segunda-feira, 10 de março de 2008

Uma Amerdalhada E Amerdalhante Passagem Pela Cidade Cagada Do Abismo

SE A SUA ESTRELA

NÃO BRILHA

FODA-SE

ACENDA UMA VELA


Sentado no vaso sanitário do banheiro daquele shopping, li essa frase, que me estampou na face direta e na face indireta uma imensa inescapável certeza de que sou um cara ofuscado mesmo. Aquela porra daquela frase me ameaçava na indigestão daqueles minutos ali cagando, abrindo meu cu para a saída da merda de uns restos de carne de cabrito e churrasco que no domingo havia saboreado. Caralho mesmo, caralho grande, caralho me fodendo, aquela frase era uma porrada insana nas indignações do meu coraçaõzinho fracassado e eu, enfim, inato-morot-de-toda-horizontalidade-inescapável, confirmei meu existencial fracasso. A merda saia do meu cu e aquela frase ali, à minha frente, entre tantas outras, erguia-se na fronte desobediente minha de uma maneira bem mais selvagem do que a mais selvagem afronta. As pregas do meu cu se abriam, a puta frase continuava me encarcerando, aquela desgraça me atacando, eu me dilatava gemendo de dor, a dor pela merda saindo do meu cu, a dor pela leitura daquela frase entrando em mim pelo cu e por lados ocultos a mais que eu nem sabia que existiam em mim. Cagando em banheiros de shippings, como eu naquela hora e naquele dia tão parecido com um filme papo-cabeça que ergue odes ao poder de cagar, todos os seres humanos deveriam fazer uma reflexão autobiográfica lendo as frases estampadas nas portas onde encarceram os cus nos vasos sanitários. São filosóficas as frases de tais portas, denunciam as cagadas internas humanas, revelam o tenso existente abaixo das roupas, pois é pelo cu, pela dor de estar ali cagando, que todo ser humano aborda melhor a sua efêmera capa de sinceras fedorentas percorridas estradas. Me lembro...

... me lembro

das outras...

... frases


DEUS TE AMA

DEIZE TE CHIFRA

LEONARDO

SEU CORNO

DA PADARIA


GAYS SÃO LIXO


CHUPO TEU PAU

E TE DEIXO GOZAR

NA MINHA CARA


A FAXINEIRA ALINE

DAQUI DO SHOPPING

ME CHUPOU ONTEM

AQUI


MEU HOMEM

ME COMEU AQUI

ONTEM


MARCELA CHUPA

DE GRAÇA

ALI NA RUA DIANTE

DO TRIBUNAL


EU COMI A ROBERTA

DA LOJA 233


FAVELADO TEM QUE

MORRER!


NEGRO NÃO É GENTE

É ESCRAVO E

MACACO!


NEGRO É PODER

SEU FILHO DA PUTA

RACISTA

DO CARALHO!


VÁ TOMAR NO CU

FLAMENGUISTA

URUBU DESGRAÇADO

MACACO DE MERDA!


JULIANA E SÍLVIA

SÃO AS PUTINHAS

QUE PAGAM BOQUETE

ALI NO BANHEIRO

DO COLÉGIO DE FREIRAS


EU DOU O CU DE GRAÇA

ME LIGUEM

MEU TELEFONE É...


É nessas portas que se revelam os que se dizem livres de todo tipo de coisa que é condenada socialmente. As pessoas que escrevem esses amerdalhados fodidos lixos são gênios sem brilho como eu ou até podem ser gênios com brilho como eu nunca tive, depende do brilho da caneta, da conta bancária ou da forma do cu limpo após uma cagada. Uma filosofia de fezes é o que se encontra em todas as portas de banheiros de shoppings, Nietzsches de merda, Sartres de merda, Schopenhauers de merda, Kierkegaards de merda, estampando nelas as suas filosofias amerdalhantes nascidas da crítica da razão de seus cus a abrirem-se na intenção de injetarem na água do vaso o tanto de lixo inaporoveitável que suas tripas podres jogam fora axiomaticamente. Eu tava cagando, lendo aquele lixo todo, me lembrando da Celeste, da Rosa, da Maria, da Ariana, da Selene, da Débora, da Elena, de todas, todas, todas pelas quais caguei de amores... Aquelas frases, não, aquela frase primeiramente, aquela que mais ali me atormentava, me era condenatória, me torturava... A merda saindo do meu cu... Porra, eu tava quase chorando, aquela merda tava presa, toda presa, eu queria gritar, mas não podia, não estava em casa, estava em um shopping... Me lembrando das mulheres que cagaram em mim, das crianças que na escola cagaram em mim, dos amigos que me abandonaram cagando em mim, dos inimigos todos meus que cagam em mim... Meu cu tava todo se abrindo, a dor dilacerava, e a frase, denunciando a minha apagada chama, me sentenciando... Filho da puta... Filho de uma grandiosa puta chamada consciência de mim mesmo, é isso que aquela frase, junto com aquela cagada de mais de duas horas, na qual meu cu já ardia prá caralho, tava me dizendo. Saindo devagar, saia devagar, saia muito devagar aquela merda. Saia...

... muito devagar

estava saindo...

... saia

saia aquela merda toda...

... meu cu ardendo demais

saiu...

... saiu aquela merda toda

saiu...

