quinta-feira, 20 de março de 2008

Gargula Valzer - A Noiva Do Morto









Composição: Getulio Silenzio


Candelabros negros, silhuetas mortas
Antique musique, nocturna régia
Violinos ganham vida no museu dos ossos
Um corvo sem olhos, uma taça de vinho
Rosas pelo corpo, coberta de véu, a noiva do morto
Serenatas trágicas, Nosferatu! Vampyr!
Na caixa de ossos, incenso de ópio
Derrama no corpo da donzela esse sangue
Rito imortal da vida daqueles que são eternos
Rosas pelo corpo, coberta de véu, a noiva do morto
Escaravelho na pele pálida
Fantoche da morte...
Rosas pelo corpo, coberta de véu, a noiva do morto




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A Adormecida Que Consumi

15 de março de 2008

Uma festa gótica

Horas não-contadas

Era um prazeroso local, ambiente aconchegante em seus sinais todos de obscurantismos no ar. Todo o ar cheirava como se as fragrâncias abismais tivessem aberto um canal por onde puderam até ao ambiente no qual eu estava chegar. Os turbilhões sensitivos eram múltiplos, as cascatas sensitivas eram múltiplas, eu era lá o animal mais centrado no cheiro de tudo que me rodeava. Animal, racional no íntimo dos meus selvagens impulsos, irracional nos alcances revelados dos meus bestiais instintos, não-animal, além-animal, puro animal, tudo o que cabe no que se chama classificação das espécies a mim cabe. Cada partícula eu via dançante, tocava a música, tocava a iniciadora de meus sentidos e instintos primordiais em escalas que estremeciam a alma minha a gozar de uma estrutura amiga dedicada ao meu qualificar-me entre os que me rodeavam. Eram setenta seres humanos, muito humanos, vibrando na mesma freqüência, vibrantes na mesma freqüência, e eu vibrando na freqüência deles. Animais abaixo de mim, todos eles dançavam na ritmada força de uma música consumidora de todas as mais puras forças deles. Eu era ali o animal que ficou por cima, o animal, o leão, cercado de saborosas ovelhas cegas dançantes ao som de Mortiis...

We are floating - Above the mountains
Watching all the tiny people
how they waste themselves away
Obey themselves away

How willingly - They lay their love
How willingly - They sacrifice themselves
To the locust master - to the one that drowned the world

They love their Parasite God - Yet they crucify me

How willingly - They lay their love
How willingly - They sacrifice themselves
To the bringer of hunger - To the one that drowned the world

They love their Parasite God - Yet they crucify me

I want to be your Parasite God
So I can show you who you really are
I want to be your Parasite God
So i can show you who you really are

They love their Parasite God - Yet they crucify me

Hum... Como diria uma amiga minha... Hum... Não pertenço a uma espécie parasita e nem me curvo aos Deuses como se Estes fossem meus Senhores. Estou lado a lado com os Deuses, assim como todos os da minha espécie, filhos que somos das Terras Antigas. Não lembrei das Terras Antigas, deixei-me absorver pela música de Mortiis, música ainda a martelar na consciência e na inconsciência minhas. Necessitando de uma prima filosofia, carecendo de uma sofisticada sociologia, poupando de uma reles medicina, me concentrei na dialética oficina de centralizar-me e concentrar-me nas formas dançantes visíveis e invisíveis na pista. Arcanos, Arcanos Dançantes, Arcanos Da Dança Da Escuridão, ali, ali na pista, entre os humanos, presentes. Facilitando assim a minha caçada silenciosa, facilitando assim o distender do meu arco e o lançar de minha flecha, me conduzi ao mágico olhar, ao buscador olhar, um olhar que apenas os predadores da minha espécie sabem manipular. Olhar na pista, a discotecagem abordando as nascentes, no ar, de mais Formas-Pensamentos, Formas Dançantes, Pensamentos Dançantes, Formas-Pensamento Dançantes Na Primeira Dança Do Meu Buscar. Os da minha espécie, que não necessitam mais de uma veste corpórea, estavam na pista, eles também caçavam, eles também a notavam...

