sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Waroth, O Esquecível



Nada de nomes especiais. Nada de Poderes excepcionais. Nada de Altíssima Evolução. Nada de capacidades de destaque entre Seres Comuns e Elevados. Nada de Genialidade Científica, Artística, Marcial, Filosófica ou Mística-Ocultista. Nada de riquezas no vestir, caminhar, andar e se comunicar. Nada poderia ter sido o nome de Waroth Bazarh, um simples Soldado Keauriotheniano, filho de dois obscuros Soldados, Meyra Bazarh e Drygos Xeran. Nada poderia ser também o nome do Planeta Darwa Teb da Galáxia Unsterwaertaw, localizado no Universo Saetarsga, Colônia Universal Keauriotheniana. Nada seria um possível nome para tal planeta porque é pequeno, sem muitas riquezas naturais, frio e desprovido de belezas, não fosse o mesmo ser o Centro Governamental de Saetarsga e residência de Raengur Ocitilop Shodolon e Terzasa Epamiker, Deuses Da Eternidade.

Sendo apenas um Soldado entre todos os 43.100 habitantes de Darwa, Waroth preocupava-se apenas com a vigilância das Montanhas Bavastha, o único conjunto montanhoso planetário e reduto dos selvagens Astrunensos, Animais Bestiais que atacavam todas as cidades do planeta. O único talento revelado por Waroth, que o fazia apenas um pouco melhor do que outros Soldados, era caçar, capturar e matar aquelas Feras sanguinárias. Em 376 anos, ele defendeu as 12 cidades do planeta e jamais foi reconhecido pelos Governantes Imperiais Keauriothenianos, seus pais ou demais habitantes planetários. Completamente isolado, ele encontrou em seu Mestre de Armas, Aranjur Terag Terah III, o único amigo que teve em vida e que morrera naturalmente há 33 anos. Seu lar tornou-se cada Montanha, sua esposa e seus filhos as armas que construía para matar os Astrunensos. A águia macho Eranda; o arco Raterp; e a espada de Aço Solar Drun: suas companhias mais constantes que auxiliaram-no nas caçadas e matanças de 690.112 Feras. Ele foi isolado e não isolou-se por conta própria. Isolado porque diferente de todos os demais Keauriothenianos, nascera surdo e mudo. E, na Primeira Raça Perfeita Da Criação, nascer um Ser Comum desprovido de um ou mais dos sentidos físicos é motivo de perseguição, preconceito e desprezo até mesmo do próprio Clã. Waroth, O Esquecível: seu epíteto desde o berço.

Mas, tornando-se uma montanha com o passar dos anos, sua atitude o fez esquecer os seus e os demais para dedicar-se única e exclusivamente às caçadas, um dever que ele herdou de Aranjur, o Caçador anterior, que o adotou ainda recém-nascido após o abandono dos pais. Com o pai de criação, ele aprendeu todo o ofício da Caça; os Estilos Esgrimistas Terag e Terah; a Arte Do Arco E Da Flecha Keauriotheniana Terag; a empatia com sua Águia Sagrada, a ele dada quando tinha cinco anos de idade; e o Código Dos Caçadores Keauriothenianos a preconizar a defesa da Vida e o combate às Bestas irracionais. Waroth, o tricentésimo terceiro Caçador De Darwa, jamais deixara uma Fera arrancar a vida de um habitante planetário. Mas, perseguindo 112 Astrunensos a 42 km da Cidade Eterna De Sanmuaker, vê cair acima de si, do firmamento, 876 corpos de Soldados que conhecia apenas de vista.

Seu instinto caçador paralisado é e sua atenção volta-se para o firmamento planetário. Irrompe neste uma batalha entre os Soldados Keauriothenianos e estranhos, para ele, Soldados de armaduras verdes repletas de lâminas. Nunca tendo antes tido a oportunidade de explorar outros planetas e se comunicar com outras Raças, ele os conhecia apenas através dos livros que Aranjur possuía. Entregue ao estranhamento da ultraviolência inédita ante seus olhos, ele instintivamente em si admite que é seu dever proteger as vidas dos habitantes da cidade que dele estava mais próxima, Sanmuaker. Acompanhado, então, por seu companheiro de caçadas Eranda, ele corre em direção àquela, vendo milhares de cadáveres dos dois lados da batalha caindo em seu redor. Ao alcançar a cidade, depara-se com lutas por todo lado e decide-se por buscar os habitantes não-guerreiros daquela a fim de guiá-los para a silenciosa seguridade das montanhas.

