sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A Herdeira De Tsyrl




Abundante chuva dourada em Nova Keauriothen, banhando uma guerreira a segurar dois machados e a chorar diante de uma Coluna Sagrada. Gotas douradas e lágrimas. Gotas douradas e dor. Gotas douradas e um lamento a escorrer por toda a alma da solitária guerreira. Guerreira de possantes músculos que cedem lugar ao relaxamento e à entrega dela à meditação diante da Coluna. Esta é uma das muitas em homenagem aos que tombaram no Segundo Ato Devorador da Guerra Da Criação, construídas nas Montanhas Admon do agora silencioso Mundo. Sendo uma dos pouquíssimos sobreviventes do massacre promovido por Thornadoriusis Shodolon e seus comandados, ela se encontra diante da Coluna de Jezer Can I, A Maior Dos Can; à esquerda, a de Opharin Can, A Segunda Maior Dos Can; à direita, a de Iugani Oalduthen, A Maior Dos Oalduthen; e por todas as Montanhas, os Maiores Evoluídos de diversas Raças encontram-se representados. A guerreira molhada pelas gotas douradas, em lágrimas, nua, é assomada pelas lembranças de um Mundo que se tornou apenas um sombrio reduto das mesmas.


Jezer I é considerada pela guerreira a chorar, sofrer e ser banhada pelas gotas douradas como acima de si. Sua saudade dela, que foi uma dos Maiores Heróis do Exército Evoluído De Nova Keauriothen, é a que mais lhe impacta pelo fato da mesma ter sido a parenta com a qual mais se identificava. Uma parenta que foi sempre amante mais da luta e da guerra do que da harmonia e da paz; que foi por indetermináveis Eras A Morte; renunciou a esta Condição Evolutiva Semi-Automanifestada por amor; se tornou uma Grande Heroína; e foi Extinta pelo Primeiro Ser quando este liderou a invasão deste Mundo. Ela foi uma guerreira muito além disso, que ultrapassou seu próprio histórico na Criação realizando muito mais do que isso. Uma guerreira que lutava com dois machados, com os quais derramou mais sangue do que a quantidade de derramamento de sangue em todas as guerras já travadas. Mais fúria do que razão; mais violência do que paixão; uma Existência devotada à Arte Assassina até sua Extinção: esta foi Jezer Can I. E os machados seguros por sua descendente a chorar, sofrer e ser banhadas pelas gotas douradas pulsam transmitindo as vozes de cada sangue pelas lâminas derramado.


Os Machados Tsyrl brilham, banhados pelas gotas douradas, adaptando-se ao Existir de sua nova Portadora. Esta, empunhando-os dilacerada pelas lembranças da grande amiga que foi a Portadora anterior, entoa um belo e angustiante canto lírico, O Lamento De Valkyran, uma das Primeiras Deusas Da Morte…


Em um mundo melhor,
Um mundo onde existe o maior,
Encontro calor
E respiro entre todo ardor.


Me torno parte do Todo,
Me assemelhou ao Todo,
Nunca mais choro,
Nunca mais sofro.


Mesmo assim,
Ainda choro,
Ainda sofro,
Ainda lamento.


Desisto do Todo?
Nunca desistirei.
Abandono o Todo?
Nunca abandonarei?


Esqueço o Todo?
Nunca esquecerei.
Separo-me do Todo?
Nunca me separarei.


Neste Mar ficarei,
Neste Lar residirei,
Nesta Onda nadarei,
Neste recinto dormirei…


Chorando como todos,
Sofrendo como todos,
Vivendo como todos,
Morrendo como todos…


A chuva de gotas douradas cai mais forte.


As lágrimas da guerreira caem mais fortes.


A dor da guerreira torna-se mais profunda.


O sofrimento da guerreira é um infinito abismo.


Tendo atrás de si as Colunas de Beria Serah, Amanorap Ocitilop e Alihto Bronan, três dos Maiores Evoluidos Perfeitos de toda a História, a guerreira a empunhar os queridos e amados Tsyrl da Maior Dos Can é a bisneta desta, Jezer Can IV, uma das Quatro Extinguidoras De Thornadoriusis Shodolon. A Última Dos Can. A Maior Lutadora Eterna Da Criação. A Nova Imperatriz De Nova Keauriothen. Sofredora Eterna, também.


Continuando a cantar, suas lágrimas incessantemente, junto com a chuva, criam vida própria. Outras lembranças chegam, lembranças de seus falecidos Esposo Eterno, filhos, amigos… Neste momento, ela se sente estranhamente abençoada por ser coroada como a nova manejadora de Tsyrl. Terminando abruptamente de cantar e chorar, a chuva dourada continuando a se derramar sobre ela e todo o Mundo, seus olhos voltam-se para as lâminas…


As lâminas sangram nos machados duplos.


Selvagemente, ela urra e bebe o sangue.


E, agora, novamente volta a chorar.


Nua.


Banhada por gotas douradas.


Sofrendo.


Solitária.

Inominável Ser
BÉLICO
CRONISTA
INOMINÁVEL

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