Notavam aquela criatura rara... Notavam aquela criatura de magnífica pecha existencial... Notavam aquela criatura de típica divindade noturna essencial... Notavam aquela criatura arrastando todas as vibrações do ambiente em seu redor... Notavam aquela criatura gerando diapasões vibracionais que quantificadamente tornavam seus passos de dança jornadas transcendentais... Notavam aquela criatura derrubando-nos com suas euforias ocultas... Notavam aquela criatura insistindo em erguer-nos com suas euforias bem abertas e visíveis... Notavam aquela criatura... Notavam aquela criatura, bem temperada, bem servida aos propósitos nossos, bem dada aos excessos que nos gostamos... Notavam aquela criatura... Notavam aquela criatura, uma Filha De Lilith, uma Filha Da Grande Noite, uma Filha Do Abismo, de garras ocultadas qual gata perigosa oferecendo-se para ser provocada ao ataque, de presas ocultadas aguardando o destinado ataque que sempre se torna todo melhor ataque... Notavam aquela criatura.. Notavam aquela criatura, feminil animal noturno, feminil animal sexuadamente ativo, feminil animal potencialmente incomum nos odores que exalava... Notavam aquela criatura... Notavam, e aquela criatura sequer nos notava... Notavam aquela criatura...

Notavam uma Vampira Real dançando toda absoluta na pista.

Raros são os encontros assim e tardios são muitos reencontros assim. Eu, longe, cem metros, acima, recebia as vibrações que o corpo embriagado dela gerava por todo o local da festa. Embriagada, ela estava embriagada, ela dançava, ela gritava, ela me alimentava... Mas, não sabia de nada disso, não era uma Vampira Desperta, era uma Irmã minha Adormecida, beberrona e fumante, louca e descontroladamente geradora das melhores vibrações que se pode receber em ambientes tão carregados de Noturno Poder como o ambiente de uma festa gótica. A distância em que eu estava me permitia um estudo elaboradamente paciente das condições nas quais eu me deliciava com aquelas vibrações dela, filtrando as pequenas dimensões que nos separavam, descartando os elementos do álcool e do fumo, desnecessários aos meus Arcanos Internos. Os Adormecidos são potencialmente geradores de trações e tensões que apenas os Despertos percebem no geracional campo de energias que se expandem em determinados momentos. Ela, a Vampira Adormecida, toda entregue à bebida, toda entregue ao fumo, estava a alimentar-me em proporções equivalentes a cavalares ingestões de noturnos prazeres inenarráveis...

Dançando, ela me convocava... Dançando, aquela Adormecida me convocava... Dançando, inconsciente dos Vampiros que com ela dançavam, ela me convocava... Sua Parcela Vampírica me convocava à pista, eu não suportei as trações e as atrações sugestionadas pelo convocar dançante dela, desci com a calma apenas proporcionada aos animais especiais como eu, desci de onde estava, acima dela e longe, ficando perto dela, dançante como ela... A música, dançante... A atmosfera, dançante... As esferas, dançantes... A Noturna Música ali nos unia naquela dança, eu a consumia... A Noturna Atmosfera nos unia naquela dança, eu a consumia... As Noturnas Esferas ali nos unia naquela dança, eu a consumia... Lilith apresentou-se dançando conosco, os demais Vampiros dançavam em nosso redor, os animais humanos inferiores não mais existiam em nosso redor, eu, eles e ela e Ela dançavamos, dançavamos, dançavamos... Absorvido pela Noturna Consciência, meus chakras ardiam na febre infinda do momento dançante de consumismo meu; contudo, eu não era o único a alimentar-me daquela Adormecida, Lilith alimentava-se, meus Irmãos Vampiros alimentavam-se, a música, que música, a música guiava nossa Alimentação...

Ela bebia, a Adormecida bebia, bebia, bebia... Ela fumava, a Adormecida fumava, fumava, fumava... Ela dançava, a Adormecida dançava, dançava, dançava... A minha Alimentação estava ficando pouco, muitos alimentavam-se dela e eu decidi tomar a frente de todas, ela era minha, eu a queria,

EU A QUERIA!!!