Cada habitação é percorrida. Cada uma. Cada. Buscando aqueles que queria salvar, Waroth depara-se apenas com cadáveres. Cadáveres decapitados. Cadáveres desmembrados. Cadáveres violentados. 619 cadáveres pelos quais ele sentiu misericórdia, apesar de nenhum deles enquanto viviam terem-no considerado nem apto como um Ser Vivo. Ao sair da última habitação, a batalha está terminada, vencida pelos estranhos Soldados de armadura verde, os quais pilham os mortos que fizeram, gargalhando e troçando dos mesmos. Waroth não é notado e dispensa no solo ensangüentado seu amigo Arco; e, ao pouso de Eranda em seu ombro esquerdo, ao mesmo envia para as Montanhas com um sinal da mão esquerda; e Drun é desembainhada...

Os atacantes sobreviventes da cidade foram pegos de surpresa pela silenciosa fúria esgrimista vingadora do solitário Caçador. Este investe contra os mesmos utilizando apenas suas limitadas capacidades de saltos e vôos; e suas nunca antes utilizadas na totalidade habilidades esgrimistas raríssimas e exímias na eficiência e letalidade. A sua velocidade formidável supera a de cada um deles, os quais tombam sumariamente ao toque do rasgante e perfurante Aço de Drun. 798 Soldados de armadura verde são mortos e todos os demais 306 teriam tal mortal destino se 77 lâminas não tivessem perfurado-lhe a parte posterior de seu corpo, da cabeça aos pés, mãos e braços. Drun é solta e Waroth cai para a frente, moribundo. O ataque pelas costas foi efetuado como uma forma de apenas paralisá-lo e, não, matá-lo, o que lhe é incompreensível porque seu campo defensivo era nulo naquela área de seu corpo. Ele não compreende, também, ao ver, com o rosto voltado para a frente, os sobreviventes ao seu ataque partirem sem matá-lo. Moribundo. Entre chamas. Entre milhares de cadáveres. Waroth assim é esquecido em Sanmuaker.

Os Governantes de Saetarsga foram mortos na Cidade Eterna De Ronnjann, a 135 km daquela, bem antes, pela mesma atacante que a ele deixara moribundo: Htumiza Elbuod Japneos Pme, A Senhora Dos Sete Véus Universais, Imperatriz Dtsamiana e Líder Suprema Dos Supremacistas Evoluídos Da Criação Perfeita. Os Soldados de armadura verde eram todos nativos do Planeta Rewop, Centro Imperial Dtsamiano, e discípulos de Htumiza. A Guerra Pela Destruição Ou Manutenção De Eden Al Sophor, o Mundo Celestial Governante Da Última Criação, já está iniciada. Mas, Waroth, claro, nada disto sabia e seu planeta e universo foram apenas duas das primeiras conquistas dos também chamados Destruidores De Eden.

Eranda voltou para Sanmuaker e agora protege o corpo de seu Mestre e amigo e irmão, dos Astrunengos, que acorreram em massa à Cidade para devorarem os cadáveres. Ele luta desesperadamente contra trinta monstros que rodeiam o corpo de Waroth, que sequer consegue mexer o braço esquerdo para poder dispensá-lo da frágil proteção a ele dada. Inerte e impotente, ele vê seu amigo e irmão ser devorado vivo por uma das Feras. Sua amiga e irmã Drun quebrada por uma fera. Seu amigo e irmão Raterp quebrado por outra Fera. Seus pais e todo seu Clã agora são cadáveres sendo devorados por muitas outras Feras. Sem gemer, chorar ou poder gritar, ele sente tantas outras Feras agarrando-lhe, desmembrando-lhe e fazendo-lhe esquecer a dor de todo seu moribundo corpo...

E nenhum Livro Eterno cita o nome de Waroth, o último habitante de Darwa Teb a impetuosamente tombar em um confronto com habilíssimos discípulos da Senhora Dos Sete Véus, um Ser Comum que enfrentou Seres Evoluídos ao nível de Grandes de igual para igual. Nenhum Livro. Nenhum Historiador de nenhuma Raça. E até mesmo A Conquista De Darwa Teb é ignorada.

