sábado, 29 de dezembro de 2007

O Romântico Mais Perfeito Para Toda Mulher Mais Perfeita

É uma madrugada bonita, uma daquelas que apenas ocorrem quando as Vestes Noturnas contribuem para o aconchego de todos os mais insaciáveis Seres Que Vagam Pela Grande Noite. Madrugada, lua nova, verão escaldante, calor pavorosamente alto a atingir os corpos de Charles e Viviane, dois caminhantes por uma estrada de pedras que seguia rumo ao cume de uma montanha. Eles iam por uma floresta que os antigos habitantes denominavam de Floresta Do Inferno, já que era hábito serem nela encontrados ossadas de vítimas sacrificadas em rituais de Magia Negra, vítimas, em sua maioria, crianças. E haviam ainda outros perigos, como linces, ursos e aranhas e cobras venenosas. Mas, Charles e Vanessa sequer se importaram com as ditas histórias dos antigos habitantes da Cidade Das Hortas e resolveram juntos adentrar na floresta, lado a lado, caminhando e dialogando.

- Coleciono trechos de poetas desconhecidos, Viviane, que não assinaram os poemas que fizeram em algum lugar dete nosso mundo.

- Qual é o estilo deles?

- Poemas românticos.

- São muito belos os poemas que tratam do Ego ferido, ressentido ou animado por um amor. Estudei Literatura Italiana e me encantei pelos de Dante em Vitua Nova.

- Como professor de Literatura, Viviane, aprecio muito o vosso bom gosto como leitora. Dante Alighieri anima-nos a querer cada vez mais lê-lo e interpretá-lo, é um gênio que na Itália viveu e que para o mundo deixou um imenso legado de altíssimo valor. Decorei cada trecho de poema que coleciono; quer ouvir alguns, Viviane?

- Quero ouvir, poemas românticos são os que mais me agradam.

- Colhi este trecho na Indonésia, viajando a trabalho:

Me tenhas em noite

De espaço tênue

E me revele o dote

Da chave que treme

Em meu coração gente

Sorrindo em creme

- Um amor platônico, poema resultado de um amor platônico.

- As diversas conotações dele são amplas mesmo neste sentido de ocultos valores. É o amor platônico de um adolescente inspirado pela musa que não podia tocar, mas apenas de longe avistar.

- Calcula-se que a maioria dos fragmentos que coleciona tenham quantos anos, Charles?

- Não consulto especialistas nesse assunto, Vanessa, o mistério desses fragmentos me contagia e prefiro deixá-los sem conhecer-lhes a idade.

- Uma escolha bem típica vossa.

- Este é outro colhido na Indonésia:

apaguei a chuva ardente

com um pouco de areia

e meus olhos dementes

ansiavam pelo verão

no corpo da sereia

que se disfarça de dama

que na minha rua

caminha com grande graça

- Um trecho de poema em paralelo com a natureza byroniana de poetizar.

- O mais incrível é que o fragmento se encontrava em uma lixeira.

- Encontra muitos trechos de poemas em lixeiras?

- A todas as cidades para quais viajo, sempre cato nas lixeiras todo pedaço de papel com qualquer escrito. Quando não domino o idioma, pago um tradutor para fazer isso e o ponho em minha coleção.

- Contas quantos trechos possuis?

- Não conto, o mistério, Viviane.

- O mistério... Charles, O Misterioso... Sedutor e maravilhoso...

- Não, são teus olhos que dizem isso, seduções em mim não existem, maravilhas em mim, idem. Apenas sou amante da Literatura.

- E um romântico.

- Romântico... É, sou espeécime raríssimo neste mundo globalizado frio e indecentemente constituido.

- O mundo sente falta do século dezenove, dos poetas daquela época. Em Inglaterra, lar de Byron, colhestes muitos trechos, não colhestes?

- Inúmeros, incluindo os que encontrei na Escócia e no País de Gales. Encontrei este trecho abaixo de uma banca de jornal em Liverpool:

Esperta menina, me deixou...

que graça achei nela,

eu não sei não,

mas confesso que não resistia

ao seu sorriso de paixão

- Amante abandonado, ms orgulho de tê-la encontrado.

- Este outro, encontrado aqui mesmo no Brasil, em Salvador, é quase igual áquele:

Ela já foi

E nem disse que depois

Traia de volta meus olhos

Arancados que foram

Por eu tanto amirá-la

- A perda da melhor de todas as visões em uma existência apaixonada.

- Perfeita, Viviane, tu és perfeita.

- Por saber interpretar os trechos fragmentados de poemas?

- Por ser uma mulher perfeita, Viviane, por ser uma mulher perfeita...

- O romantismo... Sei do seu encanto...

- Você também é romântica?

- Solenemente, sou.

- Nas ruínas de um prédio demolido em Hiroshima, no Japão, encontrei um trecho de uma poetisa:

Amor irreal?

A bomba que aqui lançaram.

Amor real?

A bomba com a qual você me atingiu,

Masaki...

- Ela se sentia ferida por um sentimento que lhe era de agradável faceta.

- Qual é o seu poeta e poema românticos preferidos, Viviane?

- Dante Gabriel Rossetti e Astarte Syrians, do mesmo autor.

- Recites o poema, quero ouvir uma vez mais o mesmo dos lábios de outra mulher mais perfeita que encontro.

- Charles, O Romântico... Recito-o, então...

Mystery: lo! betwixt the sun and moon
Astarte of the Syrians: Venus Queen
Ere Aphrodite was. In silver sheen
Her twofold girdle clasps the infinite boon
Of bliss whereof the heaven and earth commune:
And from her neck's inclining flower-stem lean
Love-freighted lips and absolute eyes that wean
The pulse of hearts to the spheres' dominant tune.

