sábado, 27 de outubro de 2007

Sobre Armada!


As tolices eu odeio,

As imbecilidades eu odeio,

As putarias eu odeio,

O meu próprio ódio eu odeio,

E armada estou com uma pistola

Pronta para acertar o primeiro

Que ousar me dizer

Que eu estou errada

Em até odiar a mim mesma!

Com o olhar fuzilante percorro as ruas

Pronta para disparar o meu ódio,

Pronta para vomitar minha ira,

Pronta para beber um outro copo de cólera

Com o sabor de sangue,

Sangue que anseio,

Sangue que me provoca!

Não quero crianças perto de mim,

Não quero adultos perto de mim,

Não quero animais perto de mim,

Sou psicopata elevada,

Sou psicopata verdadeira!

Carrego a minha pistola

Sempre carregada

Para encarar o estúpido indivíduo

Que for tentar provar

Que eu devo ser

Uma puta de uma menininha certinha,

Uma cadela de igrejinhas,

Uma arrombada de escolinhas,

Uma mulherzinha escrota qualquer,

Pois eu sou filha de Lilith

E não de Amélia!

Estou armada

De sangue e balas,

Pronta para esfacelar a sua cabeça

E sua intenção!

Deixe-me em paz,

Não me toque,

Estou armada

E sedenta por sangue!

Charles Mason é o meu ídolo,

O Diabo é o meu pai,

Lilith é a minha mãe,

Concedo holocaustos

Aos Demônios Dos Abismos!

Os holocaustos são os sangues

Dos estúpidos vermes escrotos

Que me disseram para ser diferente!

Eu não quero ser diferente,

Eu quero ficar sozinha,

Sozinha com o meu ódio,

Sozinha com a minha pistola,

Sozinha com as minhas balas,

Prontas para foderem a sua cabeça

Se tentar me tirar

Da minha escolha em ser

Um abismo de ódio!

Meu ódio

Em meus olhos

E em minhas mãos,

Vou te levar ao inferno

Apenas com uma bala!

E com todas as outras balas

Enfrento os teus amigos,

Enfrento a tua família,

Mato todo mundo,

Fujo para uma ilha

E fico lá sozinha

Para o resto da porra

Da minha odiosa vida!

Agnes Mirra

&

Inominável Ser

Inomináveis Saudações a todos.

O poema acima foi publicado originalmente no blog Delírios Inomináveis em 30 de novembro de 2006. Escrito por mim e por Agnes Mirra, é considerado, por este Inominável Ser que vos fala, uma grande demonstração de revolta e de ódio, até contra si mesmo, de um ser conturbado e conturbado.

Armada! cativou-me pelo seu aspecto realístico, pois apresenta uma criatura que não se pode chamar de heroína e nem de anti-heroína, mas uma vilã das mais perfeitas. O poema foi escrito sob a ótica dessa vilã, mas, inominavelmente, pode-se concluir que a personagem escapa a todo tipo de rótulos e significados possíveis. Acreditem, no entanto, que ela é uma vilã; e, sob a ótica desta vilã, decidi me dedicar a desenvolver uma série de contos a abordarem as suas idas e vindas em um mundo para o qual este no qual vivemos se encaminha caso não despertemos para a Realidade Existencial Caótica que nos cerca a fim de destroná-la de seu império.

Não esperem de Armada! atitudes de heroísmo, mas muita poesia e balas, seja contra quem for. Não se trata aqui de exaltar uma atitude vilanesca, mas de expressar uma atitude de tal tipo adentrando na psique da personagem, tanto que os contos serão todos em primeira pessoa. É Armada! quem falará convosco, apenas Armada! O mundo dela lhes será apresentado mais com o tempo, tal personagem já ganhou existência própria, além de seu autor e além deste blog. Dou existência real a todos os meus personagens e jamais desenvolveria personagens superficiais que apenas atuassem como bonecos seguidores dos cursos normais e anormais existenciais.

Nada de um nome para ela. Ela será por todos chamada de Armada. Pequenos, muito pequenos mesmo, fatos do passado dela serão revelados, assim como a estrutura organizativa do mundo no qual ela reside. É a Terra, a nossa Terra, mas detonada, como visto no primeiro conto, por uma guerra mundial insana e brutal. Insano e brutal é o mundo de Armada!, o bizarro caminha ao lado dos momentos de ultraviolência e falta de sensibilidade a acometer todos, ou quase todos, como veremos em contos a serem realizados e postados aqui mais à frente.

