segunda-feira, 5 de junho de 2017

Uma Grande Multidão


Art by Toshihiro Egawa


Era um agrupamento incontável de pessoas em uma larga praça, todas parecendo hipnotizadas, robôs que aceitam tudo que lhes cai à mesa. Alguns erguiam bandeiras, outras encontravam-se estáticos, na mesma letargia anunciante de dominante sobremesa. Eu caminhava acima de todos, em uma arquibancada, observando sem conseguir notar cada rosto na estranha multidão tão vasta. E por cima dela, um tipo de bordel, pintado de verde e branco, símbolos esotéricos gravados na parede, se encontrava. Dentro do bordel, conversas, gargalhadas e o barulho de uma música cujos tons pareciam sussurros de zombaria. E quanto mais eu caminhava na arquibancada, mais eu via, como imagens de Entidades de todos os tipos em um telhado. E me fixei em uma imagem que me chamou a atenção, a de um antigo ídolo de uma era e civilização há muito extintas. E senti o cheiro de um cigarro… Olhei à minha frente e vi o dono do cigarro… Meu interesse, então, se fixou em tal misterioso fúnebre fumante de ar sábio.

Seu rosto estava ocultado por uma névoa, mas seus cabelos identifiquei como negros e grandes. Trajava um terno branco, mas o sinistro em sua aura arrepiava o mais profundo de minha alma. Por um instante encaramos um ao outro; por um instante, não existiu a arquibancada, o telhado, o bordel e a multidão; por um instante, o silêncio reinou naquela intersecção entre Realidades. E o cigarro fazia danças diante de meus olhos, sua fumaça formando estranho desenhos no ar congelado. E o seu dono falou, projetando até mim uma penetrante voz rasgada, antiga e tumular.


— “Você Me Ama, Mas Eu Não Te Amo. Vê Esta Multidão Toda Aqui? Aquele Bordel Ali? Estas Imagens Por Lá? São Todos Resquícios Da Corrupção De Sua Gente, De Sua Raça Inútil E Bastarda. Vocês, Humanos, Defecaram Nas Maravilhas Deste Microverso Chamado Terra E Cada Vez Mais Poluem E Assassinam Seu Mundo Com Ondas De Atitudes Oriundas Do Esgoto E Da Lama. Estancaram O Sangue Que Lhes Dava Verdadeiros Tesouros E Hoje Acumulam Os Restos Mortais De Um Sonho Dourado Do Qual Você Ainda Se Lembra. Vocês E Alguns Que Beberam Do Elixir Antigo Da Verdadeira Força Que Aqui Havia, Aqui Na Terra Onde Estamos Neste Momento. Assim Está Hoje O Teu Mundo, Humano, Uma União De Uma Grande Multidão Abaixo Da Grande Cidade Prostituída Babilônia, Sede De Santificados Ídolos Da Destruição De Tua Civilização. Eu Apenas Fumo O Meu Cigarro, Caminho Pelos Quatro Cantos Deste Charco E Inundo De Algumas Esperanças Os Corações Desesperados. Pode Me Chamar Do Que Quiser, Mas Estou Lhe Avisando Que O Teu Mundo Está Todo Errado. A Chaves Do Portão Da Liberdade Foi Quebrada E Os Reis Da Grande Prostituta Se Refastelam Sobre A Lavagem Formada Pela Multidão De Sua Raça. Sua Gente Tola Se Acomoda, Se Entope De Mentiras, Arrota Arrogância E Peida Prepotências Sobre Cada Lei Da Natureza. É, Rapaz, A Humanidade Deste Mundo Estabelece Cada Vez Mais Uma Fossa Para Onde Todos Vocês Já Estão Se Encaminhando. Os Das Luzes Tentam, Os Das Trevas Atacam E Os Neutros Como Eu Apenas Observam. O Adversário Se Vangloria E Aquele Que Caiu Para Trazer A Luz Para Todas As Nações Distante Da Una Perfeição Se Desespera. Outros Mundos Apresentam O Mesmo Distúrbio, O Juízo Final De Muitas Hunanidades Se Apresenta A Tais Mundos. E Você, A Quem Eu Não Amo E Que Me Ama, Meu Amigo, Não Pode Fazer Nada. E Nenhum Daqueles Que Batem Altas Asas Pode Fazer Alguma Coisa. É O Destino. A Soberana Vontade Evolutiva. A Justa Medida Pertencendo Aos Mistérios Matriarcais E Patriarcais. A Rebelião Das Forças Que Sua Raça Deturpou, Vocês São Criminosos… Mas, O Que Isso Realmente Me Importa? Eu Continuarei Caminhando E Fumando Meu Cigarro, Surgindo Em Músicas E Poesias De Diversos Modos Imaginários. Eu Sou A Imagem E Semelhança De Vosso Eu E Você É A Imagem E Semelhança Do Meu Eu. Todos São Assim, Todos Desta Ridícula Raça Humana Reunida Como Uma Grande Multidão Aguardando A Misericórdia De Algum Deus. Eu Apenas Observo… Observo Toda Queda… Observo Toda Malfadada Obra… Observo Toda Quebrada Horda… Multidões E Mais Multidões Assim Se Reúnem Por Todo Lado, Procurando Bençãos. Mas, Todas Estão Amaldiçoadas E Repletas De Crianças No Caos Afogadas. Crianças Como Você, Meu Amigo Que Me Ama E Que Eu Não Amo.”


E a névoa no rosto dele se tornou mais densa, marcando o desaparecimento de sua presença diante de mim. E olhei para a grande multidão, ainda estática, ainda inerte, ainda morta. E me vi entre eles, tão estático, tão inerte, tão morto quanto qualquer um daqueles que estavam em meu redor. Eu orava quando oravam. Eu me ajoelhava quando se ajoelhavam. Eu acendia velas quando acendiam velas. Eu me divertia quando se divertiam. Eu sorria quando sorriam. Eu gargalhava quando gargalhavam. Eu chorava quando choravam. Eu transava quando transavam. Eu me masturbava quando se masturbavam. Eu parava quando paravam. Eu morria quando morriam. Eu renascia quando renasciam. Eu morria de novo quando renasciam de novo. Eu renascia de novo quando renasciam de novo. Tudo roboticamente fazendo uma roda de torturas girar em sentido horário e anti-horário ao mesmo tempo, emitindo frequências a todas as mentes e almas tão famintas como as minhas. E no bordel todos zombavam de mim e de todos em meu redor. E no telhado as imagens ganhavam vida e também gargalhavam, zombando de mim e de todos em meu redor. E na arquibancada, enfim, me sentei e permaneci apenas observando, retirando do bolso de minha calça um maço de cigarro, acendendo um e fumando.

