segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Byron E Satan Em Uma Mesa De Um Bordel De Lisboa


Já não tive mais sonhos,

em meio a um canto de

pássaros mortos

enterrei o último deles.

Estou vendo agora

uma multidão de mortos

e em pé eu sangro

diante do cadáver meu.

Estranho,

o mais estranho,

o bem aprofundado estranho

torpor d'alma degenerada

minha toda,

é que eu ainda estou

a remexer meu corpo

no túmulo.

Lembranças surgem como

as névoas de lagos

em invernos rigorosos,

nado em cada uma

e arrisco afogar-me

em todas.

O vinho ainda estou

bebendo...

As mulheres ainda estou

tocando...

Os homens ainda estou

beijando...

Os amigos ainda estou

abraçando...

Lento mendigo pelas

migalhas de um ainda sonho

e torno meu passado

um presente de assombros.

Deus,

qual Universo possui

a chave que dá

a primazia do

Nunca Sonhar?

Deus,

qual Mestre

em qualquer arte dá

o ensinamento que não

gere o sonhar?

Deus,

respondei-me,

respondei a este

pecador Vosso filho,

de quantos medos

são feitos todos

os sonhos dos humanos?

Deus se cala

e os medos arrebatam

as estâncias de minha

alma...

Deus,

um sonho distante

e silencioso...

Agora,

outra coisa

dentro de outras coisas

ouço...

Ouço um violino,

um piano

e um assobio...

Vem um arrepio,

um estremecimento

e um desafio...

Fica um zumbido,

um encanto

e um caminho...

O verdadeiro senhor

dos sonhos humanos

próximo me dá

todas as respostas.

Satan,

o verdadeiro senhor

dos sonhos humanos

e o maior dos sonhos

humanos,

me dá a sua resposta.

Diante do príncipe

deste mundo

me torno um verso

com coroa,

trono

e cetro.



E Byron goza dentro do ânus de António, mancebo de dezesseis anos à disposição dos clientes do bordel de Maria das Cruzes, no mais sujo recanto de Lisboa. Ao lado deles está adormecida Helena de Castro, de quinze anos, deflorada pelo insaciável poeta pela primeira vez na mesma noite; e no chão, à direita, adormece, bêbada, outra prostituta, Ana das Neves, de trinta e seis anos, que divertiu ao mesmo sátiro com desenfreada sensualidade. Byron tem vinte e um anos, acabara de assumir o seu título de Lord na Câmara dos Lordes da Inglaterra, e embarcou para uma aventura no continente porque, em seus dizeres, encontrava-se “cansado do mundo”, ou seja, do mundo aristocrático no qual vivia. A aventura percorreu Espanha, Malta, Grécia,Albânia e Portugal, onde esta presente narrativa se deu.


Noite de 23 de março de 1809, noite, mais uma noite, para os loucos e padres, caminhantes e navegantes, pobres e aristocratas, devassos e poetas, na qual todos se encontram com sombras de variadas formas. Há calor e vários chamados para o carnal torpor e este, como sabemos, era o chamado maior que motivava o Lord Byron em sua plena vida de vasta devassidão, blasfêmia, poesia e violação. Com uma fome insana, ele vagou pelas ruas lisboenses e escolheu o bordel mais sujo para satisfazer os seus instintos de noturno caçador, um vampiro cheirando a melhor carne para morder contendo o melhor sangue para sorver. Três carnes ele apreciou e devorou, em um frenesi movido pelo vinho e apaixonados beijos e atos de penetração furiosamente causadores da mais imensa combustão. Byron gozou em Helena, em Ana e em António com a mesma veracidade e felicidade, o vinho apenas lhe aumentava a monstruosa virilidade. Por cima de António ele permanece um pouco, até que o superficial amante adormeça; quando isto ocorre, retira o pênis, lava-o, lava-se e traja as negras vestes que lhe são a monumental marca registrada. Antes de sair do aposento,caminhando com ousada graça e autoridade, põe Ana na cama e beija as nádegas dos três divertimentos que lhe garantiram bons momentos de frenética carnavalizada marcha. E, apesar de ter bebido vinte e sete copos de vinho, sem cambalear retira-se do quarto, se direciona à escadaria do bordel e desce ao salão.