Mantive todas as características dela descritas no poema acima. Quanto aos ratos que ela cria, como ela mesma esclareceu servem apenas como banco de sangue para os seus rituais dedicados à sua Protetora, Lilith. Ela detesta animais, assim como crianças e demais seres, pensando apenas em si mesma, querendo apenas sobreviver e não ser incomodada por ninguém. À mínima provocação ou um olhar direto que indique-lhe desafio, uma bala ela mete em vossa cabeça. É assim que Armada é, uma radical e louca criatura que apenas age e pensa conforme a quantidade de balas em Delicada, sua amada pistola.

Perita em todos os tipos de armas. Mestra em todas as Artes Marciais. Maga. Armada. Armada! Caso queiram esclarecimentos sobre os contos, os pormenores deste, estou aberto a todo tipo de pergunta e, com todo o interesse e ba vontade, a todos responderei. Deixem as indagações nos comentários e todas as dúvidas convosco tirarei. Continuarei seguindo adiante com esta página, dialogando convosco acerca de Armada!.

Aos que seguirem lendo Armada! prometo balas, balas, balas, infinitas balas saídas de Delicada e explodindo nas faces dos inimigos dela. Parafraseando Frank Miller, quero contar apenas uma boa história.

Saudações Inomináveis a todos.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Um Pavor Todo Necessário

É necessário. É tudo necessário. Tudo sempre necessário.

Eu penso assim acerca dos meus momentos aqui neste grande hospital de desintegrados maravilhosos que chamamos de Planeta Terra. Qual planeta com terra é igual a todo este planeta falso de cadafalsos todos em toda terra? Qual terra melhor para pisar sem que nela haja o sangue dos antepassados e e de todos os que ao nosso lado atualmente estão a caminhar? Não rego a terra dos meus pés mortos há muito tempo e nem insisto em regar a terra dos pés de cada pavor que me assombra.

Pavor no rosto de uma mulher.

Pavor no rosto de uma criança.

Pavor nos rostos de todos os adultos.

Eu não quero mulheres, são coisas enfadonhas. Eu não quero crianças, são coisas enfadonhas. Coisas, mulheres são coisas, objetos para a satisfação de um pau, apenas. Um pau em uma buceta, buceta grande, buceta pequena, bem apertada, bem aberta. Toda mulher para mim é pavorosa, é uma desgraça, desgraça ainda mais por ser mãe. Mãe de crianças, crianças que serão pavorosas criaturas quando adultas, odeio crianças, odeio adultos, assim como odeio as mulheres que os trazem ao mundo. Meu pavor aumenta ao ter que caminhar com tantos desses pavorosos seres ao meu lado.

Pavor...

Tenho muito pavor...

Tenho mudo pavor...

Muito pavor...

Mudo pavor...

Não sei o que meço quando raiam as coisas, essas coisas que odeio. Mulheres, crianças, adultos, todo ser que me enoja por lembrar-me do pavor mesmo que eu sou diante dos rostos e dos olhares deles. Rimbaud, Rimbaud em mim vai em um deserto de mil perdizes recheadas mortas com queijos estragados que o Nietzsche que vocifera em meu peito mastiga. Schopenhauer, traumatizando os meus calos, me excita como um Glauber Rocha mais cáustico a incendiariamente tecer um comentário de como se deve agir diante do descerrar das cortinas do cinema pavoroso da minha pequena mente que é uma cozinha povoada por pavorosos ratos. Falei das bucetas, falo ainda dos cus, os cus que fedem como as estragadas maravilhas da foda de Lilith quando Esta fica febril com as pernas abertas para os paus dos Deuses. Cus pavorosos. Bucetas pavorosas.

Pavor.

Pavor enlouquecedor?

Pavor enlouquecedor.

Pavor atormentador?

Pavor atormentador.

Pavor das bucetas?

Pavor das bucetas.

Pavor dos cus?

Pavor dos cus.

Fico falando para mim todas essas coisas sobre as coisas que nego como vivas e como mortas. Como das frutas das árvores natimortas, dou o cu para as lágrimas redivivas de espetáculos gastos de recheados contornos nefastos. Meus lábios pavorosos mandam-me recados, recados de astros atrasados, recados de impostos que eu devo pagar aos senhorios errados. Eu penso muito e deduzo tudo do rasgo imperfeito das pregas do meu cu fodido e inspiro o néctar das seivas das flores que movimentaram os plenos dedos de um ator pornô em meus filhos. Meus filhos são todos do pavor, são crianças que estrangulei com a doçura de um espírito ridículo pedindo por ridículo maço de carinho a ser fumado. Meus filhos são atos de teatros onde Hamlet, O Hamlet Desengoçado E Arrombado Pelos Medos Da Costa Oeste, é encenado por atores e atrizes de filmes terríveis que assisto junto com espelhos quebrados em sofás rasgados. Rasgo o sofá, o sofá me rasga, sento-me no palco, dou uma cagada, dou uma risada, acendo a cafeteira e esparramo tudo na cara de puta de uma vagabunda da revista Caras, Vogue, Times, qualquer merda simplória da mídia de vala. Revistas pavorosas. Vala pavorosa.