Uma batalha esquecida.

Um ato de coragem único esquecido.

Um Caçador e Soldado esquecido.

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domingo, 15 de novembro de 2015

O Sorriso De Hanirel



Um sorriso que aniquilou três milhões de Mundos. Um sorriso que assassinou os Primeiros Anciães Da Sabedoria Solar e derrubou-lhes todos os vinte mil Templos em Ratragjuhloka. Um sorriso que traiu 5.900.000 Legiões ao seu comando, levando à Extinção de 885.765.900.018 Soldados Keauriothenianos pela lâmina de sua espada. Um sorriso que agora escapa da perseguição de Artcsom Ocitilop, A Primeira Deusa Keauriotheniana Da Luta Mística-Eterna, Fundadora dos Princípios Místicos-Militares Keauriothenianos e Imperatriz recém-empossada após o Matrimônio com Thornadoriusis Shodolon, O Primeiro Ser. Um sorriso que era imperioso para os próprios Imperadores e demais Súditos, agora é uma longínqua lembrança nas mentes dos que atualmente desprezam, rejeitam e odeiam-no profundamente.

Hanirel Dahonnhlann, A Primeira Deusa Da Guerra Keauriotheniana, filha de Darjha Dahonnlann e Derskaon Thiambar, Grandes da Magia Da Guerra, é a agora Leoa Renegada Keauriotheniana antes denominada A Leoa Do Sangrento Sorriso. Discípula de Artcsom, foi moldada para direcionar sua inata crueldade no belicismo, tornando-se a mais feroz das Guerreiras Keauriothenianas ao romper das origens dos Seres Evoluídos em tal Raça. Durante 677.890.112 Eras, um sorriso de extrema crueldade e frieza aterrorizou a todos os Impérios inimigos de Keauriothen, o sorriso de uma General que não temia nem mesmo Automanifestados, a Estes até mesmo desafiando ao encontrar-se com Representantes Materiais Deles do lado inimigo. Sorriso antes afeito ao Imperialismo dos seus, agora, repito para a isto dar ênfase a quem lê este relato de tempos belicamente desesperadores, é o mais desprezado e odiado por todos que antes lhe respeitavam existencialmente, principalmente sua Mestra.

A sedução dos Seis Arquideuses Bards falou-lhe mais alto na Existência e, sem escrúpulos ou temores, traiu seu Império em busca da possibilidade de construir um para si. Os Bards juraram, diante da Consciência Cósmica Automanifestada, Extinguir a todas as Raças Eternas da Criação, nascidas da Magia Eterna, caso não aceitassem o domínio deles sobre elas. Sendo Filhos Diretos da mesma Automanifestada como Thornadoriusis, a este sempre tentaram submeter como escravo porque desde o Apenas Início estavam profetizados como futuros Senhores De Toda A Criação. Eles viram a fundação da Raça Keauriotheniana como uma afronta que não perdoariam e contra Keauriothen, então, as guerras eram constantes; e o advento dos Evoluídos apenas complicou-lhes quanto aos planos de eliminação daquele Império. Eles precisavam de uma aliança com alguém poderoso dentro daquele e encontraram na ambígua Hanirel, uma antes terrível inimiga, a aliada ideal, que sequer meditou ao receber o convite daqueles para ser-lhes uma seguidora. Como sempre fazia antes de tomar uma decisão sobre qualquer assunto, ela apenas sorriu.

Bem longe de sua Mestra, a traidora comandava inúmeras Legiões Bards, formadas por representantes de Raças Eternas dominadas pelos Arquideuses, em batalhas contra as Raças Cósmicas do Universo Weverdon Nostourn Nren, aliadas de Keauriothen. A principal Raça, Berthun Nouter, tem como principal Defensora a Grande Rauthana Solasmorf Re Gur Te Di Ar A'O, Portadora Cósmica De Todos Os Princípios Universais. A Batalha Da Galáxia Zesran Fraulk Lodtra transcorre feroz pelo espaço e planetas entre as Forças Bards e Bertunianas; e a superioridade de Hanirel sobre Rauthana, faz esta ser lançada contra um pacífico planeta na Galáxia As'Deahgamu, distante 54.911.678 anos-luz da anterior.