Entendo agora o que O Diabo com aquelas palavras me revelara.

Entendo agora o que nenhuma humana palavra será capaz de revelar de alguma forna.

Inominável Ser
OBSERVANDO
E FUMANDO
SENTADO
EM UMA
ARQUIBANCADA




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sábado, 3 de junho de 2017

Tributo Aos Djardunns


Treinado como o melhor de todos da sua Geração Guerreira entre os Colonizadores Keauriothenianos do Universo Aju Waroon, Tej Ylghnuel se tornou nas Eras da Guerra De Keauriothen Contra Os Djardunns o que a História viria a considerar como A Arma-Sacrifício Mais Do Que Perfeita. Na Idade Cósmica Menor, cinquenta e seis Idades após o Nascimento Da Raça Keauriotheniana, o Império fundado por Thornadoriusis Shodolon encontrava-se ainda em Expansão Territorial. Contando naquela Idade com 10.958 Universos (75% conquistados através de guerras; 25% de modo pacífico, por meio de densas Colonizações Planetárias) e 112.004 Galáxias (colonizadas pacificamente) em seu Universo de origem, o Império começava a tornar-se extremamente temido belicamente. O Imperador Thornadoriusis pediu aos seus Generais e Solfados o desenvolvimento de formas cada vez mais rápidas de Combatividade. A Tecnologia Arcana de Nyetsnye Rinji, Arquicientista Supremo Keauriotheniano, encontrou no inicio daquela Idade uma adversária à altura nos Djardunns, A Raça Descendente De Djar, O Primeiro Arquiteto Tecnológico Da Criação. Império governado por Djar CCLXXXVII, consistia em um aglomerado de 191.978.006 Tecnoversos defendidos por Tecnoguerreiros que manipulavam a Gravidade Universal. A guerra foi iniciada contra Keauriothen por motivos de conquista da parte dos Djardunns das crescentes Colônias Keauriothenianas. Uma Nova Classe Guerreira foi iniciada por causa da intensa sequência de vitórias do Tecnoexército Djar, enfraquecendo as Defesas Coloniais. E Tej foi o primeiro dos exemplares de tal Nova Classe.


Nyestnye precisava agir rapidamente e entre os Clãs Menores Keauriothenianos de todas as Colônias, encontrou os Biotipos Elementares mais aptos para as experiências de Manipulação Genética Bioespiritual. Entre os 712.011.899 integrantes daqueles Clãs em seu planeta-natal, Seanbened, na Galáxia De Uruan, se encontrava Tej, filho de Amu Ogarau (289º Clã Menor) e Nel Ylghnuel (455º Clã Menor), dois Mestres Construtores de Hiperstações Interplanetárias. O também Mestre Construtor foi guiado por duas Legiões até o Planeta Keauriothen, na Galáxia De Órion em Gênesis, junto com os demais, a fim de serem Bioespiritualmente Operados, ele sentiu muita dor ao afastar-se de seus pais, intuindo imediatamente que jamais tornaria a encontrá-los. Em 141 Anos Universais foram Operados em Keauriothen por Nyestnye, outros 3.351 Arquicientistas e 90.122 Cientistas 677x10³²¹ Keauriothenianos de ambos os sexos. Acirrada cada vez mais se tornava a guerra e todas as Operações, junto com o Período de Treinamentos dados pelo próprio Imperador, terminaram exatamente após a morte de Adahran Ocitilop, o General Supremo De Guerra Maior Keauriotheniano, na Grande Batalha Do Universo Stregagr.


Tej se tornou tanto a Maior Obra Arquicientífica de Nyestnye quanto o Maior Discípulo de Thornadoriusis em toda a História Da Criação. Nyestnye trabalhou em Organismos Bioespirituais de Seres Comuns, mas Ativou, a partir do positivo resultado em Tej, as Sementes Evolutivas De Deuses Da Magia Eterna. Após a experiência com sua primeira Obra, repassou aos demais Arquicientistas e Cientistas o seu Modo Operativo, sendo que os resultados de cada um foram especificamente diferenciados. O caso especialíssimo de Tej foi que este adquiriu uma Capacidade Evolutiva idêntica à do Imperador, que, nos Treinamentos, todos realizados em uma Dimensão Secreta Da Magia Eterna, fez dele uma Reprodução Perfeita em Termos Evolutivos. Homens e mulheres como ele atingiram Ápices Evolutivos que Seres Comuns jamais sonhariam em atingir através da Tecnologia Arcana; porém, tal Dádiva tinha um altíssimo preço, revelado a cada um após as Operações: após o término das batalhas, em decorrência da utilização de Poderes Absolutos, eles sofreriam um Colapso Bioespiritual que os levaria à morte. Cada um, em nome do Império Keauriotheniano, aceitou tal Supremo Sacrifício.


Mais fervoroso entre todos, Tej recebeu de Thornadoriusis Armas E Aparatos Místicas Automanifestados No Útero Da Magia Eterna. Dentre eles, O Escudo e O Martelo Sagrados que levavam o nome do Imperador eram os mais importantes, tendo sido usados pelo mesmo para a Extinção Dos Ogaroth, Os Monstros Caóticos Automanifestados, no Apenas Início Da Criação. Também fervoroso por mulheres, Tej encontrou em sua curta estadia em Keauriothen o amor de sua igualmente curta Existência: Takiris Shet, filha dos Generais Soza Shet e Takaros Kronham, Arquiteta De Cidades Eternas. Devido à guerra, ela e outros Arquitetos nascidos no planeta, que geralmente viajavam ininterruptamente pelas Colônias a fim de construírem as Cidades das mesmas, resolveram retornar ao planeta para não serem vítimas colaterais das batalhas. Apaixonando-se da mesma forma por Tej, com ele contraiu um Matrimônio Eterno que não contou com a aprovação de seus pais, ainda mais com estes estando distantes no comando de Legiões em dois distintos Universos Coloniais, Akoo (Soza) e Dearys (Takaros). Ao partir para o confronto com os Djardunns ao lado dos demais Deuses-Sacrifícios, sob o centralizador comando do novo General Supremo de todo o Império, Oros Gnaix, Tej deixara sua Esposa Eterna grávida. O último beijo nela dado conteve ainda dores e lágrimas profundas para ambos.


