sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A Primeira Vez Na Qual Evoquei O Diabo



Era uma época de depreciação total da minha vidinha, eu estava arruinado. Sim, muito arruinado, abandonado por todos, sufocado por todo lado e me via atolado de dívidas psíquicas, espirituais e materiais. Eu vinha de uma família evangélica escrota, mas aos quatorze anos cuspi na porra da Bíblia na frente do pilantra do pastor que era meu pai e comia todas as irmãs da igrejinha dele. Foi, então, que, expulso de casa e deserdado por ele e pela vaca da minha mãe que fui construir minha própria vida sozinho, na rua, no beco, na favela, na ponta da faca e no cano do revólver.

Mas, eu precisava de uma, digamos, parceria para continuar a ter tudo que eu desejava. Sempre fui uma criança inteligente demais, decorei a porra da Bíblia inteira aos seis anos e com nove já sabia Inglês, Francês, Alemão, Italiano e Espanhol. O que mais me encantava não era estudar, mas apenas um assunto, uma mentira ou verdade que a crentalhada doida da igrejinha do meu pai tanto temia: O Diabo.

O Diabo me atraia mais do que qualquer mulher; eu adormecia imaginando como Ele era; eu despertava ouvindo estranhos sussurros ininteligíveis em meus ouvidos, era Ele tentando falar comigo; eu ia para a escola e escrevia em todos os meus livros e cadernos o nome Dele; fazia poemas para Ele; e nos cultos daquela igrejinha escrota do escroto do meu pai, eu chamava por Ele... Eu amava O Diabo desde criança, eu O via e sentia como meu amigo mais íntimo... Eu nunca amei meus pais, minhas dez irmãs, minha família tão numerosa quanto porcos prontos para o abate, O Diabo sempre foi minha única vida! E naquele momento, quando me vi expulso de casa, decidi que era o momento de chamá-lo, de ter um contato verdadeiro e concreto com Ele!

Fiquei durante nove dias vagando sozinho pelas ruas de São João de Meriti, comendo lixo, fugindo da Polícia após roubar umas velhinhas todos os dias e usando esse dinheiro para comprar uma comidinha melhor. Nove dias a mais e encontrei uma casa abandonada, em ruínas, perto do Rio Sarapuí, na Vila Norma, onde decidi fazer o que tinha que fazer. Meia-noite em ponto (roubei o relógio de outra velhinha) e acendi a vela em uma parede ainda inteira daquela casa, me preparando durante alguns minutos para o que eu planejei. Silencioso estava tudo em redor, eu nada ouvia, o tempo parou e nem mesmo ventava, fazio frio ou calor... Então, sussurrei com fervor e amor:

- Eu te persigo há muito tempo e você nunca me mostrou seu rosto! Eu ouço a sua voz em sussuros e você nunca me beijou os lábios! Eu te desejo mais do que a minha própria vida e você nunca me tocou no rosto com carinho! Eu te adoro como jamais adorei ao maldito Deus da minha maldita família e você nunca me deu sequer uma prova da sua verdadeira existência, sempre se escondendo e fugindo quando eu chegava muito perto! Mas, eu te amo, Diabo, eu te amo como meu verdadeiro pai, como minha verdadeira mãe, como meu verdadeiro escudo, baluarte, Senhor e Salvador! Eu te amo e me entrego a você neste momento, Diabo, te oferecendo esta vela preta como um sinal de que eu me consagro ao Seu serviço, faça de mim o que quiser! Me use, me faça um dos instrumentos da Sua verdade, Diabo! Derrame sobre mim do teu óleo, Diabo, limpa-me das excrescências do filho da puta que morreu em vão naquela cruz desgraçada! Me consagre, Diabo, ao serviço de Sua guarda, ao dispor da Sua legião de guerreiros na face da Terra! Me conduza pelas chamas do Inferno Terrestre, Diabo, e me mostre o Caminho do Seu Reinado Eterno! Diabo, eu te chamo aqui! Diabo, eu te chamo aqui! Diabo, ouça-me  eu te chamo aqui! Diabo! Diabo! Diabo! Diabo! Diabo! Diabo! Diabo! Diabo! Diabo! Diabo! Diabo! Diabo!

E uma mão poderosa tocou em meu ombro esquerdo e eu me virei. Nunca me esquecerei da primeira vez na qual vi aqueles brilhantes olhos verdes-escuros...

