domingo, 30 de outubro de 2016

A Mercadoria



A Mercadoria é posta sentada em frente à câmera, apenas coberta por uma toalha de seda vermelha. A Vendedora se direciona para o laptop atrás da câmera e a esta liga, se conectando imediatamente ao Portal das Delícias. Neste, cinco Compradores de alto gabarito e escolhidos a dedo pela vendedora observam a Mercadoria por alguns instantes. Homens cuja riqueza unida é incalculável, aguardam o início do discurso de convencimento da Vendedora para o material que mais tem saída entre este grupo seleto de consumidores do que se tem para adquirir na Deep Web.

A Vendedora volta a se aproximar da Mercadoria, a ergue da cadeira na qual a colocou sentada e tira a toalha. Segurando pelo queixo a cabeça da Mercadoria, apresenta o rosto da mesma para a câmera e inicia o detalhamento das qualidades da mesma.


— Olhos verdes-claros, branca como a neve e cabelos negros ondulados até o meio das costas. Seios pequenos e duros, com os bicos pontiagudos. Quadril largo com uma buceta virgem que agrada muito aos senhores. Pernas torneadas, sem muita gordura, como sempre me pedem.


A Vendedora vira a Mercadoria de costas para a câmera.


— Costas largas, como estão vendo. Bunda com bastante carne, agradável para apalpar, morder e acariciar. E o mais importante: um cu tão virgem quanto a buceta. Uma relíquia para os senhores, como podem ver.


A Vendedora senta a Mercadoria, nua, na cadeira, abrindo as pernas da mesma para que a vagina fique bastante visível. E volta a olhar para a câmera.


— Aqui está, senhores, mais uma Mercadoria em bom estado, fresca e na idade que vocês mais apreciam. Como já estamos há alguns anos tendo exclusividade com os senhores, garantimos qualidade extrema no que estamos hoje lhe oferecendo. Nossa empresa é a mais discreta possível e em doze horas, agora, passa a entregar para vocês o produto vendido. Comecem os lances agora, estarei coordenando o leilão de hoje, a partir de um milhão de dólares.


A Vendedora volta para o laptop e os lances começam a surgir no chat de negociações.


@amantedebonecas: Dois milhões pela cabritinha.
@dariovagineiro: Três milhões e meio
@comedorfoderoso: É mais magrinha que a outra, gostei muito dela… Três milhões e meio.
@estupradorgentil: Muito bonitinha essa vadiazinha… Cinco milhões.
@reidasbucetinhascheirosas: Dou seis milhões.
@vendedora: Primeira rodada de lances, encerrada. Alguem disposto a pagar mais?
@amantedebonecas: Sete milhões… Não, dez milhões!
@dariovagineiro: Muito pouco para essa cabritinha, que vale muito… Quinze milhões.
@comedorfoderoso: Vocês estão brincando? Ela vale trinta milhões!
@estupradorgentil: Eu nunca brinco, dou cinquenta milhões.
@reidasbucetinhascheirosas: Cem milhões.
@vendedora: Segunda rodada encerrada. Alguém arrisca mais lances?
@amantedebonecas: Duzentos milhões.
@dariovagineiro: Duzentos e cinquenta milhões.
@comedorfoderoso: Agora, eu levo! Quinhentos milhões!
@estupradorgentil: Setecentos milhões.
@reidasbucetinhascheirosas: Eu ganhei… Um bilhão e quinhentos milhões.
@vendedora: Terceira rodada encerrada. Alguém…
@estupradorgentil: Quarenta bilhões ofereço por esta beleza toda!


Os demais Compradores dão uma pausa na digitação dos lances por alguns instantes. Experientes, tanto como o dono do louco lance por último dado, sabem que jamais foram tão longe. Pela primeira vez, um valor desse nível é alcançado, fazendo um sorriso formidável de satisfação surgir no rosto da Vendedora. Após vinte e um minutos de reflexão, os demais se manifestam.


@amantedebonecas: Desisto.
@dariovagineiro: Também desisto.
@comedorfoderoso: Não quero mais continuar.
@reidaabucetinhascheirosas: Setenta bilhões.
@estupradorgentil: Cem bilhões!
@reidasbucetinhascheirosas: Trezentos bilhões.
@estupradorgentil: Seiscentos bilhões!
@reidasbucetinhascheirosas: Um trilhão.


Para todos os demais Compradores e para a Vendedora, o último lance é muito mais inédito do que antes. Pego de surpresa, o que primeiro ousou, o @estupradorgentil reflete por dez minutos, até voltar a se comunicar no chat.


@estupradorgentil: Setecentos trilhões.


Desta vez, o @reidasbucetinhascheirosas foi pego de surpresa. Ele demora apenas dois minutos refletindo.


@reidasbucetinhascheirosas: Eu desisto.
@estupradorgentil: GANHEI DE NOVO!!! KKKKKKKKKKKKK!!!
@vendedora: Mercadoria vendida para @estupradorgentil. Após a confirmação do depósito em nossa conta, enviaremos imediatamente a mesma. Usufrua do produto como sempre faz, meu amigo.
@estupradorgentil: Eu a quero enroladinha naquela toalha…
@vendedora: Será atendido o seu pedido, o senhor tem conosco um grande atestado de credibilidade. Admiramos a forma como trata de usufruir das Mercadorias que adquire conosco.
@estupradorgentil: Vocês são os melhores da Deep Web, garota!
@vendedora: Fazemos sempre o melhor para agradarmos os excelentes clientes que vocês são. Agora, terei que encerrar nosso chat, amigos, muito obrigada pela forma como educadamente disputaram a cada lance deste leilão. E o senhor, @estupradorgentil, receberá em doze horas a sua próxima diversão.
@estupradorgentil: Aguardo a chegada dela, garota…


