domingo, 15 de fevereiro de 2009

Os Não-Seres De Todas As Coisas


Hoje chega-se a uma perfeição das horas vagas, estas horas nas quais eu me encho do sangue vertido pelas minhas jazentes lágrimas, jazentes lágrimas nos Desertos Guerreiros Da Ahjaromash. Minhas vestes são de sangue, alimento meu de muitas horas martelando os crânios de crianças para a Glória Dos Enxames entre as ruínas dos castelos que vomitavam no Grande Deserto a Perdida Glória Dos Lumes. Arrasto minhas armas por entre estes vermes arruinados, aleijados, mortos que não morreram das mortes que não ocorreram por serem as mortes portadores das frondosas estaturas arruinantes das vestiduras internas. Eles ainda caminham, sim, ainda caminham, ainda se arrastam, são torturados infinitamente, sofrem as maiores desgraças jamais imaginadas até pelos Cultuadores Da Grande Desgraça. Me arrasto entre eles com a posse de minha autoridade, vou esmagando cada um, vou torturando cada um, famílias desgraçadas que mutilam-se por falta da esperança que grassa entre os poderes que sacralizam-se ostensivamente esperançosos nos túmulos interiores de paragens menos desgraçadas. Os ares, os vapores, em minhas narinas... Ares de nojentas gentes, estas gentes que apenas são constituídas de ossos esmagáveis, ossos tragados pelas ações dos Ventos De Pash... Os vapores, fétidos embriagantes vapores da terra molhada pelo sangue que as torturas ocasionam em tais seres terrivelmente assenhorados pelos que como eu seguem A Voz De Banaramak...



- Sangue A Sangue, Sangue Da Surda Dor, Sangue Da Surda Força, Sangue Da Surda Potência, Calamidade Dos Labores Enegrecidos Dos Sacrifícios Das Horas Diante Das Portas De Akun Van Malakash! Ouçam Estes Gemidos, Ouçam Estes Gemidos, Os Gemidos Das Gentes Desgraçadas, Os Gemidos Das Gentes Perdidas, Os Gemidos Das Gentes Perturbadas Pelo Afastamento Do Sol Que Se Pontua Pai Em Horizontes Tornados Pacificantes Das Almas Mais Ferozes Que Se Alçam Aos Longos Caminhos Da Felicidade Fora Da Vestimenta Que Amortece E Assassina A Cada Dia Amortecedor E Assassino! Estas Gentes, Estas Gentes De Sofrimentos Eternos São As Sementes Que Biblynhor Assassinou Quando Caiu Ao Sul De Fajaa A Árvore Vermelha De Daoar! Sofrem E Devem Sofrer Mais, Meus Filhos E Seguidores, Porque Assim Querem Aqueles Que Acima De Mim Rasgam Os Véus Da Eternidade Como Tecidos Investidos Apenas De Poeira Cósmica Da Mais Diminuta Estrutura E Propriedades! Invistam Em Mais Sofrimento Para Estas Gentes, Gélidos Sofrimentos Para Estas Gentes, Eles São Os Perdidos De Jahren, Eles São Os Apodrecidos De Bahralun, Eles São Os Desprezados Pelo Outro Lado Da Criação Que Vem A Nos Negar A Todos As Suas Formosas E Não-Formosas Mãos! Arrastem-Nos Para Mais Estupros E Mais Assassinatos Deles Mesmos, Insiram Mais Dores Nestas Gentes, Arranquem Deles As Esperanças Vigilantes E As Vigilâncias De Supostas Possíveis Futuras Altas Esperanças Em Se Ausentarem Da Chama Do Castigo De Banaramak, A Minha Chama, A Minha Chama, A Minha Chama!



A voz tremulante de Banaramak vai soando em toda esta imundície em meu redor, imundície de criaturas que estão a gemer, que estão a chorar, que estão a derrubar a sanidade dos tesouros que são os segundos precisos que asseguram o seguro sentido dos sentidos internos despertos para o Real. Não que eles saibam do Real, são Filhos Da Ilusão Fatal, perturbados existencialmente pelos erros que lançaram-nos a este Estado Infinito De Tortura. Tolo, não me afronte!



- Deita-te!

- Senhor, senhor, minha sede, minha sede!

- Beba do sangue e não da água que corre pelas Fontes De Ysha!

- Senhor, pelo...

- Por ninguém de lá de onde tu viestes, criatura, eu te daria de beber da Água De Ysha!



Este chute que dou na cabeça desta criatura deve bastar para calá-la!



