domingo, 22 de maio de 2016

Eu Sou Apenas Uma Gentil Devoradora...


La rose noire, planche 23 du Chaman, 1960 - Pierre Molinier 



O jeito correto de chupar um pênis é assim, como se a língua o moldasse como uma Divindade a ser pluralmente adorada. É como eu estou fazendo agora com este aqui, arrumando tudo para que eu possa cavalgar como a gentil Devoradora que eu sou… Gosto deste pênis aqui, é grande demais, grosso demais, preenche a minha boca com uma enorme adocicada sensação de que estou saboreando um delicioso manjar… Há um bom tempo não tenho comigo um pênis assim, algo para me satisfazer completamente antes do que sou obrigada a fazer… Sempre assim, devo continuar sempre assim, nesta rotina a cada noite que me obriga a realizar este mesmo Ritual de agora. Este pênis é apenas mais um, não tem a mínima importância depois que eu acabar. Este homem aqui é apenas mais um que envolvo e trago para cá, mais um entre tantos de ontem e outros tantos de amanhã. Mas, esse pênis é gostoso demais… Esta cabeça… Estas veias… Não quero parar, mas tenho que continuar, preciso fazer o que sempre faço melhor.


— Deite-se agora, Klaus.


Todos me obedecem sempre, sem contestação, após minha chupada. É até algo com o qual já estou acostumada e melhora cada vez mais a cada noite.


— Eu vou cavalgar o restante da noite em você, Klaus, como te prometi.


Todos os homens que eu trouxe para cá são iguais. Parece até uma comédia daquelas bastante ridículas, mas são todos patéticos, carentes, cientes de que suas vidinhas estão totalmente monótonas e vazias. Penso que as mulheres, amantes, esposas ou namoradas deste século, não sabem mais como cuidar desses caras na cama como se deve: com carinho, com afeto, com gentileza…


— Vou subir em você agora, Klaus, mantenha o seu tesouro bem duro para mim…


Delicioso este pênis mesmo… Belo homem o dono do mesmo… Aspirante a astro da Música, de origem humilde, lutando por um lugar ao sol neste mundo. Me contou tudo, pelo que percebi, da vida dele, não há muito mais a me dizer. É lamentável, ele seria capaz de fazer feliz qualquer mulher que caminha abaixo do sol, mas me encontrou… Gostei mesmo deste pênis, mais do que do homem em si, para falar a verdade. Vou começar logo isto para poder terminar e ir descansar para me preparar para o próximo de amanhã à noite.


— Vou começar, Klaus…
— Por que me escolheu entre tantos na Souto’s, Marcelle?


Eles não costumam perguntar isso…


— Gostei do jeito do seu rosto, me lembra…
— Eu lembro…?


O que estou fazendo agora?


— Lembra um homem de pica grande, que eu adoro…
— Um homem do seu passado?


Não, Klaus, falo de todos os homens que eu gentilmente puder devorar.


— Meu primeiro namorado.
— Ele parecia comigo?


Vocês, homens, são todos iguais, meu caro Klaus. O que muda é apenas a cor da pele, dos olhos e dos cabelos. E o tamanho do pênis, óbvio.


— Um pouco.
— Muito bom saber…


Provavelmente, ele pensa que teremos depois desta noite algum tipo de relacionamento.


— Não se apaixone, meu gostoso pirocudo…
— Me apaixonei quando vi seus olhos me observando naquela hora, Marcelle…


Você não é o primeiro, mas essa paixão durou apenas algumas horas.


— Você mal me conhece, Klaus!
— Estranho, mas é como eu já tivesse te visto antes…


Provavelmente, você deve ter sido um dos homens que eu trouxe para cá em época muito muito muito distante…


— Não acredito nessas besteiras, Klaus, você devia ser menos crédulo em relação a isso…
— Fui criado no Espiritismo e creio na Reencarnação. Já nos encontramos antes…


Se você se lembrasse, então, do que eu faço e do que eu sou, nem estaria aqui comigo após me reconhecer naquela hora em que nossos olhos se encontraram.


