terça-feira, 26 de junho de 2007

O Verdadeiro Redentor Da Humanidade

Arrastado o mundo. Arrastado todo o mundo. Arrastado por forças inferiores, advinda das falsas vozes que, qual coros atrozes, erguem mentiras nos confins, nos fins e nos afins das poucas auroras que nele podem ser vistas...

Muito sangue caindo pelos tortos motivos das torpes sendas humanas tortas. Muito sangue caindo e a fera se libertando das interiores amarras. Muito sangue caindo e os antigos gritos de guerra sendo esquecidos...

Muita dor nas manhãs ativas de todas as estações. Muita dor nas manhãs passivas de todas as estações. Muita dor nas manhãs todas sem estações e sem sensações. Muita dor e a grande fúria de um mundo morto a formar o lodo do solo cheio de angústias e fomes e outras dores a mais...

Agreste seca terrestre, multidões agigantando-se nos aluviões sinistros dos percalços estranhos do falso riso no mudo e surdo e cego viver. Agreste seca terrestre, tudo se tornando a poça suja de pensamentos e de ações inválidas para seres que se dizem racionais. Agreste seca terrestre, tentativas de chuvas muito boas reduzidas a lágrimas de negativas forças...

Do arrastar do mundo, Ele veio. Do sangue caindo, Ele veio. Da dor nas manhãs, Ele veio. Da agreste seca terrestre, Ele veio. Descalço, caminhando rápido, altivo, dotado de profundas energias que não se podem medir apenas com a leveza ou o peso do Espírito, Ele subiu em um palanque e começou a discursar e o seu discurso fez toda a Terra acordar, acordar junto com todos os que recebiam o arrastar, o sangue, a dor, a seca...

- Membros sofridos da Raça Humana! Membros mutilados! Membros esgotados! Membros lançados aos abismos das formas que atuam para a vossa decadência! Queimem os livros do passado que dizem que vós sois apenas os indivíduos inferiores a serem dominados pelos que jamais foram grandes! Queimem vossas frontes com a Nova Fúria! De qual Nova Fúria eu falo? De qual falar aqui é A Nova Fúria! O Caminho Furioso Do Novo pede que vós sejais aqueles que reclamarão o domínio verdadeiro de toda a civilização terrestre! Parem de ser medíocres perdedores! Parem de ser humildes perdedores! Parem de ser humildes fracassados! Parem de ser medíocres fracassados! Vejam, pobres dilacerados, pobres mutilados, pobres desprovidos de dignidade do mundo, o que mais lhes ata a Verdade Existencial Real: as leis! As leis, a Justiça, em si, é a causa da cruzada contrária que não permite o vosso engrandecimento, pois vós, pobres espíritos do mundo explorados pelos sinistros monstros que agem roubando e acumulando riquezas, sois merecedores da grandeza, A Grandeza Existencial! Ajo em nome desta Grandeza! Ajo porque sou O Verdadeiro Redentor Da Humanidade, O Redentor Não-Prometido! A Justiça fracassou! Todas as suas leis fracassaram! A Justiça é a mãe direta de todos os crimes! A Justiça é a desgraça da Humanidade, A Primeira Desgraça Da Humanidade! E seus desgraçados defensores merecem ser enforcados e queimados vivos em praça pública! Força agora, membros sofridos da Humanidade! Força agora! Trago A Verdadeira Redenção! O mundo apenas será verdadeiramente justo quanto todos os juízes e todos os advogados e todos os tribunais forem destruidos! Queimem vivos e enforquem em praças públicas a todos os juízes! Queimem vivos e enforquem em praças públicas a todos os advogados!

A atração exercida pela voz do Redentor motivou a turba, a turba dos feridos pelos milênios. Milênios de injustiças vingadas, pelo mundo inteiro. Bilhões contra a Justiça e seus defensores. Não houve resistência, a força da turba amedrontou qualquer resistência.

Levantaram-se cadafalsos em todas as praças do mundo, que inundadas de cadáveres tornaram-se. Levantaram-se fogueiras em todas as praças do mundo, cinzas e cinzas e cinzas amontoadas. Cadáveres de juízes. Cadáveres de advogados. Cinzas de juízes. Cinzas de advogados. O Redentor era seguido pela turba. O Redentor era amado pela turba. O Redentor era adorado pela turba.

Mas, A Obra Da Redenção Não-Prometida precisava continuar. Mais um palanque. Mais palavras do Redentor. Mais ouvintes a delas necessitar.

- As leis tiveram as culpas por todas as guerras que destroçaram terras e erradicaram famílias inteiras pelas eras terrestres! Leis, leis, leis, representadas pelos exércitos! Leis, leis,leis, representadas pelas polícias! O que mais fizeram os exércitos a não ser levarem à ruína povos inteiros? O que mais fizeram as polícias a não ser atarem todos os mais naturais instintos humanos? O que vale um general enviando homens e mulheres à morte e para provocarem a morte, o saque, o estupro, a destruição? O que vale um policial reprimindo crimes que ele mesmo comete, consciente ou inconscientemente, torturando, traficando, matando, estuprando, roubando? Nada são os exércitos, os verdadeiros guerreiros morreram quando a última espada foi erguida na última batalha travada entre espadas! Nada são as polícias, a não ser lixos moldados para o aumento da corrupção e do poder dos monstros que estão a governar o mundo! Chega desse sofrer! Chega desse torpor aniquilador! O mundo será apenas verdadeiramente legítimo e a paz advirá, a verdadeira paz, quando todos os soldados e todos os policiais forem destruidos! Queimem vivos e enforquem em praças públicas a todos os soldados! Queimem vivos e enforquem em praças públicas a todos os policiais! Derrubem todos os quartéis! Destruam todas as armas! Vamos, sofredores de todo o mundo, vamoss, As Armas E As Fardas São A Segunda Desgraça Da Humanidade! Eu sou O Verdadeiro Redentor e digo-vos apenas mais uma das Verdades Mais Redentoras! Queimem vivos e enforquem todos os soldados do mundo e seus superiores! Queimem vivos e enforquem a todos os policiais do mundo e seus superiores!

