domingo, 9 de abril de 2017

A Insaciável Imperatriz Do Meu Inferno


Demon Woman - SirenD


Sete vezes passo o punhal na jugular da vítima, que se contorce sobre o altar de ferro e aço. Sete vezes escrevo no coração da vítima meus nomes secretos vinte e duas vezes encerrados nas chamas que ardem nos vulcões entre as Grandes Bestas. Sete vezes decapito a vítima e bebo seu sangue, que escorre até meus pés e se torna ao solo um lago onde me banho por todas as horas dos meus dias e das minhas noites nos Berços Infernais. Sete vezes me volto para o Oeste e A Vejo Cintilante Entre As Feras Abissais. Sete vezes me volto para o Leste e A Vejo Instrutora De Assassinos Imortais. Sete vezes me volto para o Norte e A Vejo Incentivadora De Destruições Totais. Sete vezes me volto para o Sul e A Vejo Incendiadora De Eternos Vales Imemoriais. Sete vezes eu vou até Ela, Insaciável Senhora que me recebe sempre de braços ensanguentados no Fogo Infernal.

Esmago a cabeça da vítima uma vez mais. Bebo o sangue da vítima uma vez mais. Como a carne toda da vítima com uma ferocidade muito maior do que sempre comi antes. Mastigo cada órgão interno e externo da vítima como carnes últimas na última das mesas de refeição onde irei me sentar. Já fiz isto sete vezes setenta e sete vezes, vítimas e vítimas que cada vez mais me guiaram até Ela. Ela, que tem na voz a imponente fortaleza Daqueles Que Não Se Submetem. Ela, que tem nos passos a cortante destreza Daqueles Que Não Se Ajoelham. Ela, que tem no rosto a dura aparência Daqueles Que Não Se Dobram. Ela, que tem nos olhos a fátua primazia Daqueles Que Não São Quebrados. Ela, que tem no corpo inteiro a inquestionável atemporalidade Daqueles Que Não São Derrotados. Para Ela, ofereço cada olho, lábio, seio, pênis, vagina, intestino, rim, braço, perna, tudo das minhas vítimas. Para Ela, minhas preces dentro da imolação de cada uma das minhas vítimas.

Como sempre, Ela observa minha refeição concluindo ritos que são apropriados para Evocá-La dos Planos Internos. O olhar dela é de fogo e observação de cada ato meu com a vítima que agora tenho na boca. Ela está Insaciável, vendo a minha loucura, toda minha desregrada descida ao Poço Bestial que é o Império Dela. Amo estes momentos onde demonstro que sou Escravo Dela, exercendo meu direito de tornar-me digno de Sua Majestosidade cada vez mais. Devoro minha vítima inteiramente, dedico meus dentes a este mastigar incessante, eu também sou insaciável… Mas, Ela é A Insaciável e não ouso me comparar ao Seu Faminto Existir sempre imperando em Escravos como eu. Não sou o único a quem Ela chega e envolve, domina e conduz, protege e odeia; em cada mundo que se encontra sob o Poder Dos Conflitos na Guerra agora travada, Ela e os Outros Imperadores Infernais encontram autênticos e verdadeiros Escravos Eternos. Sou apenas mais um dos Insaciáveis que A Insaciável maneja para a Glória Dos Abismos Infernais.

Minha vítima já foi devorada, Ela pode agora falar comigo. Se aproximando e pisando nos ossos espalhados no solo, pisando no lago de sangue imolado para Ela, sua voz é emitida diretamente em meu Ser…


— ESPERE AQUI O QUE ESTÁ ANCORADO NAS VIAS FATAIS, VERME ENCARNADO. NÃO FAÇA A DANÇA DA FACA SER MAIOR DO QUE A INÉRCIA VORAZ DA LANÇA. MANOBRE A ÁRVORE E EMPENHE TODA TUA FORÇA NA MANCHA SAGRADA SOBRE OS RIOS DE OPULÊNCIA DA DECADÊNCIA DE TUA RAÇA. ASPIRE AO QUE É O VERDADEIRO FORTE E ESCALE A MONTANHA CUJO PICO SE EXPANDE ATÉ O INFINITO ESPAÇO DAS COBRANÇAS. EU COBRO MUITO MAIS DO QUE TU PODES SUPORTAR, VERME ENCARNADO. MINHAS COBRANÇAS EXCEDEM AO INFINITO A TUA EXISTENCIAL PRESENÇA. MINHAS COBRANÇAS EXIGEM TUA COMPLETA SEMELHANÇA COM A AURA DE CADA UMA DAS MINHAS EXIGÊNCIAS. MINHAS COBRANÇAS DESTROEM TODA TUA PAZ, TODA TUA TRANQUILIDADE, TODA TUA HARMONIA E TODA TUA FELICIDADE. NÃO SOMOS IGUAIS, NUNCA SEREMOS IGUAIS, NUNCA FOMOS IGUAIS E NEM SONHE OU ALMEJE SER IGUAL A MIM. NÃO NASCI DA FOSSA E DO VÔMITO DE ONDE TU FOSTES GERADO COMO O VERME ENCARNADO QUE TU ÉS DESDE TEU PRIMEIRO REVESTIMENTO MATERIAL.  NÃO SOU O VERME DA MULHER QUE TE PARIU. NÃO SOU O VERME DO HOMEM CUJO SÊMEN FEZ PARTE DA TUA FÍSICA GERAÇÃO. NÃO SOU O VERME DE CADA MULHER ONDE TEUS BEIJOS E SÊMEN FORAM DEPOSITADOS. NÃO SOU O VERME DE CADA HOMEM ONDE TEUS BEIJOS E SÊMEN TAMBÉM FORAM DEPOSITADOS. NÃO SOU NENHUMA DAS TUAS SETE VEZES SETENTA E SETE VÍTIMAS A MIM DEDICADAS COM TERNURA, ADORAÇÃO, DEVOÇÃO E AMOR. EU ESMAGO TUA TERNURA POR MIM. EU DESPREZO TUA ADORAÇÃO POR MIM. EU NÃO VALORIZO TUA DEVOÇÃO POR MIM. EU ODEIO TEU AMOR POR MIM TANTO QUANTO EU TE ODEIO, VERME ENCARNADO. O MEU ÓDIO É INSACIÁVEL E UM DIA TU ME PROMETESTES PERPETUAR ESTA MINHA FOME ENTRE OS OUTROS VERMES ENCARNADOS DE TEU MUNDO.  FAZES BEM TEU TRABALHO, MAS PRECISAS ARREMETER MAIS FORTE CONTRA AS CORRENTES QUE QUEREM SALVAR OS QUE OS MEUS IRMÃOS JÁ CONQUISTARAM EM TEU MUNDO. OBSERVO VOCÊ DE MEU TRONO, VERME ENCARNADO, E TU AINDA ESTÁS MUITO DISTANTE DA VERDADEIRA INSACIABILIDADE. PRECISO QUE ARREBATE E CONQUISTE MAIS ALMAS PARA MIM. PRECISO DE MAIS VÍTIMAS PARA MIM. PRECISO QUE TU, VERME ENCARNADO, TOME POSSE DAS DERROTAS DAQUELES QUE OFERECER A MIM, APENAS A MIM. TODO AQUELE QUE CAIR EM TEUS LÁBIOS SERÁ SEMPRE MEU. VOCÊ É ETERNAMENTE MEU, VERME ENCARNADO. SOMENTE MEU ESCRAVO PARA A SACIEDADE DA MINHA FOME… ESTOU FAMINTA AGORA, VERME ENCARNADO… MUITO FAMINTA… INSACIAVELMENTE FAMINTA…


E como trovão faminto, Ela se aproxima…

Quem fugiria Dela?