A Vendedora encerra o chat e se desconecta do Portal. Desligando a câmera, abre a porta do quarto onde ocorreu a Venda e quatro mulheres adentram para levar a Mercadoria. Esta é enrolada novamente na toalha e, como um robô, é guiada para fora do local da negociação. Ela não sabe quem é, de onde veio e nem para onde irá. Tem apenas noção de que está sendo bem cuidada no momento, recebendo tudo para se sentir bem. Não fala, apesar de ter o dom da fala; apenas sorri com alegria e responde com acenos de cabeça quando lhe falam. E continuará assim quando estiver nas mãos do @estupradorgentil, um artista na arte do estupro a ser filmado e exibido em todos os recantos mais obscuros da Deep Web. Ela será estuprada com diversos objetos. Ela será estuprada por cavalos, jegues, mulas e cães. Ela será estuprada por homens superdotados. Ela será estuprada pelo seu Comprador até a morte por estrangulamento, após seis meses de diversões garantidas para aquele. Nesses seis meses, continuando apenas a não se lembrar quem é, de onde veio, para onde vai, nada falando, apenas sorrindo.

E tendo, apenas, oito anos de idade.

Inominável Ser
APENAS
O NARRADOR




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terça-feira, 25 de outubro de 2016

A Loja Dos Corações De Mooh Jor Ho Huo - Parte IV


Story of my heart so dark - sceptic666soul


Foram dezessete dias de uma corrida desesperadora e raivosa. Dezessete dias inconstantes, movidos pelo desespero e o ódio. Dezessete dias nos quais Ivana mais se debilitava e Flora transferia toda a fortuna delas para o Banco Ivanilovich. Pertencente à família dos famigerados larápios tão desprezados por Flora, não tem uma base física e se encontra virtualmente dividido em diversas contas de bancos menores que levam outros nomes, todos totalmente obscuros e desconhecidos. Ela teve que dividir tudo que tinha em quinhentas e trinta e oito contas diversas em nome de membros da sorumbática família. Além da vultosa conta no Santander, diversos outros milionários investimentos delas foram transferidos para as contas pessoais de Nargel e Agon, os quais mantiveram Ivana cativa na Loja. Todas as noites, Flora passava a noite em claro ao lado da esposa; e, durante o dia, punha-se a colher tudo que financeiramente tinham acumulado por conta de suas respectivas carreiras. Tudo que fisicamente tinha também vendeu, como os móveis, a arma, a casa e o carro, à vista, apenas para mostrar a seus inimigos que ela estava disposta a tudo para salvar a esposa. Esta definhava cada vez mais, se atrofiava e nem mais falava, sempre com os olhos mortos, estáticos e a olharem o nada.

Flora não se alimentou direito durante os dezessete dias de idas e vindas de bancos, escritórios e multinacionais. Emagreceu vinte quilos e tornou-se um amontoado de nervosos ossos caminhando de um lado para o outro. E o último dia desta tenebrosa marcha marcou a desocupação da casa onde viveu com Ivana momentos densos e frutíferos de amor, calor e expansivas noites ardentes. Com lágrimas contidas, parou alguns instantes em cada cômodo da casa, sorrindo ao lembrar de muitos dos descontraídos momentos que teve com aquela que conquistou-lhe a alma. Por fim, se dirigiu, após fechar a casa, para um táxi que chamou uma hora antes. No porta-malas do mesmo, a escultura que iniciou toda a desgraça em seu casamento, na mesma caixa em que fora levada para a casa dela. Ao colo dela, uma caixa do mesmo material que contém a escultura, tendo em seu interior o pulsante coração de Ivana.

O táxi pára na entrada do beco e Flora é auxiliada pelo taxista com as caixas. Após pagar-lhe cinquenta e cinco reais pela corrida, caminha com as caixas embaixo dos braços até a Loja. Abre a porta desta com um chute e caminha até Ivana, ainda sentada na mesma cadeira. Joga com raiva a caixa contendo a escultura aos pés de Nargel e Agon, que sorriem suavemente para ela. Se ajoelhando à frente de Ivana, abre a outra caixa, e o coração dentro da mesma passa a flutua à frente do tórax enfaixado de sua possuidora natural.


— Tudo que nós tinhamos, seus velhos malditos, agora é de vocês. — Ela diz de costas para eles, fixa em Ivana, ajoelhada ainda. — Eu cumpri a minha parte no trato que fizemos para que minha esposa fosse salva.
— E nós cumpriremos a nossa, sua esposa não vai mais sofrer. — Nargel abre a caixa e abraça a escultura. — Esta é uma obra muito especial, eu…
— Não me interessam suas histórias, seu verme! Quero a minha esposa de volta!
— O que eu contarei tem a ver com sua…
— Eu não quero ouvir nem mais um segundo sequer a sua voz, seu miserável filho da puta! Restabeleça agora mesmo Ivana, cumpra a parte de vocês em nosso trato!
— Nós vamos cumprir, mas de um modo que você…
— O que mais querem de nós duas? Já não tiraram tudo de nós?
— O dinheiro de vocês nunca foi, realmente, o nosso verdadeiro objetivo, Flora Esteves Bueno de Albuquerque.


Flora se ergue e encara os sorridentes irmãos gigantes oito metros à sua frente. Mesmo com um corpo em frangalhos, seu olhar ainda é desafiador o suficiente para não esmorecer totalmente diante deles.