A turba alvoroçou-se. A turba ergue-se. A turba encarregou-se de mais um ato, mais um dos Atos Redentores Da Humanidade. A turba, de sofredores, de perdedores, de humilhados, por todo o mundo, como infinito furacão indestrutível e inderrubável avançou sobre todos os quartéis. Bilhões contra os exércitos. Bilhões contra as polícias. A turba queimou. A turba enforcou.

Militares enforcados. Militares queimados. Policiais enforcados. Policiais queimados. Não houveram chances de defesa, A Voz Do Redentor, qual A Mais Sombria De Todas As Magias Destrutivas, atou as mãos dos militares e dos policiais. Reações não houveram. Fardas queimadas. Coletes queimados. Armas queimadas. Cadáveres nas praças, mais cadáveres nas praças. Cinzas nas praças, mais cinzas nas praças.

Mas, A Obra Da Redenção Não-Prometida precisava continuar. Mais um palanque. Mais palavras do Redentor. Mais ouvintes a delas necessitar.

- Duas Desgraças Da Humanidade agora a nada reduzidas! Duas Desgraças esquecidas! Vamos à Terceira Desgraça Da Humanidade, que se esconde atrás dos ternos e das gravatas, que é hipócrita, que pensa apenas em si mesma! É uma desgraça a enganar-vos, a sempre enganar-vos, falsos homens e falsas mulheres a falarem de igualdade de direitos e liberdades de direitos! Não existe o direito à igualdade! Não existe o direito às liberdades! Não existe A Igualdade! Não existe A Liberdade! E, por isso mesmo, não existe A Fraternidade! Fraternidade! Quando toda a Humanidade viveu em regime fraternal, em verdadeiro regime fraternal? No passado, antes de todas as civilizações! No passado, antes das tribos, antes dos reinos, antes dos impérios, antes dos Estados Nacionais! No passado, podiamos falar em Igualdade! No passado, podiamos falar em Liberdade! No passado, podiamos falar em Fraternidade! Mas, os idealismos a tudo vieram destruir! As filosofias vieram a tudo destruir! Moralistas, marxistas, capitalistas! Esquerdistas, direitistas! Nietzscheanos, hegelianos, foucaultianos! Queimem! Enforquem! Queimem todos os idealistas! Enforquem todos os idealistas! Queimem todos os políticos! Enforquem todos os políticos! Queimem todos os filósofos! Enforquem todos os filósofos! O mundo será apenas verdadeiramente fraternal, libertador e igualitário quando todos os idealistas, políticos e filósofos forem destruidos! Queimem vivos e enforquem em praças públicas a todos os idealistas! Queimem vivos e enforquem em praças públicas a todos os políticos! Queimem vivos e enforquem em praças públicas a a todos os filósofos!

Elementar pedido. Elementar turba a atender o pedido. Elementar turba enganada por palavras escritas e recitadas erguendo-se qual legião de vingadores de anos e anos de desgraça. Elementar turba derrrubando a Ideologia, a Política e a Filosofia.

Não há mais defensores treinados para protegerem os idealistas. Não há mais defensores treinados para protegerem os políticos. Não há mais defensores treinados para defenderem os filósofos. Bilhões contra os idealistas. Bilhões contra os políticos. Bilhões contra os filósofos. O Terceiro Ato Redentor. Queimados todos os idealistas. Enforcados todos os idealistas. Queimados todos os políticos. Enforcados todos os políticos. Queimados todos os filósofos. Enforcados todos os filósofos. Cadáveres nas praças, mais cadáveres nas praças. Cinzas nas praças, mais cinzas nas praças.

Mas, A Obra Da Redenção Não-Prometida precisava continuar. Mais um palanque. Mais palavras do Redentor. Mais ouvintes a delas necessitar.

- Faltam ainda aqueles que inspirados pelas filosofias e pelas ideologias construiram o que vêm a ser A Quarta Desgraça Da Humanidade! Falo dos cientistas, com ciências que mais corromperam o ser humano do que o auxiliaram na Evolução! Falo dos religiosos, com a sua desgraça suplicante a um Deus que não passa de um Egrégora desgraçado e inútil quando chamado à Realidade! Qual ciência resolveu a todo maior problema do mundo? Qual religião verdadeiramente salvou o mundo? Qual ciência descobriu O Verdadeiro Mistério Existencial que vos faria livres de todas as doenças e de todos os males físicos a mais? Qual religião descobriu O Verdadeiro Creador que poria na Cadeia Dos Esquecimentos ao Maior De Todos Os Egrégoras, aquele canalha, aquele calhorda, aquele patife, a quem chamam de Deus, a quem consideram como Deus Único? Ciências apenas atrasaram o desenvolvimento humano, pois guiadas foram pelas forças opressoras a vos encarcerarem! Religiões apenas ataram vossas mentes e vossas almas, pois serviram às mesmas forças opressoras! Eliminamos todas as forças opressoras a guiarem as ciências! Eliminamos todas as forças opressoras a guiarem as religiões! Queimem a todos os cientistas! Enforquem a todos os cientistas! Queimem a todos os religiosos! Enforquem a todos os religiosos! O mundo será apenas verdadeiramente evolucionário quando todos os cientistas e religiosos forem destruidos! Vamos, enganados pelas ciências! Vamos, enganados pelas religiões! Ciência é desgraça! Religião é desgraça! Queimem vivos e enforquem em praças públicas a todos os cientistas! Queimem vivos e enforquem em praças públicas a todos os religiosos!