Pavor da manhã na tarde!

Pavor da tarde na manhã!

Pavor da manhã na noite!

Pavor da noite na tarde!

Pavor da relva!

Pavor da selva!

Pavor da gruta encontrada na perdida cevada!

Pavor da rua separada pela temível corda em espada!

Pavor da suja rotina das ruínas de definidas escarpas!

Pavor lacrimoso de sedução escapando!

Pavor langorosos de rude ação parando!

Pavor fétido de calor de verão cortando!

Pavor realizador de frutificação debilitando!

Pavor caro de rico escravo!

Pavor barato de pobre escarro!

Pavor sentindo o tremer dos frêmitos da porra sexual!

Pavor dos suores dos corpos nus de animais pavorosos chamados homem e mulher!

Pavor meu sendo invadido!

Pavor meu sendo coberto por chuvas de fel podre de nobres réus!

PAVOR LEGAL!!!

PAVOR ILEGAL!!!

PAVOR AFLITO NORMAL!!!

PAVOR AMIGO LETAL!!!

PAVOR ANTIGO TOTAL!!!

PAVOR TODO NECESSÁRIO!!!

PAVOR TODO!!!

PAVOR NECESSÁRIO!!!

PAVOR TODO!!!

PAVOR NECESSÁRIO!!!

PAVOR TODO!!!

PAVOR NECESSÁRIO!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

PAVOR!!!

Eu não vou dizer quem sou ao nível de vosso cu ou de vossa buceta ou de vosso pau ou de vossos seios pavorosos. Eu não vou dizer o que sou ao nível de vosso cu ou de vossa buceta ou de vosso pau ou de vossos seios pavorosos. Não sou doador de leitura fácil. Mas, quando sentires no vosso cu, na vossa buceta, no vosso pau ou em vossos seios o pavor que não pode ser decifrado, vós sabereis quem sou e o que sou.

Pavor para os vosso cus.

Pavor para as vossas bucetas.

Pavor para os vossos paus.

Pavor para os vossos seios.

Pavor, seus arrombados pavorosos!

Inominavelmente pavoroso,

Inominável Ser.


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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

