domingo, 18 de julho de 2010

Os Sonhos Das Facas


Vou falar de três sonhos com facas, dentro da ruína rugindo n'alma escandalosamente má minha que sonda os percalços mais sedutores da mais estranha psicopatia. São três sonhos de um assassinato, um empenho meu em agir errado, errado nesta minha consciência perturbada senhora de fortes laços com o passado, o presente e o futuro. Um futuro sem tijolos prateados. Um presente sem azulejos dourados. Um passado sem piso esbranquiçado. Uma morada amorfa e isenta de moradores alegres, festivos e bons é a minha residência interior.


No primeiro sonho, estive entre estranhos e, dentre tais estranhos, alguns que podem ser conhecidos de outras Eras, outras civilizações, outros mundos, outras Criações. Eu portava uma faca na mão esquerda e caminhava entre eles, quando, de repente, comecei a esfaqueá-los impiedosamente, por todas as direções, sem nexo, sem um alvo fixo, sem uma centelha de determinado objetivo dentro do que eu estava a fazer. Esfaqueava com intenso prazer. Esfaqueava com intensa fome de sangue. Esfaqueava mesmo com ódio e alegria, as duas emoções, lado a lado, me dirigindo no que eu fazia. E um desconhecido, por último, antes de acordar, esfaqueei mais, muito, com um ódio e uma alegria infinitamente maiores do que todo ódio e toda alegria anteriormente surgidas nos esfaqueamentos anteriores. Tentei ver o rosto daquele que eu esfaqueva, mas acordei...


No segundo sonho, estava aqui em casa, minha cova, meu mundo são onde tenho paz. Inimigos e inimigas me espreitavam aqui mesmo, rindo de mim, me ameaçando, retirando-me do equilíbrio que encontro entre as infinitas paredes de minha casa, minha cova, meu mundo. E a faca empunhada em minha mão esquerda, como no primeiro sonho... Ameacei, primeiramente, aos meus inimigos, à minhas inimigas, gerando neles gargalhadas e sorrisos debochados. Quando avancei e comecei a esfaqueá-los, pararam de gargalhar, pararam de sorrir, encolhendo pelos cantos de minha casa, minha cova, meu mundo, impossibilitados de sairem pelas portas e janelas, que, no sonho, não existiam. E, antes de acordar, mais uma vez, esfaqueei aquela criatura que me dava mais ódio e mais alegria em esfaquear. Os movimentos de minha mão esquerda, a ferocidade das estocadas, a selvageria que eu sentia ardente em cada momento da entrada e saída da lâmina eram sensações dificílimas de serem aqui narradas e interpretadas! Novamente, antes de eu saber quem era aquele desconhecido esfaqueado por mim, acordei...


No terceiro sonho, eu parecia estar, ao mesmo tempo, no quintal de minha casa, minha cova, meu mundo, e na calçada próxima à calçada em frente ao portão daquela. E a faca, em minha mão esquerda, novamente entrou em ação contra um único alvo, único inimigo meu, único objetivo, O Objetivo, dos esfaqueamentos! Pode-se dizer que me tornei quase um especialista em facas e esfaqueamentos após estes três sonhos, de tanto talento despendido por mim em meus ataques aos inimigos e, principalmente, ao desconhecido esfaquecido por mim nos dois primeiros sonhos! O desconhecido, neste terceiro sonho, eu esfaqueava, com ódio reforçado, com alegria reforçada, despejando nele todas as minhas frustrações, misérias, maldades, desgraças e virtuais próprias de um psicopata enrustido como eu sou! Eu o esfaqueva! Esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava esfaqueava!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E, enfim, eu podia ver o rosto de dor e sofrimento do dito, anteriormente, desconhecido esfaqueado por mim! Eu soube, então, quem ele era! Finalmente, no terceiro sonho, pude saber quem ele é! O desconhecido esfaqueado, por mim, meu único inimigo, por fim, é o meu pai! O pai que me abandonou! O pai que deseja a morte de minha mãe! O pai que eu desejo ver morto! O pai, meu pai, eu esfaqueava infinitamente no terceiro sonho e, após inumeráveis golpes, acordei...


Me lembro da sensação ativamente perturbadora de meu corpo ao acordar após este terceiro sonho. Nunca mais sonhei com facas e com esfaqueamentos de desconhecidos, nem do maior dos desconhecidos para mim, meu pai. Mantenho-me longe de facas grandes agora, mas, ao passar por ele na rua, pelo meu único maior inimigo, minha mão esquerda arde qual fogueira queimando cálida madeira...


Inominável Ser

ESFAQUEADO

POR ELE MESMO







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2 Cadáveres Aqui Escavaram Suas Covas:

Aмbзr Ѽ disse...

vc brincou com a coisa mais assutadora para mim, um pesadelo. muito belo seu blog, e sombrio tambem.

http://terza-rima.blogspot.com/

Inominável Ser disse...

Pesadelos são sempre os questionamentos d'alma nossa diante da pesada ressaca proporcionada pela realidade na qual transitamos. São símbolos poderosíssimos que comportam diversos outros simbolismos dentro de si mesmos, riqueza é algo que eles apresentam demasiadamente. A abordagem deles é altissimamente inspiradora, Amber, altissimamente inspiradora...

Agradeço-lhe pelo comentário.

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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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