Saindo a turba. Saindo a turba em mais uma missão extinguidora. Saindo a turba motivada pelas palavras do Redentor, soando mais verdadeiras do que todas as já ditas e ouvidas durante todos os milênios terrestres. Saindo a turba a queimar. Saindo a turba a enforcar. Saindo a turba em mais um Ato Redentor, O Quarto Ato Redentor.

Laboratórios abaixo. Templos religiosos abaixo. Bilhões contra os cientistas. Bilhões contra os religiosos. Queimados todos os cientistas. Enforcados todos os cientistas. Queimados todos os religiosos. Enforcados todos os religiosos. Cadáveres nas praças, mais cadáveres nas praças. Cinzas nas praças, mais cinzas nas praças.

Mas, A Obra Da Redenção Não-Prometida precisava continuar. Mais um palanque. Mais palavras do Redentor. Mais ouvintes a delas necessitar.

- Aqui estamos, gente que venceu a Deusa Opressão! Aqui estamos, gente vencedora que venceu a todo monstro que te derrotava, a todo monstro que te perturbava, a todo monstro que te condenava, a todo monstro que te escravizava! Mas, O Maior Ato Redentor vosso, gente nova terrestre, Homem Novo, vem agora! O Maior Ato Redentor vem agora! Eu os guiei! Eu os regi! Eu os conduzi! Eu fui-lhes Verdadeiro Pai! Eu fui-lhes Verdadeira Mãe! Eu fui-lhes O Verdadeiro Redentor! Diferente do Nazareno, eu vos consagrei em uma caminhada libertadora através do sangue, do caos e da aniquilação dos alicerces de uma civilização apodrecida sobre as bases de construções sempre fadadas a se caracterizarem realizadas ruínas! O Nazareno foi crucificado pelos monstros que vós todos destruistes! Eu, Gente Nova, Homem Novo, quero agora ser queimado e enforcado por vós! Torturem-me! Queimem-me! Arrastem-me pelas ruas do mundo! Dêem-me a minha Redenção, pois eu lhes dei a vossa Redenção! O mundo será melhor redimido quando todo Redentor for destruido! A imagem do Cordeiro foi destruida! Destruan agora a imagem do Cordeiro Não-Prometido! Destruam-me, todos vós! Destruam-me! Queimem este Redentor! Enforquem este Redentor!

O Homem Novo, seduzido pelo Verdadeiro Redentor, agiu como foi-lhe por Este pedido. O Homem Novo torturou-o. O Homem novo queimou-o. O Homem Novo arrastou-o, já cadáver e enforcado em uma praça pública, por todas as ruas do mundo. O Homem Novo lançou-o em uma fogueira, já morto, em uma praça pública.

Cadáveres ainda nas praças. Cinzas ainda nas praças. Cinzas do Verdadeiro Redentor em uma praça. Este foi O Quinto Ato Redentor. Mas...

Mas...

Mas...

Mas...

Mas, A Obra Da Redenção Não-Prometida precisava continuar.

Nenhum palanque. Nenhuma palavra. Nenhum ouvinte.

Homens contra homens. Mulheres contra mulheres.

Homens contra mulheres. Mulheres contra homens.

Queimando-se.

Enforcando-se.

Queimando-se.

Enforcando-se.

Queimando-se.

Enforcando-se.

Queimando-se.

Enforcando-se.

Queimando-se...

Enforcando-se...

Ao fim, apenas restaram todos os animais, os únicos poupados pelo Redentor.

A Humanidade acabou quando o último dos homens enforcou a última das mulheres.

O último dos homens enforcou-se.

Assim Concretizou-Se O Sexto Ato Redentor.

Assim Concretizou-Se A Verdadeira Redenção Da Humanidade.


Humanamente,

Inominável Ser.





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terça-feira, 19 de junho de 2007

Os Roedores Gritos Dos Quartos Interiores

Roído...

Roído...

Roído...

O vestido de veludo azul de Cristiane... O sapato de mocassim de Marlene... Os ternos de meu pai... As saias de minha mãe... Tudo assim, comido pelas estranhas parafernálias dos tiranos temporais. Tempos tiranos todos os meus, quantos tiranos aqui, quantos tiranos em redor de onde eu caminho, de onde eu caminhava...

Os lábios de Mariana estão roídos... Os seios de Rita estão roídos... O cu delicioso de Dalila está roído... Minhas amantes todas...

Merda, elas estão roídas!

Mulheres, mulheres, muitas, milhares, inumeráveis, mulheres, mulheres, mulheres... Agora, todas roídas... Dalila e aquele cu delicioso, grande, da cor da terra, que eu por horas chupava, lambia, beijava... Eu filosofava naquele cu delicioso de Dalila... A entrada dele! A entrada! Uma crítica de minha libido eu fazia ali e até moldava teorias sobre o amor carnal. Eu filosofava...

Porra...

De novo...

De novo eu a falar da porra da Filosofia...

