quinta-feira, 20 de março de 2008

A Adormecida Que Consumi

15 de março de 2008

Uma festa gótica

Horas não-contadas

Era um prazeroso local, ambiente aconchegante em seus sinais todos de obscurantismos no ar. Todo o ar cheirava como se as fragrâncias abismais tivessem aberto um canal por onde puderam até ao ambiente no qual eu estava chegar. Os turbilhões sensitivos eram múltiplos, as cascatas sensitivas eram múltiplas, eu era lá o animal mais centrado no cheiro de tudo que me rodeava. Animal, racional no íntimo dos meus selvagens impulsos, irracional nos alcances revelados dos meus bestiais instintos, não-animal, além-animal, puro animal, tudo o que cabe no que se chama classificação das espécies a mim cabe. Cada partícula eu via dançante, tocava a música, tocava a iniciadora de meus sentidos e instintos primordiais em escalas que estremeciam a alma minha a gozar de uma estrutura amiga dedicada ao meu qualificar-me entre os que me rodeavam. Eram setenta seres humanos, muito humanos, vibrando na mesma freqüência, vibrantes na mesma freqüência, e eu vibrando na freqüência deles. Animais abaixo de mim, todos eles dançavam na ritmada força de uma música consumidora de todas as mais puras forças deles. Eu era ali o animal que ficou por cima, o animal, o leão, cercado de saborosas ovelhas cegas dançantes ao som de Mortiis...

We are floating - Above the mountains
Watching all the tiny people
how they waste themselves away
Obey themselves away

How willingly - They lay their love
How willingly - They sacrifice themselves
To the locust master - to the one that drowned the world

They love their Parasite God - Yet they crucify me

How willingly - They lay their love
How willingly - They sacrifice themselves
To the bringer of hunger - To the one that drowned the world

They love their Parasite God - Yet they crucify me

I want to be your Parasite God
So I can show you who you really are
I want to be your Parasite God
So i can show you who you really are

They love their Parasite God - Yet they crucify me

Hum... Como diria uma amiga minha... Hum... Não pertenço a uma espécie parasita e nem me curvo aos Deuses como se Estes fossem meus Senhores. Estou lado a lado com os Deuses, assim como todos os da minha espécie, filhos que somos das Terras Antigas. Não lembrei das Terras Antigas, deixei-me absorver pela música de Mortiis, música ainda a martelar na consciência e na inconsciência minhas. Necessitando de uma prima filosofia, carecendo de uma sofisticada sociologia, poupando de uma reles medicina, me concentrei na dialética oficina de centralizar-me e concentrar-me nas formas dançantes visíveis e invisíveis na pista. Arcanos, Arcanos Dançantes, Arcanos Da Dança Da Escuridão, ali, ali na pista, entre os humanos, presentes. Facilitando assim a minha caçada silenciosa, facilitando assim o distender do meu arco e o lançar de minha flecha, me conduzi ao mágico olhar, ao buscador olhar, um olhar que apenas os predadores da minha espécie sabem manipular. Olhar na pista, a discotecagem abordando as nascentes, no ar, de mais Formas-Pensamentos, Formas Dançantes, Pensamentos Dançantes, Formas-Pensamento Dançantes Na Primeira Dança Do Meu Buscar. Os da minha espécie, que não necessitam mais de uma veste corpórea, estavam na pista, eles também caçavam, eles também a notavam...

Notavam aquela criatura rara... Notavam aquela criatura de magnífica pecha existencial... Notavam aquela criatura de típica divindade noturna essencial... Notavam aquela criatura arrastando todas as vibrações do ambiente em seu redor... Notavam aquela criatura gerando diapasões vibracionais que quantificadamente tornavam seus passos de dança jornadas transcendentais... Notavam aquela criatura derrubando-nos com suas euforias ocultas... Notavam aquela criatura insistindo em erguer-nos com suas euforias bem abertas e visíveis... Notavam aquela criatura... Notavam aquela criatura, bem temperada, bem servida aos propósitos nossos, bem dada aos excessos que nos gostamos... Notavam aquela criatura... Notavam aquela criatura, uma Filha De Lilith, uma Filha Da Grande Noite, uma Filha Do Abismo, de garras ocultadas qual gata perigosa oferecendo-se para ser provocada ao ataque, de presas ocultadas aguardando o destinado ataque que sempre se torna todo melhor ataque... Notavam aquela criatura.. Notavam aquela criatura, feminil animal noturno, feminil animal sexuadamente ativo, feminil animal potencialmente incomum nos odores que exalava... Notavam aquela criatura... Notavam, e aquela criatura sequer nos notava... Notavam aquela criatura...

