sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Armada! - Fantasmas Que Cagam

Roteiro foda de mais um dia fodido. Isso aqui de olhar para a parede do meu andar é foda prá caralho. E aí, tu também olha muito para a parede do seu andar, seu fodido, meu amigo fodido, minha amiga fodida? Isso é que dá ser alguém com quem não se dá para dizer que é normalmente normal. Normalmente normal: termo existente em qual porra de gramática deste meu mundo e do seu mundo? Aqui eu não estou louca, apenas ouvindo uma putaria vinda lá da rua, uma briga entre a Gangue Do Punhal Dourado e o Clã Dos Lobos Prateados. Nomes idiotas, mas, amigos fodidos, nomes idiotas existem para que nós, mais idiotas ainda, possamos ter como classificar as merdas de nossos mundos. Já duelei com essas gangues e matei doze membros da do Punhal e trinta e seis da dos Lobos. São fraquinhos esses desgraçados, dei tiro nos cus deles todos, sangrou muito, e ainda os carbonizei vivos com gasolina e fósforos. O líder da Gangue Do Punhal, Ladrão De Olhos, perdeu o olhinho direito quando eu o arranquei com meu dedinho esquerdo; o líder dos Lobos, Guitarrista De Garras, perdeu a mão esquerda, a qual eu aranquei com um machado. Eles e suas gangues brigam agora na minha rua; quarenta membros do Punhal contra sessenta e seis membros dos Lobos. Quero que eles provoquem uma carnificina, se fodam, morram e matem quem estiver assistindo. Só não quero que arranhem a minha...

É, caralho, era isso que não deviam fazer. Derrubaram a minha moto estacionada na calçada. Minha moto, que ninguém, ninguém, meu amigo fodido, pode tocar! Matei de porrada uma criança que tocou nela e tive que acabar com a família dela toda depois, uns cento e dois assassinos da Rua Dos Candelabros Roídos. Foi a única criatura que tocou na minha moto e recebeu, caralho, o que merecia! Eles derrubaram a minha moto! Derrubaram a minha moto, minha moto, caralho, caralho, CARALHO, CARALHO, CARALHO, CARALHO!!! E estão todos fugindo, MALDITOS VERMES COVARDES DO CARALHO, DO CARALHO!!! Eles sabem que é pena de morte encostar em qualquer coisa minha! Pena de morte, CARALHO, CARALHO, CARALHO!!! Vou atrás de cada um, DE CADA UM!!! Vou matar as famílias de cada um, DE CADA UM!!! Vou matar, MATAR TODOS DAS FAMÍLIAS DELES!!! Corram, CORRAM, CARALHO, EU VOU PEGAR CADA UM, EU VOU DILACERAR, MUTILAR, DESMEBRAR, CADA UM!!! SEUS FODIDOS DO CARALHO, DELICADA VAI LHES MOSTRAR QUE A MINHA BUCETA É MAIS VALOROSA DO QUE VOSSOS CUS E BUCETAS E PAUS!!! VOU...

- Sempre, sempre, sempre, nervosinha...

- Ah, caralho, CARALHO, CARALHO, CARALHO, CARALHOOOOOO!!!

- Não gostou da minha surpresinha, Armada?

- Era para aparecer agora, seu escroto?

- E eu também estou aqui, Armada.

- Outro de vocês que matei...

- E eu...

- Ah, a criancinha que espanquei por causa da minha moto! E aí, sua menininha escrota fodida, veio aqui para reclamar ou para me impedir de correr atrás daqueles vermes do caralho que derrubaram a minha moto?

- Viemos lhe visitar apenas, Armada.

- Mais umd e vocês? Festa aqui no meu prédio? Festinha no meu prédio? Olha, escrotada do caralho, eu estou ocupadíssima agora, tenho gente para matar! Vou me arrumar, preparar um ritual, preparar Delicada e todo o meu arsenal de facas, machados, punhais, torniquetes, martelos... Portanto, fiquem quietos, fiquem calados, fiquem aí me vendo, MAS NÃO OLHEM PARA O MEU ROSTO, SEUS FODIDOS DO CARALHO!!!

- Conversa conosco, Armada, conversa...