Me limpei com dor, o papel fazia arder ainda mais o meu cu, e a frase, aquela frase entre tantas amerdalhadas frases escrotas, me consumia ali. Eu me limpava, ficava lendo aquilo, apenas lendo, apenas me lembrando dos pagamentos e apagamentos de minha existência sem brilho e sem brilhantismos. Acabei de limpar meu cu, me levantei, amarrei o meu cinto, deixei um pouco de olhar para aquela frase filosoficamente cagada. Peguei minha pasta de executivo (é, seus cuzões que cagam aqui lendo esse cagado relato, sou um executivo, trabalho oito horas por dia, ganho bem, mas sou uma merda de terno e gravata com cagada cara de homem rico e feliz!) e abri a porta daquele cubículo de cagadas. Me deparei, no entanto, com algo que não era o shopping, a mesma porra de shopping onde todos balançam os cus pelos corredores a fim de esquentá-los com a febre acesa do desejo consumista, quando sai.

... uma cidade

uma outra cidade...

... cidade estranha

cidade de gente nua...

... mulheres nuas

que cus grandes e cagados...

... homens nus

que cus grandes e mais cagados...

... crianças nuas

que cus pequenos e muito mais cagados...

Eu via lama pelo solo, apenas uma lama negra. Lama, era lama? Não, era merda, um monte de fezes, um monte de merda, vi pessoas cagando na rua onde eu me encontrava. Olhei para trás e o cubículo onde caguei ainda estava ali. O que era aquela cidade que olhei em redor de mim, dando alguns passos pisando no côco, na merda, naquela escrotice toda bizarra? Olhei para o alto, o céu era apenas algo parecido com a forma de côco bem marrom, não havia sol, não havia nuvens, não havia luz. Andei mais um pouco, adentrei na rua, adentrei mais na rua, as casas eram feitas todas de fezes, de merda, muitas casas erguidas, todas as casas erguidas, apenas com fezes, com merda, preta, marrom, vermelha, branca (merda branca, já saiu do meu cu uma assim um dia!). Eles pareciam, eles residentes naquela cidade, não se importarem comigo, de terno e gravata e segurando uma pasta, pois continuavam com as merdas de seus afazeres. Mulheres com seios até os pés, corpo todo encoberto de merda, se arrastando, sendo humilhadas, por homens com o corpo todo encoberto de merda, homens cujos pênis se arrastavam por vários metros pelo solo, ou o que se pode chamar de solo. As crianças, crianças, crianças fétidas, crianças horrorosas, crianças todas encobertas de merda, crianças estuprando crianças, vi um menino, com um pênis maior, muito maior que o meu (talvez uns 125 centímetros!) currando uma criança menor, sem pênis, apenas um cu que ele adorava currar. As outras crianças em redor, com pênis maiores ainda do que o meu, aguardavam, cantando em um idioma de merda estranho alguma canção lasciva que, pelo meu bem, eu não compreendia. Aquilo tudo me fazia mais merda do que eu já sou, eu continuei caminhando, continuei pisando na merda que era o solo, vi mais crianças estuprando crianças nas outras ruas, vi homens pagando boquete em mulheres e em crianças, vi homens pagando boquete em homens, vi o barbarismo que contado jamais fora, jamais, pela narrativa de Sade, barbarismo atroz de outras coisas que agora esqueço, mas não me esqueço dele.

... dele

ele...

... o homem

aquele homem...

... um monstro

pênis ereto...

... o maior pênis dali

pênis de doze ou vinte e dois...

... pênis de trinta metros

pênis ereto...

... ele era o mais cagado de todos

não tinha olhos...

... não tinha lábios

em que rua eu estava?

ele me atraia...

... temi ser por ele currado

mas, eu desejei que ele me curra-se...

... não tinha lábios

não tinha...

... mas, falou

falou comigo...

... falou

me humilhou...


SE A TUA ESTRELA

QUER BRILHAR

META UMA LANTERNA

NO TEU CU

E FODA COM A

TUA EMPREGADA

E FODA COM

A TUA FILHA

E FODA COM

A TUA MÃE

OU ESTUPRE

A PRIMEIRA CRIANÇA

QUE TU ENCONTRARDES

FORA DAQUI

DA CIDADE CAGADA

DO ABISMO


Como que pego pelo cu, fui arrastado de volta ao cubículo onde caguei. Caí sentando no vaso sanitário fechado, merdado, todo merdado, todo amerdalhado, todo amerdalhante. Descansei um pouco, olhei para os meus sapatos, limpos, nada de côco, nada de merda neles, podia sair dali e ir para o meu emprego apagado naquele prédio amerdalhado de sessenta andares perto do shopping onde caguei e estive no que aquele cara, aquele homem, chamou de "Cidade Cagada Do Abismo"! Não olhei mais para aquela frase, eu dormi ali dentro, sonhei com aquilo, dizia em voz alto abrindo a porta do cubículo! Me encaminhei para a saída, ia trabalhar e uma criança entrava.

criança...

... criança parecida com aquela

aquela que era estuprada...

... aquela que vi ser estuprada

cu gostosinho o menino tinha...

... ele me recomendou

ele me receitou...

... minha estrela brilhando

brilhando...

... o menino

o menino entrou no cubículo...

... no mesmo em que eu caguei

no mesmo...

... banheiro vazio

somente arrombei a porta...

... tapei a boca do menino

e comi o cuzinho dele...

... como vi lá no Abismo

como ele me disse para fazer...

... como eu fiz

Agora, minha estrela brilha. Ainda sou executivo. E, de shopping em shopping, vou fazendo a minha estrela brilhar acima de toda merda amerdalhante e amerdalhada que neles há. Tem cada menino de cuzinho cagado gostosinho que tenho currado brilhando...

Inominável Ser

EM SEU CAGADO

ABISMO






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