domingo, 24 de janeiro de 2010

Toca-Me, Azazel, Toca-Me...


Rompendo os limites entre

as forças presentes

na fronte delicada

da inspiração,

faço-me a Tua mulher,

Azazel...


Toca-Me,

Azazel,

Toca-Me...


Menina do Abismo,

Mulher Tua,

dá-me o absinto

da glória muda

que grita pelo prazer

das carnes gris...


Toca-Me,

Azazel,

Toca-Me...


Abro as pernas

como os céus se abrem

às luzes solares,

amado Azazel,

penetra-me,

penetra-me...


Toca-Me,

Azazel,

Toca-Me...


Saliva minha molha

teu órgão de eternas riquezas,

toco tua lira terna

que penetra-me

com fúria possante...


Toca-Me,

Azazel,

Toca-Me...


Suga-me,

suga-me os seios,

suga-me a vagina,

suga-me tudo,

meu Azazel,

meu amado Azazel...


Toca-Me,

Azazel,

Toca-Me...


Leva-me Contigo,

dentro de mim,

para os Leitos Infernais,

tenhamos Eternidades

em meio a lençóis

de chamas e fel...


Toca-Me,

Azazel,

Toca-Me...


Mulher Tua sou,

Azazel,

Toca-Me,

Toca-Me,

Toca-Me...


Toca-Me...


Toca-Me...


Toca-Me...


Azazel...


Azazel...


Meu Azazel...


Meu querido Azazel...


Meu amado querido Azazel...



O que vem a seguir ocorreu em outra vida, na qual a Imortal Memória de quem eu Sou estava Adormecida. Uma real história e uma lenda, ao mesmo tempo.



Faz pouco tempo que me encontrei com Ele, meu amor real, meu amor ideal transformado em uma realidade, depois de tantos homens que me tiveram, me decepcionaram e me enganaram. Até agora me surpreendo, Ele despertou em mim a poetisa que desde criança adormecia... Inspirada pelo cheiro Dele, pela pele Dele, pelos músculos Dele... As mãos, aquelas quentes mãos, mais quentes do que a de todos que me tocaram... Fervo ao sentir os dedos dele entre meus seios, dentro da minha vagina, fervo, fervo, fervo... As mulheres todas deveriam trocar os homens pelos Demônios, os Anjos Caídos, Eles são nossos altos ideais de Amor... Toda mulher deveria ter um Demônio como amante, a abrir-lhe as pernas como quem ativa uma porta de entrada para mundos infinitos de recheados prazeres inegavelmente magníficos... Mas, creio que elas não estão preparadas e nem eu estava, no começo, preparada para Azazel, que me encontrou, eu não fui em busca Dele. Estava em uma viagem, minha casa de campo em Campos do Jordão, solitária, triste, lendo Florbela Espanca sentada na mata em um belo dia de verão...



Súplica (III)


A prece que eu murmuro, a soluçar

Ao Deus todo bondade e todo amor,

É rezada de rastos no altar

Onde a tristeza reza com a dor!


A minha boca reza-a comovida,

Chora-a meus olhos, beija-a o meu peito,

Sonha a minh'alma sempre enternecida

Ao ver-te rir, ó meu Amor Perfeito...


Que o Deus do céu atenda a minha prece,

Embora eu saiba nesta desventura,

Que Deus só ouve aquele que o merece!


Mas vou pedindo ao Deus de piedade,

Que te conceda anos de ventura,

Como dias a mim de inf'licidade!...


21/07/1916”



E Deus Coroa Suas Filhas Com As Rosas Nascentes Nos Campos Das Súplicas Pelo Real Amor Mais Do Que Maior.