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Hoje, aos quarenta e cinco anos de idade, sou o fundador da Igreja Messiânica do Reinado Eterno Do Senhor, presente em todos os países do mundo e mais rica e poderosa do que o Vaticano. Estou casado com uma jumenta que conhecia desde criança, tenho sete filhos e duas filhas, meus pais e irmãs são missionários da minha igreja na Ásia. Tenho ainda uma mansão nos Jardins, comprei seis times de Futebol aqui no Brasil, a bancada evangélica no Congresso Nacional me bajula como Deus, planejo unir todas as igrejas protestantes à minha, tenho contatos nos Governos de todos os países do Primeiro Mundo... Meus planos e realizações são muitos, como já perceberam, não é mesmo?

Ah, esqueci de dizer: sou um excelente orador! E toda a vez que eu prego a Palavra de Deus, na verdade estou a pregar a Palavra do meu Deus: O Diabo, meu amigo mais amado e único. Não sou hipócrita, eu matei, estuprei, roubei do povo e venci na vida mais do que você, imbecil! Através da minha igreja e do meu Deus vou conquistar o mundo inteiro dentro de poucos anos, entendeu? Você tem alguma crença ou é ateu? Seja no que for que você acredite, somente te digo: você está cultuando o Deus ou os Deuses errados...

Inominável Ser
UM OUTRO
AMIGO
DO DIABO


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domingo, 25 de outubro de 2015

Thagana, A Borack






"O Guerreiro Perfeito Nasce Do Maior Derramamento De Sangue Possível No Âmago Da Batalha Mais Feroz De Todas. Para O Guerreiro, Não Há O Dia Finalizador De Sua Marcha E Nem A Noite Fundamentadora Da Quebra De Sua Espada. Para O Guerreiro, Inexiste O Adormecimento Vazio No Esquecimento De Seu Dever De Seguir Marchando De Vitória Em Vitória. Para O Guerreiro, A Próxima Batalha A Ser Travada É Sempre A Batalha Definidora De Sua Existência. Para O Guerreiro, Toda Batalha É Afirmadora De Sua Essência Toda Plena Em Seu Dever Para Com O Estandarte A Ser Defendido No Caos, Na Ordem, Na Chama, No Frio, No Leito, No Último Respirar Do Corpo Físico. A Ti, Borack A Ler Estas Sentenças No Futuro, Deixo Todo Meu Legado De Sangue Guerreiro E Construo No Seu Futuro Um Monumento Para Toda A Nossa Raça Keauriotheniana. Que Tipo De Guerreiro Tu És, Borack? Que Tipo De Guerra Tu Travas, Borack? As Respostas Estão Em Seu Sangue, Borack, E No Sangue Que Tu Derramarás Nos Campos De Batalha."

Thagana Borack ouve a voz de seu pai, Aderhu Borack, que lhe foi Mestre nas Artes Guerreiras Keauriothenianas, no primeiro dia de seu Treinamento. As palavras iniciais do Tratado Guerreiro De Yhod Borack, O Primeiro Arquimestre Guerreiro Keauriotheniano, são importantes chamados para sua consciência. A Cidade Eterna dela, Mur, está em chamas, seus filhos estão mortos e seu ferimento no tórax é fatal. Mesmo assim, ela abraça sua amada espada Thaganaretsuhd, A Sabedoria De Thagana, como algo que ainda resta da sua honra como Guerreira Borack. Honra que as Chamas Automanifestadas Do Fogo Primeiro não apagou.

"No Fundo Da Mais Coerente Concepção Cósmica, Os Borack Filhos Da Guerra Devem Servir Ao Consorte Faminto Da Magia Eterna. O Consorte Quer Ser Saciado Com O Sangue Inimigo. O Consorte Quer Ser Saciado Com A Mais Brutal Morte Do Inimigo. O Consorte Quer Ser Saciado, Mas, Tu, Guerreiro Borack, Deve Domar A Selvageria Dele Para Poder Ser Poderoso Como O Consorte Saciado De Si Mesmo. A Honra Guerreira Total Encontra-Se No Domínio Do Selvagem Fogo Em Si Mesmo. O Selvagem Fogo Deve Ser Transmutado Dentro Da Eterna Volatilidade Do Seu Espírito Guerreiro. A Nobre Arte Da Verdadeira Alquimia É Ser Um Verdadeiro Transmutador De Si Mesmo.

