domingo, 15 de agosto de 2010

O Pentagrama Da Escarlate Vingança


"Os de nosso sangue contam que aquele pentagrama serviu a todos os mais sanguinários e perversos propósitos, desde que nos demos conta do que um símbolo pode ter de necessário para certo tipo de poder ser alcançado. Vivemos todos nós, os Astharai, dentro da lógica da violência empregada na confecção do nosso símbolo há mais de um bilhão de aeons; mesmo antes, até mesmo, da formação de muitos mundos da Criação, os de nossa Raça simbolizam a sua permanência na Rede Universal através do derramamento de sangue, do saque, do estupro, do roubo e da tomada de tudo que podemos obter. Somos senhores de um desejo de matar tão antigo quanto a própria Morte e inauguramos O Assassinato nas mais baixas Esferas. A Lenda de Kain nos simboliza e muda de nome conforme a civilização, o planeta, a galáxia e o Universo. Nos escombros de cada civilização, Anadha-Jay'laa, deixamos as marcas de nossas passagens; cada civilização que caiu teve em nós uma das causas, reduzimos a pó imensos impérios, esquartejamos reis e incineramos planetas inteiros apenas pelo poder que nos dá o símbolo maior que nos protege. Nômades universais, galgamos as mais diversas e obscuras fronteiras, sempre em busca de novas fontes de buscas de prazer em destruir planetárias estruturas. Nossa Lei está baseada em matar, saquear, destruir e abandonar, de mundo em mundo, satisfazendo os alicerces de nossos fundamentos imemoriais. Você recebe agora o nosso símbolo, Anadha-Jay'laa, o Pentagrama Dos Astharai, por ser a descendente direta de Lozyr-Jay'laa, O Fundador de nosso sistema de mortes, saques e destruições. Em suas mãos, eu, Meddot-Haa'loo, entrego o nosso Clã, o comando de nossas tropas de batalha, a direção de nossos olhos em direção a mais mundos a serem aniquilados pelo poder que nos torna Os Astharai! Conduza-nos, ó, filha de Jayn-Jay'laa e Rube-Pah'lae, ao sangue que sorveremos de todos aqueles que cruzarem as sombras de nosso Símbolo Máximo! Carregue nossas almas em seu colo! Carregue nossos corpos em seu colo! Carregue nosso sangue em seu colo!"



Com o pentagrama em sua mão esquerda, e não pendurado em seu pescoço, Anadha-Jay'laa percorre o Vale De Smu, no Planeta Iodh, Galáxia De Capric, neste nosso Universo. Ela verifica os resquícios de Intrcruzadores Galácticos em pleno estado de decomposição e conta os números de cadáveres incinerados que encontra, cada um deles decapitado pela sua espada. Silenciosa, ela procura por algum sobrevivente, alguém que ela sabe que sobreviveu ao ataque, alguém que ela admite como a causa do acidente. O seu íntimo incinera-se, ela está perto daquele que sabe ter sobrevivido; o cabo da espada em sua mão direita, repleto de sangue, fervorosamente estremece para mais uma vez ser utilizado. Cambaleando e sem os braços, um homem aproxima-se dela, que, igualmente, encontra-se ferida no crânio. O homem ajoelha-se diante dela, sem esboçar um suspiro ou gemido de dor, fitando-lhe o rosto ensanguentado e o pentagrama suspenso na mão esquerda dela.



    Decididamente, tal símbolo não serviu jamais a esse propósito por você empreendido.

    Quem define os propósitos de uma vingança desde os aeons antigos?

    Realmente, a vingança não pode ter seus propósitos definidos aleatoriamente e nem logicamente; mas, em se tratando da sua vingança, eu me pergunto...

    Não há uma possibilidade remota de eu responder-lhe qualquer pergunta, nós dois, abaixo destas nuvens acizentadas, temos que nos...

    Seus ferimentos vão matá-la, assim como os meus.