O impacto da queda destrói 66% do Planeta Tehupo Laufsas IV, matando 3.211.909.543 habitantes. Os 3.549.067 sobreviventes, pertencentes à Raça Tehupo Laufsas, constituída inteiramente por Sábios, Cientistas e Arquitetos Cósmicos, enfrenta cataclismas naturais que sua tecnologia tenta conter, sem sucesso. Rauthana ergue-se do meio do Oceano Shybua, elevando-se 543 m acima deste semi-consciente e feridíssima; 88% de sua armadura fora quebrada, sua espada perdida e sua Evolução quase está apagar-se. Um aço a sorrir transpassa-lhe o coração pelas costas, mantendo-a, no entanto, viva; 1,33 m da lâmina de Dah'Dahumunthen, O Rugido Dahonnhlann, permanece atravessado em seu corpo e um sorridente sussurro suavemente ruge em seu ouvido esquerdo:

- Não acabei ainda, Lama Cósmica... Eu não vou matá-la, Vejo que você possui uma Proteção Automanifestada que não reconheço, ligada ao seu útero... Contra isso, não irei contra... Não desafiarei Aquilo Acima De Mim e que Desconheço... Quero apenas que você seja a espectadora do massacre dos últimos habitantes deste planeta bem de perto... Testemunhe e relate a todos que você conhece o que eu fiz aqui hoje, quero o meu nome impresso grandiosamente na História Da Criação...

Mantendo o corpo de Rauthana aprisionado à sua leonina espada sanguinária, Hanirel sorri e parte na caçada a cada habitante que sobreviveu à queda daquela. Impossibilitada de reagir e impedir o massacre, a Bertuniana chora ao sentir as decapitações e desmembramentos de bebês, crianças, jovens, adultos, idosos e os últimos 32.754 Animais Cósmicos Sagrados do planeta. O sangue de cada um encobre-lhe o corpo, Hanirel faz questão de fazer a lâmina verter todo o sangue em sua pele e armadura. Sorrindo, a fria execução de tais Seres é um divertimento para a Leoa Dos Bards, uma prova de força, superioridade e domínio de técnicas assassinas com o corpo de uma Guerreira preso à lâmina de sua espada. Nem mesmo as súplicas de pais e mães pelos filhos ou de avós e avôs por seus netos tirou-lhe o desejo de decapitá-los ou desmembrá-los. A fria e sorridente fera seguiu impassivelmente no massacre que lhe foi um dos mais prazerosos desde que se tornou uma Deusa. E as lágrimas de Rauthana elevaram-lhe ainda mais a alegria pelo saciante assassínio de quem nunca fora-lhe uma considerável ameaça.

Ao terminar, Hanirel pousa sobre o pico da Montanha Zaus, a 4.976 m. acima do nível do mar, retirando a lâmina do coração de Rauthana, e contemplando as catástrofes naturais que paulatinamente tenderão a tornar-se um colapso que, em breve, explodirá o planeta. Limpa, sorridente, a espada, na fina chuva de gotas douradas a cair agora por Tehupo IV e olha para o rosto atormentado de Rauthana, que está deitada e chorando, sentindo cada gota como a intensidade dos ultrapoderosíssimos golpes da inimiga que derrotaram-lhe.

- Não devia ficar chorando por essa Escumalha Cósmica inútil, futura mãe de uma Grandiosa Deusa. Cedo ou tarde, eles seriam exterminados por mim, por outro Império ou por uma Ordem criminosa. Existiremos muito além de cada um deles.
- Sua Existência... não será mais longa do que a minha...
- Talvez assim seja... Mas, vou procurar ao máximo exterminar toda e qualquer forma de vida abaixo de mim. Meu Caminho assim me sorri, Rauthana.

Hanirel e Rauthana trocam um olhar; o da segunda é duro e o da primeira, sorridente, como o de alguém que acaba de participar ativamente de uma alegre festividade. Sorrindo assim, a Leoa Sorridente retorna à Batalha De Zesran, a qual vence, mas não conquista nenhum planeta. Estes, ela pessoalmente explode apenas lançando contra eles a espada; 7.831 planetas fulminados; 15.622.118.766.014 vidas eliminadas; e um Buraco Negro moldado a partir das Vibrações do Poderio da espada, ocupa o espaço daqueles extintos planetas, quase engolfando outras duzentas mil Galáxias.

