segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O Maior De Todos Os Fantasmas



Imaginemos por um instante bastante peculiar de nossa mente, um homem, um pai de família, sustentador de uma boa e gentil esposa, dedicado pai de cinco filhos. A vida difícil dessa família é um roteiro que filmado é em quase toda pobre região da Terra e não era diferente com relação a esse homem, sua esposa e seus filhos. Pobres, em um bairro pobre e em um país mais pobre ainda, sobreviviam como podiam… Sobreviviam, pois, em uma noite de uma virada de ano qualquer, enquanto muitos comemoravam, bebiam e comiam, o humilde casebre onde viviam foi atingido pelo deslizamento de um barranco, no qual todos morreram. O homem que imaginamos nestas linhas morreu abraçado à esposa e aos filhos, gritando de desespero, apertando-os nos braços, sufocando até a morte com a lama e o barro. O homem, o pai de família, já morto, se viu sozinho em meio a uma névoa negra, pesada, sem a esposa e sem os filhos. O homem, ainda desesperado, ainda aflito, ainda sentindo em si a lama e o barro, tateou na escuridão, em busca da esposa, em busca dos filhos. O homem nada encontrou, se viu no meio de toda aquela névoa perdido, aturdido, abandonado e com saudades profundas da esposa e dos filhos. Uma eternidade na névoa se passou e o homem que aqui estamos a imaginar, cansado de estar aprisionado daquela maneira, se direcionou ao único ser que podia naquela situação abordar:


— Deus, meu Deus, por favor, eu imploro que me tire daqui! Desde que eu era criança, eu orei muito ao Senhor, fui um devoto seu, te amo, meu Pai! Em nome de Jesus, em nome de Maria, em nome de todos os santos, me deixe estar novamente com minha esposa e com meus filhos! Me deixe ficar ao lado da virtuosa mulher e dos valorosos filhos que me destes! Me deixe, Pai, vê-los novamente! Em nome de Jesus, me tire daqui, Pai! Sempre lhe fui fiel, sempre dei toda minha fé ao Senhor, sempre rezei todo dia! Não tenho muito estudo, Pai, não sei ler direito, não sei dizer metade das palavras bonitas que tem na Bíblia, mas com o pouco que a minha mãe me ensinou e o que aprendi com o tempo, peço que tenha misericórdia de mim! Sou teu, Senhor! Sou todo Teu, Senhor! Eu suplico pela Tua ajuda! Eu suplico, Pai! Quero ver a minha esposa! Quero ver meus filhos! Eu aceito o que houve conosco, eu aceito, meu Pai! Me ajuda, Pai! Me ajuda, Senhor! Ah, Jesus, intercede por mim! Jesus, me ajuda! Maria, me ajuda! Santa Maria, São José, me ajudem, intercedam por mim junto a Deus! Misericórdia, por favor! Misericórdia! Misericórdia! Misericórdia, meu Pai! Oh, meu Deus! Oh, meu Deus!


A névoa mais densa se tornou.

As trevas mais pesadas se tornaram.

O silêncio se tornou mais tortuoso.

A névoa o encobriu mais.

As trevas o ocultaram mais.

O silêncio o violentou mais.

A névoa subiu mais.

As trevas cresceram mais.

O silêncio eternizou-se mais.

A névoa.

As trevas.

O silêncio.

A Grande Névoa.

As Eternas Trevas.

O Eterno Silêncio.

Maria não respondeu.

José não respondeu.

Nenhum outro santo respondeu.

Jesus não respondeu.

Cristo não respondeu.

Nenhum Espírito Elevado respondeu.

E Deus?

Deus?

Deus!

Deus…

Deus.

Deus nem mesmo o ouviu.

O homem que aqui imaginamos chorou.

O homem que aqui imaginamos muito chorou.

O homem que aqui imaginos continua a chorar.

Mesmo com pouco estudo, o homem que aqui imaginamos sabe, de alguma forma, com os olhos abertos na névoa, os ouvidos purificados nas trevas e o entendimento limpo no silêncio, que também, por toda a vida que ele teve, imaginou um Pai, um Senhor, um Deus.

Ou Deus o imaginou como nós aqui o imaginamos?

Ou Deus é A Grande Névoa?

Ou Deus é As Eternas Trevas?

Ou Deus é O Eterno Silêncio?

Para o homem que imaginamos, agora chorando, com o entendimento aflotando cada vez mais, Deus é uma mentira por algum mentiroso imaginada e herdada por outros mentirosos igualmente imaginados pela Grande Mentira Que Não Pode Ser Nomeada.

E a esposa dele também está na névoa, nas trevas e no silêncio.

E os filhos dele também estão na névoa, nas trevas e no silêncio.

E nós, tão imaginativos, também estaremos um dia na névoa, nas trevas e no silêncio.

Na verdade, já estamos na Névoa.

Na verdade, já estamos nas Trevas.

Na verdade, já estamos no Silêncio.

Assim como o Deus por esta Humanidade imaginado é a propria Névoa, as próprias Trevas e o próprio Silêncio.

Inominável Ser
NA NÉVOA
NAS TREVAS
NO SILÊNCIO
Share:

0 Cadáveres Aqui Escavaram Suas Covas:

Covas Recomendáveis

Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

O Coveiro Inominável

Minha foto
Nos Infernos, O Abismo
Visualizar meu perfil completo

Cavam Aqui Suas Covas:

Arquivo do blog

Marcadores


Firefox

Firefox

Meu Perfil No Facebook

Obtenha visualizações gratuitas no Snap.com
Add to Technorati Favorites

Arquivo do blog

Recent Posts

Unordered List

Theme Support