Não me assustei quando ouvi aquelas palavras, mas me levantei e olhei para trás. Foi a visão mais bela que já tive e, pela primeira vez, me senti viva... Nu, sorridente, forte, expressando no olhar coisas que fizeram arder todas as íntimas partes de meu corpo... Não tive medo daquele homem, apesar de ouvir muitas histórias sobre estupradores e maníacos de diversos tipos em São Paulo. Foi diferente, eu me senti protegida e envolvida pelo misterioso sorriso Dele, que me obrigou a, também, sorrir... Nunca fui uma oferecida, nem sou uma vagaba... No entanto, aquele homem, Ele... Por Deus, Azazel me enlouqueceu de amor logo à primeira vez que, diante de mim, o avistei!



Gosta de Florbela Espanca?

Sim, Giselle.

Meu nome...

Conhecido Por Mim Desde As Mais Altas Auroras Celestes.

Como?

Não Me Perguntes, Sintas.

Eu te conheço...

Todos Se Conhecem, De Alguma Maneira, Assim Cantam As Coroas De Salvação E As Coroas De Perdição.

Essas palavras parecem-me bíblicas...

São Sagrados Ensinamentos, Nosso Pai, Sagrado Pai, Argumenta Através De Escritos Momentos.

Deus...

O Pai.

Qual é o seu nome?

Azazel.

O mesmo nome do Anjo Caído?

Eu Sou Aquele Mesmo Azazel Caído, Giselle.

Queria não acreditar, mas... acredito que você esteja me dizendo a verdade, não sei porque...

Estivemos Juntos Lá.

Lá, onde?

No Alto Lar.

Você quer me dizer que eu e você estivemos no Céu?

Chames O Alto Como Quiser, Mas O Fato É Que Nós Dois Viemos De Lá.

Estou...

Confirmando Esta Verdade?

Isso não pode ser...

Tudo É, Giselle, Tudo É. Rasgamos O Ventre Da Pureza Com A Nossa Queda, Oferecemos Uma Chance A Nós Mesmos De Termos Glórias Neste Plano Quando Nos Apaixonamos Pelos Humanos. Quisemos, Caímos E Ficamos Nestes Imensos Padrões Vibratórios De Quedas E Mais Quedas.

Por que não estou no Inferno?

Nós Dois, Giselle, Estamos No Inferno, O Planeta Terra E Os Mundos Todos Onde Foram Lançados Os Que Quiseram Cair São O Inferno. O Que Muda É Apenas A Dimensão Na Qual Nos Encontramos, Seja Uma Dimensão Visível Ou Uma Dimensão Invisível. Mesmo Sem Me Ver, Tu Me Sentias Sussurrando Nomes De Amor Aos Vossos Ouvidos.

Durante as madrugadas, eu Te ouvia... Não sei... Isso tudo...

Por Que Ainda Ressoas Na Dúvida A Tua Alma?

Entenda-Me, Azazel... Estou aqui no meio da mata conversando com um homem nu... Um homem nu que me confunde... Um homem nu que diz que é “Azazel, O Anjo Caído”... Um homem nu que...

Tu Desejas.

Não...

O Que Temes, Giselle?

Você não me dá medo, me passa confiança... Não sei se estou sonhando, posso estar deitada aqui no meio dessa mata e sonhando com você...

Tu Sonhastes Muito Com A Chegada Do Verdadeiro Amor. Bem, Giselle, Aqui Estou.

Eu...

Medo, Sei.

Não, muito mais... Não posso crer que tudo aqui seja real... Você... Este dia... O que estou a sentir... Já fui machucada, magoada, ferida... Todos os homens que tive me enganaram, abandonaram, me fizeram chorar demais... E você, que nem sei se é mesmo um homem ou um fantasma... Este sol, este lugar, hoje, parece bem diferente, vejo algumas coisas em meu redor que usualmente não vejo... As plantas estão diferentes... Os cantos dos pássaros estão diferentes... O céu azul está diferente... Este sol que nos queima a pele, bem diferente... Ouço certas músicas, violinos e estranhos violões... Nunca vi aquela mulher lá atrás por aqui, tocando aquela lira negra... Nunca sonhei com nada disso tudo aqui que se revela muito novo para mim... Novo e reconhecível, tranquilamente, por mim... O que é isso tudo, Azazel? Você é mesmo um homem, um fantasma ou um “Anjo Caído” dentro de um sonho que estou tendo?