UM POST POR BURMA



Free

Free

Free


Livre

Livre

Livre


As Lágimas De Buddha

Batem Levemente Por Sobre

Toda Burma

À Medida Que As Orações

Dos Monges Oprimidos

Ecoa Como Um Chamado

Pelas Bençãos

Da Deusa Liberdade


Buddha Chora

Buddha Chora

Buddha Chora


E Toda A Verdade Cósmica

Se Expande Em Prol

Daqueles Que Apenas Querem

A Deusa Liberdade

Lhes Retirando Da Tirania

De Homens Ferozes

Trajando Fardas Ferozes


A Deusa Liberdade

A Deusa Liberdade

A Deusa Liberdade


Aos Monges Elevo

Meu Eu Superior

E Peço Aos Filhos

Do Verdadeiro Sol Maior

Da Criação

Que Velem Por Eles

Nas Noites Onde

Corre Sangue

Nos Dias Onde

Corre Sangue


O Sangue Dos Monges

O Sangue Dos Monges

O Sangue Dos Monges


Por Burma Peço

A Todos Os Deuses

A Todos Os Altos

Ao Meu Verdadeiro Pai

À Minha Verdadeira Mãe

Que São

O Inominável Desconhecido

Em Um Inominável Poder

De Fontes Infinitas De Poder

Que Levem Um Sopro De Paz

Que Levem Um Sopro De Amor


A Verdadeira Paz

A Verdadeira Paz

A Verdadeira Paz


O Verdadeiro Amor

O Verdadeiro Amor

O Verdadeiro Amor


E A Minha Alma Eterna

A Minha Alma Eterna

Toda Aqui Nestes Versos

Pede Que A Verdadeira Paz

Pede Que O Verdadeiro Amor

Chegue Aos Vales Visíveis

E Invisíveis

De Burma

Doando Ao Povo Oprimido

As Coisas Seguras

Do Verdadeiro Ser

E Do Verdadeiro Viver

E Do Verdadeiro Estar

E Do Verdadeiro Existir

Na Criação


Pela Liberdade De Burma

Pela Liberdade De Burma

Pela Liberdade De Burma


Pela Liberdade De Burma

Pela Liberdade De Burma

Pela Liberdade De Burma


Pela Liberdade De Burma

Pela Liberdade De Burma

Pela Liberdade De Burma


Pela Paz Em Burma

Pela Paz Em Burma

Pela Paz Em Burma


Pela Paz Em Burma

Pela Paz Em Burma

Pela Paz Em Burma


Pela Paz Em Burma

Pela Paz Em Burma

Pela Paz Em Burma


Pelo Amor Em Burma

Pelo Amor Em Burma

Pelo Amor Em Burma


Pelo Amor Em Burma

Pelo Amor Em Burma

Pelo Amor Em Burma


Pelo Amor Em Burma

Pelo Amor Em Burma

Pelo Amor Em Burma


FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

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FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!

FREE BURMA!!!


Inominável Ser

POR BURMA LIVRE




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quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Poetizando Para A Aparição Do Diabo

Grande Concurso De Poesias Do Brasil.

Evento organizado pela Academia Brasileira De Poéticas Livres.

1.267 inscritos.

Seleções em todos os Estados brasileiros.

Para as finais do concurso, 104 disputam agora, no Palácio Das Musas, em Brasília, o prêmio, equivalente ao grande sonho de todo poeta: a publicação de seu primeiro livro.

José Fernando dos Reis Neto é um jovem poeta de 24 anos, criado no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. José Fernando sempre fora uma criança diferente, muito diferente das demais. José Fernando sempre poetizou, desde a mais tenra idade, com galante prazer e força formidável na entonação dos versos. José Fernando, em seus primeiros anos poetizando, era considerado um gênio, um verdadeiro gênio poético. Mas, após começar a ver O Diabo, José Fernando começou a ser desconsiderado.

O Diabo inspirava José Fernando.

O Diabo aspirava José Fernando.

O Diabo assistia José Fernando em todas as angústias e desavenças proporcionadas pelo seu modo diabólico de poetizar por Ele guiado.

O Diabo estava sempre às costas de José Fernando.

O Diabo era o único amigo de José Fernando.

Namoradas não surgiram na existência do Poeta Do Diabo, como jocosamente chamavam-no nos círculos poéticos dos quais participava. Amigos não surgiram, José Fernando possuia a aparência mais demoníaca que já havia surgido neste planeta onde todos pensam que são santos e maravilhosos quando desprovidos dos denominados arroubos pelos quais ele passava em sua caminhada de Poeta Do Diabo.

Desprezado pelos humanos, desprezado até pela família, José Fernando vivia sozinho em um apartamento humilde do centro do Rio de Janeiro. Vivia a escrever sobre O Diabo, seu amigo que não o abandonava. Vivia a poetizar sobre O Diabo, Este que lhe conduzia a uma Existência não muito agradável conforme os desagradáveis padrões da sociedade humana.

O lançamento de um livro, distante demais. Dificuldades financeiras surgindo a mais, o trabalho como taxista não lhe garantia a sobrevivência neste nosso Brasil capitalista cujo custo de vido é altíssimo demais. A situação de José Fernando piorava, dinheiro escasso, trabalho quase escravo, nada de publicar o seu primeiro livro tãpo desejado. Ele não publicaria nunca um livro através de vias normais, as editoras não se importam com poetas como ele e escolhem os tipos que geram best-sellers rentáveis com estórias e poesias pelo grande público desejáveis. José Fernando disso sabia. O Diabo sabia mais disso ainda.

Veio o concurso e a chance de poder publicar seu primeiro livro.

Inscrição feita.

Aprovação nas eliminatórias.

As finais.

Dia 03 de outubro de 2007: o dia das últimas apresentações poéticas.

José Fernando é o último a apresentar-se. Ao subir no palanque do Palácio Das Musas, murmurinhos e risadinhas de deboche. José Fernando não as escuta e se concentra. Sete minutos fica calado. Microfone na mão esquerda abaixado. Microfone na mão direita erguido.