Torch-bearing, her sweet ministers compel
All thrones of light beyond the sky and sea
The witnesses of Beauty's face to be:
That face, of Love's all-penetrative spell
Amulet, talisman, and oracle, —
Betwixt the sun and moon a mystery.

- Astarte... Bela Astarte... Já ouvi o mesmo poema das outras mulheres mais perfeitas que encontrei, Viviane.

- Todas elas, antes de mim, o recitavam?

- Recitavam, o romance permitia isso.

- Estamos perto do topo.

- Não, já estamos no topo, apenas mais alguns passos, Viviane.

Os dois dão mais vinte passos e juntos param perto do desfiladeiro da montanha a 1211 m. acima do nível do mar. Em volta, apenas uma densa floresta regada pelo luar, um luar de feixes amorosamente destilados de amor por tudo aquilo que nesta madrugada está a iluminar. Charles e Viviane fitam-se nos olhos, dão três passos para trás e começam a despir-se, olhando um para o outro. Em silêncio, tiram suas calças, sapatos, camisas, roupas íntimas... Viviane é a primeira a ficar totalmente nua e abre os braços, erguenfddo a face para a lua, fechando os olhos, calada, calada, calada... Charles, totalmente nu, abaixa-se, abre sua mochila esverdeada e põe luvas de borracha, grossas, nas mãos. E retira uma faca com uma lâmina de aço de vinte e cinco centímetros, de caçador, possuidora de trinta pequenos dentes da ponta até o cabo. Com a faca na mão esquerda, ergue-se e, silenciosamente, seriamente, olha para o corpo de Viviane, de frente para si.

O pescoço, bem talhado...

Não, Charles não quer que seja ali...

Os seios, volumosos, empinados...

Não, Charles não quer que seja ali...

O abdômen, com alguma gordura, mas sensual...

Não, Charles não quer que seja ali...

A vagina, os pêlos...

Ah, Charles gostou dali...

A vagina, os pêlos...

Ah, Charles adorou ali...

A vagina, os pêlos...

Ah, Charles se aproxima mais um pouco de Viviane, é ali...

A vagina, os pêlos...

Ah, Charles, Charles, Charles, vai ser ali!

Vagina recebendo a lâmina!

Vagina perfurada pela lâmina!

Vagina atravessada pela lâmina!

Vagina engolindo todos os vinte e cinco centímetros da lâmina!

Charles extasiado!

Charles excitado!

Charles feliz!

Charles girando, girando, girando, na vagina de Viviane, a lâmina!

Viviane sorrindo!

Viviane feliz!

Viviane excitada!

Viviane tendo orgasmos!

- Char... Char... Charles... Recita... Re... Recita...

- Para mais uma mulher mais perfeita, meu romântico secreto poema...

Trema a sua buceta,

lâmina nela,

sem brincadeira;

Acolha minha lâmina,

sua buceta sangra,

eu quero-te satisfeita;

Vá mexendo a sua buceta,

sangrando ela está,

sangrando ela me homenageia;

Ame minha lâmina,

a lâmina beijando a sua buceta,

a lâmina fodendo com a sua buceta;

Arreganhas a buceta,

linda buceta com lâmina cravada,

linda buceta de mulher mais perfeita;

Aconchego em minha lâmina,

ela na sua buceta te tornando ainda mais

uma mulher mais perfeita!

Charles gira a lâmina com mais força e Viviane, sem gritar, tendo orgasmos, de olhos fechados, braços abertos, vai sendo abraçada pela Lâmina Da Foice Da Deusa Morte...

Charles vai girando a lâmina, Viviane vai sendo abraçada pela Lâmina...

Charles vai girando a lâmina, Viviane vai sendo abraçada pela Lâmina...

Charles vai girando a lâmina, Viviane vai sendo abraçada pela Lâmina...

Charles girando a lâmina, Viviane abraçada pela Lâmina...

Charles girando a lâmina, empurrando Viviane para a ponta do despenhadeiro, Viviane abraçada pela Lâmina...

Charles retira a lâmina, Viviane caindo no desfiladeiro, Viviane caindo abraçada pela Lâmina...

Viviane vai rolando pela mata, Viviane abraçada pela Lâmina...

Viviane vai rolando, seu sangue manchando a mata...

Viviane vai rolando, rolando, rolando, Charles vendo entre o verde iluminada pela lua as manchas de sangue nas folhas...

Charles tem um orgasmo e o seu esperma deixa que regue a lâmina da faca que banhada está pelo sangue de Viviane.

Charles olha para a lua...

Charles ergue a faca em direção à lua...

Charles é transportado de volta para O Templo Sangrento Dos Reinos Das Trevas Lunares.

Viviane lá aguarda-o, como inúmeras outras mulheres mais perfeitas, desejosas que Charles foda com elas por românticas horas que não são lá contadas cravando-lhes e girando-lhes a lâmina da faca de caçador nas bucetas.

E você aí, mulher que estiver aqui ao final deste conto, não achas Charles um homem mais perfeito do que os que conheces?

Você aí, você mesma, mulher, não achas Charles o romântico mais perfeito desde Vinícius de Moraes?

Você aí, mulher, está com a buceta bem limpinha e prontinha para receber a romântica forma dele te amar e adorar?

Mulher, ele pode te encontrar, a sua buceta vai saber quando o encontrar...

Mulher, Charles quer te encontrar...

Romanticamente,

Inominável Ser.

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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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