domingo, 22 de março de 2009

Ilana Adormecida Nos Braços De Bune



Canta, criança,

canta canta canta

A Canção Dos Infernos

que ressoa rotunda

e absorvente

pelas Esferas Dos Mundos...

Canta, criança,

canta canta canta

A Canção Dos Infernos,

chama um Demônio,

afugenta a mentira

lá do Alto,

se entrega ao delicioso

frescor das perdições

da Eternidade...

Canta, criança,

canta canta canta

A Canção Dos Infernos,

perturbes A Ordem

e abraces O Grande Caos

como teu brinquedo mais

querido de menção honrosa

abismal...



Os Wollfenstein são uma rica família de origem alemã que ao Brasil chegou no início do século vinte, mais precisamente ao Rio Grande do Sul. Como todos os alemães que se prezam em matéria de descendência numerosa, eles logo se expandiram por aquele Estado e em demais Estados do nosso querido país em trinta e seis anos. Ambiciosos, trabalhadores e estudiosos da arte de um bom chopp, reuniram-se para a criação de uma cervejaria, a Wollfenstein Brasil Ltda, que em 1967 iniciou as suas atividades e hoje, bilionária, é uma das maiores do mundo, com filiais em 90 países. Família de homens e mulheres fortes, humildes em seus membros primeiros aqui no país, febrilmente expositores de sua riqueza atualmente. Voltemos nosso olhar para um ramo carioca dos Wollfenstein, para o casal Karl Pieter Wollfenstein III e Katarina Wollfenstein, primos em primeiro grau casados há doze anos. Residentes em uma mansão no Leblon, construida no ano de 1980 pelo pai de Katarina, Arnold Wollfenstein, um dos fundadores da cervejaria da família, são, aparentemente, um casal de normalíssima investidura em sua pacata existencialidade, carinhosos para com a filha de nove anos, a mui calada Ilana Wollfenstein. Normalíssima família, Karl sendo um competente Engenheiro Industrial, e Katarina uma Doutora Em Ciência Da Computação, os dois sendo donos da Faculdade Albrecht Wollfenstein I, nome dado em homenagem patriarca líder dos primeiros membros da família a chegaram ao Brasil, localizada no bairro do Flamengo. Milionários, donos de quatro carros, trinta seguranças para resguardá-los e uma filha mui calada, uma filha mui triste... Quase que os de fora não percebem a quietude e o silêncio de Ilana e eu vos pergunto: por que uma menina milionária seria tão mui quieta, tão mui triste?


A resposta está no sangue a escorrer pelo rosto dela nesta noite de Carnaval, 21 de fevereiro de 2009, às 21:53 h. Como dito antes, o casal, a família Wollfenstein da mansão do Leblon é normalíssima diante da sociedade, executando com primor o seu papel social de bons cidadãos cumpridores das leis e obedientes aos estatutos do Estado Brasileiro quanto ao bom comportamento social. Porém, todos os que invejam ou admiram Karl e Katarina, assim como a Ilana, não sabem o que ocorre no interior da mansão quando os seguranças são dispensados, os doze cães são soltos e os empregados também dispensados... Longe dos olhos sociais, mui longe dos olhos sociais, Karl é um alcoolátra e um drogado, um viciado em cocaína; e Katarina possui um desvio mental que a torna uma psicopata, desvio este agravado ainda mais pelas bebidas e pelas drogas oferecidas por Karl. Ilana, sangrando, um corte no supercílio esquerdo, leva a décima nona surra deste ano de 2009; sempre que suas professoras da segunda série do Primeiro Grau na qual está, na sofisticada Escola Santa Rita de Cássia, católica, de freiras, na Tijuca, perguntam acerca de seus machucados, ela disfarça, sorri e diz que machucou-se brincando. As irmãs que dão aula na escola já se reuniram entre si e até pensaram em denunciar o casal à Justiça; mas, o poder do dinheiro dos Wollfenstein e o mesmo de que tal denúncia prejudicasse a existência da Escola, que desde o ano de 1845 funciona, falaram muito mais alto. E, toda semana, a cada vez que Ilana chega à escola com arranhões e demais machucados pelo corpo, as covardes freiras se contém, sentem piedade e se calam.