E da porra da Dalila...

Filosofia roída... Dalila roída... Foi-se Nietszche pelos ralos da minha existencialidade medíocre, assim como Dalila... Amei Dalila... Dalila, a única que eu amei... Um Sansão ela me fez, mas meus cabelos comigo continuaram... Com ela, jamais brochei e...

Não de novo...

Eu, roído aqui, e de novo com isso...

Está tudo roído, tudo roído, tudo roído...

Estes gritos...

Roedores gritos...

Muitos ratos na cozinha... Muitos ratos no banheiro... Lembro-me daquele pardieiro no centro do Rio de Janeiro no qual morei... Pegava putas toda noite... Quer dizer, eu estuprava prostitutas toda noite... E até algumas menininhas de rua...

Roedores...

Estes ratos aqui...

Filosofia roída de estuprador... A cada mulher, a cada menina, eu me sentia mais roído... Mas, todas elas, eram roídas... Todas elas... E eles...

Fodi com machos mesmo...

Estuprei machos...

Estuprei meu pai...

Estuprei minha mãe...

Estuprei minha irmã, Cristiane...

Estuprei minha irmã, Marlene...

Todos roídos... Todas roídas... Amantes nada... Ninguém me amou...

Eu amei Dalila...

Eu estuprei Dalila por nove dias, aquele cu delicioso me refazia...

Estuprei...

Estuprei Rita...

Estuprei...

Estuprei Mariana...

Estuprei...

Estuprei...

ESTUPREI!!!

ESTUPREI!!!

ESTUPREI!!!

Roído tudo...

Estes gritos...

Tudo me roendo... Tudo me roendo e gritando... As vitrines foram roídas... As paredes foram roídas... Vitrines e paredes sempre roídas... Paredes sempre roídas...

Estuprei todos com um cabo de vassoura...

Meu amado cabo de vassoura...

Sou virgem... Virgem mesmo... Mas...

Estes gritos...

Roedores...

Roedores aqui...

Roedores gritos...

Neste quarto fechado há muitos quartos... Eu roído... Eu muito roído... O que fazer, roído? Aquele cabo de vassoura, meu amigo... Meu amigo cabo de vassoura... Nunca me pegaram... Nunca me...

Roedores...

Diabo, porque não afastas esses roedores gritos de mim?

Diabo, afastai esses roedores de mim!

Diabo, arrastai... Deus... Deus...

DEUS!!!

DEUS!!!

DEUS!!!

DEUS, ARRASTAI ESSES ROEDORES GRITOS DE MIM!!!

Que Deus?

Que Diabo?

Deus dá o cu para o Diabo...

Tenho apenas o cabo da vassoura... Sou virgem... Sou bem virgem... A polícia tá me caçando, estuprei e matei uma menina de dez anos... Filha de milionário... Estuprei e matei todo mundo antes, mas os policiais nem comigo se preocupavam... Mas, aquela putinha deliciosa de oito anos que me enlouqueceu, me fodeu...

O cabo da vassoura...

Estes gritos...

Roedores gritos...

Policiais, estes merdas fodidos, me caçando...

Sou virgem...

Sou virgem...

Queria deixar de ser virgem...

O cabo da vassoura...

NINGUÉM VAI ME PRENDER, CARALHO!!!

Fiquei de quatro e fui enfiando em meu cu o cabo da vassoura!

AI, DELÍCIA, DELÍCIA, DELÍCIA FODIDA!!!

Fui enfiando o cabo!

AI, DELÍCIA, DELÍCIA, DELÍCIA FODIDA!!!

Fui enfiando... no raaaaaboooooo!

AI, DELÍCIA, DELÍCIA, DELÍCIA FODIDA!!!

O cabo... no raaaaaaaaaaaabo!

AI, DELÍCIA, DELÍCIA, DELÍCIA FODIDA!!!

A parede atrás de mim... O cabo enfiado em meu cu dez centímetros...

Roedores gritos...

Roído...

Roído...

Roído...

Eu me lancei em direção à parede...

Gritei de prazer, o cabo da vassoura me penetrou todo...

Foi assim que a todos...

A todos que estuprei...

Foi assim...

Foi...

Foi assim que a todos que estuprei matei...

Dilacerou tudo dentro de mim...

Chegou à garganta...

Saiu na boca um pedacinho da ponta dele...

AI, DELÍCIA, DELÍCIA, DELÍCIA FODIDA!!!

Eles vão me achar roído...

Morri, mas estou preso ainda...

Estou aprisionado, mas não pela Polícia fodida do Rio de Janeiro...

Os ratos me aprisionam...

Os ratos que roem o meu cadáver no quarto de prédio abandonado no centro do Rio de Janeiro me aprisionam...

Eles gritam enquanto roem-me...

Os roedores gritos...

Roedores gritos...

Os roedores gritos são deles...

Meus outros quartos recebem os gritos...

Os ratos não vai me deixar sair nem dos meus ossos...

As autoridades que exigiram minha caçada nem acharão o pó dos meus ossos...

Serei roído inteiramente...

Meu Espírito pertencerá, roído e em pedacinhos, aos ratos deste prédio abandonado...

Roído...

Roído...

Roído...


Roído,

Inominável Ser.





