quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Janelas E Pés

Sangra meu nome, já sei que ele está bem diferente, me alimento dos rompantes perdidos das cagadas que já andei dando pela existência. Nome, meu nome... Quero saber se o meu nome imita mesmo uma curva ascendente em uma tarde de chuva ou uma tarde descendo pelo ralo da porra do meu banheiro... Anathariel é o meu nome, um nome estranho para você aí que é tão amigo dos nomes comuns e se sente tão bem com o seu nomezinho. Anathariel, um mel de homem, um mel de homem incomum, até vocês diriam; mas, sou tão comum quanto vocês, estou nas mesmas janelas, tenho os mesmos pés... Já me lancei de dez janelase não morri, quebrei apenas os meus pés... Ironicamente, eu pedia para fazer tudo voar, tudo parar, tudo parecer com as janelas que eu via diante de mim quando adormecia...

Janelas...

Janelas em meus sonhos...

Janelas em meus pesadelos...

Tudo escuro nos sonhos das janelas...

Tudo escuro nos pesadelos das janelas...

Nas janelas, mulheres dançando...

Nas janelas, eu sonhava com mulheres dançando em janelas...

Nas janelas, elas estavam nuas dançando nas janelas...

Nas janelas, naqueles sonhos, elas dançando...

Janelas que tentei quebrar com os meus pés...

Janelas que tentei derrubar com os meus pés...

Janelas rasgando meus pés...

Janelas massacrando meus pés...

Janelas cujos vidros eu não quebrava...

Janelas cujos vidros não eram quebrados...

Janelas na escuridão dos meus sonhos...

Janelas na escuridão dos meus pesadelos...

I can't remember anything
Can't tell if this is true or dream
Deep down inside I feel to scream
This terrible silence stops me

Now that the war is through with me
I'm waking up, I cannot see
That there's not much left of me
Nothing is real but pain now

Hold my breath as I wish for death
Oh please God...

Não é a hora de pensar no Metallica, tenho que pensar no que vou fazer para sair deste sonho, deste pesadelo, aqui nesta casa. São cinco de uma mesma família. Uma mulher de seios redondos, de bicos vermelhos; a outra é mulher de seios redondos, de bicos vermelhos; mais outra é uma mulher de seios pequenos, que ao tocar-se é como tocar pequenas uvas; mais uma outra é uma mulher de seios dilacerados, parece que o marido fez-lhe isso; e mais uma outra, a última outra, é uma mulher de seios quase inexistentes. Elas choraram enquanto eu cortei-lhe os seios... Acho que são irmãs... Acho que são primas... Ah, não importa, invadi esta casa de campo como muitas que já invadi e não me importo se elas, as que ficam nas janelas, me atormentando em meus sonhos, me atormentando em meus pesadelos, possuem algum parentesco. Somente as deixo nuas e corto suas línguas, como agora, se vocês pudessem ver, estão sendo pisadas pelos meus pés. Eu as acorrentei ao chão da sala, nuas, pouco depois de espancar uma por uma por me incomodarem em meus sonhos e pesadelos nas janelas.

Ah, uma coisa que ia esquecendo: fiquei manco de tanto saltar de janelas e nunca morrer...

Estes seios me incomodam... Os vidros das janelas que quebrei já estão aqui, bem acomodados... Isso é de uma beleza artística? Não, é uma terapia, é a minha terapia, eu preciso fazer com que elas parem de dançar nas janelas dos meus sonhos, nas janelas dos meus pesadelos.

Um vidro grande serve agora de bisturi, vou cortando aos poucos os seios da primeira, aquela de bicos dos seios vermelhos...

Ela está gemendo, lágrimas nos olhos, eu continuando...

Mais um pedaço de vidro...

Corto aqui...

Ui, retiro um...

Ui, retiro o outro...

Como sempre, eles são massas de carne gordurosa que eu piso com meus pés.

A outra de bicos dos seios vermelhos, tenho que utilizar outros pedaços de vidros das janelas desta cada de campo que quebrei...

Vou usando...

Estou usando...

Arranco um...

Arranco o outro...

Piso nos dois...

A outra, aquela de seios pequenos...

Seios pequenos... Já arranquei muitos assim, são os mais fáceis... Os mais fáceis...

Outro vidro...

E mais um vidro...