A covardia delas aumenta ainda mais por saberem que algo a mais Karl faz com a filha... Karl... Karl, o pai... Karl, ah, Karl... Em fatos apenas explicáveis pelos mais intensos estudos psicanalíticos, Karl visualiza Ilana como uma das suas amantes, uma das muitas que pelo Rio de Janeiro possui. Todas as manhãs, Karl observa no banheiro a filha tomar banho; todas as noites, Karl observa no banheiro a filha tomar banho; no caminho da escola, nos cinco dias da semana de aula, durante a viagem, Karl acaricia as pernas de Ilana; no caminho de volta de qualquer lugar para onde ele, a esposa e a filha vão, o mesdmo acariciar das pernas da menina ocorre. Katarina sabe, sabe muito bem e... Katarina... Katarina, a mãe... Katarina, ah, Katarina... Ela se une a Karl no tocar noturno da filha, todas as noites, antes da mesma adormecer... Katarina também a vê como uma das suas amantes, das duas que possui, colegas antigas de faculdade, há oito anos... Os dois, nus, sem drogas e bebidas no organismo, conscientes do que fazem, deitam-se com ela na cama do quarto da mesma, que despida pelos dois calmamente vai sendo, enquanto os dedos deles penetram em todos os seus orifícios... Karl penetra a pequena vagina da filha todas as quartas... Katarina chupa a pequena vagina da filha todos os dias... Ilana é encoberta pelos pais todos os dias... Ilana, como se fosse uma propriedade para usdo exclusivamente sexual, para a saciedade das taras de seus pais, todos os dias recebe as visitas noturnas dos dois... Se olharmos para a face de Karl durante as visitas noturnas à filha, veremos um homem ativamente tratando de satisfazer a si mesmo e a uma amante... Se olharmos para Katarina durante as visitas noturnas à filha, veremos uma mulher dedicada ao satisfawer de si mesma e de uma amante... Se olharmos para Ilana, recebendo as visitas noturnas dos pais, veremos uma filha que a tudo está a compreender e a tudo está a aceitar, pois trata-se dos pais delas, pais que ela não deixa de amar... As freiras, as covardes freiras, sabem disso, assim como os empregados da família, mas todos se calam, afinal de contas, os Wollfenstein formam uma das mais poderosas famílias do Brasil e do mundo, seria inútil lutar contra eles, mesmo sabedores do crime horrível praticado por dois membros daquela! Todos se calam ainda mais porque Karl e Katarina oferecem suntuosas doações mensais de dinheiro para a escola da filha e aumentam mensalmente o salário dos empregados... Neste mundo perfeito para a sobrevivência de honrados cidadãos como eles, contar com a colaboração silenciosa de pessoas medíocres, servis e covardes, facilmente compráveis através do perfeito poder do dinheiro, é da mais essencial necessidade, não é mesmo? E Ilana, calada, suporta as carícias, suporta as penetrações, não chora e nem pede para que os pais parem... Não, Ilana é corajosa, Ilana tem em si uma firme convicção de que não deve se rebelar, pois sabe que tudo ficaria mais pior do que já era, mais contundente do que se tornara com o passar dos seus poucos anos de idade.


Encolhida em um canto da biblioteca da mansão, sangrando, Ilana assiste à discussão de seus pais, que, desta vez, beberam e se drogaram além da conta. Após vinte e cinco minutos de discussão, que quase termina em estapeamento mútuo, eles deitam na entrada da biblioteca e adormecem; sangrando e tonta, Ilana passa por cima deles e sobe os sessenta e oito degraus da escadaria de sua mansão até o seu belo quarto. Computador, aparelho de som, ipod, cento e vinte bonecas... e nenhuma ponta de felicidade... e nenhuma ponta de satisfação... e nenhuma ponta de conforto... O banheiro de seu quarto ela abre, toma um banho e, como sempre faz, trata de cuidar do corte com um mercúrio que uma das empregadas da casa, Ana Reis da Silva, compou para ela, sabendo, como todos os empregados dos Wollfenstein, todos também covardes que se calam acerca das violentas surras que acometem a menina, que aquilo poderia ser muito útil. Semanalmente, sempre aos finais de semana, era sempre a mesma tortura, literalmente falando, já que a mãe dela, uma bêbada e drogada cruel e sádica, a torturava com as próprias mãos... A tudo isto, Ilana já se acostumara, já se sentia acostumada e nem mais estranhava... Muito machucada, ela acaba de tomar o banho, põe o pijama e parte para sua cama; e, antes de se deitar, lembra de algo que colocou embaixo do colchão de sua cama! Um livro que ela encontrou na Escola Santa Rita de Cássia, jogado entre livros antigos que seriam enviados para uma biblioteca comunitária; na capa, o que lhe chamou muito a atenção, um pentagrama invertido, muitos símbolos cabalísticos e a face de um crânio entalhado. Um livro sem autor. Um livro sem nenhuma anotação. Um livro sem nenhuma indicação de quando foi escrito. Um livro sem nenhuma indicação de quando foi impresso. Um livro novíssimo, folhas brancas límpidas, capa negra brilhante. Um livro de antiquíssimos conhecimentos, que ela compreendia de uma rara maneira, como se já o tivesse, antes, folheado.


