domingo, 29 de março de 2009

Um Travesso Menino E Seus Amados Brinquedinhos


Esperança sagrada é o sorriso de uma criança e é de um menino mui esperançoso que vamos aqui falar com sóbrio carinho. Um menino que é um ungido, ungido pelos métodos dos assassinos. Um menino que aos dois anos teve em um dos seus carrinhos os cinco dedinhos da mãozinha direita de sua irmãzinha de seis meses de idade.


Da classe privilegiada dos mais nobres ricos do mundo, herdeiro de fortuna na casa fantástica dos bilhões, mimado e acarinhado com grande espetáculo. Apesar de ser hoje um adulto de vinte e três anos, nosso menino ainda é tratado como o mesmo bebêzinho que fora nos braços de seus pais. Bonito, cresceu tendo tudo, cresceu lendo tudo, cresceu juntando entre os seus brinquedinhos os dedinhos das mãos dos seus amiguinhos de escola.


Protegido pelos pais, pela rica família, pelos quatro irmãos mais velhos, pelos dois irmãos mais novos, o nosso menino foi avançando em sua trajetória de sempre ser um amigo dos dedinhos de toda criatura que neste mundo respira. Colecionador de dedinhos, arrasou com a fauna de seu bairro, gatos e cães com as patas decepadas, pequenos outros animais com as patas decepadas, a loucura decepadora de um menino rico não tinha escolhas óbvias.


Regido por sentimentos detalhistas de um arremedo de ser humano que tentava se equilibrar entre seus momentos de lucidez e momentos de pura fuga da lucidez, nosso menino foi crescendo, como já sabemos, e incrementando outros elementos aos seus brinquedinhos, os seus amados brinquedinhos. Os bicos dos seios da primeira namoradinha foram parar nos bolsos da roupinha de um dos seus bonequinhos preferidos, a menininha de doze anos mutilada foi pelo monstrinho de treze anos, a idade, então, que novas preferências o nosso menino encontrava e desenvolvia.


O dinheiro, ah, o dinheiro nas mãos dos privilegiados é bastante armador de ocultamentos vários, pois dota qualquer boçal que tenha nascido provido dele aos montões de um certo poder influenciador dos mais eficientes. Os pais do nosso menino, do nosso querido menino brutal e desumano, mais uma vez repito, junto com a família toda, agora incluindo avós maternos, avós paternos, tios, tias e primos, abafava os casos mais grotescos das travessuras do monstrinho que tinham em suas mesas de refeições. Travessuras como queimar todo o corpo de uma das empregadas da família com um ferro de passar roupa e estuprá-la com um cabo de vassoura, o cabo de uma faca, um pepino e uma cenoura aos quinze anos.


Nosso menino, nosso vilãozinho, entre Ferraris, Porsches, Rolexs, Picassos, Renoirs, tudo que os bilhões de uma fortuna familiar pode adquirir, se aventurava ainda mais em sua trajetória desmembrante de qualquer coisa que se possa imaginar respirante. Aos dezesseis, a maior travessura foi arrancar o olho esquerdo de um chofer da família por ele ter se atrasado ao buscá-lo na escola; aos dezessete, a maior travessura foi ter estrangulado uma mendiga que dormia sempre no portão de entrada de sua mansão de sessenta quartos; aos dezoito, a maior travessura foi ter queimado com ácido dezenove veteranos da faculdade de Direito para a qual fora aprovado após aqueles tentarem pegá-lo em um trote; aos dezenove, a maior travessura foi ter enfiado no cu de um dos seus professores de faculdade a caneta de ouro do mesmo por ter tirado 9,5 em uma prova de Ética, pois sempre tirava dez em todas as matérias, o nosso menino, senhoras leitoras, senhores leitores, é dez, é dez, é dez; aos vinte, a maior travessura foi ter arrancado o couro cabeludo de sua trigésima nona namoradinha, de dezoito aninhos, além, claro, sua tara, ter arrancado os bicos dos seios dela, como fizera com a primeira e com as demais; aos vinte e um, a maior travessura foi ter aberto ao meio o tórax de um rival seu na faculdade por causa do mesmo ter lhe sobrepujado na conquista daquela que seria sua quadragésima namorada, vinte e dois aninhos, peituda, popozuda e burrinha como a maioria das mocinhas riquinhas das faculdades; aos vinte e dois, a maior travessura foi ter embebedado e estuprado sete amigas dele de faculdade, incluindo a peituda-popozuda-burrinha que conseguiu fazer sua quadragésima namoradinha, arrancando-lhe, claro, o couro cabeludo e os bicos dos seios; e, aos vinte e três anos, nosso menino, o orgulho dos tiozinhos psicopatas, cometeu sua travessura maior!


O aniversário de nosso menino coincidiu com a sua formatura, muitos amigos ele fizera nos anos de estudo do Direito, amigos em torno de duzentos, que, por causa da sua bilionária fortuna a apagar-lhe as travessuras, nada sabiam das mesmas. Toda a família, quatrocentas pessoas, mais amigos da família, duzentas e sete pessoas, convidadas para a comemoração tanto do aniversário do monstrinho mais mimado do planeta quanto da formatura de mais um advogado, esta carreira tão detentora de monstros mascarados de falsos homens e mulheres padronizados em seu único desejo que é o desejo de fazer do Direito uma chance de pura ascensão social. Na carreira correta, o nosso menino se formava, assim como os vinte e três anos, corretamente vividos sob o poder do acobertamento proporcionado pelos bilhões de sua família, corretamente por ele foi comemorado. A maior travessura de sua existência bilionária e sanguinária foi ter envenenado todos os convidados, que em disposição geométrica perfeita ficaram dispersos pelo chão de sua mansão correspondente a cinco quarteirões de um bairro. Com a paciência de um monge recluso, nosso menino, filmando tudo com as noventa câmeras que instalou na mansão para a festa, decapitou cada cadáver e amontou as cabeças, oitocentas e sete cabeças, em oitocentos e sete carrinhos que encomendara, por toda a mansão. Os cento e doze garçons, os setenta empregados da mansão e os cento e vinte seguranças da família, que estavam na festa, também envenenados foram, decapitados foram, e suas cabeças foram utilizadas para que, pela madrugada festiva de nosso menino, ele jogasse futebol em seu campo particular no terreno de sua mansão.