Como A Arma-Sacrifício Maior, Tej foi guiado por um Deslizador Cronoespacial, Abah Gnaix, até Djarmahdrunn, O Tecnoverso Central do Império Djar. Enquanto os outros Deuses-Sacrifícios foram guiados às Colônias em Intercruzadores e lutaram ao lado de Guerreiros Grilock e Guerreiras Xifarg, Tej ficou responsável pela eliminação do Imperador junto com a Elite Tecnoguerreira que o defendia. Em 5.211 Anos Universais, atravessando 606.800 Galáxias e lutando em 66.765.890.333 Planetas, os quais encontravam-se interligados por Construtos Tecnocósmicos, Tej exterminou um inumerável contingente de formidáveis Tecnoguerreiros. Por ordem expressa do próprio Thornadoriusis, também massacrou a inumerável população não-guerreira de cada planeta, frio e implacavelmente aliado ao seu objetivo de Sacrifício em nome do Império. Ao chegar a Djarthron, O Útero De Djar, O Primeiro Planeta Imperial, os Efeitos do Colapso estavam em altíssimo crescimento e, mesmo assim, ele impassivelmente cumpriu seu Dever Eterno como Exterminador-Sacrifício. E encontrou o Imperador no topo de Djarnaghsra, A Montanha De Djar, Construto Tecnoorgânico ao qual o corpo físico e o Ser daquele encontravam-se atados.


— Meus Unidos Filhos mortos, todos eles. E agora agonizam outros em outros campos de batalha. E morrem também os assassinos deles. Você está morrendo como eles.
— Cumpri minha Missão Eterna, Imperador Djar CCLXXXVII.
— Seu Sacrifício é pelo Império pelo qual luta.
— E pelo meu Imperador e Mestre, Thornadoriusis Shodolon.
— O Primeiro Assassino, Ladrão E Estuprador Da Criação.
— Como ousa ofender O Primeiro Ser Da Criação?
— Você é um Jovem Ser e vai morrer como um Iludido Ser. Mas, Conheço A Verdade sobre seu Pai Racial. Conheço Tudo Sobre aquele Monstro Eterno. Quer que eu lhe conte tudo que eu Sei antes que você use contra mim o seu Martelo?
— Não vou ouvir mentiras…
— Você, Tej Ylghnuel, teve uma Intuição Pura que o fez Ver Passado, Presente e Futuro. Não foi o Acaso Eterno ou a Tecnologia Arcana de sua Raça que lhe fizeram Idêntico Bioespiritualmente ao Primeiro Ser. Nem você pode negar o que o levou a fazer algo para a proteção daqueles que ama após a sua morte.
— O Passado, O Presente e O Futuro estão aqui agora. O meu, o seu e o de nossos Impérios. Eu Sei quem é meu Imperador e Mestre; Eu Vi o que ele fez por um Instante Eterno antes da Raça Keauriotheniana ter sido Fundada pelo Sêmen Eterno dele. Ele nos Vê e Ouve agora, Sabendo que eu Vi e Soube o que Ele É Em Verdade. Mesmo Sabendo, eu lutei por ele e pelo Império que será O Maior De Todos Os Impérios.
— Uma Nova Luz Para O Todo E Trevas Auto manifestadas Para Todas As Raças Abaixo Da Keauriotheniana.
— É O Inevitável Conforme Os Desígnios Do Destino Eterno, Imperador Djar CCLXXXVII.
— O Destino Eterno fez com que mortos extinguissem um Grande Império nascido no Apenas Início. Você me matará possuindo o Poderio Evolutivo do Ser que matou o nosso Iniciador Racial, roubou nossas Armas Primordiais e estuprou os filhos e as filhas dele. Minha vingança foi tola, eu fui tolo, e o verdadeiro culpado pela derrota de minha Raça.
— O Destino Eterno me trouxe até este momento como o cumpridor dos Desígnios Da Magia Eterna. Se meu Imperador e Mestre é Culpado, os Descendentes Eternos dele, como eu, não o são, Imperador Djar CCLXXXVII. Nós que seremos sempre lembrados como os Deuses-Sacrifícios Keauriothenianos fomos criados para derrotarmos a maior ameaça até agora para a continuidade de nossa Raça. E somos um Tributo à sua Raça, que quis Extinguir a nossa.
— Tributo Sacrificado.
— Tributo Salvador!


O Martelo, empunhado com as duas mãos, pulverizou o frágil e pequeno corpo do Último Dos Djars. O impacto se expandiu pelo Construto e se alastrou por todos os planetas, interligados que estavam uns aos outros. Planetas mortos. Universos mortos. Império morto. E um Guerreiro-Sacrifício, abraçado ao seu Martelo e Escudo.


— Pai… Mãe… Takiris… Filho…


Os Djardunns, junto com toda sua Tecnologia, deixaram de existir completamente 1.213 Anos Universais após a morte de Tej e suas Possessões Tecnoversais foram ocupadas por Colonizadores Keauriothenianos. Os Deuses-Sacrifícios, responsáveis pelo desaparecimento deles, tiveram seus cadáveres cremados em uma Grande Cerimônia Mística em Keauriothen. Menos o cadáver do Herói Maior, que não foi localizado no último local em que esteve antes de morrer. Takiris, ainda grávida, fora dada como desaparecida do planeta logo após a partida de Tej; e o Deslizador que a este levou para o Centro Imperial Djardunm, Abah, igualmente desapareceu, não conseguindo ser localizado posteriormente nem mesmo por outros Deslizadores. Thornadoriusis, mesmo tendo perdido os Aparatos e o Martelo junto com o desaparecimento de seu Discípulo E Súdito Maior, manteve-se calmo, calado e respeitoso à memória dele. Apenas interiormente, o Primeiro Ser fervilhava Sabendo quais foram os motivos que construiram o mistério envolvendo Tej, algo que por toda a História Keauriotheniana jamais fora desvendado. Estátuas e Cidades levando o nome de cada Deus-Sacrifício, sendo o principal o dele, foram sendo construídas pelo Império conforme este crescia, uma maneira de Sagrado Eterno Agradecimento aos Heróis que Salvaram de uma possível Extinção toda a Raça.