Curiosa como toda criança, Ilana pôs o livro em sua mochila e o trouxe para sua casa, sem comentar nem mesmo com Ana, a empregada que também é a única amiga que possui, já que nem conversar com outras crianças, e brincar com elas, lhe interessa desde que encontrou o livro em setembro do ano de 2008. Leitora ávida do mesmo, que possui mil e dezessete páginas, passou a ter visões, a ter sonhos e a escapar de seu corpo conscientemente desde que iniciou a diária leitura. Escapando consciente do corpo, ela sempre vai ao encontro de um amigo melhor e mais atencioso do que Ana, um amigo muitíssimo inteligente que ela mui ama.. Hoje, 22:19 h deste sábado de Carnaval, ela lê a última página... Ela lê a última palavra... Um cheiro de ervas que crescem nos cemitérios surge no quarto dela, ela se pergunta que cheiro é este... A luz do quarto apagada de repente... Sombras a mais no quarto, que não a assustam... Sombras no quarto que a fazem sorrir, sorrir agora com sinceridade! O amigo dela, pela primeira vez, lhe visita fora do Cemitério Das Sombras onde com ela se encontrava! Bune surge, ela sorri mais! Bune chega perto da cama dela, Ilana fecha o livro, dobra as curtas pernas e dá espaço para ele sentar à frente dela.



- Machucada de novo, Ilana?

- É, tô...

- Quem hoje te bateu mais?

- Minha mãe, como sempre...

- Eles te tocaram hoje?

- Não, esqueceram de fazer isso hoje...

- Isso dói demais?

- Já me acostumei, Bune...

- Não era para se acostumar.

- Era, eles são meus pais, eles podem me bater...

- Não, eles não podem te bater mais.

- Mas, Bune, eles me criam, eles podem me bater!

- E nem podem te tocar mais.

- Eu já te disse, Bune, que me acostumei com os toques deles e com aquilo que fazem comigo a mais...

- Não, entenda, eles não podem te bater e te tocar daquelas maneiras mais.

- Por que está assim, Bune, tão sério hoje?

- Você não me ouve mais.

- Eu te ouço sempre, Bune, sempre...

- Não, eu falo de seus pais.

- Meus pais...

- Sim, eles não merecem ser seus pais.

- Por que não merecem?

- Eles te batem demais.

- Eu te disse, já estou acostumada...

- Mas, tu gostas de apanhar deles?

- Já me acostumei, Bune, já me acostumei...

- Ilana, tu gostas de apanhar?

- Bune, eu...

- Ilana, tu gostas de ser tocada daquelas maneiras?

- Bune...

- Ilana, me responda: tu gostas de apanhar?

- Não...

- Ilana, tu gostas de ser tocada daquelas maneiras?

- Não!

- O que te faz ainda isso suportar?

- São meus pais, eu os amo...

- Amas ainda que te batam?Ainda que sujem teu corpo com toques, carícias e aquele algo mais que fazem?

- Amo, amo muito... São meus pais, Bune, meus pais...

- Ama-os mesmo?

- Amo, Bune, amo...

- As marcas em todo teu corpo serão eternas enquanto tu tiveres um corpo neste mundo, Ilana. As cicatrizes ficarão como lembranças do ódio de seus pais por ti.

- Eles não me odeiam, Bune, eles...

- Eles te odeiam, Ilana, te odeiam muito.

- Não me odeiam, Bune, não me odeiam!

- Sim, eles te odeiam muito, te batem muito, abusam de teu corpo, toda semana, todo mês, desde que tu nascestes.

- Eles são os meus pais, podem me bater... E podem abusar de mim...

- Não, não podem te bater e nem abusar de ti.

- Podem, Bune, podem...