Sou Homem, Sonho E Realidade Caindo Diante De Vossos Verdadeiros Olhos. Toques Em Minhas Mãos, Giselle, Vamos Adiante Na Estrada Rumo Ao Meu Palácio De Eternidades.

Prefiro não tocar você...

Quer Que Eu A Toque?

Eu...

Quer Que Eu A Toque?

Azazel...

Quer Que Eu A Toque?

Não...

Quer Que Eu A Toque?

Pare...

Quer Que Eu A Toque?

Estou envergonhada... E sonhando... Apenas estou sonhando... Vá embora, seja você quem for, deixe-me livre neste sonho...

Liberdade, Toque Em Minhas Mãos E Tenhas A Liberdade. Toque-Me, Giselle, Deixe-Me Tocar-Te.

É um sonho...

Não Há Aqui Um Sonho, Há Uma Realidade.



Tirando o livro da Florbela Espanca em minha mão direita e o pedaço de pano azul no qual na mata estava deitada, me vejo nua, de repente. Não fiquei surpresa, nem revoltada, nem, surpreendentemente, envergonhada; me senti livre ali, nua, diante de Azazel, que sorria. E eu sorria com Ele, oferecendo-Lhe minha alegria, algo que há muito não sentia.



Deus, isto é um sonho...

Deus Clareia A Fogueira.

Para onde foram as minhas roupas?

Tu Não Precisarás De Roupas Para Onde Vamos.

Onde... vai me levar?

Tu Sabes.

Príncipe encantado... Sou uma boba que sempre sonhou com um príncipe encantado... Somente não imaginava que o tal príncipe encantado seria um Demônio...

Algo Contra Os Demônios?

Não, nada... Apesar de católica praticante, sempre me senti... atraída... pelos Demônios...

Todos Os Seres Humanos Sentem-Se Atraídos Pelos Demônios, Somos Feitos Da Mesma Estirpe Quedante E Da Mesma Espiritual Senda Viemos.

Queria que isso tivesse acontecido antes, Azazel...

Tudo Acontece Dentro Do Determinado Tempo Orientado Pelo Evoluir Das Coisas, Giselle. Nosso Toque, Nosso Reencontro, Nosso Momento Perfeito Na Escola Da Imortalidade Dos Espíritos Imperfeitos Que Somos Está Escrito Nas Letras De Fogos Das Leituras Abissais. No Inferno Que Compartilhamos, No Plano Infernal Que Somos Obrigados A Percorrer E Que Se Chama Terra, Necessitamos De Uma Corrente De Necessárias Lições Até Que Alcancemos Aquilo Que Buscamos Desde Que Éramos Lá Do Alto.

Lembro, ainda, das Chamas Das Altas Estrelas... Deus, como me lembro...

Deus Não Tem Mais Nada A Ver Conosco, Giselle, Não Agora.

Não somos Filhos Dele?

Somos, Mas, Agora, Ele Não Tem Nada A Ver Conosco, Estamos Distantes Daquelas Antigas Glórias E Construímos Novas Glórias.

Ouvi dizer que há felicidade no Inferno...

Sim, As Terrestres Alegrias, Poucas, São Parte Dos Carnais Prazeres. Prazeres Que Contigo, Em Nome Da Hierarquia Infernal E Não Em Nome De Deus, Quero Ter E Dar-Te, Receber De Ti E Acolher Em Mim O Que De Ti Está De Eterna Carnal Riqueza.

Seu convite é irrecusável, Azazel... Sua beleza é a maior que já vi...

Toca-Me.

Não sei se estou preparada...

Toca-Me, Giselle.

Posso... tocá-Lo?

Toca-Me, Giselle.