- Não era assim que tinha que ser... Não era...

- O que está dizendo, criatura? Cala-te!

- Não, eu não...

- Cala-te, criatura, cala-te!

- Você se lembra?

- Cala-te, criatura!

- Aquilo nos fazia iguais... Nos fazia...

- Cala-te, criatura!



Devo bater mais nesta criatura, o cabo da minha espada vai ensiná-la a respeitar-me!



- Eu me lembro de você...

- Criatura, quer morrer mais uma vez diante da Chuva De Ysha?

- Eu me lembro de você... Sim... Eu me lembro...

- Criatura, que tipo de delírio é esse pelo qual tu passas?

- Nós erguemos juntos aquele Mundo, lembre-se... Nós erguemos Isahaman... Nós o erguemos...

- Isahaman é um Mundo De Lá e é proibido dizer o nome, aqui, dos Mundos De Lá!

- Lá, O Outro Lado Da Criação, meu irmão, nós...

- Não somos irmãos, criatura!



Como esta criatura me chama de irmão! Eu vou arrastá-la até o Fogo De Ysha, eu vou queimá-la no Fogo De Ysha!



- Sinta esta espada embebida nas Chamas De Ysha, criatura!



Grita, desgraçada criatura, grita, grita enquanto cego-te com esta lâmina!



- Respeite aos Senhores Daqui, criatura, Eles não são como Os Senhores De Lá!



Grita, desgraçada criatura, grita enquanto corto a pele das tuas costas com esta lâmina!



- Tu, criatura, desgraçada criatura desterrada das Terras De Lá, já sentistes este Fogo em tua pele, já morrestes mil e cem vezes assim, já te reerguestes mil e cem vezes de cada uma destas mortes, e vais morrer agora pela milésima centésima primeira vez para reerguer-te pela milésima centésima primeira vez daqui a mil tempos de um tempo em alguns tempos!



Parece que isto não termina enquanto eles não aprenderem o que é a disciplina que nós que os comandamos aqui impomos a todos! Parece que este aqui não se lembra que fui eu que o matei nas anteriores mil e cem vezes nas quais ele sempre veio a me falar do Lado De Lá! A cada entrar e sair da lâmina de minha espada deste corpo, desta criatura desgraçada que teima em dizer que me conhece, quando eu jamais a vi em meu existir por este meu Lar como Guardião Maior destas gentes chorosas, miseráveis, desgraçadas, malditas e condenadas, os olhos dele são como os de alguém que já me conhecia antes de estar aqui! São sempre trezentos e cinco golpes pelo corpo todo desta criatura desgraçada, trezentas e cinco vezes a lâmina de minha espada sempre penetra e é retirada deste corpo desgraçado de criatura desgraçada! E eu sempre o decapito, como agora! Mil e cem e uma decapitações e ele vai ressurgir para novamente me interpelar e me incomodar com palavras delirantes! Perturbada criatura que tenho que suportar, perturbada gente que tenho que ordenar!



- Não devias te sentir incomodado com estes Condenados Chorosos, Guardião Abhara.



Guardião Labhaa.



- Este aqui me incomoda...

- Eles são de Lá, não nos incomodam.

- Este aqui, sabes quem foi Lá?

- Eles, nossos Senhores, não permitem que nós saibamos o que estas gentes que aqui mantemos aprisionadas foram Lá.

- Este aqui me incomoda, Guardião Labhaa...

- Faça isto e deixe de incomodar-te com qualquer um deles, Guardião Abhara.



Ele pisoteia os crânios de nove bebês que estavam chorando atrás dele. Imediatamente, a massa encefálica dos crânios de tais bebês começa a escorrer e os corpos deles começam a tomar mais uma vez a Existência. As mães deles, nove mulheres cujos seios foram arrancados quando aqui chegaram trazendo-os ao colo, são torturadas por outros nove Guardiães, meus Irmãos. Isso é sempre assim quando estas gentes começam a ficar pedintes demais por clemências que não podemos lhes dar, eles não devem ter alguma clemência, nenhuma clemência para eles, nenhuma clemência, como ordena A Voz De Banamarak...



