segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Sanguinária Doce Namorada De Marcelo


Marcelo Pereira Carvalho de Sousa, alto executivo da multinacional Strong Shadows Corporation, especializada em produtos farmacêuticos e em equipamentos hospitalares, é um tímido jovem de 29 anos que somente agora tem a oportunidade de ter a sua primeira namorada. Ele é um dos que sobem na vida através dos próprios esforços, nascido no subúrbio do Rio de Janeiro, na charmosa Vila da Penha, filho único de pais pobres que faleceram no ano 2000 em um terrível acidente de ônibus. Estudioso, comportado, um completo mauricinho, estudou desde sempre, aprendendo Inglês, Espanhol, Francês, Italiano, Alemão, Japonês e Grego, dotado de um QI de 280, um desses gênios oriundos de famílias nas quais a maioria dos integrantes não termina nem o segundo grau. Nosso amigo estudioso Marcelo formou-se na UFRJ em Direito Internacional, alcançando o Pós-Doutorado com a brilhante defesa da seguinte tese no ano de 2009: A Formação Do Núcleo Do Direito Das Nações Em Face Da Globalização E Da Crise Financeira Internacional. Louvores a ele foram dados, prêmios recebeu na Índia, China, Japão, Europa e nos Estados Unidos quando o livro, que alcançou sucesso apenas no meio acadêmico brasileiro, foi traduzido para o inglês, francês, alemão, italiano, espanhol, grego, chinês e japonês. Marcelo, nosso genial estudante e executivo, atualmente possui uma fortuna avaliada em R$ 4.299.700,25, adquirida com o passar dos anos em seu elogiado trabalho na Strong, no qual, como Diretor Executivo, comanda o núcleo advocatício central; e aumentada com a venda de seu livro, que bateu recordes mundiais e já está sendo traduzido para mais vinte idiomas. Se antes ele usava roupas compradas no câmelo, hoje Prada, Armani e Gucci fazem parte de seu vestuário, imponente, guardado em seu apartamento em um apartamento luxuoso no bairro de Ipanema. Para este apartamento, um tanto nervoso, Marcelo, nosso rico amigo que nascera pobre e ainda é humilde, se direciona neste momento, vinte e duas horas e seis minutos deste domingo, 11 de abril de 2010.


Há dois meses, Marcelo e Túlia namoram. Túlia, a namorada de Marcelo, uma morena magra de olhos profundamente senhores de uma divindade sepulcral, belíssimo par de jóias cristalinamente vibrantes que, antes do Carnaval deste ano de 2010, conquistou o solitário coração de Marcelo. Se vocês pudessem visualizar os olhos de Túlia, doces leitores, veriam não os olhos de ressaca de uma Capitu, mas os olhos de mortalha de uma Bathory... No entanto, cegado pelo amor e pela oportunidade de perder, enfim, a sua virgindade, Marcelo nem notou a estranheza do olhar de sua amada, assim como o rosto que mais se parece com o de uma brutal carrasca, e a levou para residir em sua residência três dias após conhecê-la em uma noite na qual seis recém-nascidos foram decapitados e tiveram seu sangue sugado na maternidade da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro... Se Marcelo não tivesse sido cegado pelo amor à primeira vista que sentiu quando visualizou Túlia pela primeira vez, perceberia que ela, sentada na areia da praia de Ipanema na qual a conhecera, tinha pequenas marcas de sangue no longo branco vestido transparente que usava... Se vocês pudessem sentir o cheiro do perfume dela naquela noite, doces leitores, sentiriam o de fresco sangue fortemente selvagem... Marcelo nem sentiu esse cheiro, assim como não viu as marcas de sangue e nem percebeu a crueldade singular estampada no rosto, no corpo e, principalmente, no olhar de sua doce namorada. E seguiu com ela para a sua casa na mesma noite, foi para a cama, tirou a roupa e, na hora H, seu pênis não funcionou e, até agora, até este dia 11 de abril de 2010, não funciona, a impotência é-lhe uma desgraça risonha! Marcelo chora, não consegue foder com Túlia! Marcelo reclama, não consegue meter na buceta de Túlia! Marcelo se revolta, não consegue meter no cu de Túlia! Apenas boquetadas, dedadas e beijinhos doces da namorada o nosso brochante Marcelo recebe, frustrando-o ainda mais e fazendo com que agora, dirigindo o seu Renault para seu ninho de amor, o nervosismo lhe deixe mais frustrado ainda. Túlia não exige que ele seja viril, até porque ela goza praticando uma diversão mais prazerosa, para ela, do que qualquer foda: sugar o sangue de recém-nascidos até a morte e decapitá-los. De vez em quando, ela caça uma criança de mais idade ou um adulto pela Zona Sul do Rio de Janeiro, mas a sua preferência é mesmo um apetitoso inocente recém-nascido que lhe dá uma orgiástica sensação de alegria em suas presas recheadas de doce carinho. E os crânios ela junta no apartamento de Marcelo, ele não liga e acha que ela é apenas uma gótica excêntrica colecionando apetrechos em cemitérios colhidos!


