mereces a minha Coroa.

- Eu não fiz pouco, eu cometi o meu maior crime!

- Tu cometestes um crime muito comum entre os de vossa espécie que se dispõem loucamente a seguirem as mentiras dos Demônios.

- Grande Leonardo, Tu mentistes para este vosso escravo fiel, que já ofereceu-lhe o cu no qual tu te satisfizestes?

- Demônios enganam porque querem que os seus escravos tenham a noção do que de Verdadeiro devem fazer para caminharem nos Infernos ao lado deles. Quando pedimos que cometam crimes, temos a intenção de fazê-los refletir acerca dos prós e dos contras dos mesmos. Tu achas que Demônios aceitam sacrifícios humanos? Por que eu iria querer o maldito sangue de vossa maldita mãe? Tu não entendeste, imbecis, como milhares de imbecis de vossa espécie que me foram escravos, que a mãe que eu lhe pedi para sacrificar da forma que sacrificastes era A Mãe Humanidade. Eu lhe pedi, apenas ,que em ti assassinasse os vossos laços com a Humanidade e não a vossa mãe carnal. Eu menti quando disse agora há pouco que Demônios mentem. Demônios Não Mentem; Demônios Apenas Ocultam Verdades Que Os Verdadeiros Adeptos Filhos Dos Infernos, Verdadeiros Filhos Do Inferno, Podem Revelar. Tu achas, Christhian Raven, que os Demônios estão interessados em psicóticos de merda como você?

- Não fui bestial o bastante, seu puto?

- Não ergas a vossa cabeça, deixe-a abaixada.

- Não fui sodomita o bastante, seu puto?

- Não ergas a vossa cabeça.

- Não fui sodomizado o bastante, seu puto?

- Não ergas a vossa cabeça.

- Tu és apenas um Demônio dentre infinitos Demônios, Leonardo! Apeans mais um! Tu estás mentindo! Tu gostas de sangue! Tu gostas! E vais, sim, me dar a Vossa Coroa! Se não fores Tu, serás outro!

- Nenhum Demônio lhe daria a Coroa Dele, Christhian Raven. Tu és um Escravo Eterno. Escravo Eterno De Vossos Próprios Infernos.

- Escravo Tu serás meu, Leonardo, quando...

- Eu lhe avisei, Christhian Raven, para não erguer a vossa cabeça.

Dois. Dois. Dois. O número dois agora irrompe no Ser de Christhian com uma ultraviolência inimaginável. Aniquilações totais. Anulações altíssimas. Abortos existenciais. Dois. Dois. Dois. Christhian é sugado pelo olhar de Leonardo, olhar que jamais tivera a permissão de diretamente olhar. Fraco, Christhian sabe o que é agora um Demônio. Fraco, Christhian sucumbe diante dos Terrores visualizados no olhar de Leonardo. Fraco, Christhian enlouquece mais do que já é louco. Dois. Dois. Dois. Christhian corre em direção ao altar. Christhian choca sua testa no altar. Christhian choca alucinado, choca destroçado, choca desnorteado, contra o altar, a sua testa, enlouquecidamente, gritando desamparado , gritando desencontrado, gritando desgraçado. Dois. Dois. Dois. Ele pára. Ele ajoelha-se. Ele olha para Leonardo. Ele olha para algo, antes de morrer, que finalmente o faz perceber que sempre, há dezesseis anos, vinha a ser enganado. Dois. Dois. Dois.Dois. Dois. Dois. Christhian morre. Christhian morre ajoelhado, com a cabeça apoiada no altar. Christhian morre, com um mão esquerda a acariciar-lhe os cabelos. Dois. Dois. Dois.

Dois. Dois. Dois. Agatha Raven acaricia, sorridente, os cabelos do filho. Dois. Dois. Dois.Agatha Raven, sorridente, fita diretamente o olhar de Leonardo. Dois. Dois. Dois. Agatha Raven, gargalhando, arranca os cabelos do filho com as duas mãos. Dois. Dois. Dois. Agatha Raven, gargalhando, desce do altar. Dois. Dois. Dois. Agatha Raven, gargalhando, caminha até Leonardo, sempre fitando os olhos Deste. Dois. Dois. Dois. Agatha Raven, gargalhando, adentra no círculo. Dois. Dois. Dois. Agatha Raven, gargalhando, acaricia com as mãos ainda a segurarem os cabelos de Christhian o volumoso, espesso e ardente pênis de Leonardo. Dois. Dois. Dois. Agatha Raven começa a chupar, deliciosamente, o pênis de Leonardo. Dois. Dois. Dois.

- Tu, sim, Agatha Raven, mereces a minha Coroa.

Dois. Dois. Dois.


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