- A Clemência É A Tola Atitude Dos Que Residem Lá E Não Se Deve Repetir Para Com Estas Gentes Que Foram De Lá E Estão Banidas Aqui! Sem Clemência Para Com Os Pequenos Seres De Lá Que Estão Banidos Aqui! Sem Clemência Para Com Os Grandes Seres De Lá Que Estão Banidos Aqui! Sem Clemência Para Com Os Tolos De Lá Que Estão, Todos, Sem Exceções Possíveis Dentro Das Escalas De Motivos Que Os Trazem Para Cá, Para Uma Clemência Qualquer Que Os Faça Menos Sofredores Das Penas Necessárias E Merecidas Aqui! Sofrimento Deles É Necessário, Sofrimento Destas Gentes Condenadas É Necessário, Eternos Eles Aqui Sofrerão E Chorarão Acima Do Sangue Que Eternamente Derramarão Conforme Darem-Se A Pedir Qualquer Clemência A Vós, A Vós Todos Que Os Torturarão, A Vos Todos Que Os Humilharão, A Vós Todos Que Os Ordenarão Para Que Cumpram As Penas Impostas Pelos De Lá Que Os Lançaram Para Cá! Todos Os Sofrimentos Para Todos Eles E Para Cada Um Deles, Para Que As Lágrimas Que Vertidas Forem Junto Com O Sangue Retirado Pelas Torturas Saciem A Fome E A Sede De Yamagurusha, Yamaguhratha e Yamaudarewa! Todos Os Sofrimentos, Todos Os Tipos De Sofrimentos, A Estas Gentes Condenadas Cujos Olhos Não Devem Saborear A Alegria Da Clemência Vossa, Cujos Lábios Não Devem Beijar A Docilidade Da Clemência Vossa, Cujos Pés Não Devem Pisar No Solo Fértil Da Clemência Vossa, Cujas Mãos Não Devem Tocar Nas Peles Suaves De Qualquer Das Possíveis Clemências Vossas! Eles Todos Merecem As Calamidades Que Os Vossos Seres Podem E Devem Lhes Dar Em Nome Da Fúria Revestindo Os Firmamentos Da Foice Que Se Expande Acima De Cada Um Deles! A Cada Um Deles, A Foice Acima Das Cabeças Deles E As Vossas Foices Devem Unidas Descer Para Mais Calamidades Transbordarem Neles Qual As Tempestuosas Forças Caóticas De Yymeerm! Dores A Todos E A Cada Um Deles! Muitas Dores A Todos E A Cada Um Deles! Muitas E Muitas Dores A Todos E A Cada Um Deles! Muitas E Muitas E Muitas Dores A Todos E A Cada Um Deles! Assim, Eu, Banamarak, Digo A Vós, Guardiães, Para Procederem, Nada De Clemência, Nada À Clemência, Sufoquem A Todos E A Cada Um Destas Gentes Condenadas Nas Posses De Doutrinas Condenatórias Que Existem Em Vossas Mãos, Nas Solas De Vossos Pés E Em Vossas Vontades!



Tudo tem que ser assim, tudo sempre tem que ser assim por aqui. Não podemos, nós, Guardiães, deixar que qualquer um deles nos incomode, estamos aqui para cumprirmos A Vontade Da Voz De Banamarak e A Vontade Da Voz De Nossos Senhores Maiores. Possuimos autoridade para...



- Eu conheço você, As...



Criatura desgraçada, talvez mais uma vez sem a cabeça você possa compreender que eu estou acima de ti aqui, sou o teu senhor, sou o teu carrasco, sou a tua lei, sou o braço e o corpo que te condena a eternamente sofrer!


- Criaturas desgraçadas, obedeçam-nos!



Pisar nas costelas destas oito mulheres é uma forma de lição para estas criaturas desgraçadas acerca da Doutrina Condenatória Dos Guardiães De Ysha!



- Criaturas desgraçadas, Sofrimento É Vossa Eterna Mortalha!



Arrancar dos braços desta mãe esta criança e estrangulá-la aos seus olhos queimados pela minha espada ensina a estas criaturas desgraçadas sobre A Doutrina Torturante Dos Guardiães De Ysha!



- Criaturas desgraçadas, Sofrimento É Vossa Eterna Marca!



Decapitar estes vinte e dois bebês demonstra a estas gentes que A Doutrina Impiedosa Dos Guardiães De Ysha não deve ser desrespeitada!



- Criaturas desgraçadas, Sofrimento É Vossa Eterna Jornada!



Arrastar pelos cabelos estes quarenta e sete homens e lança-los aos Cães De Rerebrus ensina a estas gentes condenadas sobre ditames da Doutrina Assassina Dos Guardiães De Ysha, Doutrina Assassina Das Vontades E Das Faces Dos Filhos Do Lado De Lá!



- Criaturas desgraçadas, Sofrimento, Sofrimento, Sofrimento a todos vós, eternamente, eternamente, eternamente!