De posse de seu Rugido, ela sorri para o Buraco a Expandir-Se e parte com suas Legiões para outro Universo, outro ponto de conflito pelos Bards erguido. Contam as Crônicas que após Weverdon, ela ainda sorriria por 299 Eras exterminando aqueles que considerava abaixo de sua Existência até ser a primeira grande baixa dos Bards no início da Guerra Do Destino Das Raças Eternas. E o último sorriso dela foi para o vitorioso rosto de Artcsom, sua Mestra.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Deteriorada Beleza



A Beleza, este produto de consumo massivo hoje em dia, é o carro-chefe da vaidade que habita o jovem coração de Vanessa, a supermodel que é uma promessa do mundo da Moda. Desfiles em São Paulo, Rio de Janeiro, Moscou, New York, Tóquio, Paris; contratos com perfumarias famosas; participações em comerciais televisivos; aparições como coadjuvante em filmes indie; a venda da imagem como um produto barato de supermercado. Esta é a vida de uma superstar das passarelas, um sorriso no rosto de boneca, uma sede de sucesso no intenso brilho no olhar e… Algo falta em Vanessa, uma sensação de ruptura com suas estruturas de realidade, uma ameaça ao seu status quo como aquilo que a indústria da moda a transformou: um produto com validade garantida até que uma modelo mais jovem, bonita, atraente e sedutora ocupe o seu lugar. Vanessa é um produto como qualquer outro, descartável, desnecessário e substituível à frente, no futuro… Mas, agora, aos vinte anos de idade, ela se conscientiza disso após ouvir as palavras de um estranho homem de rosto esfolado em um sonho que teve na noite anterior ao desfile no qual agora se encontra.


- “Sabe o que realmente é o seu mundo, Vanessa? Um mercado cruel de perspectivas baseadas no quanto a beleza vale. E quanto vale a sua beleza? Será que a mesma não teria nenhuma validade amanhã ou depois de amanhã? Será que agora mesmo, sim, agora, a sua beleza seja apenas mais uma imersa no oceano de tantas belezas vendidas pelo mesmo mercado? Tudo que você pode me responder vai ser baseado em seus conceitos herdados da sua mãe, uma supermodelo que foi substituída por outra quando não mais era o interesse daquele. Você é um produto que vai apodrecer, Vanessa, com o passar do tempo. Sua beleza vai se deteriorar, assim como a sua vontade de continuar a ser adorada como uma Deusa pelos acéfalos que sugam seu sangue todos os dias através da mídia. E, um dia, você estará morta, enterrada, se não for cremada, e os vermes serão os únicos que te verão como Deusa, uma Deusa de carne deteriorada que lhes servirá de alimento. Você, como todos aí ao vosso redor, já são cadáveres enterrados e cremados, não se ilude com a sua condição financeira, social e ‘artística’. Sua deterioração já se iniciou há tempos, desde o primeiro dia no qual pisou em uma passarela. Lembra do seu primeiro desfile? Lembra da sua vaidade infinitamente a menosprezar os demais produtos a desfilarem naquela passarela? Seu caminho você não vai mudar, o sucesso, a glória e a fama vão cada vez mais te deteriorar. Você continuará sendo uma das mulheres mais lindas do mundo, mas, por dentro, será um dos mais horríveis monstros da face da Terra. Você tem que olhar para o seu coração… O que vê, Vanessa? O que está vendo? O que ainda nele verá?”


No camarim, entre tantas modelos freneticamente se embelezando antes do inicio do desfile da primeira grife, Vanessa encontra-se surda, muda e cega para tudo em seu redor. E, novamente, após ter ouvido aquelas palavras no sonho mais tenebroso que até este momento de sua vida tivera, olha para o seu coração, medita sobre tudo o que possui dentro do mesmo. E com ele dialoga, como sempre fizera desde criança…