Doces leitores, não julguemos, precipitadamente, o nosso Marcelo como um imbecil, entendamos o seguinte: ele está amando de verdade e, quando se ama de verdade, sabemos que a cegueira toma conta total de nossos olhinhos! Vocês nunca amaram tanto assim, como ele, a ponto de ficarem igualmente ceguinhos? Então, doces leitores, para Marcelo, agora dirigindo seu Renault, do centro do Rio até Copacabana, após uma reunião dominical de oito horas com os diretores da Strong, a cegueira é justificável e a imbecilidade passa longe da personalidade dele. Uma pessoa, no entanto, que nos cheira neste exato momento, doces leitores, não está contente com essa cegueira de Marcelo: Túlia. Apegada de verdade ao seu namorado, ela (que não podemos, doces leitores, dizer, de maneira alguma, que ama ao Marcelo) quer que o mesmo perceba o que ela é. Túlia planejou abrir os olhos dele durante toda a semana anterior e não deixará escapar a chance de ter com ele uma reveladora conversa com Marcelo. O palco para a conversa, no apartamento cujas paredes comportam cento e dois crânios, da sala à cozinha, passando pelos banheiros e quartos, já está preparando, ela aguarda, apenas, a chegada de seu namorado. Marcelo não tem amigos íntimos, apenas colegas em seu trabalho que ele nunca levou ao seu apartamento, ele sempre gostou de privacidade e de ser reservado; nem aos parentes, que nem visita mais há anos, ele levou ao que denomina “meu refúgio elementar”. Ninguém na Strong sabe de seu relacionamento com Túlia, uma reclusa que os vizinhos do prédio dele apenas vêem sair à noite e que com nenhum deles fala; e esses vizinhos, doces leitores, não querem se aproximar dela, percebem tudo o que Marcelo não consegue perceber... Túlia aguarda, nua, acariciando um crânio pulsante, quente... Um crânio pulsante? Um crânio quente? O que ela preparou para revelar-se a Marcelo, doces leitores? Aguardemos, doces leitores, aguardemos... Ela sente a chegada de seu namorado, estacionando o carro, desligando o motor, guardando a chave no bolso esquerdo da calça Armani, segurando a grande pasta de couro italiano que sempre carrega para o trabalho, saindo do carro, fechando o carro, dirigindo-se nervoso para o elevador, entrando no elevador e aproximando-se dela no térreo, dezenove andares acima do estacionamento, um andar para cada rico morador do Edifício Fernão Ribeiro Monteiro Castañeda de Carvalho... Nosso nervoso Marcelo está aflito dentro do elevador, pensativo, assim: “Será que o tratamento urológico que estou fazendo vai me dar uma erecção bem firme? Será que hoje vou conseguir transar de verdade com a Túlia? Sei que ela gosta de mim, mas me perturba não satisfazê-la como eu e ela queremos! Fico preocupado, minha primeira namorada, a mulher que amo... Não sei, ela pode querer outro homem, um que não seja impotente, que seja mais experiente, que tenha já o jeito de saber lidar com uma mulher na cama... Ela me falou de outros homens na vida dela, como se me comparasse com eles... Não gostei muito, me calei por educação, por gostar dela, por não querer brigar com ela... Isso vai passar... Acho que, hoje, vou conseguir transar... Hoje, eu vou conseguir transar!” Pensamentos de um tímido homem desesperadamente amando a sua namorada, doces leitores, não é lindinho e adorabilíssimo todo esse interesse dele em querer dar prazer à doce namoradinha?