Filtrei mais, aumentei o perímetro, afastei todos os demais, afastei Lilith, que gargalhou e me deixou continuar! Afastei todos os Vampiros, meu Irmãos Vampiros, me concentrei nela, eu sozinho comecei a alimentar-me dela! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Ela gritava, eu permanecia dançando calado, fitando-a, ela nem percebia! Ela gritava, eu estava próximo a ela, não via mais o tempo, não via mais o espaço, apenas estava a cheirá-la por toda a pele e pelos espaços ocultados pelo negro vestido longo! Ela gritava, dançava, gritava, dançava,

GRITAVA, DANÇAVA!!!

Bêbada, fumando, ela me fitou duas vezes, mas nada percebeu de mim, não percebeu que eu a consumia, não percebeu que eu era um predador ao lado dela

A CONSUMI-LA!!!

Dançava a Adormecida!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Ritmo, consumismo, eu ia sozinho na dança consumista!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Meu silêncio consumista, muito mais eu tinha, muito mais eu queria, muito mais eu pedia!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Eu não vagava além dela, eu não me permitia sair além dela, ela era a única ali que eu permitia que me desse tudo que tinha, tudo que eu queria, que

EU QUERIA!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Muito aquecia-se a pista, noturno sol se erguia, eu a consumir aquela Adormecida, ela não percebia, dançava, gritava, bebia, fumava, me dava muito mais do que eu poderia receber se eu a agarrasse e fodesse com ela ali no meio da pista; me dava muito mais do que eu poderia receber se penetrasse com todo o meu pau no cu e na buceta dela; me dava muito mais do que eu poderia receber se ela me chupasse engolindo meu pau todo; me dava muito mais do que eu poderia receber se eu a chupasse nos seios, no cu e na buceta lambendo-a com a minha animalesca língua lambedora de muitos seios, cus e bucetas!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumismo, meu consumismo!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumir, queria consumir mais,

CONSUMIR MAIS!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumindo a Adormecida, eu dançava de forma ritualistica, uma ode ao absorver de todas aquelas vampíricas energias,

TODAS AQUELAS VAMPÍRICAS ENERGIAS EU QUERIA!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumismo, vinha tudo, vinha tudo,

VINHA TUDO DELA!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumismo, vinha, o vinho doce das energias dela, vinha, vinha,

VINHA!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumismo, mais dela, mais dela, mais dela,

MAIS DELA!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumismo, consumismo,

CONSUMISMO!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

CONSUMISMO!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

CONSUMISMO!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

CONSUMISMO!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

CONSUMISMO!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumida...

Parou...

Parou a dança...

Parou a música...

Parou toda a pista...

DJ correu em direção à pista...

Todos correram em direção a um pedaço de carne consumida inerte nos braços de um homem...

Não eram os meus braços, claro! Enquanto Lilith, com aquela bunda dela maravilhosa que já foi dada pela Criação toda, se esfregava em meu pau, meus olhos se voltavam para o desespero do namoradinho daquela Adormecida, gritando tendo-a morta aos braços. As amiguinhas dela choravam, os demais ali não acreditavam, a Adormecida estava morta, "Carla", alguém disse o nome dela, uma amiga, estava morta. Exagerei ao consumi-la, mas não estou, até agora, nem um pouco arrependido, é a milésima ducentésima vez que isso ocorre em trinta e um mil anos de minha caminhada pela Terra, de veste a veste vampírica. Lilith beijou-me no pau, dando-me o sinal. Virei as costas para os chorões, para o cadáver da Adormecida, para o namoradinho imbecil dela a gritar, para os amiguinhos imbecis dela a gritar, para todos os demais animais imbecis ali presentes a estarem surpresos. Virei as costas e parti, abraçado a Lilith, com todos os demais Irmãos Vampiros, daquela festa gótica que findada foi com a morte da Adormecida que consumi. Outra festa havia bem longe e muitas que nem Vampiras Reais eram eu tinha que consumir...

Exagerei nessa outra festa e matei sete humanas ao consumi-las ao mesmo tempo, sempre protegido pela Mamãe Lilith, sempre com a permissão dos meus Irmãos Vampiros. É, sou insaciável, não preciso ouvir Bela Lugosi's Dead para me inspirar. Aliás, não tocou em nenhuma das duas festas Bela Lugosi's Dead... Não sou Bela Lugosi, como já perceberam. E a cada morte daquelas que consumo, eu ressuscito, não para qualquer ato em prol da sua Humanidade, mas em prol da minha própria existência. Nós nos encontraremos em qualquer festa gótica pelo mundo, sei que nos encontraremos. É, me dirigo a você aí, que está lendo este meu relato de predador incansável. Ainda mais se você for uma mulher, uma feminil criatura animal comum, vou adorar te encontrar em uma festa gótica qualquer... Vou adorar te consumir... E vou adorar te matar durante o processo...