“Oi, Vanessa!”
“Oi..”
“Que foi, amiga? Está triste?”
“Aquele sonho me atormentou demais…”
“O Esfolado…”
“Quem?”
“Esqueça! Pense que aquilo foi apenas um sonho muito ruim que nada significa para você! Se arrume, se embeleze, como sempre fez antes de um desfile! Me entendeu?”
“Ele me disse que estou… deteriorada…”
“Vanessa…”
“Coração, eu estou deteriorada… Tudo que fizemos…”
“Vai se arrepender do que te aconselhei a fazer para poder chegar até aqui?”
“Não, eu estou bem aqui onde estou! Não me arrependo do que eu fiz com aquelas garotas, todas estavam no meu caminho e demos um jeito em cada uma delas, Coração! Você está arrependido?”
“Não, mas muito satisfeito com o seu progresso como diva da Moda, como sua mãe foi!”
“Eu sou muito melhor do que a minha mãe, Vanessa, muito melhor! Sou mais bonita, mais atraente, mais sexy e todos os caras que conheço rastejam aos meus pés! Meu rosto, hoje, é muito mais conhecido no mundo do que foi o dela,que, hoje, cheio de botox, está uma merda! E a minha fortuna ultrapassou a dela!”
“Então, por que ficou com medo do Es… Daquele cara em seu sonho?”
“Ele jogou sobre mim o que trago em ti, Coração… Minha ambição, meu ódio pelas outras modelos, meu desejo de matar cada uma que atravesse meu caminho tentando tomar o meu lugar… Como eu já disse, não me arrependo de nada, Coração, mas aquele sonho…”
“Ah, Vanessa, esquece! Pense que, agora, o importante é você desfilar mais uma vez! E fique de olho na Cristiane Rossi, na Fabiane Baumgarten e na Raquel Van Vahrenberg, suas rivais diretas atualmente como grandes rostos do mundo da Moda! Quer logo se livrar delas?”
“Dou a elas um tempinho apenas de glória, depois me livro delas como fiz com as outras… Bem, você tem razão, Coração, eu devo continuar a ser absoluta, linda, maravilhosa, a melhor, a grande Vanessa das Vanessas, como aqueles viados fofoqueiros me chamam!”
“Isso mesmo, Vanessa, siga os meus conselhos sempre, sou seu grande amigo e te protejo sempre!”
“E me ajuda com as ‘inimiga’ quando peço… Muito obrigada, Coração!”
“É um prazer te afundar…”
“O quê?”
“Te afundar no sucesso, na fama, na glória, claro!”
“Coração, agora tenho que me arrumar, minha grife é a terceira e deve estar já no final do segundo desfile. Muito obrigada pelo apoio, vou tentar me esquecer daquele sonho e desfilar.”
“Embeleze-se, Vanessa!”


Voltando ao mundo tátil e pulsante em redor, Vanessa se maquia, penteia o cabelo e veste o exótico traje de sua grife mundialmente exorbitante de bilionária e influente no mundo da Moda. A segunda grife termina seu desfile e ela se posiciona por último na fila de trinta e seis modelos que desfilarão antes dela. Entre estas estão suas arquirivais Cristiane, Fabiane e Raquel, que voltam-se para fitá-la. Esnobe, impassível, fria e concentrada, Vanessa as ignora e fixa o olhar em um ponto vazia às costas da colega de grife à frente. E o desfile se inicia…

Bianca Núñez

Úrsula Bates

Aya Takeyama

Renée Santander

Tara Jardins

Cristiane Rossi

Paola Nijinski

Débora Ramos Ramalho

Giovanna Agostini

Fabiane Baumgarten

Ildi Albuquerque

Danielle Capuleto

Nayara Santo Cristo

Gislaine Pereira

Teresa Avingnon

Diana Mwebanke

Darla Mattoso

Laura Stevens

Laura Hegel

Raquel Van Vahrenberg

Isabella Bellucci

Sara Kant

Kamille Bouvier

Franceska Bousquet

Ellen Rochefort

Sônia Soares

Branca de Magalhães

Irina Putin

Gabrielle Aksal

Lin Wei Fei

Saori Tetsubara

Waleska Rodrigues

Pâmela Coelho

Gilda Swann

Fernanda Terra Nova

Diana Haskel

E ela… Aplaudida de pé desde o primeiro passo na passarela… A mais fotografada… A mais bela… A mais desejada… A mais famosa… Ela… Sim, ela… Ela…

Vanessa Spinoza

Seus passos arrancam mais e mais e mais aplausos! Seu caminhar é como o de uma calma dançarina sobre o fogo! Seu porte é o de uma rainha cujos súditos não param de ovacionar! Seu rosto é uma moldura fria, inacessível, etérica… E VENERADA POR BILHÕES NO MUNDO INTEIRO!!!