- Já se perguntou porque eles te batem tanto? Já se perguntou porque eles usam teu corpo todo dia?

- Acho que eles me batem porque eu os desobedeço... E usam meu corpo porque me amam...

- Ilana, tu compreendes o livro que encontrastes, mas não consegues compreender a humana insanidade...

- Insanidade?

- Loucura, criança, seus pais são dois loucos.

- Aquele negócio que eles cheiram os deixa mais maus do que...

- Maus, Ilana? Admites que seus pais são maus?

- Não, eles me amam!

- Ilana, mas eles não são maus contigo?

- Bune, eles não são maus, é aquilo que...

- Não, Ilana, aquilo apenas ativa o que eles já possuem dentro deles. Eles te odeiam. Eles querem te fazer mal. Eles são maus, Ilana, eles são maus.

- Não, meu pai me ama... a minha mãe me ama... Eles me amam, Bune, me amam!

- Eles são maus, Ilana, contigo, muito maus de verdade. Te machucam. Te machucam muito. Esses ferimentos são-lhe agradáveis?

- Não são...

- Quem te ajuda a não enlouquecer junto com eles, Ilana?

- Você, Bune, você... Meu amigo de verdade, meu mais verdadeiro amigo...

- Criança, eu te amo, eu te acarinho, eu te faço dormir em meus braços como um pai zeloso e amável. Seus pais carnais não te fazem bem, eles merecem um castigo, merecem ou não, Ilana?

- Não sei...

- Você está sozinha com eles neste mundo, todos tem medo deles.

- Ninguém sabe...

- Sim, todo mundo sabe que você apanha deles, todo mundo sabe, mas tem medo de tomar uma atitude por causa do dinheiro deles e de sua família, do poder que os Wollfenstein neste mundo tem. Mas, eu, Ilana, tenho muito mais poder que os de teu sangue.

- Disso eu sei, o livro me revelou tudo...

- E então, seus pais merecem um castigo?

- Não, Bune, não... São meus pais...

- Nenhum castigo?

- Nenhum...

- Mas, tu querias que eles fossem diferentes contigo, não querias?

- Eu quero, Bune, eu quero, eu quero...

- Suas lágrimas caem, tu amas mesmo aos vossos cruéis pais.

- Amo, Bune, amo... Mas, queria que eles fossem diferentes comigo... Eu queria que eles demonstrassem seu amor por mim... Nunca recebi um beijo nem da minha mãe e nem do meu pai, que eu me lembre... Desde mais pequena, Bune, venho apanhando deles, sempre apanhando... E sempre tendo os dois em cima de mim toda noite, me machucando mais ainda... E ninguém me ajuda... Ninguém além de você... Todo mundo tem medo deles, menos você...

- Eles é que devem me temer, Ilana.

- Não faça nada com eles, Bune, nada!

- E o que eu faria se apareço apenas para ti?

- Pela primeira vez, te vejo aqui no meu quarto... Veio mais vezes?

- Desde que começastes a ler o livro, eu venho te visitar, venho te preparando para algo que vai mudar tudo em sua triste solitária existência, Ilana.

- Você quer fazer algo contra meus pais?

- Tu queres que eu faça algo pelos teus pais?

- Você vai machucá-los...

- Não, Ilana, não vou.

- O que você pode fazer?

- Posso fazê-los ver o quanto você pode ser uma menina docemente habilidosa em se fazer respeitar pelos dotes e dons que tens. Posso fazê-los parar de te bater e de te tocar daquelas maneiras a mais.

- Pode, Bune?

- Posso.

- Como vai fazer isso, Bune?

- Adormeças e eu verei o que posso fazer.

- Não vou dormir, você vai machucá-los!

- Não vou, Ilana, tu não confias em mim?

- Bune, eu confio, mas se eles te verem assim... assim...

- Como eu sou?

- É...

- Não, eles não vão me ver assim como eu sou e nem verão mais nada neste mundo...

- Como assim, Bune?

- Adormeças, Ilana, eles vão enxergar outro mundo, vão te ver com bons olhos, vão te amar, vão te respeitar, não vai mais te bater.

- Vão mesmo, Bune?

- Vão, Ilana, vão.

- Eu quero saber o que você vai fazer...

- Adormeças, Ilana, eu sei bem o que fazer para fazê-los parar de te bater, adormeças.

- Eu queria ficar acordada nesta noite, vendo televisão...