Com sorrisos em nossos rostos, nos aproximamos um do outro, estendendo nossas mãos. Eu não soltei o livro da Florbela Espanca, continuei a segurá-lo; Ele percebeu e sorriu mais ainda, abrilhantando o belo másculo rosto que já possuía. Naquele momento, aquela mulher tocando a lira negra bem longe começou a tecer uma melodia bem lenta, transformando tudo em nosso redor... Impossível explicar em palavras escritas no papel o que vi, o que percebi, o que me foi permitido Tocar, além de Azazel, naquela mata... Humanamente, nenhuma concepção do que aquela nossa aproximação me proporcionou pode ser explicada... Não se fizeram as Trevas, mas Luzes, muitas Luzes, à medida que eu e Ele nos aproximávamos... Nossas mãos iam se Tocando... Os dedos Dele, dedos de guerreiro, amante e bardo... Tão fortes e tão delicados dedos ao mesmo tempo, envolvendo minhas frágeis pequenas mãos de mulher, amante e morta... Morta para o mundo todo naquele momento... Morta para todo meu passado naquele momento... Morta para toda a minha família carnal naquele momento... Morta para todos os meus amigos e amigas naquele momento... Morta para todos os homens que me abandonaram naquele momento... Morta para o mundo naquele momento... Morta para mim mesma naquele momento, Azazel me Tocava, eu Tocava Azazel, nós nos Tocávamos...


Instintivamente, subi Nele e envolvi minhas pernas em seu corpo... Nós mantemos as nossas mãos unidas, os braços abertos... Senti o pênis grosso e delicioso Dele penetrando lentamente em minha vagina... Em pé, sorrindo, começamos a fazer amor, um amor que acelerou tudo em nosso redor, tudo, algo que não sei e nem posso explicar em palavras... Azazel me penetrava, eu sentia prazeres infinitos, não estava doendo... Era como se uma nuvem delicada preenchesse minha vagina com carinho, com afeto, esplendoroso afeto... Deixei que Ele me guiasse... Eu me mexia devagar... Devagar, sentindo a grossura delicada do pênis Dele... Devagar, sentindo a calorosa moldura de toda aquela grossa carne saborosa entrando em mim... Devagar, sorrindo, olhando para o sol de frente, sem desviar o meu olhar... Nesse momento, avistei o núcleo do sol e me deparei com Seres Celestiais a nos observar... Eles nos invejavam, não podiam o mesmo realizar, são Seres Elevados, Filhos Elevados De Deus... O Arcanjo Solar deu-nos as costas, eu gargalhei e percebi que Ele também nos invejava, queria estar no lugar de Azazel me penetrando bem devagar... Não sei se foram horas... Não sei se foram dias... Não sei se foram anos... O amor que eu e Azazel fizemos abaixo daquele sol de verão cáustico atraiu a atenção até Dele... Vi Deus Face A Face enquanto era penetrada... Vi Deus... Deus: como aqui definir O Indefinido? Deus: como aqui classificar O Inclassificável? Deus: como aqui detalhar partes Do Que Não Pode Ser Detalhado? Eu Vi Deus Face A Face sendo penetrada por Azazel, Anjo Caído, Demônio, homem e amante... E não O considerei grande coisa... Gargalhei! Gargalhei! Gargalhei! E, quando atingi o mais inesquecível orgasmo do meu viver, dei a língua para Ele, dando-Lhe um recado que fez com que eu me sentisse muito livre, pela primeira vez... Livre, mais uma vez... Livre, como na primeira vez... Deus sumiu, o sol sumiu, a mata sumiu, apenas fogo em um rubro palácio em redor de nós... Eu, Azazel e aquela mulher distante ainda tocando suavemente a lira negra...