— O que você…
— O que meu irmão quer dizer, Flora Esteves Bueno de Albuquerque, é que para Mooh Jor Ho Huo não importa nenhum tipo de riqueza material. — Agon dá cinco passos em direção a ela. — E nós não usufruimos das riquezas daqueles que Mooh Jor Ho Huo traz à nossa Loja. São apenas recursos que fazemos questão apenas de guardar, nunca usando-os. Mooh Jor Ho Huo nos concede tudo e é assim que nossa família transita pelo mundo. Somos colecionadores de riquezas desde a Antiguidade que os livros de História da sua Humanidade desconhecem.
— Vocês jogaram seu doentio jogo mais uma vez…
— Doentio em sua humana visão, mas para nós é um estudo do quanto a sua Raça não tem sequer a mínima ideia de como enfrentar a nossa.
— E você foi mais uma que nos concedeu mais uma parte do nosso imemorial estudo, Flora Esteves Bueno de Albuquerque. — Nargel põe a escultura em uma das estantes da Loja. — Seu desespero alimentou Mooh Jor Ho Huo. Sua dor ativou Mooh Jor Ho Huo. Suas lágrimas alegraram Mooh Jor Ho Huo. Sua riqueza é praticamente um inútil recurso para nós e para Mooh Jor Ho Huo.
— Vocês… Então…
— Como dissemos, Ivana não sofrerá mais. Porém, isto não quer dizer que a salvaremos.
— Cachorros desgraçados! Filhos da puta! Miseráveis! Velhos miseráveis!
— Seu ódio apenas serve para que Mooh Jor Ho Huo se manifeste aqui e agora, Flora…
— Não! Não! Ivana… IvcoraçãolAo olhar para Ivana, Flora vê que a mesma já não respira, o olhar profundamente branco e a pele destacando-se dos ossos. Lágrimas, enfim, quebram a armadura guerreira dela, que ergue o olhar para cima… Gravitando a um metro e setenta do cadáver de sua esposa, uma escultura em formato de coração, azul-escura, branca e cinza-clara emite uma ofuscante luz violeta. É o coração de Ivana, o coração de sua esposa, o coração de sua amada.


— Essa é a matéria-prima a partir da qual fabricamos nossos Corações para Mooh Jor Ho Huo, Flora Esteves Bueno de Albuquerque. Todo coração escolhido pelo Nosso Artista Indescritível é coração pertencente ao nosso Povo. Mooh Jor Ho Huo se aproxima agora e se agrada do seu coração, Flora Esteves Bueno de Albuquerque. Mooh Jor Ho Huo lhe dá duas escolhas: se tornar uma Escrava dele como nós somos ou uma prisioneira naquele lugar que te mostramos. Qual é a sua escolha agora, humana fadada ao eterno sacrifício na Roda da Matéria e da Imaterialidade?


Flora olha novamente para Ivana. Olha novamente para sua esposa. Olha novamente para sua amada. Olha novamente para o único amor de sua vida. E as lembranças retornam. Lembranças como a do primeiro olhar que trocaram. Lembranças como a do primeiro beijo que compartilharam. Lembranças como a da primeira noite de sexo que tiveram. Lembranças como a do casamento, apoiado apenas pelos amigos delas, reprovado por suas respectivas famílias. Lembranças como a da primeira rota de viagem em redor do mundo que realizaram juntas. Lembranças como a do primeiro aniversário de casamento, que comemoraram com todos os amigos delas em uma grande festa na amada casa que construíram juntas. Lembranças. Lembranças. Lembranças.


— Tudo isso será um passado esquecido, Flora Esteves Bueno de Albuquerque, quando sua Escravidão em Mooh Jor Ho Huo se concretizar. Seu coração foi escolhido por Mooh Jor Ho Huo, sinta-se agradecida pelo que Ele lhe concede: a Imortalidade, para que outros corações possam ser escolhidos para a nossa Arte ou como nossos Irmãos Nele. Seja nossa Irmã, humana de febril coração, Mooh Jor Ho Huo está próximo daqui e te concederá a mais gloriosa Escravidão.


E neste instante, Flora concebe a verdade que esteve ocultada desde que o coração de Flora foi requisitado pela escultura que tanto odiou. Ela mesma sempre fora o verdadeiro objetivo de Nargel e Anton; o verdadeiro coração que atraiu a atenção de Mooh Jor Ho Huo. Ivana, então, foi apenas um descartável recurso para lhe aproximar Daquele que lhe quer como Escrava. Verdade clara, simples, direta e bárbara. Ela põe a mão esquerda na cintura e retira um revólver calibre trinta e oito com balas comuns, que pertencia a Ivana, a quem ensinou a atirar. Retomando seu combativo olhar, se volta para Nargel, Agon e Algo que se abre no espaço todo da Loja. Aponta o revólver para os irmãos.


— Essa é a escolha dela, Nargel.
— Uma corajosa escolha para alguém tão pequeno diante de Mooh Jor Ho Huo, Agon.
— Eu quero que vocês dois enfiem nos cus Mooh Jor Ho Huo, velhos filhos da puta! E você, Mooh Jor Ho Huo: VAI TOMAR NO OLHO DO SEU CU ETERNO, SEU GRANDE VERME DESGRAÇADO FILHO DA PUTAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!


Flora atira.

………

— Mais um que Mooh Jor Ho Huo escolheu se aproxima, ao lado da esposa e dos três filhos, Agon.
— Mostremos a ele o caminho até nossa Loja.
— Será ele outra decepção para Nosso Artista?
— Creio que não, já falhamos muito neste século.
— Mesmo assim, Nargel, teremos que tomar medidas diferentes daquelas que escolhemos da última vez.
— Concordo… Vá para a entrada agora, eles estão chegando aqui.


Agon se dirige à porta, enquanto Nargel deposita em uma estante ao fim da Loja o último Coração que moldaram. O Coração cuja origem foi o órgão que pertencera à esfuziante e alegre Ivana. O outro coração, o de Flora, encontra-se acima desta na dimensão de prisioneiros que pela História Terrestre desafiaram a Mooh Jor Ho Huo e seus escravos. Sempre com uma inacabável sede, ela eternamente beberá do sangue a gotejar do coração dela. Sempre com um fulminante horror, o mesmo horror de todos em redor na mesma punição sem fim exigida por Mooh Jor Ho Huo, ela eternamente nunca saciará a grande sede pelo sangue de seu próprio coração. Este ainda bate. Ainda pulsa. Ainda arde de amor por Ivana.