Entre as Profecias Secretas de Harizaellaa Harok, A Senhora Do Raio, há uma referente aos Quatro Sacrifícios Que No Meio Do Grito Revolucionário Do Moldado Retornarão Para Serem Pilares Da Guerra Pela Manutenção. Seriam Tej, Takiris, o filho deles e Abah os tais “Quatro Sacrifícios”? Como Cronista, eu não  saberia lhes dizer e nem mesmo posso aqui falar sobre o que significa os profetizados “Grito Revolucionário” e a “Guerra Pela Manutenção”. Estes são assuntos para outras Crônicas, envolvendo mais do que apenas a Raça Keauriotheniana. E tendo outros Sacrifícios dentro de outros conflitos e esquemas.


Inominável Ser
BÉLICO
CRONISTA
INOMINÁVEL




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domingo, 28 de maio de 2017

Um Bom Necrófilo


Art by Mark Riddick


Vim parar aqui por causa de um erro cometido por eu ter sido ansioso demais… Me pegaram com aquela carne nova, tão macia, tão suave, tão suculenta… Você sabe que eu não resistiria por muito tempo perto dele! Aquele homem, tão bonito, tão sensual, tão atraente… Aqueles olhos doces… Aqueles lábios grossos… Eu não resisti, precisava tê-lo para mim… Frio, imóvel, aberto na garganta pela minha navalha e no estômago pelo meu bisturi… E entraram naquela hora lá, entanto eu o penetrava… E vim parar aqui… Viemos parar aqui, padrinho, por minha culpa… Eu queria ainda tanto saborear outros homens tão lindos como aquele…


— Você já teve a sua cota de vítimas e se deixou prender. Eu te avisei para se conter mais…


Impossível, padrinho, não dava…


— Ingenuidade sempre foi a sua maior fraqueza. Ingenuidade e desejo descontrolado… Não foi assim que te ensinei, menino…


Quando eu estive com meus homens, o senhor estava ao meu lado sempre… Lembro bem de suas lições, mas aquele ultimo gostoso era muito atraente… Me deixei levar e assumo o erro… Assumo, padrinho!


— Isso não adianta nada agora, seu idiota! Vão te trancafiar aqui para sempre, ainda mais quando te pegaram aqui dentro com aquele cara que eu pedi para você não matar…


Eu estava precisando de mais um… Foi mal,padrinho…


— Sempre fui mais inteligente, mas você me afastou e olhe no que deu…


Nunca pedi que estivesse comigo o tempo inteiro, padrinho… Era muito melhor quando eu me divertia sozinho… Muito melhor…


— Gente como você não tem uma vida fácil dentro de uma prisão.


Que me espanquem, torturem, estuprem… Pelo menos, vou sentir um macho junto a mim… Não posso viver sem um, mesmo que esteja vivo…


— Você é uma piada, menino…


Sempre fui muito engraçado e uma gracinha de menino pelas noites, padrinho… O senhor sabe disso, padrinho…


— Eles vão descobrir cada um dos seus crimes, estão chegando longe.


Foram tantos anos nisso, padrinho… Será que eles conseguem investigar e descobrir tudo? Nunca deixei rastros…


— Não será muito difícil encontrar em arquivos policiais de cidades do interior fichas de cadáveres masculinos sodomizados. Mesmo que você nunca tenha deixado rastros, sua assinatura está neles, menino.


Eu confessaria tudo se me dessem aqui um cadáver como aqueles…


— Vai ter que se acostumar com as dedadas no cu e a punheta, menino. Vão te manter perpetuamente no isolamento, você é o mais odiado aqui dentro.


Matei meninos e isso aqui não é aceito… Mas, o que me importa se me odeiam se eu me tornei o assunto do momento no mundo? O monstro do momento?


— Pouco a pouco eu vou desaparecer, você não precisa mais de mim, menino.


Não preciso mesmo, vou dar um jeito aqui de saciar meus desejos. E tenho a certeza de que vou fugir um dia… Quando eu fugir, você voltará?


— Ficarei te esperando lá fora.


Ah, o senhor com essa sua frase de sempre… Desde que o senhor me levava para aquela casa abandonada para comer aqueles meninos quando eu era criança, dizia isso!


— E você me agradeceu cortando minha jugular e abrindo meu estômago.


Isso porque o senhor me comeu à força naquele dia. Mas, confesso que gostei da sua pica…


— Então, por que me matou, imbecil?


Porque você poderia ter pedido o meu cu, eu daria de bom grado. Como me pegou à força, não gostei de maneira nenhuma.


— E aquilo me prendeu a você, seu maldito…


Relaxe, padrinho, nós dois tivermos excelentes momentos de diversão! Lembra de cada um deles lá…


— Eu preciso sair daqui agora, menino. E não me chame por um bom tempo.


O que tem a fazer lá fora, hein?


— Existe outro como você lá fora que precisa da minha orientação… Entende o que estou falando, não é?


Entendo, padrinho, entendo…


— Você sabe que não vai sair daqui.


Bem, pelo menos, sonhar não vai me fazer muito mal já que todo fodido estou!


— Você continua sendo um bom menino…


E você é meu ídolo, padrinho… Mas, não gostei que tivesse comido meu cu à força!  Eu ia te dar um dia mesmo…


— Eu não fui paciente…


Eu sou paciente, por outro lado. Saindo ou não daqui, ainda vou te reencontrar, padrinho. Se diverte bastante lá fora, tá bem?


— Adeus!


Até logo, padrinho, posso me juntar ao senhor no incentivo ao nosso amigo de profissão… Como estou marcado para morrer…


— Sua morte será pior do que a minha e a de todos que matou, menino.


