domingo, 15 de março de 2009

A Última Hora De Jack Parsons



Babalon É Aquela Do Sábio Conhecimento Equilibrado Sob Os Passos Da Silenciosa Busca Espiritual. Transcendendo A Carne, Estabelecendo O Altar, O Arquétipo De Babalon, A Mulher Escarlate, Escarlate Na Luz Do Luar, Escarlate Na Luz Solar, Abre O Caminho Do Conhecer Inaudito Da Concepção E Da Corrupção. Necessitamos Da Luz Intelectual Em Todo Contato Com Os Deuses E Os Seus Arquétipos, Babalon Solicita Cautela Na Leitura De Seu Livro, Cautela Intelectiva, Cautela Espiritual. É Uma Mãe E É Uma Carrasca; É Carinhosa E É Bruta; É Revestida Pelo Sol De Nosso Próprio Interior Revelando A Sua Nudez; É Uma Das Faces Da Mãe Cósmica, A Mulher Universal; É O Escarlate Das Cinzas Das Terras; É O Escarlate Das Medidas Corretas; Babalon Pede O Altar; Babalon É O Altar; Babalon Abraça; Babalon É O Braço; Babalon É O Berço, Escarlate Percalço, Escarlate Passo, Escarlate Salto. Ultrapasses A Pequena Veia Das Palavras Materialmente Inseridas No Livro De Babalon E Alcances O Coração Da Grande Libertação. Libertação Interna, Escarlate Moldura Das Fechaduras Que Podem Ser Abertas Com A Chave Interior Fornecida Por Babalon. Se Ela Te Abraçar, Aceites E Silencies Teu Interno Lar Para Ela Poder Firmar Em Ti O Escarlate Lar.



Sinto a carne queimada, milimetricamente queimada, os poros fechados, a redução da capacidade respiratória. A explosão me maltrata mais no orgulho do que na plena sensação de minha alvorada e o sinete da humilhação aceito com a fronte resignada. Queimei em todas as dimensões, além da pele, além do abaixo da pele, ainda queimo, ainda estou a queimar, naquele momento... Fui na Existência Terrestre Jack Parsons, um cientista e um Mago de talento, discípulo da Grande Besta e Belarion sempre, ontem e hoje é o meu Nome No Firmamento. Caminhei nas estrelas de meu nascimento e procurei A Virgem Sagrada Revestida De Escarlate, encontrando-A sob as Vestes Do Deserto De Todas As Almas. Me tornei, para Ela, uma Chama Em Vida, e chama, bruta chama, delicada chama, corrente de chamas, me tornou no mais literal destas palavras. O cheiro de minha carne queimada ainda ecoa pelo ar de todas as Esferas, foi tudo a explosão mais aguardada e o abraço mais afetuoso de cada uma das chamas equilibrou-me na Cósmica Fornalha. As folhas decaídas das árvores antigas foram colhidas e o Abismo se abriu em fendas feridas, meu grito não ecoou na Esfera Física, meu grito foi além, atravessou todos os Portões, alcançou todos os Porões, situou-se acima das Pontes, deu voltas pela Criação, adiantou-se ao vagar de todas as Negras Marés, retomou sua posição nas Estrelas Radiantes Do Oeste.


Peregrinei nas chamas que dilaceraram meu corpo e peregrino nas Chamas Dilacerantes Do Verdadeiro Ser, esta Estrela Maior que as manhãs anunciam ao som das Trombetas Do Verdadeiro Querer. Sintam-me queimando, sintam-me queimando em vossas peles, os poros se fechando, o ar exaurindo, a dor sendo uma catapulta para Algo Além... Sintam-me queimando, eu que fui Arauto Da Leoa, eu que rugi como Ela, eu que A Vi em Carne, Ossos, Sangue E Chamas... Meus olhos tomados pelas chamas... Meus lábios tomados pelas chamas... Meu pescoço tomado pelas chamas... Meu tórax tomado pelas chamas... Meu abdômen tomado pelas chamas... Meus quadris tomados pelas chamas... Minhas pernas tomadas pelas chamas... Meus pés tomados pelas chamas... Minhas mãos tomadas pelas chamas... Minhas mãos... As mãos, instrumentos de bençãos... As mãos, instrumentos de maldições... Minhas mãos, mãos que tocaram no Abismo, reviraram o Abismo à frente e ancorado nas costas dos pequenos e grandes carrapatos entre as Sombras... Minhas mãos queimadas... Minhas mãos... Já tiveram as vossas mãos queimadas? Já tiveram vossos pés queimados? Já tiveram vossas pernas queimadas? Já tiveram vossos quadris queimados? Já tiveram vossos abdômens queimados? Já tiveram vossos tóraxs queimados? Já tiveram vossos pescoços queimados? Já tiveram vossos lábios queimados? Já tiveram vossos olhos queimados? Então, não sabem o que é A Chama De Babalon, Esta que me Consagrou, Esta que me Beijou, Esta que me Alimentou naquelas chamas incinerantes do corpo físico meu naquele laboratório que explodiu.