Os tipos presentes no salão fazem os olhos do aristocrata inglês assumirem um brilho de admiração e identificação plenos. Não é um ambiente para ele desagradável, e, sim, uma das muitas moradas nas quais se sente livre em todos os mais corretos sentidos da palavra liberdade. Apesar da precariedade da instalação toda do bordel, o salão mantém uma certa dignidade, sendo bastante espaçoso, o que não o faz ser menos fervente. Cheio, ainda assim há uma mesa vazia e é nesta que o bardo aloja-se pedindo a uma prostituta outra garrafa de vinho. Em taça de prata, ele despeja o rubro incandescente líquido e recebe ao colo uma prostituta de enormes seios que põe a mão esquerda em seu pênis. Byron reage lambendo-lhe os seios, gargalhando e cantando libertinas músicas em desconhecidos idiomas, saindo inspiradamente de seus libertinos lábios. A euforia por todo o salão é geral, todos bebem, todos cantam, todos gargalham e muitos sobem e descem as escadas insaciáveis, querendo sempre mais dos delirantes recônditos da filosofia da carne! É no furacão de toda essa euforia que ultrapassa a porta de entrada do bordel um senhor, alto, todo de negro que caminha como um bailarino, de intensos e brilhantes olhos verdes, cabelos negros até os pés e de uma angelical beleza, beleza que apresenta um tanto de profana natureza. Em meio aos tipos presentes, ele se destaca e, instintivamente, ainda bebendo, gargalhando, cantando e acariando a prostituta ao seu colo, Byron reconhece o homem que se aproxima de sua mesa dançando ao caminhar. O homem senta-se e logo uma prostituta cai em seu colo; um beijo e a prostituta delira, querendo mais; ele pede uma garrafa de vinho a ela e em uma taça de prata, qual Byron, despeja-o e sorve com seus profanos lábios. As prostitutas continuam ao colo dos dois à mesa, sendo acariciadas; o olhar do príncipe deste mundo está recheado de malícia, pecado e sabedoria; o de Byron apresenta sarcasmo, deboche e ironia.



- Boa noite, Satan!

- Boa noite, Lord Byron.

- Tanta festa, tantas sonoridades, tantas liberdades, e tu chegas assim para aqui ficar bem à vontade! O Inferno é mais animado do que aqui? Ou lá no Céu é bem melhor?

- Digamos que tanto um quanto o outro possuem as suas parcelas de satisfações garantidas e reais.

- Em algum dos dois há putas como estas?

- Muitas putas, principalmente as que se trajam como santas e sugam o pau de São Pedro aos olhos de Jesus.

- Ah, não sabia que tu eras tão espirituoso, Rei do Inferno! Conte-me mais piadas!

- Não vim ao vosso encontro para contar-te piadas, Lord Byron. Não sou uma criatura de perder o meu tempo com conjecturas vãs e vazias.

- No entanto, pelo que estou vendo, uma prostituta te diverte muito bem...

- Sacos de carne e ossos, apenas. - Com um olhar para a que está ao seu colo e para a que está na de Byron, ele as faz abandonar a mesa. - Falemos apenas entre nós dois, essa gente não precisa saber do que iremos falar.

- Já sei o que viestes falar comigo, Satan. - Um gole de vinho desce. - Com toda a certeza, tu viestes fazer com que eu aceite de ti alguma forma de pacto, o qual terei mais riquezas, mais mulheres e mais poder. Certo disso, para que meus poemas alcançassem todo o mundo, eu me renderia aos seus desejos e assinaria o contrato que fariamos, mediante a eterna condenação de minha alma! Este é o assunto, Satan? Tu não me pareces tão original quanto eu pensava...

- Humano, eu não vim aqui para contigo brincar e nem para oferecer-te um pacto.

- Então, qual é o seu objetivo ao fazer com que aquela puta se retirasse de meu colo e me obrigasse a ficar conversando contigo? Quer ir para a cama comigo, Satan?

- Tentadora proposta, Byron, eu a aceitarei em uma noite que tu não esquecerás jamais.

- Qual é o assunto que quer comigo ter nesta embriagante noite portuguesa?

- A filosofia de tua vida.

- Pela primeira vez, chamam-me de filósofo... - Com ar de deboche, bate palmas. - Qual será o método a ser usado em nossa conversação? Falaremos ao modo dos escolásticos ou socráticos? Ou nos ateremos ao platonismo, divagando acerca das idéias presentes em minha poesia?

- Tua língua afiada ainda poderá matar-lhe, Byron.