- Porra, será que eu vou ter que fazer um Ritual De Banimento, CARALHO, CARALHO, CARALHO!!!

- Hoje vamos festejar algo que você já esqueceu, Armada.

- Um, dois, três, quatro... Mais de cem de vocês aqui e outros chegando... Tudo bem, vou lhes dar atenção, MAS NÃO OLHEM PARA O MEU ROSTO!!!

- Nunca pudemos ver o seu rosto, Armada, você nos matou sem mostrar o seu rosto. Fomos assassinados sem vermos o rosto da nossa assassina.

- Quer que eu chore, acenda umas velinhas ou mije sobre os vossos ossos nos cemitérios onde estão enterrados ou cague nas cinzas das urnas funerárias de alguns?

- Cagar é uma idéia bem inovadora, Armada.

- Não comi muito hoje, mas aguardem que eu procuro os cemitérios e as urnas com a barriga cheia de fezes e ponho o meu cu para despejá-las onde suas merdas materiais estão! Vocês estão em atrapalhando, principalmente você, que foi o primeiro que eu matei! Pensam que vou me arrepender de tê-los amtado? Pensam que eu me arrependo de ter matado mulheres grávidas? Pensam que eu me arrependo de ter matado bebês? Pensam que eu me arrependo de ter matado crianças? Pensam que eu me arrependo de ter matado muitos de vocês à bala? Pensam que eu me arrependo de ter matado muitos de vocês após torturas? Pensam que eu me arrependo de ter matado muitos de vocês através da porrada? Pensam que eu me arrependo de ter matado muitos de vocês através de machadadas? Pensam que eu me arrependo de ter matado muitos de vocês a marteladas? Pensam que eu me arrependo das minhas atitudes todas que levaram vocês para fora deste mundo material? Sou Filha De Lilith em sua Face De Carniceira, meu cu nem se arrepende, minha buceta nem se arrepende, E VOCÊS, ANO A ANO, SE EMPENHAM EM TENATAREM ME ATERRORIZAR PARA QUE EU ME ARREPENDA DO QUE EU FIZ, SEUS FANTASMAS FODIDOS DO CARALHO, DO CARALHO, DO CARALHOOOOOOO???

- Hoje é o seu aniversário de nascimento, Armada, uma data que você esqueceu.

- Ah, que lindinho, meu aniversário! Vieram me dar os parabéns, então? Que lindinho, CARALHO, CARALHO, CARALHOOOOOO!!!! Interrompem a minha chacina apenas para me darem o caralho, CARALHO, CARALHO, CARALHO, de parabéns? Seus bostas, seus fantasmas cagados, eu vou evocar uma turminha mais pesada do que eu para lhes dar uma recepção aqui em minha festinha de aniversário surpresa que vocês me arrumaram!

- Não precisa, Armada, somente viemos lhe dar o nosso presente.

- Cadê o meu presentinho, seus fantasmas cagados?

Sinto um cheiro conhecido, amigos fodidos...

Cheiro conhecido.

Olho para as paredes, amigos fodidos...

Para as paredes.

O cheiro conhecido fica mais insuportável, amigos fodidos...

Mais insuportável.

Olho para o meu corpo, amigos fodidos...

Para o meu corpo.

Todos desapareceram, amigos fodidos...

Todos.

Estou toda cagada, amigos fodidos...

Toda cagada.

Meu andar está todo cagado, amigos fodidos...

Todo cagado.

Olho para as janelas, amigos fodidos...

Para as janelas.

Fezes encobrindo todas, amigos fodidos...

Encobrindo todas.

Meu andar todo lotado de fezes, amigos fodidos...

Todo lotado de fezes.

Meu prédio todo lotado de fezes, amigos fodidos...

Todo lotado de fezes.

Querem me ajudar a limpá-lo, amigos fodidos?

Até que gostei do presentinho...

Acreditem, eles, aqueles que matei, TODOS ELES, já me deram coisas bem mais piores do que isso, amigos fodidos...


Inominavelmente cagado,

Inominável Ser.