Humilde Guerreira Transmutadora De Si Mesma, Thagana serviu a três Imperatrizes, sempre ciente da obediência cabível ao seu dever para com a Raça Keauriotheniana. Beria Serah, A Última Filha De Thades, foi a Imperatriz que mais amou; Selene Rinji Narinsky Jokat Nersky Samlah, A Segunda Mente Da Criação, foi a que mais respeitou; e Kaleiana Ocitilop Shodolon, A Herdeira Do Fogo Primeiro De Thornadoriusis, foi a que mais temeu. Ela viu a mãe, Thasana Borack, Deusa Keauriotheniana Da Guerra, ser assassinada por Arquimestres Baalcíferjinns da Escuridão durante a Guerra De Keauriothen Contra Baalcífer; auxiliou os Soberanos Thidan e Thaiden Ocitilop Shodolon a estabelecerem Beria como a Herdeira Eterna do Trono Keauriotheniano; na Guerra Pela Manutenção Ou Destruição De Eden Al Sophor, viu Beria renunciar e apoiou o Governo de Selene; por esta, até mesmo chegou a matar amigos de infância a fim de que a Autoridade Governamental Soberana da mesma fosse confirmada; na Rebelião De Kaleiana, decidiu entregar-se a fim de que seu Clã fosse poupado da carnificina promovida pela mesma para chegar ao Trono; e, após doze Eras servindo a Louca Kaleiana, decidiu liderar sua própria rebelião a fim de destroná-la por causa das crescentes atrocidades cometidas contra os próprios Keauriothenianos desde que a Loucura Espiritual tocou naquela. Mesmo não sendo uma Deusa como a mãe, Thagana conseguiu reunir insatisfeitos com o Governo de Kaleiana por toda a Galáxia De Andrômeda, mas, em nove Anos Universais, o Fogo Primeiro apagou-lhes as esperanças guerreiras... E seu ferimento no tórax abre-se mais em meio às Chamas Primeiras consumidoras de Mur...

"Ao Guerreiro Cabe Ceifar Não Apenas O Inimigo, Mas Toda Ressonância Da Ardorosa Arrogância Na Alma. Ao Guerreiro Cabe Ressaltar A Humildade Da Espada Empunhada Como A Unidade Da Atitude Para Com O Grande Espírito Da Guerra Automanifestada. É A Tal Espírito Que O Guerreiro Verdadeiramente Ama. É A Tal Espírito Que O Guerreiro Verdadeiramente Deseja. É A Tal Espírito Que O Guerreiro Verdadeiramente Eleva Ao Lado Como Eterno Consorte. É Com Tal Espírito O Verdadeiro Matrimônio Do Guerreiro, A Sagrada Cerimônia Do Batismo Espiritual Com Os Verdadeiros Princípios Guerreiros. Acima Da Guerra Automanifestada E Do Dever De Guerrear Por Um Dever Existencial Maior Nada Mais Deve Se Elevar. A Concentração Única Daquele Que Guerreia É Guerrear."

Thagana, A Borack, assim chamada desde antes da morte da sua mãe, que foi uma das Maiores Deusas Cósmicas Guerreiras Keauriothenianas. Dentro Da Linhagem Cósmica Dos Borack, os que melhor Representam a Face Cósmica Da Magia Eterna na Primeira Raça Perfeita Da Criação, ela pertence às Boracktheaudhthtos, Os Cósmicos Borack Da Espada Automanifestada Da Magia Eterna. Trigésima Terceira Portadora da Espada, Herdada da mãe, Thagana evoluiu para o Nível de Arquimestra, Condição que agrega Campos Ativos que transitam entre todas as Categorias Evolutivas. Tendo sido seu pai um Ser Comum, ela foi menos poderosa, em Termos Evolutivos, do que a mãe; no entanto, como Guerreira Borack, a esta superou, principalmente por ter a capacidade de destruir sozinha Exércitos cujo contigente de Soldados equivale à população de cem mil Universos. E ela, sozinha, movida pela fúria do assassinato de sua mãe, foi a responsável pela redução do Poderio Baalciferjinn, o que garantiu a vitória de Keauriothen. Mas, contra O Fogo Primeiro, nem mesmo pôde aproximar-se de Kaleiana ao invadir seu planeta-natal, Keauriothen... Com suas quinhentas Legiões foi consumida por todo o planeta... E refugiou-se em sua cidade-natal com a ferida no tórax cada vez mais abrindo-se... E as Chamas Primeiras aproximando-se...

