sexta-feira, 18 de março de 2016

A Apodrecida Cidade



Rangem os dentes das ruas, dentes mastigadores das gentes que por elas passam. Pessoas de almas que estão deterioradas, erguendo bandeiras a favor de cores degeneradas. Cores de ideologias estagnantes que atrofiam a interna verdade, o interno sentimento de identidade para com algo autêntico. Algo que ficou perdido desde que os baluartes da sobriedade foram extintos pelo avanço da mais irracional e irredutível passagem de um ponto de vista maior para um ponto de vista velozmente danificante de cada existência da Cidade. Cidade que sussurra o nome correto da Desgraça. Cidade que grita o nome correto da Miséria. Cidade que balbucia o nome correto da Maldição. Apodrecida Cidade concentrando em si todos os males de uma ridícula decadente sociedade parindo o colapso de si mesma a cada dia.


— Façamos um ídolo para adotarmos como nosso único guia! Algo fantástico, algo fantasioso, um sublime fantoche para enganar a população e envolvê-la na mentira de que ela é livre! Um princípio basicamente fraco para que os fortes domem os inferiores entre nós com mãos pressionantes de suas mentes e almas! Controlemos mentes e almas com nosso ídolo, regras diremos, leis inventarenos e mandamentos faremos para mantermos os inferiores em suas próprias fantasias existenciais!


A Apodrecida Cidade ouviu emergir das entranhas de uma hipócrita terra de salvadores uma voz que se dirigia a cada um que fazia parte de suas podres partes em um distante esquecido passado.


— Narremos a História como se ela fosse um amontoado de consequências baseadas em causas a nós favoráveis. A horda de inferiores desta Cidade não merece saber sobre toda a verdade que fundamenta sua própria trajetória. É para isso que os livros a narrarem antigos tempos devem sempre enfocar as visões dos superiores. Que as escolas daqueles que dominamos ensinem a determinista visão que nós moldaremos para que nenhuma falha no curso histórico daqui seja percebida. Pela História, dominaremos ainda mais cada ignorante que nascer através das eras entre os inferiores que sob nós serão sempre esmagáveis.


A Apodrecida Cidade ouviu emergir dos esgotos mais abastados de uma opressora terra de conquistadores a voz que anunciou toda forma de maior mentira dentro de sua estrutura organizada.


— Eles não podem pensar por si mesmos porque é nosso único dever pensar por cada um deles. A cada um dos inferiores cabe alimentar-se do que a terra e a indústria produzem; vestir o que nossas fábricas costurarem; dizer o que nossos lábios dizem; cultuar o que determinarmos que deva ser cultuado; e valorizar o que nós queremos que seja valorizado. Cidadãos obedientes são cidadãos civilizados, limpos, ordeiros e honestos.


A Apodrecida Cidade ouviu emergir de pântanos asquerosos maquinadores de falcatruas e roubos de uma terra de pérfidos escroques a voz que declarou o manto acobertante das realidades mais luminosas em redor de toda sua área geográfica.


— Nada de benefícios maiores para essa gente inferior toda! Sabem o porquê de assim trabalharmos no controle de cada um deles? Para evitarmos que apenas um deles ae arvore como um líder acima dos demais. Um líder que seria um exemplo para que outros se antecipem a outros de seus grupos pessoais e se declarem dimensionalmente também como líderes. Até líderes eles poderão ter, líderes por nós controlados, portando nossas idéias e alimentando neles apenas o sentido da servidão para a qual nasceram. É óbvio que toda a governabilidade sobre eles apenas deverá ser voltada para o objetivo de torná-los reféns das nossas diretrizes e determinações. Maquinalmente, cada um deles tem que se tornar autômato a nosso serviço e para o nosso aprimoramento de poder. Para serem escravos, todos eles, os inferiores, também nasceram, nascem e nascerão.


A Apodrecida Cidade ouvir emergir de latrinas cheias de fezes cagadas por monstros morais e imorais de uma terra de canalhas travestidos de bons senhores a voz que calculou o formato de todo ato de domínio sobre seus habitantes por aqueles inferiorizados.


— Inferiores marcham todos os dias para seus insanos inúteis trabalhos.


A Apodrecida Cidade agora fala.


— Inferiores festejam sua inferioridades a cada depravado dia de sua existência.


A Apodrecida Cidade agora declama.


— Inferiores realizam o ato de procriarem ano a ano a fim de gerarem outros inferiores.


A Apodrecida Cidade agora declara.


— Inferiores constroem monumentos e crenças a cada segundo gerando apenas mais e mais o predomínio da inventividade de nulas visões sobre o cemitério por onde caminham.


A Apodrecida Cidade agora fala contigo:


— Você é um inferior.


A Apodrecida Cidade agora fala comigo:


— Você é um inferior.


A Apodrecida Cidade agora fala com toda esta Humanidade:


— Você é Inferior.


A Apodrecida Cidade nunca se cala.


— Eu domino você.


A Apodrecida Cidade nunca se calou.


— Eu sempre dominei você.


A Apodrecida Cidade nunca se calará.


— Eternamente dominarei todos vocês.


A Apodrecida Cidade e suas Ocultas Vozes…


— NÓS SEMPRE SEREMOS OS DONOS DE TODOS VOCÊS!


Inominável Ser
APODRECIDO
SER



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