Nós temos que nos orgulhar de nosso menino! Temos que nos orgulhar! Mesmo divulgando na Internet o seu joguinho de futebol e as cabeças decepadas dos convidados de sua festa, incluindo as dos pais que mimaram-no e protegeram desde as suas primeiras travessuras, ele não foi encarcerado, ele não foi julgado, ele não foi internado, sua genialidade, QI de 280, foi suficiente para fazer com que todos neste nosso Brasil pensassem que as imagens eram de um filme de terror; um filme que, olhem só a genialidade de nosso menino, ele roteirizou, editou e lançou com grande sucesso no mercado internacional! Devemos ou não termos orgulho de nosso menino, um brasileirinho tão genial, um craque em sua monstruosidade? Pois, em um país como o Brasil no qual jornalistas que assassinam namoradas pelas costas e médicos que esquartejam namoradas e policiais que assassinam jovens pelas costas são considerados aptos para a convivência social, julgados inocentes e soltos, é claro que um travesso bilionário de gostos psicóticos exigentes e elevados também pode se dar bem! Até pode chegar a Presidência Da República, nosso menino tem futuro, o Brasil é uma grande mãe para a conquista de um lugar ao sol de muitos meninos como ele! Que talento tem o nosso menino, o orgulho de uma nação onde os monstros nascidos em oceanos de dinheiro e influência são os regentes absolutos de seus destinos!



Inominável Ser

UM TRAVESSO

MENINO






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sábado, 28 de março de 2009

My Dying Bride - For You



I will be there for you
All I want is you
When I see your face
All the Angels are shamed

Lay with me beauty
Feel me close to you
Take my hand to you
Touch you softly. Your warm skin

Cover me with you
Over me under you
Pull me into you
As one we lay entwined

All I ever wanted
I have, I need never wish again
You are heaven sent









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domingo, 22 de março de 2009

Ilana Adormecida Nos Braços De Bune



Canta, criança,

canta canta canta

A Canção Dos Infernos

que ressoa rotunda

e absorvente

pelas Esferas Dos Mundos...

Canta, criança,

canta canta canta

A Canção Dos Infernos,

chama um Demônio,

afugenta a mentira

lá do Alto,

se entrega ao delicioso

frescor das perdições

da Eternidade...

Canta, criança,

canta canta canta

A Canção Dos Infernos,

perturbes A Ordem

e abraces O Grande Caos

como teu brinquedo mais

querido de menção honrosa

abismal...



Os Wollfenstein são uma rica família de origem alemã que ao Brasil chegou no início do século vinte, mais precisamente ao Rio Grande do Sul. Como todos os alemães que se prezam em matéria de descendência numerosa, eles logo se expandiram por aquele Estado e em demais Estados do nosso querido país em trinta e seis anos. Ambiciosos, trabalhadores e estudiosos da arte de um bom chopp, reuniram-se para a criação de uma cervejaria, a Wollfenstein Brasil Ltda, que em 1967 iniciou as suas atividades e hoje, bilionária, é uma das maiores do mundo, com filiais em 90 países. Família de homens e mulheres fortes, humildes em seus membros primeiros aqui no país, febrilmente expositores de sua riqueza atualmente. Voltemos nosso olhar para um ramo carioca dos Wollfenstein, para o casal Karl Pieter Wollfenstein III e Katarina Wollfenstein, primos em primeiro grau casados há doze anos. Residentes em uma mansão no Leblon, construida no ano de 1980 pelo pai de Katarina, Arnold Wollfenstein, um dos fundadores da cervejaria da família, são, aparentemente, um casal de normalíssima investidura em sua pacata existencialidade, carinhosos para com a filha de nove anos, a mui calada Ilana Wollfenstein. Normalíssima família, Karl sendo um competente Engenheiro Industrial, e Katarina uma Doutora Em Ciência Da Computação, os dois sendo donos da Faculdade Albrecht Wollfenstein I, nome dado em homenagem patriarca líder dos primeiros membros da família a chegaram ao Brasil, localizada no bairro do Flamengo. Milionários, donos de quatro carros, trinta seguranças para resguardá-los e uma filha mui calada, uma filha mui triste... Quase que os de fora não percebem a quietude e o silêncio de Ilana e eu vos pergunto: por que uma menina milionária seria tão mui quieta, tão mui triste?


A resposta está no sangue a escorrer pelo rosto dela nesta noite de Carnaval, 21 de fevereiro de 2009, às 21:53 h. Como dito antes, o casal, a família Wollfenstein da mansão do Leblon é normalíssima diante da sociedade, executando com primor o seu papel social de bons cidadãos cumpridores das leis e obedientes aos estatutos do Estado Brasileiro quanto ao bom comportamento social. Porém, todos os que invejam ou admiram Karl e Katarina, assim como a Ilana, não sabem o que ocorre no interior da mansão quando os seguranças são dispensados, os doze cães são soltos e os empregados também dispensados... Longe dos olhos sociais, mui longe dos olhos sociais, Karl é um alcoolátra e um drogado, um viciado em cocaína; e Katarina possui um desvio mental que a torna uma psicopata, desvio este agravado ainda mais pelas bebidas e pelas drogas oferecidas por Karl. Ilana, sangrando, um corte no supercílio esquerdo, leva a décima nona surra deste ano de 2009; sempre que suas professoras da segunda série do Primeiro Grau na qual está, na sofisticada Escola Santa Rita de Cássia, católica, de freiras, na Tijuca, perguntam acerca de seus machucados, ela disfarça, sorri e diz que machucou-se brincando. As irmãs que dão aula na escola já se reuniram entre si e até pensaram em denunciar o casal à Justiça; mas, o poder do dinheiro dos Wollfenstein e o mesmo de que tal denúncia prejudicasse a existência da Escola, que desde o ano de 1845 funciona, falaram muito mais alto. E, toda semana, a cada vez que Ilana chega à escola com arranhões e demais machucados pelo corpo, as covardes freiras se contém, sentem piedade e se calam.