E como ratazana faminta, Ela se aproxima…

Quem atacaria Ela?

E como leoa faminta, Ela se aproxima…

Quem venceria Ela?

E como falconesa faminta, Ela se aproxima…

Quem humilharia Ela?

E como chacal faminta, Ela se aproxima…

Quem diminuiria Ela?

E como pesadelo faminto, Ela se aproxima…

Quem expulsaria Ela?

E como névoa faminta, Ela se aproxima…

Quem profanaria Ela?

E como treva faminta, Ela se aproxima…

Quem ofenderia Ela?

E como mundo faminto, Ela se aproxima…

Quem destruiria Ela?

E como divindade faminta, Ela se aproxima…

Quem esqueceria Dela?

E como soberana faminta, Ela se aproxima…

Quem saciaria definitivamente Ela?

E Ela salta sobre mim e começa a me devorar. Isto já aconteceu antes sete vezes setenta e sete vezes. Meu crânio é mastigado mais rápido do que posso imaginar. Meu pescoço é triturado por mandíbulas que ultrapassam a definição de indestrutibilidade. Meus braços arrancados e comidos com uma fúria abrasante. Meus pulmões arrancados e de uma vez só mastigados e engolidos. Meu coração pulsa dentro dela agora. Meus rins, intestinos, baço, fígado, pênis, testículos, nádegas, pernas… Sou devorado pela Insaciável… Sou devorado novamente… Sou devorado insaciavelmente… Sou devorado e minha última visão Dela agora é a dos olhos pedindo por mais…

E retorno ao meu corpo aqui em meu Templo Acolhedor. Uma Viagem realizada novamente com sucesso e tudo que está aqui em meu redor são meus artefatos operativos para minha Obra Interior. Visitei mais uma vez o meu Inferno, assim como fizera nas sete vezes setenta e sete vezes anteriores. Amanhã, mais uma vez, tenho que estar bem cedo em minha emissora de televisão. Como Ela, também sou um Governante e tenho os meus Escravos graças aos trilhões em minha conta bancária. E tenho também muita fome… Pela teu corpo, mente e alma, verme teleguiado.


Inominável Ser
ESCRAVO
DA INSACIÁVEL
IMPERATRIZ
DO INFERNO
DELE




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sexta-feira, 7 de abril de 2017

O Espírito Da Guerra Keauriotheniano


Death Warrior - Filip Stekovic


Tão Antigo quanto a origem de tudo na Última Criação é O Espírito Da Guerra. Canção de um Ser apenas ou de toda uma Raça, é obra sempre da Matéria esmagada pela própria Eterna Miséria das lutas pelo Poder e Sobrevivência, Arrogância e Domínio. E nenhuma outra Raça da Criação além da Keauriotheniana comprova que Aquele Espírito definitivamente é o Guia das Históricas Ações Universais. Todo Keauriotheniano é Filho das Vozes Dele. Todo Keauriotheniano se Alimenta da Carne Dele. Todo Keauriotheniano é Moldado por Ele. Eis uma Raça Moldada por um imprescindível Princípio Eterno que move cada Máquina da Realidade Automanifestada do mesmo. Esta Eterna Crônica de Sangue,de Dor, de Batalhas, de Morte, de Lágrimas, de Vitórias e de Derrotas, se contada em livros, seria escrita pelo Infinito.

Quem primeiro adotou o Espírito como Princípio? Quem foi que fez da Guerra um Caminho Estabelecido? Quem foi que ergueu como necessária toda a estrutura da Guerra como uma maneira de Verdadeiro Resistir ao Temporal Peso? Na História desta Criação, foi Lúcifer, O Primeiro Revolucionário, liderando a Morada Eterna contra os Primeiros Seres Celestiais que pretendiam até mesmo destronar ao Governante Automanifestado da Grande Obra. Ao lado de Lúcifer, lutou Thornadoriusis Shodolon, O Primeiro Ser desta Criação, nascido antes daquele e que se tornou o Fundador da Raça Keauriotheniana inumeráveis Idades após A Primeira Guerra Da Criação. O Imperador Thornadoriusus fora, antes disso, um tirânico e impiedoso Guerreiro, O Desafiante De Fundadores Raciais, O Extinguidor De Inumeráveis Raças, O Profanador Do Horizonte Oriental, O Amante De Quase Infindos Seres, O Estuprador De Deusas, O Estuprador De Inúmeras De Todas As Raças Moldadas… Mas, para a Raça Keauriotheniana, toda a Visão dos Grandes Crimes do Fundador da mesma fora apagada pela Magia Eterna, Automanifestada Mãe dele, A Terceira De Todos Os Automanifestados; e, na Condição de Deus, se encontrava muito acima de outros Deuses, em si Portando todos os Elementos Essenciais Daquela Que É A Mãe Da Criação. Mesmo assim, ele fora derrotado muitas vezes e somente não conquistou esta Criação por causa das oposições à altura que encontrou.

Os Keauriothenianos nasceram de um Tirano, Assassino, Estuprador, Devasso e Guerreiro para quem todas as Leis Eternas são dignas de seu escarro. Tiranos como Thalij e Kaleiana Ocitilop Shodolon foram membros de tal Raça. Assassinos como Ryacknos Rackien e Imeon Siat foram membros de tal Raça. Estupradores como Kabal Horan e Dakhur Tomud foram membros de tal Raça. Devassos como Beria Serah e Garun Ideonth foram membras de tal Raça. Guerreiros como Artcsom Ocitilop, Thades Ocitilop Shodolon, Thidan Ocitilop Shodolon, Dgasaat Epamiker, Thagana Borack, Arjuna Harok, Tharabalza Harok, Kartheniara Harok, Monies Rinji, Anirak Gnaix, Zippora Isaachlan, Marine Terah, Anastasia Kronham-Rominsky, Betharyna-Shallah Kronham-Rominsky, Thedia Shet, Sheba Shet, Borus Folder, Eutrapom Comud, Jezer Can, Naitide Stih, Tharen Ocitilop Shodolon… Muitos Guerreiros, Devassos, Estupradores, Assassinos e Tiranos… Incontáveis tanto quanto foram as Criações antes desta… Todos tendo na Alma Eterna o Espírito Da Guerra Automanifestado Na Magia Eterna, exercendo O Império, O Domínio, A Centralização, A Concentração, A Realização e A Potencialização. E todos os mortos e Extintos por eles atestam os Keauriothenianos como A Raça Perfeita Guerreira Maior.