- Não matará, Satan, tu sabes como morrerei, tanto quanto Ele. - Aponta para cima. - Mas, alguém como eu, sem crenças e descrenças, amante das boas coisas da vida, nem se importa com o destino de seus ossos! Isto para ti representa uma filosofia de vida? Tu estás em um bordel para conversar sobre a minha “filosofia de vida” enquanto putas de pernas abertas aguardam pela entrada de nossos órgãos viris dentro delas?

- A tua vida é um perigo constante, um emaranhado de aventuras e desventuras aliadas a um furacão de desvarias e arremedos de genialidade. Sei o que tu deixarás para a Humanidade, o teu legado chegará bem longe e teu nome ficará escrito nos Anais Da Eternidade. Tua paixão pela vida é grandiosa e admirável, em questões de muitas proporções o alcance de tua poética visão vai bem longe, um alcance capaz de sacudir todas as estrelas, sóis e planetas de todos os firmamentos. Te acompanho há muito e observo-te em tuas carnais viagens, desde aquela tua serva em tua infância até aquele mancebo que há uma hora atrás sodomizastes. Há uma determinação heróica em ti, uma sede de justiça e de honra que te levarão a defender ideais pelos quais tua consciência concederá imenso valor. Muitos homens e muitas mulheres tu possuirás em teus braços; até mesmo o teu mais oculto carnal desejo será completamente realizado. Tua poesia revelará aos que te conhecerem posteriormente o completo relato de uma criatura humana que soube viver como literalmente defendia no que escrevia. És uma raridade conhecer um ser humano tão completo como tu, amante da noite, da bebida e dos prazeres carnais de um modo tão inspirado, natural e, apesar de caótico, detentor de um sentido muito maior do que se pode esperar de uma trajetória como a tua. Até a consumação dos séculos estarei presente neste mundo, caminhando aprisionado entre os mortais e desejando ser-lhes O Adversário até o dia do que é chamado de “Juízo Final”. Sou um príncipe, bem rico,assemelho-me ao rubro fogo da floresta incandescente repleta de túmulos e tumultos. Sou o príncipe deste mundo e, pela primeira vez, me deparo com alguém à minha altura, alguém que é, ao mesmo tempo, Anjo e Demônio. Eu sou como um Anjo para os que me adoram e um Demônio para os que resistem ao meu Poder. Tu também és assim para com os teus amigos e inimigos. A tua poesia apresenta requintes de uma celeste inspiração e os ideais dela as de uma profanadora perdição. Teus desejos sinto a cada dia mais exaltantes e são tão maiores quanto os meus. Tua carne lateja bem mais rápida do que qualquer carne que eu já tenha queimado com o poder da minha voz, o Poder que aqui me foi concedido para desafiar a todos os seres humanos. Já tentei desafiá-lo, mas as tuas atitudes, vendo a vida como um mar de delícias a não serem nunca negadas, de todas as formas, sem peso de consciência depois de provadas, anulam qualquer tipo de influência que eu possa ter sobre ti. Eu te invejo, Byron, tu consegues possuir a liberdade de encantar até mesmo as circunstâncias mais severas e inspira a admiração e o amor até mesmo dos Espíritos Das Trevas. Minha coroa é muito pequena diante da vossa e venho propor-te uma troca: fiques em meu lugar como O Adversário Da Humanidade e eu tomo o vosso como aristocrata, libertino e poeta. Venha Ver o que Vejo, Byron, teus sentidos serão infinitamente elevados e teus passos serão como o sibilar de uma serpente venenosa nos corações humanos dentro do silêncio de todas as madrugadas.

- Uma magnífica proposta, Satan... Viver a tua vida enquanto tu usufrui da minha... Eu ficaria com a Eternidade, seria imortal e poderia possuir até mesmo as delícias de outros mundos aos meus pés... Entendo-te, tu quer ser um humano e não um eterno inimigo dos seres humanos, sempre disposto a “matar, roubar e destruir”, como dizem os padres em seus sermões. A recompensa que eu teria seria muito maior do que a sua; quanto a isto, qual a tua recompensa ao apoderar-se de minha vida?

- Tua esperteza é tão grande quanto a minha, Byron...

