terça-feira, 12 de maio de 2009

Meus Pratos Caiam Das Mãos Dos Fantasmas...


- Eu ouvia... Ouvia, sim... Muito, muito, muito... Sabe, era sempre à noite, zumbia muito... Era sempre um zumbido lento, primeiro... Lento... Lento... Muito lento, sabia? Mais lento do que um dia de inverno... Brinquei muito na neve, sabia? Mais lento do que uma tartaruguinha... Já criei um monte de bichinhos, sabia? Um zumbido baixinho... Eu ouvia aquilo... Toda noite... Toda noite... Toda noite... Não era mosquito... Não era mosca... Não era barata... Não era formiga... O zumbido tinha muita força... Me machucava... Me amedrontava... Me fazia encolher em um cantinho da cozinha, entre os pratos que ficavam estocados em um pequeno armário azul... Não, era branco... Não, era cinza... Não sei, o armário na cozinha com os pratos era de qualquer uma destas cores... E cada prato... Cada um... Eu gosto de pratos desde criança, sabia? Muito... Gosto muito... Muito mesmo... Mamãe me dava pratos todo mês, eu tinha uma coleção, de quase todo o país, de quase todo o mundo... Papai trazia lá de fora uns pratos junto com talheres de altíssima qualidade, a gente era muito rico... Minha esposa gostava de pratos... Minhas filhas gostavam de pratos... Ana Maria era o nome da minha esposa... Aninha... Renata... Renatinha... Tatiane... Tatinha... Ticiane... Tiquinha... Gláucia... Glaucinha... Sílvia... Silvinha... Minhas cinco filhas... Nossas cinco filhas... Menininhas bonitas, pequenas, crianças que gostavam dos pratos de nossa casa... Mas, Eles não gostavam... Eles não gostavam... Eles não gostavam! Não gostavam, não! Não gostavam, não! Não gostavam, não! Não mesmo... Não gostavam da Sílvia... Silvinha... Não gostavam da Renata... Renatinha... Não gostavam da Ticiane... Tiquinha... Não gostavam da Tatiane... Tatinha... Não gostavam da Gláucia... Glaucinha... Não gostavam da Ana Maria... Aninha... Eles queriam as minhas filhas... Eles queriam a minha esposa... Queriam? Será que queriam? Posso dizer que queriam? Não sei, minhas certezas fugiram todas... Não sei o que queriam, mas Eles quebravam meus pratos... Eles quebravam os nossos pratos... Toda noite... Toda noite... Toda noite! Toda noite! Toda noite! Meu cantinho na cozinha ninguém sabia, todo mundo dormia lá em casa e eu ficava lá perto dos meus pratos... Perto do pratos da minha família, eu ficava lá, gostava de ficar lá perto, guardando tudo, toda noite, bem de noite, nem dormia mais, ficava sempre ali toda noite, ali pertinho dos pratos... Tomava conta deles... Tomava conta, mas... Aqueles homens não me temiam... Aquelas mulheres não me temiam... Eu não os amedrontava... Aqueles fantasmas todos... Não contava... Eu não contava... Não contava quantos eram, todos se moviam pela cozinha, a cada noite eram rostos diferentes... Muitos rostos... Muitos rostos... Não sabia que rostos eram aqueles... Eu não sabia... Eu estava sonhando, viveciando um pesadelo, não dormia... Ou será que eu dormia? Ou será que eu conseguia, alguma vez, dormir? Eu transava com a Aninha todo dia... A gente gostava muito de sexo, sabia? A gente gostava de transar todo dia, sabia? Ela dormia depois, mas não sei se eu dormia junto com ela... Não lembro da nossa cama... Não lembro de sentir a nossa cama... A gente quebrou vinte camas, sabia? A gente se amava muito, sabia? A gente nunca brigou, sabia? A gente era feliz junto com as nossas filhas, sabia? Felicidade lá em casa até a chegada deles, os fantasmas... Meus pratos caiam das mãos dos fantasmas... O