Hoje, no entanto, todos estão mortos ou Extintos. Mortos e preservados na Memória Racial Keauriotheniana. Extintos e promovidos a Revolucionários de uma Guerra que eles já perderam. São os nossos Ancestrais, Filhos Da Nova Luz, Senhoras E Senhoras Do Grande Guerreiro Automanifestado Que Também É O Nosso Pai. Todas estas Crônicas são as Relíquias de nosso Passado, Presente e Futuro como a única Raça merecedora de pisar no solo desta Criação. O Espirito Da Guerra Em Nós Leva Nosso Nome Aos Altos Picos Da Montanha Evolucionária Definitiva. O Espírito Da Guerra É A Obscuridade Necessária Para A Nossa Grandiosa Ascensão Como A Única Raça Que Sempre Deveria Ter Existido. O Espírito Da Guerra É O Estado Que Torna A Nossa Existência Uma Excelsa Ordem Maior Para Todo Nosso Império Prosseguir Na Ascensão. E os que matamos para estarmos onde estamos agora afirmam nossa Ascensão. Os que Extinguimos, igualmente. E os que estamos escravizando, mais do que todos, são definitivas confirmações do Poder Da Nova Luz Que Cada Vez Mais Deve Ascender.

São estas Crônicas as realizadoras de nossa Verdadeira História. Somos do Bem? Somos do Mal? Somos nem do Bem e nem do Mal? A Nova Luz Que Eu Sou apaga em nós estes vis questionamentos. Nós Somos,simplesmente Filhos Da Guerra. Simplesmente, Guerreiros. Simplesmente, Keauriothenianos.


Bethsaida Serah II
Prefácio do Livro Da Nova Luz
Sobre Os Guerreiros
Keauriothenianos


Inominável Ser
BÉLICO
CRONISTA
INOMINÁVEL




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sexta-feira, 31 de março de 2017

Neófitas No Ofício Da Guerra


The Warrior - Carlos Garijo


31 de Dezembro de 3088

Ilha De Thades

11:00h

Entre a América e a África, no Atlântico Sul, cobrindo 11.940.000 km², localiza-se a mais famosa das Grandes Ilhas Sagradas construídas por Thades na Terra. Chamada pelos humanos de Nova Atlântida, a Ilha De Thades é o Pólo Místico Central do Império Keauriotheniano graças a Harizaellaa Harok, a qual elevou conjuntamente toda a Terra ao respeito que merece diante de todos os Evoluídos da Criação. Atualmente governada pela filha única da Senhora Do Raio com Thades, Urizallaa, possui Os Dois Maiores Templos Terrestres e do Império: o da Magia Eterna, ao norte da ilha, 5.712.000 km² e 401.800.000 moradoras; e o da Luta Eterna, ao sul da ilha, 3.268.000 km² e 260.200.000 moradoras. Entre os dois Templos, que elevam-se até 7000 km além da atmosfera terrestre, torres maciças do Metal Místico Keauriotheniano denominado Draherhew equilibradas pela Pulsação Vital Da Natureza Terrestre, uma bela floresta onde vivem várias espécies animais terrestres e keauriothenianas, dóceis e amáveis com todos, coroa a Ilha com vigorosa energia existencial. Desde as 06:00h Beria, Kartheniara, Thadus, Urizallaa, Tharabalza, Arjuna, Selene, Unghiar e Belah estão reunidos no Salão Mestre Deauma Harok do Templo da Luta (987º andar deste) discutindo os últimos detalhes dos preparativos para a guerra após receberem as informações de Sirap. São discutidos detalhes básicos de estratégia defensivas do Continente Americano com clareza rigorosa e calma, uma calma que contrasta com o nervosismo das residentes da Ilha.

99% das Mestras, Mestras Supremas e Guerreiras da Ilha Do Raio jamais estiveram em uma guerra. Temerosas, sabem que seus Treinamentos Místicos-Militares-Marciais foram simulações de situações que não ocorrerão da mesma forma durante batalhas mortais. Apenas Urizallaa e Tharabalza, Grandes; Beria e 1100 Mestras Supremas, Potenciais, participaram de guerras pelo Império Keauriotheniano. Mesmo as várias reuniões com essas 1103 experientes combatentes acostumadas com a ferocidade de uma guerra não aliviaram as tensões daquelas. Muito preocupadas com seus Clãs, mais do que consigo mesmas, encontram-se todas em polvorosa, falantes nervosamente, por todos os recantos da Ilha. Estão nervosas e temerosas, mas revestidas com armaduras, prontas para qualquer ataque que possa ocorrer em seu lar, o qual, mesmo sendo Solo Sagrado, pode ser atacado, como ocorreu com as Ilhas De Thidan e Thaiden. Calmas estão sete inseparáveis amigas que, saindo do confuso alvoroço dos arredores do Templo da Luta, caminham até o da Magia. As sete inseparáveis amigas não querem unir-se ao alvoroço e, silenciosas, para não serem percebidas, atravessam a floresta ouvindo o falatório histérico de suas companheiras. Anastasia põe em seus braços um pequeno filhote de tigre branco assustado com o festival de histeria coletiva que assiste, sob a aprovação da mãe do mesmo, que deixa Kaisha, saltando do colo de sua mãe Marine, montar nela. Zippora, enquanto caminha ouvindo toda a inútil situação de desespero, já que todas estão preparadas para guerrear sem nenhuma possibilidade de passarem qualquer tipo de vergonha por falta de habilidades (falta que nelas inexiste), quase tem vontade de bater em algumas para fazê-las calar-se; June, percebendo tal intenção dela, acalma-a tocando em um assunto acerca de detalhes sobre algumas lutas que assistiram juntas no Brasil. Zarana e Tâmis com dificuldade seguram seus risos, olhando para os rostos assustados de algumas de suas companheiras; achando-as ridículas sem nenhum motivo para o serem, seguem o trajeto até o outro Templo com o riso preso em suas gargantas a fim de não arrumarem brigas.