"Borack, Seu Destino Guerreiro É Traçado Pelo Kosmos. O Kosmos Guerreia Em Tua Alma. O Kosmos Guerreia Em Tua Mente. O Kosmos Guerreia Em Teu Coração. O Kosmos Guerreia Em Teu Corpo. Ouças O Kosmos Ressoando Em Teu Ser Totalmente. Ouças O Kosmos Gritando Em Teu Ser Continuamente. Ouças O Kosmos Agitando Teu Ser Onipotente, Onisciente E Onipresente No Dever De Guerrear Por Grandes Caminhos E Grandes Causas. Não É Apenas A Causa Keauriotheniana. Não É Apenas O Caminho Keauriotheniano. Toda Nobre Causa E Todo Nobre Caminho Na Criação É Teu Onipotente, Onisciente E Onipresente Dever Defender, Mesmo Sendo Morto Ou Extinto. Teu Quinhão, O Definitivo Quinhão, É A Eternidade, Guerreiro Borack."

A ferida abrindo-se... As Chamas Primeiras chegando... A espada não é largada... A espada não é abandonada... A espada não é esquecida... Ela é uma Guerreira Borack entre todos os Guerreiros Borack! Ela É Uma Borack! Ela Sempre Foi Uma Borack! Ela Sempre Será Uma Borack! É! Sempre! Será!

"Todo Guerreiro Borack Constrói Seu Templo Da Guerra Dentro Da Própria Existência."

A ferida aberta no tórax revela suas entranhas... As Chamas Primeiras tocam em seus pés... O tórax dela está totalmente aberto... As vísceras pulsam... Os pulmões quase não estão funcionando... O coração quase não está batendo... Mesmo assim, ela ergue-se, apoiada na ponta lâmina da espada cravada no solo... As Chamas Primeiras sobem pelas pernas dela...

"Todo Guerreiro Borack Sentencia-Se Ao Juízo Além Dos Portões Redentórios Da Vida E Da Morte, Da Construção E Da Reconstrução, Do Nascimento E Do Renascimento, Da Criação E Da Extinção."

As Chamas Primeiras sobem pelos quadris...

"Todo Guerreiro Borack Ergue Seu Próprio Véu De Mistérios Próprios Ao Verdadeiro Serviço A Favor Da Devoção Ao Total Desprendimento Para Com As Torpezas E Vaidades Materiais."

As Chamas Primeiras consomem o tórax aberto...

"Todo Guerreiro Borack Não É Um Guerreiro Borack."

As Chamas Primeiras consomem os braços e o crânio de Thagana...

"Todo Guerreiro Borack É Apenas Um Guerreiro."

E o pó de Thagana e de Mur tornam-se um só.

Inominável Ser
BÉLICO
CRONISTA
INOMINÁVEL
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domingo, 11 de outubro de 2015

Seios E Crucifixos




Adriano, O Estrangulador; Rafael, O Apunhalador; Diego, O Estuprador; Renato, O Sufocador; Sérgio, O Espancador; Alejandro, O Traficante; Zenon, O Ladrão; Ferdinando, O Sequestrador; e Luciano, O Contrabandista: os nove amantes da proprietária do Clube De Nergjalataub, reunidos no imenso salão central, cada um sentado em uma mesa a beber o sangue de bebês sacrificados por cada um deles em rituais aos respectivos Demônios-da-Guarda que lhes protegem desde o início do contato com A Freira. São servidos pelas Estranhas, as doze eficientes garçonetes nuas, de corpo tatuado com símbolos da Primeira Loja Antiga e portando crucifixos de madeira ao pescoço, que lhes oferece as carnes assadas daqueles bebês e dos mais exóticos sacrifícios oferecidos aos do Submundo Abismal. Magnífica, triunfal e soberana, Zenaida, A Freira, adentra no salão, com o rosto sempre em sombras envolto e uma negra aura a circundá-la, aura emissora de onipotente, onisciente e onipresente malignidade, lascívia e sabedoria conhecedora de cada meandro das humanas podridões. Ela veste uma túnica transparente negra, estando nua por baixo, revelando um corpo magro, belo e firme cuja idade é incalculável. Ao pescoço, ela porta o mesmo crucifixo de madeira e, ao vê-la, as Estranhas ajoelham-se e seus amantes fazem o mesmo, revelando o respeito à proprietária do Clube e a uma Representante Maior Dos Antigos na Face Terrestre Material.

A Noite chegou e cada amante dela está preparado.

Permanecendo em pé à frente das mesas treze metros, ela observa os silenciosos amantes à sua frente. Cada um conhece-lhe o rosto de uma maneira, já que a cada amante seu ela revela um diferente, assim como é diferente para cada um na idade, na estatura, na cor da pele, dos olhos e dos cabelos. O corpo, no entanto, permanece o mesmo quando distante sexualmente deles, com destaque para os seios médios e bonitos que incham, crescem e sangram durante a foda que é sempre produtiva de profundas multiplicidades de orgasmos. Ela os observa da escuridão envolvendo suas verdadeiras feições, com respeito e admiração, são eles excelentes escolhas entre os mais sujos e amorais da Espécie Humana nestes desgraçados tempos sujos e amorais de uma civilização pronta para o abate que advirá das Profundezas Abismais. Nada pode ser visto de sua verdadeira face, mas o som de seu riso de satisfação agora é ouvido.


