segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Há Algum Crime Que Você Queira Agora Confessar?




O Punhal
Rasga o ventre
Dos famintos.


O Punhal
Arranca os olhos
Dos lascivos.


O Punhal
Denuncia o horror
Dos homicidas.


O Punhal
Arrasa o orgulho
Dos altivos.


O Punhal
Quebra o riso
Dos cruéis.


O Punhal
Perfura o prazer
Dos estranguladores.


O Punhal é a arma
Daqueles que tem
A morte como prazer.


O Punhal é o amante
Daqueles que sabem
Quem são os culpados.


O Punhal é a vida
Que julga os culpados
Sem misericórdia.


O Punhal é a morte
Que nas mãos corretas
Marca os corretos culpados.


A Voz Do Punhal
Versos Orais

— Não quero que leve isso para o lado pessoal, é a impessoalidade que comanda as minhas ações, todas elas. Encare meu punhal rasgando toda sua linda pele como as carícias da melhor amante que você já teve, vai se sentir melhor e doer menos. Sabe que essa minha sutileza com as palavras sempre aliviou a dor das minhas preciosidades apunhaladas? Isso é de família, meus pais foram assassinos profissionais a serviço de traficantes, meu avô materno foi um mercenário e documentos atestam que minhas origens européias se caracterizam por antepassados cruéis e sanguinários. A sede de sangue é transmissível? Talvez seja… Mas, nunca me importei em estudar sobre isso, eu sigo matando com meticulosidade, engenhosidade e técnica! Faço isso há séculos… Quer dizer, milênios… Não, anos, eu não sou imortal… Gosto de matar, sim, sempre gostei, minha quadricentésima oitava preciosidade… A sua dor é pequena perto das que já causei antes, mas sempre preciso perguntar a cada um próximo da punhalada final: há algum crime que você queira agora confessar?
— Cri…
— Sim, um pequeno ou grande crime, algo obscuro, desconhecido do olhar humano.
— Sem… Sem… Sempre fui… honesto… e…
— Muitos homens honestos cometeram crimes pela História, preciosidade… Honestidade também tem em mim moradia, sou um honesto assassino…
— Vo… Vo-vo… Você é um… va… vagabundo…
— Meu trabalho é esse, preciosidade, eu mato por prazer. Não por dinheiro ou por esporte, apenas pelo prazer de ver o sangue das minhas preciosidades escorrer. Vamos, você não vai durar muito tempo… Te pergunto de novo, me responda: há algum crime que você queira agora confessar?
— Não…
— Mentira na sua voz…
— Não… ei não minto…
— Mente, sim, seu sangue me diz isso. Seu sangue fala comigo.
— Ma… ma-maluco… Me mate logo…
— Você vai morrer logo… Te apunhalei vinte vezes no braço esquerdo, trinta vezes no braço direito, trinta vezes em cada perna, sete vezes nas costas, doze vezes no tórax… Somente não morreu porque evitei afundar meu punhal, perfurando superficialmente seu corpo e vendo seu sangue gerar um lago lentamente aqui no chão.
— Doente…
— Eu sou muito saudável, preciosidade, muito saudável… Te apunhalei noventa e seis vezes, reparou e fez a contagem? Por que ainda não morreu?
— Desgra…
— Sou uma graça para aqueles que confessam seus crimes, preciosidade. Você ainda não morreu exatamente porque não confessou os seus. E te pergunto pela terceira vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— Nun… Nunca… Nunca…
— Cometeu um crime?
— Nunca…
— Ou nunca vai confessar?
— Nun…
— Ou nunca vai me dar o prazer de vê-lo receber de mim a última punhalada?
— Nunca… vou… confessar…
— Segunda opção!
— Ca… Calhorda… Maldito…
— Eu sou uma benção para aqueles que confessam seus crimes. Te pergunto pela quarta vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— Vou morrer… e… e… você nunca… vai me ouvir… confessar…
— Tem algum crime, não tem?
— Não… N-Não… N-Nenhum…
— Seu sangue fala de um, dois, três, vários crimes…
— Não…
— Quatro crimes…
— Não…
— Cinco crimes…
— Não…
— Seiscentos e nove crimes, muito mais do que eu.
— Não… Não… s-sou… u-um crimi…
— Todo ser humano é um criminoso cruel, minha preciosidade, de todos os modos e de todas as formas. É por isso que eu te pergunto pela quinta vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— N-Não v-vou… c-confessar…
— Realmente, você é o primeiro que dura bastante tempo comigo…
— Eu sou… inoce… i-inocente…
— Sim, você não matou, roubou ou estuprou nesta vida. No entanto, em setenta vidas anteriores fez tudo isso e acreditou que escaparia impune. Você é culpado, como todos nós somos culpados por todos os crimes do mundo.
— N-Não…
— Sim, eu mesmo vi seus crimes como vejo agora no seu sangue. Os que cuidam de gente como você agem em nome da Cruz, eu ajo em nome do Punhal. Não há misericórdia…
— L-louco… É a-apenas um louco… que a-aqui está…
— Loucos somos todos nós, minha preciosidade… Loucos por sermos criminosos… Loucos por sermos profundos criminosos… E é por isso que eu te pergunto pela sexta vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— N-Não…
— Pela sétima vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— N-Não…
— Pela oitava vez: há algum crime que você queira agora confessar?
— N-Não…
— Seu sangue me diz o contrário e confessa cada um dos seus crimes. Não precisava ouvir isso dos seus lábios, minha preciosidade.
— Por… Por que… e-eu…
— Porque o Punhal te julgou e assinalou como minha preciosidade.
— M-mate… Mate… me…
— Você não merece a última punhalada, vai agonizar até morrer e eu estarei aqui ao teu lado para te apoiar nesse momento de passagem para um lugar bem pior do que este mundo. Se acalme, vai acabar rápido, muito rápido.


Inominável Ser
DO
PUNHAL

Share:

0 Cadáveres Aqui Escavaram Suas Covas:

Covas Recomendáveis

Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

Minha foto
Nos Infernos, O Abismo
Visualizar meu perfil completo

Cavam Aqui Suas Covas:

Arquivo do blog

Marcadores


Firefox

Firefox

Meu Perfil No Facebook

Obtenha visualizações gratuitas no Snap.com
Add to Technorati Favorites

Arquivo do blog

Recent Posts

Unordered List

Theme Support