    Não se preocupe, não morrerei ainda, não antes de...

    Você vai morrer, Anadha-Jay'laa, a sua vingança não lhe renderá um positivo valor em qualquer futuro que possa ter tido.

    Me vinguei como eu queria, já tive a minha recompensa merecida.

    E valeu mesmo tudo o que você fez?

    Valeu, eu me ofereci em direção a um holocausto e facilitei o caminho de todos vocês para um múltiplo acesso direto ao Fim.

    Não esperava nada disso depois...

    Aquilo tudo foi pó, não me identifiquei com as estruturas de uma decadência que se arrastava desde que Oaen ergueu as fundamentações dos Doze Templos Azo. Não vou admitir que me diga o que se passou da maneira mais sem lógica, pois, para mim, há uma lógica que me motivou a iniciar a minha vingança.

    Mas...

    Sim, eu disse não haver uma lógica...

    Contudo, a mesma se formou em seu coração.

    Exatamente.

    Por que assim, Anadha-Jay'laa?

    Por que se lamenta, logo você, uma dos mais perversos assassinos universais?

    Você é muito pior do que eu, pois...

    Não diga isso... Não diga... Não diga...

    Nega...

    Nego, nego, nego! Nego toda esta herança, toda esta desgraça, toda esta miséria que me levou a exceutar esta vingança! Não havia mais nada que eu pudesse fazer, eu tive que seguir adiante, tratando de exterminar todos vocês de uma vez só, sem deixar um sobrevivente sequer!

    Isso não foi uma traição, nós, os Astharai, estávamos destinados a sermos extintos de uma maneira igual a esta.

    E eu, Nayo-Nai'loo, apenas instrumentalizei o destino de nosso Clã de um modo definitivo.

    Vinte milhões dos melhores guerreiros da Criação assassinados por uma mulher apenas... Eu a doutrinei muitíssimo bem nas Artes Bélicas...

    Muitos querem também o meu sangue, eu cumpro apenas uma parte maior de uma vingança representada pelo nosso símbolo...

    A vingança de muitos...

    A vingança de todos, todos eles...

    E a sua vingança, como sei.

    Como não poderia deixar de ser a minha vingança também, Nayo-Nai'loo? Eu não nego que desejava isto desde que ergui a minha espada contra o primeiro planeta que ajudei a destruir. Esta existência me levou a este ato, que, primeiramente, partiu de mim...

    E foi por Eles alimentada.

    Por Ele, apenas.

    Todos são Ele...

    A Vingança foi perfeita, a matança satisfaz aos que também se vingaram. Falta apenas que eu o mate e, depois, realize a finalização completa do ato de Vingança.

    Conclua-a, então, Adhana-Jay'laa.

    Você me ensinou as regras e contou-me as histórias de nossas carnificinas, mas nunca me imaginei efetuando esta carnificina.

    Uma carnificina que foi necessária, discípula...

    Não sinto nada...

    Não sinta, faça, termine tudo agora.

    Não me odeia, Mestre?

    Eu te amo, filha, você sempre soube que sou o seu verdadeiro pai...

    Sim, meu pai... De sangue...

    Eu e sua mãe, amantes secretos abaixo dos olhos do consorte escolhido por ela...

    Chega... de histórias...

    Sim, filha, chega...

    Adormeças Morto, Mestre!

    Sinta-se vingada, minha filha...



