domingo, 29 de março de 2009

Um Travesso Menino E Seus Amados Brinquedinhos


Esperança sagrada é o sorriso de uma criança e é de um menino mui esperançoso que vamos aqui falar com sóbrio carinho. Um menino que é um ungido, ungido pelos métodos dos assassinos. Um menino que aos dois anos teve em um dos seus carrinhos os cinco dedinhos da mãozinha direita de sua irmãzinha de seis meses de idade.


Da classe privilegiada dos mais nobres ricos do mundo, herdeiro de fortuna na casa fantástica dos bilhões, mimado e acarinhado com grande espetáculo. Apesar de ser hoje um adulto de vinte e três anos, nosso menino ainda é tratado como o mesmo bebêzinho que fora nos braços de seus pais. Bonito, cresceu tendo tudo, cresceu lendo tudo, cresceu juntando entre os seus brinquedinhos os dedinhos das mãos dos seus amiguinhos de escola.


Protegido pelos pais, pela rica família, pelos quatro irmãos mais velhos, pelos dois irmãos mais novos, o nosso menino foi avançando em sua trajetória de sempre ser um amigo dos dedinhos de toda criatura que neste mundo respira. Colecionador de dedinhos, arrasou com a fauna de seu bairro, gatos e cães com as patas decepadas, pequenos outros animais com as patas decepadas, a loucura decepadora de um menino rico não tinha escolhas óbvias.


Regido por sentimentos detalhistas de um arremedo de ser humano que tentava se equilibrar entre seus momentos de lucidez e momentos de pura fuga da lucidez, nosso menino foi crescendo, como já sabemos, e incrementando outros elementos aos seus brinquedinhos, os seus amados brinquedinhos. Os bicos dos seios da primeira namoradinha foram parar nos bolsos da roupinha de um dos seus bonequinhos preferidos, a menininha de doze anos mutilada foi pelo monstrinho de treze anos, a idade, então, que novas preferências o nosso menino encontrava e desenvolvia.


O dinheiro, ah, o dinheiro nas mãos dos privilegiados é bastante armador de ocultamentos vários, pois dota qualquer boçal que tenha nascido provido dele aos montões de um certo poder influenciador dos mais eficientes. Os pais do nosso menino, do nosso querido menino brutal e desumano, mais uma vez repito, junto com a família toda, agora incluindo avós maternos, avós paternos, tios, tias e primos, abafava os casos mais grotescos das travessuras do monstrinho que tinham em suas mesas de refeições. Travessuras como queimar todo o corpo de uma das empregadas da família com um ferro de passar roupa e estuprá-la com um cabo de vassoura, o cabo de uma faca, um pepino e uma cenoura aos quinze anos.


Nosso menino, nosso vilãozinho, entre Ferraris, Porsches, Rolexs, Picassos, Renoirs, tudo que os bilhões de uma fortuna familiar pode adquirir, se aventurava ainda mais em sua trajetória desmembrante de qualquer coisa que se possa imaginar respirante. Aos dezesseis, a maior travessura foi arrancar o olho esquerdo de um chofer da família por ele ter se atrasado ao buscá-lo na escola; aos dezessete, a maior travessura foi ter estrangulado uma mendiga que dormia sempre no portão de entrada de sua mansão de sessenta quartos; aos dezoito, a maior travessura foi ter queimado com ácido dezenove veteranos da faculdade de Direito para a qual fora aprovado após aqueles tentarem pegá-lo em um trote; aos dezenove, a maior travessura foi ter enfiado no cu de um dos seus professores de faculdade a caneta de ouro do mesmo por ter tirado 9,5 em uma prova de Ética, pois sempre tirava dez em todas as matérias, o nosso menino, senhoras leitoras, senhores leitores, é dez, é dez, é dez; aos vinte, a maior travessura foi ter arrancado o couro cabeludo de sua trigésima nona namoradinha, de dezoito aninhos, além, claro, sua tara, ter arrancado os bicos dos seios dela, como fizera com a primeira e com as demais; aos vinte e um, a maior travessura foi ter aberto ao meio o tórax de um rival seu na faculdade por causa do mesmo ter lhe sobrepujado na conquista daquela que seria sua quadragésima namorada, vinte e dois aninhos, peituda, popozuda e burrinha como a maioria das mocinhas riquinhas das faculdades; aos vinte e dois, a maior travessura foi ter embebedado e estuprado sete amigas dele de faculdade, incluindo a peituda-popozuda-burrinha que conseguiu fazer sua quadragésima namoradinha, arrancando-lhe, claro, o couro cabeludo e os bicos dos seios; e, aos vinte e três anos, nosso menino, o orgulho dos tiozinhos psicopatas, cometeu sua travessura maior!