barulho dos pratos caindo não me fazia dormir, mas a Aninha e as minhas filhas dormiam... E eu não dormia... Não estava conseguindo mais dormir... E aqueles fantasmas quebravam os pratos... Eles, todos eles, quebravam meus pratos... Toda noite, os fantasmas faziam os pratos cairem das mãos deles, me machucavam... O barulho dos pratos me machucava... Aquele barulho... Tudo iam quebrando, toda noite! Tudo! Tudo! Tudo! Eu sofria com isso... Eles eram vários, quebrando os meus pratos... Vários deles, toda noite... Toda noite, iam quebrando os pratos... A tortura noturna, como em filmes de Terror que eu gostava de assistir quando criança... Eu gostava de filmes de Terror, sabia? Eu tinha uma coleção de filmes de Terror, sabia? Os filmes de fantasmas eram os meus preferidos, sabia? Sim, eu gostava muito! Sim, sim, sim, eu assistia quase todas as noites com a Aninha, antes dela ir dormir após a gente transar, a gente transava muito! Fantasmas eram meus personagens preferidos, sabia? Não me assustavam nos filmes, mas aqueles que quebravam meus pratos... Aqueles me assustavam... Aqueles me assustavam muito... Aqueles que me assustavam toda noite, quebrando os meus pratos, os pratos da minha casa, os pratos da minha família... Toda noite era aquilo, eles quebravam meus pratos... Quebrando tudo... Tudo, eu ouvia tudo sendo quebrado, tudo... Toda noite, toda noite, toda noite... Quebrando, quebrando, quebrando... Me torturando, me torturando, me torturando... A minha cabeça explodia... A minha profissão se tornava esquecida... Eu era um médico... Ou um enfermeiro... Ou um soldado... Ou um professor de faculdade... Ou um escritor famoso... Ou um poeta famoso... Ah, poeta famoso, não, atualmente há apenas imbecis pelo mundo que sequer podem compreender a Poesia! Eu não sei mais o que eu era... Mas, nós sabemos quem nós somos mesmos? Nós não sabemos quem nós somos na realidade de nossos pratos quebráveis, pratos carregando tudo o que nos alimenta de mentiras e de verdades, sabia? Talvez eu fosse um filósofo... Filósofo de botequim enfiando os dedos no rabo de uma prostituta em um beco sujo do centro do Rio... Mas, eu amava a Aninha e não procurava prostitutas! Eu amava a Aninha, não fazia isso... E os fantasmas a ameaçavam... Os fantasmas ameaçavam a Tatinha... Os fantasmas ameaçavam a Tiquinha... Os fantasmas ameaçavam a Silvinha... Os fantasmas ameaçavam a Glaucinha... Os fantasmas ameaçavam a Renatinha... Quebravam os pratos... Toda noite, quebravam os pratos... E faziam as ameaças... Eu ouvia cada ameaça... Todos ao mesmo tempo ameaçavam-nas... Todos aqueles fantasmas... Todos os fantasmas... A cada prato que eles quebravam, vinha uma ameaça, sabia? A cada prato, uma ameaça, quebrando minhas forças, quebrando a minha sanidade... Sanidade era um nome complexo para mim naquelas noites... Sanidade, já nem sabia o que significava sanidade... Minha mente morria! Eles matavam a minha sanidade! Eles quebravam a minha sanidade! Sanidade! Sanidade! Sanidade... Eu li isso em um livro... Li sobre o que era a sanidade... Ou foi em um filme que eu soube o que era sanidade? Por que agora venho falar de sanidade, eu não compreendo o que significa a sanidade? Por que essa palavra, sanidade, agora veio aos meus lábios? Não sei! Não sei! Não sei! Está tudo rasteiro, eu estou rasdtejando há muito tempo... Eu me encolhia naquele canto da cozinha, tapava os meus ouvidos todas as noites, mas os pratos continuavam sendo por eles quebrados e eu ouvia, ouvia, ouvia, casda