A covardia delas aumenta ainda mais por saberem que algo a mais Karl faz com a filha... Karl... Karl, o pai... Karl, ah, Karl... Em fatos apenas explicáveis pelos mais intensos estudos psicanalíticos, Karl visualiza Ilana como uma das suas amantes, uma das muitas que pelo Rio de Janeiro possui. Todas as manhãs, Karl observa no banheiro a filha tomar banho; todas as noites, Karl observa no banheiro a filha tomar banho; no caminho da escola, nos cinco dias da semana de aula, durante a viagem, Karl acaricia as pernas de Ilana; no caminho de volta de qualquer lugar para onde ele, a esposa e a filha vão, o mesdmo acariciar das pernas da menina ocorre. Katarina sabe, sabe muito bem e... Katarina... Katarina, a mãe... Katarina, ah, Katarina... Ela se une a Karl no tocar noturno da filha, todas as noites, antes da mesma adormecer... Katarina também a vê como uma das suas amantes, das duas que possui, colegas antigas de faculdade, há oito anos... Os dois, nus, sem drogas e bebidas no organismo, conscientes do que fazem, deitam-se com ela na cama do quarto da mesma, que despida pelos dois calmamente vai sendo, enquanto os dedos deles penetram em todos os seus orifícios... Karl penetra a pequena vagina da filha todas as quartas... Katarina chupa a pequena vagina da filha todos os dias... Ilana é encoberta pelos pais todos os dias... Ilana, como se fosse uma propriedade para usdo exclusivamente sexual, para a saciedade das taras de seus pais, todos os dias recebe as visitas noturnas dos dois... Se olharmos para a face de Karl durante as visitas noturnas à filha, veremos um homem ativamente tratando de satisfazer a si mesmo e a uma amante... Se olharmos para Katarina durante as visitas noturnas à filha, veremos uma mulher dedicada ao satisfawer de si mesma e de uma amante... Se olharmos para Ilana, recebendo as visitas noturnas dos pais, veremos uma filha que a tudo está a compreender e a tudo está a aceitar, pois trata-se dos pais delas, pais que ela não deixa de amar... As freiras, as covardes freiras, sabem disso, assim como os empregados da família, mas todos se calam, afinal de contas, os Wollfenstein formam uma das mais poderosas famílias do Brasil e do mundo, seria inútil lutar contra eles, mesmo sabedores do crime horrível praticado por dois membros daquela! Todos se calam ainda mais porque Karl e Katarina oferecem suntuosas doações mensais de dinheiro para a escola da filha e aumentam mensalmente o salário dos empregados... Neste mundo perfeito para a sobrevivência de honrados cidadãos como eles, contar com a colaboração silenciosa de pessoas medíocres, servis e covardes, facilmente compráveis através do perfeito poder do dinheiro, é da mais essencial necessidade, não é mesmo? E Ilana, calada, suporta as carícias, suporta as penetrações, não chora e nem pede para que os pais parem... Não, Ilana é corajosa, Ilana tem em si uma firme convicção de que não deve se rebelar, pois sabe que tudo ficaria mais pior do que já era, mais contundente do que se tornara com o passar dos seus poucos anos de idade.


Encolhida em um canto da biblioteca da mansão, sangrando, Ilana assiste à discussão de seus pais, que, desta vez, beberam e se drogaram além da conta. Após vinte e cinco minutos de discussão, que quase termina em estapeamento mútuo, eles deitam na entrada da biblioteca e adormecem; sangrando e tonta, Ilana passa por cima deles e sobe os sessenta e oito degraus da escadaria de sua mansão até o seu belo quarto. Computador, aparelho de som, ipod, cento e vinte bonecas... e nenhuma ponta de felicidade... e nenhuma ponta de satisfação... e nenhuma ponta de conforto... O banheiro de seu quarto ela abre, toma um banho e, como sempre faz, trata de cuidar do corte com um mercúrio que uma das empregadas da casa, Ana Reis da Silva, compou para ela, sabendo, como todos os empregados dos Wollfenstein, todos também covardes que se calam acerca das violentas surras que acometem a menina, que aquilo poderia ser muito útil. Semanalmente, sempre aos finais de semana, era sempre a mesma tortura, literalmente falando, já que a mãe dela, uma bêbada e drogada cruel e sádica, a torturava com as próprias mãos... A tudo isto, Ilana já se acostumara, já se sentia acostumada e nem mais estranhava... Muito machucada, ela acaba de tomar o banho, põe o pijama e parte para sua cama; e, antes de se deitar, lembra de algo que colocou embaixo do colchão de sua cama! Um livro que ela encontrou na Escola Santa Rita de Cássia, jogado entre livros antigos que seriam enviados para uma biblioteca comunitária; na capa, o que lhe chamou muito a atenção, um pentagrama invertido, muitos símbolos cabalísticos e a face de um crânio entalhado. Um livro sem autor. Um livro sem nenhuma anotação. Um livro sem nenhuma indicação de quando foi escrito. Um livro sem nenhuma indicação de quando foi impresso. Um livro novíssimo, folhas brancas límpidas, capa negra brilhante. Um livro de antiquíssimos conhecimentos, que ela compreendia de uma rara maneira, como se já o tivesse, antes, folheado.


Curiosa como toda criança, Ilana pôs o livro em sua mochila e o trouxe para sua casa, sem comentar nem mesmo com Ana, a empregada que também é a única amiga que possui, já que nem conversar com outras crianças, e brincar com elas, lhe interessa desde que encontrou o livro em setembro do ano de 2008. Leitora ávida do mesmo, que possui mil e dezessete páginas, passou a ter visões, a ter sonhos e a escapar de seu corpo conscientemente desde que iniciou a diária leitura. Escapando consciente do corpo, ela sempre vai ao encontro de um amigo melhor e mais atencioso do que Ana, um amigo muitíssimo inteligente que ela mui ama.. Hoje, 22:19 h deste sábado de Carnaval, ela lê a última página... Ela lê a última palavra... Um cheiro de ervas que crescem nos cemitérios surge no quarto dela, ela se pergunta que cheiro é este... A luz do quarto apagada de repente... Sombras a mais no quarto, que não a assustam... Sombras no quarto que a fazem sorrir, sorrir agora com sinceridade! O amigo dela, pela primeira vez, lhe visita fora do Cemitério Das Sombras onde com ela se encontrava! Bune surge, ela sorri mais! Bune chega perto da cama dela, Ilana fecha o livro, dobra as curtas pernas e dá espaço para ele sentar à frente dela.