Que seja, pelo menos vou poder te dar o meu cu depois de livre e espontânea vontade… E inspirar outros que pratiquem o que sempre endeusamos….


Inominável Ser
UM BOM
SER




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domingo, 7 de maio de 2017

Lzee, O Extinto Guerreiro À Luz Do Primeiro Sol



O Grande Guerreiro
Lançou aos pés
De seus inimigos
O próprio coração.

Um coração que dizia:
“Eu possuo a canção
Da Grande Espada
Que não mata”.

Um coração que dizia:
“Eu possuo uma outra
Canção sobre A Grande
Espada Perdida”.

Um coração que dizia:
“Eu possuo mais uma
Canção sobre A Grande
Espada Quebrada”.

E seus inimigos indagavam:
“Tu és um Guerreiro
Ou um cantor que canta
Sobre Espadas Desconhecidas?”.

E ele respondeu embainhando
A Filha Do Primeiro Sol
E desembainhando O
Grande Sol de sua alma.

A Espada De Lzee
Um poema de
Ashtera Temurok


As Canções Guerreiras Universais, em todas as Raças que conheceram Lzee Gerah, exaltam-no como o Deus Heróico Nascido Do Primeiro Sol. Na Raça Keauriotheniana, ele foi reconhecido como O Primeiro De Todos Os Sóis Guerreiros, um dos Altos Deuses que deram ao Império Keauriotheniano a predominância como A Primeira Raça Perfeita Da Criação. Discípulo de Dadorak Aernus, Deus Solar Das Espadas Automanifestadas Da Magia Eterna, lutou em 2.114 guerras durante 321.679 Eras Universais por todo o Império; e em outras 611.250 Eras lutou em 45.899 guerras ao lado de Raças aliadas e que se tornaram, por causa e dele, aliadas do Império. Lzee, O Herói, admirado pelos Grandes Imperiais como Artcsom Ocitilop, A Primeira Evoluída Keauriotheniana, e o Imperador Thornadoriusis Shodolon. Lzee, Herói amado por Deusas das mais diversas Raças, tendo sido amante até mesmo de Deusas Primordiais Da Criação. Lzee, um Herói para sua Raça, ovacionado por toda a História Keauriotheniana como um dos Maiores Seres da mesma.. Lzee, um Herói para diversas Raças. Lzee, um Herói único, que discípulos e descendentes não deixou, nem mesmo restando para uma honra à sua memória a famosa Dahlarus, A Espada Filha Do Primeiro Sol, que manejava.

Nascido no Planeta Seroah Rroe da Galáxia Nehtuytaerb do Universo Zeester, encontrava-se ao final da Era De Rabhert Alasgarth em uma situação caótica para sua Existência Eterna. Uma Grande Guerra Interna dizimava planetas inteiros na Colônia Universal Imperial e os esforços de outras Colônias, contando até mesmo com a presença da Imbatível Artcsom, não conseguia deter a fúria do Clã que liderava a rebelião contra o Império. Lzee se omitiu por conhecer bem de perto aqueles que deflagraram uma guerra clamando por independência do Império e decidiu manter-se neutro. Seu Mestre, no entanto, nativo do mesmo planeta e que fora amigo do Clã gerador da discórdia universal, se tornou um ferrenho opositor dos Separatistas Raciais. O Herói não tinha nenhuma motivação para jogar-se contra membros de sua própria Raça, o que nunca fizera ou faria. Porém, grande parte da admiração que os Guerreiros Keauriothenianos sentiam por ele diminuiu devido à sua neutralidade. E Dadorak, a pedido de Artcsom, abandonou seu posto de comando nas frentes de batalhas e foi ao encontro do isolado Lzee.

Os dois se encontraram na área térrea do Templo Solar Aernus, no pico da Montanha Araterazu. A 17.312 km de altitude acima do nível do mar, o Templo, Misto, cobria toda a extensão de 43.867 km² da Montanha Sagrada, uma obra de excelência arquitetônica engendrada por Yuras Aernus, o 466º Filho Keauriotheniano de Thornadoriusis, e executada pelos seus 9.088 filhos ao colonizarem o planeta. O Grande Sol De Zeester, a 451.099.876 anos-luz do planeta, despontava sublime no firmamento planetário no momento do diálogo entre Mestre e discípulo. Abaixo deles, 234.788.900 de Adeptos Solares dialogavam, treinavam ou estudavam com os seus Mestres, todos estes discípulos de Dadorak. Este, frente a frente com o maior de seus discípulos, iniciou um tenso diálogo.


— O que pretende, Lzee?
— Pretendo não sujar minha alma com Sangue Keauriotheniano, Pai Solar.
— Mas, eles não pensam como você… Saiba que a misericórdia não existe para quem se torna um Separatista.
— Kasyohphetdrya Harok passou por este Universo em sua fuga de Artcsom Ocitilop e eu nem me movi contra ela. Não, Pai Solar, eu não me levantarei jamais contra os do meu próprio Sangue Racial. Eles são iguais a ela em tudo, mas não me atrevo a guiar a minha Lâmina Solar contra eles.
— Eu lhe ensinei muito bem sobre A Lei Guerreira Keauriotheniana e não vou repetir nada dos meus Ensinamentos porque seria inútil. Mas, olhe bem, Olhe, Lzee, o que eles estão cometendo agora… Prisioneiros em Daavuns sendo incinerados vivos com Chamas Solares… 555.800 Legiões dizimadas nos Quadrantes De Zaaerpun agora há pouco… Arquimestres e Deuses que você conheceu bem sendo agora mortos em diversas outras batalhas… E você não se sente no direito de acabar com tudo isto?
— Artcsom…
— Não, Lzee, ela não pode contra eles porque os motivos se encontram bem diante de seus Olhos. Mesmo sendo Poderosíssima, ela não está conseguindo superar os Ciclos Automanifestantes De Sóis Internos Automanifestados deles. Você é o único que pode derrotá-los e pôr fim a uma Guerra que pode ser bastante fatal para o Império. Se as Reservas de Metais Solares Místicos, utilizadas na Concepção Ritualística das Armas de nossas Legiões e vendidas para outros Impérios, ficarem nas mãos deles, grande parte de nosso Poderio Militar se perde.
— O Imperador Thornadoriusis…
— Lzee, nosso Imperador é irremovível de Keauriothen e incumbiu Artcsom de todos os Assuntos Militares Imperiais! Ele, sim, poderia Extinguir com um piscar de olhos os nossos inimigos…
— Perdão, Pai Solar, mas eles não são meus inimigos.
— Eu sei que não se atreveriam a erguer-se contra você.
— Não por medo, porque eles sabem que nunca demonstrei nenhuma hostilidade para com eles, mesmo sabendo há muito sobre o que planejavam. Eles me amam. Me admiram. Me tem como Exemplo Supremo E Absoluto Heróico… Nunca gostei de nenhum dos títulos que me deram e nem gosto de guerras… Sempre elevo meu Ser a todos que matei nas guerras que travei em nome deste Império por obrigação e devoção.
— Você sempre foi um abnegado e simples Guerreiro, Lzee, um Sol que me ofuscou e superou.
— Não, Pai Solar, não sou maior ou melhor do que ninguém.
— Então, eu lhe peço que em nome de sua obrigação e devoção para com o Império derruba os inimigos que já dizimaram inúmeros Guerreiros que eram tão fiéis quanto você em relação ao nosso Imperador! Sua obrigação, Lzee! Sua devoção, Lzee!