um ser quebrado! Nos cacos, eu catava a minha sanidade... Droga, porque agora essa palavra, sanidade, se infiltra em mim? Por que, agora, sanidade torna-se um nome que os cacos de meus pensamentos tentam buscar? Li Psicologia demais... Li Psiquiatria demais... Estudei essas loucuras demais, não me levaram para longe deles aquelas leituras... Aqueles fantasmas quebrando meus pratos, quebrando a minha sanidade... De novo, esta palavra, sanidade, sanidade, sanidade! Não me lembro do significado dela! Somente me lembro de ouvir os pratos serem quebrados pelos fantasmas! Somente me lembro do quebrar dos pratos pelos fantasmas! Somente me lembro do quebrar dos pratos! Toda noite! Toda noite! Toda noite! Toda noite! Eu ouvia tudo sozinho! Sozinho! Sozinho! Sozinho! Só... Só... Só... Aquele cantinho da cozinha era para ser ocupado igualmente pela Aninha, pela Renatinha, pela Glaucinha, pela Tiquinha, pela Tatinha, pela Silvinha... Os fantasmas pediam as presenças delas... Os fantasmas queriam as presenças delas... Os pratos quebrados todas as noites e elas não ouviam nada! Não ouviam nada, sanidade! Não ouviam, sanidade! Sanidade... Sanidade... Sanidade... De novo, de novo, de novo! Quem pôs em meus lábios pela primeira vez essa palavra, a palavra sanidade? Não me lembro mais... Os pratos que os fantasmas quebravam me faziam esquecer de tudo que eu havia aprendido, sabia? E eles queriam ali comigo a Aninha, a Renatinha, a Glaucinha, a Tiquinha, a Tatinha, a Silvinha... Por anos... Ou dias? Por meses... Ou apenas um dia... Eles andaram quebrando os pratos em minha cozinha... E exigiam as presenças delas... Exigiam, mas elas não ouviam... Então, um deles me lembrou do que fazer para elas poderem ouvir... Um deles... Dois deles... Três deles... Quatro deles... Cinco deles... Seis deles... Todos... Todos eles... Todos os fantasmas... Todos os fantasmas me lembraram o que eu devia fazer para que elas ouvissem os pratos serem quebrados! Fui obrigado a fazer o que fiz, sabia? Fui obrigado, sabia? Fui obrigado, sabia? A faca maior da cozinha, eles me obrigaram a pegar, me deram seis pratos... Fui obrigado, sabia? Fui ao quarto de cada uma... Fui obrigado, sabia? Eu... Eu... Eu... Fui obrigado, sabia? Elas não ouviam, então levei os ouvidos delas comigo para a cozinha! Fui obrigado, sabia? Não, elas iam gritar, eu peguei a cabeça de cada uma em um prato para levar à cozinha, me lembrei que tinha um machado em casa! Fui obrigado, sabia? Não tive nenhuma culpa, eles queriam que elas ouvissem os pratos serem quebrados e me disseram que parariam de ameaçá-las caso eu as fizesse ouvir os pratos serem quebrados! Não tive nenhuma culpa, eles me prometeram tudo, prometeram parar de quebrar os pratos, prometeram parar de ameaçá-las! E elas ficaram tão bonitinhas com as cabeças naqueles pratos que os fantasmas não quebraram... Aninha estava linda... Tatinha estava linda... Silvinha estava linda... Tiquinha estava linda... Glaucinha estava linda... Renatinha estava linda... Lindas naqueles pratos, ouvindo os fantasmas quebrarem os outros pratos... Eles quebravam mais rápido os pratos agora... Elas agora estavam ouvindo tudo, ouvindo cada prato ser quebrado... Eu fiz uma festa com os fantasmas, comecei a quebrar os pratos também... E acabou todos eles em minha casa, tive que convidar meus vizinhos... Todo mundo em meu condomínio ouviu os pratos caindo das mãos dos fantasmas em minha cozinha, a festa teve muita gente, sabia? O senhor foi convidado, doutor?