A 239 m. da entrada do Templo, Anastasia cumprimenta as suas primas Keline, Igraine, Divine, Harya, Yba, Zile, Zanyuska, Karyuske, Ielena, Bereny, Neel, Asymyn, Yessika, Miri, Haze, Jast, Ohana, Reile, Anse, Alerise, Benezya, Ryssa, Lary, Ayla, Lasy, Kathya, Kathala, Kaline, Nekra, Kammy, Myaelle, Akyda, Fman, Ladya, Asyan, Karsa, Naiga, Gêmis, Yêmeis, Kêmis, Dêmis, Anya e Hinra Kronham-Rominsky. Com paciência, a carismática Anastasia ouve por vinte minutos os temores de suas primas, acariciando com grande carinho o filhote de tigre branco, que ela nomeou de Angelus, enquanto suas amigas, também pacientes, aguardam-na. Dizendo-lhes para serem ferrenhas guerreiras e incentivando-as com palavras doces e carinhosas, sempre de uma maneira um tanto altiva, Anastasia aos poucos livra-se do encontro e prossegue caminhando em direção ao Templo. A 55 m. da entrada deste, ela encontra todas as suas inimigas reunidas em um grupo tenso, o qual para de conversar ao avistá-la. A calma e fria Ariadne, ao lado da melancólica e rancorosa Rachelle, primas, põem-se à frente das demais, todas primas delas: Shênya, Baleara e Karana Rinji-Narinsky Jokat Nersky Samlah; Adna, Elasa, Jsadel, Amsi, Mispah, Nolemi, Mahan, Orpha e Rueth Rinji-Narinsky; Aharnasta, Inalgrid, Régia, Igraneth, Debtorah, Rosania, Jerusta, Karline, Kaalrine, Jeauliania, Ohpra, Tarina, Maaka, Nebat, Rosante, Bauata, Bauasa, Athalia, Karin e Shelbarath Jokat Nersky Samlah. Anastasia e Ariadne encaram-se; esta nem se importa com a presença de Zippora e Marine, as quais juntas podem quebrar todos os ossos das 34 inimigas também delas que atrapalham sua trajetória até o Templo da Magia. As primas de Anastasia, percebendo o encontro perigoso metros á frente delas, correm para juntarem-se à ela e suas amigas. Mantendo seu olhar frio no olhar frio de Ariadne, Anastasia continua acariciando o filhote em seus braços; Ariadne percebe a linda criatura nos braços de sua inimiga, criatura que há três horas atrás pôs no colo e junto com a mãe dele brincou por meia hora na floresta. O filhote pula dos braços de Anastasia para os de Ariadne, quebrando-lhe a intenção de atacar sua inimiga; Marine retira Kaisha, sob protestos desta, do dorso da tigresa, que deita-se aos pés de Ariadne. Esta, com o seu pequeno amigo ao colo, olha para suas primas, as quais abrem um corredor para a passagem das sete que se dirigem ao Templo. Mantendo o olhar frio dirigido ao olhar frio de Ariadne, Anastasia caminha entre as suas inimigas seguida por suas seis acompanhantes. Entrando no Templo, elas sobem uma escadaria em direção ao 29º andar, o destino final da caminhada delas. Zippora, ainda subindo a parte térrea da escadaria secundária templária, vocifera irritada:


— Eu já estou cansada demais, Anastasia, dessa sua indecisão sobre o que você deve fazer com essa porra dessa Ariadne e a porra da mãe dela! Eu arrebentaria as caras idiotas dessas duas imbecis e das priminhas delas logo de uma vez, mas arrebentaria com o intuito de desfigurá-las! Eu arrebentaria as caras dessas russas todinhas que a discriminam apenas porque você é filha de dois dos exterminadores dos Clãs delas! Pelos exemplos de “boas meninas tolerantes” que elas dão aqui na Ilha De Thades, bem que os Clãs delas mereceram o fim que tiveram! Deviam todos eles juntos serem um monte de merda preconceituosa como elas!
— Os Clãs dessas minhas compatriotas eram dotados de muitos seres tolerantes de verdade, diferentes dessas sujeitinhas que querem que eu, minhas primas e as russas pertencentes aos Clãs inimigos do Grupo De Beria sejam expulsas da Ilha De Thades. Uma minoria dos Rinji-Narinsky, Jokat Nersky Samlah e Rinji-Narinsky Jokat Nersky Samlah, com as índoles idênticas às dessas preconceituosas, foi a responsável pelo desaparecimento quase total deles aqui na Terra e no Império. Não quero “arrebentar” nenhuma delas, Zippora, mesmo que por vezes, excetuando hoje, quando me provocam frontalmente para tirarem-me a razão, eu tenha a vontade de perfurar com os meus pés as bucetas ruivas e louras, talvez até com pêlos negros e castanhos, de cada uma delas...


Elas tem um momento de descontração com a bem-humorada observação anatômica de Anastasia, gargalhando com tempestuosa força, demasiadamente alto. Kaisha, de apenas seis anos, gargalha com elas, mas fica curiosa com um detalhe, o qual emite a Marine:


— Mãe, o que é buceta?
— É a nossa vagina, Kaisha, por onde nós fazemos a necessidade fisiológica do urinar e por onde recebemos o pênis de um homem quando com ele sexualmente nos relacionamos.
— Ah, então é a mesma coisa que a Mestra Kartheniara me ensinou!
— Bem, Kaisha, isso depende da conotação na qual a palavra “buceta” é empregada. Se queremos chamar uma mulher de “vadia toda aberta para todo pau que fica duro”, dizemos “buceta” quando nos referimos a esse comportamento sexual dela. Se queremos cientificamente nos referirmos ao local mais sagrado do corpo de uma mulher, com respeito e até veneração, porque através dele nós damos à Criação outras mulheres e os homens, chamamos de “vagina” ao dito local.
— Tudo depende da conotação... Então, Anastasia, qual é a conotação da sua vontade de perfurar as bucetas delas com os seus pés?
— A vagina, Kaisha...
— Buceta, Anastasia!
— Tá bom, Kaisha! A buceta é a parte mais delicada de uma mulher fisicamente falando. Seja a mulher de qualquer Raça Moldada Da Criação, a sua buceta vai ser sempre a parte mais frágil do seu corpo, fácil de ser ferida com vigor e ferocidade. Tanto que nos Torneios De Luta Eterna, nas lutas entre mulheres, os golpes nas bucetas são proibidos.
— Então, você ia usar um golpe proibido nelas?
— Não, Kaisha, não! — Gargalha com mais vontade do que antes diante da curiosidade em aprender da inteligentíssima neta de Cush. — Eu e aquelas sujeitinhas iríamos brigar e em uma briga, como em uma guerra, todo tipo de golpe é aceito.
— Se todo golpe é aceito em uma guerra, igual à que nós vamos travar, então, toda guerra deve ser aceita, June?
— Deve, pois nós somos mulheres moldadas para sermos amantes de toda guerra na qual podemos dar-nos o moldar de nossos sucessos ou fracassos. Somos Guerreiras, Kaisha, nascidas para darmos ao nosso Ser Guerreiro as máximas lições que as batalhas nos podem dar ao nível das nossas formas de vermos o que somos guerreando. Há homens como nós pela Criação, mas na Raça Keauriotheniana as mulheres foram agraciadas pela Magia Eterna com o poder de serem melhores na Arte Da Guerra do que eles.
— Mas, June, nós que somos mulheres guerreiras devemos aceitar isso como nosso Destino Eterno que devemos sempre cumprir retamente? E devemos também, me lembrei de uma palavra da Anastasia dita há pouco, aceitarmos o preconceito como o das bucetas russas contra a vagina russa da Anastasia? Por que há a guerra e o nosso dever para com ela? Por que há o preconceito e o nosso dever para aceitá-lo?
— A Guerra Moldada É Tudo O Que Nos Garante Viver Como Molde De Nossos Próprios Vitoriosos Atos Guerreiros, Kaisha, conclui isto Lendo O Livro Do Meu Eu Verdadeiro. Na Guerra, em todas as Guerras, Veja O Sentido da Palavra Verdadeira Guerra, Kaisha, além dos meus lábios, fora dos meus lábios, Além E Fora Da Sua Mente; na Guerra, Kaisha, encontramos a Paz Do Nosso Eu. O preconceito é uma guerra que foi vencida coletivamente, principalmente neste planeta que um dia foi reduto de milhares de preconceitos. A nossa cor de pele nos humanos, Kaisha, era discriminada muito antes da Colonização Keauriotheniana, a “inteligência” dos que se achavam racialmente puros fazia-os acreditar que os negros e os mestiços eram existencialmente inferiores. O homossexualismo era também muito criticado, visto como anormalidade, como aberração de homens e mulheres considerados como lixo da sociedade duramente. Esses dois tipos de preconceito eram altos, mas eles, como todos os outros, através da Iluminação Existencial que Thades iniciou na Humanidade, foram ultrapassados. Mas, Rudolf Myers desenvolveu a Ideologia Mais Humana e o preconceito contra os Keauriothenianos e Keriaunotheds provocou sete Levantes Do Aço, sendo findado apenas quando finalmente os humanos que nos discriminavam compreenderam que fomos seus guardiães e somos seus irmãos. Coletivamente acabou-se a Guerra Dos Preconceitos, mas individualmente esta desgraça continua neste planeta, como bem o sabemos nós. E contra o Preconceito, Kaisha, de gente como as nossas companheiras “bucetas russas”, devemos ser guerreiras furiosas, incansáveis.
— Tal Guerra, June, apenas os golpes de nossos corpos poderiam resolver. — A tempestuosa opinião da explosiva Zippora. — Eu e Selene já tivemos muitas desavenças por causa do que ela vem fazendo com Anastasia e as nossas outras amigas russas. Garanto que se aqui estivesse uma Gnaix ela se reuniria com a filhinha e as priminhas para linchá-la. Essa é a realidade do que é o preconceito de “Mentes Evoluídas” como a da Selene; nós somos muito amigas, mas não concordamos sobre o que devemos fazer para acabar com essa babaquice dela! Nossa Mestra Kartheniara parece que não quer que a sua queridinha fique manchada como preconceituosa e mantém aqui na Ilha De Thades esse problema encarcerado! Beria sabe disso e concorda com Selene! Nós, Anastasia, que gostamos de vocês e das que sofrem com esse preconceito, devemos, outra vez o dever, devemos ficar inertes como um bando de babacas vendo um bando de escrotas imporem uma discriminação fodida como a que estão impondo? Você quer continuar sempre com os braços cruzados diante de tudo o que Selene e suas seguidoras estão fazendo?
— Elas tornam quase impossível a minha existência e a de minhas primas e amigas russas aqui. Já me provocaram muito com piadinhas, espalharam livrinhos me ridicularizando, quebraram de propósito muitas vezes em treinos leves todas as partes possíveis de serem quebradas do meu corpo e o de todas que perseguem… Já humilharam muitas com palavras que fariam até você, Zarana, a mais calma de todas nós, perder a compostura… Algumas de minhas primas foram espancadas fora daqui por elas, que sempre negaram tudo à nossa Mestra… Todas as vezes que ocorreu isso, desde que com cinco anos nós viemos para cá, eu jamais ergui-me violentamente contra elas porque nossa Mestra deu-me a missão de tudo poder suportar para ser uma melhor Guerreira do que todas essas cretinas. Por isso, Zippora, eu nunca briguei com qualquer uma delas e suportei calada cada humilhação, cada perseguição, sem reclamar, sem chorar, feliz pela missão dada a mim por nossa Mestra. Eu tentei controlar as demais que passavam pelo mesmo, mas fui nisto imperfeita e todas elas se engalfiaram com nossas inimigas pela Ilha De Thades, o que somente elevou a nossa rivalidade e inimizade. Culpam-nos por sermos dos Clãs “malignos” que exterminaram inúmeros dos Clãs delas; e agem como malignas muito imperfeitas por tentarem nos fazer abaixar as cabeças e sairmos da Ilha. Não, Zippora, eu nunca estive com os meus braços cruzados; eu ajo com mais sutileza do que Selene e sempre venço. Selene é vencível, veja o que Anirak Gnaix fez com ela e conosco, já que a nossa “genial” General Suprema De Guerra Terrestre diminuiu quase toda a defesa da América. Eu venço, como Anirak, Selene, Zippora; e, como Anirak, não vou jamais decapitá-la porque gosto de vê-la diariamente vencida, derrotada, esgotada, mesmo fazendo piadinhas para dizer-se feliz.
— A sua positividade diante do ódio que Selene e as asseclas dela dirigem a tudo que lembra você me é admirável, Anastasia; eu faria o mesmo, com a mesma serenidade e racionalidade. — Tâmis revela, com um brilho sincero no rosto. — Tenho uma pequena observação a fazer com relação a tal assunto e não sei se alguma de vocês concordará comigo. A melhor de todas elas, a que eu penso ser diferente, é a Rachelle; não que eu seja amiga desta, mas nós conversamos algumas vezes enquanto estudávamos as Ciências Tecnomísticas De Thades e notei que ela é um pouco contra a atitude das outras.
— São todas iguais, Tâmis, e aquela carinha de menininha sofrida da Rachelle não me ilude. — Zippora, sempre diretamente sincera.
— Rachelle apenas segue Selene porque esta a obriga, ela insiste em dizer-me isto sempre que conversamos.
— Você é amiguinha dela, Tâmis?
— Não sou amiguinha dela, Zippora. Ophir e Lasha Rinji-Narinsky foram dois miseráveis covardes cruéis que divertiam-se matando pelo mundo os seus desafetos em brigas e sempre escapavam do Julgamento Imperial De Thades por utilizarem como argumento de defesa a obrigatoriedade de matar quando sentir-se ameaçado presente em nossas Leis Imperiais. A minha tia, Kaja, foi assassinada por eles em 12 de abril de 3056 em Roma, junto com doze Guerreiros Grilock, todos amigos de minha mãe. Se eu fosse como Selene, eu veria em Rachelle uma inimiga; porém, ela não é como Ophir e Lasha, não é uma assassina divertindo-se pelo mundo a matar. Rachelle não a odeia, Anastasia, e nem a nenhuma outra que Selene diz serem “o lixo maior da Rússia”; e não sente dor pelo fato dos pais terem sido decapitados por Anirak na Batalha Da Tomada De Moscou, porque sabe que eles mereceram aquele fim guerreiro.
— Tâmis, acho que na frente de Anisal não devemos falar desse assunto de Guerra Eterna entre Clãs, para ela isto é excessivamente doloroso. — A tímida Zarana, tendo alguma dificuldade em subir a escadaria por causa de sua estatura, pede.— Ophir e Lasha assassinaram os pais dela por causa dessa estupidez eterna, a qual Selene radicalmente continua a alimentar com um prazer que não é digno da Magia Eterna. As próprias integrantes dos Clãs inimigos dos dela e de Rachelle não são tão propensas a atuarem como ela, reagindo apenas à medida do aumento da perseguição promulgada pela herança de ódio entre esses Clãs.