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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Um Ser Determinado Detrito

Sou Rafael. Sou Roberto. Sou Rafaela. Sou Roberta. Sou Mário. Sou Maria. Sou a favela. Sou a ruela. Sou a faixa perdida... Já comi cus, já dei o meu cu, como dó dar o cu... Ah, não se assuste aí não, seu babaca, tu também já deve ter comido um cu ou dado o cu, não seja um santinho podre hipócrita! Não tenho receios, eu sei que sou uma bosta! Não sei nem se sou um homem ou se sou uma mulher! Nem sei direito o que é uma mulher e o que é um homem! Mulher é aquela coisinha com um buraquinho entre as pernas... Homem é aquela coisinha com uma vara entre as pernas... Não tenho uma buceta, tenho uma vara. Sei que ter uma buceta não torna alguém uma mulher de verdade e sei que ter um pau não torna alguém um homem de verdade. Chupei muita buceta e muito pau. Fui chupado muito também... Feliz não me tornei, porra... Não, feliz não sou, caralho... Não sou... Sou detrito...

Perguntei a uma barata que esmaguei com os pés uma vez:

- Baratinha, tu que rastejavas pela minha casa, sabia a que horas determinadas eu cagava? Baratinha, tu que rastejavas pela minha casa, sabia a que horas eu mijava? Baratinha, sei que te machuquei, sei que te matei, mas não fique bravinha! Baratinha, já me machucaram! Baratinha, já me mataram! Baratinha, quem sabe um dia não nos casamos, lá em qualquer outra vida, lá em qualquer outro lugar, longe desta minha casinha?

Sou maluco. Sou maluca. Conversando com uma barata morta! Mas, com quem mais eu conversaria? Com quem mais, aqui nesta minha casa morta? Com quem mais, aqui nesta minha vida morta? Com quem mais, aqui nesta minha... Neste meu... Ai, ai, ai, tô meio tonto... Ai, ai, ai, tô meio tonta.... Ser assassinado não é bom, sabia, seu babaca? Você já pensou em ser assassinado como uma barata, esmagado como uma barata, tendo as suas tripas sinuosamente dispostas ao chão como elas ficam? Você já pensou, seu babaca? Foi assim, assassinado como uma barata, esmagado como uma barata, tendo as minhas pelo chão esparramadas, que eu sai do que você, seu babaca, chama de vida! Assassinaram-me como uma barata! Esmagaram-me como uma barata! Fiquei com as minhas tripas espalhadas pelo chão como uma barata! Fiquei detrito... Sou um detrito...

Como eu morri? Quem me matou? Por que fui morto assim? Por que fui morta assim? Por que por que por que por que por que por que por que por que? Porquês porquês porquês porquês porquês porquês porquês porquês! O mundo agora quer saber sempre dos porquês! Sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre dos porquês! Por um acaso, seu babaca, você pergunta do porquê de cagar? Por um acaso, seu babaca, você pergunta do porquê de mijar? Por um acaso, seu babaca, você pergunta do porquê de foder? Ah, esqueci das mulheres! Eu acho que sou mulher! Eu acho que sou homem! Mas, porra, vamos lá, mulher mulher mulher! Por um acaso, sua babaca, você pergunta do porquê de cagar? Por um acaso, sua babaca, você pergunta do porquê de mijar? Por um acaso, sua babaca, você pergunta do porquê de foder? Por um acaso, seu babaca, sua babaca, vocês perguntam do porquê de serem uns fodidos? Então, porque me perguntam como fui assassinada? Por que me perguntam sobre quem me matou? Por que me perguntam como fui morrer assim, sendo homem, sendo mulher, sendo qualquer merda dessas que são iguais a vocês? Por que me perguntam? Pergntas não me fazem menos detrito... Sou um detrito...

Uma cagada dei uma vez no mato e pergunta às minhas fezes:

- Fezes, você tem essa cara de presidente da república porque é um detrito das coisas imundas de um país dentro de mim que você governa?

Uma mijada dei uma vez na praia perguntei ao meu mijo:

- Mijo, você tem essa cara de executivo porque vive a reter uns líquidos indesejáveis que fazem parte da empresa que cresce dentro de mim?

Uma vez vomitei no metrô e perguntei ao meu vômito:

- Vômito, você tem essa cara de patricinha de shopping porque vive sendo parte das coisas que são parte das fezes e não podem sair pelo meu cu?