- Machucada de novo, Ilana?

- É, tô...

- Quem hoje te bateu mais?

- Minha mãe, como sempre...

- Eles te tocaram hoje?

- Não, esqueceram de fazer isso hoje...

- Isso dói demais?

- Já me acostumei, Bune...

- Não era para se acostumar.

- Era, eles são meus pais, eles podem me bater...

- Não, eles não podem te bater mais.

- Mas, Bune, eles me criam, eles podem me bater!

- E nem podem te tocar mais.

- Eu já te disse, Bune, que me acostumei com os toques deles e com aquilo que fazem comigo a mais...

- Não, entenda, eles não podem te bater e te tocar daquelas maneiras mais.

- Por que está assim, Bune, tão sério hoje?

- Você não me ouve mais.

- Eu te ouço sempre, Bune, sempre...

- Não, eu falo de seus pais.

- Meus pais...

- Sim, eles não merecem ser seus pais.

- Por que não merecem?

- Eles te batem demais.

- Eu te disse, já estou acostumada...

- Mas, tu gostas de apanhar deles?

- Já me acostumei, Bune, já me acostumei...

- Ilana, tu gostas de apanhar?

- Bune, eu...

- Ilana, tu gostas de ser tocada daquelas maneiras?

- Bune...

- Ilana, me responda: tu gostas de apanhar?

- Não...

- Ilana, tu gostas de ser tocada daquelas maneiras?

- Não!

- O que te faz ainda isso suportar?

- São meus pais, eu os amo...

- Amas ainda que te batam?Ainda que sujem teu corpo com toques, carícias e aquele algo mais que fazem?

- Amo, amo muito... São meus pais, Bune, meus pais...

- Ama-os mesmo?

- Amo, Bune, amo...

- As marcas em todo teu corpo serão eternas enquanto tu tiveres um corpo neste mundo, Ilana. As cicatrizes ficarão como lembranças do ódio de seus pais por ti.

- Eles não me odeiam, Bune, eles...

- Eles te odeiam, Ilana, te odeiam muito.

- Não me odeiam, Bune, não me odeiam!

- Sim, eles te odeiam muito, te batem muito, abusam de teu corpo, toda semana, todo mês, desde que tu nascestes.

- Eles são os meus pais, podem me bater... E podem abusar de mim...

- Não, não podem te bater e nem abusar de ti.

- Podem, Bune, podem...

- Já se perguntou porque eles te batem tanto? Já se perguntou porque eles usam teu corpo todo dia?

- Acho que eles me batem porque eu os desobedeço... E usam meu corpo porque me amam...

- Ilana, tu compreendes o livro que encontrastes, mas não consegues compreender a humana insanidade...

- Insanidade?

- Loucura, criança, seus pais são dois loucos.

- Aquele negócio que eles cheiram os deixa mais maus do que...

- Maus, Ilana? Admites que seus pais são maus?

- Não, eles me amam!

- Ilana, mas eles não são maus contigo?

- Bune, eles não são maus, é aquilo que...

- Não, Ilana, aquilo apenas ativa o que eles já possuem dentro deles. Eles te odeiam. Eles querem te fazer mal. Eles são maus, Ilana, eles são maus.

- Não, meu pai me ama... a minha mãe me ama... Eles me amam, Bune, me amam!

- Eles são maus, Ilana, contigo, muito maus de verdade. Te machucam. Te machucam muito. Esses ferimentos são-lhe agradáveis?

- Não são...

- Quem te ajuda a não enlouquecer junto com eles, Ilana?

- Você, Bune, você... Meu amigo de verdade, meu mais verdadeiro amigo...

- Criança, eu te amo, eu te acarinho, eu te faço dormir em meus braços como um pai zeloso e amável. Seus pais carnais não te fazem bem, eles merecem um castigo, merecem ou não, Ilana?

- Não sei...

- Você está sozinha com eles neste mundo, todos tem medo deles.

- Ninguém sabe...

- Sim, todo mundo sabe que você apanha deles, todo mundo sabe, mas tem medo de tomar uma atitude por causa do dinheiro deles e de sua família, do poder que os Wollfenstein neste mundo tem. Mas, eu, Ilana, tenho muito mais poder que os de teu sangue.

- Disso eu sei, o livro me revelou tudo...

- E então, seus pais merecem um castigo?

- Não, Bune, não... São meus pais...

- Nenhum castigo?

- Nenhum...

- Mas, tu querias que eles fossem diferentes contigo, não querias?

- Eu quero, Bune, eu quero, eu quero...

- Suas lágrimas caem, tu amas mesmo aos vossos cruéis pais.

- Amo, Bune, amo... Mas, queria que eles fossem diferentes comigo... Eu queria que eles demonstrassem seu amor por mim... Nunca recebi um beijo nem da minha mãe e nem do meu pai, que eu me lembre... Desde mais pequena, Bune, venho apanhando deles, sempre apanhando... E sempre tendo os dois em cima de mim toda noite, me machucando mais ainda... E ninguém me ajuda... Ninguém além de você... Todo mundo tem medo deles, menos você...

- Eles é que devem me temer, Ilana.

- Não faça nada com eles, Bune, nada!

- E o que eu faria se apareço apenas para ti?

- Pela primeira vez, te vejo aqui no meu quarto... Veio mais vezes?

- Desde que começastes a ler o livro, eu venho te visitar, venho te preparando para algo que vai mudar tudo em sua triste solitária existência, Ilana.

- Você quer fazer algo contra meus pais?

- Tu queres que eu faça algo pelos teus pais?