Anastasia fica a ouvir calada o que suas amigas conversam sobre A Maior Das Inimizades Eternas Entre Clãs Do Império Keauriotheniano. Ouve-as e ao mesmo tempo reflete consigo sobre o que não tem coragem de dizer-lhes. “Se tudo fosse apenas a questão de uma Inimizade Eterna, a solução rápida e fácil seria continuar a alimentá-la, como Zarana observou. Uma solução que eu poderia ter tomado há muito, mas por causa da minha diferente maneira de ser, diferente maneira de agir, resolvi não continuar com o ciclo de ódio que sobrevive no Império Keauriotheniano há inumeráveis Eras Universais. Minhas amigas sabem que eu não sou como os meus pais e nenhuma das russas amigas nossas aqui são como os pais delas; contudo, não Sabem que em meu caso há algo que me obriga a herdar a Inimizade Eterna contra os Rinji, Rinji-Narinsky, Jokat Nersky Samlah e os outros Clãs que os seguem. Fui gerada pela minha avó e o filho único dela para ser A Maior Dos Kronham-Rominsky, uma Produção Bioespiritual determinada pelas Leis Automanifestas Do Sangue Eterno De Thades. A Marca De Thades em mim está marcada por essas Leis, que por todos os dias me obriga a lutar contra os fatores que ligam-me à Ilha De Thades. Meus pais enviaram-me para ser treinada aqui por causa de Harizaellaa Harok, que foi a Mestra de minha mãe e batizou o meu pai no Centro Maior deste Templo. Eles querem que eu decida entre apoiá-los ou ser-lhes inimiga… Não sou como eles… Não posso ser inimiga deles… Não quero dar a Selene a vitória diante da minha entrega ao Ódio Eterno que eu condeno! Não quero ser inimiga dos meus pais… Não quero ser inimiga destas companheiras que eu amo como minhas irmãs… Não quero ser inimiga da Verfdax Kartheniara, uma mãe que me ama mais do que Betharyna-Shallah Kronham-Rominsky… Não quero ser inimiga de Betharyna-Shallah… Não quero ser Anastasia Kronham-Rominsky… Não quero ser uma realização apenas de um plano de grandiosidade de um Clã… Não quero ser a Realização Maior Dos Kronham-Rominsky! Não quero ser! Não quero me submeter a isso! Não quero! Não quero…”