Vamos, responda, Dr. Arnaldo Vasconcellos Carvalho Moraes de Brito, Nós estamos aguardando!



- O senhor ainda ouve os pratos serem quebrados pelos fantasmas?



Ah, Dr. Arnaldo, esta não foi uma resposta, Nós aguardávamos uma grande resposta de vossa parte...



- Sim, sim, sim, doutor, os fantasmas ainda quebram os meus pratos, sabia?



Vamos, Dr. Arnalsdo, Phd em Harvard, Phd em Sorbonne, faça perguntas mais incisivas, Nós estamos aguardando...



- Senhor Aureliano, por hoje a nossa consulta está terminada. Voltarei aqui amanhã no mesmo horário.



Ah, Dr. Arnaldo, vã capitalista da Psiquiatria Brasileira particular a serviço do Estado, Nós estamos decepcionados!



- Dr. Arnaldo, após esta primeira consulta, qual o diagnóstico mais aproximado?

- Bem, Cap. Jorge...



A mesma ladainha quase religiosa, ou já religiosa, Dr. Arnaldo, novamente... O mesmo quadro, a mesma condição, as mesmas considerações forenses repetidas há quarenta e seis anos... E esse policial, que Nós conhecemos familiarmente, sempre ouve o senhor com atenção, sempre, há trinta e sete anos... Alás, este hospital penitenciário que o senhor dirige está bem aprimorado, as novas práticas no tratamento dos psicopatas que aqui estão são revolucionárias. Parabéns, Dr. Arnaldo, sua fama alcança todo o mundo...



- ... um homem inteligente como o Dr. Aureliano Santana de Castro Luxemburgo Neto, pego nesta situação, fora da sanidade e fora da loucura, torna-se um caso raro, Cap. Jorge.

- Ele não está louco?

- Não.

- Então...

- Não há diagnóstico preciso agora, Cap. Jorge, pela primeira vez estou avaliando um caso como este...

- Se um cara que decapita a esposa e as cinco filhas, ainda crianças, e vinte e nove vizinhos, não for louco...

- Há vários tipos de loucura, mas o caso dele...

- Bem, Dr. Arnaldo, tenho que ir agora. Os advogados dele já estiveram aqui?

- Ontem, pela manhã.

- Ele era seu amigo, não?

- Não, foi meu aluno...

- Este caso...

- Não, cuido dele, Cap. Jorge, pode deixar...



Despeça-se do seu quase amigo policial, Dr. Arnaldo, e vá para a sua sala, isso, caminhando devagar pelos corredores, com a sua prancheta de anotações... Olhe, à frente vem aquela enfermeira que sempre usa uma calça branca apertada transparente, uma blusa fina transparente, calcinha e sutiã nada escondendo das apetitosas curvas e carnes... Nós sabemos que o senhor a deseja, mas a sua esposa, a Anita, com quem convive há dezenove anos, é um impedimento para um homem moralista cristão fervoroso como o senhor... Ah, não precisa nem flertar com a enfermeira, estupra a vagabunda em uma sala vazia aqui da clínica...



- Não!

- Dr. Arnaldo, falou comigo?

- Não, senhorita...

- Karla Andréia.

- Não, estava apenas pensando comigo mesmo em voz alta, muitos pacientes deixam-me assim...

- Tudo bem, Dr. Arnaldo. Quer que eu leve ao senhor um café?



Estupra ela na sua sala, é melhor, Nós garantimos vosso sucesso!



- Não!

- Dr. Arnaldo?

- Olha, Karla Andréia, avise à minha secretária que tenho que sair mais cedo hoje, por favor!

- Sim, mas o senhor...

- Senhorita, tenho que ir agora, por favor, avise à minha secretária!



Olha só o olharzinho dela de carinho e preocupação, Dr. Arnaldo, parece que a enfermeira sente algo pelo senhor... Mais devagar, Dr. Arnaldo, não corra pelos corredores! Mais devagar, Dr. Arnaldo, senão os enfermeiros o porão em uma camisa-de-força!



- Não!



O carro está próximo, mas o senhor chegou aqui apressadamente, correndo, derrubando enfermeiros, derrubando pacientes, agredindo os seguranças da clínica que tentaram controlá-lo! Quer matar alguém aqui que o impediu de chegar ao vosso carro, Dr. Arnaldo? Nós te ajudamos, Dr. Arnaldo...



- Não!



Vamos, liga o carro, Dr. Arnaldo! Ah, o senhor atravessou o portão fechado... O trânsito está fechado... Ei, sobe na calçada e atropela aquelas sete crianças com as mães voltando da escola, Dr. Arnaldo! Sobe, atropela, passa por cima depois, Nós gostamos de uma bela tragédia!



- Não!



Sinal fechado, quinze pedestres de um lado, vinte e dois do outro, atropela todos eles, Dr. Arnaldo, vai, atropela, Nós estamos contigo para todo tipo de sangrenta sesta!



- Não!



Joga esse carro à sua esquerda na frente do caminhão que vem na pista inversa, Dr. Arnaldo, tem seis adultos e cinco crianças nele, vai, joga, Nós apreciamos sangue esparramado na pista!




- Não!



A sua rua, entra com tudo, está cheio de crianças brincando nela, pais soltando pipas, atropela todo mundo, atropela, Nós sorrimos para uma chance de banharmos uma rua inteira com o sangue de merdas como essas!



- Não!