Chutar até a morte este velho no abdômen ensina a cada um destes, a todos eles, gentes condenadas eternamente, sobre A Doutrina Esmagante Dos Guardiães De Ysha!



- Criaturas desgraçadas!

- Mais uma vez, tu ensinas nossas Doutrinas a estes desgraçados condenados por todos nós de uma maneira que alegra e contenta imensamente ao nosso Mestre Banamarak, Guardião Abhara.



Guardião Ashabhara.



- Os ensinamentos que dou são nossas obrigações totais a todos e a cada um deles, Guardião Ashabhara.

- Não, contigo é muito diferente, tu ages com paixão ao ensinar nossas Doutrinas, diferente de mim e de qualquer outro Guardião que aqui submete estes desgraçados condenados aos Suplícios Eternos De Ysha.

- Não, Guardião Ashabhara, sou apenas obediente à Voz De Banamarak como tu e cada um dos Guardiães.

- Não é apenas a obediência à Voz De Banamarak que te faz assim com tamanha paixão, Guardião Abhara.



Melhor é o afastamento deste incômodo indagador que é o Guardião Ashabhara, tenho que tomar conta dos demais que aqui estão se arrastando, gemendo, sofrendo como querem os Senhores Daqui. Isto tudo é uma útil Senda Condenatória, Senda da qual eles todos não sairão porque a Eternidade Condenatória não age conforme a Senda Da Clemência que subsiste nos Planos Condenatórios Do Lado De Lá. Todos os temores e terrores a cada um destas gentes condenadas aqui É Verdadeiramente Eterno... Aquela mulher... Novamente, aquela mulher...



- Asmaaan, meu amado, Asmaan!



A mulher dos cabelos castanhos, pele cortada pela lâmina de minha espada, nua, sem a pele do rosto...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



O rosto dela, eu retirei o rosto dela, eu retirei com minhas mãos a pele do rosto dela, era um rosto bonito, um rosto de uma beleza da mais rica...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Beleza não pode haver aqui em Ysha, apenas Sofrimento, apenas Condenação, apenas Danação Eterna, apenas Suplício Eterna, apenas Desgraça Eterna para ela e para cada um deles!



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Esta mulher, A Louca Caveira Nua, vive chamando por um Asmaaan...



- Asmaaan, meu amado, Asmaan!



Asmaan, o amado dela, O Amado Asmaan Da Louca Caveira Nua...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Asmaan, o amado dela, amado dela...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Asmaaan...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Asmaan, quanto mais eu ouço este nome, Asmaan, mais eu tenho lembranças que não são as de minhas vivências aqui em Ysha...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Asmaaan...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Eu calo sempre a esta Louca Caveira e ela ressurge com uma voz cada vez mais alta, uma voz cada vez mais alta a me incomodar...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Eu mato esta mulher sempre, eu não lembro mais de quantas mortes eu dei a esta mulher, Louca Caveira Nua desgraçada!



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Não sei mais quantas vezes ela ressurgiu, não sei mais, não sei mais, sempre chamando pelo Asmaan que ela ama!



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Asmaan...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



As lembranças incomodam...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



As lembranças me incomodam muito, não são lembranças daqui...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Sempre, aqui, matei, torturei, fiz sofrer...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



Estas lembranças são de...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



...sorrisos...



- Asmaaan, meu amado, Asmaan!



...carinhos...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



...felicidade...



- Asmaaan, meu amado, Asmaaan!



...beijos...



- Asmaaan, meu amado, Asmaan!



...amor...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



...Amor...



- Asmaaan, meu amado, Asmaan!



...longe...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



...bem mais longe...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



...lembranças bem longe daqui...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



...eu...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



...eu corro...



- Asmaan, meu amado, Asmaan!