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segunda-feira, 4 de junho de 2007

Lady Melissa Quer Ser Imortal

Lapa, Rio de Janeiro, madrugada, samba, hip hop, batidas eletrônicas, pagode, choro, cerveja, abraços, beijos. Meia-noite de sexta para sábado, meia-noite de festas várias, meia-noite de todas as festas variáveis. Melissa Andrade Gama dos Anjos Reis escolheu uma mesa de bar na calçada para aguardar a chegada daquele que há onze anos esteve à procura. Bebendo cachaça pura, Melissa, de 47 anos de idade, nem parece ser uma filha da alta sociedade, está vestida como os demais em seu redor, sem maquiagem, apenas roupa preta total, sobretudo preto discreto e um pentagrama vermelho invertido ao pescoço. É frio, noite mui fria na Lapa, e Melissa aguarda a chegada dele. Ouvindo A Deusa Do Asfalto, de Adelino Moreira, tocada por músicos do bar, chorões, no qual está, batuca levemente na mesa, mexe a cabeça e deixa os cabelos negros espessos cobrirem metade de seu rosto. Enchendo novamente o copo, Melissa reflete sobre a demora dele, se ele realmente viria ao seu encontro. Melissa gastou milhões de dólares para encontrá-lo, percorrendo, literalmente, por conta própria, o mundo inteiro. Melissa sabe que valeu a pena, pois ele prometeu ir ao seu encontro ali mesmo, diante dos Arcos Da Lapa.

Acostumada a beber cachaça desde os dezesseis anos de idade, Melissa já está em seu quinto copo cheio e não se encontra embebedada. Eufórica, controladamente, Melissa está, acompanhando com exatidão cada batida de seu coração e cada pensamento bem ordenado de sua mente a planejar o que falará para ele. Fumante desde os onze anos, Melissa acende uma cigarilha artesanal e, com um pouco da classe herdada devido à sua condição social, começa a fumar segurando o cigarro com um tanto de pompa que perceptível seria apenas aos mais acostumados a verem indivíduos da alta sociedade em outros ambientes, mais sofisticados e exclusivos deles. O grupo a se apresentar no bar agora toca O Que Sempre Senti Por Ti, de Antenógenes Silva e De Moraes; Melissa, ouvindo a poderosa voz rouca do cantor, fecha os olhos e sorri, relembrando do seu antigo sonho, desejo inato, de sempre estar frente a frente com um deles. De olhos fechados, ela ouve a música, fumando o cigarro, balançando a cabeça levemente ao som da música, batucando levemente na mesa ao som da música... E, sem que perceba, ele chega, senta-se à sua frente e, silencioso como floresta obscura desconhecida, passa a observá-la.

A música tocando e Melissa, de olhos fechados, viajando, sentindo cada verso, adentrando existencialmente em cada verso... A melodia é Melissa... Melissa é a melodia... Os olhos fechados, a perfeita divina sintonia... Os olhos fechados, percepção maior da sinfonia... Cigarro... Dedos na mesa batucando... A música...

Ele, sorrindo, observa-a, nota-lhe a respiração suave, os feixes de ar formados pelo ar que a rodeia. Ele, sorrindo, vê-lhe a aura, totalmente negra, formando ondas de força sinistra e perturbadora que poucos, em redor, podem perceber. Ele, sorrindo, aguarda o término da música, aguarda Melissa abrir os olhos e assustar-se ao vê-lo sentado à frente dela.

Os músicos, após tocarem a décima segunda música seguida, descansam. Melissa ajeita-se na cadeira, dá uma tragada e inicia o diálogo.

- Cumprindo a palavra... Algo raro em vossa gente.

- Em Tel Aviv, aquele recado que tu recebestes para encontrar-me aqui foi real, o mensageiro pagou como se deve, depois, a mim, pelo serviço que eu prestei a ele.

- Aquele cara entregou-me aquele pergaminho por você e você quem prestou um serviço a ele?

- Ele, agora, trabalha para mim apenas à noite.

- Compreendo, agora... Por que escolheu a Lapa? Poderia ser Roma, Viena, Moscou, até a Transilvânia...

- Tu és debochada, Lady Melissa.

- Quer que eu te trate como um imperador, Marduk?

- Quero que me trate como quiser, Lady Melissa.

- Puta merda, eu estou bem longe de ser uma "Lady"... Fiz muita coisa por aí que envergonhariam até as prostitutas, mas tudo com a intenção de mais me aproximar de vocês.

- Conhecemos vossa trajetória, Lady Melissa. Nós catalogamos os indivíduos entre os seus que mais podem ser como nós somos.

- Entre os "meus"? Falando de quem, Marduk? Dessa gente em meu redor ou daquela gente que me criou? Não sou dessa gente toda, no geral, Marduk, mesmo que tenha nascido como uma deles. Olhe muito para eles, olhe muito bem para eles, olhe muito bem mais para a Consistência e a Constituição de todos eles... São todos humildes fracassados, cheirando apenas a álcool, fumo e sexo, dotados apenas do desejo de uma boa noite para foder com algo que se mexe ou não. Eu decidi caminhar entre eles para que soubesse mais acerca do mundo que os meus pais tentaram fazer com que eu me mantivesse afastada. Andei de ônibus, andei de metrô, fui a rodas de samba, bailes funk, pagodes, shows populares, churrascos; me enturmei com eles porque queria sentir o aroma, o odor, a energia que move toda essa gente que a classe alta tanto renega. Me envolvi com eles, subi favelas, subi morros, fumei maconha, cheirei cocaína, fui puta de traficantes, fui jupira de presidiários, experimentei de tudo e registrei em meu Livro Do Sangue. Vivi, Marduk, apenas experimentando esse lado da existência humana, o lado que dota de crueldade homens que estupram presidiárias no Iraque e homens que arrastam por quilômetros no asfalto uma criança pelas ruas de Madureira. Gastei milhões assim, pelo mundo, não apenas aqui no Rio de Janeiro, estudando esse tipo de existência, pela qual me encantei, pela qual estou completamente ansiosa por eternamente saborear...