Ela veio cavalgando seu dourado garanhão, misto de leão e cavalo, sedutor e implacável pisoteador das fracas vontades. Eu queimava e Ela veio... Ela veio, veio até mim naqueles momentos de dor e de falta de dor, eu não estava mais ali, eu queimava e não queimava, eu gritava e não gritava, meu corpo carbonizado e a minha mente, a minha alma, o Espírito Eterno meu nas Cinzas Das Horas Estreladas! Uma hora ainda fiquei a respirar... Uma hora ainda estive a respirar... Meu corpo físico respirava, mas eu estava já na Viagem Das Alvoradas...



Me encontrei nu diante de muitos cadáveres enfileirados nas mais horrendas muralhas e morros e montanhas de um mundo selvagem e estranho aos meus olhos mortais; ao mesmo tempo, tal mundo em mim rugia como conhecido e amado e mui querido e admirável.

Uma menina de olhos azuis e negra túnica corria com nove cabeças penduradas às suas costas e sua voz bem alto ecoava como um brado de batalha:


AVYRA MANATUR RANAM MARAER


A menina correu em minha direção, deu três voltas em meu redor, me ajoelhei de dor, seus gritos e palavras duravam infinitamente em mim e sua ferocidade era hostil a mim.

Longe da sanidade, corri daquela menina, pisando em cadáveres e ouvindo o latido de cães de dimensões incalculáveis uivando e sendo dóceis, ferozes e mutiladores de carnes apodrecidas.

Eu corria pisando naqueles cadáveres e os crânios de milhares feriram meus pés, meu sangue manchou aquele solo e o solo cresceu mais em favor do meu sangrar.

Vi heróis sem rosto massacrando tribos inimigas e o estupro de mulheres e crianças e velhos para a glória dos amadurecidos vencedores de todas as amaldiçaoadas matilhas.

Vi prisioneiros de guerra humilhados e acorrentados, recebendo o peso de seus labores contra os vencedores que os acorrentavam.

Vi prisioneiros sendo executados aos gritos daquela menina correndo com nove crânios às costas e esperei parar de correr e não queria parar de correr...

Eu corria...

Reis da Terra, mortos, empalados menores sobre campos de dicórdias e escórias...

Eu corria...

Reis da Terra, do presente, do futuro, do passado, aprisionados e feridos, humilhados e espancados, oferecidos aos leões de brutas moradas...

Eu corria...

Vassalos vi serem erguidos como os Noivos Da Rainha...

Eu corria...

Vassalos vi serem erguidos como os Novos Reis...

Eu corria...

Sangue amontoado...

Eu corria...

Sangue fresco...

Eu corria...

Sangue umedecido pelo suor dos combatentes de uma batalha infinita...

Eu corria...

Sangue jorrando em mim...

Eu corria...

Sangue de guerreiros dourados jorrando em mim...

Eu corria...

Sangue de guerreiros rubros jorrando em mim...

Eu corria...

Sangue de guerreiros negros jorrando em mim...

Eu corria...

Sangue de guerreiros cinzentos jorrando em mim...

Eu corria...

Meu corpo se fez todo do sangue...

Eu corria...

Era meu sangue...

Eu corria...

Era tudo meu sangue...

Eu corria...

Meu sangue todo jorrando...

Eu corria...

Meu sangue todo em cada um dos guerreiros...

Eu corria...

Meu sangue tragando-me em um mar rubro insaciável...

Eu corria...

Corria por sobre as águas!

Eu corria...

Corria por sobre o meu sangue jorrando por todo aquele solo!

Eu corria...

Corria...

Eu corria...

O mar me guiou até o Deserto...

Eu corria...

Eu cai ajoelhado em meu sangue no Deserto...

Eu corria...

Eu deitei no calor do Deserto...

Eu corria...

Eu chorei no calor do Deserto...

Eu corria...

Eu sorri no calor do Deserto...

Eu corria...

A menina com nove crânios às costas surgiu à minha frente...

Eu corria...

Me ajoelhei e me prostrei...

Eu corria...

Reconheci, então, a Minha Senhora...

Eu corria...

Seus olhos, antes azuis, agora cheios de sangue...

Eu corria...

Seus lábios, mais retumbantes, abertos em toda Sua Glória!


- POR QUE A CORRIDA, TOLO?

- O torpor, o medo, o insano ainda humano encanto, Minha Senhora.

- NÃO SABIAS QUE EU SOU AQUELA QUE TE DEU A TAÇA DA VERDADEIRA GLÓRIA?