Vosso prédio, Dr. Arnaldo, isso, guarda o carro, corre para o elevador, mas mata primeiro o porteiro, esse porco do interior que tu tens que cumprimentar todo dia, bate a cabeça dele no chão até que o crânio se abra, Nós gostamos de assassinatos bem cruéis!



- Não!



Isso, Dr. Arnaldo, grita aqui dentro do elevador, grita, grita, grita, até que tu chegues ao vosso andar, Nós gostamos muito de te ouvir gritar!



- Não!



Entra, entra com tudo no vosso apartamento, que ocupa o quadragésimo andar inteiro deste vosso luxuoso prédio, Nós admiramos a vossa riqueza, Nós admiramos o vosso império financeiro erguido com os milionários tratamentos de assassinos e estupradores de alta classe, a mesma classe à qual tu pertences!



- Eu não estou louco, não estou louco, não estou!



Não existe loucura em ti, Dr. Arnaldo, Nós garantimos que não existe! Isso, vá para a sua cozinha, aquele cantinho da cozinha, Nós gostamos de cozinhas! Isso, sentadinho aí no cantinho, sentadinho!



- Por que eu?



Por que não o senhor, Dr. Arnaldo?



- Não quebrem os meus pratos, não!



Começamos a quebrar os vossos pratos, Dr. Arnaldo, Nós começamos a quebrar!



- Eu já fiz a Anita ouvir os pratos sendo quebrados, já fiz, porque não me deixam em paz agora?



Anita foi assassinada ontem, olhe para a cabeça dela acima daquele prato na pia... Olhe, Dr. Arnaldo, a sua obra-prima... Nós não vamos nos decepcionar novamente como nos decepcionamos com o Dr. Aureliano, vosso aluno; nem com a Dra. Cíntia, vossa aluna; nem com a Dra. Ruth, vossa aluna... Aliás, todos os vossos alunos, Dr. Arnaldo, nos decepcionaram!



- Por que me perseguem? Por que, há tantos anos, me perseguem?



Dr. Arnaldo, o senhor não tem muito tempo...



- Tempo?



Antes de chegar aqui, o senhor deixou uma trilha de sangue que Nós sorvemos...



- Não...



Sim, Dr. Arnaldo, o senhor estuprou e estrangulou aquela enfermeira, a Karla Andréia, em sua sala...



- Não...



Sim, Dr. Arnaldo, o senhor trancou todos os duzentos e onze funcionários da clínica e os quinhentos pacientes, pondo fogo no prédio e carbonizando todo mundo...



- Não...



Sim, Dr. Arnaldo, o senhor atropelou e passou com as rodas do seu carro por cima daquelas crianças e de suas mães...



- Não...



Sim, Dr. Arnaldo, o senhor atropelou e matou vinte pessoas que atravessavam a rua com o sinal fechado...



- Não...



Sim, Dr. Arnaldo, o senhor jogou aquele carro à frente daquele caminhão, matando os ocupantes dele, o motorista do caminhão e mais dezesseis pessoas em quatro outros carros, um acidente memorável provocado às gargalhadas, as suas e as Nossas...



- Não...



Sim, Dr. Arnaldo, o senhor atropelou e matou quarenta crianças e seus respectivos pais aqui na sua rua, correndo a 235 Km/h...



- Não...



Sim, Dr. Arnaldo, o senhor matou o porteiro, aquele porco do interior, esfacelando o crânio dele no chão...



- Não...



Agora, Dr. Arnaldo, o senhor tem que ir lá no quarto do seu filho, o Rômulo, leva o conjunto de facas inteiro, o conjunto mais luxuoso de facas aqui da cozinha, e termina o que começou ontem...



- Não...



Rápido, Dr. Arnaldo, o senhor tem que matar o seu filho antes que os vermes da Polícia e aquele seu quase amigo, o Cap. Jorge, chegue e te prenda, arranca as tripas dele, arranca os olhos dele, arranca as orelhas dele, arranca a língua dele, arranca a pica dele, arranca o coração dele e pega o machado com o qual o senhor decapitou a família do Dr. Aureliano, a família da Dra. Cíntia, a família da Dra. Ruth, as famílias de todos os seus alunos, outras famílias, e decapita ele...



- Não...



Rápido, Dr. Arnaldo, o senhor é o único que até hoje não nos decepcionou...



- Não...



Enquanto isso, Dr. Arnaldo, a gente continua deixando cair de Nossas mãos os vossos pratos...



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Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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