- Tu achas que os da classe social na qual experimentastes tudo são apenas pouco menos do que puro lixo?

- Não são lixo, eles nem chegariam a ser lixo. Como os ricos, os pobres são, simplesmente, nada. Encontrei centenas de pessoas cruéis entre os pobres que muito me ensinaram e usei-as como laboratórios para as minhas experiências ocultas com o sangue, fazendo-os, através de minhas poções e fórmulas mágicas, adentrarem mais em suas ruínas interiores e se perderem infinitamente. Entre os ricos, trabalhando como especuladora financeira, golpista e amante de empresários e socialites, arruinei dezenas apenas pelo prazer de vê-los nas mesmas condições sociais dos pobres, os quais mais desprezavam. Durante esse tempo todo de caminhada pelo mundo, Marduk, como você sabe, fui me aprimorando na Arte Do Sangue e chego aqui, agora, diante de ti, como uma Maga Vermelha. A Paixão Violenta é o meu Signo Oculto e é Dela que eu me alimento e foi Ela que eu sempre procurei ao me envolver com todos que me envolvi.

- E fez cair.

- Sim, Marduk, em nome do meu objetivo de me aproximar de vocês, me tornei o máximo possível de tudo o que é contrário à civilização.

- E sem perder a sanidade, como vejo, Lady Melissa.

- Loucos não poderiam chegar onde cheguei, Marduk. Eu calculei tudo, experimentando de tudo. Tudo que é inimaginável aos covardes que ficam apenas sentados e esquentando os cus em mesas de bares como esta enquanto as Transformações ocorrem nas Altas e nas Baixas e nas Mais Baixas Esferas!

- Tudo isso para se aproximar de nós, Lady Melissa?

- Você agora está a debochar de mim, Marduk...

- Não, eu apenas estou a ouvi-la, interessado que sou na atuação de tipos como tu entre os de vossa estirpe biológica.

- Eu não sou um "tipo", Marduk, não me iguale a esses...

- Uma das principais qualidades dos de minha estirpe biológica é a educação, a paciência e a amabilidade.

- "Os Que Dominaram A Besta", sei disso, Marduk...

- Com paciência, tu me procurastes e me encontrastes. Admiro-te demais, Lady Melissa, pela persistência e pela confiança em cumprir o objetivo de encontrar-me.

- Estás emocionado, agora? Achas que és muito importante, Marduk, apenas porque reinou no país que viria a ser a Assíria e foi considerado um Deus pelos assírios?

- Poderias ser qualquer um de nós; porque eu, especificamente, Lady Melissa?

- Porque você, Marduk, é o mais próximo do Espírito Da Guerra entre os Filhos De Amalya! Porque você, Marduk, representa um Caminho De Sangue que eu amo! Porque você, Marduk, me trará a glória de ser coroada como uma Guerreira Eterna Sangrenta, uma oportunidade para que eu possa derramar cada vez mais sangue, mais sangue do que eu já derramei, direta e indiretamente!

- Estás atraindo a atenção dos demais em nosso redor, Lady...

- Fodam-se todos eles, Marduk! - Melissa põe-se por cima da mesa e com as duas mãos puxa Marduk pelo sobretudo prateado para bem próximo de si, encostando o seu rosto no dele e gritando: - Escuta aqui agora, seu filho da puta, seu viadinho! Você é um merda que se esconde nas sombras, mas quero ser uma Luz Sangrenta para as Sombras Sangrentas! Não me importo se você foi rei do caralho de qualquer império do passado ou se reinou no cu de uma mulher ou no próprio cu; o que me interessa é que a porra das suas mandíbulas perfurem o meu pescoço e me tornem uma Vampira! Está bem, Marduk? Preciso gritar mais alto? Preciso?

- Estamos encenando, nobres da Lapa. - Marduk, sorridente, justificando-se para os assustados presentes. - Minha companheira de cena é bastante criativa e tempestuosa quando interpreta.

- Sou mais criativa ainda, nobres da Lapa, quando eu utilizo certo feitiço para encantar um Vampiro e fazê-lo crer que a luz do sol nascente é a luz da lua crescente!

- Se queres ser como nós, Vampiros, Lady Melissa, porque assim ameaça a um?

- Se não me transformar em uma Vampira, Marduk, eu apenas recito as sílabas menores do encantamento e te transformo em uma merda de Vampiro hipnotizado que vai virar cinzas à primeira luz do sol a bater aqui na Lapa!

- Transformados são muito...

- Marduk, pela última vez...

- Solte-me e iremos a um local isolado desta cidade. Eu a Transformarei, Lady Melissa.