O elevador chega ao apartamento dele e, quando a porta se abre, uma porrada equivalente à força de três homens o faz desmaiar dentro dele. Túlia mirou na têmpora esquerda, diminuindo a sua colossal força física para não matá-lo. Arrastando-o em direção à sala, amarra-o com correntes de aço em uma cadeira pesada de cedro e arruma o que preparou para apresentar ao namorado. Enquanto isso, este sonha com ela, um sonho no qual Túlia está vestida como uma romana, feliz, sorridente, dançando entre brancas flores sob um sol fortíssimo e cantando uma ode à natureza em uma antiquíssima língua desconhecida, hoje morta, eternamente perdida; de repente, uma tempestade surge, Túlia, com o rosto endurecido e uma cruel alegria na face, encharcada de sangue está, as brancas flores tornam-se crânios que gritam de dor ao solo e os lábios dela abrem-se recitando um medonho poema em um português claríssimo:



Sou Dama de um

conhecimento sereno,

teço a rosa mais rubra

que colhida é

pelo poço de corpos

que meus acólitos

moldam ao luar

sedento...

O luar sedento...

O luar e a sede...

A Sede... O Luar...

Afio as vítimas,

caço com alegria,

tenho que ser uma

Dama,

uma Dama,

amigo,

amiga,

que mira as veias

de vossos pescoços

com a segurança metódica

cartesiana de que

eles serão dilacerados

pelas minhas mordidas...

Avanço,

como uma Sanguinária Dama ,

como A Sanguinária Dama ,

Bathory me ensina

a ser fria,

a ser calculista,

a aguardar na sombra,

a torturar n'alma,

sufocando com a minha

simples presença

as mais fortes

e as mais fracas

criaturas por mim vitimadas...

Sou uma Dama como

Vanessa Da Porta

Dos Cemitérios,

Negra Pombagira,

Eterna Vampira

que já foi

Bacante e Estriga,

Medéia e Scylla...

Aguardo um dia encontrar-te,

sou Pombagira e Vampira,

meus dentes irão dar-te

a mais educada lição

de etiqueta,

que te fará

sir ou lady

dentro de uma sepultura

da mais fina madeira...

Eu te mato,

criança,

roubo a tua inocente

vitalícia força

e forço a sua ida

ao Nebuloso Caminho,

Caminho Das Brumas

Da Morte,

minha Senhora Mãe

Amada...

Eu te mato,

criança,

sorrindo para

o teu crânio,

que arranco com

as mãos ensanguentadas

e deliciosamente

saciada com o seu

bendito sangue fresco...

Eu te mato,

criança,

sou o bicho-papão

dos contos da realidade,

não sou uma fantasia

fora do nexo

da vida comum,

sou Vampira Real

perto do berço

no qual tu dormes...

Eu te mato,

criança,

acorde se sua morte

e verdadeiramente viva

entre as minhas

presas...



E, terrivelmente assustado, Marcelo acorda, olhando para Túlia e outras presenças na sala de seu apartamento! No grande sofá de couro branco, nove recém nascidos, com as bocas cobertas de esparadrapos e as pernas e as mãos amarradas com nylon, estão deitados. Túlia acaricia uma menina adormecida, sorrindo de modo aterradoramente cruel... Se vocês pudessem ver, doces leitores, o sorriso de Túlia agora... Marcelo, também com a boca cheia de esparadrapos, não compreende nada do que está a acontecer em seu lar doce lar... Se vocês pudessem ver, doces leitores, os olhos esbugalhados d Marcelo agora... Túlia agarra a menina adormecida pela nuca, como se a mesma fosse menos do que um animal, acordando-a; ela gritaria se não estivesse com a boca tapada, alertando aos vizinhos logo abaixo, por isso, em todos e em seu namorado, a nossa sanguinária doce Vampira tratou de arrumar uma forma de calá-los. Ela se aproxima de Marcelo e deixa a menina próxima ao rosto dele, começando a falar com um tom de voz bem diferente daquele doce tom que ele costuma dos lábios dela ouvir...