- Descobri-te o truque rapidamente, Satan, pois tu não dissestes que somos iguais, comparáveis em astúcia e tenacidade? Por que tu largarias a Eternidade, sendo que Esta te dá toda sorte de chances para desviar do caminho divino um filho de Deus? Tu me iludirias com a falsa Eternidade apenas para tomar-me a alma, apoderando-se de minha vida e dos prazeres que tanto amo. Não sou vosso joguete, Satan, e nem de Deus; igualmente, nenhum homem ou mulher me tem nos dedos das mãos ou nas solas dos pés.- Toma três goles de vinho, ironicamente sorrindo para o seu estranhíssimo interlocutor. - Tu me adquires, eu perco a alma e sou lançado ao Inferno antes que me desse conta do erro que teria cometido. Muito boa a tua proposta, quase me fez acreditar nela em uma questão de alguns segundos nos quais quase com as diversa smaravilhas do mundo que tocarias com as mãos. Os besouros voam juntos em direção ao ninho de pásaros desprotegido; enquanto a mãe dos filhotes encontra-se buscando cmida, eles atacam e matam aos filhotes. Não sou um filhote, Satan, feito à imagem e semelhança do Deus Uno ou de qualquer outro Deus; e nem tu mesmo ou a tua corte de Demônios poderá me dobrar. Se uma chance pela Providência me fosse dada, eu te roubaria o cetro, o trono e a coroa, te mataria e tomaria no Inferno e na Terra o teu lugar. Tu reconheces o meu valor e eu reconheço a tua fraqueza, Tentador.

- Sou uma das mais antigas Forças Universais, Byron, não um fraco mortal fadado ao pó como tu.

- Oh, sim, “Satan é grande”, “Satan é maior”, “Satan é 'O Tentador'!”!!! - Quatro goles de vinho, a garrafa está acabando e outra é pedida por ele. - Os prazeres mais comuns, como beber vinho, são bem mais agradáveis do que uma meta de dedicar-me pela Eternidade a atormentar as vidas humanas. Sou um perdido ao Inferno condenado, eu sei, Satan, mas não vou adentrar em teu antro com obedência e silêncio. Não procuro seguir o caminho dos crentes do Poder Divino, eu mesmo tenho e faço de mim mesmo um ser divino através da força da minha poesia. Terei motivos para arrepender de minha antecipada ida para o Inferno? Não, Satan, tu queres apressar-me, mas o tempo devido para a minha condenação ao fogo de teus domínios ainda não é chegado. Tenho medo de ti, Satan, e do que poderás contra mim fazer a partir de hoje? Não,Satan, tu podes jogar todo o Universo contra mim e eu não me abalarei de minha posição para temer-te o Poder, sendo que nem mesmo a Deus eu temo. Contrario todas as leis, desrespeito a todos os juízos, denuncio a todo tipo de servidão ou escravidão e ainda saio sorrindo em meio à multidão de temerosos e covardes constituintes da massa maior da Humanidade. Noites de amor pelo mundo que posso conhecer e que ainda vou conhecer, um bom vinho, uma boa briga, uma boa poesia... Qual mortal não quereria estar em meu lugar, Satan, e não no vosso, que é todo condenatório e vexatório? - Um gole de vinho da garrafa nova à mesa posta. - Um vinho sorvido com alma, com alma, com prazer e com a satisfação deste momento repleto de eterna glória! Vês esta mulher, Satan? - Puxa ao colo uma prostituta de quentes deliciosas curvas. - Este corpo, para mim, é Inferno e Céu! No corpo de uma mulher e no de um homem encontro a minha Redenção, a minha Salvação! Nestes seios, aqui, tenho um momento de encontro com a Eternidade! Nestes lábios, aqui, tenho um momento de felicidade eterna! Entre as pernas de uma mulher, tenho um tremendo encontro com a Eternidade! Atrás de uma mulher, eu vejo a face da Eternidade! - Beija com lascívia voraz ao colo da prostituta. - Quereis a minha alma, Satan? Quereis agora a minha alma, Satan? Se tu me levares à força, prometo-te tornar-te o Inferno um lugar no qual todos me adorarão e servirão, desde os mais altos Demônios até os mais baixos condenados à danação eterna! E tu te ajoelharias aos meus pés, rendendo-me homenagens e honrarias dignas do príncipe que eu sou conforme a minha forma de vida! Vais querer levar-me agora mesmo, Satan, sem que o meu tempo tenha chegado? Eu te desafio a levar-me, a levar-me, agora mesmo! Como é ser desafiado e não desafiar, ó, nobre príncipe deste mundo?

- Tu sabes que meu Poder não pode ser contra as Leis Naturais, Lord Byron.

- Então, nobre príncipe deste mundo, não me perturbes mais nesta noite e durante a madrugada que já se aproxima, ou, então, serei obrigado a daqui expulsar-te com pontapés no rabo até a direção da rua!