[E O CORAÇÃO DE MOOH JOR HO HUO ETERNAMENTE BATE PELOS HUMANOS CORAÇÕES POR ELE ESCOLHIDOS]





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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A Loja Dos Corações De Mooh Jor Ho Huo - Parte III


Black Black Heart - Yuumei


Em todos os mais aterradores momentos existenciais, um ser humano deve encontrar equilíbrio na racionalidade. Mesmo diante do Inenarrável, Incomensurável e Incompreensível, a racionalidade deve implicita e explicitamente imperar tanto no consciente quanto no subconsciente humanos. Partindo da premissa mais básica para momentos de aflição e sem perder tempo com lágrimas, desespero ou desenfreado nervosismo, Flora se comportou equilibradamente diante da grotesca cena no quarto que representa a completude de sua relação com Ivana. Sem perder tempo com palavras consoladoras, ela carregou a esposa para o banheiro, retirando todo sangue da mesma; transportou-a para a sala enrolada em uma toalha, deitando-a no sofá; voltou ao quarto para pegar um kit de primeiros socorros, ignorando tanto a amaldiçoada escultura que tanto odiava quanto o coração de Ivana imóvel acima da cama; e, com três rolos de ataduras conseguiu envolver todo o tórax da esposa, cujo sangue parou de escorrer do buraco no mesmo.


Com carinho, a deitou no sofá e, de novo, retornou ao quarto para pegar algumas roupas, uma touca e um par de sapatos. Vestindo-a cuidadosamente, esforçava-se para não fitar os afundados e vazios olhos de Ivana, que não esboçava nenhuma reação, deixando-se levar como se fosse uma boneca das mais frágeis. Ao acabar de pôr o sapato esquerdo nela, ouve do quarto o celular tocar e, como que obrigada a se erguer, caminhou de novo até o quarto para atendê-lo.



— Estamos lhes aguardando na Loja Dos Corações De Mooh Jor Ho Huo, Flora Esteves Bueno de Albuquerque. Melhor não ligar para ninguém a fim de acompanhá-las, vocês estão diante de uma jornada que não pode ter mais do que duas participantes. E nem mesmo aquela amiga de vocês, Iniciada em Ritos Africanos, poderá lhes ajudar, isto está além dos conhecimentos dela. E de qualquer outro que Saiba Algo dentro desta Realidade. Venha logo, nesta madrugada as ruas estão vazias e os predadores de sua terra não lhes afligirão no caminho até aqui.



Nargel desliga e Flora, imediatamente, troca de roupa, se limpa com uma pequena toalha e volta para a sala, cuidadosamente pondo Ivana nos braços. Como elas tem o costume de deixar encostada a porta da casa, Flora empurra a mesma com o pé direito e se encaminha para o carro. Põe calmamente Ivana no banco de trás, atando-a ao cinto de segurança e se direcionando para abrir a porta da garagem. Tudo feito com calma para não debilitar ainda mais a esposa, após trancar a porta da casa e o portão da garagem, dirige o carro bem devagar em direção ao centro de Recife. Um bilhão de coisas se passam na cabeça de Flora no caminho até a Loja… Um sentimento de impotência se ergue… Uma sensação de frustração irrompe… Um medo que ela não quer alimentar toma forma… Um coração aflito bate muito mais acelerado do que o normal… Ódio profundo a faz várias vezes tocar na cintura…


Mecanicamente, no entanto, ela consegue ser fria o suficiente para chegar ao beco onde a Loja encontra-se. Com Ivana nos braços, ela caminha até a mesma, cuja porta já se encontra aberta. Nargel e Agon se encontram a vinte e um metros da porta, com seus extravagantes ternos e sinistros sorrisos. Dez metros á frente, um cadeirão de madeira se encontra e, com um gesto de cabeça, Nargel indica a Flora para sentar Ivana naesma. Feito isto, ela retira da cintura uma pistola calibre quarenta e cinco, empunhando a mesma com uma segurança que apenas militares possuem. Nargel caminha até ela…



— Bem-vindas à…
— Vá tomar no olho do seu cu, seu escroto! O que você fez com a minha esposa?
— Você quer mesmo atirar em nós, Iva…
— Eu vou perguntar de novo, seu velho escroto! O que vocês fizeram com a minha esposa?
— Qual tipo de resposta você quer? A que qualquer humano com uma mente limitada pode entender ou a que pode ser compreendida apenas por gênios como você?
— A resposta pode ser qualquer uma, seu filho da puta, já que uma bala dundum vai acabar com a porra toda da sua cabeça e da do seu maldito irmão!
— E o que vai fazer depois para salvar a sua amada esposa?
— Vocês me dirão agora o que fazer, depois acabo com os dois, seus vermes!
— Por que você acha que pode nos matar com essa arma primitiva feita por mortais para abater outros mortais?
— Não caio nessa babaquice, seu idiota! Você e seu  irmão são uns lixos que se utilizam de Magia Negra para qualquer tipo de propósito obscuro! Nada mais são do que bandidos que até agora se deram bem, mas comigo a conversa será muito diferente!
— “Magia Negra”?



Nargel paira sobre ela a um metro e meio de distância, gargalhando, sendo seguido por Anton nesta reação às palavras de Flora. Esta, se agachando, retira um punhal ocultado no tornozelo esquerdo, levantando a calça e atirando-o no abdômen de Nargel, neste fazendo três balas explodirem-lhe a coxa esquerda. Retira outro do tornozelo direito e atira-o com precisão ultraveloz na testa de Agon, explodindo cinco balas no tórax dele. E, de costas, apontando para eles a pistola, caminha para trás, arrastando consigo o cadeirão e vendo os dois retirarem os punhais e as balas dos corpos com sorrisos ainda mais sinistros nos estranhíssimos rostos. E os ferimentos se fecham, não chegando a fazer com que qualquer vestígio de sangue aflorasse dos mesmos.