- Não estou filmando isso, Marcelo, eu detesto filmes, e nem estou brincando, detesto comédias e comediantes. Para mim, isto aqui não é um esporte, eu detesto esportes e esportistas, em geral. Você está me conhecendo de verdade agora, Marcelo, esta aqui é a verdadeira namorada sua que mora aqui e que quis, a toda hora, ter a oportunidade de mostrar quem ela é de verdade. Está vendo essa pequenina desgraça em minha mão esquerda? Não é linda essa menina? Não é cheirosa e limpinha? Vejamos como ela fica...



Em um aperto simples do pescoço da menina, apenas com a mão esquerda, Túlia arranca a cabeça dela. O corpo cai aos pés de Marcelo e o sangue jorra nos mesmos, respingando no rosto e no corpo da Vampira.



- ... sem a cabeça.



Nossa doce infanticida Vampira gargalha de modo aniquilante, fazendo Marcelo enlouquecer de terror e espanto na cadeira onde está amarrado. Túlia continua gargalhando, vendo-o tentar se mexer, mas ele não consegue, ela apertou e modo fortíssimo as correntes, impossibilitando o franzino namorado de tentar soltar-se. Ela agacha-se e molha os dedos das mãos com o sangue da menina decapitada; a mão esquerda ela enfia toda na buceta; a mão direita leva aos lábios; ela se masturba ao mesmo tempo que degusta o sangue da inocente sacrificada aos pés do namorado. Dezesseis minutos depois, gozando ao seu modo, ela ergue-se e se aproxima de outro recém-nascido, outra menina, que ela segura pelos calcanhares, de cabeça para baixo.



- Muito ruim, Marcelo, não conhecermos bem aqueles com os quais nos relacionamos. Eu teria prazer em contar-lhe toda minha história, mas estou muito cansada de contar sempre aos meus homens o que eu fiz há dezesseis séculos atrás lá em Roma, como me transformaram em uma Vampira e o que fiz depois disso. Sou boa contadora de histórias, mas me cansei, mesmo, disso, Marcelo, quero fazer algo bem diferente com você, que sequer percebeu a minha natureza de fera que eu não procuro esconder. Outra menina, Marcelo, uma outra menina que poderia ser a nossa filha se eu pudesse...



As pernas da menina são arrancadas e, após o tronco da mesma chocar-se com o piso da sala, ela tem a cabeça esfacelada pelo pé direito de Túlia, que novamente gargalha.



- ... ter filhos.



Marcelo chora de nervosismo e mais terror ainda por não poder fazer nada para salvar as criancinhas que neste momento estão sendo assassinadas pela sua namorada! Nosso amarrado homem apaixonado poderia ser um herói se este relato fosse amparado no senso comum das vampirescas histórias; porém, este relato estabelece um sangrento vínculo com a realidade de nosso ultraviolento contemporâneo mundo repleto de Túlias nas formas de mulheres e homens tão docemente sanguinários quanto ela. E, além do mais, o franzino Marcelo não poderia com uma Vampira de mil e seiscentos anos de idade que, apesar de ser franzina como ele, possui uma força física equivalente à força física de dois milhões de homens! Portanto, doces leitores, a matança está inscrita neste relato de sangue que não contraria ao que vemos nos jornais televisivos e impressos e a própria Túlia, agora se aproximando de mais uma criança, um menino, quer que o rumo deste relato não assuma uma fantasiosa direção. Agora, o recém-nascido é seguro ao colo e, ironicamente, ela embala-o andando de um lado para o outro à frente do aturdido Marcelo.