- Boa noite, meus Gloriosos Consortes! Filhas, podem recolher a bebida e a comida, A Noite deles vai iniciar-se agora.


Sua voz é trovão, alta e assustadora.

A Noite chegou e seus amantes estão preparados.

As Estranhas trabalham tão rápido e silenciosas que tudo nas mesas é retirado, sem que nada seja derramado nas mesmas ou no piso do salão. Zenaida dispensa-as com um gesto da mão esquerda e se dirige aos Consortes:


- Sentem-se agora e me ouçam antes do início da Noite.


Sua ordem é solene e silenciosamente obedecida.

A Noite se afirmando cada vez mais feroz e veloz, eles estão preparados.


- Seus talentos me atraíram, assim como eu sou para cada um de vocês uma iinspiração em tudo que me oferecem como tributo. Gosto de vocês, gosto da dor que provocam e do terror que destilam nos corações dos demais humanos. Vocês não se conhecem, mas são parecidos no que possuem dentro do coração: a árvore de uma crueldade que faz brotar em redor miríades de crimes, abominações e devastações que me são muito queridas. Mas, somente um de vocês, após esta noite, vai deixar de ser humano e passará a ser o meu 966° Esposo Definitivo, como A Obscura Lei do Convento Do Abismo convenciona no contrato do Tratado que cada um firmou comigo. A Noite Definidora é hoje, meus Consortes, e aqui é o palco que escolherá aquele que me acompanhará até meu Reino. Quero que se ergam agora, lutem entre si, derramem o sangue um do outro aqui neste recinto! Quero que lutem pela Imortalidade que o Povo Do Abismo oferece a um de vocês que sobreviver à Noite Do Combate Definidor! Suas armas preferidas estão com vocês, vamos, lutem agora por mim, meus queridos! Por mim, pelo Abismo e por tudo que arrasará em breve a este mundo! Lutem, humanos, e que um de vocês possa comigo dançar na Escuridão Que Eu Represento!


O Estrangulador voa em direção ao pescoço do Sequestrador, diante do olhar surpreso dos demais. Cada um sabia dos termos sobre A Noite no Tratado, mas não como a mesma se daria. Em trinta segundos, O Estrangulador mata seu oponente, que sequer teve tempo de sacar a Magnum 44 que à cintura portava devido à colossal força das mãos no pescoço e do peso do corpo do mesmo que lhe impediu esboçar alguma reação. O Estrangulador se apossa da Magnum, se ergue e Zenaida grita, euforicamente entusiasmada:


- Consortes, o primeiro de vocês já caiu! Vão deixar que O Estrangulador ganhe? Lutem por mim, lutem, LUTEM!!!


Todos os demais abaixam-se e usam as mesas como escudos para se defenderem dos tiros desferidos pelo Estrangulador. O Traficante reage, sacando a Ingram M-10 da maleta que carrega e oferecendo ao Estrangulador buracos enormes no corpo da testa aos pés. Com este morto, O Traficante tenta carregar outro pente, mas é apunhalado nas costas pelo Apunhalador, portador de uma lâmina de aço de vinte e dois centímetros. Enquanto alucinadas punhaladas vão sendo desferidas, O Espancador é sufocado pela toalha de uma mesa pelo Sufocador; O Estuprador engalfinha-se com O Ladrão, que empunha uma peixeira; e O Contrabandista, com seu machado de estimação, racha ao meio o crânio do Apunhalador, que continuava a apunhalar O Traficante, que havia morrido após a 215° punhalada.

A Noite arrebatadora é observada pelas Estranhas nas sombras do salão.

Os seios de Zenaida crescem com as vibrações da violência transbordando por todo salão.

O Contrabandista decapita O Apunhalador para garantir a morte do mesmo e corre em direção ao Estuprador e ao Ladrão, ainda engalfinhados. Mas, é interceptado pelo Sufocador, que, após matar O Espancador, usa a mesma toalha para envolver a cabeça do Contrabandista, que tenta atingi-lo, sem sucesso. O Estuprador consegue se desvencilhar do Ladrão, que utiliza a peixeira com o intuito de abrir-lhe o abdômen, em uma velocidade sobrehumana. O Sufocador recebe uma machadada no lado esquerdo da cabeça, fraca, mas que abre um corte que abundantemente começa a sangrar. O Estuprador consegue pôr a mão direita no bolso interno de seu terno e pega um pequeno frasco de ácido sulfúrico, que joga no rosto do Ladrão, que terrivelmente grita, caindo e enlouquecidamente brandindo a peixeira de um lado para o outro.