- Boa noite a todos vós, meus inimigos. Boa noite. Não sou querido, nem busco ser querido por vós; os que buscam isso são os idiotas que se acham acima do atroz da existência terrestre. Não sou amado por nenhum humano, mas isso também não me importa pois todo ser humano é um algoz de si mesmo e dos demais. O Diabo. Meu querido amigo, O Diabo. Ele me tem como querido. Ele me tem como amado. E vou, hoje, recitar um poema que fiz na primeira vez que O Diabo, meu amigo, surgiu diante de mim. Ele vai vir hoje aqui. Ele já está vindo para cá. Ele está já aqui. E vai aparecer para todos, que não acreditam que ele seja Aquele Que Me Inspira.

Risadas de deboche ecoam.

Xingamentos de não-poetas, espectadores do concurso, ecoam.

Os organizadores do evento riem, debochando igualmente de José Fernando.

José Fernando anda ouve.

José Fernando ajoelha-se de costs para o público.

José Fernando segura o microfone com as duas mãos.

José Fernando sorri para O Diabo, á sua frente, também sorrindo.

José Fernando recitará o seu primeiro poema ao Diabo dedicado.



Um barco todo meu me aguardava

Quando pedi ao barqueiro

De uma faculdade própria

De ver até as entranhas

De minha alma

A parada em uma beira de rio

De cidade que aqui na Terra

Não se encontrava.


Pisei no solo arenoso

Da beira do rio,

Pedi ao barqueiro para

Ir embora,

Sentei-me bem lento

Em cima de uma grande pedra

Manchada de vermelho

E com sangue de abutres manchada.


Não sei porque pedi

Para o barqueiro ir embora,

Apenas me disseram

Para mandálo dali embora,

Me disseram isso

Como se estivessem em mil

Outros Eus de mim,

Eus de maior coragem,

Eus de outros fins.


Um amigo que eu desconhecia

Tocou-me no ombro direito

E sorveu minhas cores brandas

Para nelas pôr cores guerreiras

Da Natureza Do Vermelho,

Da Natureza Do Cinza,

Da Natureza Do Branco,

Da Natureza Do Negro.


Um amigo que eu desconhecia

Pemitiu que eu olhasse para

Ele,

Olhasse para

Ele

Como quem olha

O Novo Sol Das Eras

Surgindo nos horizontes

Que um dia serão

Os horizontes da Terra.


Um amigo que eu desconhecia

Sorriu quando eu

O contemplei no rosto,

Um rosto inesquecível

Que É Todos Rosto Esquecido

Pela Humanidade Sem Ricos

Rostos,

Ricos Rostos que possam brilhar,

Como o rosto

Dele,

Nas noites desprovidas

Do prateado lunar.


O amigo que eu desconhecia

Era O Diabo,

O Diabo fora da Bíblia,

O Diabo que não é o da Bíblia,

O Diabo Que É O Verdadeiro Pai

Da Deusa Poesia,

Pois Demônios,

Verdadeiros Demônios,

São todos os poetas.


O amigo agora conhecido,

O Diabo,

Permite que eu O visualize

Sem morrer,

Sem enlouquecer,

Sem esmorecer como um fraco

Moribundo embaixo

De sujos lençóis.


Você pode ver

O Diabo

Sem morrer,

Sem enlouquecer,

Sem esmorecer como um fraco

Moribiundo embaixo

De sujos lençóis?


O Diabo surge.

O Diabo surge.

O Diabo surge.

O Diabo, galante.

O Diabo, galante.

O Diabo, galante.

O Diabo, charmoso.

O Diabo, charmoso.

O Diabo, charmoso.

O Diabo, bonito.

O Diabo, bonito.

O Diabo, bonito.

O Diabo.

O Diabo.

O Diabo.

Amanhã, os jornais do Brasil e do mundo todo não poderão explicar o que ocorreu no Palácio Das Musas em Brasília.

E o que aconteceu, José Fernando viu?

Não, José Fernando permaneceu de costas para o público, o público que agora se engalfinha, o público de 1280 pessoas se engalfinhando como uma trupe de vermes loucos homicidas.

Dentes arrancam pênis.

Chutes arrebentam vaginas.

Estupros de homens por mulheres.

Estupros de mulheres por mulheres.

Estupros de homens por homens.

Estupros de mulheres por homens.

E todos se matando.

Se matando no espancamento.

Se matando no estrangulamento.

Se matando a cadeiradas.

Se matando após terem visualizado o rosto do amigo de José Fernando.

O rosto do Diabo.

O Diabo que surgiu como que para ser amigo de todos.

Mas, infelizmente, todos, afora José Fernando, não estavam preparados para terem um amigo tão sofisticado.


Poetizando Para O Diabo,

Inominável Ser.





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Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

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