— Já nos atingiram até mesmo com mísseis e ainda estamos aqui, Flora Esteves Bueno de Albuquerque. — Nargel atira o punhal e o que sobrou das balas aos pés dela.
— Em certa ocasião até nos lincharam e queimaram em estacas de madeira, mas também isto em nada nos afetou. — Agon tem a mesma atitude que o irmão. — Não foi a primeira vez que tentaram nos ferir ou matar com punhais ou balas, Flora Esteves Bueno de Albuquerque.
— Seu treinamento no Exército de seu país de nada adianta contra nós, Iva…
— O que vocês são, seus desgraçados?
— Somos tudo, menos “praticantes de Magia Negra”. — Agon caminha até o irmão. — Esta Loja não pertence a Magos ou Feiticeiros, nem podemos ser compreendidos pela linguagem de seu mundo. Mooh Jor Ho Huo não é um Demônio, é Algo muito mais antigo, anterior ao que vocês, humanos, conhecem como Inferno, esta que é uma infantil ideia moldada por infantis mentes. Sinta em seu coração, Flora Esteves Bueno de Albuquerque, o que minhas palavras querem lhe dizer…
— Por que nós duas? Por que? Por que, seus desgraçados? Seus merdas!
— Foi a escolha de Mooh Jor Ho Huo, Flora Esteves Bueno de Albuquerque. — Nargel retoma a palavra. — Nós dois, assim como todos os membros de nossa família, fazemos A Vontade de nosso, digamos… Bem, na sua limitada linguagem humana não há uma definição próximo ao que seja Mooh Mor Ho Huo. E sua mente acima da média humana não poderia compreender Mooh…
— O que querem, filhos da puta, para que minha esposa possa ser salva?
— Para que possamos manter uma Loja de nossa familia em cada cidade, aldeia e vilarejo do mundo, guardadas as devidas proporções, precisamos de infindáveis recursos financeiros. Nossa familia caminha em seu mundo bem antes da construção de qualquer civilização no mesmo e acumulamos riquezas que superam a de todos os países juntos. Não nos envolvemos em Governos, as mesquinhas manobras e vícios da Humanidade não nos interessam. Apenas seus corações, ofertados a Mooh Jor Ho Huo, nos interessam; e, como temos que materialmente nos manter em um mundo onde o que verdadeiramente conta é o capital financeiro de uma criatura acima dos animais, todo tipo de dinheiro, de qualquer pessoa, nos interessa.
— Eu sabia que, na verdade, vocês são apenas ladrões miseráveis com recursos naturais além dos compreendidos pela Razão Humana!
— Ah, então você tem a sabedoria de perceber que o “sobrenatural” inexiste?
— Querem toda a minha fortuna?
— Obviamente, queremos.
— Antes, salvem Ivana!
— Antes, transfira toda sua fortuna para nossa conta bancária no banco de nossa família.
— Isso não funciona sempre do jeito que vocês querem, seus lixos?
— Funciona, mas primeiro queremos ter a garantia que fomos providos com mais recursos financeiros ainda. Fazemos isso há séculos e jamais fomos sobrepujados.
— Seus…
— O coração dela se manterá na mesma posição em que agora está, não se preocupe. — Agon pára ao lado esquerdo de seu irmão. — As Leis pelas quais se concentram as áreas de nossa atuação não são frágeis como as da sua Humanidade. Somos homens de palavra.
— Vocês são tudo, menos homens, seus vermes… Eu posso virar este jogo de um momento para o outro… Vocês sabem disso…
— Sua esposa não vai sofrer, faça o que nós lhe orientamos a fazer.
— Eu não acredito que “tudo voltará ao normal depois”! Eu não sou nenhuma imbecil e sei que este jogo não tem limites determinados, nem explora um fim alcançável! O que mais querem de mim? O que mais querem de Ivana? O que mais querem, filhos da puta? Nossas almas? Nossos corpos?
— Suas almas limitadas não são do nosso interesse, Flora Esteves Bueno de Albuquerque. Seus corpos, idem, não somos estupradores e nem exploradores de mulheres. Seus corações, sim, verdadeiramente nos interessam.
— Seu coração explode pela sua amada, estou certo? — Nargel se aproxima dela, que não diminui a postura ofensiva. — O elemento mais poderoso desta Realidade é o do Poder que vem de cada coração. Os sufistas estão corretos e dentre todas as chamadas religiões de seu mundo o Sufismo é a mais avançada e explica em palavras inteligíveis algo mínimo acerca dos objetivos de Mooh Jor Ho Huo. “O caminho do coração”, Flora Esteves Bueno de Albuquerque… “O caminho do coração”... “O caminho do coração”... Você conhece o caminho do seu coração… Então… O que chega agora ao caminho do seu coração? Quer tentar nos enfrentar quando sabe que cada tentativa será infrutífera? Quer apelar para as forças policiais de seu país quando sabe que nenhuma lei humana se expande por nossas existências e será capaz de nos julgar, assim como todos os tipos de armas das mesmas? Quer chamar seus contatos no submundo para que uma pequena milícia venha nos enfrentar a fim de nos sequestrar e obrigar-nos a salvar sua esposa? Quer chamar aquela Filha de Omulu, a qual me referi ao telefone, para tentar nos vencer com uma Magia sendo que Mooh Jor Ho Huo está além das crenças mágicas terrestres? Veja só, você tem muitas possibilidades, diversos caminhos que se configuram em um resultado: o arrancar dos corações de todos aqueles que ultrapassarem a porta desta Loja para tentarem nos enfrentar. Falando na porta de entrada daqui, olhe para trás.