As Estranhas, nas sombras, se excitam com a violência e começam a se masturbar com as mãos dos bebês que foram sacrificados.

Os seios de Zenaida incham, alimentados pelo fulgor da violenta sequência de acontecimentos à sua frente.

O Estuprador gargalha e com as últimas três balas da Magnum 44 desfere tiros na cabeça do Ladrão. O Contrabandista, quase a perder a consciência, consegue cravar a lâmina do machado na testa do Sufocador. Instintivamente, O Contrabandista retira de suas últimas forças os reflexos necessários para se desvencilhar da toalha, erguer-se e fugir, correndo pelo salão, da rajada da Ingram recarregada pelo Estuprador. Todo o pente é descarregado, mas nenhuma bala atinge O Contrabandista, que aproveita para correr em direção ao adversário, que, de costas para ele, sorridente e calmo, carrega mais um pente na arma. Virando-se no momento certo, O Estuprador descarrega tudo no tórax do Contrabandista, que, em um último esforço, consegue cravar a lâmina do machado no alto do crânio daquele.

As Estranhas foram atingidas pelas balas da Ingram, mas nada sentem, gozando sangue abundante das bucetas ao fim da masturbação.

Zenaida também foi atingida, nada também sentindo e abundantemente sangrando nos seios, agora enormes.

A Freira caminha em direção ao sobrevivente, que por força de uma vontade infinitamente pervertida e perversões, sobreviveu mesmo contundentemente ferido. Ela se ajoelha ao lado do sobrevivente, a este oferecendo o sangue de seus seios, fortalecedor, nutritivo e constituído da Obscura Substância Oculta que forma todo Alto Ser Abismal. O Sobrevivente bebe do Sangue da Freira e se revigora, abrindo os olhos e retirando do alto do crânio o machado cravado. E Ardhonzin, o Demônio-da-Guarda do vencedor, se materializa na forma de uma bela menina loura nua montada em um corcel vermelho. A visão de Ardhonzin, pela primeira vez à sua frente, excita e faz gargalhar ao vencedor. Diego, O Estuprador, venceu.


- Bem-vindo sejas, Estuprador, ao meu Convento.


E o crucifixo de madeira no pescoço dela abre Os Portões Abismais. As Estranhas se aproximam, retiram dos pescoços seus crucifixos e erguem O Estuprador. Os crucifixos tornam-se correntes de um estranho material a envolvê-lo do pescoço aos pés. E Ardhonzin agarra-o e o põe à frente de si, acima do corcel.


- O que é isto, Freira?
- É o seu prêmio, meu ex-Consorte.
- Prêmio? Eu pedi...
- "Escravas sexuais infinitas"... Sim, eu me lembro...
- O que estão fazendo? O que?
- Ex-Consorte, eu sou apenas uma das Freiras do Convento ao qual sirvo. A Madre Superior é que agora tem direitos de propriedade sobre você.
- Eu serei... Escravo?
- No Convento, Esposo corresponde ao que os humanos conhecem como Escravos. 
- Não... Zenaida, não... Não!
- Foi uma bela luta a desta Noite, Diego, mas tenho trabalho a fazer, novos pretendentes para se casarem com O Convento.
- Zenaida, eu dei tudo por você! Eu estuprei até meus pais, minhas namoradas, minhas esposas, meus filhos, meus cães, meus gatos! Tudo por você, eu te amo, eu te amo, EU TE AMO!!!
- Também te amo, como amei estes que hoje aqui morreram, os anteriores e os posteriores que aqui morrerão. E cada um reagiu como você agora está reagindo. Mas, é compreensível...
- Desgraçada! Vagabunda mentirosa! Desgraçada! DESGRAÇADA!!!
- Levem-no, Filhas, agora.
- DESGRAÇADA!!! PIRANHA ARROMBADA!!! VADIA DESGRAÇADA!!! DESGRAÇADAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Aos gritos, Diego é levado por Ardhonzin e pelas Estranhas em direção ao Convento e os Portões são fechados. Zenaida, A Freira, da escuridão de seu semblante, olha para os cadáveres e para o sangue no piso... O sangue reflete seu Verdadeiro Rosto, O Obscuro Belo Rosto Que Nenhum Ser Humano Um Dia Irá Admirar. E, enquanto admira na poça de sangue seu próprio rosto, enfia no cu o crucifixo e se masturba, fazendo os seios crescerem, incharem e sangrarem cada vez mais...