O aniversário de nosso menino coincidiu com a sua formatura, muitos amigos ele fizera nos anos de estudo do Direito, amigos em torno de duzentos, que, por causa da sua bilionária fortuna a apagar-lhe as travessuras, nada sabiam das mesmas. Toda a família, quatrocentas pessoas, mais amigos da família, duzentas e sete pessoas, convidadas para a comemoração tanto do aniversário do monstrinho mais mimado do planeta quanto da formatura de mais um advogado, esta carreira tão detentora de monstros mascarados de falsos homens e mulheres padronizados em seu único desejo que é o desejo de fazer do Direito uma chance de pura ascensão social. Na carreira correta, o nosso menino se formava, assim como os vinte e três anos, corretamente vividos sob o poder do acobertamento proporcionado pelos bilhões de sua família, corretamente por ele foi comemorado. A maior travessura de sua existência bilionária e sanguinária foi ter envenenado todos os convidados, que em disposição geométrica perfeita ficaram dispersos pelo chão de sua mansão correspondente a cinco quarteirões de um bairro. Com a paciência de um monge recluso, nosso menino, filmando tudo com as noventa câmeras que instalou na mansão para a festa, decapitou cada cadáver e amontou as cabeças, oitocentas e sete cabeças, em oitocentos e sete carrinhos que encomendara, por toda a mansão. Os cento e doze garçons, os setenta empregados da mansão e os cento e vinte seguranças da família, que estavam na festa, também envenenados foram, decapitados foram, e suas cabeças foram utilizadas para que, pela madrugada festiva de nosso menino, ele jogasse futebol em seu campo particular no terreno de sua mansão.


Nós temos que nos orgulhar de nosso menino! Temos que nos orgulhar! Mesmo divulgando na Internet o seu joguinho de futebol e as cabeças decepadas dos convidados de sua festa, incluindo as dos pais que mimaram-no e protegeram desde as suas primeiras travessuras, ele não foi encarcerado, ele não foi julgado, ele não foi internado, sua genialidade, QI de 280, foi suficiente para fazer com que todos neste nosso Brasil pensassem que as imagens eram de um filme de terror; um filme que, olhem só a genialidade de nosso menino, ele roteirizou, editou e lançou com grande sucesso no mercado internacional! Devemos ou não termos orgulho de nosso menino, um brasileirinho tão genial, um craque em sua monstruosidade? Pois, em um país como o Brasil no qual jornalistas que assassinam namoradas pelas costas e médicos que esquartejam namoradas e policiais que assassinam jovens pelas costas são considerados aptos para a convivência social, julgados inocentes e soltos, é claro que um travesso bilionário de gostos psicóticos exigentes e elevados também pode se dar bem! Até pode chegar a Presidência Da República, nosso menino tem futuro, o Brasil é uma grande mãe para a conquista de um lugar ao sol de muitos meninos como ele! Que talento tem o nosso menino, o orgulho de uma nação onde os monstros nascidos em oceanos de dinheiro e influência são os regentes absolutos de seus destinos!



Inominável Ser

UM TRAVESSO

MENINO






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2 Cadáveres Aqui Escavaram Suas Covas:

Átila Siqueira. disse...

Gostei muito de seu texto, meu amigo, você é bastante criativo ao criar tudo isso. Meus sinceros parabéns.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.

Inominável Ser disse...

Imagens e mensagens de uun Brasil nada tropical e alegre, Átila, um conto de terror... real...

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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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