Inominável Ser

CONSUMIDOR




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segunda-feira, 10 de março de 2008

Black Sabbath - Black Sabbath




Composição: Osbourne/Iommi/Buttler/Ward


What is this that stands before me?
Figure in black which points at me
Turn around quick, and start to run
Find out I'm the chosen one
Oh no, no, please God help me!

Big black shape with eyes of fire
Telling people their desire
Satan's sitting there, he's smiling
Watches those flames get higher and higher
Oh no, no, please God help me!

Is it the end, my friend?
Satan's coming 'round the bend
people running 'cause they're scared
The people better go and beware!
No, no, please, no!


O que é isso que se levanta a minha frente?
Um vulto preto que aponta para mim
Viro rapidamente, e começo a correr
Descobri que eu sou o escolhido
Oh não!

Uma grande figura negra com olhos de fogo
Dizendo às pessoas seus desejos
Satã está sentado lá, ele está sorrindo
Observem aquelas chamas crescendo cada vez mais
Oh não, não, por favor Deus me ajude!

Esse é o fim, meu amigo?
Satã está vindo lá na curva
As pessoas correm pois elas estão assustadas
Pessoal, é melhor correr e tomar cuidado!
Não, não, por favor, não!






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Uma Amerdalhada E Amerdalhante Passagem Pela Cidade Cagada Do Abismo

SE A SUA ESTRELA

NÃO BRILHA

FODA-SE

ACENDA UMA VELA


Sentado no vaso sanitário do banheiro daquele shopping, li essa frase, que me estampou na face direta e na face indireta uma imensa inescapável certeza de que sou um cara ofuscado mesmo. Aquela porra daquela frase me ameaçava na indigestão daqueles minutos ali cagando, abrindo meu cu para a saída da merda de uns restos de carne de cabrito e churrasco que no domingo havia saboreado. Caralho mesmo, caralho grande, caralho me fodendo, aquela frase era uma porrada insana nas indignações do meu coraçaõzinho fracassado e eu, enfim, inato-morot-de-toda-horizontalidade-inescapável, confirmei meu existencial fracasso. A merda saia do meu cu e aquela frase ali, à minha frente, entre tantas outras, erguia-se na fronte desobediente minha de uma maneira bem mais selvagem do que a mais selvagem afronta. As pregas do meu cu se abriam, a puta frase continuava me encarcerando, aquela desgraça me atacando, eu me dilatava gemendo de dor, a dor pela merda saindo do meu cu, a dor pela leitura daquela frase entrando em mim pelo cu e por lados ocultos a mais que eu nem sabia que existiam em mim. Cagando em banheiros de shippings, como eu naquela hora e naquele dia tão parecido com um filme papo-cabeça que ergue odes ao poder de cagar, todos os seres humanos deveriam fazer uma reflexão autobiográfica lendo as frases estampadas nas portas onde encarceram os cus nos vasos sanitários. São filosóficas as frases de tais portas, denunciam as cagadas internas humanas, revelam o tenso existente abaixo das roupas, pois é pelo cu, pela dor de estar ali cagando, que todo ser humano aborda melhor a sua efêmera capa de sinceras fedorentas percorridas estradas. Me lembro...

... me lembro

das outras...

... frases


DEUS TE AMA

DEIZE TE CHIFRA

LEONARDO

SEU CORNO

DA PADARIA


GAYS SÃO LIXO


CHUPO TEU PAU

E TE DEIXO GOZAR

NA MINHA CARA


A FAXINEIRA ALINE

DAQUI DO SHOPPING

ME CHUPOU ONTEM

AQUI


MEU HOMEM

ME COMEU AQUI

ONTEM


MARCELA CHUPA

DE GRAÇA

ALI NA RUA DIANTE

DO TRIBUNAL


EU COMI A ROBERTA

DA LOJA 233


FAVELADO TEM QUE

MORRER!