Melissa acalma-se, gargalha e solta Marduk, sob os olhares assustados dos que estão em redor na calçada do bar. O grupo de chorões volta para o palco e começa a tocar Fica Comigo Esta Noite, de Adelino Moreira e Nelson Gonçalves. Melissa e Marduk afastam-se e, silenciosamente, percorrem as ruas em direção à Avenida Presidente Vargas. Melissa, à medida que submete seus passos rápidos à caminhada ao lado de Marduk, sente todo o seu sangue explodir de energias ocultas, as quais tantas e tantas vezes manipulou em Rituais De Sangue, oferecendo o seu próprio sangue aos Deuses Do Sangue ou o sangue de animais, meninos de rua, prostitutas, michês, mendigos e amantes aos mesmos Deuses. Melissa, nas treze vezes nas quais ficou grávida, interrompeu por conta própria a gravidez sempre no sétimo mês, utilizando ervas específicas para abortar e sacrificando os natimortos aos seus Deuses Do Sangue. Amoral, nada amando além de sua busca pelo derramamento de sangue em Rituais e no estudo científico-ocultista da Arte Do Sangue, utilizando a sua riqueza apenas para a busca de vítimas e mais vítimas pelo mundo (com o auxílio de traficantes internacionais de seres humanos de todas as raças e etnias) a fim de serem utilizados em seus abomináveis experimentos: assim é Melissa.

Marduk a está guiando para o Campo De Santana, um lugar que à noite é povoado pelas Sombras e pelos Filhos Das Sombras, que espreitam a partir dali humanos específicos dos quais possam se alimentar. Todos os Filhos Das Sombras, de todas as Espécies, apresentam-se ocultos pelas sombras do Campo, dialogando, em harmonia, sentindo O Lado Trevoso Da Natureza que povoa o local nas horas noturnas.

É uma hora da madrugada de sexta para sábado. Melissa e Marduk saltam as grades que cercam o Campo, sem serem notados pelos guardas do Exército do outro lado da estrada a, dia e noite, montarem guarda em frente ao Palácio Duque De Caxias. Marduk conduz Melissa até a beira do lago do Campo, em um local que ela não sabe determinar. Ele a faz ajoelhar-se e a desnuda da cintura ao pescoço. Melissa, de olhos fechados e cabeça erguida, mostrando a jugular para ele, nem frio mais sente. O que Melissa sente é o sangue em suas veias tornar-se vulcão, explodindo em elevações inexplicavelmente parecidas com o expandir de Universos e com o Moldar De Novas Criações. Melissa sente O Todo em seu sangue, sangue, sangue, sangue! Melissa sente O Torpor Das Esferas em seu sangue, sangue, sangue! Melissa sente A Ira Das Formas Maiores Moldando Outras Formas Maiores em seu sangue, sangue, sangue! Melissa sente O Vento Oculto Da Grande Oculta Noite em seu sangue, sangue, sangue! Melissa sente A Estrela Das Perdições Da Criação em seu sangue, sangue, sangue!

Melissa Sente O Momento!

Melissa Sente O Momento Da Transfomação!

Melissa Sente O Momento!

Melissa Sente O Momento Da Transformação!

Melissa Sente O Momento!

Melissa Sente O Momento Da Transformação!

Melissa sente sendo já mordida...

Melissa ouve uma gargalhada feminina...

- Lady Melissa quer ser imortal!

- Que é... Quem... Que...

- Sir Marduk se foi, Lady Melissa, abra os olhos, vossos olhos mortais que continuarão sendo mortais por mais algum tempo neste planeta de mortais e imortais...

- Quem... Quem é você? Que desgraça tola é essa que Marduk aprontou comigo? Que brincadeira tola e desgraçada é essa de Marfuk? Ele pensa que eu sou uma criança? Ele pensa? Ele pensa? Ele pensa?

- Esqueças Sir Marduk, Lady Melissa, preocupe-se aqui, aqui diante deste lago onde dançam as Ondinas Das Trevas, comigo que pode te fazer uma crueldade qualquer...

- Nenhum Vampiro pode me derrotar, nem mesmo Amalya, a vossa Deusa! Eu a reduzo a cinzas, Vampira, se me atacar ou tentar me atacar!

- E, depois, parte para fazer o mesmo com Sir Marduk?

- E até com a vossa Deusa, se for preciso!

- Se ameaças até a minha Mãe, Lady Melissa, és porque não respeitas a Hierarquia Vampírica e nem és digna de partilhar da Alma Da Deusa Amalya...

- Vocês se escondem demais e é isso que eu rejeito em vocês! Vocês devem viver como eu vivo, saboreando as desgraças humanas e realizando mais desgraças, pois a Humanidade é um grande povoado de alimentações para que desgraças sejam realizadas! Quero ser uma Vampira para poder reinar entre os humanos, quero pisoteá-los mais do que já pisoteei, quero fodê-los, dos ricos aos pobres, dos pobres aos ricos, mais do que já fodi a ricos e pobres!

- O Equilíbrio conseguido pelas Forças Dos Deuses não pode ser rompido, Lady Melissa... Nem a Deusa Amalya poderia rompê-lo, tu sabes disso, és uma Maga cujo Poder equivale ao de muitos Deuses e...

- Quando eu me erguer daqui, Vampira, tuas cinzas farão parte do lago deste Campo!

Melissa não tem tempo de defender-se. Melissa não tem tempo de conjurar um feitiço. Melissa não tem tempo de evocar toda a sua Magia. A Vampira a dialogar com Melissa, à Velocidade Da Luz, arranca-lhe com as mãos os dois braços, os quais eram os Concentradores, os Instrumentos Materiais através dos quais ela podia efetivamente realizar seus Rituais, suas Conjurações, sua Magia...

O grito de Melissa faz com que toda a sua Magia se esvaia pelo ar.

O grito de Melissa faz com que se afastem dela os Deuses Do Sangue, os quais não precisam mais de uma Maga Caída, a qual ela sempre fora, sem nunca ter a isso notado.

O grito de Melissa, ajoelhada ainda, sem os braços, envolve-a nas Trevas Dos Terrores Noturnos...