Deteriorada? Vanessa apenas pensa agora em mais um grande incremento em sua fama, sucesso, contratos publicitários, homens para usar, inimigas para destruir e em sua conta bancária na Suíça que vai ainda mais aumentar.

Coração aplaude!

Coração grita!

Coração dela debocha…

E ri do Esfolado, que calado está ao seu lado.

Coração bate mais forte por estar sendo bem sucedido em encaminhar mais uma para O Deteriorado.

Inominável Ser
QUE NÃO
ESTÁ
NA MODA
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domingo, 8 de novembro de 2015

O Desafio De Dweon-Gosooh



Anatra Solak, verdadeiramente, superou a todos os seus companheiros na última batalha do Planeta Zarb Sak Asdemoyr, Colônia Planetária Keauriotheniana, o único reduto dos Dweons que ainda resistia ao Império Keauriotheniano na Galáxia Centvahr do Universo Zaroar. Para estar à frente das 1.404 Legiões destacadas com a finalidade de libertarem aquela Galáxia das forças invasoras da Cúpula Da Escuridão, a General Suprema De Guerra doutrinada desde os cinco anos de idade por Monies Rinji, General De Todos Os Generais, teve méritos bastante expressivos neste início da Guerra De Keauriothen Contra A Cúpula Da Escuridão.

Dweon-Gosooh sempre ambicionou destruir um dos maiores Impérios da Criação, o Keauriotheniano, ligado à Luz e à Magia Eternas, Automanifestadas Inimigas Da Escuridão. Deflagrou a guerra deliberadamente atacando o Universo Gênesis, onde, na Galáxia De Andrômeda, encontra-se o Planeta Keauriothen, a Sede Imperial. O Imperador Thades Ocitilop Shodolon expulsou, à frente de todas as Legiões Universais Keauriothenianas, ao lado da Imperatriz Dtsamiana Htumiza Elbuod Japneos Pme, os invasores. Ao mesmo tempo, todas as possessões imperiais keauriothenianas eram invadidas e há nove Eras Universais a guerra grassa vertiginosa.

Anatra, comandando 210.600.000 Guerreiros Místicos-Eternos, comandou durante 544 Anos Universais, brilhantemente, os ataques às Forças Dweons. Pessoalmente, matou 4.896.000.000 de Guerreiros Da Escuridão com sua Darvya Anreteniud, Amiga Eterna, a espada de Aço Místico Keauriotheniano forjada pelo pai dela, Umyan Borack, um Arquimestre Das Espadas Keauriothenianas. Grande Da Magia Da Guerra, ela perdeu apenas 21% de seus comandados pela Galáxia, que comemora agora a liberdade em cada um dos 6.421 planetas. Em Zarb, a General prefere vasculhar os artefatos deixados no planeta pelos inimigos sobreviventes que bateram em retirada, deixando seus subordinados e habitantes planetários comemorando a vitória pelas cidades.

Caminhando pelo subterrâneo da fortaleza erguida pelos invasores nas Montanhas Kazut San Hasekop, ela depara-se com uma pedra dodecagonal negra emitindo uma belíssima luz esverdeada, no chão rusticamente moldado. Pensando no filho recém-nascido, Idrahus, fruto amantíssimo de seu Matrimônio Eterno com Dorsus Rinji, Grande da mesma Magia dela, decide que o artefato seria um ótimo presente para aquele. Ajoelhando-se, ela pega a Jóia Da Escuridão com as duas mãos e, sem perceber, a luz expande-se por toda a montanha, abrindo um Portal Extradimensional que transporta a guerreira para a Sala Originadora De Vyfinovsky-Zanberdhlah, A Cúpula Da Escuridão. Sorrindo ao lembrar-se do filho, Anatra apenas percebe que não está mais em Zarb quando ouve uma gutural voz de maléfico tom:

- Keauriotheniana.