Silêncio novamente. Um sepulcral silêncio. Lzee encara seu Mestre com o mais triste olhar que este já presenciara. E o olhar do Mestre para com seu discípulo também é igualmente triste ao retomar a palavra.


— Nós somos obrigados e devotados a todo o Império, Lzee… Eu não sou diferente de você, evitaria muito ter que combater sempre por motivos que se concentram apenas em Domínio e Expansão. Queremos a Paz, mas nesta Criação inteira onde haverá uma Verdadeira Paz?
— Dentro de minha alma, da sua e da de todos os Seres Moldados, Pai Solar. Nunca estará fora, sempre, para bons e maus, será algo internamente adormecido e muito desejado.
— Nós Vimos o que eles pretendem caso vençam esta guerra…
— É terrível…
— Nada me dói mais do que te dizer para destruir todos eles, Lzee… Nada me dói mais do que isto… Mas, esta dor não se compara à sua dor…
— Não, Pai Solar, nenhum outro Ser pode medir o pesado conteúdo da minha dor…


Novamente, silêncio. Mais um silêncio. Os ventos batem nos corpos deles com força, como lanças que a Natureza, às vezes, produz por si mesma. Os olhos de Dadorak se mantém firmes. Os olhos de Lzee, igualmente firmes enquanto ele quebra, agora, mais este silêncio.


— O senhor sabe o que significa minha ida ao encontro deles…
— Eu Sei, Lzee… Eu Sei, Filho Solar…
— Meu dever… Minha devoção… Minha obrigação…
— Eu…
— Pai Solar, quando o senhor chegou aqui, eu já havia tomado a minha decisão. Esta não vai determinar o fim de todas as guerras e nem apagará o meu nome. Gostaria de ter nascido um Ser Comum, alguém simples, humilde e pequeno, que apenas nascesse, vivesse e morresse. Gostaria de ter tido uma mulher que verdadeiramente amasse e, não, Deusas que me desejaram apenas porque eu sou um Deus. Gostaria de ter vivido em um planeta pacífico, membro de uma Raça pacífica, tendo como único dever Viver, única obrigação Ser e única devoção Caminhar. Gostaria muito disto, meu Pai Solar… Sonhei a minha Existência inteira com isto… Sonhei como se fosse uma criança ainda… Um sonho impossível de ser concretizado.
— Não lhe direi mais nada, Filho Solar…
— Não tenho também mais nada a dizer-lhe, Pai Solar.


Um silêncio novamente nasce. O último silêncio entre Mestre e discípulo neste momento revelador, íntimo, esclarecedor, dilacerante. Os olhares, mesmo firmes, enchem-se de lágrimas. As lágrimas, mesmo poderosas, são contidas. A contenção, muitíssimo dolorosa, amplifica cada vez mais a dor de cada um deles.


— Peço As Bençãos De Vosso Sol A Me Iluminar, Pai Solar!
— Abençoado Sejas Pelo Meu Sol A Beijar O Vosso Sol, Filho Solar!


Lzee lentamente eleva-se em direção ao firmamento, olhando agora para o Grande Sol e sendo observado por seu Mestre. E com certa rapidez se afasta de seu planeta-natal. Gerando um Vórtex Espaço-Temporal a 9.773 anos-luz de Seroah, traça uma Rota Deslizante Cronoespacial em direção ao núcleo do Sol a uma Velocidade Automanifestada que sempre fora a responsável por seu sucesso em dizimar exércitos inteiros sozinho em guerras. No núcleo do Primeiro Sol Universal, ele desembainha Dahlarus, uma das Espadas Automanifestadas Maiores Da Criação, abrindo todo Ser dele para dentro de si mesmo. Um Deus Solar Uno Com Todos Os Sóis Dos Automanifestados ele se tornara a partir de sua antiga Condição Evolutiva de Grande Da Magia Eterna Solar, Condição com a qual nascera. E a Semente Da Automanifestação, Rara entre Seres Evoluídos Menores e muito comum entre Evoluídos Maiores como ele, Desperta. É O Momento Do Nascimento De Um Nascido Por Si Mesmo que se efetua; neste caso, é O Momento Da Expansão De Um Nascido Por Si Mesmo Para A Autoextinção.

Ele Se Expande e chega a cada um dos inimigos que deve Extinguir por causa de seu dever, obrigação e devoção como Guerreiro Keauriotheniano. Cada um dos alvos é um Evoluído Maior com as mesmas Sementes que, caso Despertas, os tornariam uma Legião Automanifestada De Conquistadores Da Criação. Em comum com Lzee possuem o Sangue Bioespiritual Keauriotheniano e o Sangue Compartilhado Entre Membros De Um Clã. Como ocorre em vários dos Clãs Keauriothenianos, os Gerah não podiam ser numericamente definidos e excediam em 300% toda a também inumerável população de Zeester. Quando da eclosão da Rebelião Separatista, deixaram seu Maior Membro intacto, porque lhes é um Ser muitíssimo caro e Detentor dos Mistérios Solares Do Código Compartilhado Existencial de cada membro do Clã. É através de tal Código que cada um, em batalha ou não, é localizado e tornado um alvo de sua Ação Autoextinguidora. A Expansão é Vista pelos demais Keauriothenianos e os outros habitantes do Universo; uma sutil e silenciosa Vibração Automanifestada que posiciona todos na Linha De Ação Do Último Brilho Do Sol De Lzee.