— ...penso que matar em batalha é igual a lutar em um Torneio. — Marine está com Kaisha em seu colo. — Conforme os Princípios Do Wa Kajer Wan-Sareyt desenvolvidos pelo Espadachim Maior Keauriotheniano Wyor Borack, “A Espada Guiada Em Uma Celebração Da Celebrada Arte Da Espada É A Mesma Espada Guiada Em Uma Celebração Do Celebrar A Glória Da Vida Eterna Em Todo Guerrear. Guerreamos Em Tudo No Existir Dos Firmamentos E Esferas De Guerras Rodeiam O Ar Da Eterna Toda Guerra Dos Guerreiros Da Criação, Os Quais São Todos Os Seres. Cair Em Um Torneio É Vencer Uma Guerra; Cair Em Uma Guerra É Vencer Toda Guerra Inscrita Nos Firmamentos E Nas Esferas”.
— Texto 1090 do Trigésimo Terceiro Pergaminho Das Tradições Esgrimistas Do Clã Borack. — Tâmis localiza a citação de sua amiga.
— E há, em todos os Clãs Keauriothenianos, uma Tradição nascida daquelas Tradições Do Primeiro Dos Borack, os quais são Os Maiores Espadachins Keauriothenianos. O Milésimo Ducentésimo Trigésimo Segundo Filho Keauriotheniano De Thornadoriusis Shodolon, O Iniciador Do Amor À Espada na Raça Keauriotheniana, contribuiu em tudo o que também constitui os Estilos Da Luta Eterna desenvolvidos. A Filosofia Da Guerra tem a sua origem em nossa Raça e não é, como os humanos acreditaram quando nos primeiros anos da Colonização Terrestre Keauriotheniana, uma exacerbação do barbarismo existencial, próprio de Raças Moldadas isentas de desenvolvimento em relação aos seus Conhecimentos Existencialistas. Guerrear É Uma Filosofia Porque Explica Por Si Mesmo O Que É O Motivo Único Do Esquema Moldado; este Motivo Único, como nossa Mestra Kartheniara escreveu no Primeiro Novo Livro Do Raio, é “O Motivo Equivalente Ao Venerar De Toda Vontade Que Se Propõe A Evoluir Como Motivo Para Equivaler-Se Como Vontade Que Prioriza O Não-Guerrear Por Guerrear E Guerreia Porque O Motivo Do Não-Guerrear É Guerrear”. Todo Princípio Filosófico Da Guerra vem a constituir uma explicação das guerras travadas na História Da Criação. Somos treinadas para O Único Motivo e em questões como termos receios de matarmos devemos apenas pensar em tudo que estudamos, no quanto treinamos, no quanto sabemos da Celebração Da Existência Eterna Que É O Guerrear.
— Mãe, eu posso matar todos os meus inimigos por causa dessa Celebração?
— A Celebração é permitida pelos Automanifestados, Kaisha, pois O Que Seria Da Evolução De Tudo Na Matéria E Na Imaterialidade Sem Todo O Guerrear Do Guerrear?
— Mas, mãe, a Paz Do Evoluir, uma determinação necessária a todo Guerrear, não daria o mesmo resultado à Celebração?
— Paz E Guerra São O Guerrear, Kaisha.
— Paz E Guerra juntas, mãe?
— A Paz é um estar pacificamente ciente do seu dever em agir no Guerrear, em ser, de toda forma, de toda maneira, um Filho De Toda Guerra; A Guerra é um ficar absorto belicamente no dever todo de saber que a dedicação latente do Filho Da Guerra é para com todo Ato Da Paz Que Internamente Fundamenta O Guerrear. A Paz nós temos sendo Guerreiras; A Guerra Nós Somos Sendo Filhas Da Guerra Na Paz De Nossos Deveres Existenciais Para Todo O Nosso Dever De Guerrear.
— Se pelo motivo da Guerra nós vamos matar, eu não gostaria de fazer isso com alguns dos nossos inimigos pelos quais tenho grande respeito. — Zippora exibe na voz um raro momento de sensibilidade. — Nas arenas eu respeito muito os meus adversários, mas bato com a vontade de vencer esse respeito e derrotá-los. Lutei aqui na Terra e pelo Império com homens e mulheres que, em sua maioria, são respeitáveis. Por eles eu não tive o instinto que derruba o Espírito Do Guerreiro Eterno, o instinto de matá-los em luta. Gosto de ser rival de Tênisa Ekin e não inimiga que será obrigada a matá-la em combate; ela não gosta de mim, me odeia por eu tê-la retirado do posto de grande campeã ininterrupta de Torneios pelas Colônias Keauriothenianas, mas Sei que não deseja matar-me. Por Thades, eu não sou uma sentimental, mas abala-me ter que ser obrigada a matar muitos daqueles que conheci pelas arenas terrestres, alguns que até são meus amigos...
— E todas aquelas bestas idiotas que vimos desesperadas enquanto caminhávamos até aqui não sabem o que será pior para elas se continuarem se comportando como as fracas que não são.— Tâmis, tratando com um pouco de desprezo aquelas que observou, tentando segurar o riso.
— Elas não são bestas idiotas, Tâmis; elas são apenas mulheres e meninas assustadas quanto ao fato de terem de retirar vidas enquanto que aqui foram ensinadas a respeitarem toda vida antes de tudo. — June, com serena sapiência sóbria.
— June, nós somos mulheres como elas e não estamos assustadas com o que iremos fazer. Respeitamos toda vida, mas sabemos que nossos inimigos não respeitam vida nenhuma. A História Terrestre conta com muitos exemplos de homens e mulheres que não respeitavam a vida, sendo mortos, em guerra, pelos respeitadores da vida. Sei que isto é uma filosofia medíocre comparada a todas as tradições filosóficas que nasceram neste planeta, mas aqui, como em todos, até em Keauriothen, a Cadeia Evolutiva Do Esquema Moldado por Nossa Mãe Automanifestada concebeu-a para que O Equilíbrio Da Balança Seja Firme Equilíbrio De Lanças Exatas Em Seu Seguir A Direção De Seu Surgir.
— June está certa, Tâmis, porque sabemos que aqui não há bestas idiotas, em nenhum Templo voltado para os Ensinamentos Das Magias e das Artes Marciais da Criação há bestas idiotas.— Anastasia avista o último lance de escadas em direção ao 29º andar. — Estamos chegando... Glenddha, Saal, Jalasal e Kiasal devem ser lindas como as mães delas.
— Principalmente as três últimas devem ter herdado algo do lindo do pai delas... — Tâmis, sorrindo maliciosamente.
— Borus ama demais Anisal, Tâmis! Está querendo-o como homem?
— Eu iria querê-lo como a uma mulher, Anastasia?
— Bem, esse belo alto negócio de querer mulheres é comigo, Tâmis. — Zippora sorri, o que não ocorre com facilidade. — Mas, até que com o Borus eu poderia abrir uma exceção...
— Tâmis, Zippora, calma aí com as bucetas quentes! — Marine, gargalhando e fazendo todas gargalharem. — Ele está lá e não quero ver nenhuma das duas com gracinhas com ele! Se fizerem alguma, eu, como uma tia corrigindo sobrinhas taradas, meto-lhes nas bundas muitas boas porradas!


A descontração é total, mais estonteante agora do que quando começaram a subir a escadaria. Anastasia referiu-se a quatro novas integrantes do Princípio Feminino Da Criação no Plano Físico, nascidas à meia-noite deste dia 31 de dezembro de 3088. Glenddha é filha de Iniringa com Thadus; Saal, Jalasal e Kiasal, de Anisal e Borus. As duas estão com as filhas no Salão Dos Partos Místicos Keauriothenianos, Asyugerweaur, de 788 m² de extensão, sendo as únicas mulheres na Terra, neste dia, a darem à luz. Vinte discípulas de Tharabalza, lideradas por esta, auxiliaram-na nos Partos Místicos, nos quais Magia Eterna é evocada para envolver os corpos das mães e a Luz Eterna para envolver os das crianças. Somente praticado pelas Mestras Supremas, o Ytereb Rthudan, como também é conhecido, é um Ritual Místico complexo, exigindo da Servidora De Canalização Bioenergética, que foi Tharabalza, todos os seus Recursos Espirituais De Arquimestra; e das Auxiliares De Manipulação Bioespiritual, todas Arquimestras, Recursos acima de suas Condições Evolutivas. Iniringa e Anisal escolheram esse Ritual porque são tradicionalistas com relação à Civilização Keauriotheniana e queriam que suas filhas nascessem como elas nasceram. Os Partos duraram nove dias e as meninas, logo que nasceram, foram batizadas por Tharabalza no Centro Maior Templário, no térreo deste em contato com o espaço, com as Forças Cósmicas Do Espírito Planetário Terrestre alimentadas pelo Espírito Automanifesto Do Kosmos. Envoltas em mantos dourados de Rehgr, um tecido místico keauriotheniano, estão dormindo deitadas com as mães, as quais também estão adormecidas desde a realização dos partos.

Thadus esteve em Asyugerweaur quando chegou de São Paulo, às 05:30h e encontrou suas esposa e filha dormindo. Borus, que chegara à 00:30h no Salão, conversou com ele um pouco e depois sentou-se entre as camas delas, permanecendo a admirá-las e a meditar sobre o que aguardará as crianças que crescerão em um mundo tomado pela guerra. Ele está sozinho com elas e ouve as gargalhadas próximas do grupo de amigas delas. Antes que elas cheguem a 30 m. da porta, ele teletransporta-se e surge à frente de Tâmis, que reage com um pequeno sorriso, enquanto que suas amigas olham-na querendo gargalhar.


— Elas e as crianças estão adormecidas, Irmãs Na Magia Eterna. Os Partos foram grandiosamente dispensadores de esforços além do que elas devem exercer como praticantes das Magias.
— Podemos ver as crianças?
— Podem, Tâmis, mas caladas.


