domingo, 4 de outubro de 2015

Idílios De Um Necrolover





É doce o prazer que provocado é pela sua pele tão dura, tão fria, tão amante da minha nesta hora bendita... A hora que a minha alma mais aguardou durante quinze anos chegou, enfim... Quando você era vivo, eu não te amava tanto assim, seu perfume barato me enojava, suas palavras me davam raiva, seu sorriso me esgotava, suas gargalhadas me entediavam e toda sua personalidade não me agradava... Você era um saco, cara! Um porre! Uma mala! Mesmo assim, eu te amava um pouquinho, meu homem saboroso, meu gostoso oficial, sabendo que preferia vê-lo morto para que o prazer de te penetrar fosse maior... E, hoje, realizo esse meu sonho comendo este seu cu frio, duro e muito mais apertadinho do que nunca...


- Antônio, vamos nessa semana para Salvador? Já tá pertinho o Carnaval, meu amor, quero que a gente tenha uma semana bem agradável por lá!


Viajamos para aquela cidade em plena época de Carnaval, a festa que me era a mais amada. Amada porque, durante essa época, as pessoas são muito despreocupadas, procurando apenas comer umas às outras, pular pelas ruas como macacos em uma selva e beber até perderem toda razão. Para caçar meus gostosos, era época maravilhosa e naqueles sete dias do Carnaval de Salvador, cacei com muito prazer cada um que me atraiu... O legal de ser médico é saber dopar bem uma pessoa e sempre antes do nosso jantar, eu dava para ele um coquetel especial de sedativos na dosagem certa, que o faziam dormir por dez horas seguidas. Tão burro e apaixonado por mim, eu e ele passávamos incessantemente pela cidade durante o dia e nem desconfiava que eu o dopava toda noite, saindo para caçar, como sempre fizera em nossa cidade. Eu me esgueirei muito bem pelos redutos gays de Salvador e escolhi meus gostosos a dedo; e com todos os meus dedos no pescoço dos viadinhos, enquanto os fodia amarrados à cama, ia estrangulando-os, estrangulando-os, estrangulando-os... Até que morriam enquanto eu continuava a comê-los até o romper da manhã. Um por noite durante sete noites, meu recorde em todos esses meus quarenta e nove anos de idade.


- Olha, nessas férias, amor, vamos para Florianópolis! Quero muito visitar essa cidade, conhecer o pessoal de lá, me divertir!


Era ele quem sempre decidia nosso destino em férias e feriados; e eu concordava, sempre, porque queria muito saborear carne fria de muitas cidades diferentes pelo Brasil... Tomei por lá mais precauções, assim como em minha cidade, durante os trinta dias que ficamos por lá. Eu o dopava apenas uma noite por semana, aos sábados, e saboreei quatro inesquecíveis gostosos que fiz de souvenires exóticos naquelas noites frias. Belos moleques que vendiam o cu pelas ruas a preços medianos, muito bons de cama depois de mortos. 


- Olha, tô pensando na gente passar o Natal e Ano-Novo no Rio de Janeiro... O que tu acha, Antônio?


Concordei, claro, o Rio de Janeiro é a minha cidade preferida, já me deliciei por lá umas doze vezes bem antes de conhecer meu companheiro. Cidade maluca, muito movimentada em épocas festivas e o mesmo descuido das pessoas em relação à sua segurança pessoal. Adorava caçar em Ipanema, Copacabana, Botafogo, Leme, Leblon, Flamengo, no Centro, todas as vezes que visitei a cidade. Não foi diferente durante os nove dias que passei com meu gostoso oficial naquela cidade fornicadora. Me empolguei na caça de tal maneira que me satisfiz com doze naqueles dias, chegando a pegar duas duplas de michês que dopei, estrangulei e foi com calma pela madrugada inteira... A sorte de eu nunca ter sido pego até hoje é que eu sabia como dar a impressão, na cena do crime, de que sempre eram crimes passionais ou de clientes insatisfeitos e, não, obra de um necrolover (prefiro me classificar assim, melhor do que ser chamado de necrófilo ou serial killer, termos muito vulgares para mim). Para isso, facas, machadinhas, punhais, pistolas com silenciadores sempre lembrava de levar em minha maleta... Ah, e luvas eu sempre usava tocando nos meus gostosos... E como a Polícia Brasileira não possui um CSI e nem gente inteligente fe verdade dentro dela, tranquilamente consegui construir uma carreira sólida como necrolover.