- Não, Ilana, adormeças, eu somente posso ajudar-te se tu adormecer.

- Quer me ver dormindo, não quer, Bune?

- Já te vi por tempo demais adormecida, Ilana, eu vou te acordar a partir de hoje.

- Que você tá querendo dizer?

- Adormeças, Ilana, adormeças...

- Bune, como assim você vai me acordar?

- Adormeças, Ilana, adormeças...

- Bune...

- Adormeças, Ilana, adormeças...

- Bu...

- Adormeças, Ilana, adormeças...

- B...

- Adormeças, Ilana, adormeças...

- ...



As pálpebras da menina Ilana pesam e ela nem percebe quando deixa sua cabeça cair, adormecendo nos braços de Bune... Bune se torna etérico pouco a pouco... Éter... Éter... Éter... Lá fora, no imenso quintal da mansão, os cães gemem de medo, pressentindo um horror e um terror que detectam pelo cheiro do Éter no ar, no ar, no ar... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelas narinas... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelos ouvidos... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pela pele... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelos cabelos... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelas unhas dos dedos das mãos... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelas unhas dos dedos dos pés... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelo pijama... Éter... Éter... Éter... Etérico, Bune penetra em Ilana pelos olhos desta que se abrem, que se abrem, que se abrem...


Ilana está adormecida...


Ilana está adormecida...


Ilana está adormecida...


Bune acordado...


Bune acordado...


Bune acordado...


Ilana adormecida nos braços de Bune...


Ilana adormecida nos braços de Bune...


Ilana adormecida nos braços de Bune...


Bune a faz adormecer nela acordado...


Bune a faz adormecer nela acordado...


Bune a faz adormecer nela acordado...


23:00 h...


Ilana adormecida nos braços de Bune sai da cama... Ilana adormecida nos braços de Bune pega um dos ursinhos de estimação que coleciona... Ilana adormecida nos braços de Bune abre a porta do quarto... Ilana adormecida nos braços de Bune sai do quarto... Ilana adormecida nos braços de Bune chega à escadaria... Ilana adormecida nos braços de Bune desce os degraus da escadaria... Ilana adormecida nos braços de Bune passa pela porta da biblioteca... Ilana adormecida nos braços de Bune sorri ante a visão dos adormecidos entorpecidos enlouquecidos pais dela... Ilana adormecida nos braços de Bune continua a caminhar pela mansão... Ilana adormecida nos braços de Bune se direciona ao quarto de um dos empregados, Márcio Antônio Batista de Santana... Ilana adormecida nos braços de Bune quebra a porta trancada do vazio quarto de Márcio Antônio... Ilana adormecida nos braços de Bune entra no vazio quarto de Márcio Antônio... Ilana adormecida nos braços de Bune se direciona a uma das malas de Márcio Antônio... Ilana adormecida nos braços de Bune abre a mala... Ilana adormecida nos braços de Bune encontra uma navalha, usada por Marco Antônio para se barbear... Ilana adormecida nos braços de Bune deixa aberta a mala e sai do quarto de Marco Antônio... Ilana adormecida nos braços de Bune se dirige à biblioteca novamente... Ilana adormecida nos braços de Bune chega à porta da biblioteca... Ilana adormecida nos braços de Bune sorri novamente... Ilana adormecida nos braços de Bune agora gargalha, sendo ouvida pelos cães no quintal da mansão, que se assustam e se escondem entre as árvores que pelo quintal se espalham... Ilana adormecida nos braços de Bune ajoelha-se diante dos seus adormecidos entorpecidos enlouquecidos pais... Ilana adormecida nos braços de Bune curva-se acima do corpo do seu adormecido entorpecido enlouquecido pai.. Ilana adormecida nos braços de Bune corta de orelha a orelha com a navalha a garganta do seu adormecido entorpecido enlouquecido pai... Ilana adormecida nos braços de Bune curva-se acima do corpo de sua adormecida entorpecida enlouquecida mãe... Ilana adormecida nos braços de Bune corta de orelha a orelha com a navalha a garganta da sua adormecida entorpecida enlouquecida mãe...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelas narinas...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelos ouvidos...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pela pele...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelos cabelos...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelas unhas dos dedos das mãos...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelas unhas dos dedos dos pés...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelo pijama...


Éter, Éter, Éter...


Bune sai de Ilana pelos olhos...


Olhos...


Olhos...


Olhos...


Ilana abre os olhos...