Ele aponta com o indicador direito e Flora se volta. No lugar da entrada, uma dimensão está aberta, repleta de inumeráveis seres humanos nus, toráxs abertos,  ajoelhados e a beberem o sangue a gotejar de corações imóveis acima deles. Olhando em redor, mais humanos e corações; voltando-se para Nargel e Agon, atrás destes, e em redor, outros humanos, outros corações…



— Aqui estão todos aqueles que nos enfrentaram através dos chamados tempos de seu mundo, Flora Esteves Bueno de Albuquerque. Homens e mulheres como você; homens e mulheres abaixo de você; todos eles, por fim, tão humanos quanto você. Quer ver seus amigos, conhecidos e desconhecidos ao lado deles, eternamente se alimentando do sangue dos próprios corações? Quer ser uma deles ao lado de Ivana ou vai cumprir a nossa determinação?



Vencida, ela quebra sua postura ofensiva, ajoelha-se, põe no solo a pistola e apoia a cabeça no colo de Ivana por alguns instantes. Não chora, não quer e nem vai chorar… Rangendo os dentes, urrando de ódio, ela apenas encara os tenebrosos rostos sorridentes de Nargel e Agon, erguendo-se novamente.



— Essa foi a mais sábia escolha de todo o seu coração, Flora Esteves Bueno de Albuquerque.



[OS CORAÇÕES BATERÃO UMA QUARTA VEZ]




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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Nas Garras Flamejantes De Tebeszre Yrohtab


A vitoriosa postura acima de cadáveres dispostos em esculturas construídas por subordinados tão cruéis quanto ela anuncia a hegemonia alcançada no Planeta Aygnugh Hurur. Hegemonia também plena na Galáxia Avudarjapet Thudar onde se localiza aquele planeta, e também no Universo Dearmu Boos, proporcionada pelo avanço devastador de suas Legiões pelos 441 planetas daquela. Tebeszre Yrohtab, Deusa Do Fogo Guerreiro Primordial Do Espírito Da Guerra, Xolohnoruk, assumiu a liderança de seu Clã ao fim da Guerra Do Destino De Eden Al Sophor após as Extinções de seus pais e irmãos na Última Batalha daquele Universo. Aproveitando o desmembramento do Império Keauriotheniano após o fim daquela Guerra, ela declarou-se a Nova Imperatriz Keauriotheniana e declarou Dearmu como O Novo Império. Os Clãs fiéis ao Império Original se sublevaram contra a iniciativa dela, liderados por Atina Idlabirag, Deusa Cósmica Dos Doze Princípios Das Realidades Automanifestadas. Nos últimos 2.158 Anos Universais da Era de Secnor Basfartana até o Primeiro Ano Universal Da Primeira Era Divina, A Guerra Keauriotheniana De Dearmu Boos foi travada até ser definida pela vitória das Garras Flamejantes de Tebeszre. E a única sobrevivente ao avanço desta, Atina, foi feita prisioneira e agora está acorrentada no interior do Templo Do Fogo Extinguidor Yrohtab.


Seot Zoutjen, as Garras Flamejantes, sempre diferenciaram Tebeszre de seus pais, Agous Ailicec (Deus Dos Punhos Guerreiros Keauriothenianos) e Brakaste Yrohtab (Deusa Do Fogo Automanifestado Da Magia Eterna). Nascida no Nonagésimo Nono Clã Maior Keauriotheniano, se diferenciou igualmente de seus 22.110 irmãos e demais membros de seu Clã. Este fora extrema e extensamente sempre devotado aos Governos de Thornadoriusis Shodolon, Thades Ocitilop Shodolon, Beria Sarah e Alihto Bronan; ela, por outro lado, admiradora de Kasyohpetdrya Harok, A Primeira Líder Da Primeira Dissidência Racial Keauriotheniana, contestou em seus 419 bilhões de Eras de Existência a Autoridade Eterna dos três últimos. Cruel em guerras; sádica com prisioneiros de guerra; extremamente dura com pequenas rebeliões; adepta da Ideologia Supremacista Keauriotheniana; e liderança carismática para 61% dos Keauriothenianos em Dearmu, se tornou para todo o Império uma personalidade contestável. Fora inimiga de Thades, Beria e Alihto exatamente pelo caráter irracional dos Tebes’Aluasbaek, Os Fogos De Tebeszre, um conglomerado de 543x10⁴⁴ Legiões notoriamente famosas por Violações de Direitos Existenciais de diversas Raças, mesmo estas sendo inimigas de Keauriothen (132.290 delas foram Extintas pelos Fogos). Os Tebes’ atingiram um inumerável contingente ao fim da Guerra em Dearmu com a adesão de outros simpatizantes Keauriothenianos da Ideologia de sua líder advindos de Colônias Universais Extintas ao fim da Guerra por Eden.