- Ai, vamos viajar de férias pra...

- Ah, esse ano quero passar o Carnaval em...

- Querido, que tal passar o Natal e o Ano-Novo em...


Quinze anos se tornaram monótonos após aquele nosso primeiro ano de casamento. Não que eu estivesse enjoado de caçar, mas, com o tempo, a presença dele ao meu lado começou a me atrapalhar. Eu o usava como a chance de ir de um lado a outro do país em datas e ocasiões especiais, já que a maior parte de nossa renda partia dele, um empresário do ramo Fitness com duzentas e cinquenta academias pelo país. O que passou a me entediar com o passar dos anos foi a presença de um parceiro sexual vivo ao meu lado... Os mortos me dão muito mais prazer, foder um cu que pouco a pouco alcança o rigor mortis é uma experiência transcendental para mim... Foder um cu de cadáver é o meu hobby, um instante no qual eu não procuro pensar na minha carreira, nos meus pacientes e nele... Continuei a amá-lo, sim, mas me sentia cada vez mais obcecado em comê-lo morto.


- ... e sabe o que aquela cachorra teve a coragem de me dizer? Que eu precisava parar de ter medo de expandir minhas academias para fora do Brasil! Vadia burra, não sabe que a porra daquela vaca que a gente tem como Presidente tá fodendo todo mundo? E eu estou abaixo do ranking dos vinte milionários maiores brasileiros, como você sabe, meu amor!


Na noite de ontem, enquanto eu dirigia e ele falava, meus olhos observavam apenas a praia do litoral da nossa cidade. Nunca levei meus gostosos para uma praia, temia ser interrompido no ato do estrangulamento ou no da foda com o cadáver de um deles. Mas, hoje, me deu vontade de foder na areia da praia da minha cidade... Era uma da manhã, voltávamos de uma festa para casa, tudo estava deserto no litoral apesar do calorão que faz. E me inspirei, ficando de pau duro e pensando nele, em nós dois, na areia da praia... Encostei o carro e o convidei, o que ele, sem pestanejar, aceitou na hora.


- Sempre o seu romantismo me impressiona, Antônio... Me come com vontade, me enraba com raiva, tá?


Nos despimos dentro do carro e corremos em direção ao mar. Caímos juntos na água e, abraçados, rolamos pela areia nos beijando selvagens, sendo banhados pelas furiosas ondas. Ele ficou de quatro e meti meu pau com tudo, fechando os olhos e metendo, metendo, metendo, com tudo! E me lembrei dos meus gostosos, de cada um deles, amarrados, sendo estrangulados, se debatendo de prazer até morrerem... E minhas mãos deslizaram dos quadris do meu gostoso oficial em direção ao pescoço, que comecei a apertar, apertar, apertar... Senti que ele não estava gostando porque começou a me socar, a tente se livrar das minhas mãos, da minha pica... No entanto, eu sempre fui mais forte do que ele, vinte anos de fisiculturismo comprovam isso... E fui apertando, apertando, apertando, o pescoço delicado do meu gostoso oficial... Apertando, apertando, apertando... Comendo o cu dele... Apertando, apertando... Comendo o cu... Apertando... Comendo... E ele morreu..

E eu continuei comendo o cu dele...

E eu continuo comendo o cu dele...

Comendo o cu dele...

Comendo o cu dele...

Comendo o cu dele...

Agora, já é de manhã e eu não me importo em ser observado de longe pelos primeiros frequentadores desta praia. Alguns estão filmando com celular, mas não vai demorar muito até que algum deles perceba que o meu parceiro está morto e chame a Polícia. Mas, não me importa, não mesmo, já estava na hora de me aposentar da minha profissão de necrolover com uma saideira sensacional aqui na minha cidade, Caiçara do Norte. Assim como me cansei de foder quase todo dia, obrigatoriamente, com um cara vivo, cansei de esconder do mundo inteiro a minha profissão de verdade, melhor do que a de médico legista e fisiculturista profissional. Que o mundo me conheça... E reconheça o meu talento... E encerro a minha carreira com o meu amado companheiro, Agnaldo, o único homem que eu amei, o amor da minha vida... Ah, Agnaldo, seu cu agora está muito mais gostoso do que antes... Saiba que eu sempre vou te amar, ainda mais agora que você está morto... Morto e gostoso demais, como nunca fora quando estava vivo...


Inominável Ser
NECROWRITER
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