O pênis de Azazel permaneceu dentro de mim, enquanto outros Demônios me cumprimentavam. Eu sorria para todos Eles e me recordava de quem eu realmente era. A mulher da negra lira aproximou-se, era Nahemah; o sol que nos iluminava com suas Luzes, revelou-se, era o Sol Negro Beijando A Lua Negra; os pássaros cantantes de forma diferente surgiram como realmente são: Harpias Das Trevas; a mata na qual eu me encontrava era todas as chamas aos pés de Azazel; E Eu Revelei-Me Como Eu Sou Cheia De Trevas Do Mais Negro Amor: Lilith, A Negra Serpente, A Primeira Deusa, A Primeira Mulher.


E, assim, através de um Filho Meu que muito me ama, conto esta real história coroada de lendários véus de como a contemporaneidade redescobriu a Minha Existência e como hoje, assim como sempre, continuo a reinar Soberana em todos os leitos e em todas as matas nas quais homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres, humanos e animais, se amam. Estava eu encarnada, meus Templos foram pela cristandade queimados, mas alguns humanos não me esqueceram, mantiveram-me Viva e Azazel resgatou-me daquela romântica letargia, daquele sonho como tola humana perdida e enfraquecida. Samael não ficou com ciúmes, pois, afinal, sendo eu A Primeira, A Mãe De Todos Os Demônios, todos nos Abismos Infernais Terrestres e de todos os Mundos Inferiores são meus Esposos e minhas Esposas. Daquela real lendária Giselle que fui, apenas restou o livro da Florbela Espanca que está em minha cabeceira e que sempre leio antes de uma boa foda...



O Que Eternamente Vem A Ocorrer É Para Todas As Vidas, Nas Quais Sempre Estive Mesmo Estando Esquecida, E Neste Eterno Hoje Meu No Qual Retorno Desperto A Todos Que Bebem Do Negro Leite Dos Meus Seios E Saboreiam O Negro Odor De Minha Vulva.


Assim Fala A Serpente Lilith, A Negra, A Sempre Tua, Meu Filho.


Assim Fala A Serpente Lilith, A Negra, A Sempre Vossa, Meus Filhos.


Assim Fala A Serpente Lilith, A Negra, A Que Vos Governa Bem No Meio Das Pernas, Humanidade.


E Que, Sem Exceções, A Cada Um Toca Como Bem Entende...



Inominável Ser

TOCADO

POR

LILITH








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Slayer - War Ensemble




Propaganda death ensemble
Burial to be
Corpses rotting through the night
In blood laced misery
Scorched earth the policy
The reason for the siege
The pendulum it shaves the blade
The strafing air blood raid

Infiltration push reserves
Encircle the front lines
Supreme art of strategy
Playing on the minds
Bombard till submission
Take all to their graves
Indication of triumph
The numbers that are dead

Sport the war, war support
The sport is war, total war
When victory's really massacre
The final swing is not a drill
It's how many people I can kill

Sport the war, war support
The sport is war, total war
When victory's really survival
The final swing is not a drill
It's how many people I can kill

Be dead fiend from above
When darkness falls
Descend onto my sights
Your fallen walls
Spearhead break through the lines
Flanked all around
Soldiers of attrition
Forward their ground

Regime prophetic age
Old in its time
Flowing veins run on through
Deep in the Rhine
Center of the web
All battles scored
What is our war crimes
Era forever more

...War

Propaganda war ensemble
Burial to be
Bones shining by the night
In blood laced misery
Campaign of elimination
Twisted psychology
When victory is to survive
And death is defeat

Sport the war, war support
The sport is war, total war
When this end is a slaughter
The final swing is not a drill
It's how many people I can kill








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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A Entidade Em Meu Quarto


Eu entrei no quarto onde tenho meu computador, meus trabalhos literários e poéticos, alguns dos meus livros e as sombras de meus bons e maus pensamentos, encontrando aquela Entidade, grave e nitidamente materializada, perto de algumas caixas que guardam coisas muito antigas. Não me assustei com aquele Ser, não o afugentei e nem sorri; apenas o fitei ali parado, parado como uma forma atuante que quisesse apenas me ouvir. Com ar sério e grave, igualmente como aquela Entidade, puxei a cadeira na qual sento em frente ao meu computador, fiquei por alguns minutos fitando a figura hermética, encapuzada e trajando um manto marrom, que aguardou silenciosa o meu falar. As palavras estavam já pelo ar, faltava apenas a articulação de cada uma delas. A Entidade ficou lá, a me aguardar falar e não demorei a tumularmente enriquecer o ambiente com a angústia toda do meu falar.