Notavam uma Vampira Real dançando toda absoluta na pista.

Raros são os encontros assim e tardios são muitos reencontros assim. Eu, longe, cem metros, acima, recebia as vibrações que o corpo embriagado dela gerava por todo o local da festa. Embriagada, ela estava embriagada, ela dançava, ela gritava, ela me alimentava... Mas, não sabia de nada disso, não era uma Vampira Desperta, era uma Irmã minha Adormecida, beberrona e fumante, louca e descontroladamente geradora das melhores vibrações que se pode receber em ambientes tão carregados de Noturno Poder como o ambiente de uma festa gótica. A distância em que eu estava me permitia um estudo elaboradamente paciente das condições nas quais eu me deliciava com aquelas vibrações dela, filtrando as pequenas dimensões que nos separavam, descartando os elementos do álcool e do fumo, desnecessários aos meus Arcanos Internos. Os Adormecidos são potencialmente geradores de trações e tensões que apenas os Despertos percebem no geracional campo de energias que se expandem em determinados momentos. Ela, a Vampira Adormecida, toda entregue à bebida, toda entregue ao fumo, estava a alimentar-me em proporções equivalentes a cavalares ingestões de noturnos prazeres inenarráveis...

Dançando, ela me convocava... Dançando, aquela Adormecida me convocava... Dançando, inconsciente dos Vampiros que com ela dançavam, ela me convocava... Sua Parcela Vampírica me convocava à pista, eu não suportei as trações e as atrações sugestionadas pelo convocar dançante dela, desci com a calma apenas proporcionada aos animais especiais como eu, desci de onde estava, acima dela e longe, ficando perto dela, dançante como ela... A música, dançante... A atmosfera, dançante... As esferas, dançantes... A Noturna Música ali nos unia naquela dança, eu a consumia... A Noturna Atmosfera nos unia naquela dança, eu a consumia... As Noturnas Esferas ali nos unia naquela dança, eu a consumia... Lilith apresentou-se dançando conosco, os demais Vampiros dançavam em nosso redor, os animais humanos inferiores não mais existiam em nosso redor, eu, eles e ela e Ela dançavamos, dançavamos, dançavamos... Absorvido pela Noturna Consciência, meus chakras ardiam na febre infinda do momento dançante de consumismo meu; contudo, eu não era o único a alimentar-me daquela Adormecida, Lilith alimentava-se, meus Irmãos Vampiros alimentavam-se, a música, que música, a música guiava nossa Alimentação...

Ela bebia, a Adormecida bebia, bebia, bebia... Ela fumava, a Adormecida fumava, fumava, fumava... Ela dançava, a Adormecida dançava, dançava, dançava... A minha Alimentação estava ficando pouco, muitos alimentavam-se dela e eu decidi tomar a frente de todas, ela era minha, eu a queria,

EU A QUERIA!!!

Filtrei mais, aumentei o perímetro, afastei todos os demais, afastei Lilith, que gargalhou e me deixou continuar! Afastei todos os Vampiros, meu Irmãos Vampiros, me concentrei nela, eu sozinho comecei a alimentar-me dela! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida! Dançava a Adormecida!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Ela gritava, eu permanecia dançando calado, fitando-a, ela nem percebia! Ela gritava, eu estava próximo a ela, não via mais o tempo, não via mais o espaço, apenas estava a cheirá-la por toda a pele e pelos espaços ocultados pelo negro vestido longo! Ela gritava, dançava, gritava, dançava,

GRITAVA, DANÇAVA!!!

Bêbada, fumando, ela me fitou duas vezes, mas nada percebeu de mim, não percebeu que eu a consumia, não percebeu que eu era um predador ao lado dela

A CONSUMI-LA!!!