- Por ora, eu o deixarei em tua pecadora paz, Lord Byron. Contudo, saibas que estarei sempre contigo e até mesmo na hora em que estiveres penetrando um rabo.

- Fiques de quatro e eu te mostrarei a Eternidade que carrego entre as minhas pernas, Satan! - Lambe os lábios e os seios desnudos da prostituta.

- Outro dia, Byron, outro dia. - Ergue-se da mesa. - Tenho mais visitas a realizar durante as próximas noturnas horas e não posso aqui demorar-me.

- Tu darás a volta ao mundo em busca de almas atormentadas e condenadas sedentas de alívio, um alívio que Deus não mais pode dar-lhes... - Um debochado grande sorriso toma-lhe conta dos lábios. - Pobre coitado tu és, Satan, condenado a viver assim pela Eternidade, atentando contra toda vida humana e satisfazendo o seu ódio contra os fracos que a ti se entregam de corpo, mente e alma! Mas, em mim, tu não tens mais um a ser tentado, pois eu mesmo penetrei o próprio Pecado e me fiz uma Força Da Natureza tanto quanto tu és uma Força Da Natureza! Estou livre da tua influência, Anjo Caído, Antiga E Eterna Serpente Tentadora! - Cospe no rosto de Satan. - E cuspo em tua falsa autoridade de príncipe deste mundo! - Beija o pescoço da prostituta.

- O próprio Deus, acima de nós, a mim te dará totalmente um dia, Lord Byron. - Ergue-se, sem, no entanto, limpar o rosto; é como se o cuspe não tivesse sido lançado contra o mesmo, não há nenhuma reação ou sensível possibilidade de alguma reação contra aquele que sujou-lhe o rosto. - Um tridente será eternamente investido contra o teu rabo.

- Vá com Deus, Satan, sejas feliz em tuas caminhadas!


O humilhado príncipe deste mundo dá-lhe as costas e ruma em direção à porta do bordel, desaparecendo à medida que caminha. Byron prossegue bebendo, cantando e acariciando a prostituta que, pondo-se embaixo da mesa, pratica um sofisticado sexo oral, sexo este que apenas profissionais do ramo dela é capaz de praticar. O libertino poeta fecha os olhos e delira de prazer, nem mais se lembrando daquele com o qual esteve a conversar e a humilhar, desafiadoramente; seus sentidos se tornam, unicamente, senhores da sensação que é pulsar no mesmo ritmo dos lábios da mulher que engole-lhe o pênis. A sensação dura alguns instantes, alguns delirantes minutos pululantes, até que o mover dos lábios dela, o calor do corpo dela, o barulho todo em redor, o barulho no teto das camas no andar superior repletas de orgias sexuais várias, pára... Pára tudo... Byron abre os olhos... Pára tudo... Byron olha para baixo... Pára tudo... Byron olha para os lados... Pára tudo... A cena poderia horrorizar outro tipo de homem,mas ao Lord Byron? O que Byron presenciou naquele quase iniciar de madrugada, em meio à meia-noite? O que faria todo o ambiente silenciar qual um cemitério ameaçador e trevosamente respeitoso? Ossos. A prostituta: um esqueleto. As outras prostitutas: esqueletos. Os outros clientes além dele: esqueletos. A bebida: pó. A comida, a qual Byron sequer tocara: pó. Ele quebra o crânio que retem-lhe o pênis, recolhendo a este e visualiza um papel negro acima da mesa, contendo o seguinte poema, lido por ele em voz alta:



Quem Pode Saber

Mais Do Que Eu

Da Medida Correta

Do Veneno Que Mais Rápido

Leva Ao Apodrecimento?

Quem Pode Ter

O Pesadelo Mais Realizável

Que Não Seja Por Mim

Despertado?

Quem Move Os Monstros

Do Mar?

Quem Move Os Monstros

Do Ar?

Quem Move Os Monstros

Do Fogo?

Quem Move Os Monstros

Da Terra?

Quem Move Os Monstros

Das Trevas?

Quem Move Os Monstros

Das Serras?

Quem Move Os Monstros

Das Montanhas?

Por Acaso,

Tu Sabes Quem Primeiro

Atira?

Por Acaso,

Tu Sabes Quem Primeiro

Rouba?

Por Acaso,

Tu Sabes Quem Primeiro

Aniquila?

Por Acaso,

Tu Sabes Quem Primeiro

Zomba?