- Gosto muito de você, Marcelo, porque me deu um abrigo, algo que apenas dois dos muitos incontáveis homens que tive me deram. Seria injusto não demonstrar o meu agradecimento a você desta maneira, eu não pretendo matá-lo e sei, exatamente, porque não vou fazer isso. Depois, quando eu terminar aqui, te conto... Matei todos os meus homens, eu não os queria comigo eternamente caminhantes, eram apenas bandos de carne dos quais me apossei para poder sobreviver pelas noites da Terra. Quando eu estava sozinha, matava essas criaturazinhas para me satisfazer e acabei viciada...



Ela põe as mãos nas axilas do menino, salta e pulveriza o crânio dele no piso, à frente de Marcelo, que agora está a chorar!



-... neste hábito que amo mais do que a você.



Gargalhadas, doces leitores, de uma doce sanguinária homicida vampicamente constituída! O sangue deste último menino morto é sugado com ferocidade e Marcelo, não conseguindo fechar os olhos molhadíssimos de lágrimas, assiste ao que Túlia faz com a maior naturalidade. Vinte minutos depois, o sangue quente todo sugado, o coração do menino morto, ela ergue-se mais uma vez, vai até o sofá e perfura com o dedo indicador esquerdo o olho direito de um recém-nascido, mais uma menina, erguendo-a, assim, aproximando-se de seu namorado.



- O bom de matar assim, sem escândalos, ocultada pelo noturno silêncio, está no fato, Marcelo, de que nunca serei punida pelos olhares de um tribunal mundano. Vocês, humanos, sempre acharam que nós, Vampiros, éramos apenas lendas medievais e iguais aos que aparecem em seus horrorosos filmes cinematográficos. Sempre estivemos perseguindo as vossas jugulares, Marcelo, nossa imortalidade nos concedeu uma herança genuinamente mais rica do que a de vocês, que consiste em ir do berço ao túmulo em uma curta questão de anos. Sabe as multidões de crianças desaparecidas no Brasil e no mundo, Marcelo? Quem você acha que as fez desaparecer? O Deus Único, Judaico e mais Vampiro do que todos os Vampiros, que os “levou para o céu”? Nunca parou para pensar, Marcelo, com toda a sua genialidade, que, talvez, cada uma dessas crianças tenha sido devorada por um Vampiro, literalmente, carne, sangue e ossos degustados libertinamente? Eu mesma matei muitas dessas crianças brasileiras desaparecidas que aparecem em cartazes neste país ...



Ela usa o dedo anular esquerdo para perfurar o olho direito da menina e crava suas presas na jugular dela, arrancando a pele com uma única mordida. Ela suga o sangue e cospe-o em cima de Marcelo, gargalhando mais alto do que antes.



- ... e me delicio vendo os pais delas chorosos buscando-as por tudo que é lugar sem jamais encontrá-las.



Trinta minutos dura o sugar e o cuspir, Marcelo não tenta mais se mexer, apenas chora. Suas lágrimas unem-se ao sangue de mais uma menina oferecida em holocausto para o delicioso altar de sua doce sanguinária namorada, que, a cada gargalhada, transtorna-o ainda mais. Túlia repete o ritual caminhante em direção ao sofá após deixar o cadáver da quarta criança perto do da primeira que matou, aos pés de Marcelo. Ela senta no sofá e começa a socar o corpo de outro menino, quebrando cada osso do frágil corpo dele. Marcelo, imerso em lágrimas e sangue, apenas assiste a tudo, não acreditando no que sua namorada, tão doce com ele, está a realizar.



- Estamos nos conhecendo bem melhor agora, não estamos, Marcelo? Eu pude perceber que você está chocado com o que está vendo, mas isso é muito normal, muito normal para quem apenas pôs as caras nos livros e no computador e se esqueceu de vivenciar as coisas da vidinha humana diária. Eu te conheço muito bem, você sonha, fantasia e me posicionou em um altar como a uma Deusa; pobrezinho, sou menos do que isto e eu adoro estar bem embaixo, bem no fundo do Abismo...