Os Sóis Gerah são Apagados da Existência Eterna. Junto com todos de seu Clã, Consumido por sua própria Automanifestação que apagara as Sementes daqueles, que Eclodiram no Momento da Expansão aumentando sua Consumação, Lzee Autoextinguiu-Se. Entre aqueles que Extinguiu junto consigo estavam seus pais, Varan e Hylya Gerah, Deuses Da Magia Eterna Solar, e seus 3.532.150 irmãos, igualmente Deuses da mesma Estirpe Espiritual. E o Primeiro Sol nada sofreu, continuando a ser A Primeira Luz que continuou a iluminar todo aquele Universo. Lzee se Sacrificou pela Criação como o Herói que ele nunca tentou ser. Lzee se Sacrificou como o Ser que ele sempre foi. Lzee se Sacrificou como ele mesmo sempre quis ser.

O Sacrifício De Lzee Foi Uma Poesia Solar.

Os Extintos Versos De Lzee Compõem Uma Verdadeira Poesia Eterna.

Lzee, O Guerreiro Solar Que Se Tornou Uma Sacrificada Poesia.

Lzee, O Poeta Guerreiro Que Em Seu Sacrifício Escreveu Seu Primeiro E Último Poema.

Poetas Eternamente Cantarão O Nome Do Sol Que Lzee Foi Por Toda A Criação.

Poetas Eternamente São Sóis Que Se Autoextinguem Como Lzee Em Sacrifício Muito Maior Do Que Ele Mesmo.


Inominável Ser
BÉLICO
CRONISTA
INOMINÁVEL 




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domingo, 9 de abril de 2017

A Insaciável Imperatriz Do Meu Inferno


Demon Woman - SirenD


Sete vezes passo o punhal na jugular da vítima, que se contorce sobre o altar de ferro e aço. Sete vezes escrevo no coração da vítima meus nomes secretos vinte e duas vezes encerrados nas chamas que ardem nos vulcões entre as Grandes Bestas. Sete vezes decapito a vítima e bebo seu sangue, que escorre até meus pés e se torna ao solo um lago onde me banho por todas as horas dos meus dias e das minhas noites nos Berços Infernais. Sete vezes me volto para o Oeste e A Vejo Cintilante Entre As Feras Abissais. Sete vezes me volto para o Leste e A Vejo Instrutora De Assassinos Imortais. Sete vezes me volto para o Norte e A Vejo Incentivadora De Destruições Totais. Sete vezes me volto para o Sul e A Vejo Incendiadora De Eternos Vales Imemoriais. Sete vezes eu vou até Ela, Insaciável Senhora que me recebe sempre de braços ensanguentados no Fogo Infernal.

Esmago a cabeça da vítima uma vez mais. Bebo o sangue da vítima uma vez mais. Como a carne toda da vítima com uma ferocidade muito maior do que sempre comi antes. Mastigo cada órgão interno e externo da vítima como carnes últimas na última das mesas de refeição onde irei me sentar. Já fiz isto sete vezes setenta e sete vezes, vítimas e vítimas que cada vez mais me guiaram até Ela. Ela, que tem na voz a imponente fortaleza Daqueles Que Não Se Submetem. Ela, que tem nos passos a cortante destreza Daqueles Que Não Se Ajoelham. Ela, que tem no rosto a dura aparência Daqueles Que Não Se Dobram. Ela, que tem nos olhos a fátua primazia Daqueles Que Não São Quebrados. Ela, que tem no corpo inteiro a inquestionável atemporalidade Daqueles Que Não São Derrotados. Para Ela, ofereço cada olho, lábio, seio, pênis, vagina, intestino, rim, braço, perna, tudo das minhas vítimas. Para Ela, minhas preces dentro da imolação de cada uma das minhas vítimas.

Como sempre, Ela observa minha refeição concluindo ritos que são apropriados para Evocá-La dos Planos Internos. O olhar dela é de fogo e observação de cada ato meu com a vítima que agora tenho na boca. Ela está Insaciável, vendo a minha loucura, toda minha desregrada descida ao Poço Bestial que é o Império Dela. Amo estes momentos onde demonstro que sou Escravo Dela, exercendo meu direito de tornar-me digno de Sua Majestosidade cada vez mais. Devoro minha vítima inteiramente, dedico meus dentes a este mastigar incessante, eu também sou insaciável… Mas, Ela é A Insaciável e não ouso me comparar ao Seu Faminto Existir sempre imperando em Escravos como eu. Não sou o único a quem Ela chega e envolve, domina e conduz, protege e odeia; em cada mundo que se encontra sob o Poder Dos Conflitos na Guerra agora travada, Ela e os Outros Imperadores Infernais encontram autênticos e verdadeiros Escravos Eternos. Sou apenas mais um dos Insaciáveis que A Insaciável maneja para a Glória Dos Abismos Infernais.

Minha vítima já foi devorada, Ela pode agora falar comigo. Se aproximando e pisando nos ossos espalhados no solo, pisando no lago de sangue imolado para Ela, sua voz é emitida diretamente em meu Ser…