Por Acaso,

Tu Sabes Quem Primeiro

Desgraça?

Por Acaso,

Tu Sabes Quem Primeiro Ri

E Se Felicita

Por Toda Desgraça?

Por Acaso,

Tu Sabes Quem Primeiro

Puxa A Corda Das Mãos

Do Carrasco?

Por Acaso,

Tu Sabes Quem Primeiro

Usa O Punhal Nas Mãos

Do Assassino?

Por Acaso,

Tu Sabes Quem Primeiro

Usa As Mãos Para

Um Estrangulamento?

Se Não Sabes,

Posso Agora Mesmo

Estrangular-Te.

Se Sabes,

Posso Agora Mesmo

Estrangular-Te

A Alma.

Sou Teu Eterno Inimigo,

Encontrado Nas

Ruínas,

Exaltado Nas

Sombras,

Perdido Dentro

De Tuas Lágrimas

De Dor E De Sofrimento.

Destilo Veneno

E Assombro A Tua Vigília

Quando Teu Olho

Apenas Vê O Pequeno

E O Minúsculo

Do Universo.

Peques Bastante,

Perca-Se Bastante,

Tu És Meu

Amante,

Tu És Meu

Esposo,

Tu És Meu

Companheiro Eterno.

Tu És Meu

E Nem Deus

Pode Modificar

Dentro Das Determinações

De Sua Lei

A Verdade Desta

Eterna Máxima.


Escrito Por Satan

E Dedicado

Ao Lord Byron



- Antes de cair em teus braços, tenho ainda muitas almas para tentar neste mundo, Satan, eu também sou incansável na busca da perdição dos filhos da Humanidade! Bebamos juntos do mesmo sangue, meu irmão, amigo e poeta!

Inominável Ser

BYRONEANAMENTE

TENTADO






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domingo, 22 de agosto de 2010

Morbid Angel - Chapel Of Gouls (Ao Vivo - 1989)




Ghouls attack the church
Crush the holy priest
Turning the cross towards hell
Writhe in satan's flames

Crush the priest
The feeble church

Dead - your god is dead
Fools - your god is dead
Useless prayers of lies
Behold satan's rise

Crush the priest
The feeble church
The family of dog
Lust upon my altar

Demons attack with hate
Satan in the fires of hell awaits
Death against you all
God hear my death call







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domingo, 15 de agosto de 2010

O Pentagrama Da Escarlate Vingança


"Os de nosso sangue contam que aquele pentagrama serviu a todos os mais sanguinários e perversos propósitos, desde que nos demos conta do que um símbolo pode ter de necessário para certo tipo de poder ser alcançado. Vivemos todos nós, os Astharai, dentro da lógica da violência empregada na confecção do nosso símbolo há mais de um bilhão de aeons; mesmo antes, até mesmo, da formação de muitos mundos da Criação, os de nossa Raça simbolizam a sua permanência na Rede Universal através do derramamento de sangue, do saque, do estupro, do roubo e da tomada de tudo que podemos obter. Somos senhores de um desejo de matar tão antigo quanto a própria Morte e inauguramos O Assassinato nas mais baixas Esferas. A Lenda de Kain nos simboliza e muda de nome conforme a civilização, o planeta, a galáxia e o Universo. Nos escombros de cada civilização, Anadha-Jay'laa, deixamos as marcas de nossas passagens; cada civilização que caiu teve em nós uma das causas, reduzimos a pó imensos impérios, esquartejamos reis e incineramos planetas inteiros apenas pelo poder que nos dá o símbolo maior que nos protege. Nômades universais, galgamos as mais diversas e obscuras fronteiras, sempre em busca de novas fontes de buscas de prazer em destruir planetárias estruturas. Nossa Lei está baseada em matar, saquear, destruir e abandonar, de mundo em mundo, satisfazendo os alicerces de nossos fundamentos imemoriais. Você recebe agora o nosso símbolo, Anadha-Jay'laa, o Pentagrama Dos Astharai, por ser a descendente direta de Lozyr-Jay'laa, O Fundador de nosso sistema de mortes, saques e destruições. Em suas mãos, eu, Meddot-Haa'loo, entrego o nosso Clã, o comando de nossas tropas de batalha, a direção de nossos olhos em direção a mais mundos a serem aniquilados pelo poder que nos torna Os Astharai! Conduza-nos, ó, filha de Jayn-Jay'laa e Rube-Pah'lae, ao sangue que sorveremos de todos aqueles que cruzarem as sombras de nosso Símbolo Máximo! Carregue nossas almas em seu colo! Carregue nossos corpos em seu colo! Carregue nosso sangue em seu colo!"