NEGRO NÃO É GENTE

É ESCRAVO E

MACACO!


NEGRO É PODER

SEU FILHO DA PUTA

RACISTA

DO CARALHO!


VÁ TOMAR NO CU

FLAMENGUISTA

URUBU DESGRAÇADO

MACACO DE MERDA!


JULIANA E SÍLVIA

SÃO AS PUTINHAS

QUE PAGAM BOQUETE

ALI NO BANHEIRO

DO COLÉGIO DE FREIRAS


EU DOU O CU DE GRAÇA

ME LIGUEM

MEU TELEFONE É...


É nessas portas que se revelam os que se dizem livres de todo tipo de coisa que é condenada socialmente. As pessoas que escrevem esses amerdalhados fodidos lixos são gênios sem brilho como eu ou até podem ser gênios com brilho como eu nunca tive, depende do brilho da caneta, da conta bancária ou da forma do cu limpo após uma cagada. Uma filosofia de fezes é o que se encontra em todas as portas de banheiros de shoppings, Nietzsches de merda, Sartres de merda, Schopenhauers de merda, Kierkegaards de merda, estampando nelas as suas filosofias amerdalhantes nascidas da crítica da razão de seus cus a abrirem-se na intenção de injetarem na água do vaso o tanto de lixo inaporoveitável que suas tripas podres jogam fora axiomaticamente. Eu tava cagando, lendo aquele lixo todo, me lembrando da Celeste, da Rosa, da Maria, da Ariana, da Selene, da Débora, da Elena, de todas, todas, todas pelas quais caguei de amores... Aquelas frases, não, aquela frase primeiramente, aquela que mais ali me atormentava, me era condenatória, me torturava... A merda saindo do meu cu... Porra, eu tava quase chorando, aquela merda tava presa, toda presa, eu queria gritar, mas não podia, não estava em casa, estava em um shopping... Me lembrando das mulheres que cagaram em mim, das crianças que na escola cagaram em mim, dos amigos que me abandonaram cagando em mim, dos inimigos todos meus que cagam em mim... Meu cu tava todo se abrindo, a dor dilacerava, e a frase, denunciando a minha apagada chama, me sentenciando... Filho da puta... Filho de uma grandiosa puta chamada consciência de mim mesmo, é isso que aquela frase, junto com aquela cagada de mais de duas horas, na qual meu cu já ardia prá caralho, tava me dizendo. Saindo devagar, saia devagar, saia muito devagar aquela merda. Saia...

... muito devagar

estava saindo...

... saia

saia aquela merda toda...

... meu cu ardendo demais

saiu...

... saiu aquela merda toda

saiu...

Me limpei com dor, o papel fazia arder ainda mais o meu cu, e a frase, aquela frase entre tantas amerdalhadas frases escrotas, me consumia ali. Eu me limpava, ficava lendo aquilo, apenas lendo, apenas me lembrando dos pagamentos e apagamentos de minha existência sem brilho e sem brilhantismos. Acabei de limpar meu cu, me levantei, amarrei o meu cinto, deixei um pouco de olhar para aquela frase filosoficamente cagada. Peguei minha pasta de executivo (é, seus cuzões que cagam aqui lendo esse cagado relato, sou um executivo, trabalho oito horas por dia, ganho bem, mas sou uma merda de terno e gravata com cagada cara de homem rico e feliz!) e abri a porta daquele cubículo de cagadas. Me deparei, no entanto, com algo que não era o shopping, a mesma porra de shopping onde todos balançam os cus pelos corredores a fim de esquentá-los com a febre acesa do desejo consumista, quando sai.

... uma cidade

uma outra cidade...

... cidade estranha

cidade de gente nua...

... mulheres nuas

que cus grandes e cagados...

... homens nus

que cus grandes e mais cagados...

... crianças nuas

que cus pequenos e muito mais cagados...