Melissa, envolta pelos Terrores Noturnos...

Melissa, ajoelhada, sem os braços, envolta pelos Terrores Noturnos com os quais sempre lidou e manipulou para aterrorizar a muitos, inimigos ou não, em nome de suas Ciências Ocultas...

Melissa, vítima dos Terrores Noturnos...

Melissa, agora, sem os braços, sem Poder, sem Magia...

Melissa, agora, ajoelhada, vítima dos Terrores Noturnos...

Melissa não grita mais, cala-se, fica-se apenas a ranger os dentes, a rosnar como cadela feridíssima na relva...

Melissa não grita, rosna, geme, não consegue falar...

Melissa, não podendo abrir os olhos, a dor não deixa, apenas pode ouvir...

Melissa ouve Os Terrores Noturnos.

Melissa ouve os sons de sua Queda Definitiva.

Melissa ouve a voz de Anya, voz fria e metálica, voz indiferente e agressiva.

- Tu eras tão arrogante, Lady Melissa, e tão confiante em vosso Poder Oculto, que jamais pensaria que algo ou alguém poderia arrancar-lhe vossos Instrumentos De Poder, os próprios braços. Foi tolice e ingenuidade, Lady Melissa, Concentrar em vossos braços as Energias Do Sangue, muita tolice, muita ingenuidade... Tu me tornarias cinza se as Energias estivessem em vosso Espírito, mais dificil de ser derrotado em um Mago Verdadeiramente Mago, sua magazinha de araque. Tu querias ser Vampira somente porque há onze anos atrás descobriu-se portadora do vírus da AIDS por causa de vossa existência devassa, vulgar, de experiências sexuais bizarras com tudo o que está regido pelas Leis Do Sangue. A desculpa dada a mim e a Marduk para te tornares uma Vampira era pura mentira, assim como as ameças; nós já sabiamos de tudo, Vimos através das Barreiras Astrais que vós pusestes em redor de ti a Verdade de vossas intenções reais. Ser Vampiro, Lady Melissa, não é uma condição, não é uma escolha, e nem é uma salvação; Ser Vampiro É Saber Ser Toda Condição, Toda Escolha E Toda Salvação Diante De Todas As Mutabilidades Das Esferas Da Criação. Criança tu és, Lady Melissa, por querer ter acreditado que nos enganaria, infantilmente querendo dizer-se como Compreendedora Do Ser Vampiro, querendo ser, assim, uma de nós. Tu nunca serás uma dos Vampiros, Lady Melissa, nem nas vossas próximas Existências, todos os Vampiros Sabem disso. Deusa Amalya escolheu-me para dar-te esta lição porque Sir Marduk não gosta de brutalidades excessivas desde que Ela o tornou um Vampiro; já eu, adoro-as, e se pensas que és "cruel", digo-te apenas que exponencialmente elevado ao Infinito Desconhecido fiz muito mais do que você em matéria de crueldades. Tu tens apenas mais onze anos de Existência Material, Lady Melissa, até que a AIDS te consuma com cânceres vários. Teu Livro Do Sangue e a tua fortuna não te salvarão, mesmo que gastes milhões em tratamentos ou contrates Feiticeiros, Magos e Bruxos para tentarem curá-la. Te digo, Lady Melissa, que se tu seguisses outro caminho, analisando os Mistérios Do Sangue, descobririas a ansiada Cura Da AIDS; como escolheu A Besta, que eu domino e, às vezes, como hoje, Libero, sofrerás bastante com a doença da qual queria livrar-se, por mais onze anos... E sem os braços, que eu darei de comer aos meus amigos Bestiais que me aguardam no subsolo deste Campo... Antes de ir, digo-te que meu nome é Anya Bausch, Lady Anya entre os meus, Lady Melissa, e uma respeitada Vampira Nata por todos eles. Entre os seus, Lady Melissa, tu és apenas mais uma aidética moribunda digna da piedade dos que possuem n'alma os elementos da misericórdia que tanto eu quanto tu desconhecemos...

Anya, reproduzindo em sinistra voz de soprano Primavera, de Antonio Vivaldi, afasta-se, caminhando sobre as águas do lago, carregando os braços de Melissa. As gotas do sangue de Melissa caem no lago e são sorvidas pelas Ondinas Das Trevas. Anya é envolvida pelas Ondinas e desaparece, lentamente, sem olhar para trás, afundando no meio do lago...

Melissa, agora, sente frio...

Melissa, semi-nua, estremecendo, olhos fechados, sente frio...

Dois maços de cigarrilhas próximos ao seu sobretudo e Melissa sem as mãos para retirar uma e fumar...

Abafado pelos Seres Da Noite o grito de Melissa foi, os soldados em guarda do outro lado da avenida não ouviram-no, e ela se encontra solitariamente ajoelhada, esvaindo-se em sangue, em meio a uma poça de sangue, sangue que escorre até o lago e é sorvido pelas Ondinas Das Trevas...

Melissa, mortal, no frio.

Melissa, mortal, sem os braços.

Melissa, mortal, gritando ininterruptamente, no frio, sem os braços.

Melissa, mortal, gritando e não sendo ouvida.

Melissa, mortal, a gritar pelo resto da madrugada e não ser ouvida.

Melissa, mortal, no frio, sem os braços, agora apenas grita.

No bar onde estava a aguardar a chegada de Marduk, os chorões estão a tocar Uma Grande Dor Não Se Esquece!..., de Antenógenes Silva e Ernani Campos.


Mortalmente,

Inominável Ser.


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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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