Com o pentagrama em sua mão esquerda, e não pendurado em seu pescoço, Anadha-Jay'laa percorre o Vale De Smu, no Planeta Iodh, Galáxia De Capric, neste nosso Universo. Ela verifica os resquícios de Intrcruzadores Galácticos em pleno estado de decomposição e conta os números de cadáveres incinerados que encontra, cada um deles decapitado pela sua espada. Silenciosa, ela procura por algum sobrevivente, alguém que ela sabe que sobreviveu ao ataque, alguém que ela admite como a causa do acidente. O seu íntimo incinera-se, ela está perto daquele que sabe ter sobrevivido; o cabo da espada em sua mão direita, repleto de sangue, fervorosamente estremece para mais uma vez ser utilizado. Cambaleando e sem os braços, um homem aproxima-se dela, que, igualmente, encontra-se ferida no crânio. O homem ajoelha-se diante dela, sem esboçar um suspiro ou gemido de dor, fitando-lhe o rosto ensanguentado e o pentagrama suspenso na mão esquerda dela.



    Decididamente, tal símbolo não serviu jamais a esse propósito por você empreendido.

    Quem define os propósitos de uma vingança desde os aeons antigos?

    Realmente, a vingança não pode ter seus propósitos definidos aleatoriamente e nem logicamente; mas, em se tratando da sua vingança, eu me pergunto...

    Não há uma possibilidade remota de eu responder-lhe qualquer pergunta, nós dois, abaixo destas nuvens acizentadas, temos que nos...

    Seus ferimentos vão matá-la, assim como os meus.

    Não se preocupe, não morrerei ainda, não antes de...

    Você vai morrer, Anadha-Jay'laa, a sua vingança não lhe renderá um positivo valor em qualquer futuro que possa ter tido.

    Me vinguei como eu queria, já tive a minha recompensa merecida.

    E valeu mesmo tudo o que você fez?

    Valeu, eu me ofereci em direção a um holocausto e facilitei o caminho de todos vocês para um múltiplo acesso direto ao Fim.

    Não esperava nada disso depois...

    Aquilo tudo foi pó, não me identifiquei com as estruturas de uma decadência que se arrastava desde que Oaen ergueu as fundamentações dos Doze Templos Azo. Não vou admitir que me diga o que se passou da maneira mais sem lógica, pois, para mim, há uma lógica que me motivou a iniciar a minha vingança.

    Mas...

    Sim, eu disse não haver uma lógica...

    Contudo, a mesma se formou em seu coração.

    Exatamente.

    Por que assim, Anadha-Jay'laa?

    Por que se lamenta, logo você, uma dos mais perversos assassinos universais?

    Você é muito pior do que eu, pois...

    Não diga isso... Não diga... Não diga...

    Nega...

    Nego, nego, nego! Nego toda esta herança, toda esta desgraça, toda esta miséria que me levou a exceutar esta vingança! Não havia mais nada que eu pudesse fazer, eu tive que seguir adiante, tratando de exterminar todos vocês de uma vez só, sem deixar um sobrevivente sequer!

    Isso não foi uma traição, nós, os Astharai, estávamos destinados a sermos extintos de uma maneira igual a esta.

    E eu, Nayo-Nai'loo, apenas instrumentalizei o destino de nosso Clã de um modo definitivo.

    Vinte milhões dos melhores guerreiros da Criação assassinados por uma mulher apenas... Eu a doutrinei muitíssimo bem nas Artes Bélicas...

    Muitos querem também o meu sangue, eu cumpro apenas uma parte maior de uma vingança representada pelo nosso símbolo...

    A vingança de muitos...

    A vingança de todos, todos eles...

    E a sua vingança, como sei.

    Como não poderia deixar de ser a minha vingança também, Nayo-Nai'loo? Eu não nego que desejava isto desde que ergui a minha espada contra o primeiro planeta que ajudei a destruir. Esta existência me levou a este ato, que, primeiramente, partiu de mim...

    E foi por Eles alimentada.

    Por Ele, apenas.

    Todos são Ele...

    A Vingança foi perfeita, a matança satisfaz aos que também se vingaram. Falta apenas que eu o mate e, depois, realize a finalização completa do ato de Vingança.

    Conclua-a, então, Adhana-Jay'laa.