...eu corro pelas planícies belas, eu corro e me encontro com todas as criaturas belas... há o sorriso de uma criatura, um pássaro azul, todo belo... há o sorriso de uma criatura, um leão negro, todo belo... há o sorriso de uma criatura, um pavão de mil quilômetros de estatura, um tipo de Criatura Elevada, Toda Bela... há o sorriso de crianças, belas crianças, brincando em belos campos... há o sorriso de belas ondas a baterem em belas praias... há o sorriso de belas gotas d'água de uma bela chuva que cai sempre em belas tardes... Tudo Belo... Tudo A Beleza... Toda A Beleza... Beleza... Beleza... Beleza... e tem ela... tem ela... tem ela... tem ela correndo para mim de braços abertos e olhos irradiando as cores todas mais belas... ela está sempre correndo em minha direção com os braços abertos... ela sempre está sorridente, sempre alegre, sempre feliz, ao ver-me também correndo em direção a ela de braços abertos... eu estou sorridente... eu estou alegre... eu estou feliz... eu estou correndo sempre em direção a ela... eu estou correndo sempre ao lado dela... eu estou correndo sempre para belas praias ao lado dela... eu acaricio o abdômen dela... há uma criança ali... filho dela... meu filho... nosso filho... e algo sempre nos separa... eu me vejo envolvido por tentáculos de um polvo que emerge das águas com terrores inigualáveis seguindo-o como legiões formidáveis de monstros e diversas feras de dimensões e extensões inomináveis... Eles sempre chegam... Eles sempre me separam dela... Eles sempre retiram do abdômen dela o filha dela... Eles sempre retiram do abdômen dela o meu filho... Eles sempre retiram do abdômen dela o nosso filho... eu sempre sou levado para longe... eu sempre sou separado dela... eu sempre sou lançado em poços de sangue... eu sempre sou lavado no sangue por motivos que apenas Eles compreendem... eu sempre sou escolhido para ser um Servo Maior Deles... para Eles tenho uma importância... como ela tinha uma importância para mim... como meu filho tinha uma importância para mim... como nosso filho tinha uma importância para nós dois... ela... ela ficou longe de mim... ela ficou longe... ela... ela que sorria... ela que corria... ela que me fazia sorrir... ela que me fazia correr... ela que me fazia amar... ela me amava... eu a amava... nós... nós nos amávamos... eu a amava... eu a amava... eu amava... eu amava... amava... amava... amava... amava...



- Ielris...

- Asmaan, meu amado, Asmaan!

- Ielris...

- Asmaan, meu amado, Asmaan!

- Ielris, minha amada, Ielris...

- Asmaan, meu amado, Asmaan!

- Ielris, amada, amada Ielris...

- Asmaan, meu amado, Asmaan!

- Não, não me toque, criatura enlouquecida, não me toque, não me toque!



Os socos que estou dando nesta Louca Caveira vão ensiná-la mais uma vez a não tocar em um Guardião! Socos nesta Louca Caveira, seus ossos pulverizados, eu não vou parar até matá-la pela... Quantas e quantas e quantas e quantas e quantas vezes eu matei esta Louca Caveira Nua? Eu a matei muitas vezes... Eu a matei como mato agora... Eu a matei com mato aquele outro que como ela muito me incomoda! Eu sou um Guardião, eu estou acima destes desgraçados loucos condenados a eternamente terem o Sofrimento Eterno em seus caminhos condenatórios aqui em Ysha! Eu sou um Guardião que deve se manter sempre acima destas criaturas condenadas, destas gentes tolas condenadas ao Eterno Sofrer Em Ysha, como A Voz De Banamarak ordena aos Guardiães que assim seja Eternamente, Verdadeiramente, Verdadeiramente Eternamente! Socos nesta Louca Caveira Nua! Dez mil socos nesta Louca Caveira Nua, por todo seu corpo! Ela ainda está viva! Dez milhões de socos nesta Louca Caveira Nua! Ela ainda está viva! Dez bilhões de socos nesta Louca Caveira Nua! Ela ainda está viva! Dez trilhões de socos nesta Louca Caveira Nua! Dez quatrilhões de socos nesta Louca Caveira Nua! Dez quintilhões de socos nesta Louca Caveira Nua! Ela morreu! Esta Louca Caveira Nua morreu! Ela morreu! Ela morreu! Ela morreu!



- Nunca mais... não.. não nunca mais... Não me toque de novo... não me toque de novo... Louca Caveira Nua...



Não podem me ver assim... Assim deitado por cima de um dos corpos daqueles que fazemos sofrer... Meus dedos todos estão quebrados, meu sangue se mistura ao sangue desta Louca Caveira Nua desgraçada... Estou... Estou bem cansado... Estou muito cansado... Estou bastando cansado e... Não, não, não... Ah, não, é ele de novo... Ele se arrasta para cá... Eu estou sem forças para me mexer... Eu estou sem forças para empunhar a minha espada... Eu sou um Guardião... Eu não vou ouvir... Eu não quero ouvir...



- Eu conheço você, Asmaan, eu conheço você...



Eu ouço isto uma vez mais...



Inominável Ser

NÃO-SER

DE TODAS AS COISAS

OUVINDO

O QUE ELE

NÃO DEVERIA

OUVIR








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Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

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