Uma vez cuspi no altar de uma igreja e perguntei ao meu cuspe:

- Cuspe, você tem essa cara de professor universitário porque dá uma aula para mim de como ser escorregadio e isento de novidade por ser sempre um liquidozinho sem graça que se repete sempre que sai de mim?

Perguntei à minha buceta uma vez:

- Buceta, você me aceita como um detrito mijado?

Perguntei ao meu pau uma vez:

- Pau, você me aceita como um detrito cagado?

Perguntei ao meu cu uma vez:

- Cu, você me aceita como um detrito cuspido?

Perguntei-me uma vez:

- Eu me aceito como um detrito vomitado?

Fui um indagador, seus babacas, dos detritos em mim. Coroado de detritos, quando ainda estava com uma carne, eu fui. Coroado de detritos... Não me sinto bem, as minhas tripas escorrem aqui em casa... Aqui no chão de casa... As fezes sairam... O vômito saiu... O cuspe saiu... O mijo saiu... Minha buceta parou de latejar... Meu pau parou de endurecer... Meu cu parou de doer... Eu parei de ser um homem... Eu parei de ser uma mulher... Tá tudo misturado aqui no chão... Eu tô morto... Eu tô morta... Meu nome podia ser João... Meu nome podia ser Joana... Meu nome podia ser Giovani... Meu nome podia ser Giovana... Meu nome podia ser... Podia ser... É, caralho... É, caralho caralho caralho caralho caralho caralho caralho caralho! Meu nome é Detrito.

Meu determinado nome é Detrito.


Detrito,

Inominável Ser.




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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Arch Enemy - My Apocalipse







Sudden implosion of silenced emotions
Buried beneath a scarred heart for too long
Delusions of hope fading away
Dying like leaves on frozen soil


My apocalypse is near
I can feel the end...coming near


Neglecting existence repulse and repent
An endless journey into the morbid
Whispering voices distorting all senses
Buried beneath a scarred heart for too long


My apocalypse is near I can feel the end...coming near

Lead - Michael Amott

The bitter taste of a dying dream
Shine the light on our shadows and illusions


Lead - Chistopher Amott






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terça-feira, 11 de setembro de 2007

Amigo A Falar Sobre Sangue A Derramar

- Me diga o que eu posso ver mais de tudo que está comigo de novo...

- Exatamente, quer saber do quê, meu amigo?

- Somos amigos?

- Somos amigos, somos irmãos, somos inimigos, somos amantes... Decida o que somos e lhe dou a minha mão.

- Desgraçado, quem você pensa que é para querer me controlar e dizer o que somos, o que fazemos juntos, o que não fazemos juntos?

- Eu sempre te controlei, meu amigo.

- Nunca cedi ao vosso controle!

- Eu sempre te concedi a minha liderança.

- Cale a boca agora! Cale a boca agora! Cale! Não suporto sua voz! Não suporto sua amizade! Não suporto sua inimizade! Não suporto sua companhia desde que eu era uma criança!

- Eu fui uma criança contigo, meu amigo.

- Você foi uma aberração que me perseguiu na infância! Uma fantasia desesperada minha, algo fantástico que eu moldei para manter-me pensando que estava acompanhado por alguém!

- Eu sou material meu amigo, não sou uma fantasia.

- Você é um pesadelo meu, uma negação minha, uma aberração, uma aberração, uma aberração!

- Sou sua razão, meu amigo.

- Você é o Diabo!

- O Diabo não está entre nós e eu não sou o Diabo, meu amigo.

- Você martela, martela, martela, sempre martela, todos os meus pensamentos! Você me sufoca nos momentos de cada dia, de cada hora, de cada minuto, de cada segundo! Eu sonho com a sua maldita presença em minha vida!

- Vida é algo que nós não temos, meu amigo.

- Pare de me chamar de "meu amigo"! Não sou seu amigo! Sou o seu inimigo! Você é meu inimigo! Nós somos inimigos! Você vem e me transforma... me transforma... me transforma...

- No que você é, meu amigo.

- Não sou isso... Não me chame mais assim... Não fale comigo mais assim...