Tebeszre, triunfante, observa uma última vez as esculturas de cadáveres e caminha para o interior do Templo onde se encontra sua maior opositora, uma Deusa que ela um dia considerou estar à altura dela. Enquanto percorre os 246 km abaixo da superfície, onde se localiza Raklearthgreg Yterusa, O Recinto Manipulador Do Fogo Extinguidor, ela se lembra dos confrontos que travou contra Atina desde crianças. Possuidoras da mesma idade, nascidas em Aygnugh, cresceram como rivais nas Artes Marciais Místicas e se tornaram Inimigas Eternas por defenderem posições ideológicas contrárias uma à outra. Apesar dos Yrohtab e Idlabirag (Ducentésimo Primeiro Clã Maior Keauriotheniano) serem aliados, a Inimizade entre as suas mais poderosas representantes obrigou o contingente populacional do segundo Clã a abandonar Aygnugh, indo residir a 617.907.231 Anos-Luz do mesmo, no Planeta Avaysmedah da Galáxia Septvank Kaa. Mesmo assim, a Supremacista Tebeszre e a Integralista Atina, defensora dos Direitos Existenciais de todas as Raças Moldadas, sem exceções, continuaram a confrontar-se ideologica e fisicamente em Dearmu e diversos outros Universos onde eram travadas guerras do Império. Atina, filha de Veruj Sabalop (Deus Das Espadas Solares Mães Da Magia Eterna Solar) e Karasa Idlabirag (Deusa Da Magia Estelar), foi uma feroz opositora das táticas de massacres raciais das Tebes. 39% dos Keauriothenianos residentes em Dearmu passaram a ser simpáticos aos ideais de Tolerância Racialista de Atina, que perseguia as Tebes de perto com as Deomapho’Ayderyghu, As Doze Legiões De Semi-Automanifestados Keauriothenianos Das Realidades Automanifestadas (inicialmente, 406x10³ Semi-Automanifestados de diversos Clãs e Magias; posteriormente, inumeráveis, contando com a adesão total do Clã Yrohtab, que jamais concordou com os Atos Extinguidores de Tebeszre).


Próxima 6 Km abaixo da superfície de sua Inimiga sobrepujada por completo, Tebeszre sorri maliciosamente se deliciando com as lembranças dos inumeráveis confrontos travados entre os Tebes e Deomapho. Não fossem as intervenções destes, ela teria sido responsável pelas Extinções de inumeráveis Raças durante as guerras que travou. Ela via em Atina, também, uma liderança carismática e até lhe direcionava um respeito velado, o qual não era recíproco. Ela sabia que a Idlabirag a desprezava como Ser Vivo e queria extirpá-la da Raça Keauriotheniana; tal ódio, no entanto, era divertido para Tebeszre. Semi-Automanifestadas, as duas dividiram as opiniões de todo o Império quanto aos rumos que o mesmo deveria tomar com relação a elas, já que as batalhas das Legiões das duas chegavam a atrapalhar a Logística Militar das demais Legiões Keauriothenianas. Foram sendo toleradas, apesar de que os Soberanos Maiores Keauriothenianos serem mais propensos a simpatizarem com Atina, que efetivamente foi tornada por eles como uma espécie de contendora dos Atos de sua Inimiga. Possuindo entre suas Legiões Guerreiros mais poderosos que os presentes nas Tebes, os Semi-Automanifestados supracitados, Atina sufocou por Eras Tebeszre. Esta apenas se divertia com a oposição visceral daquela aos seus Expurgos Raciais.


A 1,5 Km do Recinto, Tebeszre recorda que toda a diversão acabou quando eclodiu a Guerra Por Eden. Esta fora iniciada por Thornadoriusis Shodolon e Htumiza Elbuod Japneos Pme com o intuito de conquistarem o Mundo Governante Da Criação e Extinguirem o Automabifestado que à mesma Governava. O ex-Imperador Keauriotheniano, que abandonou seu Trono para Adormecer em um Desconhecido Local a fim de Despertar o Dom Recriador Da Criação em si durante 5 bilhões de Eras; e Htumiza, Imperatriz Dtsamiana, que conseguiu a adesão de todos os Impérios Tirânicos e Ordens Criminosas da Criação, foram os Líderes dos denominados Destruidores De Eden. Amanorap e Oginan Ocitilop, dois dos três Primeiros Seres Evoluídos da Raça Keauriotheniana; e Iniringa e Anisal Drarongnet, Deusas Mentais que se tornaram As Maiores Discípulas De Amanorap, arregimentaram todos os Impérios e Ordens Benignos da Criação no grupo que ficou conhecido como Defensores De Eden. Um desequilíbrio bélico ocorreu quando Htumiza trouxe de volta para a Criação Material dois dos Maiores Primórdios Evolutivos Da Criação: seus Ancestrais e de todos os Laridianos, sua Raça fundada por eles, os Zeraujinns, Os Pais Dos Sete Véus Universais; e Deusenel Aulun, A Deusa Lunar Negra, junto com a Ordem das Senhoras Das Luas Negras Universais que leva o nome daquela. Uma trégua foi estabelecida entre ela e Atina durante os 140 bilhões de Eras da Guerra, cujo equilíbrio fora restabelecido após a entrada, no lado dos Defensores, de outros Recriadores Despertos.


200 m próxima a Atina, Tebeszre vê um brilhante futuro para seu Império Keauriotheniano. Diante dela se encontra o último obstáculo, sobrepujado após uma Batalha Mística que durou 734 Anos Universais, travada por toda Dearmu. Obstáculo vencido, humilhado, abatido e intensamente ferido após uma sádica tortura que ela mesma promoveu. Mas, elas não se encontram sozinhas no Recinto…