- Ano a ano aqui estou tendo as provas mais básicas que um doutor em dores pode receber. Estou afastado do mundo e dos mundos dos outros, mundos fecundantes para os ratinhos que se chamam seres humanos. Olho para cima, olho para baixo, viro uma esquina de pensamentos gerando fundamentos e me encontro volatilizado por remendos de frutas amargas apodrecendo junto ao meu barco furado. Fixei muitas idéias em mim, mandei para o cemitério minhas dúvidas e me veja aqui, Entidade, agora... O que ganhei? O que arrotei? O que arrombei? De todas as mais vastas filosofias tomei ciência e nem tenho a mínima capacidade de me livrar da pobreza material! De todas as mais vastas sexuais verdades tomei conta e nem consigo me relacionar com a porra de uma mulher! De todas as leis que são as mantenedoras do Plano Universal tomei para mim algumas e nenhuma me fez sair do cadafalso existencial! Que mistério há neste meu reino de fracassos? Sou do tipo renegado de filho de Deus ou do Diabo nascendo e morrendo e transcendo as próprias mortes e renascimentos diante da esperada folha que cairá da árvore do meu salvamento? Brutalidade, insanidade, pesos demais em meus ombros... Decisões, aflições, negações, afirmações... Mãe doente... Pai distante... Familiares decididos a ficarem também mais distantes... As amadas se foram, as amadas carnais... Uma quis demais, ela me abandonou porque sou um todo incapaz... A fuga vem da forma de escrever como um terrorista decidido a tudo detonar, um formador de opiniões que escapam ao cúmulo das razões sociais... O que é isso, Entidade? O que há nisso, Entidade? Qual o meu papel na Terra? Qual o meu sentido na fera que demite seus trabalhadores perto do fim da vital festa? Sei que Deus me vê e sei que Deus está aqui dentro de mim, Ele me abriu os Portões Do Abismo aqui bem dentro de mim, bem dentro de mim... Entidade, não sei o Vosso nome, não quero saber o Vosso nome, não me importo com o Vosso nome... Já fui enganado por outras Entidades, já fui muito enganado... Como saber que tu não és mais um enganador? Qual Ser Etéreo como Vós pode ter a confiança de alguém como eu que já abraçou Falsos Anjos e beijou Falsas Diabas nos Círculos Negros Do Torpor? Gigante, vigilante, gritante, girante, meu solo racha, meus dedos se esgotam, a gota d'água mais impura molha meus lábios, minha língua ferve, estou com fome, estou com sede, e nada de bom e de bonito me aparece... Aquela mulher ainda está aqui em mim, ela me despertou algo aqui, algo muito bom aqui no Abismo que há em mim... Repito, compreendo, arrisco... Pensar em um mulher... Pensar em uma mulher agora: qual a razão de tal pensar? Não tenho mulheres, não quero mulheres, quero apenas descansar... Sem filhos, sem família, apenas descansar... Ouço gemidos... Ouço gritos... Ouço sussurros... O que é isso, Entidade? A maldição da mediunidade, a desgraça da mediunidade, minha maldita mediunidade! Eu avanço? Eu corro? Eu louvo? Nada, estou aqui doente, um doente em tratamento de choque pelo resto dos meus dias sem sorte, Entidade, pelo resto destes meus dias sem ver a minha definitiva morte... Enfrento o caos, vomito o laudo, sou um policial de meu caso de nunca morrer, afinal... Perdi muitas chances, errei demais, caminhei adiante, o odor de felicidade, nunca e nunca e nunca e nunca e nunca e nunca mais... E o que Tu tem a ver com isso, Entidade? Quem pode ter Te enviado aqui? Deus? Satan? Miguel? Ahriman? Maria? Nahemah? Louvar... Louvar qualquer coisa... louvar qualquer merda, uma merda divina, uma merda demoníaca... Por que tenho que algo louvar? Por que hei de louvar algo em meu abismal lar de recados a mim dados por predadores que roem meu bem-estar? Guiado por um movimento de semi-vida, Entidade, me sinto assim, gelado, decadente, arruinado, impotente diante da faca que pode me cortar... Queria me matar com uma faca, jogar fora, Entidade, todos os lances deste jogo macabro no qual meu Ser está... Levanto o véu, levando o mel até para fora da colméia de meu sofrimento e lá