- O que te afugenta de mim sempre é a vossa negação de si mesmo, meu amigo. Tente não me afastar, meu amigo. Tente me compreender, meu amigo.

- Você é o norte do meu vagar vazio pela atmosfera das ruas... Sou um bosta... Sou um fodido... Me fodo em vossa companhia, me fodo com as vossas palavras, me fodo com os seus atos!

- Seus atos, meu amigo, não os meus atos.

- Seua atos, seu desgraçado! Seus atos, desgraçado! Você é um pequeno Demônio em mim, uma criatura que me alucina, me joga nas paredes enlameadas de prédios que construo tentando de ti fugir!

- Filosofar não vai me fazer daqui de ti sair, meu amigo.

- Quem te enviou até mim?

- Você me atraiu até ti, meu amigo.

- Quem te enviou, desgraçado, desgraçado que desde a minha infância me faz fazer... me faz fazer... me...

- Aproveite agora para assumir o que você faz, meu amigo.

- Não faço isso, não faço isso... Não faço... Não faço...

- Sangue e Filosofia, meu amigo.

- Cale... a boca...

- A boca dessa menina está bem dilacerada, meu amigo...

Uma menina encolhida em um canto.

Um canto de um estaleiro.

Estaleiro de madrugada abandonado.

Ela foi espancada.

Ela tem quinze anos.

Ela teve os lábios dilacerados.

Dilacerados por uma navalha.

Os tendões das pernas foram rasgados.

Rasgados pela navalha.

A menina estremece.

Estremece de frio.

Estremece de medo.

Estremece de vergonha.

Vergonha, ela está nua.

Vergonha, ela, virgem antes, foi violada.

Violada por apenas um homem.

Homem a segurar uma navalha.

Homem a dialogar consigo mesmo.

Homem, um homem, em pé.

Em pé atrás de si.

Em pé, cheio de sangue nas mãos.

Em pé, um homem apenas.

- A habilidade de anos praticada não se perde, meu amigo.

- Cale a boca, seu verme desgraçado!

- Termine a obra agora, termine como fez com muitas como ela, meu amigo.

- Eu não fiz... eu não fiz... foi você... você, o meu Demônio Da Guarda... você, seu desgraçado, um Demônio que nasceu comigo e sugou o leite da minha mãe... Você! Você! Você! Você!

- Fui carinhoso contigo, meu amigo, sempre fui carinhoso. Por que trata o seu único amigo assim, meu amigo?

- Eu poderia... poderia... me matar agora... Cortando o meu pescoço com esta... esta... navalha...

- Quer se matar , meu amigo?

- As mãos... as mãos... minhas mãos prontas para isso...

- Quer perder o seu sangue para o solo, meu amigo?

- Meu sangue... ao solo?

- Lembre-se do que lhe importa, meu amigo.

- Não posso perder... perder o meu sangue... Eu quero viver... viver para um dia me livrar de você...

- Se quer se livrar de mim, acabe a obra com a menina, meu amigo.

- A... menina?

- A menina à nossa frente, meu amigo.

- Ela... tem... que ir como as outras?

- E os outros, meu amigo, aqueles outros que você matou apenas para um dia poder se livrar de mim. Quer sobreviver até que possa se livrar de mim, meu amigo?

- É o que quero... quero mesmo... Quero! Quero! Quero!

- Então, acabe com ela, meu amigo.

Um homem e a uma navalha.

Homem jogando-se em cima de uma menina.

Menina assustada.

Navalha.

A navalha vai retalhando a menina.

O homem vai retaliando a menina.

Retalhando alucinado.

Retalhando desesperado.

Retalhando sem vacilar.

Retalhando.

Retalhando.

Retalhando.

Retalhando.

Retalhando até não sobrar mais menina.

A menina não sente mais vergonha.

A menina não está mais encolhida.

A menina é carne retalhada agora.

O homem que a retalhou.

O homem está deitado.

Deitado sobre o cadáver da menina.

Deitado e cortando.

Cortando ainda um pouco.

Um pouco da carne da menina.

Um pouco da carne não-retalhada.

Carne do pescoço.

O lado direito do pescoço.

O homem.

O homem faz isso de olhos fechados.

O homem agora é que tem vergonha.

