domingo, 24 de maio de 2009

Aprisionado No Pesadelo Do Meu Quente Escuro Quarto



Me acalmo neste momento, se isto no qual estou pode acalmar-me em algum momento... Eu existia como uma fruta de uma árvore bem erguida, frutificando nas estações frias, morrendo nas estações amargas... Mas, agora... Não sei se faço uma oração ou amaldiçoadamente meto uma porrada no olho do cu dos que eu acreditava que me ajudariam a evoluir... Toda a minha raiva contra Eles... Todo o meu ódio contra Eles... E os olhos dos cus Deles amaldiçoados sejam... O olho do cu de Deus... O olho do cu dos Anjos... O olho do cu dos Santos... O olho do cu dos Órixas... O olho do cu de todas essas mentiras religiosas... Deus, Anjos, Santos, Órixas, toda a merda das "Falanges Da Luz" são Egrégoras, Vampiros, desgraças inúteis seguidas por pessoas tão inúteis quanto eu era antes disto... Antes de ficar aqui aprisionado... Tudo empenhei... Tanto lutei... Muito ganhei... Tudo perdi... Travas em meu redor... Correntes arrasto... Um gemido... Meu gemido... Este meu gemido... Aprisionado aqui agora neste meu quarto...


Aqui, tão quente...


Aqui, muito quente...


Aqui, bastante, demais, quente...


Escuro...


Muito escuro...


Algumas sombras dançam...


Algumas sombras sorriem...


Algumas sombras riem...


Riem de mim...


Zombam de mim...


Algumas sombras zombam de mim...


Posso ouvir o zombar delas...


Posso ouvir cada zombaria delas...


Posso ouvir a zombaria Dela...


Minha prisão aqui começou durante aquela madrugada, naquele pesadelo, no qual eu estava com os meus olhos abertos fora do corpo. Eu descansava de mais um dia de trabalho e algumas horas de lazer na escrita e na poesia minhas, minha mãe dormia no quarto ao lado. Era uma segunda-feira, um dia no qual eu sempre chegava mais cansado em casa do que normalmente chegava nos demais dias da semana. Acendi uma vela para "Santo Antônio" e firmei perto do portão da minha casa um ponto riscado para meu "protetor", o "pai" da minha "coroa", Exu; rezei para meu "Anjo-Da-Guarda" e fui dormir. Aquele pesadelo... Não, este pesadelo! Este pesadelo! Este pesadelo... Ele surgiu não sei de qual lugar, conhecido ou desconhecido, mas me vi em meu quarto e ouvindo a voz de minha mãe...



- Wallace...



Ela me chamava e eu ouvia, mas...



- Wallace...



Ela sussurava, me chamando, mas...



- Wallace...



Aqueles chamados dela, me preocupavam...



- Wallace...



Eu tentava acordar, mas...



- Wallace...



Eu queria acordar, mas...



- Wallace...



Sufocado...



- Wallace...



Eu estava ficando sufocado...



- Wallace...



Muito sufocado, eu não acordava!



- Wallace...



Por favor, isso se repete, não!



- Wallace...



Não acordava, ela me chamava, eu me preocupava, eu me sufocava!



- Wallace...



Sentia meu corpo balançar na cama!



- Wallace...



Sentia um peso em minha garganta!



- Wallace...



Sentia meu corpo congelar!



- Wallace...



Sentia mãos congelando-me o peito!



- Wallace...



Mãe, mãe, eu te ouvia, mas não acordava, não acordava!



- Wallace...



As mãos me congelavam, as mãos Dela!



- Wallace...



Não conseguia acordar, ouvia, ouvia, ouvia, apenas ouvia, a minha mãe me chamar!



- Wallace...



Queria acordar, eu queria acordar!



- Wallace...



Não conseguia, não conseguia, acordar!



- Wallace...



Eu estava sendo aprisionado!



- Wallace...



Ela estava me aprisionando!



- Wallace...



Ela me puxava para Seus braços!



- Wallace...



Ela...



- Wallace, meu filho...



Ela...



- Wallace, meu queridinho...



Ela...



- Wallace, vem cá com a mamãezinha querida, vem...



Você imitou a voz da minha mãe e me aprisionou aqui!



- Wallace, o que está acontecendo? Eu sou a sua mamãe!



Não, me liberte daqui, me liberte!



- Wallace, não quer ficar com a sua mamãe mais?