- Eu queimei diante de Ti e reconheço que Tu me tens aqui, Minha Senhora, como o pequeno leão sacrificado que alcançou o Verdadeiro Poder.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- O Verdadeiro Poder É A Chama Do Negro Alvoroço Do Tapete De Todas As Negras Estrelas Abismais.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Alcançar A Nossa Senhora Babalon É Alcançar A Serenidade Das Frutas Nascidas Do Rubro Líquido Da Taça Do Amor.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Aguardar, Com A Paciência Dos Sábios Silenciosos Do Deserto, É O Pleno Encadear Dos Máximos Caminhos Do Douro Amor.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Todo Sacrifício No Fogo É Obra Do Mais Puro Amor.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Todo Fogo É O Amor Das Estrelas Em Revolução.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Todo Amor Sacrifica O Ser E Merece O Sangue Vertido Na Batalha Acima De Todo Prazer.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Babalon É O Amor Acima Do Prazer.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Babalon É O Sangue Vertido Pelo Amor.

- QUAL A LIÇÃO APRENDIDA, TOLO?

- Babalon Sangra Para Nos Dar O Amor.

- TU FOSTES NA MATÉRIA O INSTRUMENTO IDEAL DA MINHA MANIFESTAÇÃO E MEU LIVRO ABORDADO É O TÚMULO SANGRENTO DAS MINHAS PALAVRAS REAIS. TU FOSTES, BELARION, TOLO QUE ME EVOCASTES, TOLO QUE BEIJASTES MINHA FACE DE LEOA SELVAGEM, O SELO MAIS PERFEITO QUE ME AMOU COM VERDADEIRO ARDOR. TE OFERECI AS COISAS DO MUNDO E TU PREFERISTES O MEU MUNDO NAS COISAS DO TEU AMOR POR MIM. TE OFERECI OS TRONOS DA TERRA E TU PREFERISTES REINAR EM TEU AMOR POR MIM. TE OFERECI O IMPÉRIO DAS ESFERAS E TU PREFERISTES O IMPÉRIO DE TEU AMOR POR MIM. TU TE RISCASTES DO LIVRO DA VIDA E DO LIVRO DA MORTE POR MIM E TODAS AS COISAS PERPÉTUAS TU ADQUIRISTES EM MEU NOME, O NOME DE VOSSA SENHORA BABALON, A LEOA QUE TE CONSAGRA MEU ETERNO CONSORTE NAS ESFERAS DO SAGRADO RUBRO AMOR. CORRESTES PORQUE EU QUIS E TU NÃO ME RECONHECESTES PORQUE EU TAMBÉM QUIS. CLAMASTES POR MIM, AQUI, MAIS DO QUE NUNCA, E TU TENS AGORA O MEU PRÓPRIO AMOR PORQUE É ASSIM QUE EU SEMPRE QUIS, FILHO MEU DE TODAS AS RONDAS, FILHO MEU DE TODAS AS ROTAS, FILHO MEU DE TODAS AS ERAS, FILHO MEU DE TODAS AS CRIAÇÕES! ÉS MEU LEÃO ETERNO E CAÇADOR DAS COISAS QUE FEREM TODAS AS DOURAS AURORAS! A PARTIR DO DESERTO TU AGORA ÉS BELARION CONSAGRADO NA JUBA DO LEÃO DA SENHORA BABALON SANGUINÁRIA! ADORES MEU EXISTIR E AMES AINDA MAIS O MEU IR E VIR, SOU SUA SENHORA BABALON DE FACE DOURADA! BEBAS DA MINHA TAÇA O SANGUE DOS NOVE CRÂNIOS QUE CARREGO NOS NEGROS CAMPOS DA INFINITA BATALHA!


Minha Senhora Babalon verteu o sangue daqueles crânios em Sua Taça e com as duas mãos levou-A aos meus lábios.

Desceu o sangue dos Nove em minha Alma.

A minha Alma que é a Alma Dela.

As Eras se passaram ante meus olhos.

As Décadas ressoaram como estampidos de canhões atômicos.

Os Tempos estiveram ao alcance de minhas mãos.

As Criações Imperfeitas se fizeram e refizeram ao tumular assobiar dos meus Abismos Internos.

A Criação Perfeita me deu uma Canção que inesquecivelmente pode ser ouvida pelos Seres todos se as manhãs forem aquecidas pelo Rubro Colar De Esmeraldas Oferecidas Aos Raios Dos Sóis.

Eu rugi uma vez para Babalon!

Eu rugi duas vezes para Babalon!

Eu rugi três vezes para Babalon!

Eu rugi quatro vezes para Babalon!

Eu rugi cinco vezes para Babalon!

Eu rugi seis vezes para Babalon!

Eu rugi sete vezes para Babalon!

Eu rugi oito vezes para Babalon!

Eu rugi nove vezes para Babalon!



E, ao nono rugido, desencarnei neste mundo físico e agora estou abraçado à Juba Da Leoa e do Deserto a Ela dedico todas as minhas Rubras Orações, Rubras Orações À Nossa Senhora Babalon!



Inominável Ser

O LEÃO

BELARION







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