— Quer trepar ou conversar sobre a sua religião, Klaus?
— Não é isso, Marcelle… É que achei estranho demais uma belíssima mulher como você me trazer para sua casa sem nem me conhecer melhor. E o mais estranho é que isso de conhecer uma mulher e transar com ela na mesma noite me é também inédito.


O ineditismo, infelizmente, não vai mais se manifestar em sua existência, Klaus.


— Estamos no século vinte e um, uma mulher deve ser liberta das correntes que travam o corpo, a mente e o espírito. Sempre fui uma mulher que jamais se prendeu ao moralismo barato da sua civilização.
— Mas, você também é parte desta civilização, deste mundo.


Klaus, você nem tem ideia do que fiz, faço e sempre farei parte…


— Eu sou apenas uma gentil devoradora, Klaus…
— Me devore logo, então…


Adeus, meu amante noturno de hoje.


— Você nunca vai ter outra mulher como eu…
— Eu sei disso, Marcelle…


Vamos ao encaixe da minha vagina com o pênis dele… Nossa, isto nunca é o mesmo de homem para homem… Entrou tudo… Trinta e dois centímetros, aguento tudo… Vou cavalgar agora… Cavalgar agora… Venha tudo agora… Vocês estão livres… Vocês podem devorá-lo junto comigo… Vocês podem cavalgar nele junto comigo… Sintam a grossura deste pênis… Sintam a quentura deste pênis… Sintam as veias no pênis… Sintam as veias no corpo dele inteiro… As batidas do coração, vamos juntos devorar o coração dele… O ar saindo e entrando nos pulmões, vamos devorar os pulmões dele… O cérebro todo sentindo o que o corpo dele transmite enquanto estou assim cavalgando, vamos juntos devorar o cérebro dele… Os intestinos, os rins, o esôfago, os olhos, a língua, os músculos, os ossos, os pêlos, os cabelos… Tudo dele, devoremos juntos agora…


— Me devore, Marcelle…


Venham, tudo está aqui… Venham, há tudo dele vindo agora…


— Marcelle…


Venham, saiam de mim, penetrem nele, pesquem tudo dele…


— Ah, Marcelle…


Venham, envolvam-no, acorrentem-no, subjuguem-no…


— Marcelle…


Venham, para fora de mim, para fora de mim… Vamos, venham devorá-lo…


— Mar… celle…


Venham, estamos trazendo tudo dele… Tudo dele… Tudo…


— Mar… ce… lle…


Venham, estamos trazendo muito mais agora…


— Mar…


Venham, falta pouco para tudo dele ser nosso…


— …ce…


Venham, a vida completa dele já é quase nossa…


— …lle…


Venham, todos, todas!


— As…


Venham, estamos acabando!


— As…


Venham, estamos com ele por completo!


— As...


Venham, agora vamos trazê-lo totalmente até nós!


— Astrid…


Venham, ele já está em nós…


— Me devore, Astrid…


Venham, ele já é o que somos…


— As…


Venham, ele já é o que sempre fomos…


— …trid…


Venham, ele já é o que sempre seremos…


— Muito… obrigado… Astrid…
— Até a sua próxima existência, Tulius.


Mas, o meu Verdadeiro Nome não é Astrid, eu venho de uma época deste mundo onde não haviam Nomes. Nem nasci aqui na Terra, mas ele nunca saberá disso…

Tulius, Roma Antiga, quando nos encontramos pela primeira vez, uma maravilhosa época para mim como uma gentil devoradora… E, de novo, você foi devorado por mim, como foi em 1996, 1916, 1896, 1816, 1789 e em outras ocasiões… Seu amor por mim lhe uniu ao meu caminho devorador, mas eu não estou unida a você. Para mim, Tulius, você sempre vai ser um homem a ser gentilmente devorado por mim como todos os outros homens deste seu planeta; e um  cadáver que agora começa a virar pó em minha cama, como tantos outros das noites de ontem e das noites do amanhã.

E, falando na noite de amanhã, o próximo a ser gentilmente devorado já está escolhido, assim como todos os outros de depois de amanhã.

Porém, vou sentir muita saudade do pênis que você teve nesta sua última encarnação, Tulius…


Inominável Ser
GENTILMENTE
DEVORADO
SEMPRE




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