- Tudo para... para eu... para eu me livrar de você... você me pede sangue... me pede sangue que não... não é o meu... prometa... prometa, desgraçado... que um dia você vai se saciar por inteiro... e... e... e.. me abandonar... prometa, desgraçado...

- Prometo em nome de mais sangue que você, por mim, deve derramar, meu amigo.

- Prometo... prometo derramar... derramar... san... san... sangue... até o dia que você, você, vai me abandonar...

- Você, rindo silenciosamente aí, em sua mente de vilão vil, é que não quer me abandonar, meu amigo.




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quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Amabilíssimo Vizinho

Ferdinando é um homem de habilidades raras, ampliadas com anos de estudos, leituras e a convivência com as pessoas mais intelectualizadas. Dotado do que se pode chamar de genialidade, nos termos humanos que assim o consideram, é um escritor de sucesso na Internet, mas ainda não chegou a publicar nenhum livro. Como todos os escritores virtuais de sucesso, Ferdinando tira proveito de sua fama para fazer amizades e tentar alcançar a ambicionada chegada ao sucesso do livro, enfim, publicado. Ferdinando é bom rapaz, educado, elegante, belo, paquerador, conquistador, "pegador", como dizem popularmente nas praças e nos bares e nos estádios de futebol e nas escolas e faculdades. Ferdinando, O Rei Da Prosa, como o tratam entre os amigos, é um senhor de si mesmo, aos trinta e um anos morando sozinho, longe de sua família, que não é sua amiga, que abandonou para buscar aqui no Rio de Janeiro a oportunidade de ser um alguém importantíssimo na humana vida. Ferdinando esqueceu-se de onde veio, não lhe importa o passado, não lhe importa os de seu sangue, não lhe importa os de seu antigo ambiente. Ferdinando, exatamente, quer apenas alcançar a meta dos milhões de livros vendidos.

Ao Rio de Janeiro, então, ele chegou! Cidadezinha maravilhosíssima, ele pensou! Bundudas por todo lado! Putas por toda esquina! Cerveja a toda hora! Carnaval todo dia! Festiva cidade, Ferdinando nela permaneceu, cheio de intensas vontades, cheio de imensas imagens de seu futuro nesta beleza de tropical cidade!

Rio de Janeiro; onde Ferdinando foi residir? Esclareça-se aqui que Ferdinando não é um homem rico. Esclareça-se aqui que Ferdinando sequer tem dinheiro para pegar o metrô todo dia para o trabalho em um restaurante oito horas por dia. Esclareça-se aqui que Ferdinando foi residir em um dos bairros da Baixada Fluminense cujo nome para ele não importa. Esclareça-se aqui que Ferdinando foi viver entre pobres como ele, pobres que ele odeia. Para Ferdinando, em seus metafísicos pensamentos, em seu ideológico comportamento, as pessoas com as quais é obrigado a conviver são apenas vermes fodidos que procriam. Para Ferdinando, as mulheres pobres de seu bairro são vadias de cu doente e buceta fedorenta fadadas sempre a foderem para procriar, cadelas estúpidas, enfim. Para Ferdinando, os homens pobres de seu bairro são escrotos de cu grande e pau fedorento fadados a foderem suas mulheres simplesmente para procriar, cães estúpidos, enfim.

Essa gente toda ele tem como inimiga; seus amigos no Rio de Janeiro são os ricos freqüentadores do restaurante no qual trabalha no centro do Rio de Janeiro, os quais bajula com ridículo profundo esmero. Seus vizinhos, os moradores do bairro da Baixada Fluminense no qual reside, são-lhe objeto de asco, de desprezo amargo, de ódio que lhe é caro, pois apenas lhe torna o monstro que todos nós veremos que é a partir de agora.