Com cuidado, não quero fazê-la desmaiar logo, nas janelas elas me incomodam dormindo, agora quero incomodá-las acordadas...

Cortando...

Cortando...

Cortando...

Primeiro seio retirado...

Segundo seio retirado...

Piso neles!

Isso é sonho sem janelas!

Isso é pesadelo sem janelas!

A outra, de seios dilacerados...

Dois vidros a mais...

Ela está chorando muito mais do que as outras, talvez eu a lembre do marido ou do namorado que lhe dilacerou os seios...

Corto com violência, ela deve sofrer mais por me fazer atormentando dançando em meus sonhos nas janelas...

Corto com violência, com muita violência, ela deve sofrer mais ainda por me fazer atormentador ser que a vê dançar em meus pesadelos nas janelas...

Arrancado um!

Arrancado o outro!

Piso neles!

A última, a que quase não tem seios...

Muito mais fácil, bem rápido eu arranco os dois seios...

Duas uvinhas...

Piso neles!

As janelas desta casa quebrei todas e há muito vidro aqui, muito vidro aqui...

Muito vidro...

Muito vidro...

Muito vidro...

Mas... Os pés... Os pés delas... Tenho...Eu tenho... Eu trouxe meu machado, o machado com o qual quebrei as janelas... Os pés delas são fortes, são mulheres que viveram no campo. Será que foi aqui onde estou? Seá que foi em outro país? Será... O que me importa agora é fazer com que elas parem de dançar nas janelas em meus sonhos... O que me importa agora é fazer com que elas parem de dançar nas janelas em meus pesadelos... Esses pés... Meus pés.. Não, os pés...Não, os pés... Não os pés...

Os pés delas!

Os pés delas!

Os pés delas!

COM DEZ MACHADAS ARRANCO OS PÉS DA PRIMEIRA DE SEIOS AGORA MAIS VERMELHOS PISADOS POR MIM!!!

COM VINTE MACHADADAS ARRANCO OS PÉS DA SEGUNDA DE SEIOS AGORA MAIS VERMELHOS PISADOS POR MIM!!!

COM TRINTA MACHADADAS ARRANCO OS PÉS DA TERCEIRA, A DE SEIOS AGORA MAIS PEQUENOS PISADOS POR MIM!!!

COM QUARENTA MACHADADAS ARRANCO OS PÉS DA QUARTA, A DE SEIOS AGORA MAIS DILACERADOS PISADOS POR MIM!!!

COM CINQUENTA MACHADADAS ARRANCO OS PÉS DA QUINTA, A DE SEIOS AGORA MASI INEXISTENTES PISADOS POR MIM!!!

Na terceira machadada em cada uma, revelo que eu já arrancara os pés delas que dançavam nas janelas em meus sonhos e em meus pesadelos.

Estou livre de mais dançarinas nas janelas dos meus sonhos e dos meus pesadelos.

Não preciso matá-las, elas não tem mais como dançar nas janelas em meus sonhos e em meus pesadelos.

Vou tomar um bando aqui e ir para minha casa na cidade, o sono já me agita a vontade.

Elas estão tão caladas agora...

Não dançarão mais nas janelas em meus sonhos...

Não dançarão mais nas janelas em meus pesadelos...

Terei sonhos.

Terei pesadelos.

Mulheres dançando nas janelas...

Balançando os seios...

Os pés em movimentos...

Não tem problema, nenhum, nenhum, nenhum problema!

Eu as faço parar de dançar nas janelas em meus sonhos.

Eu as faço parar de dançar nas janelas em meus pesadelos.

Mas, eles sempre voltam a dançar em meus sonhos...

Mas, elas sempre voltam a dançar em meus pesadelos...

Seios...

Pés...

Balanço...

Janelas...

Pés...

Janelas...

Sonhos...

Pés...

Pesadelos...

Sonhos...

Janelas...

Janelas...

Janelas...

Pés...

Pés...

Pés...

Seios dançantes em meus sonhos, em meus pesadelos, sempre...

Pés dançantes em meus sonhos, em meus pesadloes, sempre...

Janelas com mulheres dançando em meus sonhos, em meus pesadelos, sempre...

Minha missão é fazê-las parar...

Preciso sonhar sem janelas...

Preciso ter pesadelos sem janelas...


Inominável Ser

COM A JANELA QUEBRADA








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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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