domingo, 11 de setembro de 2016

Meu Deus, Meu Homem, Meu Vampiro...


Giulia Legata - Saturno Buttò


Ícaro sempre tem o cuidado de nos tratar como merecemos. É um amante cuidadoso, trabalhando para manter a nossa carne quente enquanto seu deleite próprio vai para dentro de cada uma de nós e para dentro dele tudo que somos. Somos duzentas e quatorze agora, mas não fomos as primeiras e nem seremos as últimas. Nosso Mestre, Mentor e Maestro já nos revelou que inumeráveis existiram antes de nós pelos milênios.


Ícaro sempre vem trazendo com ele as amarras de tempos nos quais o Aço definia a firme vontade da Vida e da Morte além dos comuns caminhos desta Humanidade. Suas histórias são muitas, maravilhosas, fecundas e profundas, indo de civilizações extintas a desconhecidas, de ocultas a muito próximas de nossos livros de História. Ele tem um quê de grego e de romano, de egípcio e celta, de assírio e babilônico, de raças antigas e extintas. Olhar para ele é como ver todas as raças que já povoaram a Terra.


Ícaro roubo o Fogo Estelar e ousou mostrar esse Poder Eterno às amantes que teve através dos tempos. Muitas delas foram mulheres famosas e outras ilustres desconhecidas poderosas de tribos, aldeias e clãs exterminados pela Foice Temporal. Esse Fogo me excita, é o que me faz estar aqui aguardando ansiosa por ele… Nunca tive ou terei um homem como ele, tão nobre, tão forte, tão viril, tão macho no sentido mais entranhado da palavra no coração de uma mulher como eu… Quando ele fala, chamas saem dos lábios dele… Quando ele olha para mim, minha alma arde em chamas… Quando ele me toca, eu sou incinerada… Eu e as outras sentimos a fogueira que ele é, por cima, por baixo e dentro de nós…


Ícaro é o amante definitivo, o que nos concede a dádiva de estarmos junto com ele. E quando eu sou penetrada com selvageria, me abro por inteira… Aqueles pêlos, aqueles beijos, aqueles cabelos, aquela barba… Sou toda dele, bem carinhosa, bem atrevida, bem sedutora… Libero meu cu, minha buceta, minha boca… Libero tudo, todas as outras também liberam tudo com o mesmo carinho, atrevimento e sedução… Por que nos negarmos ao melhor dos homens que surgiu em nossa vida? Por que nos fazermos de santas com receios e medos nos braços de nosso homem perfeito?


Ícaro está chegando, eu ouço os passos dele, eu sinto o cheiro da pele dele, eu já estou vendo a silhueta dele… Nu como sempre, ereto, um membro que nada fica a dever a um cavalo de alta estirpe… Os cabelos até os pés e a sedosa barba espessa são negros como a mais densa das obscuras noites… Os faiscantes olhos verdes-escuros dele brilham, uma feiticeira luz no meio da escuridão onde estou… E a pele firme em um ultramusculoso corpo sempre rubra como brasa fervente em caldeirão infernal… Meu homem se aproxima… O homem de todas as outras se aproxima… E ele tem mais uma canção para mim…


As’iaan namut
Asi’aan boaruj
Asi’aan baerta


Agalur’
Agalur’
Agalur’


Dean’ii gaersa
Dean’ii gerasy
Dean’ii hdsguer


Batak’
Batak’
Batak’


Laret’ii opier
Laret’ii reduxera
Laret’ii impusera


Noabu’
Noabu’
Noabu’


Rwaqu’aa utera
Rwaqu’aa gerasde
Rwaqu’aa vaferad


Bartun’
Bartun’
Bartun’


Lar’uu varaer
Lar’uu suytiper
Lar’uu dawaro


Kaluu’
Kaluu’
Kaluu’


Ratee’
Ratee’
Ratee’


Upart’
Upart’
Upart’


Gerer’
Gerer’
Gerer’


Ícaro canta em um Idioma Vivo de um Idioma Morto. Ele me ensinou e às outras muitos Idiomas e somente cada uma de nós compreende o que dizem essas encantadoras palavras. Após dois mil duzentos e dezesseis anos, eu vou ser consumida por ele pela última vez. Não me queixo, estou feliz, pois de escrava judia a Discípula, Protegida e Musicista da Harmonia Imortal de um dos Deuses Do Sangue tive uma prolongada existência feliz entre os Mortais e Imortais não sendo nem uma coisa nem outra. Cooptei muitas outras para ele e, dentre as atuais, eu sou a mais velha. A minha substituta pode ser a menina síria de nove anos que há seis meses eu trouxe para cá ou a angolana de vinte e dois anos que ontem foi a última que escolhi para meu homem. Não importa, meu tempo aqui já se esgotou e já ouço as vozes das minhas outras Irmãs Sanguíneas que antes de mim receberam dele A Última Unção Sangrenta.


Ícaro está agora à minha frente, vejo suas presas invulneráveis que pela última vez sugarão o meu sangue. Como Doadora (ou Black Swann, como preferem os “Vampyros” da era contemporânea), já se esgotou tudo que eu tinha a oferecer a ele e a minha hora chega…. Ah, esse pênis chupo agora pela última vez… Grossíssimo, enorme, mais vermelho do que toda a pele dele… Olho nos olhos dele, mantendo o pênis na boca, sugando como nunca suguei antes o mesmo… Ele se mantém parado, inacessível de verdade como sempre, impassível e impávido, nada sentindo, apenas me sugando… Eu quero ser agora… Agora, ele me penetra… A rocha nunca esteve tão dura entre as minhas pernas… Será que ele reserva essa inédita dureza mais poderosa para todas as Doadoras que precisam ser substituídas? Isso agora não tem mesmo a minima importância, quero o pênis dele entrando e saindo e indo até o meu útero! Pela última vez…. A última vez… A última, meu Deus, meu homem, meu Vampiro…


Ícaro crava pela última vez as presas dele em minha jugular esquerda… Eu devo estar sorrindo agora… Eu devo estar morrendo agora… Não tem mesmo importância, eu amei este Deus como a única coisa existente nesta Realidade… Mesmo que ele seja incapaz de amar alguém ou algo, para mim tem muita importância tê-lo amado… Eu sorrio, sim… Eu estou morrendo, sim… Isto é a felicidade? Sim, deve ser a Verdadeira Felicidade…


Inominável Ser
MESTRE
MENTOR
MAESTRO

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O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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