Um único possante soco com a mão direita parte o menino ao meio e ela, gargalhando de novo, pega o coraçãozinho dele com as duas mãos e põe-no na boca, mastigando-o bem devagar... A mastigação dura quarenta minutos e Marcelo, estático, fita o movimento da boca de sua doce Túlia que, mesmo com a boca cheia, continua gargalhando. Ao terminar de mastigar completa o que dizia:



- ... que é mais interessante do que qualquer Trono Divino.



O nosso Marcelo, o nosso estático Marcelo, como está agora, doces leitores? Esmagado! Aniquilado! Desiludido! Magoado! Confuso! Lacrimoso! E cheio de sangue no rosto... Continuando sentada no sofá, Túlia puxa para o colo o sexto recém-nascido que matará, um menino a mais para sangrar... Seus estômagos estão embrulhados demais, as cabeças doem, dá vontade de parar de ler este relato de um caso real de Vampirismo fora da telinha da televisão e do telão dos cinemas, doces leitores! Então, parem de ler por aqui, seus idiotas, eu não os obrigo a lerem meus escritos, assim como Túlia não abriga Marcelo em seu morto coração! Ela, com o olhar de mortalha, os olhos de mortalha dela, mais obscuros quais doces representações do Abismo, mesmo não amando ao Marcelo, quer que este a conheça como ela é. O motivo? Bem, continuem sendo corajosos, lendo a doce carnificina relatada aqui...



- Isto nunca me cansa, Marcelo, sabia? Fazer isto me dá uma força muito superior ao que se imagina quando falam que nós, Vampiros, sugamos o sangue de nossas vítimas. Vocês, humanos, não compreendem que é mais do que isso, há um envolvimento bem maior que remete a um antigo rito que nos mantém unidos como Raça neste mundo. Estou querendo dizer, Marcelo, que há muito mais em matar da forma que mato do que os seus olhos estão vendo, não faço isto apenas por fazer...



Túlia transpassa o tórax do menino com o braço direito até o cotovelo, gargalhando!



- ... faço isto pelo Sangue Que Não Pode Escorrer.



Marcelo chora mais forte, não esboçando nenhuma outra reação além, enquanto sua doce namorada vampicamente carrasca faz o sangue do menino escorrer pelo seu braço direito, erguendo-o. O sangue vai caindo diretamente em seus lábios, as gargalhadas tornam-se doces retumbantes trovoadas! À esta altura, todo o prédio está a ouvi-las, mas os vizinhos pensam que os moradores do térreo devem estar tendo uma noite muitíssimo agitada e divertidíssima... Trinta e cinco minutos depois, ela joga o cadáver da sexta criança em direção à parede à esquerda de Marcelo, quebrando quatro crânios. A sétima criança, a última menina, tem o alto do crânio apertado pela mão esquerda dela...



- Faculdades não ensinam a ter uma experiência como a da vida vampiresca, Marcelo, lembre-se disto. Isto tudo que estou fazendo pode parecer-lhe atroz, mas eu preciso lhe ensinar sobre o nosso ritmo, o ritmo da vivência dos Vampiros que gostam de matar por um motivo que vai sendo conhecido, pouco a pouco, com cada vítima exposta sem respirar diante de nosso olhar. A emoção obscurece nossa vontade, a obsessão em fazer uma vítima se torna essencial e a expansão desta mesma obsessão é o que seus olhos ainda mortais estão agora vendo. Uma Humanidade sem predadores...



A última menina tem sua cabeça girada para trás com um único movimento da mão de Túlia, gargalhando e sugando-lhe o sangue pela face retorcida!



- ... é uma Humanidade sem vitais valores reais.



Trinta minutos sugando o sangue da sétima criança assassinada. Túlia segue lenta apenas para atordoar ainda mais o seu namorado já demasiadamente atordoado, ela quer Marcelo bastante atordoado para o que depois virá... E o que virá depois, doces leitores que ainda estão lendo este doce sanguinário relato? Continuem insistindo nesta leitura, está próximo tudo que é a razão desta sessão de assassinatos proporcionada por Túlia... A oitava criança, sacudida com ultravelocidade, pelas duas mãos dela, acima da cabeça!