- Você vai machucá-los...

- Não, Ilana, não vou.

- O que você pode fazer?

- Posso fazê-los ver o quanto você pode ser uma menina docemente habilidosa em se fazer respeitar pelos dotes e dons que tens. Posso fazê-los parar de te bater e de te tocar daquelas maneiras a mais.

- Pode, Bune?

- Posso.

- Como vai fazer isso, Bune?

- Adormeças e eu verei o que posso fazer.

- Não vou dormir, você vai machucá-los!

- Não vou, Ilana, tu não confias em mim?

- Bune, eu confio, mas se eles te verem assim... assim...

- Como eu sou?

- É...

- Não, eles não vão me ver assim como eu sou e nem verão mais nada neste mundo...

- Como assim, Bune?

- Adormeças, Ilana, eles vão enxergar outro mundo, vão te ver com bons olhos, vão te amar, vão te respeitar, não vai mais te bater.

- Vão mesmo, Bune?

- Vão, Ilana, vão.

- Eu quero saber o que você vai fazer...

- Adormeças, Ilana, eu sei bem o que fazer para fazê-los parar de te bater, adormeças.

- Eu queria ficar acordada nesta noite, vendo televisão...

- Não, Ilana, adormeças, eu somente posso ajudar-te se tu adormecer.

- Quer me ver dormindo, não quer, Bune?

- Já te vi por tempo demais adormecida, Ilana, eu vou te acordar a partir de hoje.

- Que você tá querendo dizer?

- Adormeças, Ilana, adormeças...

- Bune, como assim você vai me acordar?

- Adormeças, Ilana, adormeças...

- Bune...

- Adormeças, Ilana, adormeças...

- Bu...

- Adormeças, Ilana, adormeças...

- B...

- Adormeças, Ilana, adormeças...

- ...



As pálpebras da menina Ilana pesam e ela nem percebe quando deixa sua cabeça cair, adormecendo nos braços de Bune... Bune se torna etérico pouco a pouco... Éter... Éter... Éter... Lá fora, no imenso quintal da mansão, os cães gemem de medo, pressentindo um horror e um terror que detectam pelo cheiro do Éter no ar, no ar, no ar... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelas narinas... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelos ouvidos... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pela pele... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelos cabelos... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelas unhas dos dedos das mãos... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelas unhas dos dedos dos pés... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelo pijama... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelos olhos desta que se abrem, que se abrem, que se abrem...


Ilana está adormecida...


Ilana está adormecida...


Ilana está adormecida...


Bune acordado...


Bune acordado...


Bune acordado...


Ilana adormecida nos braços de Bune...


Ilana adormecida nos braços de Bune...


Ilana adormecida nos braços de Bune...


Bune a faz adormecer nela acordado...


Bune a faz adormecer nela acordado...


Bune a faz adormecer nela acordado...


23:00 h...


Ilana adormecida nos braços de Bune sai da cama... Ilana adormecida nos braços de Bune pega um dos ursinhos de estimação que coleciona... Ilana adormecida nos braços de Bune abre a porta do quarto... Ilana adormecida nos braços de Bune sai do quarto... Ilana adormecida nos braços de Bune chega à escadaria... Ilana adormecida nos braços de Bune desce os degraus da escadaria... Ilana adormecida nos braços de Bune passa pela porta da biblioteca... Ilana adormecida nos braços de Bune sorri ante a visão dos adormecidos entorpecidos enlouquecidos pais dela... Ilana adormecida nos braços de Bune continua a caminhar pela mansão... Ilana adormecida nos braços de Bune se direciona ao quarto de um dos empregados, Márcio Antônio Batista de Santana... Ilana adormecida nos braços de Bune quebra a porta trancada do vazio quarto de Márcio Antônio... Ilana adormecida nos braços de Bune entra no vazio quarto de Márcio Antônio... Ilana adormecida nos braços de Bune se direciona a uma das malas de Márcio Antônio... Ilana adormecida nos braços de Bune abre a mala... Ilana adormecida nos braços de Bune encontra uma navalha, usada por Marco Antônio para se barbear... Ilana adormecida nos braços de Bune deixa aberta a mala e sai do quarto de Marco Antônio... Ilana adormecida nos braços de Bune se dirige à biblioteca novamente... Ilana adormecida nos braços de Bune chega à porta da biblioteca... Ilana adormecida nos braços de Bune sorri novamente... Ilana adormecida nos braços de Bune agora gargalha, sendo ouvida pelos cães no quintal da mansão, que se assustam e se escondem entre as árvores que pelo quintal se espalham... Ilana adormecida nos braços de Bune ajoelha-se diante dos seus adormecidos entorpecidos enlouquecidos pais... Ilana adormecida nos braços de Bune curva-se acima do corpo do seu adormecido entorpecido enlouquecido pai.. Ilana adormecida nos braços de Bune corta de orelha a orelha com a navalha a garganta do seu adormecido entorpecido enlouquecido pai... Ilana adormecida nos braços de Bune curva-se acima do corpo de sua adormecida entorpecida enlouquecida mãe... Ilana adormecida nos braços de Bune corta de orelha a orelha com a navalha a garganta da sua adormecida entorpecida enlouquecida mãe...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelas narinas...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelos ouvidos...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pela pele...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelos cabelos...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelas unhas dos dedos das mãos...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelas unhas dos dedos dos pés...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelo pijama...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelos olhos...


Olhos...


Olhos...


Olhos...


Ilana abre os olhos...


Ilana abrindo os olhos...


23:33 h: Ilana abre os olhos...


23:34 h: Ilana olha para a frente...


23:34:45 h: Ilana olha para baixo...


23:35 h: Ilana GRITA!!!