fora, Entidade, sempre lá fora, continuo ainda em meu parco momento... De onde veio meu sepultamento infindo, Entidade? De onde vem meu não morrer definitivo, Entidade? Todo ano é o mesmo... Ano a ano, Entidade... Maldito ano a maldito ano, Entidade... Levito, levanto, lamento... Luto, sustento, remendo... Livre, aprisionado, sereno... Não sei porque agora tenho tanta calma diante de ti, Entidade... Não sei o porquê desta calma nos últimos meses, Entidade... Tu és meu Mentor, Entidade? Tu és meu Obsessor, Entidade? Tu és amigo ou amiga minha, Entidade? Tu és inimigo ou inimiga minha, Entidade? Tu és o homem que me envia cartas tenebrosas do mundo das loucuras deformantes, Entidades? Ou tu és aquela mulher rasgante que me segue gritando aos prantos que eu fui o responsável pela morte dela queimada viva naquele tribunal inquisitório da Idade Média, Entidade? Aí parado... Ai, tão parado... Aí, tão, tão, tão a mim simpático... Mereço vossa simpatia? Mereço que tu ouças as minhas lamúrias ridículas? Tu, Entidade, deves ser um eremita de inumeráveis idades, um ancestral de todos os humanos, um Ser que talvez tenha sobrevivido às Criações Anteriores e se organizado nesta atual como Filho de Deus... Ou Filho... Ah, Satan é uma alegoria, alegoria para justificar a existência de uma multidão de espíritos que formam uma Egrégora que visa ao materialismo mais embrutecedor! E o que eu sou, o que eu tenho de diferente, deles, mesmo tendo todo conhecimento que tenho garantindo-me o mínimo de sanidade e de densidade? Assassino... Sou um assassino, Entidade... Profeta e assassino... Poeta e assassino... Escritor e assassino... Coveiro e assassino... Meu nome pode ser João, Marcos, Alexandre, André, Sandro, Michel, Alessandro, Mateus, Lucas, Edson, Reinaldo, Emerson... Tive esses nomes e fui poeta e assassino, escritor e assassino, coveiro e assassino... Resisto, Entidade, a tais lembranças, mas elas me cercam mais do que as paredes deste meu quarto... Resisto, Entidade, parece agora um anjinho, mas fui, sou e ainda serei um assassino... Matei mães... Matei pais... Matei filhos... Matei esposas... Matei maridos... Matei minhas mães... Matei meus pais... Matei meus filhos... Matei minhas esposas... Matei meus maridos... Homem, mulher e assassino... Homem, mulher e sempre e sempre e sempre e sempre assassino! Parei de tomar os remédios, minha esquizofrenia cresce e rende mais alguns dias de tonturas e torturas... E Tu aí, Entidade, paralelamente me observando... Lembro agora que já te sentia aqui há anos... Sim, há anos o Vosso manto, Entidade, eu via... Entrego assim alguns dos meus segredinhos, Entidade... Ah, mas Tu já sabia, já sabia, sinto que já sabia... Conviver com o assassino que eu sou todos os dias não é uma tarefa agradável... Tento, ao máximo, não retornar ao assassinato... Estou modificado, graças a Deus ou graças ao Diabo, o que importa? Importa saber que... A quem engano, Entidade? A quem enganar, Entidade? Sou fraco, sou humano, sou uma inverdade, uma mentira envolta em ultrajes! Chacino-me, Entidade, mas Tu apenas me ouve... O único Ser que me ouve... O único Ser que olha para mim... O único Ser que não me julga... O único Ser que não me critica... O único Ser que não me prejudica... Afio a cortina, a janela desta alma que sou quebrada... Queria que tudo fosse diferente... Queria ter nascido diferente... Queria ter sido, antes, antes desta contemporânea loucura de um mundo cheio de assassinos como eu, ter renascido mais decente... Ingrato o meu porvir e regrado a sabores cáusticos o meu ir... Aguardo todo ano ansioso por ser o meu último ano... Ano a ano, ano a ano, ano a ano... E cá ainda estou, Entidade... Aqui, fixo... Aqui firme... Aqui, doente... Aqui, repelente... Aqui, repelido... Estou me cansando... Estou cansado... Estou castigado por uma vertigem rude que me sacode nas formas animais... Já estive lá... Já estive quase lá... Estou lá... Perto do hospício, Entidade... Bem mais perto do hospício, Entidade... Meu hospício anual bem particular...