Inominável Ser
AMANTE
DE SEIOS
E CRUCIFIXOS
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domingo, 4 de outubro de 2015

Idílios De Um Necrolover





É doce o prazer que provocado é pela sua pele tão dura, tão fria, tão amante da minha nesta hora bendita... A hora que a minha alma mais aguardou durante quinze anos chegou, enfim... Quando você era vivo, eu não te amava tanto assim, seu perfume barato me enojava, suas palavras me davam raiva, seu sorriso me esgotava, suas gargalhadas me entediavam e toda sua personalidade não me agradava... Você era um saco, cara! Um porre! Uma mala! Mesmo assim, eu te amava um pouquinho, meu homem saboroso, meu gostoso oficial, sabendo que preferia vê-lo morto para que o prazer de te penetrar fosse maior... E, hoje, realizo esse meu sonho comendo este seu cu frio, duro e muito mais apertadinho do que nunca...


- Antônio, vamos nessa semana para Salvador? Já tá pertinho o Carnaval, meu amor, quero que a gente tenha uma semana bem agradável por lá!


Viajamos para aquela cidade em plena época de Carnaval, a festa que me era a mais amada. Amada porque, durante essa época, as pessoas são muito despreocupadas, procurando apenas comer umas às outras, pular pelas ruas como macacos em uma selva e beber até perderem toda razão. Para caçar meus gostosos, era época maravilhosa e naqueles sete dias do Carnaval de Salvador, cacei com muito prazer cada um que me atraiu... O legal de ser médico é saber dopar bem uma pessoa e sempre antes do nosso jantar, eu dava para ele um coquetel especial de sedativos na dosagem certa, que o faziam dormir por dez horas seguidas. Tão burro e apaixonado por mim, eu e ele passávamos incessantemente pela cidade durante o dia e nem desconfiava que eu o dopava toda noite, saindo para caçar, como sempre fizera em nossa cidade. Eu me esgueirei muito bem pelos redutos gays de Salvador e escolhi meus gostosos a dedo; e com todos os meus dedos no pescoço dos viadinhos, enquanto os fodia amarrados à cama, ia estrangulando-os, estrangulando-os, estrangulando-os... Até que morriam enquanto eu continuava a comê-los até o romper da manhã. Um por noite durante sete noites, meu recorde em todos esses meus quarenta e nove anos de idade.


- Olha, nessas férias, amor, vamos para Florianópolis! Quero muito visitar essa cidade, conhecer o pessoal de lá, me divertir!


Era ele quem sempre decidia nosso destino em férias e feriados; e eu concordava, sempre, porque queria muito saborear carne fria de muitas cidades diferentes pelo Brasil... Tomei por lá mais precauções, assim como em minha cidade, durante os trinta dias que ficamos por lá. Eu o dopava apenas uma noite por semana, aos sábados, e saboreei quatro inesquecíveis gostosos que fiz de souvenires exóticos naquelas noites frias. Belos moleques que vendiam o cu pelas ruas a preços medianos, muito bons de cama depois de mortos. 


- Olha, tô pensando na gente passar o Natal e Ano-Novo no Rio de Janeiro... O que tu acha, Antônio?


Concordei, claro, o Rio de Janeiro é a minha cidade preferida, já me deliciei por lá umas doze vezes bem antes de conhecer meu companheiro. Cidade maluca, muito movimentada em épocas festivas e o mesmo descuido das pessoas em relação à sua segurança pessoal. Adorava caçar em Ipanema, Copacabana, Botafogo, Leme, Leblon, Flamengo, no Centro, todas as vezes que visitei a cidade. Não foi diferente durante os nove dias que passei com meu gostoso oficial naquela cidade fornicadora. Me empolguei na caça de tal maneira que me satisfiz com doze naqueles dias, chegando a pegar duas duplas de michês que dopei, estrangulei e foi com calma pela madrugada inteira... A sorte de eu nunca ter sido pego até hoje é que eu sabia como dar a impressão, na cena do crime, de que sempre eram crimes passionais ou de clientes insatisfeitos e, não, obra de um necrolover (prefiro me classificar assim, melhor do que ser chamado de necrófilo ou serial killer, termos muito vulgares para mim). Para isso, facas, machadinhas, punhais, pistolas com silenciadores sempre lembrava de levar em minha maleta... Ah, e luvas eu sempre usava tocando nos meus gostosos... E como a Polícia Brasileira não possui um CSI e nem gente inteligente fe verdade dentro dela, tranquilamente consegui construir uma carreira sólida como necrolover.


