terça-feira, 11 de setembro de 2007

Amigo A Falar Sobre Sangue A Derramar

- Me diga o que eu posso ver mais de tudo que está comigo de novo...

- Exatamente, quer saber do quê, meu amigo?

- Somos amigos?

- Somos amigos, somos irmãos, somos inimigos, somos amantes... Decida o que somos e lhe dou a minha mão.

- Desgraçado, quem você pensa que é para querer me controlar e dizer o que somos, o que fazemos juntos, o que não fazemos juntos?

- Eu sempre te controlei, meu amigo.

- Nunca cedi ao vosso controle!

- Eu sempre te concedi a minha liderança.

- Cale a boca agora! Cale a boca agora! Cale! Não suporto sua voz! Não suporto sua amizade! Não suporto sua inimizade! Não suporto sua companhia desde que eu era uma criança!

- Eu fui uma criança contigo, meu amigo.

- Você foi uma aberração que me perseguiu na infância! Uma fantasia desesperada minha, algo fantástico que eu moldei para manter-me pensando que estava acompanhado por alguém!

- Eu sou material meu amigo, não sou uma fantasia.

- Você é um pesadelo meu, uma negação minha, uma aberração, uma aberração, uma aberração!

- Sou sua razão, meu amigo.

- Você é o Diabo!

- O Diabo não está entre nós e eu não sou o Diabo, meu amigo.

- Você martela, martela, martela, sempre martela, todos os meus pensamentos! Você me sufoca nos momentos de cada dia, de cada hora, de cada minuto, de cada segundo! Eu sonho com a sua maldita presença em minha vida!

- Vida é algo que nós não temos, meu amigo.

- Pare de me chamar de "meu amigo"! Não sou seu amigo! Sou o seu inimigo! Você é meu inimigo! Nós somos inimigos! Você vem e me transforma... me transforma... me transforma...

- No que você é, meu amigo.

- Não sou isso... Não me chame mais assim... Não fale comigo mais assim...

- O que te afugenta de mim sempre é a vossa negação de si mesmo, meu amigo. Tente não me afastar, meu amigo. Tente me compreender, meu amigo.

- Você é o norte do meu vagar vazio pela atmosfera das ruas... Sou um bosta... Sou um fodido... Me fodo em vossa companhia, me fodo com as vossas palavras, me fodo com os seus atos!

- Seus atos, meu amigo, não os meus atos.

- Seua atos, seu desgraçado! Seus atos, desgraçado! Você é um pequeno Demônio em mim, uma criatura que me alucina, me joga nas paredes enlameadas de prédios que construo tentando de ti fugir!

- Filosofar não vai me fazer daqui de ti sair, meu amigo.

- Quem te enviou até mim?

- Você me atraiu até ti, meu amigo.

- Quem te enviou, desgraçado, desgraçado que desde a minha infância me faz fazer... me faz fazer... me...

- Aproveite agora para assumir o que você faz, meu amigo.

- Não faço isso, não faço isso... Não faço... Não faço...

- Sangue e Filosofia, meu amigo.

- Cale... a boca...

- A boca dessa menina está bem dilacerada, meu amigo...

Uma menina encolhida em um canto.

Um canto de um estaleiro.

Estaleiro de madrugada abandonado.

Ela foi espancada.

Ela tem quinze anos.

Ela teve os lábios dilacerados.

Dilacerados por uma navalha.

Os tendões das pernas foram rasgados.

Rasgados pela navalha.

A menina estremece.

Estremece de frio.

Estremece de medo.

Estremece de vergonha.

Vergonha, ela está nua.

Vergonha, ela, virgem antes, foi violada.

Violada por apenas um homem.

Homem a segurar uma navalha.

Homem a dialogar consigo mesmo.

Homem, um homem, em pé.

Em pé atrás de si.

Em pé, cheio de sangue nas mãos.

Em pé, um homem apenas.

- A habilidade de anos praticada não se perde, meu amigo.

- Cale a boca, seu verme desgraçado!

- Termine a obra agora, termine como fez com muitas como ela, meu amigo.

- Eu não fiz... eu não fiz... foi você... você, o meu Demônio Da Guarda... você, seu desgraçado, um Demônio que nasceu comigo e sugou o leite da minha mãe... Você! Você! Você! Você!

- Fui carinhoso contigo, meu amigo, sempre fui carinhoso. Por que trata o seu único amigo assim, meu amigo?

- Eu poderia... poderia... me matar agora... Cortando o meu pescoço com esta... esta... navalha...

- Quer se matar , meu amigo?

- As mãos... as mãos... minhas mãos prontas para isso...

- Quer perder o seu sangue para o solo, meu amigo?

- Meu sangue... ao solo?

- Lembre-se do que lhe importa, meu amigo.

- Não posso perder... perder o meu sangue... Eu quero viver... viver para um dia me livrar de você...

- Se quer se livrar de mim, acabe a obra com a menina, meu amigo.

- A... menina?

- A menina à nossa frente, meu amigo.

- Ela... tem... que ir como as outras?

- E os outros, meu amigo, aqueles outros que você matou apenas para um dia poder se livrar de mim. Quer sobreviver até que possa se livrar de mim, meu amigo?

- É o que quero... quero mesmo... Quero! Quero! Quero!

- Então, acabe com ela, meu amigo.

Um homem e a uma navalha.

Homem jogando-se em cima de uma menina.

Menina assustada.

Navalha.

A navalha vai retalhando a menina.

O homem vai retaliando a menina.

Retalhando alucinado.

Retalhando desesperado.

Retalhando sem vacilar.

Retalhando.

Retalhando.

Retalhando.

Retalhando.

Retalhando até não sobrar mais menina.

A menina não sente mais vergonha.

A menina não está mais encolhida.

A menina é carne retalhada agora.

O homem que a retalhou.

O homem está deitado.

Deitado sobre o cadáver da menina.

Deitado e cortando.

Cortando ainda um pouco.

Um pouco da carne da menina.

Um pouco da carne não-retalhada.

Carne do pescoço.

O lado direito do pescoço.

O homem.

O homem faz isso de olhos fechados.

O homem agora é que tem vergonha.

- Tudo para... para eu... para eu me livrar de você... você me pede sangue... me pede sangue que não... não é o meu... prometa... prometa, desgraçado... que um dia você vai se saciar por inteiro... e... e... e.. me abandonar... prometa, desgraçado...

- Prometo em nome de mais sangue que você, por mim, deve derramar, meu amigo.

- Prometo... prometo derramar... derramar... san... san... sangue... até o dia que você, você, vai me abandonar...

- Você, rindo silenciosamente aí, em sua mente de vilão vil, é que não quer me abandonar, meu amigo.




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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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