— ESPERE AQUI O QUE ESTÁ ANCORADO NAS VIAS FATAIS, VERME ENCARNADO. NÃO FAÇA A DANÇA DA FACA SER MAIOR DO QUE A INÉRCIA VORAZ DA LANÇA. MANOBRE A ÁRVORE E EMPENHE TODA TUA FORÇA NA MANCHA SAGRADA SOBRE OS RIOS DE OPULÊNCIA DA DECADÊNCIA DE TUA RAÇA. ASPIRE AO QUE É O VERDADEIRO FORTE E ESCALE A MONTANHA CUJO PICO SE EXPANDE ATÉ O INFINITO ESPAÇO DAS COBRANÇAS. EU COBRO MUITO MAIS DO QUE TU PODES SUPORTAR, VERME ENCARNADO. MINHAS COBRANÇAS EXCEDEM AO INFINITO A TUA EXISTENCIAL PRESENÇA. MINHAS COBRANÇAS EXIGEM TUA COMPLETA SEMELHANÇA COM A AURA DE CADA UMA DAS MINHAS EXIGÊNCIAS. MINHAS COBRANÇAS DESTROEM TODA TUA PAZ, TODA TUA TRANQUILIDADE, TODA TUA HARMONIA E TODA TUA FELICIDADE. NÃO SOMOS IGUAIS, NUNCA SEREMOS IGUAIS, NUNCA FOMOS IGUAIS E NEM SONHE OU ALMEJE SER IGUAL A MIM. NÃO NASCI DA FOSSA E DO VÔMITO DE ONDE TU FOSTES GERADO COMO O VERME ENCARNADO QUE TU ÉS DESDE TEU PRIMEIRO REVESTIMENTO MATERIAL.  NÃO SOU O VERME DA MULHER QUE TE PARIU. NÃO SOU O VERME DO HOMEM CUJO SÊMEN FEZ PARTE DA TUA FÍSICA GERAÇÃO. NÃO SOU O VERME DE CADA MULHER ONDE TEUS BEIJOS E SÊMEN FORAM DEPOSITADOS. NÃO SOU O VERME DE CADA HOMEM ONDE TEUS BEIJOS E SÊMEN TAMBÉM FORAM DEPOSITADOS. NÃO SOU NENHUMA DAS TUAS SETE VEZES SETENTA E SETE VÍTIMAS A MIM DEDICADAS COM TERNURA, ADORAÇÃO, DEVOÇÃO E AMOR. EU ESMAGO TUA TERNURA POR MIM. EU DESPREZO TUA ADORAÇÃO POR MIM. EU NÃO VALORIZO TUA DEVOÇÃO POR MIM. EU ODEIO TEU AMOR POR MIM TANTO QUANTO EU TE ODEIO, VERME ENCARNADO. O MEU ÓDIO É INSACIÁVEL E UM DIA TU ME PROMETESTES PERPETUAR ESTA MINHA FOME ENTRE OS OUTROS VERMES ENCARNADOS DE TEU MUNDO.  FAZES BEM TEU TRABALHO, MAS PRECISAS ARREMETER MAIS FORTE CONTRA AS CORRENTES QUE QUEREM SALVAR OS QUE OS MEUS IRMÃOS JÁ CONQUISTARAM EM TEU MUNDO. OBSERVO VOCÊ DE MEU TRONO, VERME ENCARNADO, E TU AINDA ESTÁS MUITO DISTANTE DA VERDADEIRA INSACIABILIDADE. PRECISO QUE ARREBATE E CONQUISTE MAIS ALMAS PARA MIM. PRECISO DE MAIS VÍTIMAS PARA MIM. PRECISO QUE TU, VERME ENCARNADO, TOME POSSE DAS DERROTAS DAQUELES QUE OFERECER A MIM, APENAS A MIM. TODO AQUELE QUE CAIR EM TEUS LÁBIOS SERÁ SEMPRE MEU. VOCÊ É ETERNAMENTE MEU, VERME ENCARNADO. SOMENTE MEU ESCRAVO PARA A SACIEDADE DA MINHA FOME… ESTOU FAMINTA AGORA, VERME ENCARNADO… MUITO FAMINTA… INSACIAVELMENTE FAMINTA…


E como trovão faminto, Ela se aproxima…

Quem fugiria Dela?

E como ratazana faminta, Ela se aproxima…

Quem atacaria Ela?

E como leoa faminta, Ela se aproxima…

Quem venceria Ela?

E como falconesa faminta, Ela se aproxima…

Quem humilharia Ela?

E como chacal faminta, Ela se aproxima…

Quem diminuiria Ela?

E como pesadelo faminto, Ela se aproxima…

Quem expulsaria Ela?

E como névoa faminta, Ela se aproxima…

Quem profanaria Ela?

E como treva faminta, Ela se aproxima…

Quem ofenderia Ela?

E como mundo faminto, Ela se aproxima…

Quem destruiria Ela?

E como divindade faminta, Ela se aproxima…

Quem esqueceria Dela?

E como soberana faminta, Ela se aproxima…

Quem saciaria definitivamente Ela?

E Ela salta sobre mim e começa a me devorar. Isto já aconteceu antes sete vezes setenta e sete vezes. Meu crânio é mastigado mais rápido do que posso imaginar. Meu pescoço é triturado por mandíbulas que ultrapassam a definição de indestrutibilidade. Meus braços arrancados e comidos com uma fúria abrasante. Meus pulmões arrancados e de uma vez só mastigados e engolidos. Meu coração pulsa dentro dela agora. Meus rins, intestinos, baço, fígado, pênis, testículos, nádegas, pernas… Sou devorado pela Insaciável… Sou devorado novamente… Sou devorado insaciavelmente… Sou devorado e minha última visão Dela agora é a dos olhos pedindo por mais…

E retorno ao meu corpo aqui em meu Templo Acolhedor. Uma Viagem realizada novamente com sucesso e tudo que está aqui em meu redor são meus artefatos operativos para minha Obra Interior. Visitei mais uma vez o meu Inferno, assim como fizera nas sete vezes setenta e sete vezes anteriores. Amanhã, mais uma vez, tenho que estar bem cedo em minha emissora de televisão. Como Ela, também sou um Governante e tenho os meus Escravos graças aos trilhões em minha conta bancária. E tenho também muita fome… Pela teu corpo, mente e alma, verme teleguiado.


Inominável Ser
ESCRAVO
DA INSACIÁVEL
IMPERATRIZ
DO INFERNO
DELE




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Prosa De Um Coveiro Inominável

O Terror Inominável. O Horror Inominável. A Loucura Inominável. A Cova Aqui É A Do Puro Pesadelo Das Covas Mais Profundas E Elevadas. Vozes Estranhas Aqui. Sons Estranhos Aqui. Palavras Estranhas Aqui. Estranhas E Inomináveis. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Terror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Do Horror Inominável. Sintam-Se Conduzidos Pelo Carro Inominável Da Loucura Inominável.

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