- Ai, vamos viajar de férias pra...

- Ah, esse ano quero passar o Carnaval em...

- Querido, que tal passar o Natal e o Ano-Novo em...


Quinze anos se tornaram monótonos após aquele nosso primeiro ano de casamento. Não que eu estivesse enjoado de caçar, mas, com o tempo, a presença dele ao meu lado começou a me atrapalhar. Eu o usava como a chance de ir de um lado a outro do país em datas e ocasiões especiais, já que a maior parte de nossa renda partia dele, um empresário do ramo Fitness com duzentas e cinquenta academias pelo país. O que passou a me entediar com o passar dos anos foi a presença de um parceiro sexual vivo ao meu lado... Os mortos me dão muito mais prazer, foder um cu que pouco a pouco alcança o rigor mortis é uma experiência transcendental para mim... Foder um cu de cadáver é o meu hobby, um instante no qual eu não procuro pensar na minha carreira, nos meus pacientes e nele... Continuei a amá-lo, sim, mas me sentia cada vez mais obcecado em comê-lo morto.


- ... e sabe o que aquela cachorra teve a coragem de me dizer? Que eu precisava parar de ter medo de expandir minhas academias para fora do Brasil! Vadia burra, não sabe que a porra daquela vaca que a gente tem como Presidente tá fodendo todo mundo? E eu estou abaixo do ranking dos vinte milionários maiores brasileiros, como você sabe, meu amor!


Na noite de ontem, enquanto eu dirigia e ele falava, meus olhos observavam apenas a praia do litoral da nossa cidade. Nunca levei meus gostosos para uma praia, temia ser interrompido no ato do estrangulamento ou no da foda com o cadáver de um deles. Mas, hoje, me deu vontade de foder na areia da praia da minha cidade... Era uma da manhã, voltávamos de uma festa para casa, tudo estava deserto no litoral apesar do calorão que faz. E me inspirei, ficando de pau duro e pensando nele, em nós dois, na areia da praia... Encostei o carro e o convidei, o que ele, sem pestanejar, aceitou na hora.


- Sempre o seu romantismo me impressiona, Antônio... Me come com vontade, me enraba com raiva, tá?


Nos despimos dentro do carro e corremos em direção ao mar. Caímos juntos na água e, abraçados, rolamos pela areia nos beijando selvagens, sendo banhados pelas furiosas ondas. Ele ficou de quatro e meti meu pau com tudo, fechando os olhos e metendo, metendo, metendo, com tudo! E me lembrei dos meus gostosos, de cada um deles, amarrados, sendo estrangulados, se debatendo de prazer até morrerem... E minhas mãos deslizaram dos quadris do meu gostoso oficial em direção ao pescoço, que comecei a apertar, apertar, apertar... Senti que ele não estava gostando porque começou a me socar, a tente se livrar das minhas mãos, da minha pica... No entanto, eu sempre fui mais forte do que ele, vinte anos de fisiculturismo comprovam isso... E fui apertando, apertando, apertando, o pescoço delicado do meu gostoso oficial... Apertando, apertando, apertando... Comendo o cu dele... Apertando, apertando... Comendo o cu... Apertando... Comendo... E ele morreu..

E eu continuei comendo o cu dele...

E eu continuo comendo o cu dele...

Comendo o cu dele...

Comendo o cu dele...

Comendo o cu dele...

Agora, já é de manhã e eu não me importo em ser observado de longe pelos primeiros frequentadores desta praia. Alguns estão filmando com celular, mas não vai demorar muito até que algum deles perceba que o meu parceiro está morto e chame a Polícia. Mas, não me importa, não mesmo, já estava na hora de me aposentar da minha profissão de necrolover com uma saideira sensacional aqui na minha cidade, Caiçara do Norte. Assim como me cansei de foder quase todo dia, obrigatoriamente, com um cara vivo, cansei de esconder do mundo inteiro a minha profissão de verdade, melhor do que a de médico legista e fisiculturista profissional. Que o mundo me conheça... E reconheça o meu talento... E encerro a minha carreira com o meu amado companheiro, Agnaldo, o único homem que eu amei, o amor da minha vida... Ah, Agnaldo, seu cu agora está muito mais gostoso do que antes... Saiba que eu sempre vou te amar, ainda mais agora que você está morto... Morto e gostoso demais, como nunca fora quando estava vivo...


Inominável Ser
NECROWRITER
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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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