- Espero que não me desaprove como sua namorada depois desta aula, Marcelo, eu ficaria muito decepcionada. Me disseram, uma vez, para não me controlar diante do que eu mais gosto de fazer e, então, estoicamente, assim venho há mais de mil anos, fazendo o que faço sem me atrever a ceder caminho para alguma piedade ou misericórdia de minha parte para com minhas vítimas. Cada uma tem um sentido para mim, me lembro do nome de cada uma, dos rostos de cada um antes e depois da minha, digamos, lição de vida final. Sei os nomes que estas crianças receberiam dos pais, li os pensamentos destes quando peguei-as naquele cemitério que é a Santa Casa de Misericórdia. Pela ordem: Fernanda, Raíssa, Giancarlo, Lúcia, Gustavo, Brandon, Olívia...



Ela sacode tão ultravelozmente a menina que separa em diversas partes o corpo dela, fazendo o sangue jorrar por toda a sala, manchando o teto, as paredes cheias de crânios, encharcando Marcelo e encharcando-a de sangue, mais sangue que ela, gargalhando, lambe em seus lábios!



- ... e Maria Aparecida, esta que agora por aqui espalhei.



Chocado, Marcelo continua olhando, continua chorando, continua não acreditando no que está a ver... Gargalhando, Túlia pega a nona criança e, chutando-a pelo piso, chega perto de Marcelo, pondo-se em cima dela com os dois pés. O direito na cabeça e o esquerdo no abdômen, fazendo pressão... Muita perversidade a desta nossa Vampira tão doce assassina, não é mesmo, doces leitores?



- Ficou contente em me conhecer de verdade, Marcelo? Até cheguei a pensar que você era maluco, não percebia que eu, trazendo todos estes crânios para cá, era alguma coisa além de humana. Tão genial e tão cegado pelo seu amor por mim, um amor que eu não tenho, de maneira nenhuma, por você. Desde que me Transformaram, não amei mais, nem odiei, apenas mato e sinto, com isto, o mais completo prazer. O sexo nem é tão importante, mas você faz muita questão dele, então...



Os doces pés da sanguinária namorada de nosso atordoado choroso Marcelo esmagam a última criança sequestrada por aquela a fim de participar desta macabra aula de como ser um Vampiro de verdade. Um Vampiro de verdade em um mundo de verdade, não um romântico mundo ficcional crepuscular cheio de vaselina e purpurina brilhantes, doces leitores. Túlia gargalha e chuta os cadáveres aos pés de Marcelo para trás de si, lançando-os no sofá; gargalhando, levanta o rosto de seu namorado, fitando-o mais profundamente no olhar; gargalhando, lentamente retira as correntes; gargalhando, lentamente retira os esparadrapos; gargalhando, lentamente o vê cair aos seus pés, chorando, chorando, chorando...


Quatro horas da manhã, segunda-feira, 12 de abril de 2010. Túlia ergue o tronco de Marcelo, que continua aos seus pés ajoelhado. Ela está docemente sorrindo, hipnotizando-o sedutoramente com o olhar, coberta de sangue como ele. Segura o queixo dele com a mão direita e com a esquerda abaixa-lhe a calça; um grosso pênis endurecido como rocha surge, vinte e cinco centímetros que surpreendem-na pela quantidade de sangue a fazê-lo manter-se enrijecido! E Marcelo está chorando de felicidade! Doces leitores, agora vamos ao finalizar deste doce relato tão repleto de sangue em uma tão estranha realidade!



- ... vamos foder.



Melhor do que qualquer urologista que exista, já tenha existido ou venha a existir, a Doce Vampira Túlia de Roma fez um homem impotente alcançar uma erecção incrível! Precisamos de mulheres no mundo assim como Túlia, mulheres que façam um impotente como Marcelo era alcançar um estado de peniana felicidade completa elevada às mais completíssimas alturas! Seria o fim da Urologia! Seria o fim da impotência masculina! Há tantos berçários pelo mundo, doces leitores...



Inominável Ser

BUSCANDO

UMA SANGUINÁRIA

DOCE NAMORADA

COMO TÚLIA







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