Você não é a minha mãe!



- Wallace, que feio, logo na frente dos outros está fazendo malcriação? O que vão pensar de ti, meu filhinho amado e querido?



Me liberte, Senhora, me liberte, eu clamo por liberdade, minha liberdade, por favor!



- Sou a sua mãe, Wallace, e eu te quero aqui mesmo.



Isso aqui não...



- Ah, Wallace, aqui vai ser para sempre a sua casa! Gostas dela, não gostas?



Quero...



- Não, Wallace, a mamãe não gosta de sol, aqui para sempre vai ser escuro, tu gostas de escuro, não gostas?



Quero a minha verdadeira mãe...



- Sou a sua verdadeira mãe, Wallace, não me reconheceu ainda?



Por que estou preso aqui?



- Por que estás preso aqui?



Por que não me liberta?



- Por que não te liberto?



Eu te fiz algo?



- Tu me fizestes algo?



O que eu te fiz?



- O que tu me fizestes?



Meu corpo está naquela cama de hospital, eu quero...



- Hospitais humanos fazem mal, Wallace, os da minha Ciência curam melhor.



Quero meu corpo!



- Não, tu não vais, Wallace, sair daqui, eu te amo muito, tu ficarás para sempre comigo aqui, já vos disse isso tantas vezes...



Amor?



- Nem todos são escolhidos para ficarem assim aprisionados, Wallace, nem todos...



Quem ordenou isto?



- Não foi nada que tu conheces bem, Wallace...



Quem ordenou isto?



- Nada E Alguém, Wallace...



Quem...



- Quem, Wallace, quem?



Meu...



- Seu Deus, Wallace? Que Deus, Wallace?



Preciso sair daqui...



- Não lutes de novo, Wallace, a mamãe aqui não vai te libertar.



Piranha, vá tomar no cu!



- Olha a língua, Wallace, a mamãe não gosta disso! O que os outros vão pensar de ti te ouvindo dizer isso para a sua mamãe?



Eu vou...



- Não, não, não, Wallace, tu nunca poderás me bater, eu sou a dona deste quarto quente, escuro e delicioso...



Meu quarto!



- Não, meu quarto, Wallace, eu nasci aqui.



Não vou...



- Vai, sim, Wallace, vai ter que se conformar com isto aqui, bem quente, bem escuro, delicioso, como a vossa morada para sempre! E eu nunca vou sair daqui, meu filho, nunca vou te abandonar!



Quero sair daqui...



- Não vais sair, Wallace, temos muito o que conversar, estivemos tanto tempo longe um do outro...



Quero meu corpo...



- Não, Wallace, há vinte e dois anos o seu corpo já nem mais te pertence.



Quero...



- Não, Wallace, há vinte e dois anos sou eu que quero tudo para ti e por ti.



Quero...



- Cale a boca, Wallace, ninguém vai te ouvir aqui. Seus pais não moram mais nesta casa. A sua casa foi até derrubada. Construiram um prédio no terreno. Isso tudo não te contei até hoje. O seu corpo não resistiu, hoje apenas forma um monte de ossos, os vermes já há muito saborearam-te a carne. Eis nas minhas mãos os vossos ossos.



Não...



- Aqui, Wallace, o vosso crânio.



Não...



- Contente-se, Wallace, com este vosso quente, escuro e delicioso quarto mantido por mim aqui para abrigá-lo. Ninguém nos atrapalha aqui. Ninguém nos percebe aqui. Este prédio está cheio de cegos que sequer sabem que nós estamos aqui.



Não, mãe...



- Isso, Wallace, meu bom menino, deita na cama, descansa, vou te fazer um cafuné...



Sim, mãe...



- Peço que perdoem ao meu filho, ele sempre se rebela de vez em quando. Mas, nunca vai sair de sua morada agora, podem contar com isso. Um filho de Carcereira jamais foge de sua Mãe. Jamais, amigos, gozem bem de vossa liberdade e orem aos vossos Deuses ou aos vossos Demônios a fim de não terem uma Carcereira como Mãe.



Perdão, mãe...



- Perdoado tu estás, Wallace, pela milionésima quinta vez. Fica quietinho agora, meu cafuné vai te aquecer mais e escurecer muito mais a nossa amável morada quentinha, escurinha, deliciosinha...




Inominável Ser

NÂO-FILHO

DE UMA

CARCEREIRA










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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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