— Você contatou a Irmandade De Ta-Dashovke e eu estou aqui como representante da mesma, Tebeszre  Yrohtab. Meu nome é Etned Iserp Ap, Mestra Da Guerra das Caçadoras Elementares, e venho com os sete Pergaminhos que selam a sua adesão e a de seu Império à Irmandade.
— Há algum inconveniente no fato de que antes eu quero acabar com essa prisioneira à nossa frente?
— Não me importo com os atos internos de seu Império, Tebeszre Yrohtab. Quem me enviou até aqui, igualmente não se importa. Somos indiferentes aos seus atos e Ta-Dashovke apenas conta com a sua lealdade. Tudo o que você pediu está agora mesmo sendo entregue nos planetas deste Universo.
— Ouviu bem isso, Atina? — Tebeszre puxa para trás a cabeça dela, pelos cabelos. — Você não soube de mais nada após sua queda em minhas garras, mas vou te dizer sobre os últimos acontecimentos da Criação. A Guerra Dos Recriadores acabou com a vitória de Htumiza, que agora é uma criatura perseguida por cada sobrevivente maior dos Defensores, sendo Zabay-Atlay a única defesa dela. Os Sem Mundo, como chamo os sobreviventes entre os Defensores, se reuniram em um inautêntico protótipo de continuidade do Império Keauriotheniano que sua amiga Alihto governa. Chamam aquilo de “Nova Keauriothen”, mas eu construirei em Dearmu A Verdadeira Nova Keauriothen acima dos seus ossos e dos que te seguiram contra mim. Para isso, me aliei à Irmandade De Ta-Dashovke, que me concedeu Armas Extinguidoras e Manipuladores De Energias Automanifestadas para que eu possa Aprimorar os meus Soldados. As Eras Divinas estão se iniciando com um novo Panorama Evolutivo e seus ideais serão extintos por toda a Criação pouco a pouco, graças aos Mundos Inferiores que estão Descendo por toda parte. Nem o seu querido e admirado “Exército Evoluído”, também sob o comando daquela maldita bastarda imunda de Thades, vai resistir ao avanço de Ta-Dashovke…
— Alihto vai pulverizar cada pretensão sua…
— Assim como eu pulverizei todos os sobreviventes de seu Clã; de suas Legiões; e seus filhos à sua frente, pessoalmente? Sentiu muita piedade quando, também, exterminei os últimos representantes das Raças que contaminavam o Existir de Dearmu?
— Eu jamais vou me curvar a você…
— Você já me causou problemas demais durante Eras, Atina… Me cansou até demais… Meu desejo era me livrar de você durante o tumulto promovido pelos Destruidores, mas isso poderia atrair a atenção dos nossos aliados, que se uniriam para me destruir. Aguardei a oportunidade ao fim da Guerra porque Sabia que cinzas seriam as formas de cada Vontade Guerreira de nossos aliados ao fim da mesma. Minhas Legiões, também, saíram do conflito muito melhores do que as suas; mesmo assim, você ainda conseguiu me dar algumas dificuldades… Enfim, te mostrei todo o meu Potencial Evolutivo e te pus em minhas garras…
— Sem o auxílio de Ta-Dashovke, você nem mesmo se moveria contra…
— Contra quem, Atina? Você nunca foi nada para mim, apenas me divertiu por todas aquelas Eras pensando que poderia realmente se opor a mim! Você não é uma má Guerreira… Quer dizer, você não foi uma má Guerreira, mas por diversão eu me escondi evolutivamente por todo aquele tempo em que nos digladiamos pela Criação. Eu poderia facilmente acabar com você e com seus “Semi-Automanifestados”, mas preferi expandir nosso conflito por mera… Diversão!
— Acabe logo comigo, Tebeszre… Você já me venceu… Já me humilhou… Já me arruinou…


Tebeszre se aproxima do rosto dela com uma sarcástica expressão no rosto.


— O que mais te arruinou? Foi ter sido estuprada por cada um dos meus Soldados? Quantos eles são mesmo? Foi ter sido torturada por mim de todas as formas mais estranhas possíveis? Foi ter sido estuprada por mim com a bainha da minha espada? Foi ter visto cada um dos seus filhos, netos, descendentes e ascendentes em geral, serem supliciados por mim pessoalmente? Foi ter visto aqueles lixos raciais todos se debatendo enquanto eu os fazia queimar até se tornarem cinzas? Foi ter visto aqueles recém-nascidos empalados por mim em estacas flamejantes? Quem eles eram mesmo? Ah, sim… Os recém-nascidos eram os últimos filhos de seus Soldados… Foi belo, eles gritaram tão alto…


Atina cospe sangue no rosto dela, que, ao mesmo tempo que se limpa com a mão esquerda, queima-a com o Fogo Automanifestado Interno manipulado pela mão direita. Em um já tão castigado corpo, o mesmo pulveriza todo o braço direito de Atina; e Tebeszre continua queimando-a, deliciando-se com os gritos de agonia da Inimiga, expandindo as Chamas Automanifestadas pelo corpo da mesma lentamente…


— Você nem merece que eu prolongue o seu sofrimento, é uma desgraça existencial tão grande quanto as Raças que defendia… Dê lembranças aos nossos pais, Atina… Os seus, que eu torturei até a morte aqui, caso minhas Chamas tenham agora afetado a sua memória, à sua frente, vão te receber como a uma recém-nascida bastante necessitada de amor e carinho…


As Chamas alcançam o rosto de Atina, que explode em horrendos gritos de profundíssima final agonia…


— Alihto, aquela bastarda, vai ter o mesmo fim que você em minhas garras… Por último, eu te digo: você nunca foi para mim uma adversária digna, eu merecia alguém muito melhor do que você.


E as Chamas consomem todo o corpo físico de Atina… Os gritos cessam…


— Não, isto não é o fim… Isto aqui é para que se lembre de mim até mesmo em seu futuro novo Invólucro Material…


As Chamas incineram a Alma Eterna de Atina, consumindo diversos Campos Internos da mesma, fazendo gritar a mesma…


— Pronto, Caçadora, podemos dialogar agora com a tranquilidade devida.


Tebeszre se posiciona acima dos ossos de Atina e examina cada Pergaminho, sob o sinistro e frio olhar de Etne. Iniciou-se, assim, uma aliança entre o Império Keauriotheniano Das Garras Flamejantes e a Irmandade De Ta-Dashovke. Império e aliança que pouco duraram, já que o primeiro ato contra Tiranias Imperiais aliadas à Irmandade, da parte de Nova Keauriothen, foi derrubá-lo. E Alihto pisou nos ossos dela ao fim de rápidos e fulminantes 38 Anos Universais de guerra, como contam as Crônicas. E seu nome é pouco mencionado nos Livros Históricos das Eras Divinas.



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