Ela assusta-se e deixa a pedra cair, continuando ajoelhada. Olhando para a frente, ela avista o trono onde está sentado Dweon-Gosooh, O Primeiro Filho Direto Da Escuridão. Ao lado dele, em outro trono, Zautahauh-Gosooh, filho daquele com Abaramatulaha, que foi A Primeira Representante Material Da Escuridão Na Criação. De extraordinariamente incalculáveis idades, os dois fitam-na como a um presente da Negra Mãe. A General olha em redor da adimensional Sala e se vê cercada por quase infindos Guerreiros, Magos, Arquimagos e Deuses Dweons. Calma, fria e séria, ela lentamente desembainha sua espada.

- Criança de Thornadoriusis Shodolon, como se atreve a desembainhar essa espada aqui? - Zautahauh-Gosooh quase avança sobre ela, mas é contido pelo reprovador olhar do pai.
- Nossa visitante involuntária merece melhor tratamento, meu filho. Um tratamento digno de uma Descendente Bioespiritual do estuprador e assassino de sua mãe.
- Nada tenho a ver com os crimes do Fundador de minha Raça, Dweon-Gosooh. - A espada está totalmente desembainhada, mas ela continua ajoelhada. - Inevitavelmente, vim parar neste seu mundo por um descuido da minha parte e me sinto obrigada a matá-lo para pôr um fim na guerra que você iniciou contra a minha Raça. Vou aproveitar muito bem esta chance que tenho.
- Quais chances você imagina ter contra mim, General Anatra Solak?
- Todas as chances dentro do quadro de múltiplas chances no esquema da Arte Guerreira. Eu vou matá-lo, por isso o Grande Destino me proporcionou estar aqui neste momento. 
- Seu Ancestral Eterno nunca conseguiu me derrotar, Keauriotheniana. Você, menor do que ele, acha que conseguirá? Tem tanta ingenuidade assim, Filha Do Primeiro Ser?
- Todas as vidas tiradas pela lâmina da minha Darvya, que você pode Sentir latejando nela, lhe dão a resposta.
- Você poderá acabar com todos em seu redor, mas dará apenas três passos em minha direção e perderá a sua Evolução, tornando-se uma das minhas Escravas Sexuais Procriadoras.
- Keauriothenianos não são escravos, são senhores.
- Prove essa sua afirmação, então, Keauriotheniana.

Na Velocidade Da Luz Eterna, Anatra avança sobre os inimigos utilizando o Estilo Esgrimista Solak Da Mão Esquerda, sua principal técnica de luta com espadas, a preferida. Fora de qualquer contagem temporal conhecida, ela mata 5.522.915.957.832 Dweons, parando a trinta e cinco metros dos tronos. Os outros Dweons recuam com medo, mas seus Negros Soberanos, impassíveis, continuam sentados apenas fitando a Guerreira Solak com curiosidade. Anatra manipula novamente aquela Velocidade, dando o primeiro passo; A Escuridão Abraça-a nas  Portas Da Alma; o segundo passo; A Escuridão Abraça-a nas Portas Da Mente; o terceiro passo; A Escuridão Abraça-a nas Portas Do Corpo; e ela cai, tetraplégica, perdendo sua Evolução, tendo se tornado um Ser Comum.

Dweon-Gosooh se levanta e caminha até ela, que agora apenas pensa no Esposo Eterno e no primeiro dos infindos filhos que eles planejaram ter. O Imperador Dweon esmaga com os pés Darvya e com apenas um pensamento faz a vestimenta de Anatra desaparecer. Diante do filho e dos súditos, ele se despe enrijecendo o inenarravelmente monstruoso membro viril, ajoelhando-se, abrindo as pernas da humilhadíssima antes orgulhosa General Keauriotheniana, penetrando-a uma vez, levemente. O grito dela, de dor, ódio, vergonha, desespero e medo ecoa através do Espaço/Tempo. Próximo ao ouvido esquerdo dela, o Filho Da Obscura Automanifestada diz-lhe:

- Você não veio parar aqui graças a um descuido seu ou maldoso, miraculoso ou providencial acaso arquitetado pelos Senhores Supremos Do Destino. Eu apenas queria ter a minha primeira Procriadora Keauriotheniana.

Ele a penetra ferozmente repetidas vezes e os gritos dela estremecem os Pilares Da Criação.

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Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

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