Ilana abrindo os olhos...


23:33 h: Ilana abre os olhos...


23:34 h: Ilana olha para a frente...


23:34:45 h: Ilana olha para baixo...


23:35 h: Ilana GRITA!!!


Primeiro GRITO!!! Segundo GRITO!!! Terceiro GRITO!!! Quarto GRITO!!! Quinto GRITO!!! Sexto GRITO!!! Sétimo GRITO!!! Oitavo GRITO!!! Nono GRITO!!! Décimo GRITO!!! Décimo primeiro GRITO!!! Décimo segundo GRITO!!! Décimo terceiro GRITO!!! Os cães lá fora, no quintal, estremecidos, encolhidos... Em redor da mansão, silêncio até dos pequenos animais que rastejam e voam pela noite... Dentro da mansão, os soluços, as lágrimas e a rouquidão de uma menina que se sente traída, que se sente desgraçada, que se sente tão assassinada quanto seus pais diante de si... O sangue deles banha todo o seu pijama... O sangue deles banha todo o seu rosto... O sangue deles banha seu ursinho de estimação seguro na mão esquerda... O sangue deles banha a navalha na mão direita... Com tremores e lágrimas e sangue, Ilana olha para a navalha... Navalha... Navalha... Navalha... Seus pais não lhe baterão mais... Seus pais não abusarão mais de seu corpo... Ela está livre das semanais surras! Ela está livre dos diários abusos! Ela está livre da loucura de sua mãe! Ela está livre da loucura de seu pai! Ela está livre, mas mui sozinha ainda... Ela está livre, mas mui triste ainda... Ela está livre, mas mui calada ainda... Ela está livre, mas queria que os pais ainda estivessem com ela lhe batendo, já estava acostumada... Ela está livre, mas preferia as surras, já estava acostumada... Ela está livre, mas gostava das surras que levava, já estava acostumada... Ela está livre, mas queria que os pais ainda estivessem com ela lhe tocando, já estava acostumada... Ela está livre, mas preferia os toques deles, as penetrações do pai, as chupadas do pai, as chupadas da mãe, já estava acostumada... Ela está livre, mas gostava dos toques deles, das penetrações do pai, das chupadas da mãe e do pai, já estava acostumada... Ela está livre, mas não vê mais graça em continuar mui sozinha, mui triste, mui calada... Ela está livre, mas, agora, às 23:43 h, prefere cortar a garganta de orelha a orelha do que ficar sem apanhar dos pais todos os fins de semana, sem ser tocada pelos pais, sem ser penetrada pelo pai, sem ser chupada pelos pais...


Ilana cai agonizando acima dos cadáveres dos pais.


Ilana agoniza acima dos cadáveres dos pais.


Ilana desencarna acima dos cadáveres dos pais.


Os três estão reunidos novamente.


Reunidos mãe, pai e filha adormecidos entorpecidos enlouquecidos nos braços de Bune em um cemitério mui antigo!


Agora, os três eternamente apanharão de um acordado sóbrio são Bune e pelos Demônios servis a Bune .


Agora, os três eternamente serão tocados por Bune e pelos Demônios servis a Bune.


Agora, os três eternamente serão chupados por Bune e pelos Demônios servis a Bune.


Agora, os três eternamente serão penetrados por Bune e pelos Demônios servis a Bune.


A fortuna dos Wollfenstein não possui nenhuma influência ou validade nos Círculos Cemiteriais Dos Infernos.


Demônios não podem ser comprados.


Três dos Wollfenstein não serão nos Infernos poupados.



Inominável Ser

ACORDADO

NOS BRAÇOS

DE BUNE







Share:

2 Cadáveres Aqui Escavaram Suas Covas:

Átila Siqueira. disse...

Ô historinha macabra, hein? Muito bacana, você tem um dom para escrever histórias de terror.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.

Inominável Ser disse...

As imagens carregam na textura do terror, utilizei a máxima força do sufoco proporcionado pelo encontro da forma melhor de repassar as sensações mais terríveis...

Covas Recomendáveis

Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

Minha foto
Nos Infernos, O Abismo
Visualizar meu perfil completo

Cavam Aqui Suas Covas:

Arquivo do blog

Marcadores


Firefox

Firefox

Meu Perfil No Facebook

Obtenha visualizações gratuitas no Snap.com
Add to Technorati Favorites

Arquivo do blog

Recent Posts

Unordered List

Theme Support