Terminei de falar, fiquei a olhar para os tacos de madeira de meu quarto. Eu e Ele ficamos ali naquele lamurioso silêncio de monumental estrutura sepulcral. Minutos ou horas passaram sem passar e me senti amigo daquela Entidade que aqui ainda está. Olhando para os tacos no chão, nem senti a Entidade se aproximar. Eu olhei para o o manto da Entidade e a voz Dela entoou um cântico mui milenar de infinita idade...




Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
"'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door —
Only this, and nothing more."

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; — vainly I had sought to borrow
From my books
surcease of sorrow — sorrow for the lost Lenore —
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore —
Nameless here for evermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me — filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
"'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door —
Some late visitor entreating entrance at my chamber door; —
This it is, and nothing more."

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you"— here I opened wide the door; —
Darkness there, and nothing more.

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, "Lenore?"
This I whispered, and an echo murmured back the word, "Lenore!" —
Merely this, and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
"Surely," said I, "surely that is something at my window lattice:
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore —
Let my heart be still a moment and this mystery explore; —
'Tis the wind and nothing more."

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore;
Not the least
obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with
mien of lord or lady, perched above my chamber door —
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door —
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore.
"Though thy crest be shorn and shaven, thou," I said, "art sure no
craven,
Ghastly grim and ancient raven wandering from the Nightly shore —
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

Much I marveled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning— little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blest with seeing bird above his chamber door —
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore."

But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered— not a feather then he fluttered —
Till I scarcely more than muttered, "other friends have flown before —
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."
Then the bird said, "Nevermore."

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore —
Till the
dirges of his Hope that melancholy burden bore
Of 'Never — nevermore'."

But the Raven still beguiling all my sad soul into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and bust and door;
Then upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore —
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt and ominous bird of yore
Meant in croaking "Nevermore."

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er,
She shall press, ah, nevermore!

Then methought the air grew denser, perfumed from an unseen
censer
Swung by
Seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee — by these angels he hath sent thee
Respite —
respite and nepenthe, from thy memories of Lenore
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil! — prophet still, if bird or devil! —
Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted —
On this home by horror haunted— tell me truly, I implore —
Is there — is there
balm in Gilead? — tell me — tell me, I implore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil — prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us — by that God we both adore -
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore -
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore."
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Be that word our sign in parting, bird or fiend," I shrieked, upstarting —
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken!— quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted — nevermore!



A Entidade era Poe, que ergue-me e abraçou-me, dizendo bem baixo ao meu ouvido direito que nunca mais me deixaria. Um corvo cantou e eu agora tenho uma verdadeira vida. E nunca mais assassino fui na aurora que cai por todas as minhas vidas.



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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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