Primeiro GRITO!!! Segundo GRITO!!! Terceiro GRITO!!! Quarto GRITO!!! Quinto GRITO!!! Sexto GRITO!!! Sétimo GRITO!!! Oitavo GRITO!!! Nono GRITO!!! Décimo GRITO!!! Décimo primeiro GRITO!!! Décimo segundo GRITO!!! Décimo terceiro GRITO!!! Os cães lá fora, no quintal, estremecidos, encolhidos... Em redor da mansão, silêncio até dos pequenos animais que rastejam e voam pela noite... Dentro da mansão, os soluços, as lágrimas e a rouquidão de uma menina que se sente traída, que se sente desgraçada, que se sente tão assassinada quanto seus pais diante de si... O sangue deles banha todo o seu pijama... O sangue deles banha todo o seu rosto... O sangue deles banha seu ursinho de estimação seguro na mão esquerda... O sangue deles banha a navalha na mão direita... Com tremores e lágrimas e sangue, Ilana olha para a navalha... Navalha... Navalha... Navalha... Seus pais não lhe baterão mais... Seus pais não abusarão mais de seu corpo... Ela está livre das semanais surras! Ela está livre dos diários abusos! Ela está livre da loucura de sua mãe! Ela está livre da loucura de seu pai! Ela está livre, mas mui sozinha ainda... Ela está livre, mas mui triste ainda... Ela está livre, mas mui calada ainda... Ela está livre, mas queria que os pais ainda estivessem com ela lhe batendo, já estava acostumada... Ela está livre, mas preferia as surras, já estava acostumada... Ela está livre, mas gostava das surras que levava, já estava acostumada... Ela está livre, mas queria que os pais ainda estivessem com ela lhe tocando, já estava acostumada... Ela está livre, mas preferia os toques deles, as penetrações do pai, as chupadas do pai, as chupadas da mãe, já estava acostumada... Ela está livre, mas gostava dos toques deles, das penetrações do pai, das chupadas da mãe e do pai, já estava acostumada... Ela está livre, mas não vê mais graça em continuar mui sozinha, mui triste, mui calada... Ela está livre, mas, agora, às 23:43 h, prefere cortar a garganta de orelha a orelha do que ficar sem apanhar dos pais todos os fins de semana, sem ser tocada pelos pais, sem ser penetrada pelo pai, sem ser chupada pelos pais...


Ilana cai agonizando acima dos cadáveres dos pais.


Ilana agoniza acima dos cadáveres dos pais.


Ilana desencarna acima dos cadáveres dos pais.


Os três estão reunidos novamente.


Reunidos mãe, pai e filha adormecidos entorpecidos enlouquecidos nos braços de Bune em um cemitério mui antigo!


Agora, os três eternamente apanharão de um acordado sóbrio são Bune e pelos Demônios servis a Bune .


Agora, os três eternamente serão tocados por Bune e pelos Demônios servis a Bune.


Agora, os três eternamente serão chupados por Bune e pelos Demônios servis a Bune.


Agora, os três eternamente serão penetrados por Bune e pelos Demônios servis a Bune.


A fortuna dos Wollfenstein não possui nenhuma influência ou validade nos Círculos Cemiteriais Dos Infernos.


Demônios não podem ser comprados.


Três dos Wollfenstein não serão nos Infernos poupados.



Inominável Ser

ACORDADO

NOS BRAÇOS

DE BUNE







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Theatres des Vampires - Forever In Death (Ao Vivo - The Addiction Tour 2006)




A mournful wind
A gloomy sign
For my eternal sleep
Under the ground
Under the life
The darkest symphony

Unholy tears
Lay down with me
Frozen inside my heart
One more time
Just one more time
The past is dim and far...

An awful dream
Carved in my soul

Forever and ever
Death plays with me
Together forever
She plays with me

(They) don't understand
Her poisoned touch
A kiss of blood and death
Her pale white skin
A frozen scream
That wakes my wrath again

An awful dream
Carved in my soul

Forever and ever
Death plays with me
Together forever
She plays with me

Forever in death... with me
I reborn again from life
From flesh again... I rise
I reborn again. I rise again

Forever and ever
Death plays with me
Together forever
She plays with me















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domingo, 15 de março de 2009

A Última Hora De Jack Parsons



Babalon É Aquela Do Sábio Conhecimento Equilibrado Sob Os Passos Da Silenciosa Busca Espiritual. Transcendendo A Carne, Estabelecendo O Altar, O Arquétipo De Babalon, A Mulher Escarlate, Escarlate Na Luz Do Luar, Escarlate Na Luz Solar, Abre O Caminho Do Conhecer Inaudito Da Concepção E Da Corrupção. Necessitamos Da Luz Intelectual Em Todo Contato Com Os Deuses E Os Seus Arquétipos, Babalon Solicita Cautela Na Leitura De Seu Livro, Cautela Intelectiva, Cautela Espiritual. É Uma Mãe E É Uma Carrasca; É Carinhosa E É Bruta; É Revestida Pelo Sol De Nosso Próprio Interior Revelando A Sua Nudez; É Uma Das Faces Da Mãe Cósmica, A Mulher Universal; É O Escarlate Das Cinzas Das Terras; É O Escarlate Das Medidas Corretas; Babalon Pede O Altar; Babalon É O Altar; Babalon Abraça; Babalon É O Braço; Babalon É O Berço, Escarlate Percalço, Escarlate Passo, Escarlate Salto. Ultrapasses A Pequena Veia Das Palavras Materialmente Inseridas No Livro De Babalon E Alcances O Coração Da Grande Libertação. Libertação Interna, Escarlate Moldura Das Fechaduras Que Podem Ser Abertas Com A Chave Interior Fornecida Por Babalon. Se Ela Te Abraçar, Aceites E Silencies Teu Interno Lar Para Ela Poder Firmar Em Ti O Escarlate Lar.