Caminhando nas pontas dos pés, elas seguem em direção à porta. Borus a esta abre teletransportando-se para o interior do Salão; Zarana é a mais cuidadosa em seu caminhar, já que suas pisadas, normalmente, estremecem o solo, o que ocorre com todos os gigantes. Com ele à frente, caminham 16 m. até as camas delas, cuidadosamente silenciosas, silenciosamente cuidadosas, abrindo sorrisos de deslumbramento com o que vêem. As mães, com túnicas brancas, estão abraçadas às filhas, enlaçadas amorosamente, carinhosamente, sentindo espiritualmente umas às outras. Até Zippora emociona-se com a cena, pois elas Vêem os Espíritos Eternos das seis Filhas Do Feminino adormecidas à sua frente em um enlace amoroso que transcende o que elas conhecem como amor nos Úteros Automanifestos Da Magia E Da Luta Eternas. É O Amor Automanifesto que uniu-as no Observar Verdadeiro desta União De Espíritos, Amor que Borus, um Filho Do Princípio Masculino Da Criação, também Sente pairar Vendo os Espíritos nos Úteros Das Mães Da Criação. Da Visão que está tendo, Anastasia recebe uma mensagem silenciosa, à qual ninguém percebe, que a faz retirar-se, sem que os outros percebam, do Salão. Recostando-se na porta, ela se recusa a aceitar o que recebeu; afastando a sua fortaleza de invulnerável equilíbrio, contém seu choro, derramando lágrimas que com rapidez enxuga; fazendo-se novamente fortaleza, decide calar-se sobre mais um dos seus torturantes segredos íntimos.


Inominável Ser
BÉLICO
CRONISTA
INOMINÁVEL





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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O Lobo E Sua Senhora


Hunting Ground - Dan Dos Santos


A razão dos predadores nunca pode ser negada e as noites de uma cidade podem ser povoadas pelos mais diversos tipos de feras prontas para o arrancar de almas, mentes e ossos. As Grandes Feras temidas são pelo seu gosto por massacres onde todas as vontades são esmagadas. As Grandes Fúrias regem as caminhadas dos predadores pelas urbanas selvas. As Grandes Obras Assassinas fazem parte de um pacto entre dois companheiros de uma intensa jornada nos Caminhos Sanguinários. Companheiros como o Lobo Jordamur e sua Senhora, Arhyany.


— Nossa luta ainda não tem fim, Jordamur, temos que continuar em todas as frentes desta guerra. Pela Honra Darmu, temo que nos guiar até o fim de todos os nossos inimigos. Não pode parar e nem mesmo nos negar ao combate e à eliminação de todos os nossos inimigos. Devemos isso aos Primeiros Lobos, os nossos Pais Eternos.


A razão dos predadores comanda os passos do Lobo. A razão dos predadores alimenta a vontade da Senhora. As cidades de Legnetulb são uma campos de batalhas entre os Primeiros, os Últimos e os Novos Lobos Tsudlegna. Para Jordamur, não há garganta que não possa ser rasgada. Para Arhyany, não há sentido nem mesmo em deixar crianças vivas. Eles são Soldados Dos Primeiros e o extermínio de todos das outros duas Lupinas Castas Legnetulb é uma exigência dos Primeiros Generais.


— “Não, meu bebê, não!”

— “Por favor, em nome do Grande Lobo Pai!”

— “Meus filhos, não!”

— “Filhas, fujam!”

— “Agora, pode matar somente a mim, deixe minha família viva!”

— “Por favor, eu imploro, em Nome Daquele Que Impera!”

— “Não!”

— “Imploro!”

— “Deixe-me viver!”

— “Mãe!”

— “Pai!”

— “Filho!”

— “Assassinos! Assassinos!”

— “Monstros!”

— “Desgraçada!”

— “Desgraçada!”

— Desgraçada!”

— “Desgraçada!”

— “Desgraçada!”

— Desgraçada!”

— “Desgraçada!”

— “Desgraçada!”

— “Desgraçada!”

— “Desgraçados!”

— “Desgraçados!”

— “Desgraçados!”

— “Desgraçados!”

— “Desgraçados!”

— “Desgraçados!”

— “Desgraçados!”

— “Desgraçados!”

— “Desgraçados!”


A razão dos predadores é medida pela quantidade de sangue a jorrar de suas presas e garras nas mais diversas condições de guerra. Em seus duzentos anos em uma guerra que já dura mil e duzentos anos, o Lobo e sua Senhora já ouviram as mais diversas palavras enquanto cumpriam seus massacres determinados pelos Generais. Aryahny ouvia guerreiros e residentes das cidades onde era designada a ir como membra dos Primeiros Exércitos implorarem por suas vidas. Ela guiava seu Lobo contra outros Lobos e contra os Senhores destes. Ela guiava seu Lobo contra as famílias dos guerreiros vencidos. Ela guiava, cumpridora das determinações de seus Senhores, seu Lobo na matança generalizada. E, enquanto durar a guerra no mundo onde os predadores comandam todas as ações e reações dos cotidianos atos, ela vai continuar guiando seu Lobo no derramamento de sangue.


Aos Lobos
Uma canção
Da terra onde
Nascem as auroras

Aos Senhores
Uma canção
Da terra onde
Morrem os crepúsculos

A Canção
Dos Lobos
É o uivo
Interminável

A Canção
Dos Senhores
É a mandíbula
Invencível

Cantam
Os Lobos
Com seus uivos
Sanguinários

Cantam
Os Senhores
Com seus olhares
Implacáveis

Aos Lobos
As vozes
De seus Senhores
Eternos

Aos Senhores
O amor
De seus Lobos
Eternos

Os Lobos
Devoram
Para o bem
Dos Senhores

O Senhores
Devoram
Para o bem
Dos Lobos

Com Lobos
As cidades
São de sangue
A jorrar

Com Senhores
O sangue
É o prêmio
A consagrar


A razão do predadores não questiona e nem dá pausas para reflexões diante da obrigação de seguir o Caminho Predador. Como bem diz A Canção Dos Lobos E Seus Senhores, escrita por um desconhecido Senhor nascido quatro mil anos antes do início da guerra. Arhyany canta sempre aquela canção ao lado dos demais Senhores, que respeitam-na como A Maior Dos Senhores Primeiros. Ela tem em conta de trezentos e quarenta milhões aqueles que viu Seu Lobo matar; mas, entre os que não viu, conta-se outros quatrocentos milhões. Ela mesma, com suas garras expostas em batalhas, matou um bilhão e tornou-se a mais temida Guerreira de Legnetulb. Mas, algo falta…

A razão dos predadores demanda incansável metodologia no incessante buscar de presas difíceis ou fáceis. Arhyany quer apenas um momento de paz, momento longe de batalhas e massacres pós-batalhas. Arhyany quer apenas uma trégua para poder abraçar seu Lobo como um amigo e não como Soldado. Arhyany deseja algo que compartilha apenas com seu Lobo… E os incessantes chamados para batalhas de cidade em cidade do quase infindo mundo onde Ser Predador é o Ápice Evolutivo extinguem a realização concreta de tal desejo.

A razão dos predadores é apenas exercer os movimentos enaltecedores dos Mistérios Assassinantes. O Lobo obedece. A Senhora ordena. As Presas sofrem.


Inominável Ser
INOMINÁVEL
PREDADOR
A UIVAR





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