Um golpe desferido e a cabeça de Nayo-Nai'loo desliza por entre outras cabeças pelo solo incendiado espalhadas. Adhana-Jay'laa crava a ponta da espada no solo, continuando em pé a segurar com a mão esquerda o pentagrama, que verte agora um sangue que não é dela. Deste sangue surge uma escarlate névoa que encobre todo o Vale e diante dela surge Ovybnan, O Espírito Vingador Da Cósmica Ordem. Respeitosamente, ela abaixa a cabeça, cabeça esta apresentando um mortal ferimento que a levará à morte em questão de algumas horas cronometradas conforme a medição terrestre. Os cadáveres dos Astharai são consumidos pela névoa e seus Espíritos são aprisionados dentro de Ovybnan, cuja face, vestes e voz é Todas As Vinganças Em Todas As Sentenças De Vinganças Diante Da Cósmica Verdade. Dentro dele, os Espíritos serão, como todos os demais Espíritos imemorialmente aprisionados, torturados pelos próprios atos criminosos, recebendo infinitamente cada um praticados por eles mesmos das mãos de suas vítimas. Este é o Destino Final Dos Astharay e, sem esboçar sentimentos ou interesse nas últimas respirações de Adhana-Jay'laa, O Vingador Cósmico ergue a sua mecânica e fria voz.



    Finalizastes Tua Missão Conforme A Sagrada Ordem Da Cósmica Justiça, Estamos Contigo Satisfeitos, Temos Agora Em Nossas Prisões Os Carniceiros Que Aguardávamos Desde A Fundação Dos Primeiros Mundos Dos Outros Planos Universais. Este Sangue Impuro, O Sangue Dos Astharai, Construiu A Própria Aniquilação, Vimos A História Toda Sobre A Qual Tua Horda Escreveu O Livro Do Próprio Fim. Em Ti, Adhana-Jay'laa, Depositamos O Espírito Do Primeiro Que Foi Assassinado Por Eles E Tinhamos A Certeza De Que Tu Te Lembrarias Daquele Vosso Assassinato. Não Há Mais O Que Possamos Fazer Por Ti, Espírito Vingado, Termines O Que Iniciastes, Excluas Da Criação O Sangue Impuro Que Em Tuas Materiais Veias Corre. Cumpra A Vontade Da Cósmica Vingança Preparada Como O Banquete Maior De Todas As Vítimas Dos Astharai.



Ovybnan torna-se parte da névoa e encobre o corpo de Adhana-Jay'laa. Ela, que antes de ter a consciência de seu Dever Existencial destruira trezentos e sete mundos; exterminara dez bilhões de vidas; e assinalara seu nome como A Maior Dos Astharai, retira a lâmina da espada do solo voltando a ponta para seu pescoço. A visão que ela tem ao olhar para dentro da névoa é a das dez bilhões de almas que ela condenou a odiá-la, almas que a torturariam pelo tempo determinado pelos Senhores Supremos Da Vingança. As mãos envolvem o cabo da espada e, sem gemer ou gritar ou sofrer ou sentir dor, O Último Flagelo Cósmico Astharai crava inteiramente em seu pescoço a lâmina de 1,22 m de comprimento. Com rápidos movimentos, da esquerda para a direita, antes que abandone o corpo físico, com uma habilidade jamais demonstrada por um suicida, ela consegue decapitar-se. O Espírito Que Ela É sugado vai sendo pelo Interior de Ovybnan... A cabeça tomba acima da de Nayo-Nai'loo... E o pentagrama, que permaneceu na mão esquerda dela, desprende-se da corrente, cai ao solo antes do atlético e destemido corpo tombar, e verte misteriosas lágrimas que, elevadas pela névoa de cor escarlate, tornam-se uma melancólica finíssima chuva que nunca vai parar...



Inominável Ser

VINGADOR

A TOMBAR







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2 Cadáveres Aqui Escavaram Suas Covas:

Aмbзr Ѽ disse...

lindo post, uma história com pontas macabras e intrigantes.

http://terza-rima.blogspot.com/

Inominável Ser disse...

Pontas de uma narrativa que me contagiou, estas histórias sobrenaturalmente desenvolvidas me contagiam bastante. É um elemento muito efetivo que utilizei neste conto, a história se condensou e, ao fim, pude escrever exatamente como eu queria, sem muito envolver detalhes que ficariam desnecessariamente expostos dentro da mesma.

Agradeço-lhe pelo comentário, Amber.

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