Os vizinhos ao lado direito da casa de Ferdinando são os que ele mais odeia. As casa do bairro são próximas umas das outras dois metros e qualquer som que se faça dentro delas, até um pequeno peido ou um arroto bem alto, é ouvido de modo exato. Os vizinhos mais odiados por Ferdinando são uma família, família de boçais desgraçados com vocação para favelados, como ele mesmo os classifica. O homem da família, o grande marido, o grande pai, é viciado em maconha, é alcóolatra e mulherengo. A dona de casa, a grande esposa, a grande mãe, é uma débil mental descontrolada que apenas sabe gritar, xingar, uma típica favelada de berço, como Ferdinando diz a si mesmo. O filho, o machinho da casa, é um moleque tão estúpido como os pais, com tendências a marginal, como Ferdinando declara. A filha, a femeazinha da casa, que até atrai um pouquinho a atenção do nosso monstro e vilão, é escandalosa como a mãe, metida a cantora e muito retardada. O bebê de colo, criança recém-nascida por Ferdinando odiada, é um bostinha que apenas fica a chorar e a encher-lhe os ouvidos com os gritos todo dia, toda noite.

Ferdinando odeia essa gente... Ferdinando quer foder com essa gente... Ferdinando planeja foder com essa gente... Vai, Ferdinando, mostra ao mundo o monstro que tu és... Vai, Ferdinando, limpa o mundo de gente inútil, conforma o vosso olhar acredita de forma inútil...

Ele não fala com essa gente desde que se mudaram para a casa ao lado direito da sua há um ano. Ele não fala, mas para executar a eliminação da gente que odeia, precisa com eles falar! Um bom dia, um boa noite, uma palavrinha de carinho com o bebê, uma palavra carinhosa para a menina que acha bonitinha, uma cervejinha para ao bêbado drogado pai de família, pipas para o marginalzinho da família, conversinhas com a desbocada louca mãe de família... Pronto! Prontíssimo! Prontérrimo! Ferdinando amigo da gente estúpida e boçal que tanto odeia! Ferdinando indo a festas na casa dos boçais odiados! Ferdinando almoçando na casa dos boçais odiados! Ferdinando jantando na casa dos boçais odiados! Ferdinando comendo churrasco na casa dos boçais odiados!

Saltemos para o futuro...

Um ano passou-se assim.

Dois anos passaram-se assim.

Três anos passaram-se assim.

Quatro anos passaram-se assim.

Cinco anos passaram-se assim.

Seis anos passaram-se assim.

Sete anos passaram-se assim.

Ferdinando, hábil com as palavras, fez com que a gente que ele odiava confiasse nele plenamente, pondo-o como um da família. Ele os odiava, Ferdinando os odiava, odiava, eu digo, odiva porque já não odeia mais. Nenhum está vivo.

Manipulador, fez com que o bêbado drogado pai de família se drogasse e bebesse mais, chegando a pagar a maconha e a bebida até conduzi-lo a um câncer terminal fatal.

Hipócrita, fez-se amigo da escandalosa desbocada dona de casa, a fim de ter acesso à comida desta, na qual injetou grãos de substâncias alucinógenas que a levaram à loucura e ao suicídio.

Perverso, conduziu o machinho da casa junto com o pai para o vício da bebida e da maconha, indo mais longe conduzindo-o ao crack, que o matou com uma overdose feroz.

Sedutor, namorou e noivou com a femeazinha da casa, mas armou um acidente de moto no qual propositadamente deixou-a sem capacete para jogar-se contra um muro fazendo-a esfacelar o crânio na calçada, morte súbita da femeazinha.

Psicótico, acompanhou o crescimento do menino, do bebê, apenas para fazê-lo aos sete anos cair da escada do terraço de sua casa, fazendo-o quebrar o pescoço e caindo junto, para dizer a todos que foi um acidente.

Fomos ao futuro para vermos que Ferdinando é o monstro que todos nós podemos ter ao nosso lado onde moramos, seja na favela, seja na periferia ou no prédio luxuoso.

Ferdinandos estão pelo mundo todo, odiando os seus em redor, odiando e tencionando organizar uma maneira de executar a sua obra de ódio.

Ferdinando, no futuro, não ficará famoso com os seus livros e nem será descoberto pela polícia como o autor dos crimes descritos acima.

Ferdinando terá novos vizinhos ao lado direito de sua casa, novos vizinhos odiados.

Ferdinando planejará nova monstruosa empreitada...

Tu és um Ferdinando?

Tu és uma cadela estúpida?

Tu és um cão estúpido?

Onde vós vos enquadrais onde moras?

Ferdinandeanamente,

Inominável Ser

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Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

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