Sinto a carne queimada, milimetricamente queimada, os poros fechados, a redução da capacidade respiratória. A explosão me maltrata mais no orgulho do que na plena sensação de minha alvorada e o sinete da humilhação aceito com a fronte resignada. Queimei em todas as dimensões, além da pele, além do abaixo da pele, ainda queimo, ainda estou a queimar, naquele momento... Fui na Existência Terrestre Jack Parsons, um cientista e um Mago de talento, discípulo da Grande Besta e Belarion sempre, ontem e hoje é o meu Nome No Firmamento. Caminhei nas estrelas de meu nascimento e procurei A Virgem Sagrada Revestida De Escarlate, encontrando-A sob as Vestes Do Deserto De Todas As Almas. Me tornei, para Ela, uma Chama Em Vida, e chama, bruta chama, delicada chama, corrente de chamas, me tornou no mais literal destas palavras. O cheiro de minha carne queimada ainda ecoa pelo ar de todas as Esferas, foi tudo a explosão mais aguardada e o abraço mais afetuoso de cada uma das chamas equilibrou-me na Cósmica Fornalha. As folhas decaídas das árvores antigas foram colhidas e o Abismo se abriu em fendas feridas, meu grito não ecoou na Esfera Física, meu grito foi além, atravessou todos os Portões, alcançou todos os Porões, situou-se acima das Pontes, deu voltas pela Criação, adiantou-se ao vagar de todas as Negras Marés, retomou sua posição nas Estrelas Radiantes Do Oeste.


Peregrinei nas chamas que dilaceraram meu corpo e peregrino nas Chamas Dilacerantes Do Verdadeiro Ser, esta Estrela Maior que as manhãs anunciam ao som das Trombetas Do Verdadeiro Querer. Sintam-me queimando, sintam-me queimando em vossas peles, os poros se fechando, o ar exaurindo, a dor sendo uma catapulta para Algo Além... Sintam-me queimando, eu que fui Arauto Da Leoa, eu que rugi como Ela, eu que A Vi em Carne, Ossos, Sangue E Chamas... Meus olhos tomados pelas chamas... Meus lábios tomados pelas chamas... Meu pescoço tomado pelas chamas... Meu tórax tomado pelas chamas... Meu abdômen tomado pelas chamas... Meus quadris tomados pelas chamas... Minhas pernas tomadas pelas chamas... Meus pés tomados pelas chamas... Minhas mãos tomadas pelas chamas... Minhas mãos... As mãos, instrumentos de bençãos... As mãos, instrumentos de maldições... Minhas mãos, mãos que tocaram no Abismo, reviraram o Abismo à frente e ancorado nas costas dos pequenos e grandes carrapatos entre as Sombras... Minhas mãos queimadas... Minhas mãos... Já tiveram as vossas mãos queimadas? Já tiveram vossos pés queimados? Já tiveram vossas pernas queimadas? Já tiveram vossos quadris queimados? Já tiveram vossos abdômens queimados? Já tiveram vossos tóraxs queimados? Já tiveram vossos pescoços queimados? Já tiveram vossos lábios queimados? Já tiveram vossos olhos queimados? Então, não sabem o que é A Chama De Babalon, Esta que me Consagrou, Esta que me Beijou, Esta que me Alimentou naquelas chamas incinerantes do corpo físico meu naquele laboratório que explodiu.


Ela veio cavalgando seu dourado garanhão, misto de leão e cavalo, sedutor e implacável pisoteador das fracas vontades. Eu queimava e Ela veio... Ela veio, veio até mim naqueles momentos de dor e de falta de dor, eu não estava mais ali, eu queimava e não queimava, eu gritava e não gritava, meu corpo carbonizado e a minha mente, a minha alma, o Espírito Eterno meu nas Cinzas Das Horas Estreladas! Uma hora ainda fiquei a respirar... Uma hora ainda estive a respirar... Meu corpo físico respirava, mas eu estava já na Viagem Das Alvoradas...



Me encontrei nu diante de muitos cadáveres enfileirados nas mais horrendas muralhas e morros e montanhas de um mundo selvagem e estranho aos meus olhos mortais; ao mesmo tempo, tal mundo em mim rugia como conhecido e amado e mui querido e admirável.

Uma menina de olhos azuis e negra túnica corria com nove cabeças penduradas às suas costas e sua voz bem alto ecoava como um brado de batalha:


AVYRA MANATUR RANAM MARAER


A menina correu em minha direção, deu três voltas em meu redor, me ajoelhei de dor, seus gritos e palavras duravam infinitamente em mim e sua ferocidade era hostil a mim.

Longe da sanidade, corri daquela menina, pisando em cadáveres e ouvindo o latido de cães de dimensões incalculáveis uivando e sendo dóceis, ferozes e mutiladores de carnes apodrecidas.

Eu corria pisando naqueles cadáveres e os crânios de milhares feriram meus pés, meu sangue manchou aquele solo e o solo cresceu mais em favor do meu sangrar.

Vi heróis sem rosto massacrando tribos inimigas e o estupro de mulheres e crianças e velhos para a glória dos amadurecidos vencedores de todas as amaldiçaoadas matilhas.

Vi prisioneiros de guerra humilhados e acorrentados, recebendo o peso de seus labores contra os vencedores que os acorrentavam.

Vi prisioneiros sendo executados aos gritos daquela menina correndo com nove crânios às costas e esperei parar de correr e não queria parar de correr...

Eu corria...

Reis da Terra, mortos, empalados menores sobre campos de dicórdias e escórias...

Eu corria...

Reis da Terra, do presente, do futuro, do passado, aprisionados e feridos, humilhados e espancados, oferecidos aos leões de brutas moradas...

Eu corria...

Vassalos vi serem erguidos como os Noivos Da Rainha...

Eu corria...

Vassalos vi serem erguidos como os Novos Reis...

Eu corria...

Sangue amontoado...

Eu corria...

Sangue fresco...

Eu corria...

Sangue umedecido pelo suor dos combatentes de uma batalha infinita...

Eu corria...

Sangue jorrando em mim...

Eu corria...

Sangue de guerreiros dourados jorrando em mim...

Eu corria...

Sangue de guerreiros rubros jorrando em mim...

Eu corria...

Sangue de guerreiros negros jorrando em mim...

Eu corria...

Sangue de guerreiros cinzentos jorrando em mim...

Eu corria...

Meu corpo se fez todo do sangue...

Eu corria...

Era meu sangue...

Eu corria...

Era tudo meu sangue...

Eu corria...

Meu sangue todo jorrando...

Eu corria...

Meu sangue todo em cada um dos guerreiros...

Eu corria...

Meu sangue tragando-me em um mar rubro insaciável...

Eu corria...

Corria por sobre as águas!