    Você me ensinou as regras e contou-me as histórias de nossas carnificinas, mas nunca me imaginei efetuando esta carnificina.

    Uma carnificina que foi necessária, discípula...

    Não sinto nada...

    Não sinta, faça, termine tudo agora.

    Não me odeia, Mestre?

    Eu te amo, filha, você sempre soube que sou o seu verdadeiro pai...

    Sim, meu pai... De sangue...

    Eu e sua mãe, amantes secretos abaixo dos olhos do consorte escolhido por ela...

    Chega... de histórias...

    Sim, filha, chega...

    Adormeças Morto, Mestre!

    Sinta-se vingada, minha filha...



Um golpe desferido e a cabeça de Nayo-Nai'loo desliza por entre outras cabeças pelo solo incendiado espalhadas. Adhana-Jay'laa crava a ponta da espada no solo, continuando em pé a segurar com a mão esquerda o pentagrama, que verte agora um sangue que não é dela. Deste sangue surge uma escarlate névoa que encobre todo o Vale e diante dela surge Ovybnan, O Espírito Vingador Da Cósmica Ordem. Respeitosamente, ela abaixa a cabeça, cabeça esta apresentando um mortal ferimento que a levará à morte em questão de algumas horas cronometradas conforme a medição terrestre. Os cadáveres dos Astharai são consumidos pela névoa e seus Espíritos são aprisionados dentro de Ovybnan, cuja face, vestes e voz é Todas As Vinganças Em Todas As Sentenças De Vinganças Diante Da Cósmica Verdade. Dentro dele, os Espíritos serão, como todos os demais Espíritos imemorialmente aprisionados, torturados pelos próprios atos criminosos, recebendo infinitamente cada um praticados por eles mesmos das mãos de suas vítimas. Este é o Destino Final Dos Astharay e, sem esboçar sentimentos ou interesse nas últimas respirações de Adhana-Jay'laa, O Vingador Cósmico ergue a sua mecânica e fria voz.



    Finalizastes Tua Missão Conforme A Sagrada Ordem Da Cósmica Justiça, Estamos Contigo Satisfeitos, Temos Agora Em Nossas Prisões Os Carniceiros Que Aguardávamos Desde A Fundação Dos Primeiros Mundos Dos Outros Planos Universais. Este Sangue Impuro, O Sangue Dos Astharai, Construiu A Própria Aniquilação, Vimos A História Toda Sobre A Qual Tua Horda Escreveu O Livro Do Próprio Fim. Em Ti, Adhana-Jay'laa, Depositamos O Espírito Do Primeiro Que Foi Assassinado Por Eles E Tinhamos A Certeza De Que Tu Te Lembrarias Daquele Vosso Assassinato. Não Há Mais O Que Possamos Fazer Por Ti, Espírito Vingado, Termines O Que Iniciastes, Excluas Da Criação O Sangue Impuro Que Em Tuas Materiais Veias Corre. Cumpra A Vontade Da Cósmica Vingança Preparada Como O Banquete Maior De Todas As Vítimas Dos Astharai.



Ovybnan torna-se parte da névoa e encobre o corpo de Adhana-Jay'laa. Ela, que antes de ter a consciência de seu Dever Existencial destruira trezentos e sete mundos; exterminara dez bilhões de vidas; e assinalara seu nome como A Maior Dos Astharai, retira a lâmina da espada do solo voltando a ponta para seu pescoço. A visão que ela tem ao olhar para dentro da névoa é a das dez bilhões de almas que ela condenou a odiá-la, almas que a torturariam pelo tempo determinado pelos Senhores Supremos Da Vingança. As mãos envolvem o cabo da espada e, sem gemer ou gritar ou sofrer ou sentir dor, O Último Flagelo Cósmico Astharai crava inteiramente em seu pescoço a lâmina de 1,22 m de comprimento. Com rápidos movimentos, da esquerda para a direita, antes que abandone o corpo físico, com uma habilidade jamais demonstrada por um suicida, ela consegue decapitar-se. O Espírito Que Ela É sugado vai sendo pelo Interior de Ovybnan... A cabeça tomba acima da de Nayo-Nai'loo... E o pentagrama, que permaneceu na mão esquerda dela, desprende-se da corrente, cai ao solo antes do atlético e destemido corpo tombar, e verte misteriosas lágrimas que, elevadas pela névoa de cor escarlate, tornam-se uma melancólica finíssima chuva que nunca vai parar...



Inominável Ser

VINGADOR

A TOMBAR







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Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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