Eu via lama pelo solo, apenas uma lama negra. Lama, era lama? Não, era merda, um monte de fezes, um monte de merda, vi pessoas cagando na rua onde eu me encontrava. Olhei para trás e o cubículo onde caguei ainda estava ali. O que era aquela cidade que olhei em redor de mim, dando alguns passos pisando no côco, na merda, naquela escrotice toda bizarra? Olhei para o alto, o céu era apenas algo parecido com a forma de côco bem marrom, não havia sol, não havia nuvens, não havia luz. Andei mais um pouco, adentrei na rua, adentrei mais na rua, as casas eram feitas todas de fezes, de merda, muitas casas erguidas, todas as casas erguidas, apenas com fezes, com merda, preta, marrom, vermelha, branca (merda branca, já saiu do meu cu uma assim um dia!). Eles pareciam, eles residentes naquela cidade, não se importarem comigo, de terno e gravata e segurando uma pasta, pois continuavam com as merdas de seus afazeres. Mulheres com seios até os pés, corpo todo encoberto de merda, se arrastando, sendo humilhadas, por homens com o corpo todo encoberto de merda, homens cujos pênis se arrastavam por vários metros pelo solo, ou o que se pode chamar de solo. As crianças, crianças, crianças fétidas, crianças horrorosas, crianças todas encobertas de merda, crianças estuprando crianças, vi um menino, com um pênis maior, muito maior que o meu (talvez uns 125 centímetros!) currando uma criança menor, sem pênis, apenas um cu que ele adorava currar. As outras crianças em redor, com pênis maiores ainda do que o meu, aguardavam, cantando em um idioma de merda estranho alguma canção lasciva que, pelo meu bem, eu não compreendia. Aquilo tudo me fazia mais merda do que eu já sou, eu continuei caminhando, continuei pisando na merda que era o solo, vi mais crianças estuprando crianças nas outras ruas, vi homens pagando boquete em mulheres e em crianças, vi homens pagando boquete em homens, vi o barbarismo que contado jamais fora, jamais, pela narrativa de Sade, barbarismo atroz de outras coisas que agora esqueço, mas não me esqueço dele.

... dele

ele...

... o homem

aquele homem...

... um monstro

pênis ereto...

... o maior pênis dali

pênis de doze ou vinte e dois...

... pênis de trinta metros

pênis ereto...

... ele era o mais cagado de todos

não tinha olhos...

... não tinha lábios

em que rua eu estava?

ele me atraia...

... temi ser por ele currado

mas, eu desejei que ele me curra-se...

... não tinha lábios

não tinha...

... mas, falou

falou comigo...

... falou

me humilhou...


SE A TUA ESTRELA

QUER BRILHAR

META UMA LANTERNA

NO TEU CU

E FODA COM A

TUA EMPREGADA

E FODA COM

A TUA FILHA

E FODA COM

A TUA MÃE

OU ESTUPRE

A PRIMEIRA CRIANÇA

QUE TU ENCONTRARDES

FORA DAQUI

DA CIDADE CAGADA

DO ABISMO


Como que pego pelo cu, fui arrastado de volta ao cubículo onde caguei. Caí sentando no vaso sanitário fechado, merdado, todo merdado, todo amerdalhado, todo amerdalhante. Descansei um pouco, olhei para os meus sapatos, limpos, nada de côco, nada de merda neles, podia sair dali e ir para o meu emprego apagado naquele prédio amerdalhado de sessenta andares perto do shopping onde caguei e estive no que aquele cara, aquele homem, chamou de "Cidade Cagada Do Abismo"! Não olhei mais para aquela frase, eu dormi ali dentro, sonhei com aquilo, dizia em voz alto abrindo a porta do cubículo! Me encaminhei para a saída, ia trabalhar e uma criança entrava.

criança...

... criança parecida com aquela

aquela que era estuprada...

... aquela que vi ser estuprada

cu gostosinho o menino tinha...

... ele me recomendou

ele me receitou...

... minha estrela brilhando

brilhando...

... o menino

o menino entrou no cubículo...

... no mesmo em que eu caguei

no mesmo...

... banheiro vazio

somente arrombei a porta...

... tapei a boca do menino

e comi o cuzinho dele...

... como vi lá no Abismo

como ele me disse para fazer...

... como eu fiz

Agora, minha estrela brilha. Ainda sou executivo. E, de shopping em shopping, vou fazendo a minha estrela brilhar acima de toda merda amerdalhante e amerdalhada que neles há. Tem cada menino de cuzinho cagado gostosinho que tenho currado brilhando...

Inominável Ser

EM SEU CAGADO

ABISMO






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Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

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