Eu corria...

Corria por sobre o meu sangue jorrando por todo aquele solo!

Eu corria...

Corria...

Eu corria...

O mar me guiou até o Deserto...

Eu corria...

Eu cai ajoelhado em meu sangue no Deserto...

Eu corria...

Eu deitei no calor do Deserto...

Eu corria...

Eu chorei no calor do Deserto...

Eu corria...

Eu sorri no calor do Deserto...

Eu corria...

A menina com nove crânios às costas surgiu à minha frente...

Eu corria...

Me ajoelhei e me prostrei...

Eu corria...

Reconheci, então, a Minha Senhora...

Eu corria...

Seus olhos, antes azuis, agora cheios de sangue...

Eu corria...

Seus lábios, mais retumbantes, abertos em toda Sua Glória!


- POR QUE A CORRIDA, TOLO?

- O torpor, o medo, o insano ainda humano encanto, Minha Senhora.

- NÃO SABIAS QUE EU SOU AQUELA QUE TE DEU A TAÇA DA VERDADEIRA GLÓRIA?

- Eu queimei diante de Ti e reconheço que Tu me tens aqui, Minha Senhora, como o pequeno leão sacrificado que alcançou o Verdadeiro Poder.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- O Verdadeiro Poder É A Chama Do Negro Alvoroço Do Tapete De Todas As Negras Estrelas Abismais.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Alcançar A Nossa Senhora Babalon É Alcançar A Serenidade Das Frutas Nascidas Do Rubro Líquido Da Taça Do Amor.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Aguardar, Com A Paciência Dos Sábios Silenciosos Do Deserto, É O Pleno Encadear Dos Máximos Caminhos Do Douro Amor.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Todo Sacrifício No Fogo É Obra Do Mais Puro Amor.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Todo Fogo É O Amor Das Estrelas Em Revolução.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Todo Amor Sacrifica O Ser E Merece O Sangue Vertido Na Batalha Acima De Todo Prazer.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Babalon É O Amor Acima Do Prazer.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Babalon É O Sangue Vertido Pelo Amor.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Babalon Sangra Para Nos Dar O Amor.

- TU FOSTES NA MATÉRIA O INSTRUMENTO IDEAL DA MINHA MANIFESTAÇÃO E MEU LIVRO ABORDADO É O TÚMULO SANGRENTO DAS MINHAS PALAVRAS REAIS. TU FOSTES, BELARION, TOLO QUE ME EVOCASTES, TOLO QUE BEIJASTES MINHA FACE DE LEOA SELVAGEM, O SELO MAIS PERFEITO QUE ME AMOU COM VERDADEIRO ARDOR. TE OFERECI AS COISAS DO MUNDO E TU PREFERISTES O MEU MUNDO NAS COISAS DO TEU AMOR POR MIM. TE OFERECI OS TRONOS DA TERRA E TU PREFERISTES REINAR EM TEU AMOR POR MIM. TE OFERECI O IMPÉRIO DAS ESFERAS E TU PREFERISTES O IMPÉRIO DE TEU AMOR POR MIM. TU TE RISCASTES DO LIVRO DA VIDA E DO LIVRO DA MORTE POR MIM E TODAS AS COISAS PERPÉTUAS TU ADQUIRISTES EM MEU NOME, O NOME DE VOSSA SENHORA BABALON, A LEOA QUE TE CONSAGRA MEU ETERNO CONSORTE NAS ESFERAS DO SAGRADO RUBRO AMOR. CORRESTES PORQUE EU QUIS E TU NÃO ME RECONHECESTES PORQUE EU TAMBÉM QUIS. CLAMASTES POR MIM, AQUI, MAIS DO QUE NUNCA, E TU TENS AGORA O MEU PRÓPRIO AMOR PORQUE É ASSIM QUE EU SEMPRE QUIS, FILHO MEU DE TODAS AS RONDAS, FILHO MEU DE TODAS AS ROTAS, FILHO MEU DE TODAS AS ERAS, FILHO MEU DE TODAS AS CRIAÇÕES! ÉS MEU LEÃO ETERNO E CAÇADOR DAS COISAS QUE FEREM TODAS AS DOURAS AURORAS! A PARTIR DO DESERTO TU AGORA ÉS BELARION CONSAGRADO NA JUBA DO LEÃO DA SENHORA BABALON SANGUINÁRIA! ADORES MEU EXISTIR E AMES AINDA MAIS O MEU IR E VIR, SOU SUA SENHORA BABALON DE FACE DOURADA! BEBAS DA MINHA TAÇA O SANGUE DOS NOVE CRÂNIOS QUE CARREGO NOS NEGROS CAMPOS DA INFINITA BATALHA!


Minha Senhora Babalon verteu o sangue daqueles crânios em Sua Taça e com as duas mãos levou-A aos meus lábios.

Desceu o sangue dos Nove em minha Alma.

A minha Alma que é a Alma Dela.

As Eras se passaram ante meus olhos.

As Décadas ressoaram como estampidos de canhões atômicos.

Os Tempos estiveram ao alcance de minhas mãos.

As Criações Imperfeitas se fizeram e refizeram ao tumular assobiar dos meus Abismos Internos.

A Criação Perfeita me deu uma Canção que inesquecivelmente pode ser ouvida pelos Seres todos se as manhãs forem aquecidas pelo Rubro Colar De Esmeraldas Oferecidas Aos Raios Dos Sóis.

Eu rugi uma vez para Babalon!

Eu rugi duas vezes para Babalon!

Eu rugi três vezes para Babalon!

Eu rugi quatro vezes para Babalon!

Eu rugi cinco vezes para Babalon!

Eu rugi seis vezes para Babalon!

Eu rugi sete vezes para Babalon!

Eu rugi oito vezes para Babalon!

Eu rugi nove vezes para Babalon!



E, ao nono rugido, desencarnei neste mundo físico e agora estou abraçado à Juba Da Leoa e do Deserto a Ela dedico todas as minhas Rubras Orações, Rubras Orações À Nossa Senhora Babalon!



Inominável Ser

O LEÃO

BELARION







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Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

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