Dançava a Adormecida!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Ritmo, consumismo, eu ia sozinho na dança consumista!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Meu silêncio consumista, muito mais eu tinha, muito mais eu queria, muito mais eu pedia!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Eu não vagava além dela, eu não me permitia sair além dela, ela era a única ali que eu permitia que me desse tudo que tinha, tudo que eu queria, que

EU QUERIA!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Muito aquecia-se a pista, noturno sol se erguia, eu a consumir aquela Adormecida, ela não percebia, dançava, gritava, bebia, fumava, me dava muito mais do que eu poderia receber se eu a agarrasse e fodesse com ela ali no meio da pista; me dava muito mais do que eu poderia receber se penetrasse com todo o meu pau no cu e na buceta dela; me dava muito mais do que eu poderia receber se ela me chupasse engolindo meu pau todo; me dava muito mais do que eu poderia receber se eu a chupasse nos seios, no cu e na buceta lambendo-a com a minha animalesca língua lambedora de muitos seios, cus e bucetas!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumismo, meu consumismo!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumir, queria consumir mais,

CONSUMIR MAIS!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumindo a Adormecida, eu dançava de forma ritualistica, uma ode ao absorver de todas aquelas vampíricas energias,

TODAS AQUELAS VAMPÍRICAS ENERGIAS EU QUERIA!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumismo, vinha tudo, vinha tudo,

VINHA TUDO DELA!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumismo, vinha, o vinho doce das energias dela, vinha, vinha,

VINHA!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumismo, mais dela, mais dela, mais dela,

MAIS DELA!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumismo, consumismo,

CONSUMISMO!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

CONSUMISMO!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

CONSUMISMO!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

CONSUMISMO!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

CONSUMISMO!!!

DANÇAVA A ADORMECIDA!!!

Consumida...

Parou...

Parou a dança...

Parou a música...

Parou toda a pista...

DJ correu em direção à pista...

Todos correram em direção a um pedaço de carne consumida inerte nos braços de um homem...

Não eram os meus braços, claro! Enquanto Lilith, com aquela bunda dela maravilhosa que já foi dada pela Criação toda, se esfregava em meu pau, meus olhos se voltavam para o desespero do namoradinho daquela Adormecida, gritando tendo-a morta aos braços. As amiguinhas dela choravam, os demais ali não acreditavam, a Adormecida estava morta, "Carla", alguém disse o nome dela, uma amiga, estava morta. Exagerei ao consumi-la, mas não estou, até agora, nem um pouco arrependido, é a milésima ducentésima vez que isso ocorre em trinta e um mil anos de minha caminhada pela Terra, de veste a veste vampírica. Lilith beijou-me no pau, dando-me o sinal. Virei as costas para os chorões, para o cadáver da Adormecida, para o namoradinho imbecil dela a gritar, para os amiguinhos imbecis dela a gritar, para todos os demais animais imbecis ali presentes a estarem surpresos. Virei as costas e parti, abraçado a Lilith, com todos os demais Irmãos Vampiros, daquela festa gótica que findada foi com a morte da Adormecida que consumi. Outra festa havia bem longe e muitas que nem Vampiras Reais eram eu tinha que consumir...

Exagerei nessa outra festa e matei sete humanas ao consumi-las ao mesmo tempo, sempre protegido pela Mamãe Lilith, sempre com a permissão dos meus Irmãos Vampiros. É, sou insaciável, não preciso ouvir Bela Lugosi's Dead para me inspirar. Aliás, não tocou em nenhuma das duas festas Bela Lugosi's Dead... Não sou Bela Lugosi, como já perceberam. E a cada morte daquelas que consumo, eu ressuscito, não para qualquer ato em prol da sua Humanidade, mas em prol da minha própria existência. Nós nos encontraremos em qualquer festa gótica pelo mundo, sei que nos encontraremos. É, me dirigo a você aí, que está lendo este meu relato de predador incansável. Ainda mais se você for uma mulher, uma feminil criatura animal comum, vou adorar te encontrar em uma festa gótica qualquer... Vou adorar te consumir... E vou adorar te matar durante o processo...

Inominável Ser

CONSUMIDOR




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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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